Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

domingo, 3 de março de 2024

THE STONE ROSES: UM TEMPLO SAGRADO CAPAZ DE ELEVAR QUALQUER CORAÇÃO

 Por Juliana Vannucchi

No final dos anos 80 e início da década seguinte, quando o punk rock já não era mais uma novidade, a cidade de Manchester abrigou uma efervescente onda de bandas de rock que despontavam numa fascinante maré de criatividade. Esse período histórico e as características sonoras dessa geração de grupos emergentes ficou conhecido como “Madchester”. Foi justamente nesse contexto que surgiu o The Stones Roses, grupo formado em 1983, que contava com o talentoso Ian Brown nos vocais, John Squire na guitarra, Mani no contrabaixo e tinha Reni como baterista. 

O primeiro álbum da banda, intitulado “The Stone Roses” foi lançado somente em 1989. Alguns anos mais tarde, em 1994, o quarteto de Manchester presenteou o mundo com o segundo e último disco de estúdio, chamado “Second Coming”. Os integrantes ficaram juntos até meados da década de noventa, quando, por fim, se separaram. Posteriormente, em 2011, anunciaram uma turnê e chegaram até mesmo a produzir novos materiais. No entanto, a carreira da banda nesse retorno não emplacou tanto como quando o debut que chamou a atenção do mundo todo foi lançado. Esse memorável álbum de estreia carrega um total de 11 faixas e possui uma aura imensamente original, cuja musicalidade desvinculava-se tanto do punk rock, quanto do pós-punk, gêneros mais populares do período em que foi gravado. Em função desses diferenciados aspectos criativos e de sua peculiaridade estética, a banda é considerada representante do “alternative rock”, uma vez que foi essencialmente transgressora, escapando dos padrões de sua época e conseguindo aventurar-se em novos terrenos sonoros.

 

Escutar essa banda é uma viagem fantástica, um deleite libertador
 

O “The Stone Roses” é album que possui um carisma atemporal e cativante. Suas melodias grudam na cabeça e fisgam o coração, enquanto os sentimentos melancólicos despejados por Ian Brown soam como um sagrado templo acolhedor. É um disco extremamente qualificado em todos os sentidos possíveis, com variadas influências estilísticas e, em função desse conjunto de elementos, é improvável encontrar alguém que não se encante quando o ouve. Escutar essa obra-prima é uma viagem fantástica, um deleite libertador e repleto de mágica! O ouvinte simplesmente se perde por completo na  experiência sonora profunda das faixas desse apaixonante disco.

Vale citar que a icônica capa desse aclamado álbum chegou, com justiça, a ser eleita pela revista “Q” como uma das "100 melhores capas de discos de todos os tempos". No artigo da “Q” a respeito da arte da capa, o guitarrista Squire, que a criou, revelou: “Ian certa vez conheceu um artista francês quando ele estava viajando pela Europa. Esse cara estava presente em tumultos e contou a Ian como limões foram usados ​​​​como antídoto para gás lacrimogêneo. Havia um documentário com uma ótima cena no início, de um cara jogando pedras na polícia. Gostei muito da atitude dele”. Essa história contada por Squire, não apenas serviu como pano de fundo para a criação da capa do álbum, mas também inspirou uma letra da música "Made Of Stone". 

Essa banda tão inovadora nos deixou como herança um álbum catártico que é capaz de transformar qualquer momento da vida numa experiência atípica e verdadeiramente cinematográfica. O The Stones Roses oferece a trilha sonora ideal para dar sabor a essa existência estranha, que por vezes é tão amarga e indigesta.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

PIXIES: ENTRE O INDIE E O INEXPLORADO

 Por Neder de Paula

O mundo do rock independente foi profundamente marcado nos anos 80 e 90 por uma banda que, mesmo não conquistando inicialmente os holofotes comerciais, moldou o cenário musical com sua abordagem única e visceral. Estamos falando dos Pixies, uma banda que deixou sua marca indelével na história do rock alternativo.

Formada em 1986 em Boston, Massachusetts, os Pixies eram compostos por Black Francis (vocal e guitarra), Joey Santiago (guitarra), Kim Deal (baixo e vocal) e David Lovering (bateria). Desde o início, eles desafiaram as convenções, misturando elementos de punk, surf rock e indie em um som cru e inovador. 

Os Pixies atingiram seu auge com os álbuns "Surfer Rosa" (1988) e "Doolittle" (1989). Faixas como "Where Is My Mind?", "Debaser" e "Monkey Gone to Heaven" tornaram-se hinos do movimento alternativo. A voz intensa de Black Francis, as letras surreais e as mudanças bruscas de dinâmica contribuíram para a singularidade da banda.

 

Os Pixies continuam a influenciar gerações de artistas, com suas contribuições ao rock alternativo reverberando em bandas contemporâneas.

No início dos anos 90, conflitos internos e pressões comerciais começaram a surgir. Após o lançamento de "Trompe le Monde" (1991), a banda entrou em hiato. Kim Deal deixou o grupo, e os membros seguiram caminhos separados.

Houve, no entanto, um retorno triunfal: os Pixies surpreenderam os fãs em 2004, anunciando seu retorno com uma turnê mundial. Em 2014, lançaram "Indie Cindy", o primeiro álbum de estúdio em 23 anos. Embora tenha recebido críticas mistas, mostrou que a chama criativa ainda queimava.

Os Pixies continuam a influenciar gerações de artistas, com suas contribuições ao rock alternativo reverberando em bandas contemporâneas. A fusão de elementos barulhentos, melódicos e poéticos permanece uma referência inegável.

A jornada dos Pixies é um conto de resiliência e reinvenção. Do cenário independente aos grandes palcos e de volta ao estúdio, eles deixaram uma marca indelével. A discografia diversificada e o impacto duradouro atestam que os Pixies não são apenas uma banda, mas um ícone do rock independente que transcendeu gerações. Seu legado, agora entrelaçado com os altos e baixos da vida musical, continua a inspirar e influenciar, perpetuando o espírito inovador que os colocou no mapa musical há décadas.

Audição sugerida (leia-se indispensável)

1. Surfer Rosa (1988)

2. Doolittle (1989)

3. Bossanova (1990)

4. Trompe le Monde (1991) 

5. Indie Cindy (2014)

6. Head Carrier (2016)

7. Beneath the Eyrie (2019) 8. Doggerel (2022)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

METAL: UMA JORNADA PELO MUNDO DO HEAVY METAL

 Por Juliana Vannucchi

Jaquetas de couro, camisas pretas, cabelos longos… esses são alguns dos aspectos visuais que compõe a aparência clássica de uma das tribos urbanas mais presentes e cultuadas do mundo: os metaleiros, ou mais apropriadamente dizendo, os “headbangers”. É comum nos depararmos com eles andando pelas ruas, mas geralmente não conhecemos a cultura que se esconde por trás dessa aparência e, tampouco, costumamos conhecer suas reais influências sonoras e raízes históricas. Em 2005, um antropólogo canadense chamado Sam Dunn, que faz parte dessa tribo urbana, e decidiu realizar um documentário que mostrasse ao mundo a verdadeira face do heavy metal e de seus admiradores e representantes. Dunn se apaixonou pelo gênero musical aos 12 anos e conta que chegou a escutar o disco "The Number Of The Best", 25 vezes num único dia! Desde seu esse contato com o mundo do heavy metal, tornou-se um verdadeiro fã. O documentário de Dunn, de forma geral, foi muito bem recebido em todo o mundo. O antropólogo procurou realizar uma produção que desvendasse as origens históricas desse tipo de música, a ideologia, a cultura, seus efeitos sociais, e também as controvérsas existentes ao redor desse gênero.

O documentário de Dunn desenvolveu-se a partir da seguinte questão:“Por que o heavy metal até hoje é um gênero musical tão descriminado e estereotipado?” Para responder a essa pergunta, o canadense frequentou vários países diferentes e realizou filmagens em shows de bandas clássicas de metal, além de entrevistar seguidores do gênero e aclamadas figuras que formam esse universo. Ronnie James Dio, vocalista das bandas "Dio" e "Heaven And Hell", Tony Iommi, considerado um dos maiores guitarristas da história do rock, Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, e outros grandes nomes do metal, como Tom Araya, Dee Snider e Vince Neil são alguns dos personagens que cederam depoimentos para o produtor. Afim de relacionar esses artistas e bandas dentro de um amplo contexto, Dunn apresenta uma árvore genealógica que explora as vertentes do heavy metal e, assim, a partir desse aspecto vai desenvolvendo e organizando sua pesquisa, enquanto ele próprio narra seu roteiro que é mesclado com depoimentos desses músicos e de fãs do gênero.

Dentro dessa estrutura e em busca de respostas para e questão proposta, o filme é dividido em capítulos que dão uma pincelada por vários aspectos importantes do heavy metal, explorando desde seus primórdios, até o preconceito que existe contra esse universo. Dessa forma, o documentário vai tornando-se cada vez mais completo ao apresentar o amplo repertório de bandas desse meio, além de  assumir um caminho nitidamente bilateral na medida em que aborda de forma imparcial não apenas questões técnicas  e processos de criação sonora de músicas do gênero, mas assuntos mais sombrios e delicados, como, por exemplo, a linha de pensamento e ideologia de bandas de metal que tem afinidade com o satanismo e que, de certa forma, foram responsáveis por firmar um estereótipo já antigo que esse estilo musical e seus seguidores carregam. São discutidos também, assuntos como o machismo presente dentro do gênero, e como se deu, ao longo dos tempos, a inserção das mulheres dentro desse meio. Dunn também questiona ídolos do metal quanto a assuntos gerais, como religião, figurino, e retoma também como uma de suas temáticas, um dos momentos mais memoráveis da história do rock and roll, que foi quando Dee Snider, vocalista da banda Twisted Sister, depôs no Conselho de Pais, que foi criado pelo Senado norte-americano sob comando da reacionária Tipper Gore (esposa do ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore), com a grotesca finalidade de fazer diversas acusasões contra o heavy metal e outros gêneros (Prince e Madonna, por exemplo, também foram considerados imorais e acabaram envolvidos no caso). Nessa ocasião, Snider deixou a mídia, Gore, e todo o Senado boquiabertos com a qualidade e fundamentos de seus argumentos. Foi um dos momentos mais expressivos  e emocionantes da história do rock and roll. Em função desse acontecimento, até hoje, podemos ver o músico como um grande mito do rock e verdadeiro símbolo de resistência. Vale dizer também que esse cenário nos leva a reconhecer a rebeldia que o heavy metal carrega em seu DNA agressivo.


O heavy metal e seus fiéis seguidores sobrevivem e com certeza, sobreviverão com, ou sem esse julgamento.

Apesar de toda a qualidade da produção e da visão ampla que Dunn busca expor, considero que talvez ele pudesse ter valorizado e examinado um pouco mais a fundo a faceta histórica do metal, explorando melhor as bandas que formam o primórdio e as raízes estilísticas desse tipo de música. Possivelmente, a meu ver, isso fortaleceria ainda mais o trabalho do jovem antropólogo. Mesmo assim, o resultado final é incrível, emocionante e apresenta ao espectador o heavy metal como algo apaixonante, como uma espécie mundo paralelo acolhedor que está sempre de portas abertas para que qualquer um possa entrar nele. Independente de qualquer crítica por parte da sociedade ou até mesmo do Senado, o heavy metal e seus fiéis seguidores atualmente sobrevivem e, com certeza, sobreviverão sempre, apesar do constamente julgamento que sofrem, pois, afinal, a paixão musical que nutrem se sobrepõe a qualquer possível obstáculo que esse tipo de música e os headbangers possam enfrentar.

EU BEBERIA COM ESSES CARAS #02 - ANDY & ERON

 Por Juliana Vannucchi

E cá estamos nós, para mais um texto dessa coluna tão importante do Fanzine Brasil, através da qual homenageamos determinados artistas. E dessa vez… eu beberia com Andy e Eron, a fantástica dupla que dá vida ao The Edwoods, duo paulistano de macabrerock. Com certeza, nesse encontro tão especial, eu e os meninos teríamos muitos assuntos sobre os quais conversar e, certamente, daríamos muita risada juntos!! Eu tomaria somente uma água nessa ocasião, mas ofereceria, sem dúvida, boas doses de cachaça para os queridos amigos…

A princípio, iria homenagear a loucura descabida que estrutura a imagem do duo. Esse seria o pontapé inicial do nosso papo, pois, afinal, sempre me questionei: “Como será que Andy e Eron ficaram esquisitos assim? Bem, penso que, ou eles leram muitos livros do Nietzsche ou, então, escutaram muito The Cramps. Caramba! Provavelmente foi a segunda opção porque, acabo de me lembrar que, embora Eron seja um estimado professor de Filosofia, Andy é um péssimo leitor, incapaz até mesmo de assimilar uma simples receita de bolo (ele fica com dor de cabeça quando lê). Por outro lado, sei que o professor Eron, no entanto, nutre uma admiração especial por duas obras brilhantes, escritas por seus escritores favoritos: “O Amor é Um Cão dos Diabos” de Charles Bukowski e “As Intermitências da Morte”, de José Saramago. Aposto que você desconhecia essas referências culturais e literárias de Eron!

Enfim… Considero que certas fusões de referências bizarras deram luz a esse duo incrível que parece ter saído de dentro de um filme de terror trash dos anos oitenta, daqueles gosmentos, sanguinários e que contam com efeitos especiais de segunda mão. Na verdade, seria magnífico se algum cineasta roteirizasse um longa trash e convidasse os meninos para compor a trilha sonora. E aí? Alguém se habilita? 

Isso posto, em nosso encontro eu diria aos rapazes que ambos são muito talentosos. Ressaltaria que eles tocam bem demais e criam músicas perfeitamente alucinantes! Não à toa, os meninos, é válido citar, farão uma turnê internacional em 2024 (o homem genial por trás dessa conquista é o Neri, do Mullet Monster Mafia, Frenetic Trio, Escalpo & etc, que é grande amigo dos meninos). Esse feito, convenhamos, é digno de elogio! Sabemos, afinal, que poucas bandas do universo underground brasileiro conseguem voar tão longe e ter esse privilégio.  


Andy (esq.) e Eron (dir.): A dupla The Edwoods fará uma turnê internacional este ano.
 

Na sequência, iria querer saber um pouco mais sobre a história de vida de cada um dos Ed boys. Sei que eles nasceram na capital paulista e se conheceram durante os anos noventa, de uma maneira bastante inusitada: nesse período, tocavam em bandas rivais. Andy, sempre vestido com uma jaqueta de couro legítimo, surrado numa calça jeans justa e com cabelos longos na altura dos ombros, tocava numa banda de heavy metal e Eron, por sua vez, vestido em trajes discretos, era guitarrista de uma banda de rock nacional, daquelas com letras engajadas e ritmos fáceis (mas não era o Jota Quest rs). As bandas competiam em diversos festivais e, de acordo com Andy, depois de Eron perder tantas competições, o pobre guitarrista rendeu-se pediu pra tocar com ex-rival. Eu sei que essa história é verdadeira, mas iria querer mais detalhes a respeito de tais circunstâncias… 

Além desses assuntos, conversaria muito com o Andy sobre futebol. Na verdade, isso seria somente uma extensão de um papo que, com certa frequência, já faz parte das mensagens que trocados de vez em quando. Nós dois somos palestrinos e carregamos conosco, além da paixão pelo rock, esse outro gosto em comum. Somos fãs de Ademir da Guia e Edmundo, sendo este último, um jogador que, conforme costumamos dizer é “uma versão futebolística esdrúxula do Sid Vicious”. Justamente por isso, é nosso ídolo esportivo. 

Também perguntaria aos rapazes algo que sempre me intrigou: Como será que o Andy consegue tocar bateria e cantar daquele jeito? Na verdade, recentemente ele me revelou que está pensando em comprar um desfibrilador para levar aos shows porque anda meio sem fôlego.

Essa bebedeira com Andy e Eron seria uma celebração verdadeiramente dionisíaca, ou seja, seria repleta de caos, loucura e irracionalidade, tal como é a própria banda! O The Edwoods merece ser honrado por sua valiosa contribuição para a perpetuação do bom e velho rock and roll, que eles tocam com maestria! Vida longa a esse duo expecional!



TOP 5: LENDAS DO ROCK QUE SE ENVOLVERAM COM O CINEMA

Por Juliana Vannucchi

Ao longo do tempo, alguns dos maiores expoentes do rock se aventuraram, e outros vêm se aventurando na onda de escrever roteiros, produzir filmes e atuar. Será que esses músicos, realmente mandam bem além dos palcos? Você confere agora uma listinha caprichada na qual mostramos alguns dos maiores destaques do rock and roll que deixaram sua marca também no universo da Sétima Arte… Convenhamos que essa lista está bem simples porque, para nossa felicidade, a história do cinema está recheada de muitas outras participações além das que estamos menciomnando aqui. O lendário Lemmy Kilmister, por exemplo, marcou presença no filme "Os Cabeças de Vento". Dave Grohl, líder do Foo Fighters, interpretou um demônio no longa "Tenacious D". Já o Flea, virtuoso baixista do Red Hot Chili Peppers, apareceu no filme "Psicose", do aclamado Gus Van Sant. Prince, participou de "Purple Rain" e David Bowie, é claro, merece uma menção honrosa e uma atenção especial aqui por ter estrelado vários filmes e ter encarnado personagens memoráveis em produções como "Labirinto", "O Homem Que aCaiu na Terra" e muityas outras. Feitas essas considerações, vamos lá...  

1- Bruce Dickinson (Iron Maiden) –  CASAMENTO QUÍMICO

O mais aclamado dos vocalistas do Iron Maiden escreveu o roteiro e produziu a trilha sonora de "The Chemical Wedding" (em português “Casamento Químico”), que tem sua história centrada na vida de Aleister Crowley, famoso ocultista britânico. Aliás, muitos músicos do rock and roll já prestigiaram Crowley em algumas canções. O filme tem seus méritos pena trilha sonora e ajuda a compreender um pouco melhor a vida dessa misteriosa lenda que foi Aleister Crowley. Mas vale dizer que apesar de toda a fama de Bruce e do Iron Maiden, infelizmente, a produção não foi muito popular no Brasil…

 2- Bret Michaels (Poison) – CORREDOR DA MORTE

Lançado em 1998, o filme narra a história do personagem Michael, que escreve sua versão sobre o assassinato de sua namorada, crime do qual se jura inocente e pelo qual foi condenado à morte. A trama evolui dentro dessa tensão e conta com uma boa pitada de suspense! Esse agradável longa foi dirigido e roteirizado por ninguém mais, ninguém menos, do que um dos mais renomados vocalistas do rock and roll, Bret Michaels, que cantou na glamourosa banda Poison. Além de ter sido diretor do filme, o músico, em outras ocasiões, também já deixou sua marca no cinema como ator.


 3- Pete Townshend (The Who) – TOMMY 

Pete Townshend, o aclamado guitarrista do The Who, ajudou o diretor Ken Russell a produzir "Tommy", baseado na Ópera Rock que a banda lançou em 1969. O trabalho de Townshend foi muito bem feito, e o filme chegou a receber premiações no Globo de Ouro, e receber indicações ao Oscar. Com certeza o músico poderia ter seguido carreira de roteirista, pois antes mesmo de trabalhar nessa produção, já criou um álbum ("Tommy") que equivale genuinamente por uma obra literária! Vale a pena conferir o musical de Pete Townshend, que consiste numa obra psicodélica e totalmente fantástica.

 

Cena do filme "Tommy".
 

4- Nick Cave (Nick Cave And The Bad Seeds) – OS INFRATORES

O músico australiano é conhecido por compor canções sombrias e melancólicas. Para quem gosta de seu estilo sonoro, "Os Infratores" é um prato cheio. O longa reflete muito bem o espírito musical do cantor. Cave obteve enorme reconhecimento por seu trabalho em "Os Infratores". Se você é fã do músico, não deixe de conferir esse filme!

 5- Slash – Guns n’ Roses - BOCA DO INFERNO

O envolvimento do guitarrista Slash com o cinema é tão grande, que o roqueiro possui até uma empresa de filmes chamada “Slasher Films”. Sua primeira participação como produtor foi na obra de horror "Nothing Left To Fear" (“Boca do Inferno” em português), lançada em 2013. Em entrevista ao " Pulse Of  Radio", o lendário guitarrista comentou: “Produzir um filme é definitivamente mais complexo… Isso é um processo demorado, conseguir o dinheiro necessário é muito difícil, porém, eu realmente gostei disso, já que eu tenho uma grande paixão por aquilo que quero fazer dentro do longa e, ademais, eu adoro estar envolvido no processo de desenvolvimento, encontrando as pessoas certas, conseguindo e reunindo todos os componentes necessários para almejar fazer um grande filme, sabe?"

"Nothing Left To Fear" é um terror que, infelizmente, está longe de ser uma obra-prima, apesar de poder dar um ou outro susto. Mas… tendo as mãos de Slash na produção, com certeza vale a pena conferir!

 

Slash é um grande fã da Sétima Arte.

 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O GLAM ROCK DO MOTT THE HOOPLE

 Por Juliana Vannucchi

O Mott The Hoople é uma banda originária de Herefordshire, pequeno condado localizado no oeste da Inglaterra. O grupo foi um dos remanescentes do glam rock e seus trabalhos iniciais datam de 1969. A primeira e principal música de sucesso da banda, “All The Young Dudes”, foi escrita por David Bowie, que era grande admirador do Mott The Hoople.

A discografia dos embriões do glam é composta por sete álbuns de estúdio e, apesar de o primeiro trabalho ter sido lançado em 1969, apenas em 1972 a banda conseguiu maior reconhecimento público, sendo que esta explosão comercial aconteceu de forma bem curiosa. A formação mais apreciada e de maior destaque da banda contou com Ian Hunter (vocal, guitarra e piano – Hunter, posteriormente, tocaria com David Bowie durante uma fase da carreira do Camaleão), Pete Watts (contrabaixo), Mick Ralphs (guitarra e vocal), Dale Griffin (bateria) e Verden Allen (órgão). Pete Watts, membro fundador do Mott the Hoople, prevendo uma possível dissolução de seu grupo, certa vez procurou o amigo David Bowie, que lhe fez um imenso favor: sedeu-lhe uma letra que havia escrito, chamada “All The Young Dudes”. Inicialmente, Bowie teria oferecido uma outra composição autoral (que hoje, certamente é bem popular) chamada “Suffragette City”, mas esta música foi recusada pelos membros do Mott The Hoople. De qualquer forma podemos considerar que os dois lados envolvidos nessas "trocas" tiveram vantagem: o camaleão conqusitou grande sucesso com “Suffragette City”, que tornou-se um de seus inúmeros grandes hits, enquanto, por outro lado, seus ídolos de Herefordshire, finalmente obtiveram reconhecimento e conseguiram alavancar a carreira no mercado musical. Conta-se que David Bowie escreveu esta música enquanto estava sentado de pernas cruzadas em seu apartamento de Ian Hunter. A letra seria dedicada para “jovens novos e de vez em quando velhos”. Conforme Hunter recordou em uma entrevista gravada em 2004, a respeito dessa interessante história: “Bowie nos ofereceu ‘Suffragette City’, que eu achava que não era bom o suficiente, então ele se sentou no chão, no escritório da Regent Street, e tocou ‘All os The Young Dudes’ em uma guitarra acústica”.

 

Mott The Hoople: os monstros do glam. Uma das bandas glamourosas e vibrantes do mundo do rock.

O Mott The Hoople foi uma das primeiras bandas a assumir um visual tipicamente glam. Os integrantes vestiam roupas brilhantes e caracterizadas pelo uso de gliter. Talvez, de maneira geral, o principal destaque de suas músicas seja a pincelada de solos e melodias espetaculares de guitarra. Ademais, cabe mencionar aqui as apresentações teatrais e irreverentes do grupo, repletas de dancinhas, paços sincronizados e energia, que se tornaram um aspecto bastante atraente para os fãs.

Em 2009, ano em que a banda completou 40 anos, houve uma reunião especial para a realização de cinco shows no Hammersmith Apollo. Em 2013 o Mott The Hoople  realizou uma turnê especial que rendeu inúmeros materiais, como DVD, CD e  até mesmo um livro com fotografias inéditas de sua trajetória. No site oficial, a banda comentou sobre o livro: “Este livro tem contribuições de todos nós e pensamos que é a homenagem perfeita para agradecer todo mundo pelo apoio que recebemos desde que começamos até os dias de hoje”.

Esperamos que o Mott The Hoople continue ativo. A banda foi historicamente importante e  fundamental para a consolidação do glam e para a construção da carreira de David Bowie. Se quiser um escutar um rock clássico e contagiante, coloque o grupo na sua playlist!

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mott_the_Hoople

https://www.mottthehoople-74.com/

https://www.theguardian.com/culture/2024/jan/15/bowie-mott-the-hoople-all-the-young-dudes-ziggy-stardust


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

EU BEBERIA COM ESSA GURIA #01: CYNTHIA ROSS

 Por Juliana Vannucchi

A inauguração desta nova coluna do nosso site, ocorrida em 2023, teve como protagonista o especialíssimo baixista Thiago Halleck. Mas quem ocupa o espaço dessa vez é a baixista canadense Cynthia Ross, que cravou seu nome na história do punk rock norte-americano e canadense através do legado que deixou com a banda The 'B' Girls.

Eu certamente tomaria muitas doses de café com a Cynthia porque, além de eu amar café, essa bebida maravilhosa, que geralmente gera boas e longas prosas, me lembra da série Twin Peaks, que eu a Cynthia adoramos! Isso porque, conforme os fãs do seriado sabem, o agente Cooper é doido por cafeína! Claro que, partindo desse ponto, eu e a Cynthia iríamos conversar bastante sobre os mistérios, excentricidades e demais aspectos desse maluco e surreal universo criado por Lynch. A trilha sonora de Twin Peaks é por si só uma verdadeiro obra de arte, conduzida e criada por Angelo Badalamenti (que, caso os leitores não saibam, cabe dizer a título de curiosidade, trabalhou com Siouxsie Sioux). David Lynch chegou a comentar que essa série consiste num modo de acessar aspectos misteriosos da existência... aí está outro assunto sobre o qual iríamos discorrer: MISTÉRIOS... até porque, falando nisso, a banda The 'B' Girls possui uma música muito especial - que é a minha favorita - chamada "Mystery", escrita justamente pela Cynthia (no ano passado, entre outubro e dezembro, eu a escutei 66 vezes no Spotify, pasmem). Vou disponibilizar a letra abaixo. É interessante observar que trata-se praticamente de um hino à solidão porque, no final das contas, conforme a letra sugere, ainda que estejamos rodeados por outras pessoas e que nos encontremos no meio de grandes multidões, no final das contas estamos sempre sozinhos e um tanto deslocados. E a solidão, como condição existencial, cabe observar, é uma instância especial e necessária da própria vida. Conforme certa vez escreveu Arthur Schopenhauer: "A solidão é a sorte dos espíritos excepecionais". Nietzsche também era adepto da solidão e entendia que o ato de filosofar presuponha tal estado. Ademais, entendia que o ser humano deveria saber conviver com a própria companhia e, nesse âmbito, em "Assim Falou Zaratustra", escreveu: "Não há solução para quem sofre de si mesmo". Sêneca foi outro pensador que, não apenas contemplou a solidão, mas numa carta endereçada a Lucílio, destacou os perigos que a multidão oferece ao tornar vícios cativantes e induzir as pessoas a pensar sempre de uma mesma maneira (isto é, a multidão surge aqui como um verdadeiro convite para a alienação).

MYSTERY

Yeah baby it’s a mystery

The things you do to yourself

Night time it’s a mystery

You’re all by yourself


You cry tears

You call out

Words sound ...

Get paid, your future’s made

But your life it goes on and on


Downtown’s got no bright light shining

Lonely on the street

Downtown’s got no nightlife living

No, not on the street


I watch as you slip away

A little every day

That man downtown keeps calling you

And you decide to stay


I know you’re no ones miracle

I’ve seen how much you pay

Living daily misery

What can I do to make it be okay?


Downtown’s got no bright lights shining

Lonely on the street

Downtown’s got no night life living

No, not on the street. Hey


So alone among the crowd

Still looking for more

So alone among the crowd

Still looking for

Still trying to find

More ... More ... More

more ... more ... more


(C) 1977 Cynthia Ross
For The ‘B’ Girls

Também, com certeza, bateríamos um papo sobre Audrey Hepburn, atriz que nós duas admiramos bastante! E eu sei que a Cynthia flerta com literatura, até porque, ela é uma poetisa notavelmente talentosa, que escreve poemas tocantes, profundos e imensamente poderosos, capazes de entorpecer qualquer alma e emocionar qualquer coração. A experiência de ler suas palavras gera uma espécie de elevação metafísica e êxtase mágico que todos deveriam provar - para conhecer as poesias da Cynthia, basta segui-la no Instagram. Iria querer saber quais são os poetas que mais a influenciaram - mais sei que ela flerta com os grandes nomes da contracultura. E sei que a Cynthia Ross tem algum apreço por Isaac Asimov, um autor que eu, particularmente, admiro bastante. Li dois livros dele recentemente: "O Cair da Noite" & "O Homem Bicentenário". Ambos abordam temas profundos ligados aos limites e perigos das relações existentes entre o ser humano e a tecnologia. A narrativa do primeiro livro mencionado se desenvolve a partir do seguinte problema: teríamos condições de manter nossa sanidade se não existisse mais luz? Raramente nos damos conta do quanto a luminosidade é de fato relevante para a manutenção de uma vida saudável e produtiva. Quais seriam os efeitos colaterais da escuridão total? Essas questões que você, leitor, está lendo agora, seriam também, é claro direcionadas à Cynthia. E eu recomendaria os dois livros acima mencionados a ela.

Eu também teria numerosas perguntas para fazer a respeito de tudo que ela viviu durante a eclosão do punk rock norte-americano e gostaria muito de passar horas a fio escutando suas histórias, reflexões e aventuras relacionadas ao universo punk. Apresentaria a ela algumas bandas e artistas brasileiros começando, aliás, pelo próprioThiago Halleck e a banda "Gangue Morcego". Citaria a Fabi Bellentani como uma grande e exemplar baixista e também falaria para ela adicionar "The Edwoods", She Is Dead", "Mickey Gang", "We Are Pirates", "Rita Lee" e "Harry & The Addicts" na playlist dela. Ou, talvez, eu até criasse uma playlist própria para servir como trilha sonora para o nosso café! Começaríamos escutando "Lycanthopia", da última banda citada aqui. Depois "Silent Telephone" (you will die aloneee) & seguiríamos: "She Is Dead" ("She Is Dead") / "Sobrenatural" ("Gangue Morcego") / "Canyon" ("WAP") / "Running" (WAP) / "I Was Born In The 90's ("Mickey Gangue") / "Perv In The Park" & "Plan 9" ("The Edwoods"), Rita Lee (váriaaas). Eu acho que "Perv In The Park" faria ela se retirar da mesa porque o The Edwoods é muito assustador. Aliás, ifalando em The Edwoods, isso traz a tona um outro ponto interessante que poderia ser abordado: conversaríamos sobre filmes trash, que estão entre os meus favoritos. Acho que ela, no mínimo, gosta de clássicos como "Ben, o Rato Assassino" e "Palhaços Assassinos do Espaço Sideral". Eu amo ambos. Duas produções fabulosas do gênero! Quem não gosta? Se, por acaso, ela dissesse que não aprecia filmes assim, eu simplesmente falaria que fui mal influenciada pelo Andy e pelo Eron. E talvez eu me empolgasse e inventasse um roteiro maluco de filme trash chamado "O Tapete Maldito", cuja trilha sonora teria sido criada pelo The Edwoods.

Posteriormente e para encerrar, eu iria falar mal do Bolsonaro. Muito mal. Esse tópico é fundamental em qualquer conversa, não é mesmo? E para encerrar, antes do último gole da décima xícara, eu faria uma alusão ao agente Cooper. Olharia para o meu recipiente e diria: "Damn fine coffee".

 

Eu beberia com a Cynthia Ross!

 


sábado, 16 de dezembro de 2023

A PODEROSA KIM DEAL

 Por Juliana Vannucchi

Kim Deal é uma das baixistas mais conceituadas da história do rock. Ela foi responsável por ajudar a criar alguns dos hits mais célebres da banda Pixies, aclamado grupo de rock alternativo noventista que viveu seu auge justamente no período em que Kim esteve na banda, sendo inegável que ela foi o ponto forte responsável por alavancar o grupo americano. A baixista participou das gravações dos discos “Come on Pilgrim” (1987), do glorioso e memorável “Surfer Rosa” (1988), do popular (e talvez mais qualificado da banda) “Doolittle” (1989), do primoroso “Bossanova” (1990) e, por fim, do “Trompe le Monde” (1991), sendo esse último, em termos gerais, já bem menos cativante e original do que os outros. Os Pixies se separaram em 1993, devido a uma série de divergências e brigas entre Deal e o vocalista Black Francis. Eles se acusaram e se alfinetaram mutuamente ao longo dos anos, deixando claro que a relação entre ambos na banda era amarga e que sempre houve um certo rancor entre os dois. Numa entrevista mais recente, concedida um tempo atrás ao jornal britânico The Guardian, Francis finalmente assumiu uma postura ligeiramente mais branda ao comentar sobre Kim: “Fizemos muitas turnês juntos, escrevemos juntos e gravamos todos aqueles discos juntos...mas nada é para sempre”. O vocalista, apesar disso, também revelou que os dois não conversam há muito tempo.

Kim tem uma irmã gêmea chamada Kelley Deal, com a qual formou a banda The Breeders, cuja atmosfera musical é elogiável e essencialmente falando, lembra bastante a sonoridade dos Pixies. Certa vez, na adolescência, as irmãs  pediram um teclado Yamaha de aniversário. Quando ganharam o instrumento, usaram o assento sanitário do avô como suporte e, por meio de tal improviso, começaram a frequentar diversos bares pelo distrito de Oregon. Esse fato inusitado foi o ponto de partida que lançaria Deal ao universo do rock. No entanto, fora do campo musical, Kim Deal fez um curso ligado a tecnologia médica e, curiosamente, chegou a atuar profissionalmente como técnica de laboratório na área de biologia celular. Nesse período de sua vida, conheceu John Murphy, com quem iniciou um relacionamento, vindo a se casar em 1985. Ela, então, mudou-se para Boston, onde sua afinidade com a indústria musical e com o rock se estreitou, conforme refletiu certa vez: “Achei a cidade muito vital e muito interessante”. Deal se recordou de folhear o jornal Boston Phoenix e sempre se deparar com anúncios de bandas que precisavam de músicos: “Diziam frases como ‘preciso de um baterista’. Atitude profissional apenas. Costeletas: Obrigatório.’ (...) mas então, certa vez me deparei com um que dizia algo sobre não ter costeletas. Foi tão bom. Foi para quem liguei e eles estavam procurando por ‘baixista’ e foi assim que nós começamos a tocar juntos.”

 

Fora dos palcos, Kim Deal gosta de comer chocolate e se interessa por plantas.

O grupo The Breeders, que obteve bastante reconhecimento ao longo de sua carreira, chegou a contar com a talentosa Kim Gordon na produção do vídeo da faixa “Cannonball”, presente no álbum “The Splash”. Deal, certa vez, lembrou-se do quanto estava nervosa quando perguntou se a baixista do Sonic Youth poderia participar do disco: "Nós simplesmente perguntamos a ela. Eu não a conhecia. Não tínhamos amizade. Fiquei muito nervosa quando perguntei, pensei que ela não iria querer”. É interessante e inspirador pensar que existiu esse breve contato artístico entre Kim Deal e Kim Gordon, duas baixistas consagradas para os amantes do rock alternativo dos anos 90.

Aproveitando o clima natalino que se aproxima, vale citar aqui uma declaração de Kim Deal a respeito das músicas de Natal: "As canções cristãs usam todas essas coisas... se você der a volta na montanha, e se trabalhar duro com o martelo, e encontrar um carpinteiro chamado Jesus Cristo, e viajar quilômetros e quilômetros... todos esses simbolismos estúpidos que o povo cristão usa”. A ex-integrante dos Pixies parece não ser muito religiosa. Ela chegou a refletir sobre o assunto numa ocasião, assumindo uma postura consideravelmente ateísta ao declarar que passou parte da sua vida buscando uma divindade, mas como não encontrou, acha que não há nada do outro lado.

Há quem diga que Kim Deal tem uma personalidade forte e que seu jeito durão foi um dos motivos que causaram problemas com a banda Pixies. Mas esses aspectos são considerações supérfluas. O que vale é nos concentrarmos no legado, nas inesquecíveis melodias de baixo que ela gravou com a referida banda e que são capazes de elevar qualquer ouvinte a um estado de êxtase. Seu talento é fora da curva, seu domínio instrumental e suas ideias são simplesmente extraordinários. 

Referências:

https://www.theguardian.com/music/2022/feb/03/pixies-frontman-black-francis-kim-deal-were-always-friends-but-nothing-is-for-ever

https://www.abc.net.au/listen/doublej/music-reads/features/kim-deal-breeders-pixies-last-splash-cannonball-1993-interview/13370482

https://writebyte.com/pages/art_deal.htm

https://www.pastemagazine.com/music/the-breeders/the-breeders-last-splash-interview


domingo, 10 de dezembro de 2023

MARIANNE FAITHFULL: A INCRÍVEL TRAJETÓRIA DE UMA LENDA DOS ANOS 60

 Por Juliana Vannucchi

Marianne Faithfull é uma prolífica cantora inglesa, que se tornou um verdadeiro ícone cultural dos anos 60, tendo sobrevivido às loucuras e excessos experenciados na referida década. Sua vasta e original discografia é composta por um total de mais de vinte álbuns de estúdio, nos quais encontram-se ritmos e melodias notavelmente diversificados. Além do imenso legado deixado no universo musical, a britânica também se popularizou por seus papéis no cinema e principalmente pelo relacionamento que teve com Mick Jagger, que a levou a se tornar uma musa inspiradora de algumas das faixas mais conhecidas dos Stones. Cabe observar que a carreira artística de Faithfull, embora muito abundante e digna de elogios, foi amplamente encoberta pela fama de Mick Jagger, uma vez que o relacionamento com o astro do rock a colacava, de modo geral, em segundo plano, levando-a, inclusive, a vivenciar ao lado dele alguns escândalos que prejudicaram sua carreira como atriz. Apesar de Jagger ter contribuído para que a imagem dela fosse comprometida, Faithfull, por sua vez, ajudou, ainda que indiretamente, a alavancar a imagem do líder dos Stones, tendo inspirado várias de suas músicas e até mesmo tendo ajudado a escrever ao menos uma letra de sucesso da banda. Mas ainda que um tanto ofuscada por Mick Jagger, ela conquistou seu espaço, principalmente por sua voz fabulosa que é capaz de tirar os ouvintes da dimensão terrestre e também por seu espírito incansável. Infelizmente, quando o namoro entre os dois acabou, a cantora perdeu-se completamente no  uso compulsivo de álcool e drogas...  

 

Faithfull simplesmente sobreviveu através da produção artística que lhe serviu como combustível.

Faithfull sempre portou e propagou uma postura bastante underground e destemida, tendo, inclusive se tornado referência para vários nomes da cena punk de Nova York (como Lydia Lunch, Bush Tetras e vários outros). Ela chegou a viver como andarilha nas ruas londrinas em função de seu vício em heroína e sua vida foi marcada por crises turbulentas e períodos decadentes, que foram sensivelmente transportados para muitas de suas poderosas e sombrias letras, sempre tão carregadas de emoção. Seu jeito melancólico de cantar e as poesias muitas vezes autobiográficas, inspiradas em suas desventuras, em seus medos, desejos, paixões e vícios, a transformaram numa personalidade emblemática, memorável e bastante cativante. Aliás, uma das pessoas que ela conquistou e com a qual até mesmo contribuiu artisticamente foi David Bowie. Podemos dizer que Faithfull simplesmente sobreviveu através da produção artística que lhe serviu como combustível e como um ponto de apoio necessário sem o qual, talvez, ela não tivesse aguentado enfrentar alguns dos duros e perigosos momentos que atravessou em sua vida.

No decorrer de sua história, a elegante Marianne Faithfull já recebeu inúmeras e merecidas honrarias culturais e permanece sendo um nome aclamado ao redor do mundo. Nutre uma forte amizade com grandes nomes da música, tal como Warren Ellis, Nick Cave e Brian Eno, além de ter influenciado significativamente muitos músicos e bandas importantes. Em 2022, foi anunciado que Marianne estava internada numa clínica afim de reabilitar-se de uma série de sequelas deixadas pela Covid-19, doença que a atacou fortemente, fazendo-a ficar internada durante três semanas. Força é algo que não falta a essa mulher: a incrível Marianne Faithfull já superou um câncer de mama, além de também ter enfrando um quadro grave de hepatite C, e sobrevivido a uma queda que a fez quebrar seriamente o quadril. A vigorosa e sempre inspirada fera inglesa também já sobreviveu a uma grande infecção e venceu um sério quadro de anorexia. Faithfull  possui uma história de vida muito impressionante. Ela já foi do glamour ao inferno, dos palcos aos suburbios... mas o fato é que ela sempre se manteve afastada das regras sociais, esteve longe do convencional e, sobretudo, das normas de comportamento esperadas para uma mulher dos anos 60. Essa donzela decadente nos ensina a sermos mais corajosos, a suportarmos dores que parecem insuperáveis e, claro, a transformarmos todos os pesares, aflições e calamidades existenciais em poesia. 

Referências:

http://www.mariannefaithfull.org.uk/biography/

https://www.nytimes.com/2021/04/22/arts/music/marianne-faithfull-she-walks-in-beauty.html

https://www.theguardian.com/music/2021/jan/15/marianne-faithfull-i-was-in-a-dark-place-presumably-it-was-death


domingo, 3 de dezembro de 2023

ALÉM DO THE CURE: A TRAJETÓRIA DE ROBERT SMITH

 Por Juliana Vannucchi

Robert Smith, aclamado vocalista do The Cure, é imensamente conhecido por sua voz ímpar, por seus cabelos desgrenhados, seu borrado batom vermelho e pelos hits icônicos e históricos de sua banda. Contudo, o que nem todos conhecem é a sua trajetória de vida, até porque, convenhamos, o músico sempre foi muito discreto em relação a isso. Felizmente, porém, apesar de sua discrição, pesquisas mais acuradas e entrevistas nos revelam aspectos bem interessantes da vida do vocalista do The Cure. A história de Robert começou em 21 de abril (data lembrada pelos brasileiros por causa de Tiradentes) de 1959, em Blackpool, pacata cidade litorânea inglesa, localizada no norte do país. Ele foi o terceiro filho (vale citar a título de curiosidade que Janet, irmã de Robert, é casada com Porl Thompson, lendário guitarrista do The Cure) do casal Rita Mary e James Alexander Smith. Sua família mudou duas vezes de cidade e, consequentemente, Robert estudou em várias escolas diferentes ao longo da infância e da adolescência. Smith cresceu cercado por uma atmosfera familiar católica que fez sentido para ele durante um período de sua vida, embora posteriormente, tenha assumido uma postura mais cética em relação à existência de Deus: “Venho de uma família religiosa e por isso houve momentos em que senti a unidade das coisas, mas elas nunca duraram, e passei a crer que é apenas o medo que leva as pessoas à religião”. Robert Smith teve afinidade com a música desde tenra idade, aprendendo inicialmente a tocar piano e, logo depois, ainda na infância, familiarizando-se com a guitarra, após aprender alguns acordes com seu irmão. Posteriormente, buscou aperfeiçoar-se no instrumento através de aulas feitas com um guitarrista profissional.

A formação embrionária do The Cure data de 1976, quando Smith juntou-se aos colegas de escola. Lol Tolhurst assumiu a bateria, Michael Dempsey tocava baixo e o guitarrista era Porl Thompson. O grupo, nessa fase inicial, chamava-se “Easy Cure”. Nessa época, o movimento punk inglês estava vigorosamente em ascensão. O jovem Robert acompanhou de perto a eclosão e o auge desse novo fenômeno. Admirava principalmente bandas como Stranglers, Buzzcocks e Siouxsie And The Banshees, tendo, inclusive, tocado no último grupo durante um tempo e estreitado laços com Steven Severin, ao lado do qual formou uma banda chamada The Glove. Entretanto, o The Cure nunca esteve musicalmente limitado a influências provenientes do punk rock e foi assumindo, ao longo de sua história, uma tonalidade mais sombria ou, por vezes, bastante pop. Até porque Smith cresceu escutando outras bandas como Beatles e Pink Floyd e, portanto, carregava inúmeras outras referências musicais quando formou o The Cure. Ademais, sua alma portava uma enorme paixão pela literatura e uma sensibilidade que certamente se distanciava da agressividade característica do punk. Durante a adolescência, por exemplo, apreciava Edgar Allan Poe e Rimbaud. Posteriormente, mais maduro, passou a interessar-se fortemente por filósofos como Albert Camus e Jean-Paul Sartre, sendo grande admirador de ambos e tendo grande interesse pelo modo como Sartre discorre a respeito da condição humana. Smith também já citou Charles Baudelaire, John Milton, Nick Hornby e Franz Kafka como alguns de seus escritores favoritos. A respeito desse último, chegou a declarar: "“Pela primeira vez, a voz do narrador era minha. Eu era o narrador. Eu estava me misturando com suas palavras. Li e reli todos os seus livros: O Processo, A Metamorfose, O Castelo… Sua influência na minha escrita é enorme, como em ‘Uma carta para Elise’, inspirada diretamente em suas Cartas para Felice". Penelope Farmer é outra autora que o marcou e um de seus livros inspirou a letra "Charlotte Sometimes", nome de um dos livros da escritora. 

 

O The Cure segue firme e criativo, atraindo diversas gerações, conquistando novos fãs e aquecendo o coração dos admiradores mais antigos. É uma banda que sobreviveu por méritos.

Por tais aspectos, podemos observar que enquanto inúmeras bandas punks voltaram-se, por exemplo, para letras de cunho político e social, Smith, que já alegou preferir manter-se distante de tais conteúdos, possui letras fortemente sentimentais cujas ideias muitas vezes foram provenientes de estados alterados de consciência por ele experimentados. 

Robert Smith casou-se em 1988. O vocalista do The Cure conheceu Mary Poole, sua atual esposa, na época da escola. Eles se aproximaram depois que ele a convidou para ser sua dupla numa atividade. Estão juntos desde os 14 anos. Nunca tiveram filhos e Smith certa vez declarou não se arrepender disso. No entanto, há diversas fontes que mencionam que os dois tem 25 sobrinhos e sobrinhas. Robert se inspirou numa viagem com Mary para escrever “Just Like Heaven” e, aliás, é ela que aparece dançando com o vocalista no vídeo oficial da música. Parece ser uma das canções das quais ele mais se orgulha. Smith chegou a declarar que quando terminou de escrevê-la, pensou que nunca mais seria capaz de escrever algo tão bom. No estúdio, os integrantes do The Cure chegaram a brincar, dizendo que poderiam até fazer as malas e parar de criar mais: “Felizmente, não fizemos isso”, brincou Smith ao contar esse episódio. Cabe dizer que “Love Song” foi um presente de casamento de Smith para Mary!

Atualmente, Smith continua sua performance de maneira impecável. Certa vez, quando completou 60 anos, disse que não sentia a idade. Nos palcos, essa declaração parece absolutamente confirmada, pois Smith parece estar sempre em transe, convidando a plateia a mergulhar num estado catártico. A esse respeito, numa entrevista, o vocalista do The Cure refletiu: “Quando estou cantando e tocando, sou meio que transportado (...) Parece algo meio hippie, mas sempre foi assim comigo. Eu simplesmente sinto que se estou me perdendo nas músicas, acho que há uma boa chance de que todos os outros também estejam”. O The Cure segue firme e criativo, atraindo diversas gerações, conquistando novos fãs e aquecendo o coração dos admiradores mais antigos. É uma banda que sobreviveu por méritos e uma das poucas do remanescente punk que ainda continua poderosa, estável e qualificada.


Referências:

https://amp.theguardian.com/music/2018/jun/07/the-cures-robert-smith-i-was-very-optimistic-when-i-was-young-now-im-the-opposite

https://post-punk.com/six-different-ways-the-cures-robert-smith-won-our-hearts/amp/

https://www.irishtimes.com/culture/music/the-cure-s-robert-smith-i-survived-a-lot-of-people-in-london-didn-t-1.3538003

https://faroutmagazine.co.uk/how-punk-changed-the-cure-singer-robert-smiths-life/

https://www.rollingstone.com/music/music-features/cure-band-robert-smith-interview-40-live-893005/

https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwj1he6l7_GCAxWyppUCHc7EAMkQFnoECBcQAQ&url=https%3A%2F%2Ffaroutmagazine.co.uk%2Fthe-cure-robert-smith-12-favourite-books-list%2F&usg=AOvVaw0-vBt23iYKGh7FmRJYA_WQ&opi=89978449

https://amp.theguardian.com/music/2018/jun/07/the-cures-robert-smith-i-was-very-optimistic-when-i-was-young-now-im-the-opposite

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