Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

domingo, 25 de fevereiro de 2024

PIXIES: ENTRE O INDIE E O INEXPLORADO

 Por Neder de Paula

O mundo do rock independente foi profundamente marcado nos anos 80 e 90 por uma banda que, mesmo não conquistando inicialmente os holofotes comerciais, moldou o cenário musical com sua abordagem única e visceral. Estamos falando dos Pixies, uma banda que deixou sua marca indelével na história do rock alternativo.

Formada em 1986 em Boston, Massachusetts, os Pixies eram compostos por Black Francis (vocal e guitarra), Joey Santiago (guitarra), Kim Deal (baixo e vocal) e David Lovering (bateria). Desde o início, eles desafiaram as convenções, misturando elementos de punk, surf rock e indie em um som cru e inovador. 

Os Pixies atingiram seu auge com os álbuns "Surfer Rosa" (1988) e "Doolittle" (1989). Faixas como "Where Is My Mind?", "Debaser" e "Monkey Gone to Heaven" tornaram-se hinos do movimento alternativo. A voz intensa de Black Francis, as letras surreais e as mudanças bruscas de dinâmica contribuíram para a singularidade da banda.

 

Os Pixies continuam a influenciar gerações de artistas, com suas contribuições ao rock alternativo reverberando em bandas contemporâneas.

No início dos anos 90, conflitos internos e pressões comerciais começaram a surgir. Após o lançamento de "Trompe le Monde" (1991), a banda entrou em hiato. Kim Deal deixou o grupo, e os membros seguiram caminhos separados.

Houve, no entanto, um retorno triunfal: os Pixies surpreenderam os fãs em 2004, anunciando seu retorno com uma turnê mundial. Em 2014, lançaram "Indie Cindy", o primeiro álbum de estúdio em 23 anos. Embora tenha recebido críticas mistas, mostrou que a chama criativa ainda queimava.

Os Pixies continuam a influenciar gerações de artistas, com suas contribuições ao rock alternativo reverberando em bandas contemporâneas. A fusão de elementos barulhentos, melódicos e poéticos permanece uma referência inegável.

A jornada dos Pixies é um conto de resiliência e reinvenção. Do cenário independente aos grandes palcos e de volta ao estúdio, eles deixaram uma marca indelével. A discografia diversificada e o impacto duradouro atestam que os Pixies não são apenas uma banda, mas um ícone do rock independente que transcendeu gerações. Seu legado, agora entrelaçado com os altos e baixos da vida musical, continua a inspirar e influenciar, perpetuando o espírito inovador que os colocou no mapa musical há décadas.

Audição sugerida (leia-se indispensável)

1. Surfer Rosa (1988)

2. Doolittle (1989)

3. Bossanova (1990)

4. Trompe le Monde (1991) 

5. Indie Cindy (2014)

6. Head Carrier (2016)

7. Beneath the Eyrie (2019) 8. Doggerel (2022)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

METAL: UMA JORNADA PELO MUNDO DO HEAVY METAL

 Por Juliana Vannucchi

Jaquetas de couro, camisas pretas, cabelos longos… esses são alguns dos aspectos visuais que compõe a aparência clássica de uma das tribos urbanas mais presentes e cultuadas do mundo: os metaleiros, ou mais apropriadamente dizendo, os “headbangers”. É comum nos depararmos com eles andando pelas ruas, mas geralmente não conhecemos a cultura que se esconde por trás dessa aparência e, tampouco, costumamos conhecer suas reais influências sonoras e raízes históricas. Em 2005, um antropólogo canadense chamado Sam Dunn, que faz parte dessa tribo urbana, e decidiu realizar um documentário que mostrasse ao mundo a verdadeira face do heavy metal e de seus admiradores e representantes. Dunn se apaixonou pelo gênero musical aos 12 anos e conta que chegou a escutar o disco "The Number Of The Best", 25 vezes num único dia! Desde seu esse contato com o mundo do heavy metal, tornou-se um verdadeiro fã. O documentário de Dunn, de forma geral, foi muito bem recebido em todo o mundo. O antropólogo procurou realizar uma produção que desvendasse as origens históricas desse tipo de música, a ideologia, a cultura, seus efeitos sociais, e também as controvérsas existentes ao redor desse gênero.

O documentário de Dunn desenvolveu-se a partir da seguinte questão:“Por que o heavy metal até hoje é um gênero musical tão descriminado e estereotipado?” Para responder a essa pergunta, o canadense frequentou vários países diferentes e realizou filmagens em shows de bandas clássicas de metal, além de entrevistar seguidores do gênero e aclamadas figuras que formam esse universo. Ronnie James Dio, vocalista das bandas "Dio" e "Heaven And Hell", Tony Iommi, considerado um dos maiores guitarristas da história do rock, Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, e outros grandes nomes do metal, como Tom Araya, Dee Snider e Vince Neil são alguns dos personagens que cederam depoimentos para o produtor. Afim de relacionar esses artistas e bandas dentro de um amplo contexto, Dunn apresenta uma árvore genealógica que explora as vertentes do heavy metal e, assim, a partir desse aspecto vai desenvolvendo e organizando sua pesquisa, enquanto ele próprio narra seu roteiro que é mesclado com depoimentos desses músicos e de fãs do gênero.

Dentro dessa estrutura e em busca de respostas para e questão proposta, o filme é dividido em capítulos que dão uma pincelada por vários aspectos importantes do heavy metal, explorando desde seus primórdios, até o preconceito que existe contra esse universo. Dessa forma, o documentário vai tornando-se cada vez mais completo ao apresentar o amplo repertório de bandas desse meio, além de  assumir um caminho nitidamente bilateral na medida em que aborda de forma imparcial não apenas questões técnicas  e processos de criação sonora de músicas do gênero, mas assuntos mais sombrios e delicados, como, por exemplo, a linha de pensamento e ideologia de bandas de metal que tem afinidade com o satanismo e que, de certa forma, foram responsáveis por firmar um estereótipo já antigo que esse estilo musical e seus seguidores carregam. São discutidos também, assuntos como o machismo presente dentro do gênero, e como se deu, ao longo dos tempos, a inserção das mulheres dentro desse meio. Dunn também questiona ídolos do metal quanto a assuntos gerais, como religião, figurino, e retoma também como uma de suas temáticas, um dos momentos mais memoráveis da história do rock and roll, que foi quando Dee Snider, vocalista da banda Twisted Sister, depôs no Conselho de Pais, que foi criado pelo Senado norte-americano sob comando da reacionária Tipper Gore (esposa do ex-vice presidente dos Estados Unidos, Al Gore), com a grotesca finalidade de fazer diversas acusasões contra o heavy metal e outros gêneros (Prince e Madonna, por exemplo, também foram considerados imorais e acabaram envolvidos no caso). Nessa ocasião, Snider deixou a mídia, Gore, e todo o Senado boquiabertos com a qualidade e fundamentos de seus argumentos. Foi um dos momentos mais expressivos  e emocionantes da história do rock and roll. Em função desse acontecimento, até hoje, podemos ver o músico como um grande mito do rock e verdadeiro símbolo de resistência. Vale dizer também que esse cenário nos leva a reconhecer a rebeldia que o heavy metal carrega em seu DNA agressivo.


O heavy metal e seus fiéis seguidores sobrevivem e com certeza, sobreviverão com, ou sem esse julgamento.

Apesar de toda a qualidade da produção e da visão ampla que Dunn busca expor, considero que talvez ele pudesse ter valorizado e examinado um pouco mais a fundo a faceta histórica do metal, explorando melhor as bandas que formam o primórdio e as raízes estilísticas desse tipo de música. Possivelmente, a meu ver, isso fortaleceria ainda mais o trabalho do jovem antropólogo. Mesmo assim, o resultado final é incrível, emocionante e apresenta ao espectador o heavy metal como algo apaixonante, como uma espécie mundo paralelo acolhedor que está sempre de portas abertas para que qualquer um possa entrar nele. Independente de qualquer crítica por parte da sociedade ou até mesmo do Senado, o heavy metal e seus fiéis seguidores atualmente sobrevivem e, com certeza, sobreviverão sempre, apesar do constamente julgamento que sofrem, pois, afinal, a paixão musical que nutrem se sobrepõe a qualquer possível obstáculo que esse tipo de música e os headbangers possam enfrentar.

EU BEBERIA COM ESSES CARAS #02 - ANDY & ERON

 Por Juliana Vannucchi

E cá estamos nós, para mais um texto dessa coluna tão importante do Fanzine Brasil, através da qual homenageamos determinados artistas. E dessa vez… eu beberia com Andy e Eron, a fantástica dupla que dá vida ao The Edwoods, duo paulistano de macabrerock. Com certeza, nesse encontro tão especial, eu e os meninos teríamos muitos assuntos sobre os quais conversar e, certamente, daríamos muita risada juntos!! Eu tomaria somente uma água nessa ocasião, mas ofereceria, sem dúvida, boas doses de cachaça para os queridos amigos…

A princípio, iria homenagear a loucura descabida que estrutura a imagem do duo. Esse seria o pontapé inicial do nosso papo, pois, afinal, sempre me questionei: “Como será que Andy e Eron ficaram esquisitos assim? Bem, penso que, ou eles leram muitos livros do Nietzsche ou, então, escutaram muito The Cramps. Caramba! Provavelmente foi a segunda opção porque, acabo de me lembrar que, embora Eron seja um estimado professor de Filosofia, Andy é um péssimo leitor, incapaz até mesmo de assimilar uma simples receita de bolo (ele fica com dor de cabeça quando lê). Por outro lado, sei que o professor Eron, no entanto, nutre uma admiração especial por duas obras brilhantes, escritas por seus escritores favoritos: “O Amor é Um Cão dos Diabos” de Charles Bukowski e “As Intermitências da Morte”, de José Saramago. Aposto que você desconhecia essas referências culturais e literárias de Eron!

Enfim… Considero que certas fusões de referências bizarras deram luz a esse duo incrível que parece ter saído de dentro de um filme de terror trash dos anos oitenta, daqueles gosmentos, sanguinários e que contam com efeitos especiais de segunda mão. Na verdade, seria magnífico se algum cineasta roteirizasse um longa trash e convidasse os meninos para compor a trilha sonora. E aí? Alguém se habilita? 

Isso posto, em nosso encontro eu diria aos rapazes que ambos são muito talentosos. Ressaltaria que eles tocam bem demais e criam músicas perfeitamente alucinantes! Não à toa, os meninos, é válido citar, farão uma turnê internacional em 2024 (o homem genial por trás dessa conquista é o Neri, do Mullet Monster Mafia, Frenetic Trio, Escalpo & etc, que é grande amigo dos meninos). Esse feito, convenhamos, é digno de elogio! Sabemos, afinal, que poucas bandas do universo underground brasileiro conseguem voar tão longe e ter esse privilégio.  


Andy (esq.) e Eron (dir.): A dupla The Edwoods fará uma turnê internacional este ano.
 

Na sequência, iria querer saber um pouco mais sobre a história de vida de cada um dos Ed boys. Sei que eles nasceram na capital paulista e se conheceram durante os anos noventa, de uma maneira bastante inusitada: nesse período, tocavam em bandas rivais. Andy, sempre vestido com uma jaqueta de couro legítimo, surrado numa calça jeans justa e com cabelos longos na altura dos ombros, tocava numa banda de heavy metal e Eron, por sua vez, vestido em trajes discretos, era guitarrista de uma banda de rock nacional, daquelas com letras engajadas e ritmos fáceis (mas não era o Jota Quest rs). As bandas competiam em diversos festivais e, de acordo com Andy, depois de Eron perder tantas competições, o pobre guitarrista rendeu-se pediu pra tocar com ex-rival. Eu sei que essa história é verdadeira, mas iria querer mais detalhes a respeito de tais circunstâncias… 

Além desses assuntos, conversaria muito com o Andy sobre futebol. Na verdade, isso seria somente uma extensão de um papo que, com certa frequência, já faz parte das mensagens que trocados de vez em quando. Nós dois somos palestrinos e carregamos conosco, além da paixão pelo rock, esse outro gosto em comum. Somos fãs de Ademir da Guia e Edmundo, sendo este último, um jogador que, conforme costumamos dizer é “uma versão futebolística esdrúxula do Sid Vicious”. Justamente por isso, é nosso ídolo esportivo. 

Também perguntaria aos rapazes algo que sempre me intrigou: Como será que o Andy consegue tocar bateria e cantar daquele jeito? Na verdade, recentemente ele me revelou que está pensando em comprar um desfibrilador para levar aos shows porque anda meio sem fôlego.

Essa bebedeira com Andy e Eron seria uma celebração verdadeiramente dionisíaca, ou seja, seria repleta de caos, loucura e irracionalidade, tal como é a própria banda! O The Edwoods merece ser honrado por sua valiosa contribuição para a perpetuação do bom e velho rock and roll, que eles tocam com maestria! Vida longa a esse duo expecional!



TOP 5: LENDAS DO ROCK QUE SE ENVOLVERAM COM O CINEMA

Por Juliana Vannucchi

Ao longo do tempo, alguns dos maiores expoentes do rock se aventuraram, e outros vêm se aventurando na onda de escrever roteiros, produzir filmes e atuar. Será que esses músicos, realmente mandam bem além dos palcos? Você confere agora uma listinha caprichada na qual mostramos alguns dos maiores destaques do rock and roll que deixaram sua marca também no universo da Sétima Arte… Convenhamos que essa lista está bem simples porque, para nossa felicidade, a história do cinema está recheada de muitas outras participações além das que estamos menciomnando aqui. O lendário Lemmy Kilmister, por exemplo, marcou presença no filme "Os Cabeças de Vento". Dave Grohl, líder do Foo Fighters, interpretou um demônio no longa "Tenacious D". Já o Flea, virtuoso baixista do Red Hot Chili Peppers, apareceu no filme "Psicose", do aclamado Gus Van Sant. Prince, participou de "Purple Rain" e David Bowie, é claro, merece uma menção honrosa e uma atenção especial aqui por ter estrelado vários filmes e ter encarnado personagens memoráveis em produções como "Labirinto", "O Homem Que aCaiu na Terra" e muityas outras. Feitas essas considerações, vamos lá...  

1- Bruce Dickinson (Iron Maiden) –  CASAMENTO QUÍMICO

O mais aclamado dos vocalistas do Iron Maiden escreveu o roteiro e produziu a trilha sonora de "The Chemical Wedding" (em português “Casamento Químico”), que tem sua história centrada na vida de Aleister Crowley, famoso ocultista britânico. Aliás, muitos músicos do rock and roll já prestigiaram Crowley em algumas canções. O filme tem seus méritos pena trilha sonora e ajuda a compreender um pouco melhor a vida dessa misteriosa lenda que foi Aleister Crowley. Mas vale dizer que apesar de toda a fama de Bruce e do Iron Maiden, infelizmente, a produção não foi muito popular no Brasil…

 2- Bret Michaels (Poison) – CORREDOR DA MORTE

Lançado em 1998, o filme narra a história do personagem Michael, que escreve sua versão sobre o assassinato de sua namorada, crime do qual se jura inocente e pelo qual foi condenado à morte. A trama evolui dentro dessa tensão e conta com uma boa pitada de suspense! Esse agradável longa foi dirigido e roteirizado por ninguém mais, ninguém menos, do que um dos mais renomados vocalistas do rock and roll, Bret Michaels, que cantou na glamourosa banda Poison. Além de ter sido diretor do filme, o músico, em outras ocasiões, também já deixou sua marca no cinema como ator.


 3- Pete Townshend (The Who) – TOMMY 

Pete Townshend, o aclamado guitarrista do The Who, ajudou o diretor Ken Russell a produzir "Tommy", baseado na Ópera Rock que a banda lançou em 1969. O trabalho de Townshend foi muito bem feito, e o filme chegou a receber premiações no Globo de Ouro, e receber indicações ao Oscar. Com certeza o músico poderia ter seguido carreira de roteirista, pois antes mesmo de trabalhar nessa produção, já criou um álbum ("Tommy") que equivale genuinamente por uma obra literária! Vale a pena conferir o musical de Pete Townshend, que consiste numa obra psicodélica e totalmente fantástica.

 

Cena do filme "Tommy".
 

4- Nick Cave (Nick Cave And The Bad Seeds) – OS INFRATORES

O músico australiano é conhecido por compor canções sombrias e melancólicas. Para quem gosta de seu estilo sonoro, "Os Infratores" é um prato cheio. O longa reflete muito bem o espírito musical do cantor. Cave obteve enorme reconhecimento por seu trabalho em "Os Infratores". Se você é fã do músico, não deixe de conferir esse filme!

 5- Slash – Guns n’ Roses - BOCA DO INFERNO

O envolvimento do guitarrista Slash com o cinema é tão grande, que o roqueiro possui até uma empresa de filmes chamada “Slasher Films”. Sua primeira participação como produtor foi na obra de horror "Nothing Left To Fear" (“Boca do Inferno” em português), lançada em 2013. Em entrevista ao " Pulse Of  Radio", o lendário guitarrista comentou: “Produzir um filme é definitivamente mais complexo… Isso é um processo demorado, conseguir o dinheiro necessário é muito difícil, porém, eu realmente gostei disso, já que eu tenho uma grande paixão por aquilo que quero fazer dentro do longa e, ademais, eu adoro estar envolvido no processo de desenvolvimento, encontrando as pessoas certas, conseguindo e reunindo todos os componentes necessários para almejar fazer um grande filme, sabe?"

"Nothing Left To Fear" é um terror que, infelizmente, está longe de ser uma obra-prima, apesar de poder dar um ou outro susto. Mas… tendo as mãos de Slash na produção, com certeza vale a pena conferir!

 

Slash é um grande fã da Sétima Arte.

 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O GLAM ROCK DO MOTT THE HOOPLE

 Por Juliana Vannucchi

O Mott The Hoople é uma banda originária de Herefordshire, pequeno condado localizado no oeste da Inglaterra. O grupo foi um dos remanescentes do glam rock e seus trabalhos iniciais datam de 1969. A primeira e principal música de sucesso da banda, “All The Young Dudes”, foi escrita por David Bowie, que era grande admirador do Mott The Hoople.

A discografia dos embriões do glam é composta por sete álbuns de estúdio e, apesar de o primeiro trabalho ter sido lançado em 1969, apenas em 1972 a banda conseguiu maior reconhecimento público, sendo que esta explosão comercial aconteceu de forma bem curiosa. A formação mais apreciada e de maior destaque da banda contou com Ian Hunter (vocal, guitarra e piano – Hunter, posteriormente, tocaria com David Bowie durante uma fase da carreira do Camaleão), Pete Watts (contrabaixo), Mick Ralphs (guitarra e vocal), Dale Griffin (bateria) e Verden Allen (órgão). Pete Watts, membro fundador do Mott the Hoople, prevendo uma possível dissolução de seu grupo, certa vez procurou o amigo David Bowie, que lhe fez um imenso favor: sedeu-lhe uma letra que havia escrito, chamada “All The Young Dudes”. Inicialmente, Bowie teria oferecido uma outra composição autoral (que hoje, certamente é bem popular) chamada “Suffragette City”, mas esta música foi recusada pelos membros do Mott The Hoople. De qualquer forma podemos considerar que os dois lados envolvidos nessas "trocas" tiveram vantagem: o camaleão conqusitou grande sucesso com “Suffragette City”, que tornou-se um de seus inúmeros grandes hits, enquanto, por outro lado, seus ídolos de Herefordshire, finalmente obtiveram reconhecimento e conseguiram alavancar a carreira no mercado musical. Conta-se que David Bowie escreveu esta música enquanto estava sentado de pernas cruzadas em seu apartamento de Ian Hunter. A letra seria dedicada para “jovens novos e de vez em quando velhos”. Conforme Hunter recordou em uma entrevista gravada em 2004, a respeito dessa interessante história: “Bowie nos ofereceu ‘Suffragette City’, que eu achava que não era bom o suficiente, então ele se sentou no chão, no escritório da Regent Street, e tocou ‘All os The Young Dudes’ em uma guitarra acústica”.

 

Mott The Hoople: os monstros do glam. Uma das bandas glamourosas e vibrantes do mundo do rock.

O Mott The Hoople foi uma das primeiras bandas a assumir um visual tipicamente glam. Os integrantes vestiam roupas brilhantes e caracterizadas pelo uso de gliter. Talvez, de maneira geral, o principal destaque de suas músicas seja a pincelada de solos e melodias espetaculares de guitarra. Ademais, cabe mencionar aqui as apresentações teatrais e irreverentes do grupo, repletas de dancinhas, paços sincronizados e energia, que se tornaram um aspecto bastante atraente para os fãs.

Em 2009, ano em que a banda completou 40 anos, houve uma reunião especial para a realização de cinco shows no Hammersmith Apollo. Em 2013 o Mott The Hoople  realizou uma turnê especial que rendeu inúmeros materiais, como DVD, CD e  até mesmo um livro com fotografias inéditas de sua trajetória. No site oficial, a banda comentou sobre o livro: “Este livro tem contribuições de todos nós e pensamos que é a homenagem perfeita para agradecer todo mundo pelo apoio que recebemos desde que começamos até os dias de hoje”.

Esperamos que o Mott The Hoople continue ativo. A banda foi historicamente importante e  fundamental para a consolidação do glam e para a construção da carreira de David Bowie. Se quiser um escutar um rock clássico e contagiante, coloque o grupo na sua playlist!

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mott_the_Hoople

https://www.mottthehoople-74.com/

https://www.theguardian.com/culture/2024/jan/15/bowie-mott-the-hoople-all-the-young-dudes-ziggy-stardust


quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

EU BEBERIA COM ESSA GURIA #01: CYNTHIA ROSS

 Por Juliana Vannucchi

A inauguração desta nova coluna do nosso site, ocorrida em 2023, teve como protagonista o especialíssimo baixista Thiago Halleck. Mas quem ocupa o espaço dessa vez é a baixista canadense Cynthia Ross, que cravou seu nome na história do punk rock norte-americano e canadense através do legado que deixou com a banda The 'B' Girls.

Eu certamente tomaria muitas doses de café com a Cynthia porque, além de eu amar café, essa bebida maravilhosa, que geralmente gera boas e longas prosas, me lembra da série Twin Peaks, que eu a Cynthia adoramos! Isso porque, conforme os fãs do seriado sabem, o agente Cooper é doido por cafeína! Claro que, partindo desse ponto, eu e a Cynthia iríamos conversar bastante sobre os mistérios, excentricidades e demais aspectos desse maluco e surreal universo criado por Lynch. A trilha sonora de Twin Peaks é por si só uma verdadeiro obra de arte, conduzida e criada por Angelo Badalamenti (que, caso os leitores não saibam, cabe dizer a título de curiosidade, trabalhou com Siouxsie Sioux). David Lynch chegou a comentar que essa série consiste num modo de acessar aspectos misteriosos da existência... aí está outro assunto sobre o qual iríamos discorrer: MISTÉRIOS... até porque, falando nisso, a banda The 'B' Girls possui uma música muito especial - que é a minha favorita - chamada "Mystery", escrita justamente pela Cynthia (no ano passado, entre outubro e dezembro, eu a escutei 66 vezes no Spotify, pasmem). Vou disponibilizar a letra abaixo. É interessante observar que trata-se praticamente de um hino à solidão porque, no final das contas, conforme a letra sugere, ainda que estejamos rodeados por outras pessoas e que nos encontremos no meio de grandes multidões, no final das contas estamos sempre sozinhos e um tanto deslocados. E a solidão, como condição existencial, cabe observar, é uma instância especial e necessária da própria vida. Conforme certa vez escreveu Arthur Schopenhauer: "A solidão é a sorte dos espíritos excepecionais". Nietzsche também era adepto da solidão e entendia que o ato de filosofar presuponha tal estado. Ademais, entendia que o ser humano deveria saber conviver com a própria companhia e, nesse âmbito, em "Assim Falou Zaratustra", escreveu: "Não há solução para quem sofre de si mesmo". Sêneca foi outro pensador que, não apenas contemplou a solidão, mas numa carta endereçada a Lucílio, destacou os perigos que a multidão oferece ao tornar vícios cativantes e induzir as pessoas a pensar sempre de uma mesma maneira (isto é, a multidão surge aqui como um verdadeiro convite para a alienação).

MYSTERY

Yeah baby it’s a mystery

The things you do to yourself

Night time it’s a mystery

You’re all by yourself


You cry tears

You call out

Words sound ...

Get paid, your future’s made

But your life it goes on and on


Downtown’s got no bright light shining

Lonely on the street

Downtown’s got no nightlife living

No, not on the street


I watch as you slip away

A little every day

That man downtown keeps calling you

And you decide to stay


I know you’re no ones miracle

I’ve seen how much you pay

Living daily misery

What can I do to make it be okay?


Downtown’s got no bright lights shining

Lonely on the street

Downtown’s got no night life living

No, not on the street. Hey


So alone among the crowd

Still looking for more

So alone among the crowd

Still looking for

Still trying to find

More ... More ... More

more ... more ... more


(C) 1977 Cynthia Ross
For The ‘B’ Girls

Também, com certeza, bateríamos um papo sobre Audrey Hepburn, atriz que nós duas admiramos bastante! E eu sei que a Cynthia flerta com literatura, até porque, ela é uma poetisa notavelmente talentosa, que escreve poemas tocantes, profundos e imensamente poderosos, capazes de entorpecer qualquer alma e emocionar qualquer coração. A experiência de ler suas palavras gera uma espécie de elevação metafísica e êxtase mágico que todos deveriam provar - para conhecer as poesias da Cynthia, basta segui-la no Instagram. Iria querer saber quais são os poetas que mais a influenciaram - mais sei que ela flerta com os grandes nomes da contracultura. E sei que a Cynthia Ross tem algum apreço por Isaac Asimov, um autor que eu, particularmente, admiro bastante. Li dois livros dele recentemente: "O Cair da Noite" & "O Homem Bicentenário". Ambos abordam temas profundos ligados aos limites e perigos das relações existentes entre o ser humano e a tecnologia. A narrativa do primeiro livro mencionado se desenvolve a partir do seguinte problema: teríamos condições de manter nossa sanidade se não existisse mais luz? Raramente nos damos conta do quanto a luminosidade é de fato relevante para a manutenção de uma vida saudável e produtiva. Quais seriam os efeitos colaterais da escuridão total? Essas questões que você, leitor, está lendo agora, seriam também, é claro direcionadas à Cynthia. E eu recomendaria os dois livros acima mencionados a ela.

Eu também teria numerosas perguntas para fazer a respeito de tudo que ela viviu durante a eclosão do punk rock norte-americano e gostaria muito de passar horas a fio escutando suas histórias, reflexões e aventuras relacionadas ao universo punk. Apresentaria a ela algumas bandas e artistas brasileiros começando, aliás, pelo próprioThiago Halleck e a banda "Gangue Morcego". Citaria a Fabi Bellentani como uma grande e exemplar baixista e também falaria para ela adicionar "The Edwoods", She Is Dead", "Mickey Gang", "We Are Pirates", "Rita Lee" e "Harry & The Addicts" na playlist dela. Ou, talvez, eu até criasse uma playlist própria para servir como trilha sonora para o nosso café! Começaríamos escutando "Lycanthopia", da última banda citada aqui. Depois "Silent Telephone" (you will die aloneee) & seguiríamos: "She Is Dead" ("She Is Dead") / "Sobrenatural" ("Gangue Morcego") / "Canyon" ("WAP") / "Running" (WAP) / "I Was Born In The 90's ("Mickey Gangue") / "Perv In The Park" & "Plan 9" ("The Edwoods"), Rita Lee (váriaaas). Eu acho que "Perv In The Park" faria ela se retirar da mesa porque o The Edwoods é muito assustador. Aliás, ifalando em The Edwoods, isso traz a tona um outro ponto interessante que poderia ser abordado: conversaríamos sobre filmes trash, que estão entre os meus favoritos. Acho que ela, no mínimo, gosta de clássicos como "Ben, o Rato Assassino" e "Palhaços Assassinos do Espaço Sideral". Eu amo ambos. Duas produções fabulosas do gênero! Quem não gosta? Se, por acaso, ela dissesse que não aprecia filmes assim, eu simplesmente falaria que fui mal influenciada pelo Andy e pelo Eron. E talvez eu me empolgasse e inventasse um roteiro maluco de filme trash chamado "O Tapete Maldito", cuja trilha sonora teria sido criada pelo The Edwoods.

Posteriormente e para encerrar, eu iria falar mal do Bolsonaro. Muito mal. Esse tópico é fundamental em qualquer conversa, não é mesmo? E para encerrar, antes do último gole da décima xícara, eu faria uma alusão ao agente Cooper. Olharia para o meu recipiente e diria: "Damn fine coffee".

 

Eu beberia com a Cynthia Ross!

 


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