Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

segunda-feira, 20 de abril de 2020

MACROCOSMO E MICROCOSMO - Primeira Exposição Virtual do Fanzine Brasil:

Por: Juliana Vannucchi (apoio: Gabriel Marinho)

MACROCOSMO E MICROCOSMO  - Primeira Exposição Virtual do Fanzine Brasil:

“Macrocosmo e Microcosmo” é o tema proposto para a nossa primeira exposição online. Conforme consta no “Dicionário Básico de Filosofia”, são: “Termos originários da medicina grega clássica, significando respectivamente ‘grande mundo’ e ‘pequeno mundo’. Algumas doutrinas filosóficas antigas, tais como o estoicismo e o epicurismo, supunham uma correspondência entre i corpo humano e suas partes, por um lado - o microcosmo - e as partes constitutivas do universo do - o macrocosmo - por outro lado. “Como o organismo forma em si mesmo uma unidade harmônica, um pequeno mundo (microcosmo) contido num grande mundo (microcosmo), pode-se sustentar que a vida seria indivisível. (Claud Barnard).

Embora, historicamente esses termos tenham tido diferentes interpretações e tenham sido empregados e estudados de maneiras variadas, em suma, eles simbolizam uma relação, expressando um conceito que se apresentava na filosofia de Giordano Bruno, no qual vemos a manifestação do “todo em tudo” - o universo presente no próprio ser humano. Trata-se de um reflexo entre o que há de mais metafísico e grandioso, naquilo que é mais sutil.

Nós convidamos um grupo de desenhistas e pintores que apoiamos, para participarem da nossa exposição. Confira abaixo o resultado de suas imaginações, interpretações, reflexões, e representações imagéticas sobre o tema proposto.

Título: Micromacroagrupamentos
Artista: Marcelo Badari (Joanópolis-SP)
Dimensões: 20x20cm
Técnicas: ilustração digital; iPad Pro e Apple pencil

Micromacroagrupamentos: A arte foi inspirada nas ilustrações do século XVII 'Harmonia macrocosmi cum microcosmi', de Tobias Schutz, e na ‘sem título’ de Robertus de Fluctibus, que retrata um homem, o microcosmo, dentro do macrocosmo, foquei na semelhança entre o corpo humano e a forma de uma estrela estilizada de cinco pontas. Retratei através do traço do meu desenho, a conexão entre o micro e o macro... como as coisas podem estar interligadas no universo. E que ele visto de longe pode parecer micro como o universo dentro de cada ser vivo - que, por sua vez, pode parecer macro visto através das lentes de um microscópio.



Título: Criação
Artista: Soraya Balera - Sorocaba (SP)
Dimensões: 1,10x0,90m
Técnica: Óleo sobre tela 

Criação: Divina são as cores que faz meu mundo se encher de esperança e fé a cada amanhecer. O momento da "criação" é o sagrado sentimento que trago em meu mundo de cores, mescladas com texturas e formas. É a criação diária, a geração de algo a mais, um movimento contínuo no qual estamos imersos.


Título: O Universo Observando a Si Mesmo
Artista: Alejandro Gomez (Estados Unidos)
Dimensões: 08x11cm
Técnicas: Arte digital

O Universo Observando a Si Mesmo: Aqui estão dois extremos quando busca-se solucionar os mistérios do eu. Poderia procurar, no espaço eternamente vazio,  uma resposta incompreensível para essa tal busca, ou, então, posso olhar para mim mesmo e encontrar respostas já existentes.



Título: Quem Manda No Mundo? (Primata ou “Pósmata”?)
Artista: Grupo OVO - 2020 (São Paulo/Osasco)
Dimensões: 40x40cm
Técnica: Acrílica sob tela

Quem manda no mundo? (Primata ou Pós-mata): Quem é este hominídeo? Dono de si, soberano de todos, controlador do tudo? De onde ele vem? Por que ele existe? Ele é bom? Ele é mal? Ele é real?
 


Título: O Olhar Sob o Olhar
Artista: Grupo OVO - 2020 (São Paulo/Osasco)
Dimensões: 40x50cm
Técnica: Acrílica sob tela

O Olhar sob o Olhar: Imersa em seu inconsciente, ela procura uma resposta que a libertará. A água é escura e o céu é palpável. Ela está segura. Mesmo alheia, a vida a rodeia e seus sonhos sinalizam que sob o seu olhar existe outro olhar.


Título: Visão OrbitalArtista: Grupo OVO - 2020 (São Paulo/Osasco)
Dimensões: 65x50cm
Técnica: Acrílica em papel  Mi Teintes -300 gr

Visão Orbital: Um barquinho de papel carrega uma mensagem em branco. Olha! Olha como ele vai rápido! Olha como ele atravessa oceanos sem a ciência da sua fragilidade! Olha como ele navega sem afundar! Ele orbita em nossos sonhos e sobrevive, inocente, aos nossos piores pesadelos. Olha! Olha como ele segue. Independente de tudo, ele segue.



Título: A Insolência Do Caos
Artista: Grupo OVO - 2020 (São Paulo/Osasco)
Dimensões: 42x60cm 
Técnica: Acrílica em papel Canson- 300 gr

A Insolência do Caos: O caos da desintegração é bruto, irracional e ensurdecedor. Ele queima e enlouquece com uma insolência de quem é absoluto.
O caos é um jogo sem regras, sem ganhadores e sem perdedores. As partidas são cíclicas e infinitas. O resultado será sempre aleatório.




sexta-feira, 17 de abril de 2020

BATEMOS UM PAPO COM DIEGO MODE, DA BANDA CÜBUS - CONFIRA:

Por: Juliana Vannucchi


Dessa vez, o protagonista do nosso site é o ilustre e talentosíssimo Diego Mode, da banda Cubüs. Ele é um dos músicos experimentais mais ousados e respeitáveis do Brasil, e nessa entrevista, nos contou sobre a história da banda, suas perspectivas futuras, shows marcantes e outras coisas.

1. Diego, poderia nos contar um pouco sobre como surgiu a banda? Quais foram os membros que já passaram pelo Cubüs e quantos álbuns já foram lançados?

O Cubüs surgiu em dezembro de 2003 e foi formado originalmente por mim e pelo João Pedro Lopes que foi o vocalista original da banda. Eu havia conhecido o João um pouco antes e percebemos que nós tínhamos muitos gostos em comum, além do desejo de criar música. Fizemos uma tentativa frustrada com alguns outros amigos na época, um lance mais rock, mas percebemos que a coisa não ia andar. Então, partimos para esse modelo de duo calcado na música eletrônica, sem nos prender muito as amarras de estilos musicais específicos. Algumas músicas que tocamos ao vivo como “Adore”, “Bukowski” ou “O Construtor” são dessa fase inicial.
Eu acho que esse período, mesmo sendo ainda bem ingênuo, foi importante porque a gente não tinha muita ideia de como as coisas funcionavam (gravação, divulgação), mas esse pastiche do que gostávamos chamou atenção de algumas pessoas e tivemos um pouco de destaque na época em alguns sites e blogs.

Além do João Pedro, o Cubüs teve por um breve período a participação do Raf Guimarães (Amigas de Plástico), Luís Aurélio (ex-Technofactor) e, de 2016 em diante, o Karlos Junior (Quântico Romance) está na estrada comigo sendo o melhor tecladista que a banda já teve.
Em relação aos lançamentos, eu acho bem engraçado que em mais de 15 anos só gravamos dois álbuns completos: “Caridade & Sadismo” de 2016 e “Synths, Distorção, Caos & Bootlegs: Ao Vivo Na Juventude Depressiva (16 Jun 2018)”. Nos primórdios dos anos 2000, o conceito de álbum havia sido quase que enterrado para as novas bandas underground. Era muito mais interessante lançar músicas (em formato mp3) na Trama Virtual ou no Fiberonline do que se enfiar num estúdio durante séculos para gravar um disco. Fora o fato que eu paralisei as atividades da banda duas vezes, voltando definitivamente apenas em 2014. Contudo, mesmo não possuindo uma quantidade enorme de álbuns, já fizemos o lançamento de diversos EPs e singles, além de duas coletâneas que compilam músicas de várias fases.

2. O que significa a palavra “Cubüs”?


Uma coisa que eu sempre tive muita dificuldade foi dar nomes as coisas, principalmente aos projetos que estava envolvido. O nome Cubus (que originalmente não tinha trema) foi uma brincadeira minha com o João de escolher um nome que não tivesse nenhum significado, algo que fosse só nosso. Vários nomes foram ditos, mas o João veio com o Cubus que foi escolhido imediatamente por ambos.
Quando retomei as atividades do Cubüs em 2014, eu descobri na internet que haviam diversos outros artistas da música eletrônica usando o mesmo nome. Então, para poder me diferenciar deles, adotei a trema. Mas vale ressaltar também que depois de um tempo, nós descobrimos que cubus é um tipo de operação matemática, o que casa perfeitamente com a precisão milimétrica associada à música eletrônica.

3. Qual é o seu álbum favorito da discografia da banda? Há algum, que atualmente te desagrada?

Essa com certeza é uma das perguntas mais difíceis que já respondi. É muito difícil escolher um único trabalho, até porque cada um teve o seu mérito ao longo dos anos. Mas eu acho que o “Caridade & Sadismo” foi bem importante. Primeiro porque foi a prova de que eu poderia produzir um álbum (que demanda muito foco e dedicação) praticamente sozinho, mas também porque foi com ele que as coisas começaram a acontecer. Por causa do álbum, conseguimos fazer uma longa tour, passando por festivais legais como o Woodgothic, e começamos a desbravar esse cenário underground.

Por outro lado, eu não tenho nenhum álbum que me desagrada. Eu vivo uma eterna briga com as minhas músicas porque tem momentos que eu as adoro, mas em outros eu acho que elas poderiam ser bem melhores. Na verdade, o que me desagrada mesmo é olhar para as canções mais antigas e pensar que elas poderiam ter sido melhor produzidas, um acabamento melhor.  

"A arte também molda caráter, traz reflexão".

4.  Eu li que você se “arrependeu de usar muitos recursos digitais no passado”. Por quê? Acha que isso pode comprometer a música de alguma maneira?

Naquele momento inicial da banda, a gente se valia muito de programas de computador para compor as músicas, o que foi legal porque não tínhamos recursos para ficar enfiados em estúdio ou comprar sintetizadores bacanas.
Mas com o passar do tempo, eu me tornei um adepto do hardware, do uso de baterias eletrônicas e synths. O que eu vejo em muitas produções eletrônicas é uma perfeição milimétrica que não é humana, são apenas pessoas sentadas com seus computadores escolhendo onde vão colocar um acorde ou um beat. E sei lá, a imperfeição de você tocar um teclado para uma gravação, mesmo não tendo essa precisão digital, é o que dá alma aos trabalhos.
Claro, isso é a minha opinião e sei que o Karlos Junior vai discordar de mim totalmente.

5. Quais são as principais mudanças entre os primeiros álbuns e músicas lançados, e os materiais produzidos mais recentemente?

Além da parte técnica que eu já comentei, onde eu acho que as músicas hoje são mais bem produzidas, eu acredito que as mudanças estão ligadas ao amadurecimento e ao que foi me influenciando ao longo dos anos.  Dificilmente eu faria hoje uma música como Adore, sobre uma mulher dançando em uma boate, mas sei lá, é difícil enxergar as mudanças quando você faz parte do processo. Na verdade, o conceito nunca foi se prender em um único estilo, então nunca pensei muito sobre isso. Mas uma mudança que eu venho percebendo é o fato de que, atualmente, eu tenho escrito mais letras sobre o que observo, ao contrário das letras mais introspectivas que fiz em 2016. O “Caridade & Sadismo” foi gravado numa fase meio “dark” da minha vida e isso se refletiu nas músicas.

6. Que tipo de efeito você acredita que suas músicas causam nos ouvintes?

Sinceramente, eu não faço ideia. Até porque eu recebo respostas diferentes dependendo de onde vem esse feedback. As críticas e comentários na internet mencionam essa coisa mais introspectiva, mais reflexiva de algumas das faixas. Por outro lado, nos palcos onde a coisa é bem mais física, naqueles momentos mágicos onde banda e público estão em sintonia, a vibração é bem mais explosiva, de celebração. Eu espero apenas que o nosso trabalho tenha algum significado pessoal, que falem sobre as suas vidas, assim como essas músicas falam sobre a minha.

7. Poderia comentar sobre a“Paranoia Musique”? Em que, exatamente, consiste esse projeto? 

A Paranoia Musique surgiu de uma inquietação que eu sentia em 2017. Eu via a dificuldade de muitos artistas underground em divulgar a sua música e mesmo para arranjar novos locais e públicos para seus shows. A idéia é bem simples: um canal que fosse um selo musical, organizasse eventos com bandas e DJs e divulgasse tudo isso para aqueles que se identificassem.
Já realizamos shows de bandas fantásticas como Poëtka, Gangue Morcego, Arte no Escuro, The Knutz, 1983, Ocaso, Poetisa Dissecada, Masquerade & Virgin in Veil, além dos diversos lançamentos na nossa página do Bandcamp e em outras plataformas online. Em tempos de covid-19, vou pegar emprestado a ideia do Fanzine Brasil e abrir espaço para lives de bandas, além de conversas e entrevistas na nossa página do Youtube. Essa foi a forma que eu achei de criar uma comunidade, um grupo de pessoas que tem algo em comum e trabalham para que esse movimento aconteça.

8. Percebi que há um certo engajamento político e social em algumas letras da banda. Esse tema prevalece em toda a discografia? Que outras inspirações temáticas vocês têm?

Uma piada interna que eu tinha com o João é que a banda nunca fez uma letra romântica... e isso se mantém até hoje. Se o artista for honesto com seu trabalho, e não tentar escrever algo pensando em agradar A ou B, é inevitável que ele olhe para si mesmo e em tudo ao seu redor para buscar inspiração.  Eu já vi alguns artistas que processam demais as suas influências, onde tudo é feito para lembrar certas sonoridades ou abordar temas específicos. Eu nunca fui assim, a coisa toda funciona de forma mais onírica, mais inconsciente. E com certeza isso se reflete nas letras... e fica meio difícil ser apolítico nesse momento que vivemos enquanto raça humana. Mas as experiências pessoais e certamente algumas coisas que leio ou ouço devem influenciar o trabalho do Cubüs.

9. Essas letras de cunho político parecem bem importantes para o atual momento em que vivemos. Acha que elas podem levar os ouvintes a reflexões que, posteriormente, sirvam como motivação para fins práticos?

O Frank Zappa uma vez disse que se as músicas influenciassem as pessoas, todos nos amaríamos por causa da avalanche de canções românticas que tocam nas rádios. Eu concordo com ele em parte, você não faz uma revolução no comportamento com apenas 3 acordes. Ou faz? O Punk foi uma onda transformadora por onde passou. Pessoalmente, escrever uma letra mais política é uma forma de catarse, um jeito de expurgar essa revolta, essa impotência que sentimos perante esse sistema imutável. Mas a arte também molda caráter, traz reflexão. Se conseguir mudar a cabeça de uma pessoa, já é o primeiro passo para mudar o mundo.


"No geral, eu acredito que a tecnologia ajuda os artistas, principalmente os menos conhecidos". 



10. Qual foi o show mais marcante já feito pela banda? E como foi participar do Live Isolation Festival, organizado pelo site Fanzine Brasil?

Citar um único show seria bem injusto, mas tem alguns que me marcaram. O nosso debut na Baratos da Ribeiro foi mágico porque além dos nossos amigos, conseguimos atrair também a galera do boteco ao lado que jamais havia entrado na livraria antes. Aquele mix de pessoas totalmente diferentes foi bem caótico e legal. Fizemos alguns shows que foram incríveis também na festa Rio After Midnight (na Lapa), no Espírito Santo ao lado da galera do Fake Dreams... com certeza um dos melhores foi o de Juiz de Fora com a galera do Cova de Laços. Algumas pessoas estavam cantando “Os Gritos Não Se Calam” comigo e aquilo foi bem emocionante. Houve vários outros fantásticos também (sempre me divirto quando vou a São Paulo), mas não vou me estender numa lista gigante.

O Live Isolation Festival foi uma experiência ímpar! Estando todos nós isolados, foi muito legal poder se reconectar através da live. Fora que foi muito gratificante poder ler depois os comentários e ver a interação da galera com a performance. Esse modelo é importante para lembrar que não estamos sozinhos.

11. A tecnologia, no geral, tende a atrapalhar ou ajudar um artista?

No geral, eu acredito que a tecnologia ajuda os artistas, principalmente os menos conhecidos. Os avanços tecnológicos nos permitem gravar em casa, produzir músicas e vídeos de forma barata (ou mesmo grátis) e distribuir nosso material para pessoas do mundo inteiro. Outro dia eu vi um documentário da BBC sobre os desbravadores da música eletrônica dentro da rádio e, preciso dizer, eles foram heróis. Conseguiram produzir material de excelente qualidade com quase nada porque tudo era muito rudimentar. Imagina o que essas pessoas fariam nos dias de hoje? O que seria do Aphex Twin sem sua percepção fantástica de como “distorcer” a tecnologia para produzir seus sons esquisitos? Como eu disse anteriormente, eu sou apenas contra a tecnologia quando ela captura a percepção do artista, quando deixa de ser uma ferramenta e se transforma na própria arte.

10. Se pudesse dividir o palco com algum músico e/ou banda, quem escolheria?
Essa é bem fácil! Quem me conhece bem, sabe que sou super fã do Depeche Mode e seria um enorme prazer abrir o show dos caras. Mas não posso reclamar, eu já dividi os palcos com muita gente legal e que gosto bastante, pessoas que se tornaram meus amigos por causa da música.

11.  Quais são os planos para o futuro? Vocês estão trabalhando em algum material novo recentemente?

Já faz um tempo que eu tenho como meta gravar o novo álbum da banda, mas acho que isso ainda não aconteceu porque preciso dividir minha atenção com trabalho e com a Paranoia Musique. Mas se tudo der certo, esse álbum vai sair em 2020. Eu fiz alguns esboços de músicas, já fiz algumas gravações, mas nada que tenha me agradado muito para entrar no álbum. Vou trocar umas figurinhas com o Karlos Junior, mandar alguns esboços para ele... vamos ver como será gravar em época de isolamento social. Contudo, desde que entramos nessa pandemia, eu já não tenho tanta pressa para finalizar esse novo trabalho. Eu me pergunto se vale à pena lançar um disco e não poder sair em turnê para divulgar. Eu acho que no caso do Cubüs, as músicas ganham vida mesmo no palco, é ali onde elas mais brilham. Por hora, talvez eu lance alguns EPs ou singles antes do novo álbum... vamos ver o que o futuro nos reserva.

12. Vocês têm uma sonoridade bem experimental. Em algum momento isso já rendeu críticas negativas? 

Não, pelo contrário. Muitas pessoas já vieram me falar que preferem as músicas mais estranhas, os b-sides dos nossos singles. Eu acho que a sonoridade do Cubüs passeia entre as melodias da música pop e esse lado mais estranho, mais experimental.

Outro dia eu me peguei pensando sobre isso, a nossa sonoridade nunca foi muito “clean”, sempre metida em distorções ou reverberações estranhas. Mas não estou sozinho nessa corrida porque muitos dos novos artistas tem as mesmas referências que eu tinha quando comecei. É lógico que o tipo de música que criamos dificilmente vai nos levar as rádios ou vai estampar nossos rostos nos grandes sites sobre música, mas sucesso para os artistas underground vem de outras formas. A banda já me levou a locais que jamais imaginei tocar, conhecer pessoas legais e receber elogios de gente fora do meu círculo de amizades. Esse tipo de moeda vale muito para mim.
Resumindo, eu não sei fazer música de outra forma e essa é a nossa marca.

LINKS OFICIAIS:

quinta-feira, 9 de abril de 2020

ANÁLISE DA DISCOGRAFIA DO THE CREATURES:

Por: Juliana Vannucchi

O The Creatures foi um projeto musical feito por Siouxsie e Budgie em 1981, mesmo ano em que os Banshees lançaram o álbum Juju. Não há dúvida de que ao lado de seu marido e companheiro de banda, Sioux encontrou maior liberdade para se expressar. Não à toa, muitos consideram que o The Creatures sempre foi o auge de sua carreira.

ÁLBUNS:

Feast (1983):


O álbum de estreia do The Creatures foi gravado no Havaí. E sabe como eles escolherem esse lugar? Bem, eles simplesmente puseram de maneira aleatória uma agulha num mapa-múndi. Onde ela apontasse, eles tocariam. Para a sorte do casal, foram parar num local paradisíaco! E é preciso admitir que as paisagens e cultura do Havaí influenciaram a composição do Feast.

O Feast é simplesmente genial. A faixa de abertura é mística, estranha e parcialmente sombria. Sua letra é tão misteriosa quanto a própria melodia. “Morning Dawning” porta um encanto singular que só o The Creatures possui.

Até a quarta música, ainda há um clima levemente “dark”. Depois, no entanto, encontramos “Gecko”, que rompe com essa atmosfera e oferece ao álbum um tom mais dançante e caloroso.
A música que obteve maior destaque foi “Miss The Girl”, baseada no livro “Crash”, de J. G. Ballard (uma das muitas composições de Sioux provindas do universo literário). Desde seu lançamento, o álbum foi aclamado pela crítica e “Miss The Girl” foi uma música muito tocada nas rádios do Reino Unido.

Siouxsie e Budgie.

Boomerang (1989):

Muitos concordam que esse álbum representa o auge do brilhantismo de Siouxsie Sioux e Budgie. Desde a primeira vez que o escutei, percebi que essa exótica obra-prima é um verdadeiro sopro divino que nos envolve magicamente do início ao fim.

O Boomerang foi gravado na Espanha. Budgie uma vez me revelou que o processo de criação do álbum foi muito marcante. Sabemos, por intermédio de inúmeras entrevistas, que ele e a Sioux se divertiram muito por lá e essa doce experiência é refletida nas músicas. No geral, em suas composições, notamos que o Boomerang conta com a participação de vários instrumentos, e é possível considerar que ele possui um refinamento instrumental maior do que o “Feast”, que no geral é mais cru e experimental se comparado a este álbum. Outra característica que o diferencia de seu antecessor é que Boomerang dialoga com gêneros musicais bem variados, tais como o jazz, o blues e a música flamenca, tradicional da Espanha (que se faz evidentemente presente na faixa “Standing
 There”).

No período em que gravaram esse álbum, Sioux e Budgie certamente já haviam exorcizado seus terríveis fantasmas do passado. Não havia interesse em explorar seus lados mais sombrios, e a agressividade do Punk Rock já não fazia sentido. Era um momento de ataraxia (tranquilidade interior), que oferecia ao duo a chance de navegar por mares desconhecidos. Os dois também se sentiam mais livres em suas produções, já que dependiam apenas da harmonia que havia entre eles e não se preocupavam com possíveis reprovações de terceiros que, eventualmente, pudessem “travar” seus processos criativos. Como resultado dessa nova fase musical e existencial, parece-me que o “Boomerang” é um convite para que aproveitemos a poesia que se esconde mediante a tragédia da vida, pois mesmo diante da tormenta, ainda resta luz, e o álbum é justamente uma elegante celebração dessa luminosidade.

No Boomerang, Siouxsie parece assumir o papel de uma Sibila que, em seu transe, pronuncia palavras celestiais. É uma verdadeira obra de arte, muito inventiva e caprichosamente original. Simplesmente não há banda que soe como o The Creatures e nada nunca se aproximou da admirável singularidade que permeia a essência do álbum.

Siouxsie e Budgie formaram o The Creatures (nome sugerido por Severin) em 1981.

A Bestiary Of (1997):

Essa coletânea do The Creatures fez tanto sucesso entre os fãs quanto os próprios álbuns de estúdio. Na capa do álbum vemos uma das clássicas fotos de Siouxsie e Budgie no chuveiro.
É uma compilação poderosa e hipnótica, que possui um enorme efeito catártico. É um álbum no qual encontramos músicos com batidas tribais ao melhor “estilo The Creatures” e em que encontramos um resgate de uma fase mais experimental da banda. Simplesmente magnífico.

Anima Animus (1999):

Esse álbum, cujo título é inspirado num conceito de Carl Jung, é um tanto diferente em relação aos outros trabalhos do The Creatures, na medida em que apresenta sonoridades mais eletrônicas e dançantes e não enfatiza tanto a percussão (embora o som dos tambores soe de uma maneira poderosa - com Budgie no comando, isso não podia ser diferente). Destaque para “2nd Floor”, que até hoje é uma das mais aclamadas faixas do The Creatures, “Say”, que é uma tocante homenagem a Billy Mackenzie, e “Prettiest Thing”, a música mais peculiar do álbum.

Um fato interessante é que uma parte do álbum foi gravada na casa de Siouxsie e Budgie, na França, onde residiam desde de o início dos anos noventa, e devido a essa circunstância, de certa forma, o Anima Animus teve uma produção mais independente, até porque também foi o próprio casal que financiou as gravações.

A recepção da crítica foi muito boa. O Times chegou a dizer que a voz de Siouxsie estava “melhor do que nunca”. Aliás, praticamente todas as avaliações do público e da crítica sobre o The Creatures sempre foram favoráveis. Particularmente, creio que no geral eles sempre foram mais estáveis do que os Banshees, que na totalidade de sua discografia, definitivamente, teve seus escorregões.

Siouxsie chegou a dizer que o The Glove (banda formada por Robert Smith e Severin) foi uma resposta ao The Creatures.

Hybrids (1999):

Esse é um álbum de remix das gravações feitas pelo duo no final dos anos noventa. Oferece uma releitura interessante de algumas das melhores músicas, remixadas por outros artistas (como Howie B, Chamber, etc.), e foi bem elogiado na época de seu lançamento. Embora não carregue novidades, as versões alternativas que o compõem são ótimas.

Hái (2003):

Último lançamento oficial da banda. Este é um álbum sofisticado, gravado no Japão, e que possui uma enorme influência da música tradicional do país. Seu hit mais cativante é “Godzilla”, uma música simples, mas graciosa e aprazível.

No Hái, Budgie tocou vários instrumentos, como bateria, marimba, percussão, piano e até mesmo yueqin. Ainda no que diz respeito ao aspecto instrumental, a cereja do bolo” ficou por parte de Leonard Eto, um artista japonês de grande genialidade, que participou ativamente da criação do Hái. Budgie havia conhecido o músico quando esteve com os Banshees no Japão, em 2002, e desde então tinha a ideia de um dia fazer uma parceria. Devido a isso, o álbum possui uma percussão acentuada, tal qual a presente nas primeiras gravações do The Creatures. O mais curioso é que a base de grande parte das batidas foi gravada de maneira espontânea, numa única vez, pela dupla Budgie e Eto.
Essa foi uma louvável despedida de duas estranhas criaturas muito talentosas.

A jornada do The Creatures terminou da mesma maneira como começou: com originalidade e brilhantismo. Eles sempre foram únicos e não há paralelos.

EPs:


Wild Things (1981):


Esse foi o primeiro lançamento oficial feito pelo duo. Era um prelúdio de um projeto grandioso que estava ganhando vida. Há duas faixas desse EP que acho primorosas: “So Unreal” e “Mad Eye Scremer”. As duas são especialmente marcadas pela bateria tribal de Budgie e se tornaram icônicas na trajetória do The Creatures. Há também uma ótima versão de “Wild Thing”, música originalmente escrita por Chip Taylor. Um fato interessante é que durante a gravação desse EP de estreia - que durou apenas três dias -, Siouxsie fez aniversário e houve uma celebração em pleno estúdio. Budgie certa vez contou que “But Not Them” soou estranha quando ele a escutou pela primeira vez, pronta e com os vocais e bateria adicionados.

Eraser Cut (1998):

Esse EP foi gravado nos anos noventa, após a última turnê dos Banshees. É uma produção musical bem alternativa cujas faixas definitivamente não emplacaram como as melhores da banda. No geral, faltou um pouco de inspiração para esse EP, que talvez seja o menos popular do The Creatures.

terça-feira, 7 de abril de 2020

9 CURIOSIDADES SOBRE O DEAD CAN DANCE:

Por: Juliana Vannucchi e Gabriel Marinho

“Em última análise, a mensagem é abrir catarticamente as possibilidades de outros seres humanos terem um espaço onde possam olhar para dentro e descobrir quem realmente são”. - Lisa Gerrard.

Selecionamos alguns fatos interessantes sobre uma das bandas mais primorosas de todos os tempos. Confiram nossa lista e deixem seus comentários!

O MISTERIOSO IDIOMA FALADO POR LISA GERRARD:

Lisa Gerrard canta algumas músicas numa língua desconhecida, inventada por ela mesma. Certa vez, a vocalista do Dead Can Dance comentou que começou a cantar dessa forma quando tinha aproximadamente doze anos e disse que esse idioma vem de dentro de si e é algo inexplicável. Gerrard também falou que essa é a “linguagem do coração” e que acreditava que ela estava falando com Deus quando era criança e cantava nessa língua. O ato de se falar num idioma inventado chama-se “idioglossia” e pouquíssimas pessoas têm capacidade de fazer isso.

A RELAÇÃO ENTRE LISA GERRARD E BRENDAN PERRY:

Brendan Perry e Lisa Gerrard já foram casados, embora sempre tenham sido muito discretos em relação a suas vidas particulares. Durante o período de gravação do álbum “The Serpent’s Egg”, eles estavam juntos, contudo, dois anos mais tarde, na época da produção do “Aion”, já não havia nada entre os músicos. Pouco tempo depois da gravação desse álbum, Lisa começou a namorar, se casou e teve uma filha (que nasceu em 1992). Perry também se casou novamente e também teve uma filha.
De maneira geral, o relacionamento de ambos teve altos e baixos, mas numa entrevista ao Chicago Tribune, Gerrad comentou que ambos sempre tiveram uma sintonia grandiosa e que, ao lado de Brendan, descobriu muitas referências marcantes na arte, na literatura e na filosofia.

INFLUÊNCIA DA FILOSOFIA DE NIETZSCHE:

O último álbum de estúdio que o DCD lançou recebeu influência do livro “O Nascimento da Tragédia”, escrito pelo pensador Friedrich Nietzsche. Perry comentou que essa obra filosófica foi uma verdadeira revelação para ele. De acordo com o músico, a leitura o levou a descobrir o significado do dualismo entre o apolíneo e o dionisíaco. Ele disse que o primeiro desses aspectos “é sobre ordem, meditação e controle”, enquanto o segundo se relaciona com “a liberdade, sendo quase uma improvisação”. O músico também explicou que quando essas duas forças atuam em conjunto é que surge a arte.

Quando se conheceram, Brendan logo percebeu que Lisa era uma artista de Vanguarda.

DIONÍSIO: O DEUS DA EMBRIAGUEZ:

Em relação ao último álbum, que a banda lançou em 2018, Perry disse: “É uma energia subliminar e inconsciente, que faz parte da natureza”. De acordo com ele, justamente por carregar tais características, não seria possível compreendê-lo através do intelecto.
O título e o conceito do álbum são referências ao Deus grego Dionísio e aos festivais dedicados a ele. Perry disse: “Parte da celebração dionisíaca é alcançar ekstasis ou ecstasy”. O músico comentou também que em certos locais do mundo nos quais não há forte influência do cristianismo, ainda existem remanescentes dos festivais dionisíacos. Brendan disse: “As pessoas usam máscaras e dançam em círculos quase como se o tempo parasse em suas celebrações. Há um festival em particular chamado Kukeri, na Bulgária, que é realmente bonito”.

A CARREIRA SOLO DE LISA GERRARD:

Lisa Gerrard não possui notoriedade apenas pelas produções musicais feitas em parceira com Brendan Perry, mas também por sua prestigiada carreira solo. A cantora australiana possui quatro produções de estúdio, dentre as quais destaca-se “The Silver Tree", que talvez seja o mais especial de seus álbuns, pois conforme ela própria já disse, ele é uma verdadeira revelação de sua alma.

PERRY JÁ TOCOU NUMA BANDA DE PUNK ROCK:

Antes de formar o Dead Can Dance, Brendan Perry integrou uma banda de Punk Rock australiana chamada “The Scavengers”. Ele se juntou ao grupo em 1977 (ano mais importante da história do movimento Punk), ocupando o lugar do baixista Marlon Hart. A banda foi formada por dois estudantes de Designer Gráfico e só possui um álbum lançado. Podemos dizer que Brendan, mesmo antes da formação do Dead Can Dance, já era bem conhecido no meio underground.

Curiosamente, Lisa, por sua vez, também integrou uma banda Punk, embora aparentemente ela não tenha se envolvido tanto com esse projeto. Além disso, em seu passado, ela foi uma artista de rua, fato que causou muita preocupação em seus familiares...
Brandan e Lisa se conheciam antes mesmo da criação do Dead Can Dance. Porém, ele não cogitava gravar nada com sua futura parceira, pois ele a achava muito vanguardista...

LISA GERRARD E SUA COLABORAÇÃO COM A SÉTIMA ARTE:


Um fato interessante sobre a artista australiana é que ao longo de sua trajetória no universo musical, ela já compôs para inúmeros filmes famosos, tal como "Gladiador" (2000), "A paixão de Cristo" (2004) e "Men on fire" (2004). Lisa sempre foi muito elogiada por suas colaborações com trilhas sonoras de filmes.

O Dead Can Dance é uma banda australiana, formada em 1981.

INFLUÊNCIAS RELIGIOSAS:

Muitas pessoas se perguntam se Gerrard e Perry são religiosos. Conforme eles mesmos já declararam, suas músicas são feitas para que os ouvintes possam se reconectar com suas almas. Brendan, porém, já admitiu que possui enorme interesse pelo Paganismo, com o qual, aparentemente, se identifica bastante.

Lisa já chegou a dizer que todas as religiões, no fundo, estão centradas na evolução espiritual. E para a vocalista do Dead Can Dance, o desenvolvimento espiritual é um crescimento abstrato. Ela também declarou que não costuma falar muito sobre espiritualidade, e que cada indivíduo possui suas próprias fontes para desenvolvimento.

BRENDAN E QUESTÕES POLÍTICAS:

Brendan Perry já se inseriu em várias polêmicas em relação à política. Desde os anos oitenta, por exemplo, ele se recusa a tocar em Israel. Brendan, porém, já fez questão de esclarecer que não é antissemita. Ele já fez várias postagens sobre política - e, aliás, apagou algumas delas...

Referências:

http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,AA1553736-7084,00-LISA+GERRARD+QUER+SER+RECONHECIDA+COMO+COMPOSITORA.html

https://www.google.com.br/amp/s/www.rollingstone.com/music/music-features/dead-can-dance-tour-dionysus-new-album-749693/amp/

https://www.google.com.br/amp/s/www.chicagotribune.com/entertainment/ct-xpm-2012-08-15-chi-dead-can-dance-interview-lisa-gerrard-interviewed-20120815-story,amp.html

http://www.bardomethodology.com/articles/2019/09/25/lisa-gerrard-dead-can-dance-interview/

terça-feira, 31 de março de 2020

TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O "ISOLATION LIVE FESTIVAL":

Por: Vannucchi e Marinho

LIVE ISOLATION FESTIVAL:

O “Live Isolation Festival” é o primeiro evento online organizado pelo site Fanzine Brasil. Sua finalidade é prestigiar alguns músicos nacionais independentes e fazer com que, através de suas canções, as pessoas possam encontrar um estado de ataraxia – isto é, “tranquilidade espiritual”.

O conceito deste festival tem como pilar o pensamento de Arthur Schopenhauer, segundo o qual a arte (e em especial a música, que é a mais majestosa de todas), é capaz de proporcionar alívio a qualquer indivíduo, aniquilando momentaneamente seu estado de sofrimento existencial. Atualmente, a maior parte das pessoas de todos os continentes do planeta encontram-se inseguras, solitárias e angustiadas e é justamente por isso que nosso evento atravessará as fronteiras físicas (e também imateriais) e penetrará com força nos mais diversos lares, oferecendo a todos um momento de desligamento e satisfação. As apresentações que serão transmitidas ao vivo  no Instagram do nosso site, acontecerão durante cinco dias do mês de abril (você pode conferir a programação completa no final deste texto).

Dennis Monteiro, um dos mais talentosos e respeitáveis artistas do cenário underground nacional, e  que se apresentará no “Live Isolation Festival” ao lado de Júlia Amorim, comentou que sua expectativa é grande: “Espero que as pessoas apreciem de alguma forma o som que estamos fazendo - não que elas precisem exatamente digerir a ideia pra conseguir apreciar,  pois nem nós mesmos conseguimos fazer essa digestão das músicas, o que provavelmente ocorre por ser a nossa primeira aparição oficial. Já estava se tornando comum esse tipo de apresentação "online", porque devido ao momento de pandemia se torna o único meio de mostrar nosso trabalho. O Mateamargo surgiu justamente nesse momento conturbado”. Júlia, vocalista da banda, também nos contou sobre a sensação de participar de um festival diferente e inédito na história do site: “É a primeira vez que exponho minhas ideias e me posiciono com essa responsabilidade à frente também de um microfone, por exemplo, apesar também de não ter ninguém olhando pra mim diretamente (o que deve facilitar as coisas). Inclusive por se tratar deste canal, que tem ligação direta com o Woodgothic, e que já convidou a banda que eu fazia parte em Juiz de Fora, MG - Poetisa Dissecada - pra conceder entrevista, fiquei bem feliz por terem olhado pra nós bem neste momento pós embrionário do Mateamargo”.

O músico Diego de Oliveira, do Cübus, banda tradicional do universo underground, disse que apesar de toda sua experiência musical, jamais tocou ao vivo dessa maneira e confessou que é algo inédito em sua trajetória: “Nunca toquei dessa forma, o que é bem engraçado porque em tempos de “lives” e interação digital os artistas ainda estão muito centrados no contato presencial... OK. De fato, nada substitui o encontro com o público, principalmente quando rola uma sintonia entre quem está no palco e a plateia (o que é mágico, aquele transe que a música te proporciona), mas me espanta que precisamos de uma quarentena para isso poder se desenvolver, se tornar uma ideia aceitável”. Diego também revelou que está ansioso para tocar: “Estou animado por ser uma experiência inédita e contente por ser um evento do Fanzine Brasil, um site que já acompanho e admiro faz tempo. Com certeza será divertido!”. E sobre a importância de um evento como esse no momento em que vivemos, acrescentou: “Penso que o mais importante é lembrarmos que a vida não pode parar, precisamos nos valer da tecnologia para nos conectar virtualmente até o momento que possamos mais uma vez nos encontrar presencialmente”.

D.I.Y – A IDEOLOGIA POR TRÁS DO FESTIVAL:

Nosso site valoriza imensamente o conceito de “Do It Yourself” em suas mais variadas manifestações. Foi unindo esse aspecto ideológico com a estética que fazia parte dos fanzines produzidos no período da eclosão do movimento Punk que o cartaz promocional do evento foi criado. O responsável pela produção foi Diego de Oliveira, com o apoio de Marcelo Badari (Orbital Molecular). Diego contou quais as influências de seu processo criativo: “Geralmente quando eu faço a parte visual dos trabalhos do Cubüs ou da Paranoia Musique, eu gosto de trabalhar digitalmente com fotos que nós mesmos tiramos (eu, Suzana ou o meu irmão Marcelo) ou de imagens de fotógrafos clássicos que admiro (o que evita problemas com direitos autorais). Há um tempo atrás, fiz um pôster para um show das bandas Gangue Morcego, 1983 & The Knutz, no qual utilizei uma imagem do Man Ray, certamente um dos meus fotógrafos favoritos. Na minha última visita a São Paulo, pude ver várias de suas obras ao vivo e fiquei com essa ideia de “remixar” o seu trabalho mais uma vez para um futuro cartaz. Quando pintou a oportunidade de criar a arte para o Fanzine Brasil, eu fui atrás de seu acervo na internet e me deparei com essa foto que eu não conhecia, num site que falava sobre o artista. Então, fiz o trabalho de colagem inspirado nos cartazes de shows de bandas post-punk minimalistas que aprecio, prestando homenagem também à galera da Weird Records de Nova York e suas artes gélidas. Mas confesso que a pessoa na foto continua sendo um mistério para mim. Não tenho nenhum tipo de formação nas artes gráficas e posso dizer que sou bem punk porque tudo é feito na base do DIY, mas confesso que cada vez tenho gostado mais do resultado e espero que vocês tenham curtido”. Posteriormente, Badari se responsabilizou por escrever o título “Live Isolation Festival” (que está na parte inferior do pôster) e fez cinco versões alternativas do cartaz, destacando especificamente cada músico/banda.

Além disso, é preciso observar que, apesar do evento ser previamente planejado, ele é feito com imensa simplicidade. Não há envolvimento de nenhuma tecnologia de ponta, há apenas a boa vontade e a dedicação de todos que estão participando diretamente do evento. Além disso, trata-se de um festival essencialmente independente e que não é gerenciado por nenhuma gravadora. Os participantes são artistas da cena underground – tal como é o espírito da nossa página do Instagram que exibirá gratuitamente o evento.



CONHEÇA OS MÚSICOS QUE PARTICIPARÃO DO FESTIVAL:

Mateamargo:

Mateamargo é uma manifestação sonora intimista. As ideias que se diluíram no tempo foram, de meados de 2019, sintetizadas no que é hoje. O alcance do não-perfeito, temas desiludidos e o respeito pelos silêncios são características desse som. O shoegaze e a aura que isso traz tomam conta da sonoridade do Mateamargo. A banda conta com Mayara Adonais no baixo, Alexandre Fon na bateria, além de Dennis Sinned na guitarra e Júlia Amorim nos vocais, teclado e demais cordas.

Sid Rogozinski:

Sidan Rogozinski é um músico independente do interior de São Paulo. Destaca-se especialmente pela versatilidade de suas composições sonoras e pela abrangência de texturas que explora através de sua habilidade com a guitarra e com o violão.

Quântico Romance:

Quântico Romance é um projeto de HomeComputer Music influenciado em estilos e sonoridades que transitam entre os Rock Pop 80´s, Synthpop, New/Retro/Synth/Dark Waves, Gótico Industrial e alternativos, com o objetivo de criar, produzir e oferecer algo musicalmente diferente do que se escuta no mainstream da Música Brasileira, abordando ideias, temas e poesias pertinentes às vicissitudes daquilo que nos define e transborda na experiência humana.

Orbital Molecular:

Após 8 anos com o projeto Looming Flames (2011-2019), Marcelo Badari segue a mesma estética Lo-fi, mas agora adicionando vocais ocasionais nas composições. O projeto também ganhou um novo nome em 2020: Orbital Molecular.

Cübus:

Projeto musical que surgiu no final de 2003, que tem Diego de Oliveira como único membro fixo. Suas produções sonoras costumam ser classificadas como Minimalismo Eletrônico, Experimental, Industrial ou Synthpop. As letras, por sua vez, expressam a insatisfação da vida no ambiente urbano e a falta de conexão com o pensamento atual, juntamente com as mais diversas experimentações eletrônicas, considerando que nada é sagrado e tudo pode ser acrescentado à sonoridade do grupo. As músicas do Cübus representam um protesto, uma ruptura com a música comercial e o senso comum.

CONFIRA AS DATAS E HORÁRIOS DAS APRESENTAÇÕES:

▪️04/04 - Mateamargo (19h15)

▪️05/04 - Sid Rogozinski (13h00)

▪️06/04 - Quântico Romance (19h15)

▪️07/04 - Orbital Molecular (19h15)

▪️08/04 - Cübus (19h15)



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

REAL LIFE - MAGAZINE:

Por: Vannucchi

O Magazine é uma das várias bandas brilhantes provindas de Manchester (terra natal de outros mitos, como o Joy Division e o Buzzcocks). Seus primeiros passos foram dados no ano de 1978, mesmo período em que lançaram sua primeira produção de estúdio, o Real Life, que até hoje é um dos álbuns mais icônicos de todos os tempos devido à sua unicidade, afinal, não há nenhuma outra produção que soe como ele - nem em sua época, nem posteriormente. O Real Life não é o tipo de álbum clichê, no qual encontramos “mais do mesmo” e suas músicas tomaram um caminho oposto ao que era produzido naquele período no qual, muito gradualmente, o Punk Rock perdia força no cenário musical. Assim sendo, é difícil de categorizar o álbum, pois ele não se enquadra diretamente nos moldes do Punk Rock, nem do universo Dark, nem do Pop, nem do glamour da New Wave. E eis que é neste aspecto que reside o seu grande valor: na criatividade, no fato de que, em essência, ele escapa aos padrões estabelecidos. De certa forma, o Real Life é um álbum experimental e nada ortodoxo, que uniu cinco músicos muito bons, no momento exato do tempo e espaço em que eles estavam inspirados e em plena sincronicidade.



Em termos gerais, a sonoridade do Real Life parece ser arquitetada com base numa estranha herança indireta do Punk Rock, com alguns elementos psicodélicos, que se desdobram em resultados geniais. Lembremos que a banda possuía um dos maiores guitarristas daquele período, que era o escocês John McGeoch, que mais tarde se tornaria uma lenda do Pós-Punk e se eternizaria especialmente por sua colaboração com a banda Siouxsie & The Banshees. As melodias por ele tocadas em alguns momentos do Real Life remetem ao Punk, mas em algumas faixas, soam de uma maneira mais sombria e introspectiva, se afastando em definitivo das raízes do Punk Rock. McGeoch acompanhou de maneira magnífica os caminhos vocais de Devoto, o frontman da banda, o grande maestro que conduziu o álbum através de suas letras abstratas e sua voz vigorosa. Barry Adamson era quem comandava o baixo. Ele estava dando seus primeiros passos no universo musical e não dominava seu instrumento, porém, fica evidente que cumpriu sua função de maneira espetacular. O baterista era Martin Jackson, que fez um ótimo trabalho, digno de reconhecimento, mas que sairia do Magazine após o lançamento do Real Life. Dave Formula, o tecladista da banda, foi o responsável pela aura parcialmente psicodélica que permeia no álbum. Era, como dito anteriormente, a junção perfeita, para um trabalho perfeito. Como resultado dessa harmonia entre estes cinco verdadeiros artistas, cada uma das faixas do Real Life representa uma passagem para uma viagem intensa, que leva o ouvinte para universos desconhecidos e fantásticos. Não há como deixar de citar o hit de grande destaque do álbum, que é a terceira música, a aclamada “Shot By Both Sides”, cuja criação antecede a formação do Magazine, e contou com participação de Pete Shelley, outro músico notável. Esse foi o primeiro single da banda, lançado alguns meses antes do Real Life vir á tona. Era um prelúdio da obra-prima que estava prestes a surgir!

O Real Life é definitivamente um álbum lendário. Da primeira música até a última, esta vanguarda garante uma série de sensações estranhas e fascinantes. Depois desta produção atemporal, o Magazine também lançou mais um álbum nos anos 70 e dois outros no inícios dos anos 80. Todos qualificados e elogiáveis, mas com exceção do segundo - “Secondhand Daylight”, de 1979 -, distantes de oferecer a magia do Real Life.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

10 ÁLBUNS DE ROCK QUE COMPLETAM 50 ANOS EM 2020:



 Por: Vannucchi e Marinho

2020 é um ano especial para os amantes do Rock And Roll, pois é um período no qual alguns dos maiores clássicos desse gênero musical estão completando cinquenta anos. O tempo pode passar, mas a atemporalidade, no final das contas, certamente é um dos fatores que faz com que um determinado álbum (o outra manifestação artística) torne-se um clássico. Confira nossa lista e deixe seu comentário.

American Beauty - Greatful Dead:

Este foi mais um acerto do Greatful Dead, que é uma das bandas mais interessantes e poderosas do Rock norte-americano. O álbum, no geral, soa de uma maneira bem cativante, tendo uma atmosfera especialmente voltada para o Folk. Contudo, apesar de seu vigor, e dos elogios recebidos na época em que foi lançado, o “American Beuty” não atingiu o mesmo patamar de reconhecimento e sucesso de outros álbuns que fazem parte da extensa carreira do Greatful Dead.

É válido notar que este não foi o único disco que a banda lançou em 1970. Em outubro deste mesmo ano, o mundo também conheceu o “Greatful Dead”, álbum duplo gravado ao vivo.


Paranoid - Black Sabbath:

O Paranoid é o álbum preferido de muitos fãs do Black Sabbath. É sem dúvida uma obra-prima do Rock & Roll e um dos álbuns mais comerciais já produzidos pela banda. É nele que se encontram alguns dos maiores clássicos do Sabbath, como “War Pigs” e “Iron Man”. Porém, não são somente essas duas músicas que justificam seu reconhecimento e sua atemporalidade, pois o álbum, do início ao fim é simplesmente fenomenal, e oferece uma experiência catártica e emocionante capaz de afetar qualquer ouvinte. Ao meu ver, além da sonoridade incrível que ele possui, também é nesse álbum que se encontram as melhores letras da banda. É válido observar que foi também em 1970 que o Black Sabbath lançou também o seu álbum de estreia e, portanto, há duas comemorações marcantes para a banda em 2020. Tanto o primeiro disco - intitulado "Black Sabbath" - quanto o "Paranoid", foram e continuam sendo arrebatadores.

Morrison Hotel - The Doors:

O Morrison Hotel certamente não é o melhor álbum da discografia do The Doors. Embora ele seja qualificado e carregue alguns hits da banda, tal como a agitada “Roadhouse Blues” e a introspectiva “Waiting For The Sun”, ele marca um certo “declínio” do The Doors se comparado com as produções que o antecedem. Na realidade, de maneira geral, toda a fase setentista do grupo liderado por Morrison, definitivamente não foi tão gloriosa quanto a o período no qual os primeiros quatro álbuns de estúdio foram lançados, no final dos anos sessenta. Mas, de qualquer forma, esse é um trabalho competente e que, apesar de não ser tão especial, provavelmente ainda supera todos os outros que o sucederam.

Led Zeppelin III - Led Zeppelin:

Possivelmente, o Led Zeppelin III tenha sido o lançamento mais primoroso dos anos setenta e para muitos, esta foi a melhor produção de toda a brilhante carreira da banda. A primeira faixa, "Immigrant Song", por si só já vale o álbum inteiro. Mas felizmente, essa música de abertura é seguida por outras grandes pérolas como "Celebration Day", "Since I've Been Lobving You" e "Tangerine". Com uma pegada bastante Folk que é mesclada na medida com toques acentuados de guitarra, o Led Zeppelin III é um verdadeiro deleite aos fãs do Rock. Ele é profundo em sua totalidade, e consegue ser agitado, mas ao mesmo tempo doce e suave. É uma verdadeira obra prima do Rock And Roll.

Fun House - The Stooges:

O segundo álbum do The Stooges compõe a “tríade” da banda, da qual também fazem parte o “The Stooges”, que o antecede, e o “Raw Power”, que o sucede. Esses três lançamentos foram igualmente relevantes para a consolidação do Punk Rock e todos representam um valor histórico inestimável para o Rock & Roll.

O “Fun House” possui como grande diferencial o fato de ter sido gravado ao vivo. De maneira geral, podemos dizer que este é um trabalho elogiável e que foi capaz de manter a aura bruta, a indecência comportamental e as destrezas sonoras alucinantes que já estavam contidas no álbum de estreia do grupo. Contudo, talvez seja o menos memorável dentre os três grandes álbuns do The Stooges, pois o primeiro lançamento foi muito marcante por apresentar ao mundo um conteúdo surpreendente escrachante e, na sequência, após o curioso experimento de produzir um álbum com gravações realizadas durante shows, os patetas mais amados do Punk Rock deram vida ao magnífico “Raw Power”.

In Rock - Deep Purple:

Um dos álbuns mais lendários do Deep Purple e um dos mais respeitáveis de toda a história do Rock And Roll. O fato mais interessante a seu respeito é que ele foi a primeira gravação de estúdio a contar com a participação de Ian Gillan, vocalista que após esse trabalho mítico, foi aclamado pela crítica e pelos fãs, se tornando o principal expoente do Deep Purple, banda com a qual posteriormente gravaria discos ainda mais célebres do que o In Rock. Esse álbum, que foi o quarto da discografia da banda, apresenta um amadurecimento musical significativo em relação aos três primeiros que, de certa forma, eram mais "experimentais", sendo que o In Rock já apresenta uma sonoridade na qual encontramos uma linha sonora que construiu a "cara" do Deep Purple. Foi neste momento que a banda parece de fato ter encontrado o seu caminho na estrada do Rock & Roll.


The Man Who Sold The World - David Bowie:


Foi em 1970 que David Bowie lançou um dos mais ilustres álbuns de sua carreira: o “The Man Who Sold The World”, sua terceira produção de estúdio, com melodias e tonalidades bem diferentes das primeiras produções e que carregam um instrumental mais pesado, fato que o levou, inclusive, a ser comparado com bandas como Black Sabbath e Led Zeppelin.

O disco foi bem visto pela crítica, marcando assim a vasta trajetória do camaleão. O “The Man Who Sold The World” é essencialmente mais original do que os seus dois antecessores e nesta obra, Bowie apresenta uma criatividade diferenciada que não tinha mostrado até então. É possível dizer que foi esse terceiro álbum que alavancou de vez sua carreira artística e o arremessou ao mercado musical. O disco, entretanto, ao longo de sua produção, parece ter se moldado mais pelas ideias do produtor Tony Visconti do que pelas ideias do próprio camaleão. Na capa, vemos o músico usando um vestido. Essa imagem é importante pois ela representa um vestígio do perfil andrógeno que se tornaria uma assinatura da maior parte da carreira de David Bowie.

Em suma, é um álbum muito competente, mas que não chega perto do que estava por vir, nem em questão de forma, nem de conteúdo

Back In The USA - MC5:

O MC5 é um mito do Protopunk e uma das bandas mais influentes do Rock. O “Back In The USA” é o primeiro álbum de estúdio da célebre e curta discografia lançada pelo grupo, que após essa produção, teria apenas mais um álbum. Até hoje, este disco barulhento e enérgico é uma das principais referências do garage rock, gênero que foi fundado justamente pelo próprio MC5. Mas apesar de ser muito bom, e de expor toda a aura que sempre fez parte da banda, foi definitivamente superado pelo “High Time”.


Atom Heart Mother - Pink Floyd:


Este lendário álbum do Pink Floyd também está completamento 50 anos em 2020. Pode ser que você não conheça as músicas que compõe essa pérola, mas você certamente já se deparou com sua icônica “capa da vaquinha”, que se tornou um encarte marcante na história do Rock And Roll. E aliás, caso você esteja se perguntando a razão pela qual a banda lançou um disco com uma capa tão estranha, a explicação é a seguinte: os membros do Pink Floyd estavam um tanto saturados com a categorização que a mídia colocava em cima da banda e, dessa forma, pensaram em utilizar na capa do álbum uma imagem que os afastasse dos rótulos que vinham recebendo até o momento.

Esta foi a quinta produção de estúdio gravada pela banda. Para alguns, a capa é melhor do que o conteúdo musical em si, que talvez soe excessivamente repetitivo em suas experimentações, embora aos olhos dos fãs, geralmente o Atom seja mais um acerto, no qual encontra-se uma demonstração da unicidade sonora da banda. O fato é que esse foi mais um álbum atemporal do Pink Floyd.

Curiosamente, no mesmo ano em que este álbum chegava nas prateleiras das lojas, Syd Barret também inaugurava sua carreira solo...


Easy Action - Alice Cooper:

Este foi o segundo álbum lançado pelo mestre do “horror rock”, junto com sua banda. É um trabalho conciso e intenso, que dispõe de um puro Rock And Roll, e assim, soa de maneira bem envolvente. Porém, o “Easy Action”, embora seja uma produção agradável, ainda estava longe da maturidade estética que a banda atingiria nos anos seguintes. Este disco pode ser compreendido como uma espécie de “experimento”, de introdução, e de caminhada até o auge que ainda estava por vir. Por fim, pode ser considerado mais um acerto da banda, ainda que não seja extraordinário.

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