Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

QUEBRANDO REGRAS E QUESTIONANDO OS PADRÕES: ENTENDA O QUE É A CONTRACULTURA

 Por: Juliana Vannucchi e Camilo Nascimento

QUEBRANDO REGRAS E QUESTIONANDO OS PADRÕES:

Surgida nos EUA em meados dos anos sessenta, a contracultura foi um conjunto de manifestações que contestou a cultura vigente, rompeu com os tradicionalismos e as convicções de seu tempo e propôs novos modos de viver, pensar e agir. Nesse sentido, portanto, podemos entender que esse movimento se expressou numa dinâmica dual, tendo uma face desconstrutiva e outra construtiva, pois, por um lado, propunha-se a demolir e questionar os modelos existentes (fossem eles ideológicos, políticos, artísticos etc.) e, por outro, buscava ressignificar a realidade.

Nesse contexto, tenha-se em mente que a contracultura surgiu como resposta espontânea de uma geração que se sentia desconectada da sociedade em que se encontrava. A forma como essa geração enxergava o mundo estava diretamente em conflito com a visão dos pais, professores e instituições sociais. É por isso que a necessidade de ressignificação surge, não apenas como rebeldia ou contestação, mas como o único caminho possível para construir essa nova identidade e, acima de tudo, conseguir liberdade das amarras sociais do período.

 

Como em todo processo de ruptura e “questionamento social”, a contracultura aparece como um percurso natural para jovens que buscam a esperança e a ressignificação do seu mundo.
 

A GERAÇÃO DA CONTRACULTURA: QUEM ERAM OS REBELDES SEM CAUSA?

Os jovens adeptos a esse movimento estavam descontentes com o mundo ao seu redor. Entendiam que o sistema dentro do qual viviam era sufocante e encarcerava o homem, tornando-o uniforme, obediente, previsível e consumista. Havia uma insatisfação diante desse “modelo de vida” normativo que dominava a sociedade da época e que era visto como algo que deveria ser descartado, pois os costumes convencionais que imperavam não eram o único modelo de vida possível. Existiam caminhos diferentes a serem seguidos, alternativas que estavam além do status quo e, por isso, a hegemonia (artística, política, ideológica e outras) e as instituições (Estado, igreja, família etc.) preponderantes deveriam ser refutadas e negadas.

Como em todo processo de ruptura e “questionamento social”, a contracultura aparece como um percurso natural para jovens que buscam a esperança e a ressignificação do seu mundo, um caminho que os leva para longe de tudo que os sufoca. No entanto, todo movimento cultural ou social que promova o debate e superação de paradigmas e dogmas sempre estará sujeito a repressão e tentativas de deslegitimação.

A contracultura acaba sendo taxada por muitos como algo marginal, hedonista e  responsável por promover a perversão de valores morais e sociais.

PAZ E AMOR: OS HIPPIES SIMBOLIZARAM O AUGE DA CONTRACULTURA

Os hippies são os primeiros expoentes da contracultura, apesar de não serem os únicos, mas seus ideais de “paz e amor”, de uma sociedade baseada na vida coletiva, no compartilhamento e anticonsumismo são a síntese da contestação de todos os valores capitalistas, familiares e religiosos dos anos sessenta nos EUA. 

Com uma ascensão rápida entre os jovens, o movimento hippie acabou sendo visto como a representação da contracultura em si, fato que ganhou mais peso ainda com a realização do lendário e histórico festival de música de Woodstock, que foi o cenário ideal para que todo o espírito do movimento se manifestasse coletivamente em consonância com músicas e bandas que seriam lembradas para sempre como representantes do rock psicodélico.

A ruptura realizada entre as gerações pelo movimento hippie é um marco, no entanto, períodos de “questionamentos” se repetem ciclicamente, sempre provocados por uma nova geração ascendente, que vê nos seus “genitores” tudo o que eles não gostariam de ser. Sendo assim, é importante levar em conta que, embora os hippies tenham se associado à contracultura, não foram os únicos que fizeram parte dessa manifestação. O punk rock, surgido nos anos setenta, por exemplo, pode ser considerado uma forma de contracultura, uma vez que também contestou a cultura dominante e ofereceu novas propostas artísticas, ideológicas, comportamentais e estéticas que reverberaram todo um contexto construído desde os mesmos anos sessenta.

 

(...) seus ideais de “paz e amor”, de uma sociedade baseada na vida coletiva, no compartilhamento e anticonsumismo são a síntese da contestação de todos os valores vigentes.

PSICODELISMO:

Os jovens adeptos ao fenômeno da contracultura estavam dispostos a encontrar novos modelos de realidade. Essa foi a principal razão pela qual componentes como o misticismo, a cultura oriental e as drogas psicodélicas integraram a contracultura, uma vez que tinham potencial para fazer com que um indivíduo rompesse com as amarras da sociedade e do racionalismo dominante.

As drogas alucinógenas foram uma das principais características da contracultura. Através dessas “válvulas de escape”, busca-se expandir a consciência, entrar em contato com outras formas de realidade e viver experiências místicas. O LSD foi o químico alucinógeno mais famoso do período. O psicodelismo foi também o fio condutor da estética da contracultura, que abusa de cores vibrantes e formas geométricas desconexas.

 

O Woodstock, que foi o cenário ideal para que todo o espírito do movimento se manifestasse coletivamente.

 

A CONTRACULTURA AINDA EXISTE?

Para encerrar nossas reflexões, nós nos apoiaremos na passagem de um texto publicado no jornal britânico The Guardian, no qual o autor defende que a contracultura ainda se faz presente em nossos tempos, especialmente através de movimentos estudantis e ambientalistas: “Então, existe uma contracultura? A polícia certamente pensa que sim: infiltrando-se em grupos ambientalistas e, sem dúvida, no movimento estudantil de protesto também. Embora os viajantes sejam provavelmente o único verdadeiro grupo contracultural que resta na Grã-Bretanha tentando viver uma vida livre de interferência e vigilância, o espírito vive nos protestos estudantis, grupos de direitos dos animais, ativistas ambientais e no movimento antiglobalização. O sistema reprime a resistência com uma mão, enquanto arranca as artes underground com a outra. Nesse aspecto, é como os anos sessenta”.

A contracultura, concordamos, pode se fazer presente de diversas maneiras em nossos tempos, e o parágrafo acima elucida isso. Entretanto, vivemos num mundo mais globalizado do que nunca, no qual a alienação e o consumo, que são substâncias fundamentais do sistema capitalista, imperam por todos os lados. Assim sendo, levando em consideração que o questionamento dos valores estabelecidos e o desapego aos padrões vigentes tangem a contracultura, podemos dizer que esse fenômeno está enfraquecido em nosso mundo atual, uma vez que, de maneira geral, a maior parte das pessoas é escrava do sistema, carecendo de senso crítico e refutando cada vez mais as informações que são despejadas nelas.

Incorporados pelo sistema capitalista, a contracultura e seus ideais acabaram perdendo a relevância e, com certeza, o seu caráter contestador. Mas verdade seja dita, a sua influência ainda reverbera por vários movimentos sociais, passando desde os ambientes digitais, com certas organizações que pregam a anarquia e a liberdade total de regras, até os cenários culturais underground, que ainda respiram e buscam novas formas de representar a realidade em que estão inseridos.

Onde ainda houver inconformismo, a contracultura estará presente, mesmo que diluída de seus ideais e força originais. Talvez toda e qualquer manifestação cultural, social e comportamental que fuja do conceito de “normalidade’ vigente seja uma manifestação contracultural.

Referências:

BEY, Hakim. TAZ. Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad, 2001.

BOBBIO, Norberto. Liberalismo e Democracia. São Paulo: Brasiliense, 1990.

LARAIA, R.B. Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge. Zahar, 2004.

PEREIRA, Carlos. O que é contracultura. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.

https://en.wikipedia.org/wiki/Counterculture_of_the_1960s

https://www.theguardian.com/culture/2011/jan/30/underground-arts-60s-rebel-counterculture

https://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/north-america/articles/fifty-years-woodstock-counterculture-alive-strong-catskills-festival/

https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-48849285

https://www.scielo.br/j/rsocp/a/tphWWXCs7NVJgfnBJ9CrFGL/?lang=pt

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

10 PERGUNTAS PARA PEARL HARBOUR

 Por: Juliana Vannucchi

O Fanzine Brasil bateu um papo com a cantora Pearl E. Gates, vocalista da banda Pearl Harbor and the Explosions, que se destacou especialmente pelo lançamento do single "Drivin". O grupo chegou a abrir shows para grandes bandas, como The Police e Talking Heads e teve uma aprovação positiva por parte da crítica especializada que se rendeu à voz de Pearl. No entanto, apesar desse cenário positivo, a carreira da banda não decolou como esperava-se e terminou rapidamente. Pearl, que continua firme, forte, poderosa e ativa no mundo musical, nos contou inúmeras histórias marcantes de sua trajetória, como quando dividiu o palco com o The Clash (ela foi casada com Paul Simonon), sobre o quanto o punk permanece vivo em nosso mundo atual, sobre música brasileira e muito mais. Confira!

1 – Você já veio ao Brasil alguma vez? Conhece bandas e/ou cantores daqui? Caso nunca tenha vindo, estou oficialmente te convidando! Espero te ver aqui algum dia!

Não, infelizmente nunca fui ao Brasil. Mas eu adoraria ir! Não tenho escutado nenhuma banda brasileira no momento, mas adoro coisas antigas dos anos 1960, como Sérgio Mendes e Brazil 66. Adoro gravações antigas de Salsa, Cha Cha Cha e Mambo.

2 – Como a banda "Pearl Harbor and The Explosions" surgiu?

Formamos a banda Pearl Harbor e The Explosions em 1978, na cidade de San Francisco, Califórnia. O The Stench Brothers (como eram conhecidos Hilary e John Hanes) e eu estávamos em uma banda chamada Leila And The Snakes, na qual eles tocavam baixo e bateria e, então, decidimos formar nossa própria banda e escrever nossa própria música. Convidamos o amigo deles, o guitarrista Peter Bilt, para se juntar a nós. A música era bem New Wave e não Rock & Roll. Eu queria tocar rock e eles gostavam mais de jazz fusion. Eles eram músicos excelentes, mas não concordávamos com o estilo de música, então nos separamos depois de um álbum e uma turnê.

"(...) punk não está morto! O punk é uma atitude e um modo de vida, assim como é também um estilo de música. Os punks são não-conformistas apaixonados por suas crenças e estilo de vida (...)"

3 – Qual foi o melhor show que você já fez em sua carreira?

O melhor show que já fiz foi quando cantei com o The Clash em Tóquio, no ano de 1982. Foi nossa primeira vez no Japão e foi muito emocionante. Um choque cultural total!!

4 – Qual é a melhor memória que você tem do Paul Simonon?

Minha melhor lembrança do Paul Simonon é de quando estávamos no Japão, como mencionei na terceira questão. Fomos visitar belíssimos templos budistas, oramos juntos e experimentamos coisas maravilhosas que eram um mistério total para nós.

5 - A frase "punk is not dead" é muito famosa. Você acredita que o punk continua vivo?

Não, o punk não está morto! O punk é uma atitude e um modo de vida, assim como é também um estilo de música. Os punks são não-conformistas apaixonados por suas crenças e estilo de vida. Essa atitude começa principalmente com a juventude e a rebelião contra seus pais, o governo e a vida em geral. Os jovens sempre se rebelam e querem ser diferentes da geração de seus pais. É saudável e natural!!

 

"Não sei como descrever o mundo de hoje. A Covid mudou tudo e não sei quando as coisas vão melhorar se as pessoas não forem vacinadas".


6 – “Don't Follow Me, I'm Lost Too” é um ótimo álbum! Você pode nos contar quais foram suas inspirações para gravá-lo? Como era a sua vida na época da gravação? 

O álbum "Don't Follow Me, I'm Lost Too" foi gravado em Londres em 1980. Nós nos divertimos muito fazendo este álbum porque todos os músicos eram amigos e, por isso, nós todos nos soltamos e nos divertimos. Os músicos incluíam Paul Simonon, Mick Jones, Nigel Dixon, Wilko Johnson, Steve New, Topper Headon, Steve Goulding, Geraint Watkins, Gary Barnacle e B.J. Cole. Eu amo esse álbum porque é rock & roll, mas tem um pouco de atitude. Ele soa de uma maneira única.

7 – Você continua compondo? Pretende lançar algo futuramente? Recentemente escutei a música "I Wish I Were You" e gostei bastante!

Eu continuo me apresentando e escrevendo músicas. Espero gravar novas faixas no próximo ano. Tudo ficou mais lento por causa do vírus, então todos temos que ser pacientes... Estou feliz porque 3 dos meus álbuns antigos estão disponíveis para streaming agora. Eles são meus 2 álbuns da Warner Bros., "Pearl Harbor and The Explosions" e "Don't Follow Me, I'm Lost Too", e de 1995, de um selo independente, tem o "Here Comes Trouble".

8 – Quais tem sido as suas principais inspirações ultimamente?

Ultimamente tenho ouvido muitos discos antigos de R&B para poder cantar junto e manter minha voz em forma. Eles também me fazem dançar, para manter meu corpo em forma!! Meu álbum favorito para ouvir no momento são os maiores sucessos de Ike & Tina Turner. Cada música é fantástica!

9 – Como você descreve o atual mundo ocidental em que vivemos?

Não sei como descrever o mundo de hoje. A Covid mudou tudo e não sei quando as coisas vão melhorar se as pessoas não forem vacinadas. A internet e as redes sociais tornaram mais fácil a comunicação com qualquer pessoa e com tudo que você possa imaginar. Eu sou uma pessoa muito reservada, então não gosto muito de que todos saibam tudo sobre mim! Porém, acho o Instagram divertido de acompanhar. Você pode conferir meu perfil @pearlharbourmusic se quiser!

10 – Você gostaria de viver toda a sua vida novamente?

Não, eu não gostaria de viver minha vida novamente. Uma vez já foi o suficiente!! Agradeço por todas as experiências divertidas e incríveis que tive...

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

JAMIE PERRETT: O TALENTO ESTÁ NO SANGUE

 Por Juliana Vannucchi

Jamie Perrett é um músico inglês, filho do lendário Peter Perrett, vocalista da icônica banda punk The Only Ones. Nos últimos anos, Jamie participou com seu pai da gravação de dois álbuns, intitulados ‘How The West Was Won’ (2017) e ‘Humanworld’ (2019), ambos muito elogiados pela crítica britânica e que abriram as portas para o músico, levando-o a tocar em inúmeros palcos da Europa. 

 

“Essa é uma música sobre a dualidade e a realidade do amor. É sobre o céu e o inferno (...)"
 

Em 2020, no entanto, o jovem músico começou a focar em suas próprias produções e, em abril de 2021, lançou o primeiro single de sua carreira solo, chamado “Masquerade Of Love”, produzido, conforme descreve o próprio músico, “sob uma atmosfera de imensa emoção e honestidade”. De acordo com Jamie: “Essa é uma música sobre a dualidade e a realidade do amor. É sobre o céu e o inferno e tudo o que existe entre eles. A palavra 'máscara' encapsula a alegria e o fascínio de uma dança ou baile com o lado mais escuro e oculto dos relacionamentos. É sobre um rompimento e consequências difíceis e a sensação que vem com isso de estar encalhado e suspenso em uma terra de ninguém, bem como a alegria de um relacionamento bonito e poderoso ao mesmo tempo”.  

A carreira de Jamie ainda está começando a se desenhar e se desvencilhar da música de seu lendário pai, de quem, conforme é evidente, herdou um enorme talento. Por enquanto, o que fica claro é o seu brilhantismo lírico, a presença de palco e a esperança de que, numa época tão cheia de bandas e artistas enlatados, temos uma personalidade grandiosa, original e que promete encantar muitas pessoas por meio de suas produções sonoras. A faixa de estreia foi um presente valioso que Jamie ofereceu ao mundo e, inclusive, chegou a ser tocada em algumas das mais elogiáveis estações radialísticas brasileiras, como a grandiosa Web Rádio Resistência e a célebre Rádio Alternativa Rock, além de ter entrado também na programação da Mutante Rádio, fato este que mostra a boa aceitação do músico no Brasil. No início de setembro, através de suas redes sociais anunciou que lançará seu segundo single. Atualmente, depois das limitações impostas pela pandemia, o músico está de volta aos palcos e está, aos poucos divulgando suas produções. Aguardaremos ansiosamente por mais novidades!

Links oficiais:

Spotify:


https://open.spotify.com/artist/0SB1lWd5ljMK1KQuO0pAXl

YouTube:

 https://www.youtube.com/channel/UCt80ZRJ3VDcILbS-J-2kNAQ

Website:

https://jamieperrett.com/

Facebook:

https://www.facebook.com/jamieperrettmusic

Instagram:

https://www.instagram.com/jamieperrettmusic/

Twitter:

https://twitter.com/jamieperrett

sábado, 4 de setembro de 2021

ARTE, CULTURA E CRISE HUMANITÁRIA: UMA CONVERSA COM DANIELLE DE PICCIOTTO

Por: Juliana Vannucchi, Camilo Nascimento e Juan Youth

Danielle de Picciotto é uma artista interdisciplinar, nascida nos Estados Unidos, mas que há bastante tempo reside na Alemanha ao lado do marido Alexander Hacke, baixista da banda Einstürzende Neubauten. Danielle já escreveu três livros, além de colaborar esporadicamente com ensaios textuais para revistas de cultura. Em sua vasta trajetória, a artista se destacou por suas colaborações e apresentações com o grupo The Crime & City Solution. Ao lado de seu companheiro, tem um projeto musical bem-sucedido chamado hackedepicciotto, além de ter também uma carreira solo notavelmente próspera. Conversamos com Danielle a respeito de vários assuntos diferentes que permeiam nosso mundo atual. Confira!

1- Danielle, bem-vinda ao Fanzine Brasil. Primeiramente, gostaria de saber como você está, porque o mundo todo tem enfrentado um momento muito estranho. Espero que agora as coisas estejam melhores por aí!

Eu estou bem. Tive muito cuidado durante a pandemia e basicamente fiquei em meu estúdio por mais de 18 meses. Na verdade, eu gostei disso porque meu marido e eu geralmente estamos sempre em turnê, então eu pude dormir mais e trabalhar em projetos para os quais nunca tive tempo antes. Parece um momento de reflexão. Mas espero que acabe logo.

2- Você já esteve no Brasil alguma vez? Por acaso conhece músicos e/ou bandas daqui?

Infelizmente eu nunca fui ao Brasil e também não conheço nenhuma banda do país. Eu ficaria encantada em conhecer músicos interdisciplinares novos e jovens, especialmente se forem mulheres. Escrevo uma série de entrevistas para o Kaput Magazin sobre artistas mulheres interessantes e estou sempre procurando novos projetos!

3 – Em que momento da sua vida você se reconheceu como artista? Esse caminho foi planejado?

Eu comecei a tocar violino aos seis anos, piano aos sete, comecei a escrever poesia assim que aprendi a ler e sempre pintei, então acho que nasci sendo uma artista interdisciplinar. Quando terminei a escola, não sabia o que fazer e por isso acompanhei um amigo que estava se candidatando a uma escola de artes. Fui aceita e ela não. Senti que estava trilhando a direção certa. Desde então, trabalhado como música/artista multimídia.

 

(...) vivemos numa época em que as indústrias tentam manipular as pessoas o máximo possível para obter o maior lucro possível (...)"

4 - O sociólogo Zygmunt Bauman diz que vivemos em "tempos líquidos", o que, em suma, significa que nossa cultura e as nossas relações são frágeis e nós sempre queremos substituir tudo. Claro que há exceções, mas você concorda que vivemos uma época de imediatismo e “descarte cultural"?

Acho que vivemos numa época em que as indústrias tentam manipular as pessoas o máximo possível para obter o maior lucro possível. Tudo tem a ver com vender alguma coisa. É uma situação muito triste e o resultado é nossa catástrofe ambiental e colapso social. O 1% dos ricos está se tornando mais rico e os pobres ficam cada vez mais pobres. Não poderemos continuar assim por muito mais tempo, mas a responsabilidade está em nossas próprias mãos. Ninguém é inocente. Temos que mudar nossos hábitos - não comer carne, mas alimentarmo-nos de plantas, não pegar voos, mas pegar trens, não usar carros, mas sim bicicletas, não usar plástico, não apoiar grandes empresas implacáveis como a Nestlé ou Coca Cola etc., não apoiar a escravidão, o racismo ou a discriminação... Se todos se sentirem responsáveis e fizerem a sua parte, poderemos mudar essa situação muito rapidamente.

5 - Você acredita que de alguma maneira, o materialismo global pode fazer com as pessoas percam o interesse pela arte e pela cultura? Como professora de Filosofia, preciso dizer que pelo menos no Brasil, eu percebo que isso acontece. Também num mundo em que tudo é rápido, sinto que as pessoas querem coisas rápidas!

A mídia e as indústrias estão nos treinando para não nos preocuparmos com educação, cultura ou qualquer outra coisa que nos ajude a pensar e sermos independentes e individuais. Eles não querem que sejamos inteligentes. Em geral, é mais fácil manipular pessoas insalubres, confusas e viciadas. Querem que sejamos consumidores estúpidos, inquietos e sem capacidade de atenção, porque é assim que eles vendem coisas que deveriam nos deixar felizes, mas na realidade nos deixam vazios e tristes. Então compramos mais… É um jogo diabólico. Fico, porém, muito feliz em perceber que a geração mais jovem é radical e politicamente ativa e acho que o “Black Lives Matter”, o “Me- Too” e movimentos ambientais com Greta Thunberg, que esses jovens iniciaram, são um sinal de que eles entendem o atual perigo que corremos. Creio que é a nova geração mais interessante que vi desde os anos 80.

 

(...) estou desapontada com a humanidade no momento. O medo não é um bom guia (...) 
 
 

6 – Atualmente, nos encontramos no meio de uma pandemia e estamos enfrentando crises econômicas e sociais em todo o globo. Como você acha que esse cenário irá afetar as produções e movimentos culturais do futuro? Temos espaço para um novo "punk"?

No início da pandemia, pensei que o momento nos ajudaria a mudar de uma forma positiva. Todos nós ouvimos sobre como a poluição desapareceu de repente e foi incrivelmente relaxante não ter aviões rugindo sobre nossas cabeças o tempo todo. Eu pensei que as pessoas iriam parar para pensar em como podemos salvar nosso planeta e criar uma sociedade mais igualitária.

Em vez disso, parece que o egoísmo e o ódio cresceram. Multidões enlouquecidas de pessoas contra vacina se manifestam sem parar aqui em Berlim e o movimento de direita cresceu internacionalmente. Eu entendo que eles estão fazendo isso porque estão com medo. Com medo do futuro, com medo da pandemia, com medo de ficarem pobres e sem-teto. Mas devo dizer que estou desapontada com a humanidade no momento. O medo não é um bom guia. Nós podemos fazer melhor do que isso. Eu me lembro todos os dias de olhar para todas as coisas positivas que estão acontecendo para não ficar realmente deprimida. Não acho que um movimento punk seja apropriado - precisamos de novos movimentos que visem fazer as pessoas entenderem que estamos todos no mesmo barco e devemos apoiar uns aos outros para não afundar. Estamos em uma situação em que os padrões antigos não estão mais funcionando e novos devem ser encontrados.

7- Você está envolvida com a indústria musical há muito tempo. Assim sendo, poderia comentar sobre as principais mudanças envolvidas nas apresentações ao vivo de um tempo atrás e dos dias de hoje? 

Bem, shows ao vivo dificilmente são possíveis no momento. Gosto das novas ideias que de fazer algo online - é uma forma de alcançar uma multidão internacional com novas ideias, mas sinto falta de interagir com o público!


Danielle e seu companheiro Alexander Hacke

 

8 – Qual foi o show mais memorável que você já fez com o Crime & The City Solution? Foi através dessa banda que conheci você...

Gostei muito de tocar no Rivera Court, no Instituto de Artes de Detroit com o Crime & The City Solution. Um enorme mural de Diego Rivera - The Detroit Industry Murals (1932-1933) - é exibido lá. Consiste numa série de vinte e sete painéis que retratam a indústria na Ford Motor Company e em Detroit. O museu organiza concertos gratuitos para que os cidadãos pobres possam vir e ouvir todos os tipos de música, o que eu acho maravilhoso, e tocar naquele salão incrível com músicos incríveis como Simon & Bronwyn Bonney, Jim White, David Eugene Edwards e Alexander Hacke foi lindo inesquecível.


9 – Você pode nos contar um pouco sobre os seus livros? Você escreveu três, né? Qual é a abordagem deles?

Meus livros são todos autobiográficos. O primeiro foi um livro de memórias pessoal de Berlim, o segundo é sobre como e porquê o Alexander Hacke e eu nos tornamos nômades em 2010 e o terceiro livro, que acabei de lançar este ano, é sobre as muitas mudanças que aconteceram antes, durante e depois da queda do muro em Berlim (tecnologicamente, musicalmente, arte, socialmente e politicamente). Falo sobre todos os artistas e músicos que ajudaram a revolucionar a cultura, gênero, sociedade e como iniciei a Love Parade com o Dr. Motte. O título é “A Arte Alegre da Rebelião” e atualmente estou procurando uma editora inglesa para lançá-lo.

Meu primeiro livro (história em quadrinhos) sobre como e por que nos tornamos nômades acaba de ser traduzido para o espanhol https://www.universal-comics.com/products/137969-ahora-somos-nomadas.html).

10 - Se você pudesse dividir o palco com qualquer músico, quem escolheria?

O músico com quem já trabalho: Alexander Hacke, do Einstürzende Neubauten. Temos uma banda chamada Hackedepicciotto e acabamos de assinar com a MUTE Records, o que é muito empolgante.

11 – Em que você está trabalhando atualmente? Quais são os planos para o futuro?

No momento, estou trabalhando na minha primeira trilha sonora para um filme. É muito divertido e o filme é um documentário. A diretora é a Margarete Kreutzer, que fez ótimas produções no passado (uma delas foi sobre a lendária banda Tangerine Dream). Ela me perguntou se eu queria trabalhar nessa trilha porque gosta dos meus álbuns solos. Também estou trabalhando com o Alexander Hack em mais duas trilhas para filmes. Além disso, atualmente estou preparando dois novos projetos musicais e trabalhando em textos falados.

Além disso,  eu estou produzindo um vídeo para o próximo álbum do hackedepicciotto, o “The Silver Threshold”. Ele será lançado no dia 12 de novembro e estamos tentando agendar uma turnê para a próxima primavera. Vamos torcer para que seja possível.


12 – Você gostaria de fazer uma turnê no Brasil com o projeto hackedepicciotto quando a pandemia acabar?

Adoraríamos tocar no Brasil! Se houver interesse e demanda suficientes, tenho certeza de que um show pode acontecer.


terça-feira, 17 de agosto de 2021

ALICE COOPER: O REI DO SHOCK ROCK

 Por: Juliana Vannucchi


Quando todo mundo é normal eu sou estranho, quando todo mundo é estranho eu sou mais ainda”. (COOPER, Alice
).


APRESENTADO VINCENT FURNIER:


Quando Vicent Furnier assumiu o nome artístico Alice Cooper, um personagem lendário ganhou vida e o Rock and Roll se transformou para sempre. Cooper é uma figura eterna no sentido de que não se esgotam as especulações e reflexões a respeito de sua vida e de sua obra. Hoje vamos conhecer e examinar um pouco mais de perto esse artista caricato.

Vincent Furnier nasceu em Detroit, em 4 de fevereiro de 1948. Quando tinha aproximadamente sete/oito anos, afirmava que queria ser o Elvis Presley. Além de admirar o Rei do Rock, era um grande fã de baseball. Para o pequeno Vincent, no entanto, praticar seu esporte predileto ou pular e cantar como Elvis era um tanto complicado, pois sua saúde era exatamente frágil.

A morte se aproximou do garoto na tenra idade. Quando ele tinha 11 anos, ficou seriamente doente, e foram extraídos quase 5 litros de veneno do seu corpo. A quantidade de veneno era tão grande que seu sangue ficou mais grosso do que o normal, e os médicos disseram que a sua chance de sobrevivência era de 10%. O menino perdeu peso e teve uma séria queda capilar. Foram três meses no hospital, mas ele sobreviveu, apesar de ter visto de maneira impactante a sua finitude! Certamente, esse contato com a morte foi refletido em sua carreira musical. Ele próprio já admitiu isso ao mencionar a morte como uma temática presente em seu lirismo, ao passo que, por sua vez, engajamento social e político seriam componentes ausentes no universo de Alice Cooper: “Vamos admitir, política e religião são um tédio (...) A maior parte das pessoas não se importa realmente com elas. As únicas coisas que importam para elas são morte, sexo e dinheiro. Então escrevermos música basicamente sobre esses assuntos”. (2013, p.270). Aqui, é válido citar um outro aspecto que marcou sua juventude e também influenciou toda a estética de Cooper: os filmes de terror. Ele era apaixonado por esse gênero. Dentre os seus preferidos estavam “A Filha de Drácula” e “O Monstro da Lagoa Negra”. Tudo isso foi levado para os palcos, nos quais Cooper não subia apenas para cantar. Ele sempre fazia questão de deixar claro que não realizava um “show”, mas sim, um “evento”: “É tipo: Alice está chegando em quatro meses! (...) Eu quero que as pessoas fiquem ansiosas com o fato de que estamos chegando na cidade, nada do tipo ‘Quem vamos ver essa semana? Bom, vamos lá ver Alice...’; eu quero que eles falem, ‘Uau, Alice está aqui! Cara, o que será que vai acontecer nesse novo show?!’”. (2013, p. 181).

 

(...) me chamar de satânico é pisar no que eu realmente acredito (...)

De fato, ele se tornou um mestre performático que sempre chocou o público com apresentações sanguinárias e aterrorizantes que fizeram dele o grande e genial rei do Shock Rock!

Na época da escola, era um garoto tímido, mas tinha um aproveitamento bom. Gostava muito de James Bond e era fã de Salvador Dalí. Apreciava jogar golfe e lia HQs do Homem-Aranha e do Quarteto Fantástico. Mesmo após formar uma banda, Vincent frequentava a igreja. Seu pai, homem de muita fé, era pastor, e todos encaravam o jovem com certa desconfiança e desdém, pois ele apresentava traços de excentricidade que geravam polêmica. Ele teria outros problemas com a igreja ao longo de sua vida, pois em inúmeras ocasiões foi acusado de satanismo. Mas os olhares tortos e as críticas de cristãos fervorosos não afetaram sua fé: “(...) não é muito surpreendente que eu tenha buscado o cristianismo. Meu pai era um pastor (...) me chamar de satânico é pisar no que eu realmente acredito (...) eu acredito em Deus”. (2013, p. 255-256).

Na verdade, seu comportamento sempre foi controverso e passível de críticas: houve uma ocasião, por exemplo, na qual durante um show da banda ele arremessou uma galinha no público, esperando que a ave fosse devolvida. Contudo, ela foi simplesmente destroçada. Após esse acontecimento, ele precisou se retratar com a Human Society toda vez que ia fazer um show. Houve outras encrencas. Mais tarde, uma turnê que Cooper faria na Austrália para apresentar seu projeto solo foi cancelada porque o governo se preocupou com o impacto que sua imagem decadente poderia ter na juventude do país. Na ocasião, o ministro que freou Cooper declarou: “Eu não vou permitir que um degenerado, com uma forte influência sobre a juventude e os de mente fraca entrarem no país (...)”.


Ele teve fãs ilustres, como é o caso de Johnny Rotten e tantos outros. Para ser ter uma ideia, “Elected” foi uma das faixas preferidas de Lennon, e o vocalista dos Beatles disse que chegou a escutá-la umas cem vezes...


SAI FARNER, ENTRA COOPER...


O nome “Alice Cooper” envolve especulações bizarras: segundo alguns, proveio de uma brincadeira com tabuleiro ouija feito na casa do empresário das turnês, chamado Dick Philips. Supostamente, um espírito entrou em contato e se identificou com esse nome. A entidade disse que havia se suicidado com veneno após ser acusada de bruxaria e ter sido perseguida por autoridades. Essa é apenas uma das narrativas sobre o nome que foi usado tanto por Vince, quando para a banda. Aliás, ele usou esse nome em seus dois projetos musicais, sendo que o primeiro era propriamente a banda “Alice Cooper”, e o segundo, uma espécie de carreira solo em que era usado esse mesmo nome.

Aliás, foi justamente durante o período de sua carreira solo que Cooper entrou na sua fase de declínio, tanto no que diz respeito à sua vida pessoal quanto em relação aos seus feitos artísticos. Ele se tornou um alcoólatra e precisou ser internado num hospital psiquiátrico. Ficou numa ala destinada a viciados e pessoas com problemas mentais graves. Mas tudo valeu a pena, e o tratamento teve um efeito benéfico em seu organismo. Cooper até optou por ficar lá durante mais tempo do que era necessário, pois encontrava inspiração para letras na convivência com os pacientes mentalmente insanos. E, claro, aos poucos, a fase decante foi ficando para trás para dar espaço a um novo período de criatividade. Ele se reergueu.

DALÍ TRANSFORMA COOPER NUM HOLOGRAMA:

Um dos encontros culturais mais célebres de todos os tempos merece ser lembrado aqui. Até porque Alice Cooper já admitiu que esse episódio foi um dos melhores momentos de toda a sua vida. Essa história, definitivamente, não poderia ficar fora do nosso texto!

Dalí e Cooper se conheceram em 1973, na cidade de Nova Iorque. Nessa época, o pintor tinha 69 anos e o músico tinha 25. Após esse primeiro encontro, passaram duas semanas bebendo, comendo e conversando. Foi uma ocasião extremamente significativa para o jovem Alice Cooper, já que desde a infância, tanto ele quanto o baixista Dennis Dunaway eram fãs do artista espanhol: “Antes de os Beatles aparecerem, ele era a única coisa que tínhamos. Olhávamos suas pinturas e conversávamos sobre elas por horas. Suas pinturas também tinham muito humor. Então, quando formamos nossa própria banda, foi natural que pegássemos algumas dessas imagens - como a muleta - e as usássemos em nossas apresentações”. Cooper ainda disse que foi como encontrar os Beatles ou Elvis.


Segundo Alice Cooper, Dalí era uma figura brilhante, bizarra, caricata, e tudo que fazia era performático.

Cooper também encantou o mestre do surrealismo, que decidiu transformar o astro do Rock num holograma, “First Cylindric Chromo-Hologram Portrait of Alice Cooper`s Brain”. Esse seria o primeiro holograma vivo do mundo.

Dalí e Cooper: um encontro memorável.
 

Na ocasião, Dalí também criou “The Alice Brain”, uma escultura feita com bombas de chocolate, formigas, diamantes e tecnologia holográfica antiga. Segundo Alice Cooper, que obviamente gostou da ideia, Dalí era uma figura brilhante, bizarra, caricata, e tudo que fazia era performático. O vocalista relatou: “Sua genialidade era que você nunca sabia quando ele estava sendo engraçado e quando não estava”.

Essas aventuras do king Cooper, sua originalidade e sua carreira brilhante fascinam. São coisas que estão além do tempo e do espaço. Ele teve fãs ilustres, como é o caso de Johnny Rotten e tantos outros. Para ser ter uma ideia, “Elected” foi uma das faixas preferidas de Lennon, e o vocalista dos Beatles disse que chegou a escutá-la umas cem vezes...

Referências:

THOMPSON, Dave. Alice Cooper: Bem-vindo ao meu pesadelo. São Paulo: Editora Madras, 2013.

https://www.openculture.com/2020/08/when-salvador-dali-met-alice-cooper-turned-him-into-a-hologram.html

https://www.anothermanmag.com/life-culture/10269/alice-cooper-remembers-his-encounter-with-salvador-dali

https://www.google.com.br/amp/s/arteref.com/gente-de-arte/30-fatos-curiosos-sobre-salvador-dali/amp/

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

KICK OUT THE JAMS: EM FEVEREIRO DE 1969, O MC5 REVOLUCIONAVA O ROCK

 Por: Juan Youth

O MC5 é uma daquelas bandas que possuem mais compilações do que propriamente álbuns de estúdio. Independentemente desse traço que marca suas produções discográficas, o MC5 foi absolutamente revolucionário em vários aspectos.

Partamos do ponto em que eles resolveram lançar o álbum de estreia ao vivo, diferente da maior parte das bandas que lança álbuns live somente depois de terem criado três ou quatro álbuns de estúdio, quando já estão dentro das paradas de sucesso. O negócio é que eles não sabiam muito bem como tocar dentro de um estúdio e suas performances ao vivo eram sensacionais e explosivas, o que, pelo visto, funcionou.

Outro ponto importante são seus posicionamentos políticos de esquerda e o polêmico fato de que a banda era explicitamente defensora do "sexo e drogas" desenfreados, em uma época em que a população americana não dava muito espaço para esse tipo de coisa (talvez isso não tenha mudado).
Mesmo diante de um cenário em que tais assuntos eram tratados como tabus, eles foram provocativos e usaram o ousado título "Kick Out The Jams, Motherfuckers" (que pode ser traduzido como “botem tudo pra quebrar, seus filhos da puta”) como faixa título do disco. 

Mas afinal, que tipo de som os Motor City Five tocavam? Podemos dizer que era uma mistura de blues, R&B, free jazz psicodélico misturado com muitas distorções e um vocal explosivo e inovador. Se mesmo lendo isso tudo você não se impressionou, saiba que eles estavam fazendo tudo isso na cidade de Detroit, em 1965, sendo que nesse contexto, poucos grupos eram tão autênticos. O MC5, assim, participou da história do começo do Punk Rock, sendo, por isso, muitas vezes intitulada como uma banda de protopunk.


O MC5 é uma das bandas mais bem-sucedidas de Detroit.


sexta-feira, 6 de agosto de 2021

“ID, EGO, SUPEREGO E OUTRAS PORCARIAS”: EM NOVO PROJETO MUSICAL DENNIS SINNED RETRATA AS RELAÇÕES HUMANAS NA MODERNIDADE

 Por: Juliana Vannucchi

Nessa sexta-feira, Dennis Sinned, conhecido nome da cena underground brasileira, lançou pelo selo Paranoia Musique, “Id, Ego, Superego e Outras Porcarias”, o primeiro álbum de seu novo projeto solo, intitulado Dennis e o Cão da Meia-noite. Para dar vida ao novo repertório da produção mais ambiciosa de sua carreira, o músico contou com o apoio do talentoso baterista Alexandre Fon, que também toca na banda “Noise Under Control” e ajuda na elaboração da parte rítmica, além de fazer a segunda voz em algumas músicas.

 

No início da pandemia, comprei uma câmera Nikon (...) Gosto de fazer caminhadas, às vezes caminho por horas e em horários não muito convencionais. Nessas ocasiões, costumo levar a câmera e filmar o cotidiano urbano (...)"

“Id, Ego, Superego e Outras Porcarias”, em suma, tem como temática as relações humanas na modernidade. Nas letras emocionais e impactantes, Dennis, o “Rimbaud brasileiro”, dispara lampejos poéticos e reflexivos nos quais encontramos lamentos e refutações sobre um mundo cada vez mais sórdido, vazio e raso. São diagnósticos precisos sobre os traços que marcam o tempo em que vivemos. Em relação ao processo de composição lírica, o músico relatou: “No início de 2020, eu comecei a fazer as primeiras músicas e tive a ideia do nome e dos conceitos que eu queria trabalhar. Eu tenho uma ligação afetiva e quase “espiritual” com cachorros e desejava que meu trabalho solo tivesse algo ligado a eles, não queria usar somente o meu nome. O Dennis sou eu como me mostro para o mundo, o “Cão da meia-noite” é o eu lírico, o id da tríade freudiana. Entrei nesse universo psicológico porque as músicas do projeto tratam das relações humanas na modernidade. Gravamos a primeira música em março, a faixa “Não jogue lixo”, e dias depois começaram as restrições da pandemia e toda essa confusão, o que obviamente interferiu no universo lírico das composições que viriam. Enfim, depois de mais de um ano de composições e gravações, lançaremos o Álbum com 13 faixas”.


As composições do álbum apresentam um refinamento musical elogiável e criam uma aura que mistura The Damned e The Jesus and Mary Chain.

Uma característica que diferencia esse projeto dos outros nos quais Dennis trabalhou é a união entre poesia, música e vídeo, linguagens que se encontram com maestria no seu projeto. A esse respeito, o músico contou: “No início da pandemia, comprei uma câmera Nikon, nada muito avançado, uma câmera semiprofissional. Gosto de fazer caminhadas, às vezes caminho por horas e em horários não muito convencionais. Nessas caminhadas costumo levar a câmera e filmar o cotidiano urbano. Dessas ocasiões também saem insights para letras e poesias, quando não saem músicas completas enquanto caminho”.

As composições do álbum apresentam um refinamento musical elogiável e criam uma aura que mistura The Damned e The Jesus and Mary Chain. Em termos gerais, Dennis, mais uma vez, esbanja originalidade e qualidade. Não importa o caminho que ele percorra, ele sempre se mostra um músico impecável. Parece um daqueles artistas urbanos do célebre período da No-wave norte-americana, mas, claro, tropicalizado. Sejamos francos: na verdade, podemos dizer com bastante segurança que Dennis, com suas poesias encantadoras e com as melodias lúgubres e únicas que imprime em suas canções, desbancaria parte dessa cena gringa e tomaria a coroa de muitos! Ele só não tiraria a coroa de Lydia Lunch... e nem seria preciso: Dennis e Lydia Lunch formariam um ótimo dueto!

 




domingo, 1 de agosto de 2021

CONVERSAMOS COM MARCO PIRRONI, O PRIMEIRO GUITARRISTA DA BANDA SIOUXSIE AND THE BANSHEES

Por: Juliana Vannucchi e Alejandro Gomez

 A carreira de Marco Pirroni é digna de elogios. O versátil guitarrista foi uma peça fundamental e marcante, tanto no universo do Punk Rock, quanto no contexto da cena Pós-punk. Para se ter uma noção de sua significância, basta pensar que ele fez parte do embrião da banda Siouxsie & The Basnhees, que sem ele, talvez nem ao menos existisse. Confira essa entrevista inédita do Fanzine Brasil e lembre de compartilhar o conteúdo e deixar comentários.

 

1. Marco, bem-vindo ao Fanzine Brasil. Inicialmente, gostaríamos de pedir para que você nos contasse um pouco sobre sua história. Quando e como você começou a tocar guitarra? Como foi o primeiro contato com esse instrumento?

Eu comecei a aprender sozinho, como autodidata, aos 13 anos de idade, depois que um primo me deu um violão que tinha cordas de nylon muito ruins. A partir disso, precisei ler livros de tutorais e demorei muito tempo para aprender melhor.

2. Quais foram suas influências na época em que você queria se afastar da disco music?

Não queria fugir da desse tipo de música, eu gostava de disco, mas não tinha muita guitarra nesse gênero musical. Amava tudo que era glam, tipo Roxy Music / Bowie / Sparks / Sweet / Slade / John Barry / Morricone / Temas de TV e filmes.

3. Você já veio ao Brasil?

Não, já fui para o Chile.

4. Conhece algum músico ou banda brasileiros?

Não conheço nenhum, mas sei que existem bandas de metal interessantes.

5. Você se lembra do(s) primeiro(s) autógrafo(s) que deu a um fã?

Não me recordo, mas provavelmente foi quando eu estava saindo ou entrando de um show na primeira turnê que fiz com o Ants.


A primeira aparição de Pirroni no palco foi com Siouxsie And The Banshees em seu show de estreia, no Festival 100 Club Punk de 1976.

6. Qual foi o primeiro modelo de guitarra que você teve? Aliás, parece que você tem uma coleção incrível de guitarras! O que você mais procura na hora de escolher seu equipamento? Existe, por exemplo, uma determinada marca de amplificadores que você prefere? E qual é a o seu modelo favorito hoje em dia?

O primeiro modelo que tive foi um violão barato muito difícil de tocar. Eu realmente prefiro equipamentos vintage dos anos 50 e 60, não sou muito chegado em novos equipamentos que soam estéreis, pois gosto dos zumbidos e idiossincrasias de equipamentos usados. O meu modelo favorito é a Gibson Les Paul TV, ou Junior, ou Special e a maioria das coisas do tipo de um captador P90.

7. Como foi o primeiro contato que você teve com Siouxsie e Severin?

Conheci os dois num show gratuito do Queen, realizado no Hyde Park no ano de 1976.

8. Quando você começou a perceber que seguiria uma carreira na música?

Essa é uma pergunta bem  difícil, mas suponho que foi eu quando comecei a receber por isso em 1980. Antes disso, eu não ganhava nem sequer um centavo, exceto uma vez por mil dólares com o Cowboys International.

Marco Pirroni e Adam Ant.

9. O rótulo de punk era a única maneira pela qual a mídia convencional poderia categorizar a mensagem de adolescentes criativos da época. Podemos dizer que uma nova música foi construída quando o mundo queria que esses adolescentes ficassem silenciados e estagnados. A essência do punk foi criada assim. Você ainda vê esse espírito algum lugar da música de nossos tempos, levando em conta tanto o mainstream, quanto underground?

O espírito punk está em toda parte, você pode ver isso em artistas como Billy Eilish. As pessoas podem fazer discos em casa como nunca antes pudemos e a atitude antiestablishment está em toda parte nas artes!

10. Cite músicos dos quais você é fã e que o mundo inteiro deve conhecer!

St Vincent/ Idles/ Unknown Hinson / Hank William 3rd/ Wayne Hancock/ The Black Belles e vários outros que eu provavelmente só vou lembrar depois...

 

INTERVIEW WITH MARCO PIRRONI

By: Juliana Vannucchi and Alejandro Gomez

Marco, first of all, we would like to say that we greatly admire your career, you are a versatile and talented guitarist. Welcome to Fanzine Brasil!


1. Can you tell us a little about your story? When and how did you start playing guitar?

Self-taught guitar at age 13 after my cousin gave me a very bad nylon strung acoustic . Had to read tutor books took a long time.

2. Who were your influences at the time when you wanted to get away from the disco music?


Didn’t want to get away from disco, I liked Disco but not much guitar on those records. I loved all thinks glam: Roxy Music/ Bowie/ Sparks/ Sweet/ Slade/ John Barry/ Morricone/ TV and film themes.

3. Have you ever been to Brazil?

I’m afraid I haven’t, I’ve been to Chile.
 
4. Do you listen to any Brazilian musicians or bands?

I’m afraid I don’t know any, I’m told there are interesting metal bands.

5. You remember the first autograph(s) you’ve ever given to a fan?

No, it was probably leaving or entering a gig on the first Ants tour I did.

6. What was the first guitar model you had? It seems you have an amazing guitar collection! What do you look for when choosing your gear; is there a brand of amps you prefer? And what’s your favorite model nowadays?

It was a cheap acoustic very hard to play,I really prefer vintage gear from 50s and 60s, I dont get on with new equipment sounds serile to me, I like the buzzes and idiosycracies of worn in gear. My favorite model is the Gibson Les Paul, TV, or Junior, or Special and most things with P90 pickup.

7. How was the first contact you ever had with Siouxsie and Severin?

Met them at a free Queen gig in Hyde Park, in 1976.

8. When did you begin to realize there is a career in music?
 
That’s a hard question I suppose it was when I started getting paid for it in 1980. Before that I hadn’t made a penny except about a grand from Cowboys International.

9. The label of punk was the only way mainstream media could categorize the adolescent message of creativity of that time. A new sound of music was built when the world wanted them to be silent and still. The essence of punk was created. Do you still see that spirit anywhere in today’s music? Either mainstream or underground?

The spirt of punk is everywhere, you can see it in artists like Billy Eilish, people can make records at home which we never could and the antiestablishment attitude is everywhere in the arts anyway.

10. Are there any musicians you are a fan of that the world should know about?


St. Vincent/ Idles/ Unknown Hinson/ Hank William 3rd/ Wayne Hancock/ The Black Belles and many others I'll probably remember later. 

 

Pirroni has worked with Adam Ant, Sinéad O'Connor, Siouxsie and the Banshees and many others from the late 1970s to the present day.

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