Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

EU BEBERIA COM ESSES CARAS #02 - ANDY & ERON

 Por Juliana Vannucchi

E cá estamos nós, para mais um texto dessa coluna tão importante do Fanzine Brasil, através da qual homenageamos determinados artistas. E dessa vez… eu beberia com Andy e Eron, a fantástica dupla que dá vida ao The Edwoods, duo paulistano de macabrerock. Com certeza, nesse encontro tão especial, eu e os meninos teríamos muitos assuntos sobre os quais conversar e, certamente, daríamos muita risada juntos!! Eu tomaria somente uma água nessa ocasião, mas ofereceria, sem dúvida, boas doses de cachaça para os queridos amigos…

A princípio, iria homenagear a loucura descabida que estrutura a imagem do duo. Esse seria o pontapé inicial do nosso papo, pois, afinal, sempre me questionei: “Como será que Andy e Eron ficaram esquisitos assim? Bem, penso que, ou eles leram muitos livros do Nietzsche ou, então, escutaram muito The Cramps. Caramba! Provavelmente foi a segunda opção porque, acabo de me lembrar que, embora Eron seja um estimado professor de Filosofia, Andy é um péssimo leitor, incapaz até mesmo de assimilar uma simples receita de bolo (ele fica com dor de cabeça quando lê). Por outro lado, sei que o professor Eron, no entanto, nutre uma admiração especial por duas obras brilhantes, escritas por seus escritores favoritos: “O Amor é Um Cão dos Diabos” de Charles Bukowski e “As Intermitências da Morte”, de José Saramago. Aposto que você desconhecia essas referências culturais e literárias de Eron!

Enfim… Considero que certas fusões de referências bizarras deram luz a esse duo incrível que parece ter saído de dentro de um filme de terror trash dos anos oitenta, daqueles gosmentos, sanguinários e que contam com efeitos especiais de segunda mão. Na verdade, seria magnífico se algum cineasta roteirizasse um longa trash e convidasse os meninos para compor a trilha sonora. E aí? Alguém se habilita? 

Isso posto, em nosso encontro eu diria aos rapazes que ambos são muito talentosos. Ressaltaria que eles tocam bem demais e criam músicas perfeitamente alucinantes! Não à toa, os meninos, é válido citar, farão uma turnê internacional em 2024 (o homem genial por trás dessa conquista é o Neri, do Mullet Monster Mafia, Frenetic Trio, Escalpo & etc, que é grande amigo dos meninos). Esse feito, convenhamos, é digno de elogio! Sabemos, afinal, que poucas bandas do universo underground brasileiro conseguem voar tão longe e ter esse privilégio.  


Andy (esq.) e Eron (dir.): A dupla The Edwoods fará uma turnê internacional este ano.
 

Na sequência, iria querer saber um pouco mais sobre a história de vida de cada um dos Ed boys. Sei que eles nasceram na capital paulista e se conheceram durante os anos noventa, de uma maneira bastante inusitada: nesse período, tocavam em bandas rivais. Andy, sempre vestido com uma jaqueta de couro legítimo, surrado numa calça jeans justa e com cabelos longos na altura dos ombros, tocava numa banda de heavy metal e Eron, por sua vez, vestido em trajes discretos, era guitarrista de uma banda de rock nacional, daquelas com letras engajadas e ritmos fáceis (mas não era o Jota Quest rs). As bandas competiam em diversos festivais e, de acordo com Andy, depois de Eron perder tantas competições, o pobre guitarrista rendeu-se pediu pra tocar com ex-rival. Eu sei que essa história é verdadeira, mas iria querer mais detalhes a respeito de tais circunstâncias… 

Além desses assuntos, conversaria muito com o Andy sobre futebol. Na verdade, isso seria somente uma extensão de um papo que, com certa frequência, já faz parte das mensagens que trocados de vez em quando. Nós dois somos palestrinos e carregamos conosco, além da paixão pelo rock, esse outro gosto em comum. Somos fãs de Ademir da Guia e Edmundo, sendo este último, um jogador que, conforme costumamos dizer é “uma versão futebolística esdrúxula do Sid Vicious”. Justamente por isso, é nosso ídolo esportivo. 

Também perguntaria aos rapazes algo que sempre me intrigou: Como será que o Andy consegue tocar bateria e cantar daquele jeito? Na verdade, recentemente ele me revelou que está pensando em comprar um desfibrilador para levar aos shows porque anda meio sem fôlego.

Essa bebedeira com Andy e Eron seria uma celebração verdadeiramente dionisíaca, ou seja, seria repleta de caos, loucura e irracionalidade, tal como é a própria banda! O The Edwoods merece ser honrado por sua valiosa contribuição para a perpetuação do bom e velho rock and roll, que eles tocam com maestria! Vida longa a esse duo expecional!



quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

EU BEBERIA COM ESSA GURIA #01: CYNTHIA ROSS

 Por Juliana Vannucchi

A inauguração desta nova coluna do nosso site, ocorrida em 2023, teve como protagonista o especialíssimo baixista Thiago Halleck. Mas quem ocupa o espaço dessa vez é a baixista canadense Cynthia Ross, que cravou seu nome na história do punk rock norte-americano e canadense através do legado que deixou com a banda The 'B' Girls.

Eu certamente tomaria muitas doses de café com a Cynthia porque, além de eu amar café, essa bebida maravilhosa, que geralmente gera boas e longas prosas, me lembra da série Twin Peaks, que eu a Cynthia adoramos! Isso porque, conforme os fãs do seriado sabem, o agente Cooper é doido por cafeína! Claro que, partindo desse ponto, eu e a Cynthia iríamos conversar bastante sobre os mistérios, excentricidades e demais aspectos desse maluco e surreal universo criado por Lynch. A trilha sonora de Twin Peaks é por si só uma verdadeiro obra de arte, conduzida e criada por Angelo Badalamenti (que, caso os leitores não saibam, cabe dizer a título de curiosidade, trabalhou com Siouxsie Sioux). David Lynch chegou a comentar que essa série consiste num modo de acessar aspectos misteriosos da existência... aí está outro assunto sobre o qual iríamos discorrer: MISTÉRIOS... até porque, falando nisso, a banda The 'B' Girls possui uma música muito especial - que é a minha favorita - chamada "Mystery", escrita justamente pela Cynthia (no ano passado, entre outubro e dezembro, eu a escutei 66 vezes no Spotify, pasmem). Vou disponibilizar a letra abaixo. É interessante observar que trata-se praticamente de um hino à solidão porque, no final das contas, conforme a letra sugere, ainda que estejamos rodeados por outras pessoas e que nos encontremos no meio de grandes multidões, no final das contas estamos sempre sozinhos e um tanto deslocados. E a solidão, como condição existencial, cabe observar, é uma instância especial e necessária da própria vida. Conforme certa vez escreveu Arthur Schopenhauer: "A solidão é a sorte dos espíritos excepecionais". Nietzsche também era adepto da solidão e entendia que o ato de filosofar presuponha tal estado. Ademais, entendia que o ser humano deveria saber conviver com a própria companhia e, nesse âmbito, em "Assim Falou Zaratustra", escreveu: "Não há solução para quem sofre de si mesmo". Sêneca foi outro pensador que, não apenas contemplou a solidão, mas numa carta endereçada a Lucílio, destacou os perigos que a multidão oferece ao tornar vícios cativantes e induzir as pessoas a pensar sempre de uma mesma maneira (isto é, a multidão surge aqui como um verdadeiro convite para a alienação).

MYSTERY

Yeah baby it’s a mystery

The things you do to yourself

Night time it’s a mystery

You’re all by yourself


You cry tears

You call out

Words sound ...

Get paid, your future’s made

But your life it goes on and on


Downtown’s got no bright light shining

Lonely on the street

Downtown’s got no nightlife living

No, not on the street


I watch as you slip away

A little every day

That man downtown keeps calling you

And you decide to stay


I know you’re no ones miracle

I’ve seen how much you pay

Living daily misery

What can I do to make it be okay?


Downtown’s got no bright lights shining

Lonely on the street

Downtown’s got no night life living

No, not on the street. Hey


So alone among the crowd

Still looking for more

So alone among the crowd

Still looking for

Still trying to find

More ... More ... More

more ... more ... more


(C) 1977 Cynthia Ross
For The ‘B’ Girls

Também, com certeza, bateríamos um papo sobre Audrey Hepburn, atriz que nós duas admiramos bastante! E eu sei que a Cynthia flerta com literatura, até porque, ela é uma poetisa notavelmente talentosa, que escreve poemas tocantes, profundos e imensamente poderosos, capazes de entorpecer qualquer alma e emocionar qualquer coração. A experiência de ler suas palavras gera uma espécie de elevação metafísica e êxtase mágico que todos deveriam provar - para conhecer as poesias da Cynthia, basta segui-la no Instagram. Iria querer saber quais são os poetas que mais a influenciaram - mais sei que ela flerta com os grandes nomes da contracultura. E sei que a Cynthia Ross tem algum apreço por Isaac Asimov, um autor que eu, particularmente, admiro bastante. Li dois livros dele recentemente: "O Cair da Noite" & "O Homem Bicentenário". Ambos abordam temas profundos ligados aos limites e perigos das relações existentes entre o ser humano e a tecnologia. A narrativa do primeiro livro mencionado se desenvolve a partir do seguinte problema: teríamos condições de manter nossa sanidade se não existisse mais luz? Raramente nos damos conta do quanto a luminosidade é de fato relevante para a manutenção de uma vida saudável e produtiva. Quais seriam os efeitos colaterais da escuridão total? Essas questões que você, leitor, está lendo agora, seriam também, é claro direcionadas à Cynthia. E eu recomendaria os dois livros acima mencionados a ela.

Eu também teria numerosas perguntas para fazer a respeito de tudo que ela viviu durante a eclosão do punk rock norte-americano e gostaria muito de passar horas a fio escutando suas histórias, reflexões e aventuras relacionadas ao universo punk. Apresentaria a ela algumas bandas e artistas brasileiros começando, aliás, pelo próprioThiago Halleck e a banda "Gangue Morcego". Citaria a Fabi Bellentani como uma grande e exemplar baixista e também falaria para ela adicionar "The Edwoods", She Is Dead", "Mickey Gang", "We Are Pirates", "Rita Lee" e "Harry & The Addicts" na playlist dela. Ou, talvez, eu até criasse uma playlist própria para servir como trilha sonora para o nosso café! Começaríamos escutando "Lycanthopia", da última banda citada aqui. Depois "Silent Telephone" (you will die aloneee) & seguiríamos: "She Is Dead" ("She Is Dead") / "Sobrenatural" ("Gangue Morcego") / "Canyon" ("WAP") / "Running" (WAP) / "I Was Born In The 90's ("Mickey Gangue") / "Perv In The Park" & "Plan 9" ("The Edwoods"), Rita Lee (váriaaas). Eu acho que "Perv In The Park" faria ela se retirar da mesa porque o The Edwoods é muito assustador. Aliás, ifalando em The Edwoods, isso traz a tona um outro ponto interessante que poderia ser abordado: conversaríamos sobre filmes trash, que estão entre os meus favoritos. Acho que ela, no mínimo, gosta de clássicos como "Ben, o Rato Assassino" e "Palhaços Assassinos do Espaço Sideral". Eu amo ambos. Duas produções fabulosas do gênero! Quem não gosta? Se, por acaso, ela dissesse que não aprecia filmes assim, eu simplesmente falaria que fui mal influenciada pelo Andy e pelo Eron. E talvez eu me empolgasse e inventasse um roteiro maluco de filme trash chamado "O Tapete Maldito", cuja trilha sonora teria sido criada pelo The Edwoods.

Posteriormente e para encerrar, eu iria falar mal do Bolsonaro. Muito mal. Esse tópico é fundamental em qualquer conversa, não é mesmo? E para encerrar, antes do último gole da décima xícara, eu faria uma alusão ao agente Cooper. Olharia para o meu recipiente e diria: "Damn fine coffee".

 

Eu beberia com a Cynthia Ross!

 


quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

EU BEBERIA COM ESSE CARA #00: THIAGO HALLECK

 Por Juliana Vannucchi

A inauguração desta nova coluna do nosso site tem como protagonista o especialíssimo amigo Thiago Halleck. Mas antes de eu justificar porque eu beberia com esse cara, gostaria de fazer uma menção honrosa ao querido e talentoso escritor Tullio Dias, que há cerca de dez anos atrás fundou o glorioso portal Cinema de Buteco, para o qual tive a honra de escrever inúmeros textos. Tullio, sempre imensamente criativo, certa vez deu luz a um menu intitulado "Eu Beberia Com Esse Cara", que está sendo retomado e adaptado ao nosso site. 

Se eu fosse beber com o Thiago, levaria ele para um ambiente essencialmente underground, com pouca luz e com uma atmosfera ligeiramente soturna, pois penso que ele se sentiria a vontade nesse tipo de ambiente – se ele está confortável, eu também estou. Eu pediria duas Cocas (KS, é claro). Para ser honesta, agora eu me recordo que já estive numa condição parecida com o Thiago, pois em 2019, a Gangue Morcego fez uma apresentação de despedida em Sorocaba e após o gig, no início da madrugada, nós nos sentamos numa mesinha localizada num ambiente externo da casa de shows que era, certamente, essencialmente underground. Naquela ocasião, lembro relatei algo importantíssimo ao Thiago. Contei sobre uma experiência fantástica que eu vivi ao escutar a música "Gato Preto", mas, caros leitores, trata-se de algo confidencial. E tenho a leve impressão de que tomávamos uma Coca-Cola... mas talvez essa parte seja fantasia! Talvez a lembrança de um dos membros da GM dormindo num sofá também seja produto fictício da minha agitada imaginação... ou não? Não sei!

Agora, voltemos: primeiramente eu e o Thiago faríamos um brinde ao Tullio Dias, é claro. Esse seria o pontapé inicial. Depois eu perguntaria se ele leu o livro do Charles Dickens que eu dei para ele em 2019, no qual acima mencionada. Aproveitaria a oportunidade para dizer o quanto adoro o Dickens, especialmente o livro "The Mistery Of Edwin Wood". Contaria entusiasmada que o autor faleceu antes de finalizar seu texto e o final do livro foi supostamente psicografado. Perguntaria em seguida, se ele acredita em psicografia – e eu sei que ele acredita - e logo depois desse breve papo fantasmagórico, deixaria uma coisa muito clara: eu adoro o Dickens, mas meu autor favorito é o G.Wells. Eu li quase todos os livros dele que estão disponíveis em língua Portuguesa. O Thiago com certeza apreciaria essa saudável troca de reflexões literárias e, embora eu não tenha certeza de que ele gosta dos autores ingleses aqui citados, sei que ele aprecia muito a obra de outros dois escritores que eu amo: Albert Camus e Dostoiévski. Aliás, é válido lembrar que a primeira música lançada por Halleck, seu projeto musical solo, foi inspirada na obra “Crime e Castigo”, clássico do escritor russo. Albert Camus renderia em particular, muito tempo de conversa. Juntos, meditaríamos sobre algumas das questões nucleares presentes no ensaio “O Mito de Sísifo”. Por que acordamos? Por que, afinal, fazemos o que fazemos? Qual é o sentido de nossas ações tendo em vista a nossa condição finita? O universo se cala diante de nossas indagações. Seremos sempre estrangeiros numa existência dominada pelo caos, pelo imprevisível e pela instabilidade. Isso tudo é absurdo. 

Após abordar brevemente essa temática literária que me é indispensável em qualquer diálogo, seja lá com quem for, eu perguntaria a respeito de seus atuais projetos musicais e, especialmente sobre como estão as coisas com a talentosa banda Gangue Morcego. Sei que Halleck permanece ativo no meio musical. No momento, a Gangue Morcego está num período de hiato imposto especialmente pela atual barreira geográfica existente entre os membros da banda, mas os integrantes do grupo mantem contato frequente. Atualmente, Thiago está tocando com o Das Projekt, banda com a qual abrirá o show do The Mission no Carioca Club, em São Paulo. Recentemente, colaborou com o Anum Preto para um show que a banda realizou em SP. Ademais, ocupa-se com o Halleck que, conforme já citado anteriormente, consiste em seu projeto solo. É muita coisa... tudo que ele faz, faz com excelência. É um monstro tocando baixo – e eu diria isso pra ele. 

 

Flagra estranha da nossa essência estranha...
 

Para finalizar o nosso encontro que na realidade seria absolutamente interminável, eu puxaria uma série de xingamentos ao Bolsonaro e expressaria minha indignação com as inacreditáveis posturas reacionárias que estão tomando conta do país - talvez essa se tornasse a parte principal do nosso caloroso encontro. Sei que Thiago reciprocamente xingaria e muito o fascista infeliz que nos governa. Nos frustraríamos, é claro. É sempre desgastante falar sobre esse assunto. Mas estaríamos esperançosos com as próximas eleições e faríamos questão de deixar clara a nossa crença nas lutas e nas mudanças positivas que podem ocorrer no país a partir de outubro. 

Enfim, garanto que todo o nosso papo seria intercalado de carinhosas risadas e alguns ótimos registros fotográficos. Acho que precisaríamos de pelo menos umas três garrafinhas de Coca...


 

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