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SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

domingo, 27 de janeiro de 2019

PUNK IS NOT MORTO:

Por: Vannucchi

Ramones, Sex Pistols e The Clash, explodiram em meados da década de 70, e se tornaram a “tríade mundial do Punk Rock”. Cada uma dessas bandas possui sua própria história e sua identidade. Todas elas, de uma forma ou de outra, brotaram do Protopunk, embora as três tenham construído uma sonoridade bem diferente desses seus antecessores musicais. Não: elas não são as únicas e tampouco as melhores bandas do gênero, mas certamente são merecidamente as três mais populares que costumam ser portas de entrada, “cartões postais” para universo Punk.

Vamos, momentaneamente, nos atentar especialmente ao The Clash e nos Sex Pistols. Ambas, em suas letras, abordam problemas sociais. As duas bandas sacudiram a Inglaterra ao satirizar a autoridade e clamar por mudanças. O Ramones é um caso a parte, pois fazem abordagens mais relacionadas ao cotidiano existencial, não tendo tanto envolvimento com a política. Tudo o que o Clash e os Pistols fizeram em relação ao cenário político e social é válido e notável. Os apreciadores do Punk Rock adoram mencionar e deslumbrar seus feitos. Mas... Que tal olharmos para o nosso país? Observemos o mundo diante de nós: pobreza, corrupção e desigualdade. Descaso e violência. Não há rainha por aqui. Há poucos museus. O calor impera. Não estamos na Inglaterra. Os Pistols e o Clash não compreendem nosso mundo e não o denunciam. Para criticar e mostrar certas faces de nossa realidade, felizmente existem as bandas punks do nosso próprio país e que, lamentavelmente, muitas vezes são ignoradas em nossas terras. Dentre tais bandas, encontra-se uma, em particular, que é genial e merece destaque: “Os Maltrapilhos”. Eles lutam pela liberdade individual e, consequentemente, coletiva. Suas letras ácidas buscam denunciar as faces obscuras de nosso país e de parte da nossa população. Eles proclamam contra a ameaça fascista. É o tipo de banda que tenta utilizar a arte para refletir a sensação de revolta que se aloja na alma de milhares de brasileiros. Entretanto, infelizmente, a maior parte do público de nosso país, prefere as canções que combatem a monarquia britânica. Não há absolutamente nada de errado em apreciar os Pistols, Clash e Ramones. Muito pelo contrário: são bandas que, penso eu, podem agregar inúmeras inspirações positivas em seus ouvintes. Podemos crescer como seres humanos através do efeito de suas músicas. Entretanto, seria de grande valia se o brasileiro também se atentasse mais ao universo cultural e musical de nosso próprio país. Mas o fato é que Os Maltrapilhos instigam a reflexão do ouvinte, convidando-o a observar de maneira mais crítica a existência que tange seu dia-a-dia e, convenhamos, o intelecto da maior parte dos brasileiros não parece estar preparado para isso. É mais prático escutar músicas como “Jenifer” (ou “Jennifer” ou “Jeniffer”, sei lá como escreve...) , a grande “proeza” sonora dos últimos tempos. Quem sabe, um dia – não tão tarde, eu espero – nosso povo saiba usufruir e valorizar o Punk Rock nacional. Que no futuro, brindemos e celebremos com orgulho as bandas que, inspiradas pela “tríade”, ao invés de copiá-las, souberam extrair o melhor delas, mas sendo capazes de escrever suas próprias histórias, inseridas num contexto particular.

Os Maltrapilhos estão aí. Se você quiser quebrar as correntes que o alienam aos produtos culturais que lhe são impostos, e dedicar alguns minutinhos ao Punk Rock, eis uma sugestão. Mas não há motivos para preocupação: se você tiver sorte, se seu intelecto estiver seguro e munido, Os Maltrapilhos cruzarão seu caminho qualquer hora dessas.

"Os Maltrapilhos", icônico grupo de Punk Rock.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

ANÁLISE DE SLPEEN AND IDEAL - DEAD CAN DANCE:

Por: Marinho


Spleen and Ideal é o segundo álbum do duo australiano Dead Can Dance. De acordo com o site oficial da banda, o título foi influenciado pelas “ideias simbolistas do século 19”. Sua origem vem de “Spleen et Idéal”, uma coleção de poemas do poeta francês Charles Baudelaire, que se refere “aos conflitos entre a carne pecadora (Spleen), e a luta para realizar o ideal”. 

O álbum em si, é totalmente poético desde seu início até o fim. Parece narrar todas as nossas angústias, receios, medos, enquanto procuramos uma luz ao meio de todos esses tormentos, para finalmente alcançar os nossos sonhos mais profundos.

O mundo continua sombrio, porém, nos tornamos capazes de viver nele e em harmonia, o que não significa necessariamente que nunca mais iremos cair (...)

De Profundis (Out of the Depths of Sorrow) – De Profundis tão tem uma tradução para português. O seu significado original é “um grito interior para expressar os seus sentimentos mais profundos de tristeza e angústia”. O subtítulo entre parênteses (fora dos confins da tristeza em tradução livre) condiz perfeitamente com o título original. A canção traz um instrumental extremamente melancólico, composto por cantos gregorianos e órgão, que se completam harmonicamente e são mesclados com a voz de Lisa, que parece libertar de dentro de si, toda a angústia de seu coração. Ela está realmente saindo dos confins da tristeza, e conseguimos ouvir, no meio desta canção fúnebre, o que parece ser um certo tom de esperança em sua voz.

Ascension – A segunda canção talvez seja a mais sombria do álbum. É parte instrumental bem similar aos interlúdios dos réquiens feitos nas igrejas do século 15. Ascension (ascensão em português) significa “o ato de elevar para uma posição importante ou nível superior”. Neste caso, sobre a morte e a elevação do espírito para o céu. O componente instrumental representa o luto das pessoas próximas do falecido, e os coros no final da canção, a chegada ao paraíso divino. 

Circumradiant Dawn – Apesar de ser menos sombria que a antecessora, é lenta e inquietante. Não há tradução para o título, mas Dawn significa amanhecer em português, e o tom da canção coincide com as horas finais da madrugada e o nascer de um novo dia. 

The Cardinal Sin – É uma canção sobre traição de confiança e egoísmo. Sobre como em épocas passadas, muitas pessoas foram tomadas pela sede de poder, e infligiram o mal a amigos próximos, somente para conseguir o que queriam, e como essas ações, no fim, nos levam a nossa queda, conforme Brendan canta em um dos versos: 

A causa do seu desejo
Também pode te levar ao seu desaparecimento”.

Mesmerism – Como o próprio título sugere (mesmerismo em português), a canção é hipnotizante, e uma prova de que podemos nos conectar com os versos mesmo com um lirismo minimalista. Em uma das poucas músicas em que Lisa canta em algum idioma, ela nos passa um conselho importante: 

“Frágil de coração
Renuncie seus medos
Trancado dentro de si
Todos esses anos
Permaneça na luz
Renuncie seus medos
Porque você foi hipnotizado
Quebre esse período de silêncio”.

Enigma of the Absolute – A canção mais positiva de todo álbum. O seu andamento alegre, e a letra sobre deixar o passado para trás, encontrar um novo amor, e velejar para um lugar distante em busca de conhecimento e renovação psicológica e espiritual, é um dos pontos mais altos do álbum. 

Do outro lado do mar encontra-se a fonte de renovação
Onde você vai ver toda a causa de sua solidão
Pode ser medido em sonhos que transcendem todas essas mentiras
E eu desejo e oro para que possa chegar um dia
Para os braços de um salvador”.

Advent – Após uma canção otimista como Enigma of the Absolute, esta parece narrar a história do protagonista na canção anterior. Toda a viagem de renovação não adiantou, e ele/ela se encontra no mesmo mar de dúvidas em que estava antes. Mas ainda há esperança, no entanto, no qual o advento irá surgir, e curar todos as males de seu coração.

Relaxe seu coração, induza a vontade de amar
Para restaurar a pouca fé que você pode ter perdido
Como a manhã traz renascimento
Um novo dia irá nascer para aliviar nossas mentes perturbadas
Vire-se para o seu lado e sonhe nos dias por vir”.

Avatar – Avatar é a manifestação de uma deidade em uma forma corpórea na Terra. A canção contém uma melodia um tanto sobrenatural e mística, como se uma deidade realmente tivesse tomado conta de Lisa e dos demais instrumentistas... 

Indoctrination (A Design for Living) – Uma crítica aos grandes líderes mundiais e sua sede por poder. Como a luta deles por poder levou o nosso mundo à ruínas, e como somos nós que temos de pagar o preço por isso, e que não podemos ficar satisfeitos com as coisas como elas são. 

Como você pode estar satisfeito com as coisas como elas são
Quando tudo o que nos rodeia agora e muito mais
Permanece dentro do abraço escuro do proprietário?
A sede insaciável por poder fez
Ídolos de mortais, deuses em argila
Soldados em heróis, crianças em escravos
Todos condenados
Seus desejos e esperanças, traídas”.

Reflexão: 

Spleen and Ideal possui temas diversos que se enquadram em vários pontos, não só de nossas vidas particulares, mas do mundo em geral. Egoísmo, luto, esperança e tristeza são alguns desses aspectos que percorrem por todo o álbum, fazendo dele, um verdadeiro retrato da vida de todos os seres humanos. Por mais que negamos tais afirmações todos os dias, esses sentimentos nos encontram. Aqueles que nasceram com o dom de questionar o que está ao seu redor, provavelmente se identificarão com este álbum, pela sua profundidade em temas pouco falados pela maior parte dos indivíduos, por mais simples que eles sejam. 

 A mensagem passada é que o mundo é um lugar sombrio, mas sempre há uma luz no fim do túnel. E se você não enxergar esta luz ou ignorá-la, você estará perdido para sempre nas dúvidas que afligem profundamente o seu coração. O caminho não é fácil de ser percorrido, e muitos não o alcançam por medo ou por ignorância. Aqueles que conseguem atingir esse lado, não se tornam seres iluminados ou superiores, no entanto são capazes de ver a beleza nas pequenas coisas da vida, e até mesmo onde outros acham que não existe. O mundo continua sombrio, porém, nos tornamos capazes de viver nele e em harmonia, o que não significa necessariamente que nunca mais iremos cair, contudo, que podemos nos levantar e alcançar a luz novamente.

Livre-se de sua carne pecadora, e lute para realizar o ideal!











sábado, 12 de janeiro de 2019

PERSONA NON GRATA - 1983:

Por: Vannucchi
A banda 1983 é mais um excelente projeto musical idealizado pelo talentoso Dennis Monteiro, que sempre nos garante músicas e produções de qualidade. Dessa vez, ele juntou-se com o músico Nill Salles, com quem, aparentemente, encontrou uma harmonia perfeita que se traduz em suas produções.

“Persona non grata”, segundo EP lançado pela 1983 em meados de 2018, tem um total de cinco faixas que possuem uma sonoridade bastante sombria e, de maneira geral, retrata as angústias humanas, a solidão do homem deslocado e estranho em relação ao mundo que o acerca - ou ao menos, certamente serve como trilha sonora para uma alma em tal estado. Nas palavras da própria banda: “Persona non grata é uma carta que descreve o contingente estado de abandono do ser humano, que jogado ao devir se abriga no inesperado e nas paixões momentâneas. Paixões, ilusões, encantos, desencantos, traições. A vida é a dança dos que querem fazer vingar."

Persona non grata é uma saga que começa com Zaratustra e termina em Zé Pelintra...

A parte instrumental do álbum, embora varie ao longo das faixas, garante, em especial, um clima parcialmente melancólico, preenchido com pitadas de agressividade. Esses elementos, munidos com letras profundas e perturbadoras, e mesclados com a vigorosa voz de Dennis Monteiro, desdobram-se num universo penetrante de revolta e de inquietação. Assim, considerando todas essas características, notamos que os aspectos sombrios que compõe o EP, confundem-se com uma perceptível influência do Punk Rock e o resultado é algo único, que qualquer um deve experimentar.

O EP, de maneira geral, é um verdadeiro convite filosófico, que nos leva para passeio catártico pelo desconhecido. Ficaremos na expectativa por novos lançamentos dessa banda que já se firmou (e muito bem) no cenário underground nacional.

Escute as músicas da banda e acompanhe as datas de shows, notícias e lançamentos: 

Bandcamp: 
https://1983br.bandcamp.com/?fbclid=IwAR1nkeC2yZZoJZeTEKQmUg-zoCtc1022AGu1EZ3g5_g4cq34u2aKbYjz-K4 

Facebook:
https://www.facebook.com/1983banda/

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

AS INFLUÊNCIAS LITERÁRIAS DE SIOUXSIE SIOUX:

Por: Vannucchi
Apoio: Costas Christodoulopoulos e Gabriel Marinho

Sioux, certa vez declarou sua satisfação por viver com uma pilha de livros em sua casa. Aparentemente, esse fato já era suficiente para que ela tivesse um cotidiano feliz em qualquer circunstância! Mas quais seriam esses livros? Quem seriam seus autores favoritos? E suas obras favoritas? Quais foram as mais marcantes de sua vida?

Bem, como eu amo ler e faço isso com frequência, naturalmente um dos inúmeros aspectos que sempre admirei na Sioux, é justamente sua ávida paixão pela leitura. Nossa querida vocalista, pelo que sabemos, é uma grande devoradora de livros, e muitas das obras leu ao longo de sua vida, influenciaram músicas e inspiraram letras, tanto dos Banshees, quanto do The Creatures. 

Há alguns autores que ela aprecia e pelos quais também nutro grande interesse. Assim sendo, decidi investigar melhor sobre essa paixão da Susan, e agora compartilho com vocês os resultados de minhas pesquisas. Começo dizendo que uma vez, fiquei positivamente surpresa quando o Budgie declarou pra mim que gostava de Jean-Paul Sartre. Eu havia comentado com ele algo sobre Albert Camus, ele demonstrou que era um gosto em comum, mas complementou: “Bem, eu sempre retorno para A Náusea”. Esses dois autores são notáveis e suas produções literárias permanecem sendo atemporais. De maneira geral, Camus carrega como pano de fundo de suas obras a questão do absurdo existencial. Já Sartre, foi um notável existencialista. Para quem não sabe, o Existencialismo consiste fenômeno cultural que prevaleceu na Europa após a segunda guerra mundial.

Eu soube que, além do Budgie, a própria Siouxsie também gosta desses dois grandes autores. Em relação a Sartre, seu apreço pode ser percebido numa passagem da música “Pity”, do The Creatures, presente no álbum Boomerang na qual ela canta: “Nausea is all I’m feeling today” (“A Náusea é tudo que estou sentindo hoje”).

O que é a náusea no contexto da filosofia sartriana? Bem, esse é um tópico um tanto difícil de explorar de maneira breve. Poderíamos escrever apenas sobre isso, e certamente o texto já iria se estender bastante. Eu tenho um site sobre Filosofia e lá há um texto no qual explico melhor esse conceito. Mas deixarei aqui algumas palavras sobre a Náusea - essa sensação, digamos, de angústia, de terror, de aflição e admiração diante de uma existência encoberta de incertezas. Vejamos:
(...) 
E aqui está: desde então que a Náusea não me deixa; a Náusea apossou-se de mim. A Náusea não está dentro de mim: sinto-a além, na parede,… em toda a parte à minha volta. Constitui um todo com o café; sou eu que estou dentro dela.
(...)
http://www.acervofilosofico.com.br/a-nausea-jean-paul-sartre/

E o absurdo, frequentemente citado por Albert Camus? Em que consiste? Consiste na ausência de garantias, ou seja, na consciência que nos surge ao percebermos o quanto nosso cotidiano carece de sentido, o quanto ele é essencialmente absurdo. Mas esse tópico também não merece ser resumido. Abaixo, vou disponibilizar algumas palavras sobre ele, e também deixarei um link aos interessados.
Além do que já mencionados até aqui, é válido citar que em meados de setembro de 2007, numa entrevista feita por Barry Mcllheney para a The WORD magazine, Siouxsie mencionou que havia lido o clássico “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann e “O Labirinto”, do renomado autor argentino Jorge Luis Borges. Na mesma ocasião, declarou que os livros eram seu principal vício. Eu particularmente gostei muito da única obras que li de Thomas Mann, chamada “Cabeças Trocadas” (indico a edição da Companhia das Letras). Esse livro oferece uma reflexão bem provocante! Mas o que a Sioux leu, “A Montanha Mágica” é seu maior e mais renomado clássico. É facilmente encontrado no Brasil, sempre muito elogiado e certamente está entre as mais clássicas obras literárias de todos os tempos. 

Outros autores e seus respectivos livros que a influenciaram e que ela já citou, foram Patrick Süskind (”O Perfume”) e Raymond McNally, professor da Boston College especializado e literatura de terror. Dentre tais, li “O Perfume” no início de 2017 e achei simplesmente apaixonante! O filme também é espetacular e o achei razoavelmente fiel ao livro. Ambos são impactantes, mas como de costume, o livro é mais envolvente. Mostra um protagonista cruel e que se perde dentro de sua maldição natural (ou seria “benção”?). Esse personagem era superior demais para viver na companhia de simples mortais racionais (esses malditos sem olfato)! 

Voltemos a McNally. É de sua autoria o livro “Drácula Foi Uma Mulher: In Search Of The Blood Coutness Of Transylvania”, que investiga a intrigante e assustadora história da Condessa Elizabeth Bathory, nascida numa cidade da Transilvânia (atual Hungria) e que assassinou mais de 600 vítimas. Conta-se que a cruel condessa, que era bissexual, atraia camponesas para seu castelo e, além de torturar suas vítimas, após matá-las, banhava-se em seus sangues e também os bebia, sendo tais atos realizados como rituais para preservar sua juventude. Atualmente é possível conhecer as ruínas do castelo em que viveu. Não restou muita coisa do local, que sofreu bastante alteração com a passagem do tempo, mas ainda há parte da estrutura do castelo que foi palco de grande parte de seus crimes. A letra “An Execution” foi inspirada nessa história e na obra de McNally, acima citada.

          (...)

Isto é o que ela viu...
O cavalo desavisado foi-se rapidamente para o chão
Enquanto alguns soldados abrem uma fenda em sua barriga
...
Com o animal de putrefação, gritando.
A jovem condessa olhava, apenas restringindo uma risadinha.

(...)
 
A Condessa Elizabeth Bathory assassinou mais de 600 pessoas.

Outro livro que marcou muito a trajetória da Sioux foi “Alice No País das Maravilhas”. Desde a infância ela sempre foi fascinada pela história da garotinha que, subitamente, abandona seu cotidiano ordinário para se lançar num universo traçado pelo absurdo e por aspectos surpreendentemente atípicos. O autor desse livro, Lewis Carroll, é considerado um gênio literário, além de ser reconhecido pela maior parte dos críticos e estudiosos como precursor da literatura nonsense. Particularmente sempre amei “Alice No País das Maravilhas”. Certamente, até os dias de hoje, é um dos livros que mais aprecio. Eu encontro muitos traços filosóficos e instigantes ao longo da história, que é incrivelmente recheada de questionamentos arrebatadores, como, por exemplo, a clássica e já tão antiga pergunta: “Quem é você”? Tenho um artigo publicado no Acervo Filosófico no qual exponho minhas reflexões sobre essa marcante e profunda história. Há muito o que se extrair sobre a obra. 

 A dúvida surgida por intermédio do espanto moveu Alice, tal como fez com os primeiros filósofos ocidentais da Grécia Antiga (pré-socráticos) e também com pensadores de períodos posteriores.
Caso te interesse observar a história de Alice sob uma perspectiva de cunho filosófico, acesse: http://www.acervofilosofico.com.br/pela-toca-do-coelho/

Em 2015, Siouxsie inclusive participou de um programa especial de rádio da BCC cujo enfoque foi justamente a obra “Alice No País das Maravilhas”, que na época estava completando 150 anos de sua primeira publicação. Você pode escutar a gravação na íntegra através do link abaixo. A cantora admite que, tanto o filme quanto o livro, foram uma inspiração significativa para ela. 


Outro autor que ela aprecia bastante é J. G. Ballard, que infelizmente não é tão popular em nosso país. Conforme ela própria já comentou em relação ao seu gosto literário, disse que gosta de qualquer livro dele: “Mas Crash é o seu melhor”. Foi o primeiro livro apropriadamente erótico que eu li, mas também foi patético, realmente resumindo essa obsessão americana por carros, com velocidade e com tamanho - esses símbolos vazios de poder. Ballard pegou nesse ponto sobre o que a vida moderna pode fazer com você, sobre como você pode ficar obcecado em entrar nesse estado semelhante a um casulo. Ele questiona, mas ele também reconhece o quão sedutor é, e quão atraentes são esses símbolos. O filme também foi bom, muito sexy. Era diferente de filmes pornográficos que são maçantes como água ensanguentada. Pelo menos isso te fez pensar.” (http://www.untiedundone.com/). Crash foi inspiração para a letra “Miss The Girl”, do The Creatures, pois no livro: “O personagem principal sente-se uma gratificação sexual por acidentes de carro.”
 

(...)
 
Você não perdeu a garota - você bateu na garota,
você bateu nela com uma força de aço
ela está envolvida em torno de suas rodas em chamas
  
(...)

Abaixo, segue uma lista de vários outros livros que, além de todos os outros que foram anteriormente citados, são do gosto da Sioux.
  • The Collector  (John Fowles)
  • Something Wicked This Way Comes  (Ray Bradbury)
  • In the Eyes of Mr Fury (Philip Ridley)
  • The Koran (Anonymous)
  • Lolita (Vladimir Nabokov)
  • Punish Me with Kisses (William Bayer)
  • The Eighth Pan Book of Horror Stories (Herbert van Thal – editor)
  • The Green Brain (Frank Herbert )
  • The Stepford Wives (Ira Levin)
  • Where the Wild Things Are (Maurice Sendak)
  • The Three Faces Of Eve (Corbett H. Thigpen)
  • I’m Eve (Chris Costner Sizemore)
  • The Premature Burial (Edgar Allan Poe)
  • The Complete Works of Edgar Allan Poe (Edgar Allan Poe)
  • On Wine And Hashish (Charles Baudelaire)
  • The Painted Bird (Jerzy Kosiński)
Das obras e respectivos autores acima mencionados, destacaremos especialmente Edgar Allan Poe, pois lembremos que o próprio nome da banda é inspirado num título de uma história escrita pelo mestre do horror: “Cry Of The Banshee”. Além disso, a música “Premature Burial” (presente no álbum Join Hands) é inspirada na narrativa “The Premature Burial” (que consta na lista acima), que em português é conhecida sob o título de “O Enterro Prematuro”, um dos inúmeros e aclamados clássicos de Poe, e pode ser encontrado em língua portuguesa - certamente vale a pena ler, Poe sempre oferece-nos boas histórias! Nessa música, Siouxsie, de maneira cativante, pronuncia palavras que aludem bastante ao próprio estilo literário de Poe, no qual encontramos vários elementos sobrenaturais. Vejamos:

                                                                              (...)


Esta catacumba me compele
Corrompido e inerte
Ele pesa e tenta me puxar
Eu devo resistir ou reafirmar?
O inalterado e o imutável
 
(...) 

Na lista apresentada também vemos o título "In the Eyes of Mr Fury", e aqui torna-se válido dizermos que essa obra inspirou um clássico do The Creatures, que é "The Fury Eyes", faixa presente no Boomerang. Infelizmente o autor desse livro não é muito popular em nosso país. Carece de obras traduzidas para o Português e quase não há comentários sobre suas produções. Mas vejamos um trechinho da letra escrita por Sioux em relação ao livro de Ridley.


(...)
Não há sono para olhos de fúria
São tão profundos são os olhos da fúria

Assistindo rostos trocando de lugar
Anéis correndo ao redor da lua
Trocando olhares, tomando chances
Nós rimos e cantamos cedo demais

(...)

Siouxsie e Budgie no divertido clip oficial da música "Fury Eyes".
 
Outra música cujo título é mesmo de uma das obras de nossa lista é “The Painted Bird”. No Brasil, o livro é conhecido como Pássaro Pintado, e não muito fácil de ser encontrado, tal como não é muito popular, mas ainda assim, caso queira arriscar a leitura, é possível adquirir um exemplar.

Vejamos um trecho da letra que ilustra um pouco da narrativa presente no livro em questão:


                                                                               (...)



Pássaro pintado, é absurdo
Apenas um pássaro contaminado machucando seus nervos torcidos
Pássaro pintado, é absurdo
Apenas um pássaro contaminado machucando seus nervos torcidos

 (...)



É claro que Sioux deve ter muitas outras influências literárias além das que apresentamos aqui. Fizemos uma longa pesquisa, e trouxemos aos fãs aquilo que encontramos. Porém, se você, caríssimo leitor, sabe de algo que possa complementar o texto, nos informe, por favor. Complementos são sempre bem-vindos! E deixe seu comentário nos contando quais dos livros acima mencionados você já leu e quais desses autores conhece. Esperamos um dia aprimorar esse conteúdo com novas informações.

Referências:
                                                                     

CAMUS, Albert. O Mito de Sísifo. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.


CARROLL, Lewis. Alice No País Das Maravilhas e Através Do Espelho e o Que Alice Encontrou Por lá, 2013. Editora: Zahar.


https://www.goodreads.com/list/show/128758.Siouxsie_Sioux_s_Influences


http://www.thebansheesandothercreatures.co.uk/


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