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SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

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ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

IGGY POP: O GÊNIO INDOMÁVEL DO ROCK AND ROLL:

Por: Vannucchi

O que, afinal, é o Rock And Roll? Como podemos defini-lo? Alguns dizem que é absolutamente tudo. Outros dizem que é liberdade. Alguns afirmam que é rebeldia, ou que é apenas barulho. Qualquer definição que o Rock And Roll possa vir a ter, esta foi representada por Iggy Pop. O músico incorporou todo o espírito do Rock durante sua carreira. Ele foi absolutamente tudo! Criou álbuns que soam distintos uns dos outros, tendo sido versátil, representou a liberdade quando não se importou com críticas e julgamentos, vivendo dentro de sua insana e poética natureza, foi rebelde quando rompeu paradigmas e demonstrou sua fúria, e fez muito barulho. Iggy Pop é uma lição sobre a essência do Rock And Roll. Sua energia vital e sua maneira de conduzir seus shows serviram de influência para milhares de cantores e bandas póstumas. Por mais que ele possa ser odiado, ele merece reconhecimento. De um garotinho tímido e quieto que foi em sua infância, tornou-se um furacão que se alastrou pelo mundo todo. Com apoio de David Bowie, cresceu cada vez mais como músico, tendo se destacado com os The Stooges, e também em sua carreira solo, na qual deixou legados elogiáveis como “The Idiot”, “Lust For Life”, “Beat 'Em Up”, “Avenue B”, entre outros. Se você, leitor, ainda não se deu ao luxo de mergulhar no som de Iggy Pop, anote os nomes dos álbuns mencionados logo acima, e manda bala!

* Texto anteriormente publicado no site Whiplash.




 

SEX PISTOLS: A QUALIDADE QUE O SENSO COMUM IGNORA (ou não percebe):

Por: Vannucchi e Marinho

O Sex Pistols sempre foi alvo de controvérsia. Mas a maior parte das críticas direcionadas à banda, são essencialmente vazias e desprovidas de justificativas e embasamentos históricos. Há de se levar em conta inúmeros fatores que nortearam o surgimentos da banda (contexto político, social, ideologia, aspectos musicais da época, objetivo da banda, etc).

No entanto, aparentemente, a maior parte das pessoas que ataca o Sex Pistols com clichês, tais como dizer que eles são mero "produto comercial" ou que são uma "farsa da música", esquecem-se de considerar em suas críticas, vários detalhes importantes sobre a banda.

Dificilmente alguém menciona/recorda/conhece/considera, por exemplo, o fato de que as letras ácidas do Sex Pistols criticavam árdua e diretamente a rainha da Inglaterra que, até então, era odiada por muitos cidadãos, embora quase ninguém se atrevesse a enfrentá-la ou tampouco, dirigir-se a ela. A apatia pela monarquia e pelos valores conservadores foi uma marca explícita da banda. Logo, se há algo que pode ser considerado válido no Sex Pistols, é o cunho político e social das composições. E é válido ressaltar que quando se avalia um objeto (artístico, por exemplo), há de se considerar seus inúmeros elementos, e não apenas detalhes tendenciosos específicos.

Como consequência da bagagem de suas letras, a banda foi notável porta-voz de uma nação. Podemos considerar o seguinte fato como prova disso: na época do lançamento de "Never Mind The Bollocks, Here Is Sex Pistols", o governo britânico proibiu a venda do álbum, de forma que adquirir um exemplar era praticamente contrabando. É o que costuma acontecer quando o poder é afrontado diretamente, e quando há uma arte potencialmente capaz de tirar os indivíduos de suas zonas de conforto.
Como consequência da bagagem de suas letras, a banda foi notável porta-voz de uma nação.
E claro, quando se fala sobre o Sex Pistols, não pode passar branco um detalhe valioso: a banda nunca quis ser brilhantes em termos técnicos. E um dos principais motivos para a banda ser tão odiada é exatamente devido a tal fato, pois a simplicidade provocativa e proposital tornou-os alvo de ataques por parte de músicos e críticos de cunho conservador e ortodoxo. Entretanto, atingir as pessoas, era exatamente o objetivo do minimalismo da banda. Há uma entrevista na qual Johnny Rotten afirma que o principal objetivo dos Sex Pistols era acabar com o Rock, e quando eles perceberam que estavam se tornando uma moda desse próprio gênero musical, eles se separaram.

Logo, os clássicos ataques do tipo: "mas eles só tocam três acordes", “mas eles são minimalistas”, praticamente perdem qualquer sentido lógico considerável. O Punk Rock nasceu como uma ressaca do Rock Progressivo. Todo o movimento Punk provou e tentou mostrar objetivamente que três acordes podem ser suficientes para se criar música e até mesmo para se obter sucesso. Assim, é preciso levar em conta a intenção conscientemente objetiva do Pistols.

E um detalhe válido: os membros iniciais da banda (Johnny Rotten, Paul Cook, Steve Jones e Glen Matlock) eram típicos rebeldes críticos da realidade que os cercava no contexto da época. Eles carregavam uma ideologia, eles estavam frustrados por causa da quantidade de lixo que havia pelas ruas de Londres e também se sentiam descrentes devido ao alto índice de desemprego que permeava pelo país. E nada disso foi uma farsa, era apenas a maneira como pensavam e se comportavam.

Malcon McLaren surgiu apenas como um catalisador. O estilista foi um visionário. Quando conheceu os futuros membros do Pistols, disse a eles que deveriam formar uma banda, e então, os quatro rebeldinhos revoltados viram a chance de expressar publicamente tudo que só diziam em casa, entre amigos e na Sex (loja de Malcon que era um clássico ponto de encontro de jovens deslocados ou insatisfeitos com seus cotidianos). Aliás, uma das críticas constantemente feitas à banda e que chega a ser cômica por sua futilidade, é o fato de que Malcon supostamente escolhia ou criava as roupas dos membros do Sex Pistols. Como se inúmeras outras bandas/músicos do Rock And Roll não vestissem peças extravagantes ou aproveitassem profissionalmente seus visuais (sendo que esses muitas vezes eram confeccionados por estilistas).

Portanto, para criticar ou se posicionar em relação a qualquer coisa, é necessário embasamento reflexivo/argumentativo e desvinculação com qualquer tipo de especulação provinda do senso comum. Dizer o que todos dizem é inércia, pensar o que todos pensam é uma forma de alienação. É preciso, no mínimo, considerar os inúmeros aspectos acima mencionados antes de afirmar falaciosamente que o Sex Pistols é "ruim". 

* Texto anteriormente publicado no site Whiplash. 

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL:

Por: Vannucchi

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história. Representantes ávidos do gênero Punk, eles conduziram a ideologia de uma geração e, mesmo tendo lançado apenas um álbum de estúdio (Never Mind The Bollocks), tornaram-se influentes o suficiente para não serem mais esquecidos. Eles levaram consigo a alma rebelde do Rock And Roll (que existia já em seu primórdio), criaram um estilo musical de seus gostos, sem se preocupar com possíveis condenações midiáticas, e buscaram sempre, se expressar livremente, independente do que viessem a dizer.

Embora haja controvérsia, a maior parte da crítica especializada afirma que os Sex Pistols foram o grupo responsável pela introdução do gênero Punk Rock (tanto como música, quanto movimento no Reino Unido). Isso aconteceu em 1975, quando a banda foi formada em Londres, composta incialmente pelo vocalista Johnny Rotten, o guitarrista Steve Jones, o baterista Paul Cook e o baixista Glen Matlock. Matlock foi substituído por Sid Vicious no início de 1977. O sucesso musical que obtiverem, foi conduzido por um nome bem familiar na história da música: Malcolm McLaren. O empresário os notou e enxergou potencial na rebeldia do grupo. Aliás, essa rebeldia, certa tarde, invadiu os lares da maior parte das famílias da Inglaterra, através de um programa televisivo. Narremos aqui um dos dias mais inesquecíveis (e brilhantes) da história do Rock And Roll: 1 de dezembro de 1976, Siouxsie Sioux (que posteriormente se destacaria com seus Banshees), os Pistols e outros punks, participavam de um dos programas de maior audiência da TV inglesa, levado ao ar às cinco da tarde, a famosa “hora do chá”, em que famílias concentram-se frente à TV. E então, durante a transmissão do programa, pela primeira vez na história, a expressão "Fuck Off" (Foda-se) é dita diante das câmeras. O protagonista da história só podia ser Johnny Rotten.

Pouco depois de o Sex Pistols dar as caras no cenário musical britânico, bandas semelhantes começaram a surgir e o movimento Punk, foi se alastrando pelo país e, consequentemente, por outros lugares no mundo. Rotten, certa vez, comentou o motivo social que levou o movimento a eclodir com tamanha intensidade: “A Inglaterra no início da década de 1970 era um lugar muito deprimente. Estava completamente degradada, havia lixo nas ruas, desemprego total, praticamente todos estavam em greve... Todos foram criados em um sistema de educação que deixava bem claro que se você veio dos subúrbios, você não tinha mais a menor esperança e nenhuma perspectiva de emprego. Foi daí que surgiu a minha pessoa pretensiosa e os Sex Pistols e depois de nós uma série de imitadores imbecil”.

Portanto, os Sex Pistols representaram (e ainda representam) o sentimento de fúria e revolta de muitos jovens que sentiam-se reprimidos e incapazes de construir um futuro promissor. “E ainda representam”, significa dizer que muitas pessoas ainda carregam esse sentimento e, com certeza, os Pistols ainda fazem sentido no cotidiano de muitas pessoas.

No jubileu de prata da rainha Elisabeth II, que completava 25 anos no poder Inglaterra, a banda lançou o compacto de "God Save The Queen". Um presente inusitado para a rainha, e que deixava bem clara a insatisfação da banda com o regime que estava no poder. Muitos britânicos (por mais que alguns não assumissem) abraçaram a letra e sentiram-se aliviados por alguém, finalmente, estar condenando o poder. Era uma crítica ousada que carregava trechos como "não há futuro na Inglaterra” ou “Deus salve a rainha, seu regime fascista”.

Foi uma banda polêmica e controversa. Odiada por muitos, amada por muitos outros. Mas foi mais do que uma reunião de jovens rebeldes reunidos para fazer Rock And Roll, foi um verdadeiro movimento social que influenciou jovens de todo o planeta, e que, até hoje, conquista seguidores e fãs. Os Pistols foram corajosos, e isso já é o suficiente para torná-los bons.

"…Never Mind The Bollocks, todos concordam, é um dos melhores discos do século XX." Pete Townshend (Guitarrista do The Who /Q Magazine - junho/96).

* Texto anteriormente publicado no site Whiplash.

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