Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

sábado, 25 de julho de 2020

Zine Talk - Episódio 2 (Quântico Romance)

Por: Abel Marinho

Em nosso segundo episódio, contamos mais uma vez com a presença do grande Karlos Júnior! Após nossa grande experiência falando da história do Kraftwerk, decidimos abordar também sobre a trajetória do músico com o Quântico Romance entre outras curiosidades. 

Aproveitem nosso bate papo e aproveitem! Semana que vem tem mais! 



Link do EP Azul na Escuridão:

segunda-feira, 20 de julho de 2020

UM PAPO COM O LENDÁRIO BARRY ADAMSON, BAIXISTA DO MAGAZINE:

 Por: Juliana Vannucchi e Abel Marinho

O baixista Barry Adamson é definitivamente um mito na história do Rock And Roll. Suas colaborações com bandas grandiosas como Magazine, Nick Cave & The Bad Seeds e Buzzcocks, fizeram dele um músico imortal e respeitável.

É importante mencionar que ele foi uma das mentes criativas que estavam por trás da produção de grandes músicas, tal como “Shot By Both Sides” e “From Her To Eternity”. Além disso, também já tocou com Iggy Pop, remixou músicas para o Depeche Mode e trabalhou ao lado de David Lynch, sendo o responsável pela criação da trilha sonora do filme Lost Highway. Tudo isso faz dele um nome sempre lembrado, citado e homenageado por músicos e críticos.

Eu e o Gabriel Marinho tivemos a oportunidade de bater um papo com ele, no qual exploramos vários pontos de sua longa e admirável carreira musical, e agora estamos trazendo esse rico conteúdo em primeiríssima mão para os nossos leitores!

1. Com quantos anos você começou a tocar baixo? Você toca outros instrumentos também?

Eu comecei a tocar apenas um dia antes de fazer um teste com a banda Magazine! Eu tocava um pouco de guitarra, mas nunca havia tocado baixo. Eu toco agora um pouco de bateria, de guitarra, teclados, gaita e claro… baixo também.

2. Poderia nos contar sobre os primeiros anos do Punk na década de 70 e nos anos 80?

Foi incrível! Todos os jovens se uniram para criar algo novo para eles através da música. Toda semana havia uma nova banda para assistir e eu simplesmente precisava ser uma parte daquilo! Viva a revolução!!

3. Barry, eu acredito que o Real Life seja um dos álbuns mais geniais já feitos. Ele é único e muito original. Você poderia contar um pouco sobre como foram as gravações desse álbum? Eu gosto muito da capa dele, você pode contar também sobre essa imagem e sobre o que significa?

Eu amo esse álbum. Como nada mais. Acho que as personalidades individuais dele compõem um todo, fazendo um registro único de som junto às letras obtusas escritas por Howard Devoto. Nós sabíamos que algo grande estava acontecendo durante as gravações e a capa foi criada pelo artista, Linder, que fez aquelas cabeças estranhas no espaço e no tempo. Lindo.

4. O que o título  significa? Quem escolheu esse nome e de onde veio a inspiração?

Bem, o Howard Devoto veio e escolheu o título para o álbum e você pode ler o que quiser! Isso é o que eu acho que o faz interessante. Eu amo esse momento em meu próprio trabalho, no qual o título é quase “nascido” e é como uma porta se abrindo para outro mundo.

5. Eu gosto de toda a discografia da banda, acho que todos os álbuns são excelentes, mas percebo que o único álbum que REALMENTE fez sucesso e se tornou popular, é o primeiro. Por que você acha que isso aconteceu? Pra você, qual é o melhor álbum do Magazine?

Bem, eu acho que o The Correct Use Of Soap também foi muito popular e bem feito, eu gosto desse álbum também, embora o meu favorito seja o Secondhand Daylight. Eu acho que criamos algo extraordinário. Basta você escutar faixas como “Feed the Enemy”, “Permafrost” e “Back to Nature” para ver a largura e a profundidade das ideias da banda e suas capacidades. Amo esse álbum.

6. Como foi seu primeiro encontro com Howard Devoto? E qual é a memória mais antiga que você tem com o Magazine? Você se lembra do primeiro ensaio que vocês fizeram?

Eu conheci o Howard numa tarde de domingo, na casa dele. Esta é a memória mais antiga que tenho porque eu estava tentado aprender a tocar o baixo durante a noite e então ele tocou a música “The Light Pour Out Of Me” na guitarra para mim, daí eu toquei uma nota, depois mais uma no ritmo certo e, por fim, funcionou e acabei conseguindo o trabalho!! O resto da banda se reuniu numa sala de ensaios para trabalhar em três músicas para que pudéssemos enviar para as gravadoras.

7. Vocês tinham algum conceito específico para o desenvolvimento e produção do Real Life?

Bem, ele surgiu junto como um experimento que foi definido por uma espécie de “poder”. Se você quiser e as características definidoras foram: originalidade, um crença nas palavras do Devoto e nossa própria maneira única de colocar o músicas juntas.

8. Como foi trabalhar no primeiro álbum de estúdio da Bad Seeds? Ao longo das gravações, você imaginou que From Her To Eternity se tornaria um álbum tão importante? O que você sentiu quando vocês estavam gravando?

Sim, eu sabia que era uma gravação importante. Tudo estava no lugar certo para que ele fosse dessa forma, e o nível da banda, assim como ocorreu com o Magazine, estava na medida certa para gerar um trabalho sonoro autêntico e completamente primitivo, então foi primordial e foi como fazer um grande filme, de forma que nos entregamos ao trabalho como se nossas vidas dependessem disso.

Adamson é um dos maiores guitarristas do universo Pós-punk.

9. A música “From Her To Eternity” é uma das melhores faixas da carreira do Nick Cave e até hoje em dia, é uma das favoritas doas fãs. Vocês demoraram muito para gravá-la? O que você se lembra sobre as gravações dessa música?

Lembro-me da energia e do desespero da letra, do caos controlado do Mick Harvey na bateria, e do Blixa fazendo o que, até hoje, é um dos sons mais extraordinários que eu já ouvi vindos de uma guitarra. E claro, havia o conhecimento do Nick, e a linha cinematográfica no piano. Enfim, um monte de energia estava sendo empurrada para fora ao mesmo tempo.

10. Você chegou a trabalhar com Nick Cave no Birthday Party e no Bad Seeds. Como era a dinâmica de ambas as bandas? Você gostaria de trabalhar com os Bad Seeds novamente?

Bem, de maneira geral as duas bandas giravam em torno do Nick, mas no caso do Birthday Party foi também em torno da guitarra do Rowland, que era uma espécie de “ajudante” para a voz do vocalista. No Bad Seeds havia uma paisagem sonora que era mais solta, e isso deu ao Nick maior liberdade para escrever e seguir a direção que ele queria seguir.

11. Como foi trabalhar ao lado de Stephen Strange no Visage?

Pra ser honesto, eu quase não o vi. A música foi feita antes da gravação do vocal, e então eu já tinha ido embora do estúdio quando ele estava por lá.

12. Qual é a melhor memória que você tem dos momentos que passou com o Pete Shelley?

Muitas, na verdade. Todo dia era um dia divertido! Ele era um compositor incrivelmente talentoso.

13. Dentre todos os seus álbuns solos, você tem algum favorito?

Eles são todos especiais para mim. Cada um é diferente entre si, permanecendo com sua própria força.

14. Já pensou em fazer um longa metragem baseado no seu primeiro álbum solo, Moss Side Story?

Sim. Várias vezes e eu fui abordado por cineastas que pensaram em fazer algo com esse álbum, mas as ideias propostas por eles não estavam realmente numa direção que fizesse com que eu me sentisse bem para isso… mas, quem sabe, um dia?

15. Você já esteve no Brasil alguma vez? Conhece bandas e músicos brasileiros?

Eu nunca fui, mas quero muito ir. Eu amo música brasileira dos anos sessenta, suponho, tal como Tom Jobim e Sérgio Mendes, é claro. Eu preciso me atualizar!

16. Você se mantém atualizado sobre novos artistas e bandas que estão surgindo? Se sim, gostaria de trabalhar com alguma delas?

Eu gosto de alguns. Grace Jones, Thom Yorke, James Blake, Emiliana Torrini e muitos outros, eu adoraria trabalhar com eles!!

17. O que você tem a dizer para quem deseja seguir carreira na música?

Basta escrever e tocar diariamente. Procure algo te dá energia e faz você também querer dar essa energia.

18. Quais são os seus planos para 2019? Você está trabalhando em algum material novo?

Sim, estou escrevendo diariamente!! Esse processo é como um quebra-cabeça que está no meio do caminho completo. E estou muito animado para ver a foto do álbum completo! Daí eu posso levá-lo ao Brasil!

sábado, 18 de julho de 2020

Zine Talk - Episódio 1 (Kraftwerk)

Por: Abel Marinho

Nosso tão esperado primeiro podcast finalmente está aqui! 

Para celebrar o início de uma nova etapa em nosso projeto, começaremos a postar podcasts sobre música, artistas e outros temas que amamos! Começando da melhor forma possível, gostaríamos de apresentar nosso primeiro episódio com uma das bandas mais lendárias e influentes do cenário musical alemão e mundial: o grandioso Kraftwerk! Para nos ajudar a comentar a respeito da trajetória dessa banda magnífica, contamos com o apoio de Karlos Júnior, frontman de um dos melhores grupos do cenário underground, o Quântico Romance! 

Aproveitem e viagem com a história, curiosidades e músicas do Kraftwerk nesse grande podcast! 


quinta-feira, 16 de julho de 2020

OS 10 GUITARRISTAS MAIS INCRÍVEIS DA CENA PÓS-PUNK:

Por: Juliana Vannucchi (colaboração de Diego Bagadin)

Preparamos uma lista de alguns dos mais guitarristas mais marcantes da vasta cena Pós-punk. Felizmente, além das lendas que vamos citar abaixo, há muitos outros que nos legaram hits e solos memoráveis. Dentre tantos gênios, após bastante pesquisa e reflexão, nossa seleção ficou da seguinte forma... 

Rowland Howard:

Um dos maiores ícones do Pós-punk australiano, Howard tocava guitarra de uma maneira simplesmente sobrenatural. Conduzia seu instrumento com imensa sensibilidade e intensidade. Ao longo de sua trajetória, participou de bandas notáveis como “The Boys Next Door”, “The Birthday Party”, “Crime & City Solution” e “These Immortal Souls”, além de ter produzido dois álbuns solo e gravado algumas músicas com Lydia Lunch.

Suas melodias mesclavam na dose certa um pouco de agressividade e de melancolia e, em várias faixas com as quais colaborou, seu instrumento era o verdadeiro fio condutor. Foi ele que compôs “Shivers”, uma das baladas mais sombrias e famosas do universo Pós-punk, além de ter sido ele o grande gênio inventivo e maestro de “Six Bells Chime”, música que, ao meu ver, representa o auge de seu talento. Aliás, nesse ponto torna-se válido citar que Howard foi o guitarrista do mais conhecido e conceituado álbum do The Crime & City Solution, que é “Room Of Lights”, responsável por impulsionar a banda da Austrália para o resto do mundo.
Seu modelo preferido de guitarra era a Fender Jaguar, que ele adquiriu em 1978. Howard usava frequentemente pedais de distorção e efeitos. Seu jeito de tocar e suas inúmeras colaborações com as bandas das quais participou, influenciaram grupos póstumos como Primal Scream e My Bloody Valentine. Howard possuía uma sensibilidade atípica e conseguia transpor qualquer sentimento no som de sua guitarra. Sempre vai ser um mito atemporal do Rock And Roll...

O guitarrista mais conceituado da cena Punk e Pós-punk australiana.


Billy Duff:

Billy Duff foi o lendário guitarrista do The Cult, responsável pela criação da memorável introdução do clássico “She Sells Sanctuary” e também de muitas outras músicas marcantes que gravou com a banda inglesa.

Ao longo de sua trajetória composta por dez álbuns de estúdio, o The Cult alternou um pouco a essência de sua sonoridade, e Billy Duff sempre se encaixou bem e obteve êxito em todos esses experimentos musicais.

Duff é um verdadeiro gênio e grande parte da singularidade e brilhantismo do The Cult deve-se a este compositor majestoso. Sua maneira de tocar influenciou muitos músicos, tal como foi o caso de Johnny Marr, o respeitado guitarrista do The Smiths, sobre qual falaremos a seguir...

O autêntico Billy Duff.

Johnny Marr:

O The Smiths é uma das maiores bandas de todos os tempos e por mais que Morrisey sempre tenha sido o principal símbolo do grupo inglês, certamente, o vocalista não teria alçando um desfecho tão magnífico se não fosse pelo talento de Johnny Marr, que é simplesmente um dos mais conceituados guitarristas da história do Rock And Roll.

Os arranjos compostos por Johnny Marr penetram o ouvinte e o elevam a um estado além do tempo e do espaço. No final das contas, ao meu ver, ele sempre foi o principal motor criativo da banda.

Johnny Marr, guitarrista do The Smiths.


Steve Stevens:

Desde a adolescência, o rebelde Billy Idol se mostrou imensamente talentoso. Mas precisamos admitir que o punker não teria chegado tão longe em sua carreira, se não fosse pela parceria com Steve Stevens, que foi seu par perfeito, o músico que iluminou o caminho de Idol e que sempre encontrou as melodias mais incríveis para acompanhar sua incomparável voz. 

O consagrado Steve Stevens também gravou com outros grandes músicos do Rock, como Peter Criss, do KISS e Sebastian Bach, astro do Skid Row, além de ter colaborado com ninguém mais, ninguém menos do Michael Jackson, o eterno Rei do Pop.

Steve Stevens: um monstro consagrado.

Blixa Bargeld:


O guitarrista alemão foi fundador da banda Einstürzende Neubauten, um dos grupos mais lúgubres dos anos oitenta. Ele também teve uma passagem célebre ao lado da banda australiana Nick Cave And The Bad Seeds, através do qual obteve maior reconhecimento e fama e pela qual eternizou-se cantando “Weeping Song”. Blixa é um dos guitarristas darks mais talentosos e até hoje, provavelmente é o mais venerado pelos morceguinhos! Seu estilo experimental, ruidoso e ousado abriu caminho para muitos músicos que seguiram a trilha de arranjos sombrios.

A título de curiosidade, vale citar que Blixa não apenas se destacou como guitarrista, mas também como ator, embora sua carreira na seria arte tenha sido bem discreta.


Blixa: um guitarrista e vocalista de enorme prestígio.


Peter Perrett:

Perrett esteve longe dos holofotes na maior parte de sua carreira, porém, embora tenha se mostrado um artista discreto, ainda assim, foi um ícone de seu tempo e até hoje é imensamente respeitado por suas colaborações com a banda “The Only Ones”. Sua maneira glamourosa de tocar tem uma herança grande da linhagem Punk, e geralmente soa de forma escrachante e agressiva, embora, em algumas músicas, torne-se mais sensível e amena. O fato é que, independente da melodia, ele sempre tocou de uma forma sedutora. Puro Rock And Roll.

O poético Peter Perrett, líder do The Only Ones.

Captain Sensible:

Se você é fã de Punk ou Pós-punk, certamente é fã de Captain Sensible. O estiloso guitarrista inglês fez alguns dos trabalhos musicais mais renomados dos anos oitenta e se tornou um verdadeiro mito. Sensible brincava com a guitarra e ao longo da carreira variou bastante o estilo de seus arranjos, embora sempre tenha mantido uma qualidade refinada em suas produções.

O irreverente Captain Sensible.


John McGeoch:

Em sua prolifera carreira musical, o engenhoso John McGoech passou por várias bandas com as quais sempre fez colaborações grandiosas. Se destacou especialmente pelos álbuns gravados com as bandas inglesas Siouxsie And The Banshees e Magazine. Por onde esteve, brilhou. Não havia tempo ruim para McGeoch e ele era capaz de transpor em sua guitarra o clima ideal de cada banda pela qual passava, e todos os seus trabalhos foram qualificados. Além das duas bandas citadas acima, gravou um ótimo álbum com o “The Armoury Show”*, fez um trabalho notável com o PIL e gravou algumas faixas para o “Kiss Me Deadly”, que é simplesmente a melhor produção da Generation X.

Talvez ele seja o guitarrista mais genial do universo Pós-punk e não há dúvida de que foi um dos instrumentistas mais originais e inventivos de toda a história do Rock And Roll.

*Único álbum lançado pelo grupo.

McGeoch: um dos melhores guitarristas de todos os tempos.


Daniel Ash:

Daniel Ash foi, provavelmente, o guitarrista mais consagrado da música Dark oitentista, além de ter sido um dos mais famosos de seu período. Suas distorções, ecos e ruídos sublimes ajudaram a moldar a sonoridade ímpar do Bauhaus e, com o passar do tempo, seu jeito de tocar serviu como referência para muitos outros músicos.

Daniel Ash se apresentando com o Bauhaus.

Andy Gill:

O guitarrista e fundador da banda Gang Of Four, falecido em 2020, não poderia estar fora da nossa lista. Sua ousadia criativa o levou a dar vida a uma sonoridade muito singular e elogiável. Sua banda era uma espécie de laboratório de experimentos melódicos e rítmicos do qual saíram composições fascinantes. Gill sempre será lembrado um dos mais épicos e frutíferos de sua geração e também das gerações posteriores, que certamente o terão como inspiração.

Andy Gill em ação... 

sexta-feira, 10 de julho de 2020

SID VICIOUS - O NIILISTA MALTRAPILHO QUE MUDOU O ROCK AND ROLL:

A história do Punk Rock é composta por muitos nomes lendários. Dentre eles, encontra-se o icônico Sid Vicious, cuja figura até hoje gera opiniões e comentários controversos. Algumas pessoas o idolatram, e outras o repudiam, mas o fato é que a cultura Punk, como um todo, jamais seria do jeito que é se não fosse por sua existência.

A vida de Sid Vicious até hoje é cercada por mistérios e sempre foi repleta de binômios: “tocava bem/não tocava bem” - “sabia tocar baixo/não sabia tocar baixo”/“era uma pessoa inocente/era um sujeito perverso”/“morreu de overdose/se suicidou”/“matou Nancy/não assassinou a companheira”. As inúmeras considerações contrárias a seu respeito fazem dele um verdadeiro mito. Por “mito” entenda-se uma personalidade atemporal que simboliza algo. No caso, Vicious, através de sua persona, representava a rebeldia transgressora de todo o movimento Punk. Considero que quem o conhece apenas de uma maneira deveras superficial, o vê como um jovenzinho teimoso, violento, sanguinário, atraente e drogado. Certo. Talvez ele fosse tudo isso. Mas havia algo a mais em Sid Vicious, e são esses outros aspectos, esses que primeiramente escapam da imagem midiática e rasa em torno dele, que o transformaram no mito que citei acima.




Sid era determinado, mostrava empenho ao tentar aprender a tocar baixo e era uma pessoa decidida em relação ao rumo artístico que sua vida tomou. Através de suas atitudes ousadas e discursos provocativos, procurava conscientemente e incentivar as pessoas a se firmarem e abandonarem suas zonas de conforto. Ele estava ciente de que os jovens de sua geração eram pressionados pela família, pelo governo, pela moral e pela sociedade e, por isso, prezava pela liberdade. Conforme certa vez declarou: “Se você faz alguma, deve fazer porque gosta, e não por dinheiro(p.40, 1985). E em relação, especificamente ao futuro de um jovem após o término dos estudos escolares, disse: “Se é para fazer alguma coisa, você deve fazer o que quer”. (p.43, 1985), sendo tal comentário contextualizado com o excesso de expectativa que os pais criam em torno dos filhos. Também afirmou: “Nós acreditamos na total liberdade de ação”. (p.39, 1985) - ele repudiava o “modus operante” mecanicista da sociedade. Por esses e outros comentários e por seus constantes atrevimentos, acredito que Sid, de certa maneira, catalisou em seu espírito toda a aura desafiadora de revolta, escândalo, crítica e inovação estética que permeavam no âmago da cultura Punk. Nesse sentido, ele pode ser uma inspiração positiva para muitas pessoas.

Também é válido ressaltar que a imagem de “bad boy” que acompanhou o baixista do Sex Pistols foi uma construção ao menos parcialmente midiática, pois, convenhamos havia certo empenho dos meios de comunicação para desmerecer o Punk Rock. Em relação a isso, o próprio Sid chegou a denunciar a hipocrisia da mídia que os reprovava por falarem palavrão. Ele disse, com seu habitual cinismo: “Quase todas as pessoas usam palavras de baixo calão em seu vocabulário”. Pois os Pistols simplesmente também usavam e pronto. O niilista maltrapilho também acreditava que o Rock And Roll precisava retomar suas raizes, ou seja, deixar de ser elitizado, partir das ruas e permear por entre elas. Nesse sentido, também foi incisivamente crítico e demonstrou sentir falta da presença de “astros” do Rock no meio das massas e chegou a afirmar que não andaria na mesma calçada dos Stones e que os desprezava: “(...) deviam ter desistido em 1965. Você nunca vê nenhum desses babacas andando nas ruas (...)”. (p.42, 1985).

Torna-se válido citar que Dee Dee Ramone e Siouxsie foram algumas das grandes personalidades musicais a declarar que Sid era um rapaz doce e legal. Freddy Mercury, contudo, provavelmente pensava o contrário, pois o encontro que teve com Sid foi um tanto áspero.

O fato é que Sid Vicious mudou para sempre não apenas o Punk Rock, mas também a história do Rock. Seu nome está eternizado e isso independe do fato de ele ter sido “herói ou vilão” - mas confesso que, felizmente, acho que ele foi um vilão!

REFERÊNCIA:

SANTOS, Hugo. Sid Vicious. São Paulo: Brasiliense, 1985.

THE EDWOODS E SUA TRILHA SONORA TRASH

Por Diego Bagatin
 
Imagine a abertura de Assassinos Por Natureza (1994), de Oliver Stone, em que Mallory Knox dança ao som de “The Way I Walk”, de Robert Gordon e Link Wray (também conhecida principalmente pelo cover da banda The Cramps). Essa é uma das imagens que o duo paulistano The Edwoods passa para os ouvintes em seu mais novo EP intitulado “Drag Racer” (2020/Rubber Octopus Records). 

Andy e Eron formam o duo paulistano de garage rock The Edwoods.

O duo de primitive rock formado em 2018 pelos integrantes Andy e Eron Edwood tem o encanto de mostrar o melhor de uma sonoridade tribal e garageira, gênero marcado por bandas como The Cramps, Stray Cats e The Stooges, entre outras bandas de Detroit e do gênero Psychobilly. O EP e os singles lançados nos anos anteriores, incluindo um cover de “Bela Lugosi’s Dead” da banda inglesa Bauhaus, mostram logo de cara o intuito do duo em apresentar ao público as suas influências, que vão desde o proto punk até o pós punk, passando também pelas bandas de garage rock dos anos 90. O resultado de suas músicas é uma sequência de sons que poderiam muito bem estar presentes na filmografia do diretor Ed Wood, conhecido por seus filmes de baixo orçamento e pela sua criatividade em realizar suas obras com o recurso limitado que possuía. 
Todas as músicas da banda são tocadas no formato de guitarra e bateria com melodias rasgadas e barulhentas, e suas apresentações ao vivo mantém a agressividade composta por apenas dois integrantes que possuem muita inventividade para boa música.


As quatro músicas que compõe o EP estão disponíveis nas principais plataformas de streaming e também em vinil de 7 polegadas, que pode ser adquirido ao entrar em contato com a banda na página oficial do Instagram e Facebook, sendo enviado para todo o Brasil. Você pode ouvir a discografia da The Edwoods aqui no link do Bandcamp: https://edwoods.bandcamp.com/

segunda-feira, 6 de julho de 2020

FABLES OF THE RECONSTRUCTION: O ÁLBUM CONCEITUAL QUE MUDOU A HISTÓRIA DO R.E.M.

Por: Abel Marinho

No dia 10 de junho de 1985, há 35 anos atrás, o R.E.M. lançava o que pode ser dito com o seu primeiro álbum de transição e, talvez, o mais desafiador da carreira da banda até aquele momento. Se afastando um pouco do Jangle Pop e se aproximando mais de um som sombrio e Pós-punk, o Fables Of The Reconstruction é um álbum um tanto peculiar e um divisor de águas na discografia da banda. Alguns fãs o amam por seu experimentalismo, outros o consideram muito estranho e o menos marcante dos 7 álbuns lançados pelo R.E.M. durante os anos 80. Mesmo assim, é um trabalho que merece atenção pela coragem da banda em se arriscar em uma sonoridade nova.

O Fables Of The Reconstruction é um álbum conceitual, influenciado pelo gênero Gótico Sulista com temas rurais e personagens obscuros. Para ajudar na criação de um panorama psicodélico para o álbum, a banda se mudou para Londres e trabalhou com Joe Boyd, famoso por ter produzido o single “Arnold Layne” do Pink Floyd e os primeiros álbuns de bandas/artistas Folk como Faiport Conventin e Nick Drake (ele também produziu a trilha sonora do filme "Laranja Mecânica").

Grande parte do material de composição da banda nessa época também veio das experiências das viagens dos integrantes pelo país em turnês quase constantes até aquele ponto, bem como de um crescente senso de ativismo político, aspecto esse que encontraria uma expressão mais aguda nos álbuns subsequentes, “Lifes Rich Pageant” e “Document”.

É interessante notar que cada membro da banda decidiu adotar um pseudônimo para incorporar melhor as histórias contadas nas faixas: 

Bill Berry “WT Berry – Best Boy”,
Peter Buck “PL Buck – Ministry of Music”
Mike Mills “ME Mills – Consolate Mediator”
Michael Stipe “JM Stipe – Gaffer Interpreter”

O controverso "Fables of the Reconstruction": aclamado por uns, reprovado por outros...
Faixas

Começamos a jornada musical com “Feeling Gravitys Pull”, uma abertura completamente diferente se comparada com os dois álbuns interiores. Assustadora e lúgubre, poderia ter sido facilmente escrita pela banda The Cure durante a fase do Pornography, com sua guitarra lenta e cromática e termina de forma majestosa com um quarteto de cordas. A música descreve de forma surrealista como é cair no sono usando como referência as fotografias do artista visual dadaísta Man Ray. A música é uma das melhores aberturas do acervo da banda e define o tom do álbum.

“Maps and Legends” segue substituindo o som macabro da canção anterior por uma versão melancólica do Jangle Pop que lançou a banda ao mundo e traz a característica harmonização vocal entre Michael Stipe e Mike Mills, que canta letras diferentes das do vocalista. É sem dúvidas uma das composições mais fortes do grupo! A faixa foi feita em homenagem ao Reverendo Howard Finster que fez a capa do segundo álbum da banda, e foi conhecido por ter transformado seu lar em uma obra de arte com mais de mil pinturas. 

O R.E.M. é uma das bandas mais autênticas da frutífera década de oitenta.

Enfim, chegamos em uma das favoritas dos fãs: “Driver 8”. A música possui um som mais comercial, porém, essa sonoridade está longe de ser genérica! A canção oscila magnificamente entre alegria e solidão enquanto descreve de forma abstrata áreas rurais e referências ao Southern Crescent, um trem de passageiros que continua a operar até hoje. Há diversas metáforas sobre o desejo de fuga de um ambiente tedioso e o desejo de uma vida nova. O vocalista Michael Stipe disse ter “visto” a canção antes mesma de tê-la criado, o que pode ter contribuído para as imagens tão bem descritas.

Logo na sequência, com um começo suave, “Life And How To Live It” segue com um Folk atmosférico e acalentador, repleto de imagens abstratas e metáforas sobre o autor Brivs Mekis, da cidade natal da banda, Athens, na Georgia. O escritor possui duas casas conectadas por um buraco na parede e se “mudava” para cada uma quando se entediava da outra, tudo sendo descrito em um livro chamado  “Life and How To Live It”.

Novamente, voltamos ao som tenebroso com “Old Man Kensey” uma das mais subestimadas da banda. Com uma guitarra soturna e um baixo pesado, além de obviamente as harmonizações angelicais entre Stipe e Mills, a canção é como um filme de terror rural que conta a história de Kensey, um amigo do pintor Howard Finster que roubava caixões e sequestrava cachorros...

Can’t Get There From Here” apresenta uma quebra totalmente diferente do resto do álbum, com um som mais agitado e bastante influenciado pelo Funk e pelo Blue Eyed Soul, até mesmo com Stipe tomando inspirações de vocalistas de  R&B. A faixa é super divertida e dançante! Embora não tenha um significado em específico, ela pode ser considerada um tributo aos reis do Funk americano, tal como Ray Charles e James Brown. É também a primeira canção da banda a incluir uma orquestra de cornetas.

Green Grow the Rushes” é uma tristonha canção Folk e uma das primeiras da banda a abordar questões sociais. Através de seus acordes agridoces e lastimosos, Stipe narra o tratamento intolerável sofrido pelos trabalhadores imigrantes que chegam a América. Inicialmente, a música surgiu de um pacto feito entre o vocalista e sua amiga da banda 10,000 Maniacs, Natalie Merchant, através do qual ambos escreveriam sobre o genocídio dos povos indígenas americanos. A faixa é uma das mais bem escritas e descritivas canções sociais feitas pela banda em toda sua célebre carreira.

A transição entre a anterior e “Kohoutek” é quase que imperceptível e elas se encaixam perfeitamente,  mesmo  não tendo temas similares em comum. A faixa é um tanto comovente com seu tom de despedida comparando um amor perdido ao cometa de mesmo nome, que só passará pela Terra novamente em 75 mil anos. O R.E.M. não tem tanto enfoque em canções de amor ou decepções amorosas, o que faz com que essa faixa seja um pouco esquecida e injustiçada, o que é uma verdadeira lástima, pois é uma das mais acessíveis, simples e diretas feitas pelo grupo. A mistura perfeita entre Folk e Rock alternativo nessa música a torna uma viagem incrível com os arpejos bem calculados de Peter Buck e com o vocal fascinante de Stipe, que tremula graciosamente até o fim.

Auctioneer (Another Engine)” diferente do compasso lento da maioria das faixas volta às raízes da banda com um som mais frenético. Pode-se dizer que é uma mistura perfeita entre Punk e Folk, e é impossível ficar parado ao ouvi-la! Nela, Stipe narra as histórias de seu avô, que era um vendedor viajante. O tom da música combina com o que parece ter sido uma vida um tanto aventureira...

Após um final tão agitado como “Auctioneer”, a banda volta a fórmula de mais uma canção lenta e rural com “Good Advices” que possui uma letra um tanto mais interessante que sua parte instrumental que, infelizmente, é pouco inspirada e soa de maneira repetitiva. A letra narra a história de como conhecemos estranhos pelo caminho da vida e depois nunca mais os vemos novamente.

Fechando de uma forma diferente das outras canções rurais, “Wendell Gee” bebe mais da fonte seiscentista, tendo focos no piano e banjo ao invés de seguir a fórmula clássica de guitarra, baixo e bateria. Pode ser vista como, de certa forma, uma pré-faixa do álbum Green em que a banda passou a experimentar com instrumentos mais convencionais. Inspirado parcialmente em uma pessoa real, na verdade,a ideia da letra veio de um pesadelo tido pelo vocalista. É um final um tanto interessante para um álbum como Fables Of The Reconstruction.

Conclusão...

O Fables Of The Reconstruction pode ser um um tanto estranho quando o escutamos pela primeira vez, ainda mais se comparado aos dois álbum antecessores. Na época de seu lançamento, devido às circunstâncias em que foi gravado, como a falta que a banda sentia dos Estados Unidos e o desagradável inverno londrino, fizeram que as opiniões dos integrantes sobre o álbum acabassem se tornando públicas, como foi o caso de Bill Berry dizendo que detestava o álbum em uma entrevista nos anos 90, e Peter Buck afirmando que “Driver 8” poderia “ter sido escrita enquanto estivesse dormindo”.  O fato é que Fables Of The Reconstruction continua a ser um dos mais  interessantes trabalhos da banda, mostrando bastante maturidade, mais riscos, mais experimentalismos musicais para os quais foram usados diferentes instrumentos, sons e conceitos. Além disso, é notável o afastamento do Jangle Pop e a presença de conceitos líricos mais compreensíveis ao invés de apenas fragmentos de letras como ocorre em Murmur e Reckoning. Podemos considerar esse o primeiro álbum de transição da banda para um som mais encorpado e um dos primeiros passos em direção ao ativismo social que se tornaria tão conhecido pelo grupo e se tornaria mais evidente em álbuns como “Document” e “Green”.




FANZINES, D.I.Y E PUNK ROCK: UM PAPO COM ULISSES (ULIXO)


Por: Juliana Vannucchi

Ulisses, mais conhecido como "Ulixo" é idealizador do"Zine DF Caos", que é uma das revistas independentes mais notáveis do país, feita a partir de uma estética essencialmente underground e repleta de conteúdos críticos que, certamente, são significativos e agregam muito para qualquer cidadão que se preocupe em ser minimamente consciente em relação ao mundo que o cerca. Ulixo também é administrador da conceituado perfil "Music Punk 1977", através do qual posta diversos vídeos e fotos relacionados à cultura Punk, em geral. Ele também já lançou com Fofão, o livro "Besthöven Discography Book", é ativo em protestos políticos e através de seus tantos feitos, divulga e apoia inúmeros bandas nacionais e internacionais. Nós conversamos com ele sobre diversos assuntos e você confere abaixo como foi esse papo. Ulixo é o tipo de pessoa que pode inspirar muita gente a abandonar o comodismo e começar a construir projetos autênticos. Eu diria que ele é um caso (um tanto raro) de indivíduo que compreende e pratica os verdadeiros e principais aspectos do Punk Rock: a capacidade crítica, a reflexão constante a liberdade de expressão e de pensamento, a tomada de atitudes e a reciprocidade. Nosso site se sente verdadeiramente honrado em homenagear essa figura lendária do Punk Rock do DF.


1. Ulisses, no início do mês de julho recebi duas edições dos zines que você produz. Poderia contar como é o processo de criação desse material? Há fins lucrativos envolvidos?

O processo de criação começa com as bandas, mando o convite e depois da  aprovação das bandas, daí, na sequência eu monto a página referente a cada assunto. Há colaboração de textos e quando me pedem eu faço a ilustração para esses conteúdos, sempre com autorização de quem mandou. Não há fins lucrativos, apenas divulgo e imprimo 50 zines para distribuição.

2. Desde quando você produz os zines e qual é a importância social e cultural dessas revistas?


Comecei a me envolver com o Punk no final de 1983 e em 1985, na minha adolescência, aos 14 anos,  eu fazia esse mesmo zine. Na época era muito difícil de produzir, pois dependia de todo mundo para tudo (inclusive para tirar xerox). Acho que hoje a informação está mais acessível, porém, temos que somar para a galera abrir os olhos.

3. De que maneira você acha que o D.I.Y pode ser positivo na vida de uma pessoa?

De todos as maneiras, desde trocar um chuveiro de casa até não depender de ninguém para realizar seus sonhos e hobbies.
  
4. As edições que recebi carregam uma tonalidade bem crítica em relação ao contexto político que nos rodeia. Na sua opinião, porque certos babacas como Bolsonaro, Trump e Boris Johnson tem sido eleitos? O que a população enxerga nesses genocidas?

Eu nunca votei e acho que o voto não é válido no Brasil, pois sempre são as mesmas pessoas que estão envolvidas e quem entra de diferente, não faz nada. Está tudo errado na política e se ela não fosse um cabide de emprego, esses caras não  estariam lá. As pessoas não estão procurando alguém para realmente mudar o mundo político e sempre querem arriscar para achar um herói, como esses aí e alguns outros que são perigosos para o mundo. O Bolsonaro é um risco para ele mesmo, pois o cara nunca respeitou ninguém, quiseram ele e o preço esta aí, já o Trump é um Bolsonaro nível TOP com pensamentos mesquinhos e conseguiu também chegar lá através do povo que queria mudança. O Boris se faz de retardado, mas é manipulador pra caramba...

(...) não se acomode, lute!
 
5. De que maneira, no dia-a-dia, podemos colaborar para a construção de uma sociedade mais sábia e justa?
Isso começa dentro de casa, com a educação primária e se cada um fizer a sua parte, a sociedade seria sim um pouco mais justa. O povo não sabe o poder que tem e não sabe que é a maioria.


 
6. Você administra uma das páginas brasileiras mais qualificadas sobre o Punk Rock. Poderia nos contar como surgiu o perfil "Music Punk 1977"?

Sempre ouvia meus discos, gravava vídeos  para uns amigos e mandava pelo “Whatsapp". Alguns desses amigos me falavam para abrir uma conta no Instagram e colocar os vídeos lá e eu sempre relutava. Porém, decidi abrir essa conta há um ano atrás para colocar somente os meus discos, e depois fui colocando ideias, desenhos e voltei a fazer meu zine esse ano e sempre o divulgo por lá também.

7. Gostaria que você comentasse sobre a importância do ano de 1977 para o Punk Rock…

O ano de 1977 foi um marco para o Punk, pois nesse período surgiu muita banda boa e o movimento estourou no mundo… não é o começo de tudo, mas foi o ano que ficou eternizado como o começo do Punk,

8. Você deve ter muito vinil, hein? Desde quando coleciona os bolachões?

Ganhei meu primeiro disco Punk no fim de 1983 de um amigo, foi a primeira edição do "Never Mind The Bollocks", dos Sex Pistols. Era uma edição nacional que saiu aqui em 1978. Não tenho muitos discos… acho que tenho por volta de 350.

9. Infelizmente o vinil vem perdendo espaço na indústria fonográfica, embora, é claro, ainda tenha muitos colecionadores ao redor do mundo. Como você avalia que será esse cenário entre formato digital e físico nos próximos anos?

Isso acontece aqui no Brasil, mas lá fora tudo sai em vinil. Aqui a música foi banalizada e também ficou caro lançar material nesse formato. Poucas pessoas dão força para as bandas… não precisa ser um consumista, mas pague o seu ingresso dos shows, compre uma camiseta, um botton ou simplesmente divulgue o trabalho das bandas.

(...) esses caras não fazem e nunca vão fazer nada pelo povo. 

10. Sua página parece ter um público de fora do Brasil. Como é a recepção em relação às suas postagens? Vejo que você recebe muitos elogios.

Na real, o meu público mais fiel é o de fora, dou atenção a todos daqui ou de fora, falo sobre os discos e sobre as bandas, acho legal a galera se informar e curtir essa cultura.
 
11. Um aspecto importante do anarquismo e do próprio Punk Rock é a reciprocidade, o mutualismo. Isso ainda se faz presente hoje em dia na cultura Punk?

Sem dúvida. E sempre vai fazer parte, somos poucos e somente nos unindo é que conseguiremos fazer a diferença.
Ulixo protestando em Brasília (2020).

12. Frequentemente vemos a inscrição "Punk Is Not Dead". Você concorda? Acha que o Punk continua vivo?


Muito vivo, nunca morreu e se renova sempre… não se acomode, lute!




13. Acima eu fiz uma pergunta sobe política. O Punk Rock, de certa forma, sempre se relacionou com esse assunto, né? Poderia comentar um pouco sobre esse assunto?

Eu vivo a política aqui em Brasília... nunca mudou nada e nunca irá mudar. Minhas filhas me perguntaram em quem eu votaria nas últimas eleições, eu disse que nunca votei e nunca irei votar, pois esses caras não fazem e nunca vão fazer nada pelo povo, só possuem interesses próprios.

14. Que dicas você pode dar para uma pessoa que deseja fazer fanzines?

Comece hoje, escreva sobre o que quiser e como quiser, não precisa ter muitas páginas e nem regras, não precisa ser lindo. O zine é um informativo que funciona de forma rápida, tendo textos curtos e diretos. Pode ser feito no computador, ou à mão, simplesmente com um papel com uma caneta… Faça-se zine!

15. Por fim, a pergunta que não quer calar: The Clash, Sex Pistols ou Ramones?

 
Sex Pistols pra mim e para muita gente o começo de tudo, The Clash o começo da parte política e segregada do Punk e Ramones apenas diversão não dizem muitas coisas nas músicas, exceto sentimentos que também são válidos. Eu gosto de todas essas bandas, mas o Punk é muito mais que apenas eles.

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