Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

sábado, 29 de maio de 2021

CONHEÇA O PRIMEIRO EP DA BANDA MADREPEROLA

Por: Juliana Vannucchi

A banda Madreperola, que conta com Sidan Rogozinski, compositor, vocalista e multi-instrumentista; Fabi Bellentani, vocalista, mixagem e composição; e Rafael Santos, responsável pela guitarra e pelo violão, finalmente abriu-se ao mundo com o lançamento de seu EP de estreia intitulado “Prefácio”, que conta com um total de quatro faixas originais e um cover da música “Call Me”, do Blondie. Além dos três membros originais da Madreperola, o debut também contou com a participação do icônico grupo de Rap sorocabno “X da Questão”, composto por Carlo Rappaz, Don Berto, Messias e DJ R. Jay. Outro grande nome que fez uma ponta no EP foi Kuky Sanchez, baixista da banda Pedra Letícia, que toca na faixa “Tirei a TV da Sala”.

O principal elemento que encontramos presente em todo o percurso do “Prefácio”, que cria a sua identidade e assegura sua elegância musical, é o experimentalismo, que a todo instante conduz o ouvinte a rumos sonoros surpreendentes, pois em alguns momentos, quando parece que sabemos o caminho que as faixas seguirão, ocorre uma criativa ruptura instrumental ou melódica. Esse aspecto é definitivamente o ponto mais forte do EP e é construído com maestria pelo talentoso trio que, apesar de ter sido formado tão recentemente, demonstra ter uma enorme harmonia. Além disso, outro ponto digno de menção são as letras que, em partes, consistem em lampejos sentimentais e, por vezes, tornam-se engajadas, esbarrando em problemas de cunho urbano e social. 


Em sua totalidade, o EP soa de maneira singular por sua criatividade inventiva

 A criação do “Prefácio” possui em seu núcleo ideologia “DIY” e, a esse respeito, Sidan comenta: “É um EP sincero, feito apenas com o que a gente tem. Tirando a masterização, todo o processo foi feito por nós mesmos. Inclusive o clipe! Então, o resultado é autêntico e nos representa totalmente. DIY até a medula”. O músico também nos contou a respeito da inspiração para o título e para capa do EP: “Prefácio é bonito e dá ideia de continuidade, de que é apenas um começo. E é exatamente isso que queremos, continuar fazendo música. A capa é uma foto do artista aluminense Adriano Ávila, que faz um trabalho incrível. E o design foi do talentosíssimo Paulo Bova, de Indaiatuba, que também desenvolveu nosso logo”.

Em sua totalidade, o EP soa de maneira singular por sua criatividade inventiva que o torna brilhante e original. Abaixo, você confere uma análise de todas as faixas do álbum.

Mira:

A música de abertura chama-se “Mira”. Até certo ponto, a atmosfera dessa faixa parece surgir de uma mistura ousada de Pós-punk e Indie. Contudo, em certo momento ocorre uma ruptura desse clima e, então, o ouvinte se depara com a participação de dois rappers. Destaque para as excelentes linhas de guitarra que garantem um ritmo incrível à canção.

Quatro:

A sutileza da segunda música, em essência, contrasta com a faixa inaugural do EP. O duo vocal encanta o ouvinte com a harmonia doce de suas vozes que, aqui, insere, na medida, uma dose de melancolia no álbum.

Tirei a TV da Sala:

A música possui uma estrutura diferente das duas primeiras faixas. Percebemos uma guitarra bem acentuada e tocada com maestria que praticamente se torna o guia condutor dos vocalistas que, novamente, fazem um dueto fascinante com suas vozes celestiais.

Espirais:

Até um determinado trecho, a faixa se modifica e retoma a atmosfera mais sutil da segunda música. Porém, em certa parte, ela trilha um caminho um pouco diferente e  remete às bandas clássicas do Krautrock, que se aventuravam em suas inventividades, fazendo de suas produções um verdadeiro laboratório musical!

Acompanhe a banda nas redes sociais:

Facebook:

https://www.facebook.com/madreperolamusica/?hc_ref=ARR5p0sHoOMDbPA7kRHBQgpJWWkT0GxvwEVKVe0R7xViBQSdoDGuRZENS6DpphQxMRE&fref=nf&__tn__=kC-R


Instagram:

@madreperolamusica

Escute o EP nas plataformas digitais:

https://album.link/msvdmp3d3vbvz



segunda-feira, 24 de maio de 2021

A ICÔNICA LORA LOGIC E SUA COLABORAÇÃO CRIATIVA AO PUNK ROCK

 Por: Juliana Vannucchi

A saxofonista, cantora e compositora britânica Lora Logic ficou em evidência durante os anos setenta, no período de eclosão punk inglês. Sua notoriedade se deu principalmente pela passagem que teve na prestigiada banda X-Ray Spex, na qual permaneceu por pouco tempo, até deixar o grupo devido a algumas desavenças com a vocalista Poly Styrene que, aparentemente, se incomodou com tantos holofotes voltados para Logic. Essa foi certamente uma das rupturas mais decepcionantes do cenário punk da época, pois a dupla era simplesmente fantástica nos palcos e suas apresentações criativas deixavam a plateia fascinada. A conceituada e talentosa baixista Gina Birch, da banda The Raincoats, prestou um breve depoimento para um livro biográfico sobre Poly, lançando em 2021, no qual mostrou seu apreço pelo dinamismo sem paralelos de Lora e Poly nos palcos: “Quando a Lora tocava com ela era incrível. É triste que ela não tenha permanecido”. Birch, nesse mesmo texto, também disse estar ciente da pressão existente quando garotas se unem para formar uma banda, aspecto que, segundo ela, provavelmente pesou de alguma maneira par que Logic deixasse o grupo.

Apesar de ter saído da banda de uma forma tão precoce, sua colaboração musical foi legada no lendário disco “Germfree Adolescents”, que utilizou arranjos criados pela saxofonista. De qualquer forma, mesmo distante do X-Ray Spex, a carreira musical de Lora Logic foi frutífera, seguiu em alta e, ao longo do tempo, além de ter dado vida a um elogiável projeto musical autoral chamado “Essential Logic”, a saxofonista também gravou e contribuiu com grandes bandas como The Stranglers, com a própria The Raincoats e também com Boy George.

 

Lora Logic foi uma das mulheres mais criativas da era punk

Lora foi uma das responsáveis por oferecer novos ares ao universo punk, pois ao inserir o saxofone nas músicas da banda X-Ray Spex, desviou esse gênero musical de seu caminho sonoro embrionário e tipicamente tradicional, garantindo-lhe uma aura inovadora e abrindo as portas para experimentos e possibilidades. Não á toa, Lora se tornou uma das mulheres mais icônicas do punk rock britânico. Felizmente, parece a saxofonista está ativa e trabalhando em material novo. Aguardaremos ansiosamente pelas novidades!


O ELETRO-PUNK REVOLUCIONÁRIO DO SUICIDE

  Por: Juliana Vannucchi

O Suicide surgiu em meio ao agito da proeminente cena nova-iorquina dos anos setenta e logo se destacou nesse meio por sua incrível singularidade musical. A banda se tornou um dos maiores nomes do Protopunk e, consequentemente, foi fundamental para a solidificação do Punk Rock, uma vez que inspirou algumas das maiores lendas desse gênero musical. Suas músicas sombrias, arquitetadas a partir de atmosferas claustrofóbicas e de brilhantes minimalismos eletrônicos continuam sendo uma grande inspiração e ainda cativam muitas pessoas. O duo obteve sucesso e reconhecimento, especialmente devido à inventividade engenhosa com que utilizavam seus aparatos eletrônicos e pelos efeitos criados em seus sintetizadores, cuja sonoridade incomum casava perfeitamente com a voz única e sublime de Vega. O Suicide esteve presente na eclosão do Protopunk e do Punk, mas não pertence exatamente a nenhum desses dois universos. Suas músicas se rebelaram contra qualquer paradigma e, por isso, podem ser justamente caracterizadas como uma verdadeira vanguarda.

 

O Suicide em ação

 

UM SANDUÍCHE PARA O DUO E UM MARTELO NA CABEÇA DE VEGA...

A história do Suicide começou em 1971 quando Alan Vega, nascido no Brooklyn,  envolveu-se com esculturas e experimentos eletrônicos que o levaram a participar do Project of Living Artists, uma oficina localizada no centro de Nova Iorque. Por acaso, nesse mesmo dia, o jovem Martin Rev entrou nesse mesmo lugar para escapar de uma  chuva torrencial. Esse estranho e ocasional encontro que a Fortuna articulou foi responsável pelo surgimento de um dos projetos musicais mais singulares e inovadores de todos os tempos. Há uma certa lenda em torno da banda, segundo a qual Vega era apaixonado pelo HQ “Ghost Rider” e uma das edições desse comic book chamava-se justamente “Suicide”, sendo essa, portanto, a fonte de inspiração para o nome do projeto musical da dupla. Mas muitos contestam essa história. Enfim, independentemente da origem do nome, o fato é que após o primeiro encontro, o duo logo começou a se apresentar em galerias locais.

Mas quando Vega e Rev começaram a fazer música, eles estavam vivendo uma situação financeira extremamente apertada. Chegaram a passar fome nesse período e houve ocasiões em que passaram o dia à base de um único sanduíche para os dois. Devido a essa circunstância, eram incapazes de comprar os instrumentos que queriam e dos quais precisavam para colocar suas ideias em prática. Dessa forma, começaram a fazer suas músicas no único instrumento que estava disponível naquele momento: um teclado Wurlitzer de 10 dólares de Rev. A esse respeito, Vega comentou numa entrevista concedida ao The Guardian: “Por muito tempo, não tínhamos músicas como tais, então, Marty chutava repetidamente seu teclado e eu batia no suporte do microfone com uma garrafa quebrada ou fazia uns ruídos horríveis saírem de uma trombeta. Então passei a gritar e, eventualmente, isso me levou a escrever letras de verdade”.

Os geniais Rev e Vega

Durante muitos anos, os shows do Suicide foram repletos de selvageria. Intervenção política e uso de gás lacrimogêneo eram coisas corriqueiras, assim como era comum que o público arremessasse objetos na dupla, tais como moedas, sapatos, cinzeiros e copos de cerveja. Mas houve episódios mais sérios, em que jogaram um machado na direção do vocalista, assim como certa vez arremessaram uma chave inglesa. Rev, a respeito dessa habitual brutalidade presente nos shows, certa vez, brincou: “A única reação que não tivemos foi ser atacado por lobos. Mas isso é só porque você não tinha permissão para levar lobos para clubes”. Por sua vez, sobre esse ameaçador caos sempre presente nos shows, Vega contou: “Comecei a carregar uma corrente de bicicleta no palco, pensando, se você não consegue vencê-los, junte-se a eles. Se a violência ficasse muito feia, o que eu poderia fazer era quebrar uma garrafa e começar a cortar o meu rosto. Isso pareceu ter um efeito calmante na multidão. Eu acho que eles raciocinaram que eu estava tão doido que nada que eles fizessem poderia me incomodar. Eu descobri uma maneira de tirar muito sangue, mas sem ficar com cicatrizes pelo resto da vida. Eu era uma bela arte. Outra coisa que fiz foi trancar as portas de saída para que ninguém pudesse escapar!”. 

Estranhamente, no entanto, houve um período em que a atitude do público simplesmente mudou: a plateia começou a dançar embalada pelo peculiar e hipnótico som do Suicide. Rev, ironicamente disse que quando percebeu isso, pensou: “Estamos acabados. Nossa carreira terminou”.

O MÍTICO ÁLBUM DE ESTREIA:

A postura do público se alterou e a banda passou a ter condições de incrementar suas composições e amadurecer suas músicas, pois em 1975, o duo finalmente adquiriu um outro instrumento. Rev investiu uma quantia de dinheiro numa caixa de ritmos dos anos 50. Dois anos mais tarde, assinaram com um discreto selo francês chamado Red Star. O primeiro álbum, chamado “Suicide”, gravado em apenas quatro dias, foi lançado em 1977, o ano mais lendário da história do Punk Rock. O célebre Craig Leon, que já trabalhou com grupos como Blondie e Ramones, foi um dos produtores do debut. De maneira geral, o álbum não foi bem visto nos EUA, mas recebeu inúmeras críticas positivas no território europeu. 

O faixa de maior notoriedade do álbum é a assustadora “Frankie Teartrop”, cuja letra narra a bizarra história de um trabalhador que, certa vez, surta e assassina sua família e depois tira a própria vida. Há um pano de fundo político por trás dessa história: a vida operária de Frankie o pressionou e ele se sentiu impotente para cuidar dignamente da família. A desgastante rotina fabril o devastou física e mentalmente e ele foi mandado embora. No final da letra, há uma possível alfinetada ao sistema:

Todos nós somos Frankies!
Todos nós estamos mentindo no inferno!

Rev afirmou que "Frankie Teardrop", "Johnny" e "Cheree" são músicas sobre pessoas que vivem nas ruas. E, especialmente falando sobre "Frankie", o músico já revelou que a letra foi baseada num caso real sobre o qual ele leu num jornal. 

“Frankie Teardrop” fascinou artistas como Lydia Lunch, Bruce Springsteen e Lou Reed que, inclusive, chegou a declarar que gostaria de ter sido o autor da letra. Além dessa música, todas as outras são igualmente qualificadas. É um álbum absolutamente magnífico. 

DISCOGRAFIA E MÚSICAS PÓSTUMAS: 

A banda se separou em 1980, após ter lançado dois excelentes álbuns de estúdio. Oito anos mais tarde, a dupla se reuniu novamente para a produção do terceiro disco, intitulado “A Way of Life”. Nessa tríade que compõe a fase oitentista, encontramos os melhores trabalhos do Suicide. Em 1992, deram à luz o “Why Be Blues” e, posteriormente, no começou dos anos dois mil, o “American Supreme”, com o qual encerraram suas produções originais. Ao longo de todas essas décadas de atividade, os dois músicos também tiveram carreiras solos bem sucedidas, sendo que Vega chegou, inclusive, a gravar com Andrew Eldrich, do Sisters Of Mercy. Alan Vega faleceu dormindo, em 2016, aos 78 anos de idade. Seu falecimento foi oficialmente comunicado ao público por Henry Rollins. 

Em 2021, o perfil oficial de Alan Vega no Instagram deixou os fãs da banda atônitos e empolgados ao anunciar o lançamento de um álbum perdido da banda que foi resgatado pela viúva do falecido vocalista. As faixas póstumas originais podem ser ouvidas através do perfil da gravadora “Sacred Bones”.

Referências:

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2008/aug/01/popandrock.suicide

https://www.allmusic.com/artist/alan-vega-mn0000932078/biography

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2017/jul/18/suicide-23-minutes-over-brussels-alan-vega-martin-rev-punk-riot-1978

https://web.archive.org/web/20110104193113/http://www.zerecords.com/2010/artists_biography.php?id=29

https://en.wikipedia.org/wiki/Suicide_(1977_album)

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2015/jul/10/suicide-review-veteran-electro-punks-barbican-centre-london

https://www.rollingstone.com/music/music-news/the-story-of-suicides-frankie-teardrop-the-most-terrifying-song-ever-96731/


segunda-feira, 17 de maio de 2021

O THE JESUS AND MARY CHAIN É UMA BANDA INEXPLICÁVEL

Por: Camilo Alves Nascimento

O “inexplicável” do título desse artigo não é de forma alguma uma alegoria dramática. The Jesus and Mary Chain é um daqueles casos da história da música, e principalmente do Rock, em que estavam presentes todas as combinações possíveis para que a banda não desse certo. JAMC é uma banda difícil de se acreditar que existe, as histórias que a cercam, as brigas, a inconstância e o tamanho da influência e respeito que eles conseguiram parecem ser imaginários.

Brigas entre os membros, brigas com os fãs, drogas, álcool, instabilidades emocionais, “banda fundadora do shoegaze”, “a mais influente banda de garagem”, uma banda que ganhou um verbete próprio na Enciclopédia Britânica (considerada até hoje uma das maiores compilações do conhecimento humano), a verdadeira banda indie, “pais do Noise Rock"... o que dizer do Jesus and Mary Chain? 

A banda é originária da Escócia, da cidade de East Kilbride, e surgiu de uma parceria entre os irmãos Jim e William Reid. A ideia de montar uma banda acompanhava os irmãos desde 1977, influenciados pela cena punk inglesa de meados da década de 70, mas somente em 1983 eles formaram o que seria o embrião do JAMC.


A banda em seus primórdios

Após gravarem algumas demos ainda em 1983, em 1984 eles recrutaram o baixista Douglas Hart e o baterista Murray Dalglish, completando o que seria a primeira formação do JAMC. Segundo William: "Era o momento perfeito para montar uma banda, porque não havia nenhuma banda com guitarra. Todo mundo estava fazendo música pop eletrônica”, claramente uma provocação às bandas New Wave e Pós-Punk do começo da década de 80. A cena punk pegou o mundo de surpresa na década de 70, porém no começo dos anos 80 o estilo tinha perdido um pouco da força, muito em virtude das próprias bandas que queriam experimentar novas sonoridades, da saturação do mercado pelas gravadoras e do surgimento de novos efeitos e recursos de estúdio.

A entrada de Hart e do Dalgish acaoua trazendo a influência de bandas como The Velvet Underground, The Stooges, The Shangri-Las e, claro, Ramones (uma referência para todos eles), que, segundo William, foi o motivo pelo qual começaram a usar efeitos e distorções em suas músicas: “Nós queríamos gravar álbuns que soassem diferentes”.

Essas influências, que abrangem desde o som calmo e ensolarado dos Beach Boys às melodias dos Beatles, passando pelo experimentalismo do jazz psicodélico do Velvet Underground e a energia do punk rock, fizeram com que o JAMC criasse uma sonoridade única, não se limitando apenas a reproduzir o que escutavam, mas criando algo novo, inserindo elementos nas músicas que deixavam claro que eles tinham personalidade e malícia suficientes para serem únicos. A banda nasceu com identidade própria, se apropriando dos melhores elementos das suas referências para imediatamente juntá-los a uma receita original de distorções, efeitos, letras e densidade, que são sua marca registrada até hoje. 


É importante ressaltar que o JAMC sempre foi uma banda à frente do seu tempo
 

Em 1984 eles conseguiram seu primeiro contrato com a Creation Records, lançando o single “"Upside Down", em novembro.  A banda ganhou certa visibilidade, muito pela fama dos seus shows, que na maioria das vezes acabava em pancadaria entre os membros da banda e seu público, com histórias de shows durando apenas 10 minutos, brigas motivadas pelos excessos de álcool dos irmãos Reid e suas insatisfações com o próprio som e com a reação do público.  No mesmo mês, novembro, o baterista Dalgish saiu da banda infeliz com a distribuição dos pagamentos que recebia. Enquanto isso, o single "Upside Down" liderava as vendas no Reino Unido, em fevereiro e março de 1985, permanecendo na liderança por 76 semanas e vendendo cerca de 35.000 cópias, sendo um dos singles independentes mais vendidos da década de 1980.

Esse sucesso permitiu que eles gravassem, ainda em 1985, o álbum que mudaria todo o cenário do rock: “Psychocandy”. O lançamento foi recebido com várias críticas positivas, embaladas pela curiosidade que as notícias dos seus shows geravam e pela descrição de um som que unia melodias suaves de guitarra, com uma parede de som extremamente alta e efeitos de distorção e microfonia. Pra mim, até hoje esse é o álbum mais importante da banda e também o melhor de sua discografia. Está presente em todas as listas de melhores da história, álbuns mais influentes, álbuns importantes, álbuns favoritos de vários músicos do rock etc.

A mistura quase esquizofrênica de Psychocandy é pioneira. As melodias das guitarras, aliadas à força melancólica de distorções poéticas, em sintonia com a voz de Jim Reid, que traduz em suas letras a agonia, a fúria da juventude, a insatisfação, o caos do cotidiano e a melancolia inerente da vida, criam um caldeirão musical estranho e confuso no primeiro momento, mas que em pouco tempo hipnotiza, por conseguir transcrever essas sensações e sentimentos pouco explorados, mas que são partes da existência.

Depois desse sucesso inicial, a banda passou por várias formações, problemas com a fama, brigas entre os irmãos, mudança de sonoridade e muitos álbuns considerados inconstantes. Os problemas se intensificaram ao ponto da vida do JAMC se tornar insustentável, especialmente devido às brigas entre Jim e William Reid, que haviam se agravado nos últimos anos, até que, em 1999, eles anunciaram o fim da banda.

Em 2007, novamente se reuniram, desta vez para para um show no festival Coachella, e desde então vêm trabalhando em alguns álbuns esporádicos e turnês, porém, com a diferença que estão sóbrios e se declaram felizes com a banda e com o que construíram.

 

JAMC é uma banda que não se explica, que não cabe em rótulos
 

Mas é importante ressaltar que o JAMC, apesar dos problemas, sempre foi uma banda à frente do seu tempo, experimentando novos estilos, novas formas de compor, novas sonoridades e tendo álbuns excelentes, que vão desde um “folk escocês” em “Stoned & Dethroned”, quinto álbum de 1992, até álbuns que atualizam a sua sonoridade clássica, como o “Automatic”, de 1989. A banda também faz parte da cultura pop, estando presente em várias trilhas sonoras de filmes.

Talvez o grande trunfo da banda tenha sido conseguir retratar a melancolia como ela é, não calma e contemplativa, mas barulhenta, dolorosa e, por vezes, angustiante.

JAMC é uma banda que não se explica, que não cabe em rótulos, sua música é literalmente uma mistura de efeitos, sentimentos e sons que nos remetem a tudo e ao nada ao mesmo tempo. Uma banda que não é e nem tem intenção de ser comercial, uma banda que mostrou ser possível algo novo, que brigava com seu público e entre si, uma banda que teve tudo para terminar em tragédia e passar despercebida pelo resto da vida.

O JAMC é inexplicável... e talvez por isso todas as bandas que vieram depois apenas concordam e respeitam. É uma daquelas bandas de que você pode não gostar, mas da qual nunca poderá falar mal.

A discografia oficial conta com 13 álbuns, sendo o último de 2017, "The Damage and Joy", que foi muito bem recebido pela crítica, levando a banda a tocar em grandes festivais pelo mundo, muitas vezes como headline.

JAMC é mitologia. É um caso de família.


quarta-feira, 5 de maio de 2021

BANDAS DE MANCHERSTER QUE SE TORNARAM MUNDIALMENTE CONHECIDAS

 Por: Juliana Vannucchi

A Inglaterra é um país no qual surgiram alguns dos maiores expoentes de toda a história do Rock And Roll, tal como os lendários The Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin, Sex Pistols e inúmeras outras bandas. Em meio a todo esse cenário, a cidade de Manchester, localizada no noroeste da Inglaterra, foi um ambiente muito especial, no qual nasceram artistas de grande importância que alcançaram sucesso mundial e que lançaram materiais atemporais e inesquecíveis. Nossa lista irá apresentar cinco bandas dessa cidade que se tornaram mundialmente conhecida, mas lembre-se: existem várias outras além dessas, e vale a pena aprofundar a pesquisa.


Joy Division

É difícil escutar o Joy Division sem se apaixonar perdidamente pela poesia sonora de suas músicas. Certamente, essa banda configura entre as mais criativas e marcantes de todo o mundo! A singularidade sombria do vocalista Ian Curtis foi impactante e guiou os outros integrantes para caminhos sublimes e diferenciados, que rompiam com as produções musicais tradicionais da época em que surgiram (início dos anos 70). Bastaram dois álbuns de estúdio para que o sucesso explodisse e para que eles se eternizassem! Porém, a trajetória do Joy Division foi curta, e foi selada com o trágico falecimento do vocalista, que tirou a própria vida em 1980. Mas os fins também são começos e, após o período de luto pela morte do músico, o New Order começou a dar seus primeiros passos...

Magazine 

Que prazer imensurável escrever sobre o Magazine! Particularmente os vejo como o maior destaque dentre todas as preciosas bandas nascidas em Manchester e vou justificar meu posicionamento: o Magazine fez um tipo de música esquisita e que os rendeu certo reconhecimento na cena Punk e Pós Punk. Essa “esquisitice sonora” foi a assinatura da banda, sua fórmula mágica e seu grande diferencial, pois eles não produziram algo que se enquadrasse, necessariamente, no Punk, no Pós-Punk, no Dark ou sei lá em quê! O resultado disso é a maravilhosa dificuldade que surge quando tentamos classificá-los, pois eles escapam de qualquer tipo de categorização – soam como um pouco de tudo e muito de nada, entende?

É demasiadamente prazeroso embarcar nessa engenhosidade mística da banda e se perder no timbre assustador e deslumbrante da voz divina de Howard Devoto, que nunca sabemos para onde irá nos conduzir! Embora o Magazine não seja absurdamente popular aqui no Brasil (provavelmente os menos famosos dessa lista), gravaram uma faixa que é bem conhecida, chamada “Shot By Both Side”, que conta com uma guitarra desconcertante tocada pelo gênio John McGeoch.

Oasis

Chegamos aos queridinhos mais doces e enjoativos da Inglaterra!! Ao lado do The Smiths, acredito que, de maneira geral, seja o grupo mais bem sucedido dentre todos os que nasceram em Manchester. 

Embora já tivesse algum tempo de estrada, foi no ano de 1994 que a banda arrebentou e, a partir de então, rapidamente se firmou no cenário musical. Atualmente, possuem uma leva de fãs no mundo inteiro e são os donos de algumas das baladinhas mais famosas, fofas, meigas e chatas que o mundo já conheceu e que virou, mexeu, colam na cabeça, como, por exemplo “Wonderwall” e “Stand By Me”.

 

O Oasis despontou em 1991 e logo conquistou o mundo com seus melodramas

 
A carreira musical do Oasis foi extremamente bem sucedida


The Smiths
 

O The Smiths foi formado em Manchester no ano de 1982, e é um dos grupos mais brilhantes que já existiu. Morrissey, embora seja um grande babaca, sempre foi o principal símbolo da banda e, com certeza, foi um dos artistas mais criativos do mundo da música. O timbre de sua voz possui uma sutileza tocante e envolvente, que se complementa ideal e harmoniosamente com as refinadas notas de guitarra tocadas pelo talentoso Johnny Marr, que é, assim como o vocalista, um mito à parte e pode ser considerado o grande maestro do The Smiths.

O período de atividade da banda foi curto, durando apenas cinco anos, ao longo do qual foram lançados quatro álbuns. Porém, esse tempo foi o suficiente para que se eternizassem. O The Smiths a é especial e tem uma estética empolgante, única e inalcançável. Muitos corações seguem dançando e se emocionando no embalo das melancólicas músicas da banda.


The Stone Roses 

E foi também na gloriosa e fértil cidade de Manchester que uma das mais influentes bandas do Rock And Roll começou sua jornada. Trata-se do The Stone Roses, um dos maiores clássicos do gênero Indie.

Eles gravaram somente dois álbuns de estúdio, mas essas produções já foram suficientes para que se imortalizassem e cravassem sua marca na história do Rock alternativo. Suas músicas, em geral, provocam um clima onírico que é preenchido com longas e glamourosas distorções de guitarra!

Texto anteriormente publicado em: https://www.audiograma.com.br/2018/02/dica5-bandas-de-manchester-que-se-tornaram-mundialmente-conhecidas/



TwitterFacebookRSS FeedEmail