Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

FUTEBOL, ROCK AND ROLL E POP ART: CONHEÇA O UNIVERSO DO ILUSTRADOR THIAGO ROCHA:

 Por Juliana Vannucchi

O artista da vez é Thiago Rocha, que reside na cidade de Santo André e trabalha como Designer Gráfico e professor de Educação Física. Além dessas duas áreas profissionais nas quais atua, uma outra atividade da qual Rocha se ocupa constantemente, é o desenho. E nosso artista, munido de seu lápis grafite e de sua incrível habilidade estilística, faz ilustrações simplesmente fascinantes. Seu capricho técnico se articula em suas ideias criativas e os variados resultados dessa combinação, prendem a atenção de qualquer pessoa, que facilmente se perde em admiração diante dos seus encantadores desenhos... 

A maior parte das ilustrações feitas por Rocha, retrata músicos, atores e personagens do universo cinematográfico e lendas pertencentes ao futebol. Aliás, é válido citar que Thiago faz parte do Fifa Fan Moviment, um grupo seleto criado pela  própria FIFA que visa aproximar os fãs do esporte. O Fanzine Brasil bateu um papo  com esse camisa dez, e você confere abaixo esse golaço que nós marcamos! 


1. Thiago, eu te conheci através do perfil “Arte Palestrina”, no qual você faz um trabalho gráfico impressionante. Me parece que suas produções tem uma atmosfera um pouco vintage mesclada com uma estética de HQ. Essa minha leitura faz sentido? E como surgiu a ideia de criar a página? 

Eu me considero um pouco retrô. Gosto de coisas estilo vintage e você tem razão quanto ao universo dos quadrinhos. Eu desenho desde muito novo, tenho registro guardado de desenho feito com 9 anos de idade. Na verdade eu comprava gibis para copiar os personagens, não era nem para ler, mas eu ampliava as figuras no sulfite, tudo na base do olhar. Não colocava a folha por cima. O desafio era reproduzir a mesma imagem só que de forma maior. E assim fui aprimorando. Muito do que faço se deve bastante aos quadrinhos, mas procuro algo com a cultura da Pop Art também. A ideia de criar a página foi devido a uma demanda. Eu tinha um perfil onde postava de tudo um pouco, mas começou a ficar saturado com muita coisa do Palmeiras. Então resolvi criar mais um outro perfil para publicar somente coisas direcionadas aos torcedores. Tem dado certo.

2. Quanto tempo você costuma levar para fazer desenhos como aquele do Iggy Pop e do Jim Morrison? Ficaram perfeitos... 

Depende muito de cada imagem que busco. O do Jim Morrison foi um dos primeiros, foi mais demorado porque eu estava procurando uma técnica para trabalhar com o realismo. Então tive bastante dificuldade para tentar chegar o mais próximo possível do real. Do Iggy Pop é mais novo, porém, é mais detalhado porque ali eu já tinha a técnica adquirida, então já procurava algo mais complexo para fazer. Na média, um desenho pode levar de 2 a 5 dias, depende do grau de detalhes. Alguns tem até os poros da pessoa, marcas de expressão, barba por fazer, o brilho nos olhos e até reflexos. Eu procuro sempre o mais difícil para fazer.

 

Iggy Pop.
Thiago Rocha fez esse notável registro de um dos maiores gênios do Rock

3. Rock And Roll e futebol são uma bela combinação, e alguns das suas produções gráficas expressam isso. Você faz combinações criativas de bandas e ícones do esporte. Já vi referências ao Joy Division no seu perfil... O Peter Hook e o Bernard Summer torciam para o Manchester United, você sabia disso? E de onde surgiu essa ideia de unir o Unknown Pleasures ao Palmeiras?

Não sabia! Agora acabou me dando mais uma ideia para produzir. Isso que eu acho interessante. Poder juntar dois universos muito parecidos. A adrenalina de uma torcida de futebol é parecida com a de um público fã de uma banda. Aquela histeria. O Unknown Pleasures é referência.  A história por trás daquelas ondas que parecem mais montanhas é bem bacana. Eu já vi gatos sendo desenhados nelas. Então pensei em colocar um porco, mudei um pouco o título também. Mas não é só isso, gosto do Joy Division, assisti o filme Control também. O filme me fez criar curiosidade em conhecer melhor a banda e a história do Ian Curtis. Já transformei capas do Ramones, Raul Seixas, Clash, Pink Floyd, Elvis, Queen e tem vários outros que ainda vou encaixar em alguma temática.

 

Arte gráfica baseada na capa do icônico Unknown Pleasures


4. E aliás, qual seria a trilha sonora perfeita para a final do Paulistão de 2020? E também queria saber qual seria a trilha perfeita daquele doloroso 7x1... Desafios lançados!

Fiquei eufórico com a final e com o título. Foi difícil. Acho que para abaixar a frequência cardíaca ouviria um Johnny Cash. E para aquela partida melancólica dos 7 x 1, um Cazuza. Só pra deixar claro que não é porque cada um é a síntese de cada partida. Talvez algumas letras até tenham a ver com cada momento.


5. Essas artes relacionadas ao esporte são feitas à mão, ou diretamente no computador? Quanto tempo você costuma levar para produzi-las, considerando todo o processo de criação? 

No começo eu fazia tudo na mão, lápis e papel. Depois, devido a falta de tempo e demora para poder fazer, resolvi adentrar no digital. Hoje faço tudo no computador. Eu tinha um certo receio de deixar os lápis e partir para o digital porque poderia perder minha identidade. Mas não, acabei encontrando mais outra. O processo de criação não é tão complicado. Basicamente vou atrás de referências vindas da música, artes, cultura e claro, futebol. Depois de encontrar uma referência ideal para o que pretendo fazer, e isso pode ser um atleta, um fato, um momento do jogo, a história do clube, vou para o processo de criação. Mas isso depende muito. Se for uma ilustração, levo cerca de 4 horas de acordo com a complexidade do trabalho. Agora, se for uma manipulação de imagem (quando pego uma imagem e modifico ela inserindo outros conteúdos, detalhes) aí é mais rápido, umas 2 horas. Mas o processo de criação dos dois é basicamente  mesmo.
 

"Infelizmente estamos sendo governados por alguém despreparado, e não foi falta de aviso".

 

6. Você já entregou desenhos para alguns jogadores, certo? Como eles reagiram?

Sim, entreguei para alguns. Tonhão, Edu Dracena, Fernando Prass, Willian, Jailson, todos do Palmeiras. Houve também para o Tiago, goleiro da seleção brasileira de futsal, o Arhtur Zanetti que é ginasta campeão olímpico. Por todos fui bem recebido e gostaram bastante. Mas tem um em especial que achei algo fantástico pela simplicidade e atenção que foi o César Sampaio. Ele ficou  assustado olhando os detalhes, perguntando como eu fazia. Deu uma atenção enorme. É bem gratificante quando isso acontece. E é melhor ainda dessa forma porque pelas redes sociais nem sempre é o atleta quem te responde, as vezes é um assessor que gerencia o perfil.

7. Achei interessante uma postagem sua em que você escreveu “design ativista”, e na qual usou a arte para manifestação de cunho social e político. Você acha que o engajamento artístico pode levar as pessoas à refletirem? Quando você divulga algo assim, quer que as pessoas pensem sobre o assunto ali apresentado, ou está apenas se expressando? E vale dizer: temos um presidente babaca que está desmoronando o país em todos os aspectos possíveis... gostei das suas críticas ao infeliz.

Eu não tenho uma posição política definida. Claro que procuro votar em quem acredito ser uma melhor opção. Então fico muito tranquilo na hora de criticar qualquer que seja o político porque não me prendo a ele. Não preciso defender que não nos defende. Ali foi apenas uma forma de me expressar. É muita negligência, desrespeito com a população e até com quem votou nele. As pessoas ficaram cegas com a política, sendo de esquerda, direita, centro, enfim. Infelizmente estamos sendo governados por alguém despreparado, e não foi falta de aviso. Hoje temos as redes sociais que ajudam a propagar informação para o bem ou para o mal, mas muita coisa sai do contexto. O artista ele tem uma ferramenta poderosa nas mãos e vejo muitos sabendo como usar.

 

Outro belíssimo desenhado de autoria de Thiago Rocha
 
 

8. Aliás, você acha que as autoridades políticas do nosso país valorizam a arte? Poderiam valorizar mais? Caso sim, de que maneira?

De forma alguma. Nesse governo tivemos três trocas de secretários da cultura. Isso já mostra que não estão preocupados. É só ver o que cada um falou de absurdos de forma pública sem ter a menor responsabilidade. Eu entendo que os recursos financeiros da pasta não sejam adequados, mas o problema está em quem utiliza eles. São pessoas despreparadas, que sentam na cadeira e não produzem, não criam, não tem ideia do que, como e onde fazer. E isso ocorre em diversas áreas. É difícil andar para frente com gente que não entende do assunto.

9. Você também se manifestou em relação ao movimento “Black Lives Matter”. Apesar de tantas pessoas terem se juntado a essa luta, o racismo ainda existe. Como podemos vencer o racismo? Quais são os caminhos para isso? 

Bom, sou educador físico, já trabalhei com crianças  e já vi muito o que eles trazem de bagagem de dentro de casa. Hoje quem é racista não vai deixar de ser. Está incorporado na cultura desse tipo de pessoa. Então eu vejo que a situação começa lá na infância. As crianças precisam saber o que é racismo, em todos os seus tipos. Uma criança tendo orientação, pode até ser um comunicador com os próprios amigos. Pode levar a palavra correta para o próximo. E isso tem que ocorrer em qualquer nível social, desde o mais rico até os mais pobres, que é quem mais sofre com isso. Mas o negro é forte. É persistente. Ele nunca irá se calar. E ninguém deve.

10. Poderia nos contar um pouco sobre o Fifa Fan Moviment?

Foi algo inusitado. Em 2018, antes da Copa, recebi uma mensagem no meu Instagram vindo do perfil oficial da FIFA. Achei estranho, suspeitei de hacker, mas fui adiante. Me passaram um contato de uma empresa de Londres e logo depois entraram em contato comigo para explicar o que seria. É um movimento de fãs do futebol de várias partes do mundo. Interagimos criando conteúdo para debater sobre o futebol e acabamos conhecendo a cultura do esporte em cada país. É algo divertido e prazeroso. Temos contato através das redes sociais e algumas histórias são postadas no site oficial da FIFA.


11. Como costuma ser a recepção do público em relação ao seu trabalho artístico divulgado no Instagram?

É bacana. O formato que é hoje, de misturar o futebol com música, arte, e cultura, se deve muito a interação e compreensão que o público teve. A gente não sabe exatamente com quem está se comunicando. Não sei se conhecem uma determinada capa de disco, um obra de arte e até um jogador antigo quando retrato ele. Mas eu acredito que acaba aguçando a curiosidade de muitos. As vezes surgem as dúvidas, mas quando explico o que se trata logo fazem a relação entre a imagem original e a que foi criada por mim. Recebo sugestões também. Mas o bacana é quando surgem compartilhamentos, elogios. Muito se deve a isso também. Quando o clube que você torce pede uma arte para você e publica no seu perfil oficial na semana de final contra o maior rival, é algo fantástico! E aconteceu comigo. Isso é combustível para continuar criando.

12. Como você define sua arte?

Um liquidificador de ideias. Hahaha. Não sei, o que você diria? Me ajuda nessa, hahaha.

13. De que maneira a arte pode ser positiva na vida de uma pessoa?

Acredito que a arte pode salvar vidas. E temos diversos exemplos de pessoas que saíram de situação de risco ou se livraram de problemas de saúde e hoje são bem sucedidas devido a arte. No meu caso é fuga da rotina, das preocupações, mesmo que por um instante. É uma zona de conforto. Quando eu estou na frente de um processo de criação acabo esquecendo do mundo. Quando termino volto para a realidade. Mas já com olhos para uma nova criação. Esse comprometimento com a arte acaba nos livrando de pensamentos ruins. 

Conheça outras ilustrações de Thiago Rocha e siga o artista nas redes sociais:

INSTAGRAM 

@thiagorocha.art

@artepalestrina


sábado, 12 de setembro de 2020

Zine Talk - Episódio 6 (She Is Dead)

 Por: Abel Marinho

Para mais um podcast semanal, dessa vez contamos com um podcast sobre uma das bandas mais sensacionais do underground nacional: She Is Dead! Contamos com a presença do talentoso vocalista Mau Carlakoski para nos contar sobre a trajetória do grupo, influências e planos para o futuro. 

Aproveitem o bate papo que conta com músicas do grupo, além de novidades sobre futuros projetos! Não vemos a hora de poder vê-los na estrada!


https://www.mixcloud.com/FanzineBrasil2020/zine-talk-apresenta-she-is-dead-epis%C3%B3dio-6-com-mau-carlakoski/



sexta-feira, 11 de setembro de 2020

UM PAPO COM STEVE CONTE, UM DOS MAIORES NOMES DA CENA MUSICAL NOVA-IORQUINA

Por Juliana Vannucchi / Abel Marinho / Diego Bagatin


O Fanzine Brasil teve o privilégio de bater um papo com o músico e produtor Steve Conte, que já tocou em bandas como The New York Dolls, com Paul Simon e com a compositora de músicas para TV e filmes japoneses Yoko Kanno. Nesta entrevista, conversamos sobre assuntos como suas influências, o valor da música atual e sobre seus sonhos como guitarrista. 



Steve Conte


1. Durante a sua infância, quais bandas ou músicas te influenciaram a começar a tocar guitarra e bateria? Teve algum álbum, música ou banda, em específico que definiu o seu caminho como músico?

Essa é fácil – “Revolver” dos Beatles! Eu era baterista na época, mas esse disco começou a zumbir na minha cabeça... e as melodias e as notas vieram logo em seguida. Então, tocar bateria já não era mais suficiente. Antes disso, o que eu ouvia era apenas o que tocava na rádio ou o que meus pais tocavam pela casa, como música clássica e jazz. A rádio AM era muito boa nos anos 60, então eu ouvi singles de bandas como The Who, Small Faces, Hollies, Sly & Family Stone, Rolling Stones e, claro, tudo dos Beatles.


2. Você já veio ao Brasil duas vezes. Como foram essas experiências no país? Você gosta de música brasileira?

Eu simplesmente AMO música brasileira! Especialmente os primórdios do samba e da bossanova. Gosto de Jobim, Gilberto, mas também algumas das coisas mais novas e avant garde, tipo Chico Science, Vinicius Cantuaria, Forro In The Dark, Bebel, Djavan, Milton, mas na verdade, quando eu era muito novo meus pais colocavam para tocar todas as coisas mais antigas, como Sérgio Mendes e discos brasileiros de 66.


3. Desde 2010, você está trabalhando com o Michael Monroe. Você já era fã do Hanoi Rocks durante os anos oitenta? E como se sente tocando ao lado de um dos maiores nomes do Glam?

Passei a gostar deles mais tarde, porém, antes de conseguir realizar um show com o Michael, eu não estava familiarizado com Hanoi. Na verdade, nunca tinha escutado uma única nota da música deles até eu começar a aprender suas canções para a primeira turnê que fizemos juntos. Então, tocar com o Michael é meio que tocar com outros cantores “rock stars” com os quais eu toquei ao longo o tempo. Com o Johansen foi a mesma situação - eu não era um fã dos Dolls e não conhecia muito bem o som deles antes de receber um telefonema para tocar com a banda. Na realidade, o único vocalista de quem posso dizer que era um verdadeiro fã antes de tocar com eles era o Willy DeVille, e também o Paul Simon, caso não estejamos falando apenas de “rock”.


4. Você já trabalhou com vários artistas renomados. Qual foi o maior desafio da sua carreira musical?

Foi o Paul Simon. Paul é um mestre e sabe muito. Quando eu trabalhei com ele, minha função era ser seu "cantor de dublê" nos ensaios, o que significa que sempre que ele não queria cantar ou não podia estar no ensaio por causa de uma entrevista ou etc, eu estava lá – me tornei o Paul. Tive que aprender, desde todas as músicas dele com Simon & Garfunkel (que eu conhecia desde a infância) até todas as suas músicas solo: “Rhythm Of The Saints”, “Graceland”, até seu álbum “Surprise” em 2010. Existem coisas complexas em suas produções musicais - principalmente na questão do tempo e do ritmo - e se alguém errase no ensaio, ouvia dele. Mas, felizmente, ele gostou dos meus talentos e, inclusive, me chamou algumas vezes no microfone na frente da banda para falar sobre o bom trabalho que eu estava fazendo.


5. Como você se juntou ao The New York Dolls? E qual é a melhor memória que você tem dos momentos que viveu com a banda? É um dos grupos mais fantásticos e icônicos do rock. Você deve ter tido uma experiência incrível!

Em 2004, o David Johansen recebeu um telefonema de Morrissey pedindo a ele para reunir os Dolls para um show no Royal Festival Hall, em Londres. Então, ele começou a ligar para guitarristas que ele respeitava em Nova York para pedir recomendações. Ele precisava de um guitarrista que pudesse ocupar o lugar de Johnny Thunders, o que significava que buscava um cara que fosse realmente “Rock 'n' Roll”, e fizesse isso de uma maneira certa. Todas as pessoas com as quais ele conversou, disseram a mesma coisa: "Ligue para o Conte”. Disseram a ele que eu era um músico bom, profissional, confiável e que tocava o mesmo modelo de guitarra do Thunders (no caso, uma Gibson). E também lembraram que sou italiano (como o Johnny) e também que tinha o mesmo cabelo e o nariz que ele!


6. Como você conheceu o David Johansen? Qual foi sua primeira impressão a respeito dele?

O Johansen me ligou e me contou o que estava acontecendo (o que eu já sabia porque um dos guitarristas a quem ele pediu uma recomendação, disse que deu meu nome para ele) e, então, nos encontramos para almoçar num restaurante na Broadway, em Nova York. Depois que conversamos e terminamos o almoço, ele me entregou um envelope com CDs e letras e disse: "Então, o que acha, você quer fazer isso?", e eu disse "CLARO QUE SIM!". Ele pareceu ser um cara muito inteligente, criativo e engraçado, e ele realmente era assim.


7. Nos últimos anos, os serviços de streaming se tornaram muito importantes para bandas independentes que sempre lutaram muito para promover seus trabalhos. Qual é a opinião sobre essa maneira de divulgar música? Você acha que as pessoas que cresceram escutando música através de objetos físicos (LPs, CDs, K7S...) continuam dando o mesmo valor quando escutam gravações de bandas novas que lançam materiais no formato virtual?

Não, eu não acho que as crianças de hoje têm o mesmo apreço pela música que as gerações anteriores tinham. Hoje é como se as coisas estivessem sempre lá, onipresentes, então não é algo especial. Eles não precisam esperar que sua música favorita toque no rádio e não precisam entrar na fila do lado de fora de uma loja de discos para comprar o novo álbum de um artista do qual gostem. A música se desvalorizou, as pessoas não sabem o que é gastar 5, 10 ou 20 dólares por um novo álbum. Eles baixam gratuitamente de sites piratas ou se juntam a serviços de streaming para ter acesso a quase todas as músicas do mundo pagando um preço único. A coisa boa é que a internet permitiu que todos tivessem vantagem, então agora a música de artistas independentes pode ser ouvida / tocada / comprada / vendida nos mesmos sites que os grandes músicos usam. Mas isso também é justamente o lado ruim da história, porque agora qualquer pessoa, independentemente do seu nível de talento, pode lançar um disco. Então isso não é mais tão especial. Antes tudo era como mágica, o que os músicos faziam. Era como se eles fossem deuses. The Beatles, Stones, Zeppelin... tanta mística ao redor deles e suas músicas mudaram o mundo. Não há muito disso acontecendo agora. São apenas muitos artistas pop soando iguais e apertando botões em computadores em vez de tocar seus próprios instrumentos. Os produtores estão fazendo a maior parte do trabalho e as músicas são escritas por um comitê de 5 a 10 pessoas, ao invés de serem feitas pelo próprio artista, com sua visão própria. Claro que existem alguns novos artistas fazendo coisas criativas, mas esse tipo de mentalidade pop sempre existiu com os artistas de um sucesso só nos anos 60/70/80, porém, no que diz respeito ao rock e música com guitarras, não é mais o som que a maioria do mundo ouve. Hoje em dia, certamente a preferência são gêneros e coisas como o Hip Hop, DJs, Rap e Pop adolescente. Isso é o que a maioria dos jovens compra - e é isso que a indústria da música ainda busca: crianças.


8. Steve, atualmente estamos vivendo uma experiência global muito difícil e é um tempo diferente para artistas independentes – e para outras pessoas também, é claro. Esses artistas tem sido afetados de várias maneiras por essa situação. Como você acha que músicos e bandas podem sobreviver a esse período? Quais são os seus conselhos? No Brasil, até em épocas “normais” é complicado ganhar dinheiro se você faz parte da cena underground.

Eu me pergunto isso todos os dias! Haha. Mas, falando sério, para mim, a melhor coisa que já fiz foi estudar para que eu não me limitasse apenas a tocar um estilo de música e para que eu soubesse o que estava fazendo e, assim, pudesse me comunicar com diferentes músicos em outras situações além do Rock. Daí é que veio minha experiência com o Paul Simon. Se você não tiver a sorte de se tornar famoso, pelo menos ainda pode ganhar a vida com a música de alguma forma: no estúdio, por exemplo, tocando e/ou cantando em discos de outras pessoas, participando de trilhas sonoras de filmes e TV, escrevendo canções para outros artistas, produzindo, ensinando - tudo isso é coisas que eu faço quando não estou na estrada em turnê ou fazendo discos com minha própria banda ou com Monroe.


Conte já tocou em bandas renomadas da cena nova-iorquina


9. Já que eu falei sobre artistas independentes na pergunta anterior, eu gostaria de saber se você acha que é possível para um músico, criar seu próprio som e ainda assim fazer parte da indústria mainstream. Quer dizer: underground e mainstream são, de fato, coisas opostas? Porque eu penso que a primeira cena se relaciona mais com a liberdade, com a arte em si mesma, enquanto que a segunda, por sua vez, está mais conectada com a indústria, com o dinheiro e com o marketing.

Acontece. Olhe para Billie Ellish. Ela começou sua trajetória sendo totalmente Indie, fazendo seu disco em seu próprio quarto com o irmão, mas, então, alguém do mundo dos negócios pensou "Ei, ela é boa e jovem, nós podemos vendê-la”. Tento não pensar muito sobre quem é promovido e qual é a razão disso, porque eu não me encaixo em nenhuma das categorias de agora que são "vendáveis" - não sou uma criança, não faço Hip Hop/música de computador. Eu toco guitarra, escrevo e canto canções de Rock, etc. Eu simplesmente continuo fazendo o que sinto que faço melhor, coloco isso para o mundo e espero o melhor. Mesmo que eu nunca tenha um álbum de sucesso, ninguém pode me impedir de fazer o que amo. Talvez muito tempo depois de eu partir, alguém eventualmente descubra uma das minhas músicas e faça um grande sucesso com ela e, então, meus filhos ganharão dinheiro com isso.


10. Como você compara a aceitação do público e da crítica em relação a álbuns e músicas dos anos setenta e dos anos dois mil em diante?

É o mesmo que comparar maçãs com laranja. São coisas muito diferentes em todos os níveis. Tudo o que já escrevi aqui deve resumir as diferenças entre o antes e o agora. Acho que a música tinha mais significado na vida das pessoas naquela época. Agora, existem muitas distrações. A tecnologia reina: smartphones, computadores, aplicativos, e vemos que as crianças querem ser estrelas do Youtube, influenciadores do Instagram e dançarinos de TikTok.


11. Se você pudesse escolher tocar com qualquer músico ou banda do mundo, quem você escolheria? Você pode escolher até mesmo um artista que já faleceu, quem você quiser.

Eu adoraria tocar com o Hendrix e Keef e escrever uma música com Lennon e McCartney, ou tocar guitarra com Bonham na bateria, talvez me juntar aos Stones, ser um músico de sessão da Motown ou fazer parte da banda de Robert Plant.


12. Quais são os seus planos para o futuro? O que podemos esperar do Steve Conte para os próximos meses? Aliás, espero que possamos vê-lo por aqui qualquer hora, quando toda essa loucura passar!

No final de agosto, voltei da Holanda para a minha casa em NY. Eu fiquei 5 meses lá com minha família, esperando o coronavírus passar. Enquanto estava lá, escrevi e gravei uma tonelada de novas músicas para vários projetos, como, o Monroe, minha própria banda e uma nova situação da qual não posso falar ainda, mas trata-se de um projeto super criativo com um bando de veteranos do Hard Rock. Porém, o principal mesmo é o novo álbum da minha banda solo que mixei durante todo o verão - e está finalmente pronto! Assim que a arte for finalizada, vou começar a me preparar para o lançamento dele. Fora isso, farei mais do mesmo em casa nesse período de lockdown em Nova York. Vou continuar escrevendo, gravando - e pretendo fazer muito mais online com sessões de gravação para outros, além de coisas no meu canal no Youtube e aulas ao vivo pelo Skype.


13. Por favor, nos conte como foram seus trabalhos com a Yoko Kanno. Você já gostava de anime quando a conheceu?

Eu não era fã de anime antes de conhecer Yoko, até então eu ainda não conhecia o gênero. Tudo começou quando ela veio para NYC para gravar com alguns cantores americanos para seu álbum solo, intitulado “Song To Fly”. Ela pediu a um grupo de músicos de Nova York recomendações para um cantor de Rock. Meu nome foi indicado e, então, ela entrou em contato e me pediu para enviar uma fita demo da minha voz (isso foi em 1998, antes que todos tivessem todas as suas músicas online), e quando ela recebeu e escutou, gostou do que ouviu e me contratou para entrar e cantar “Nowhere And Everywhere”. Eu acho que ela realmente gostou do que eu fiz porque alguns meses depois ela retornou para NYC para gravar a música de um novo anime chamado “Cowboy Bebop”, e o resto é história. Tive uma ótima experiência e passei um período maravilhoso trabalhando com a Yoko. Nos comunicamos com poucas palavras, pois o inglês dela não é tão extenso, embora seja muito melhor do que o meu japonês! Depois que eu canto algo no estúdio, ela me diz coisas como, “mais frio, por favor”, o que eu percebi que significava “cante de um jeito mais distante, de uma forma menos emocional”. Foram 22 anos agradáveis juntos, desde seu álbum solo de 1998 e por toda a série de animes, como“Brainpowerd”, “Bebop”, “Ghost In The Shell”, “Wolf’s Rain”, os 2 shows ao vivo no Japão e, mais recentemente, seu show Live Home, no qual cantei um dueto de Rain com Mai Yamane. Estou ansioso para fazer mais trabalhos com ela algum dia, em breve.

Obrigado pelo chat e cuidem-se! Mantenham-se seguros, saudáveis e sãos. Espero vê-los no Brasil algum dia. Obrigado!

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

TRÊS FATOS IMPORTANTES QUE MARCARAM A HISTÓRIA DOS BANSHEES

Por Vannucchi  

 Queridos leitores do Fanzine Brasil, nosso site está de volta com mais um conteúdo muito especial sobre a banda Siouxsie And The Banshees. Se gostar desse novo material, por favor, não esqueça de compartilhar o link e deixar comentários!
Lembre-se que essa é a segunda postagem na qual compilamos algumas curiosidades sobre a banda, que foram exclusivamente baseadas na biografia oficial dos Banshees, lançada em 2003 (sem tradução em língua portuguesa).


MARC BOLAN ELOGIA OS BANSHEES...

O grupo Siouxsie And The Banshees gravou excelentes covers durante sua trajetória musical. Dentre essas produções, está “20th Century Boy”, que é um dos maiores clássicos do T. Rex. Kenny Morris (ex-baterista) conta que, certa noite, no London’s Music Machine, Marc Bolan apareceu para assisti-los. Morris recebeu um elogio do vocalista do T.Rex, que declarou gostar de seu trabalho musical. E de acordo com Siouxsie Sioux, o frontman do T.Rex se mostrou bem entusiasmado em relação ao cover que os Banshees fizeram! Ela revela que havia uma certa conversa de que ele, inclusive, desejava ser produtor da banda! Já pensou? Como será que as coisas teriam acontecido se isso se concretizasse? Sioux, porém, faz uma confissão: “Preferia, contudo, que ele tivesse sido nosso guitarrista (ao invés de produtor)”. Isso também teria sido incrível, não?

 

Siouxsie e Marc Bolan (1977)
 

PHIL OAKEY, VOCALISTA DO THE HUMAN LEAGUE TAMBÉM ADMIRAVA OS BANSHEES...

Na biografia da banda, encontram-se alguns depoimentos feitos por músicos cujo destino, em algum momento e de alguma forma, cruzou com o dos Banshees! Um desses sortudos é o músico Phil Oakey, uma das maiores lendas mundiais da música eletrônica. O The Human League os Banshees estiveram juntos em 1978, numa turnê. Oakey diz: “Não entendia os Banshees até o terceira ou quarta encontro da turnê que fizemos, até que, num certo momento, quando estava ao lado do palco os acompanhando, eu finalmente os compreendi”. Ele também comenta: “Os Banshees eram diferentes, eram únicos. Eles quatro faziam algo que nunca antes havia sido visto”. Phil prossegue: “Havia algo na Siouxsie que era totalmente nonsense”. E ele ainda os comparou com o próprio Human League: “Eles se sentiam da mesma maneira que nós nos sentíamos: que a música e o visual são ambos importantes”.

 

“Os Banshees eram diferentes, eram únicos". (Phil Oakey)

ALGUMAS PALAVRAS DE SIOUXSIE SIOUX SOBRE O ÁLBUM “JOIN HANDS”:

Sioux conta que a música “Playground Twist” era o single do álbum. De acordo com a vocalista: “Essa é uma música sobre a crueldade das crianças e todo aquele aspecto de ser jogado num playground durante o inverno, com ventos fortes e sendo deixado lá para se defender sozinho”. Ainda em relação essa música ela conta que quando a faixa foi lançada, perguntaram a ela o que ela gostaria de escutar no rádio. Prontamente, a cantora respondeu que não gostaria de ouvir nada, pois, na verdade, não gostava de escutar rádio. Ela disse que tinha coisas mais importantes para fazer em sua vida. Aparentemente, esse depoimento deixou um radialista chamado Tony Blackburn muito bravo e no dia seguinte, em seu programa ele disse: “Aparentemente, a Siouxsie não gosta de escutar rádio, então nós não vamos tocar a sua música”. Como se não bastasse fazer esse discurso, ele simplesmente pegou um martelo e, ao vivo, destruiu o single com uma série de pancadas! Sioux diz que ficou simplesmente desnorteada pelo fato de que Tony entendeu um comentário inocente sobre não escutar rádio, como uma espécie de ofensa pessoal dirigida a ele. E além das marteladas, durante alguns dias, o radialista ainda fez várias piadinhas desagradáveis!

A vocalista dos Banshees também comenta algo muito interessante em relação à atmosfera do álbum: “Nós todos gostávamos dos filmes de horror psicológico feitos pelo cometas Alfred Hitchcock, e era o espírito e as emoções dos filmes dele que estávamos inserindo dentro das nossas músicas: tratava-se de criar canções de obsessão e psicose. Nós estávamos fazendo a trilha sonora para os filmes que existiam em nossas próprias mentes. Eu acho que é por isso que a verdadeira estrutura dos nossas músicas eram tão esquisitas - pra mim o ato de escrever uma música ‘correta’ sempre pareceu realmente estranho”.

 

O segundo álbum dos Banshees foi lançado em 1979


sábado, 5 de setembro de 2020

Zine Talk - Episódio 5 (Alice Cooper)

 Por Abel Marinho

E o Zine Talk volta com mais um episódio! Dessa vez nós dues, ês fundadores do Fanzine Brasil, falamos a respeito do rockstar mais teatral e macabro da história do rock: ninguém menos que o lendário Alice Cooper! 

Aproveite o podcast que conta desde a infância, com algumas curiosidades bizarras sobre o artista e, obviamente, várias músicas icônicas do artista! 


https://www.mixcloud.com/FanzineBrasil2020/zine-talk-apresenta-alice-cooper-epis%C3%B3dio-5-com-%C3%AAs-fundadores-do-fanzine-brasil/



quinta-feira, 3 de setembro de 2020

5 CURIOSIDADES SOBRE A BANDA SIOUXSIE AND THE BANSHEES

Por Juliana Vannucchi

 Abaixo, selecionamos cinco fatos interessantes sobre a trajetória dos Banshees. A lista foi  escrita a partir de informações presentes na biografia oficial da banda, intitulada “Siouxsie & The Banshees - The Authorised Biohraphy”. O livro é excelente e é, com certeza, uma leitura indispensável para os fãs. Aos poucos, pretendemos traduzir, produzir e comentar alguns outros trechos do livro, e começaremos isso a partir de agora, com essa postagem inaugural!

1.  UMA PINCELADA PELA INFÂNCIA DE SIOUXSIE SIOUX...


Susan Janet Ballion nasceu em 27 de maio de 1957, num hospital chamado Guy’s Hospital. Ela cresceu em Chileshurst, nos subúrbios de Londres.

Os pais de Siouxsie Sioux se conheceram no Congo Belga, um território africano que é administrado pelo Reino da Bélgica. Seu pai era um bacteriologista e sua mãe, uma secretaria bilíngue - e segundo a cantora, uma mulher muito independente que também era praticamente “o homem da casa”. Por parte de mãe, Sioux tinha um avô escocês que que era médico e trabalhou na Primeira Guerra Mundial. Siouxsie teve um irmão e uma irmã, respectivamente oito e dez anos mais velhos do que ela. O irmão faleceu em meados de 2015. Ele era torcedor fanático do Wolverhampton, e influenciou Sioux a torcer para o mesmo time. E sim, a vocalista dos Banshees gosta de futebol! 

Sua primeira memória musical é a canção “Johnny Remember Me”, um clássico de John Leyton. Ela era obcecada por essa canção. Sua mãe a levava no cinema com muita frequência e elas sempre assistiam aos filmes de Doris Day e de Rock Hudson. Sioux também tinha um grande apreço pelos antigos desenhos da Disney e gostava bastante do filme “A Branca de Neve”. Um longa que ela assistiu quando era muito jovem e que a marcou bastante, foi “Psicose”, dirigido por Alfred Hitchcock, de quem ela sempre foi uma grande admiradora. 

Um fato que se tornou importante na vida da artista, foi o problema que seu pai teve com a bebida. Durante esse dificultoso período, a música, os livros e a fantasia foram sua válvula de escape. Mas apesar de gostar de livros, Sioux revela que odiava a escola, pois era um ambiente que fazia com que ela se sentisse muito desconfortável.


2. UM POUCO MAIS SOBRE STEVEN SEVERIN...


Steven Severin, baixista e cofundador dos Banshees, cujo nome real é Steven Bailey, nasceu em 25 de setembro de 1955, no hospital Whittington, localizado no norte de Londres.

Ele conta que se sentia seguro durante o período da infância, pois naquela época, Londres era uma cidade diferente e, no geral, as pessoas tinham razões para se sentirem assim. Cresceu com a mãe e o pai e, conforme relata, também cresceu cercado por mulheres, pois na sua casa moravam a avó e Diane, sua irmã caçula. 

Foi um bom aluno durante os primeiros anos de escola e teve uma adolescência que considera normal. Era especialmente bom em inglês e matemática. O primeiro show que assistiu na vida foi de David Bowie e o primeiro álbum que verdadeiramente o marcou foi o “White Album”, um grande clássico do The Beatles, que ele e um amigo costumavam escutar religiosamente...


3.  E COMO FOI A INFÂNCIA DO BATERISTA BUDGIE?
 
Budgie nasceu no dia 21 de agosto de 1957, em St Helens.

Em relação às suas memórias musicais, ele conta que seu irmão (que é dez anos mais velho) tinha uma ótima coleção de discos, dentre as quais havia álbuns de bandas como The Kinks e The Troggs. Ele também tinha grande apreço pelos Beatles. Contudo, sua tranquila infância foi bruscamente interrompida pelo falecimento da mãe, que partiu quando Peter tinha apenas 12 anos. Após esse acontecimento, ele foi morar com uma tia para poder se recuperar melhor de sua dolorosa perda. Ela o ensinou a tocar “Choosticks” no piano e, conforme o baterista dos Banshees conta, essa foi a primeira vez que ele aprendeu a tocar uma canção num instrumento musical.

Budgie diz que gostava da escola, mas que era um menino demasiadamente tímido. Apreciava as disciplinas de inglês e de artes. Na adolescência, se interessou por bandas de Krautrock e mais tarde se apaixonou por T.Rex e Roxy Music. Com o tempo, Peter foi criando outros gostos sonoros e se afeiçoando pela bateria. O piano foi, de fato, apenas a porta de entrada para o seu mundo musical...
 
Ele teve passagens notáveis pelas bandas “Big In Japan” e “The Slits” antes de se juntar aos Banshees, com quem subiu ao palco pela primeira vez no dia 18 de setembro de 1979, numa apresentação realizada na cidade de Leicester.


 
4. O LANÇAMENTO DO SINGLE ‘HONG KONG GARDEN’:

A letra de uma das músicas de maior sucesso dos Banshees foi inspirada numa memória da infância de Siouxsie. Quando a vocalista tinha aproximadamente 12 anos de idade, abriu um restaurante chinês perto de onde ela morava, e no entorno desse estabelecimento sempre havia muitos skinheads, que praticavam atos racistas contra os funcionários do local, fato que a incomodava bastante.

Depois que Siouxsie escutou pela primeira vez a música editada, ela se impressionou com a maneira como sua voz soou com o uso de tratamentos de edição. “Foi uma revelação”, conta a vocalista. “Quando nós ouvimos a versão finalizada de ‘Hong Kong Garden’, eu fiquei pasma. Eu não consegui acreditar que éramos nós”. Na biografia, Siouxsie também menciona que os Banshees logo receberam aprovações e excelentes comentários por parte da crítica e, então, naquele período, ela percebeu que pela primeira vez na vida, estava fazendo algo em que era boa, algo que realmente gostava de fazer: “Aquele sentimento era poderoso”.

A respeito da arte do single “Hong Kong Garden”, Severin revelou: “Eu encontrei a imagem para ‘Hong Kong Garden’ numa revista. Pensei que seria interessante colocar uma menina escondendo o seu rosto – isso seria o oposto do que as pessoas gostariam de ver num encarte. Tenho certeza de que a Polydor  (a gravadora) teria amado uma foto da Sioux, mas eles não iriam conseguir isso”.
 
O single foi lançado em 18 de agosto de 1978
 
5. O PROCESSO DE CRIAÇÃO DO THE SCREAM...

De acordo com a vocalista dos Banshees, muitas pessoas pensavam que o nome do álbum havia sido inspirado na pintura “O Grito”, feita pelo pintor alemão Edvard Munch. Porém, na biografia oficial da banda, ela esclarece que a inspiração veio de um filme chamado “The Swimmer” (em português, “Enigma de uma Vida”), com o ator Burt Lancaster. O longa narra a história de um protagonista que quer retornar nadando para a casa e, então, começa a pular de piscina em piscina, de lar em lar, até chegar no local em que deseja.
 
Severin comentou que o álbum tinha uma capa diferente e “nada Punk”. Os Banshees pareciam querer se afastar desse gênero em termos estéticos e até mesmo ideológicos. Sioux comenta também que nessa época, ela e os outros integrantes estavam inteiramente focados na banda. Eles tinham inúmeras ideias vagando em suas mentes e tudo lhes parecia possível... 

O primeiro álbum de estúdio dos Banshees foi lançado em novembro de 1978

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

TOMMY E O PROCESSO DE AUTOLIBERTAÇÃO:

 Por Juliana Vannucchi

O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o”. – Carl Jung

Tommy é um álbum de estúdio lançado pelo The Who em 1969. Para muitos críticos e fãs, é a obra mais primorosa que a banda produziu durante sua longa e consistente carreira. Trata-se de uma “ópera-rock”, isto é, um álbum temático no qual as faixas narram uma história. Na década de setenta, Ken Russel produziu uma elogiável adaptação cinematográfica baseada neste referido disco.

A narrativa descrita no álbum começa a se desenrolar no período da 2ª Guerra Mundial o capitão Walker, um piloto de guerra, é dado como morto. Porém, mais tarde, Walker retorna para sua casa e encontra Nora, sua mulher, junto com Frank, um amante. Frank mata Walker e, ao presenciar o assassinato de seu pai, o pequeno Tommy recebe como ordem de sua mãe e de Frank de nada dizer sobre o que havia visto e ouvido naquele momento. Tommy então, absorve essa ordem de maneira literal e se torna uma criança cega, surda e muda. Com o tempo, mesmo com tais deficiências, torna-se um campeão mundial de pinball... e mais do que isso: ele passa por um processo de autolibertação.

Algumas reflexões:

Eis Tommy, um disco que além da qualidade técnica e criativa no âmbito musical, aborda em sua filosofia, analogias, simbolismos e inúmeros aspectos psicológicos. Tais aspectos podem ser identificados logo no início do álbum, no momento da história em que o protagonista Tommy, ao escutar seu padrasto e sua mãe dizendo que ele não “ouviu nada, não viu nada, e não iria dizer nada”, torna-se surdo, cego e mudo. Ou seja, inconscientemente, Tommy absorve integralmente as negações que a mãe e o padrasto disseram e configura isso para a sua realidade. Aliás, só havia uma única coisa que o ligava com o mundo externo: a mesa de fliperama. O menino, ainda jovem, descobre um talento incrível para o pinball e, seguindo e se entregando à sua paixão, torna-se um jogador genial. E nessa atividade, ele não precisava de seus sentidos ausentes, apenas da sua intuição – esta sim era necessária. Logo, para vencer o jogo, Tommy seguia sua própria intuição: era guiado por seu eu mais profundo, pelo que se encontrava além dos sentidos convencionais.

Anos mais tarde, após Tommy ter crescido e passado um longo período de tempo com sua deficiência, inicia-se uma sequência de tentativas de cura. Primeiro, a tentativa ocorre numa Igreja – sem resultados positivos -. Talvez aqui possamos encontrar uma crítica aos dogmas religiosos e suas tentativas frenéticas de domesticação dos fiéis. E ressalte-se: a religião falhou em sua tentativa de recuperar o garoto. Posteriormente, surge a “rainha do ácido”, uma mulher que representa explicitamente a clássica forma “sexo, drogas e Rock And Roll”, tenta injetar algumas substâncias no rapaz. Mais uma vez, nada funciona. As drogas também foram ineficazes, o entorpecimento não funcionou. Até o momento, temos a representação de duas clássicas “válvulas de escape” da humanidade: as drogas e a religião. Certamente, ambas desempenham um papel muito maior no processo de escravização do que numa possível libertação humana. O jovem é, então, levado a um médico que, após examiná-lo, declara: “Não há chances para uma cirurgia, toda esperança está com ele e não comigo”, o que deixa evidente que o problema do garoto é, de fato, de ordem psicológica e individual e que, só ele próprio é capaz de se curar, pois não há nada que terceiros possam fazer por ele. Tommy está em suas próprias mãos. 

Tommy, can you hear me? Tommy? Tommy?
 

Mas em meio a tudo isso, neste ponto, surge um aspecto interessante: o protagonista consegue enxergar quando coloca-se um espelho em sua frente. É como se seu próprio reflexo representasse sua mente e o induzisse a um mergulho dentro de sua solitária e turbulenta consciência que, aliás, é para ele a única realidade, já que o mundo externo não se apresenta para todos os seus sentidos. Mas então, de repente, o espelho é quebrado e Tommy consegue finalmente libertar-se do que o prendia. E o que o acorrentava, no final das coisas, era ele próprio, pois sua mente criou uma barreira com o mundo para que ele pudesse esquecer seu trauma. Porém, esse fato o distanciou de tudo e o isolou, até que ele se desacorrentou de si mesmo e livrou-se das dores e mágoas de seu passado. E é importante ressaltar algumas simbologias que podem ser encontradas aqui: quem o salvou não foi Deus (por intermédio da Igreja), não foi um milagre e tampouco foi a Ciência (nem as injeções com drogas, nem o médico). A liberdade estava dentro dele – Tommy era seu próprio “Messias”, sua própria e única cura, ele era o artista de si mesmo. A solução não estava lá fora no mundo do qual isolou-se, mas sim dentro de si, na mais vasta imensidão de seu eu. Conforme o próprio protagonista profere numa faixa do álbum: “A liberdade tem sabor de realidade”. 

Por fim, ficam aqui algumas sugestões de reflexões para os leitores, rockers, amantes da Filosofia e afins. Sugiro que assistam ao filme e escutem o disco na íntegra. Tommy é um obra inesquecível e encantadora para quem aprecia o bom e velho Rock And Roll. E claro, fundamental para quem gosta do gênero musical e também aprecia perder-se em seus pensamentos...

 

The Who: uma das bandas mais célebres da história do Rock

 

domingo, 30 de agosto de 2020

Zine Talk - Episódio 4 (Reflexões Sobre Música, Arte & Indústria)

 Por: Abel Marinho

Depois de muita espera, voltamos com os podcasts! Dessa vez, temos a presença do grandioso podcaster e músico Sidan Rogozinski para batermos um papo sobre a indústria musical, arte, cena independente e também sobre a trajetória do mesmo! 

Aproveitem nosso podcast e semana que vem tem mais! 

SOS TOTÓS E MIAUS

 Organização: Equipe Fanzine Brasil

 Queridos leitores, hoje nossa equipe está aqui para convidá-los a conhecer e ajudar um projeto DIY chamado "SOS Totós e Miaus". Pensando no bem-estar de animaizinhos abandonados, nós nos envolvemos com essa nobre causa e temos certeza de que nossos amigos e apoiadores também irão se envolver. Para doar qualquer valor, entre em contato conosco através do Instagram e disponibilizaremos os dados bancários de uma das idealizadoras responsáveis pela "SOS Totós e Miaus".

Começamos em 2017. Eu já havia me encarregado de manter hospedada em uma clínica uma poodle cega, que uma amiga havia resgatado, e que acabou sendo adotada. Mas por volta de março desse mesmo ano, uma amiga, a Cris, me escreveu para pedir ajuda para o caso da sobrinha, Talita, de uma colega dela, a Andreia. A situação eram três cachorros que viviam soltos em um condomínio em construção, em Itapevi. Assim que o condomínio ficasse pronto, os cães seriam postos para fora. A Talita conhecia o caso e vinha levando comida para eles fazia tempo. E vinha tentando ajuda de ONGs, mas sem nenhum resultado.

Nós quatro nos organizamos e resgatamos os cachorros. Um deles, o Caramelo, ficou em lar temporário na casa da Andreia, que no fim ficou com ele definitivamente, adotou. As duas fêmeas levamos para um sítio/hotelzinho para cães resgatados, o Focinhos da Mata, em Mairiporã. A Jéssica, a proprietária, recebeu super bem e cuidou delas por quase dois anos, levando para consultas em veterinário e tudo. Por falta de experiência, demoramos demais para conseguir adoção, mas elas acabaram indo para casas maravilhosas. Estão, todos os três, ótimos hoje em dia.

Bom, e daí para a frente foi uma sequência de resgates, de buscas por lar temporário (normalmente pago, é bem difícil achar quem hospede de graça), de busca por tratamento e por adotante. Um dos destinos mais comuns dos resgatados era a clínica que atualmente se chama Dra. Mei, na Vila Mariana. A Sandra e os sócios dela sempre faziam um preço camarada para os nossos resgatados e cuidavam deles superbem.

O ritmo dos resgates dependia do nosso bolso, na verdade, e de alguma doação de amigos e familiares. Mas de fato mais do nosso bolso. Porque é difícil conseguir doação para manter um cachorro por meses em lar temporário, para fazer cirurgia de castração, tratamento para as diversas doenças que eles têm quando são resgatados. E para exames, remédios, ração, antipulga, vermífugo e vacina.

A Andreia não pôde continuar no grupo por umas questões particulares. Talita, Cris e eu continuamos.

Nos últimos tempos surgiram casos de gatos que precisavam de ajuda, então nosso grupo, o SOS Totós, passou a ser o SOS Totós e Miaus.

Agora em julho, junto com alguns outros protetores (amigos nossos), fizemos um resgate-monstro: 19 filhotes e 4 adultos, mais 4 gatos. Estavam em um terreno, mais ou menos cuidados pelas pessoas que vivem lá. Cuidados mais para menos: um estado bem lastimável, na verdade.

Foi preciso uma mobilização da gente muito intensa, muita procura, muita criatividade, muita conversa, discussão, pesquisa. Por fim, conseguimos mais uma vez a parceria da clínica Dra. Mei. Eles acolheram os filhotes e as duas mães no sítio/hotelzinho deles em Caucaia (Cotia) por um preço de ONG, um preço de amigo. Um dos adultos já foi adotado por uma das protetoras do grupo, o outro está em lar temporário. Todos os filhotes foram adotados, assim como uma das mães. Olha, foi trabalhoso, foi uma novidade para nós lidar com a chuva de candidatos a adotantes que surgiu querendo os filhotes.

 E foi um gasto.

Fizemos vaquinha pela internet, conseguimos um valor bom.

Só que nesse ínterim surgiram mais casos: uma protetora que se encarregou de um gatinho de rua superdoente, uma nova cachorrinha que foi jogada naquele mesmo terreno cheia de câncer, e por aí vai. Fomos ajudando esses casos com dinheiro das nossas doações.

Agora essa reserva acabou, e entramos na fase de nós mesmas bancarmos, como é o habitual.

Para não esquecer: algumas ongs sim, ajudaram animais nossos, como a Amigos de São Francisco. Não só resgatarem o nosso Rabito e cuidaram dele como anunciaram, e ele foi adotado. Eles também permitem que a gente divulgue alguns dos nossos cachorros e gatos no site deles, e é incrível como isso acelera a adoção.

A questão é a seguinte: com cada vez mais gente sem emprego, há cada vez mais animais abandonados. Não é fácil bancar essa turma toda tratando bem como a gente gosta de tratar.

Precisamos de mais ajuda.

A seguir, fotos de alguns dos fofos. Estão quase todos aqui, mas não todos.





















 

 

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