Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

sexta-feira, 10 de julho de 2020

SID VICIOUS - O NIILISTA MALTRAPILHO QUE MUDOU O ROCK AND ROLL:

A história do Punk Rock é composta por muitos nomes lendários. Dentre eles, encontra-se o icônico Sid Vicious, cuja figura até hoje gera opiniões e comentários controversos. Algumas pessoas o idolatram, e outras o repudiam, mas o fato é que a cultura Punk, como um todo, jamais seria do jeito que é se não fosse por sua existência.

A vida de Sid Vicious até hoje é cercada por mistérios e sempre foi repleta de binômios: “tocava bem/não tocava bem” - “sabia tocar baixo/não sabia tocar baixo”/“era uma pessoa inocente/era um sujeito perverso”/“morreu de overdose/se suicidou”/“matou Nancy/não assassinou a companheira”. As inúmeras considerações contrárias a seu respeito fazem dele um verdadeiro mito. Por “mito” entenda-se uma personalidade atemporal que simboliza algo. No caso, Vicious, através de sua persona, representava a rebeldia transgressora de todo o movimento Punk. Considero que quem o conhece apenas de uma maneira deveras superficial, o vê como um jovenzinho teimoso, violento, sanguinário, atraente e drogado. Certo. Talvez ele fosse tudo isso. Mas havia algo a mais em Sid Vicious, e são esses outros aspectos, esses que primeiramente escapam da imagem midiática e rasa em torno dele, que o transformaram no mito que citei acima.


Sid era determinado, mostrava empenho ao tentar aprender a tocar baixo e era uma pessoa decidida em relação ao rumo artístico que sua vida tomou. Através de suas atitudes ousadas e discursos provocativos, procurava conscientemente e incentivar as pessoas a se firmarem e abandonarem suas zonas de conforto. Ele estava ciente de que os jovens de sua geração eram pressionados pela família, pelo governo, pela moral e pela sociedade e, por isso, prezava pela liberdade. Conforme certa vez declarou: “Se você faz alguma, deve fazer porque gosta, e não por dinheiro(p.40, 1985). E em relação, especificamente ao futuro de um jovem após o término dos estudos escolares, disse: “Se é para fazer alguma coisa, você deve fazer o que quer”. (p.43, 1985), sendo tal comentário contextualizado com o excesso de expectativa que os pais criam em torno dos filhos. Também afirmou: “Nós acreditamos na total liberdade de ação”. (p.39, 1985) - ele repudiava o “modus operante” mecanicista da sociedade. Por esses e outros comentários e por seus constantes atrevimentos, acredito que Sid, de certa maneira, catalisou em seu espírito toda a aura desafiadora de revolta, escândalo, crítica e inovação estética que permeavam no âmago da cultura Punk. Nesse sentido, ele pode ser uma inspiração positiva para muitas pessoas.

Também é válido ressaltar que a imagem de “bad boy” que acompanhou o baixista do Sex Pistols foi uma construção ao menos parcialmente midiática, pois, convenhamos havia certo empenho dos meios de comunicação para desmerecer o Punk Rock. Em relação a isso, o próprio Sid chegou a denunciar a hipocrisia da mídia que os reprovava por falarem palavrão. Ele disse, com seu habitual cinismo: “Quase todas as pessoas usam palavras de baixo calão em seu vocabulário”. Pois os Pistols simplesmente também usavam e pronto. O niilista maltrapilho também acreditava que o Rock And Roll precisava retomar suas raizes, ou seja, deixar de ser elitizado, partir das ruas e permear por entre elas. Nesse sentido, também foi incisivamente crítico e demonstrou sentir falta da presença de “astros” do Rock no meio das massas e chegou a afirmar que não andaria na mesma calçada dos Stones e que os desprezava: “(...) deviam ter desistido em 1965. Você nunca vê nenhum desses babacas andando nas ruas (...)”. (p.42, 1985).

Torna-se válido citar que Dee Dee Ramone e Siouxsie foram algumas das grandes personalidades musicais a declarar que Sid era um rapaz doce e legal. Freddy Mercury, contudo, provavelmente pensava o contrário, pois o encontro que teve com Sid foi um tanto áspero.

O fato é que Sid Vicious mudou para sempre não apenas o Punk Rock, mas também a história do Rock. Seu nome está eternizado e isso independe do fato de ele ter sido “herói ou vilão” - mas confesso que, felizmente, acho que ele foi um vilão!

REFERÊNCIA:

SANTOS, Hugo. Sid Vicious. São Paulo: Brasiliense, 1985.

THE EDWOODS E SUA TRILHA SONORA TRASH

Imagine a abertura de Assassinos Por Natureza (1994), de Oliver Stone, em que Mallory Knox dança ao som de “The Way I Walk”, de Robert Gordon e Link Wray (também conhecida principalmente pelo cover da banda The Cramps). Essa é uma das imagens que o duo paulistano The Edwoods passa para os ouvintes em seu mais novo EP intitulado “Drag Racer” (2020/Rubber Octopus Records). 

Andy e Eron formam o duo paulistano de garage rock The Edwoods.

O duo de primitive rock formado em 2018 pelos integrantes Andy e Eron Edwood tem o encanto de mostrar o melhor de uma sonoridade tribal e garageira, gênero marcado por bandas como The Cramps, Stray Cats e The Stooges, entre outras bandas de Detroit e do gênero Psychobilly. O EP e os singles lançados nos anos anteriores, incluindo um cover de “Bela Lugosi’s Dead” da banda inglesa Bauhaus, mostram logo de cara o intuito do duo em apresentar ao público as suas influências, que vão desde o proto punk até o pós punk, passando também pelas bandas de garage rock dos anos 90. O resultado de suas músicas é uma sequência de sons que poderiam muito bem estar presentes na filmografia do diretor Ed Wood, conhecido por seus filmes de baixo orçamento e pela sua criatividade em realizar suas obras com o recurso limitado que possuía. 
Todas as músicas da banda são tocadas no formato de guitarra e bateria com melodias rasgadas e barulhentas, e suas apresentações ao vivo mantém a agressividade composta por apenas dois integrantes que possuem muita inventividade para boa música.


As quatro músicas que compõe o EP estão disponíveis nas principais plataformas de streaming e também em vinil de 7 polegadas, que pode ser adquirido ao entrar em contato com a banda na página oficial do Instagram e Facebook, sendo enviado para todo o Brasil. Você pode ouvir a discografia da The Edwoods aqui no link do Bandcamp: https://edwoods.bandcamp.com/

segunda-feira, 6 de julho de 2020

FABLES OF THE RECONSTRUCTION - O ÁLBUM CONCEITUAL QUE MUDOU A HISTÓRIA DO R.E.M.:

Por: Gabriel Marinho

No dia 10 de junho de 1985, há 35 anos atrás, o R.E.M. lançava o que pode ser dito com o seu primeiro álbum de transição e, talvez, o mais desafiador da carreira da banda até aquele momento. Se afastando um pouco do Jangle Pop e se aproximando mais de um som sombrio e Pós-punk, o Fables Of The Reconstruction é um álbum um tanto peculiar e um divisor de águas na discografia da banda. Alguns fãs o amam por seu experimentalismo, outros o consideram muito estranho e o menos marcante dos 7 álbuns lançados pelo R.E.M. durante os anos 80. Mesmo assim, é um trabalho que merece atenção pela coragem da banda em se arriscar em uma sonoridade nova.

O Fables Of The Reconstruction é um álbum conceitual, influenciado pelo gênero Gótico Sulista com temas rurais e personagens obscuros. Para ajudar na criação de um panorama psicodélico para o álbum, a banda se mudou para Londres e trabalhou com Joe Boyd, famoso por ter produzido o single “Arnold Layne” do Pink Floyd e os primeiros álbuns de bandas/artistas Folk como Faiport Conventin e Nick Drake (ele também produziu a trilha sonora do filme "Laranja Mecânica").

Grande parte do material de composição da banda nessa época também veio das experiências das viagens dos integrantes pelo país em turnês quase constantes até aquele ponto, bem como de um crescente senso de ativismo político, aspecto esse que encontraria uma expressão mais aguda nos álbuns subsequentes, “Lifes Rich Pageant” e “Document”.

É interessante notar que cada membro da banda decidiu adotar um pseudônimo para incorporar melhor as histórias contadas nas faixas: 

Bill Berry “WT Berry – Best Boy”,
Peter Buck “PL Buck – Ministry of Music”
Mike Mills “ME Mills – Consolate Mediator”
Michael Stipe “JM Stipe – Gaffer Interpreter”

O controverso "Fables of the Reconstruction": aclamado por uns, reprovado por outros...
Faixas

Começamos a jornada musical com “Feeling Gravitys Pull”, uma abertura completamente diferente se comparada com os dois álbuns interiores. Assustadora e lúgubre, poderia ter sido facilmente escrita pela banda The Cure durante a fase do Pornography, com sua guitarra lenta e cromática e termina de forma majestosa com um quarteto de cordas. A música descreve de forma surrealista como é cair no sono usando como referência as fotografias do artista visual dadaísta Man Ray. A música é uma das melhores aberturas do acervo da banda e define o tom do álbum.

“Maps and Legends” segue substituindo o som macabro da canção anterior por uma versão melancólica do Jangle Pop que lançou a banda ao mundo e traz a característica harmonização vocal entre Michael Stipe e Mike Mills, que canta letras diferentes das do vocalista. É sem dúvidas uma das composições mais fortes do grupo! A faixa foi feita em homenagem ao Reverendo Howard Finster que fez a capa do segundo álbum da banda, e foi conhecido por ter transformado seu lar em uma obra de arte com mais de mil pinturas. 

O R.E.M. é uma das bandas mais autênticas da frutífera década de oitenta.

Enfim, chegamos em uma das favoritas dos fãs: “Driver 8”. A música possui um som mais comercial, porém, essa sonoridade está longe de ser genérica! A canção oscila magnificamente entre alegria e solidão enquanto descreve de forma abstrata áreas rurais e referências ao Southern Crescent, um trem de passageiros que continua a operar até hoje. Há diversas metáforas sobre o desejo de fuga de um ambiente tedioso e o desejo de uma vida nova. O vocalista Michael Stipe disse ter “visto” a canção antes mesma de tê-la criado, o que pode ter contribuído para as imagens tão bem descritas.

Logo na sequência, com um começo suave, “Life And How To Live It” segue com um Folk atmosférico e acalentador, repleto de imagens abstratas e metáforas sobre o autor Brivs Mekis, da cidade natal da banda, Athens, na Georgia. O escritor possui duas casas conectadas por um buraco na parede e se “mudava” para cada uma quando se entediava da outra, tudo sendo descrito em um livro chamado  “Life and How To Live It”.

Novamente, voltamos ao som tenebroso com “Old Man Kensey” uma das mais subestimadas da banda. Com uma guitarra soturna e um baixo pesado, além de obviamente as harmonizações angelicais entre Stipe e Mills, a canção é como um filme de terror rural que conta a história de Kensey, um amigo do pintor Howard Finster que roubava caixões e sequestrava cachorros...

Can’t Get There From Here” apresenta uma quebra totalmente diferente do resto do álbum, com um som mais agitado e bastante influenciado pelo Funk e pelo Blue Eyed Soul, até mesmo com Stipe tomando inspirações de vocalistas de  R&B. A faixa é super divertida e dançante! Embora não tenha um significado em específico, ela pode ser considerada um tributo aos reis do Funk americano, tal como Ray Charles e James Brown. É também a primeira canção da banda a incluir uma orquestra de cornetas.

Green Grow the Rushes” é uma tristonha canção Folk e uma das primeiras da banda a abordar questões sociais. Através de seus acordes agridoces e lastimosos, Stipe narra o tratamento intolerável sofrido pelos trabalhadores imigrantes que chegam a América. Inicialmente, a música surgiu de um pacto feito entre o vocalista e sua amiga da banda 10,000 Maniacs, Natalie Merchant, através do qual ambos escreveriam sobre o genocídio dos povos indígenas americanos. A faixa é uma das mais bem escritas e descritivas canções sociais feitas pela banda em toda sua célebre carreira.

A transição entre a anterior e “Kohoutek” é quase que imperceptível e elas se encaixam perfeitamente,  mesmo  não tendo temas similares em comum. A faixa é um tanto comovente com seu tom de despedida comparando um amor perdido ao cometa de mesmo nome, que só passará pela Terra novamente em 75 mil anos. O R.E.M. não tem tanto enfoque em canções de amor ou decepções amorosas, o que faz com que essa faixa seja um pouco esquecida e injustiçada, o que é uma verdadeira lástima, pois é uma das mais acessíveis, simples e diretas feitas pelo grupo. A mistura perfeita entre Folk e Rock alternativo nessa música a torna uma viagem incrível com os arpejos bem calculados de Peter Buck e com o vocal fascinante de Stipe, que tremula graciosamente até o fim.

Auctioneer (Another Engine)” diferente do compasso lento da maioria das faixas volta às raízes da banda com um som mais frenético. Pode-se dizer que é uma mistura perfeita entre Punk e Folk, e é impossível ficar parado ao ouvi-la! Nela, Stipe narra as histórias de seu avô, que era um vendedor viajante. O tom da música combina com o que parece ter sido uma vida um tanto aventureira...

Após um final tão agitado como “Auctioneer”, a banda volta a fórmula de mais uma canção lenta e rural com “Good Advices” que possui uma letra um tanto mais interessante que sua parte instrumental que, infelizmente, é pouco inspirada e soa de maneira repetitiva. A letra narra a história de como conhecemos estranhos pelo caminho da vida e depois nunca mais os vemos novamente.

Fechando de uma forma diferente das outras canções rurais, “Wendell Gee” bebe mais da fonte seiscentista, tendo focos no piano e banjo ao invés de seguir a fórmula clássica de guitarra, baixo e bateria. Pode ser vista como, de certa forma, uma pré-faixa do álbum Green em que a banda passou a experimentar com instrumentos mais convencionais. Inspirado parcialmente em uma pessoa real, na verdade,a ideia da letra veio de um pesadelo tido pelo vocalista. É um final um tanto interessante para um álbum como Fables Of The Reconstruction.

Conclusão...

O Fables Of The Reconstruction pode ser um um tanto estranho quando o escutamos pela primeira vez, ainda mais se comparado aos dois álbum antecessores. Na época de seu lançamento, devido às circunstâncias em que foi gravado, como a falta que a banda sentia dos Estados Unidos e o desagradável inverno londrino, fizeram que as opiniões dos integrantes sobre o álbum acabassem se tornando públicas, como foi o caso de Bill Berry dizendo que detestava o álbum em uma entrevista nos anos 90, e Peter Buck afirmando que “Driver 8” poderia “ter sido escrita enquanto estivesse dormindo”.  O fato é que Fables Of The Reconstruction continua a ser um dos mais  interessantes trabalhos da banda, mostrando bastante maturidade, mais riscos, mais experimentalismos musicais para os quais foram usados diferentes instrumentos, sons e conceitos. Além disso, é notável o afastamento do Jangle Pop e a presença de conceitos líricos mais compreensíveis ao invés de apenas fragmentos de letras como ocorre em Murmur e Reckoning. Podemos considerar esse o primeiro álbum de transição da banda para um som mais encorpado e um dos primeiros passos em direção ao ativismo social que se tornaria tão conhecido pelo grupo e se tornaria mais evidente em álbuns como “Document” e “Green”.




FANZINES, D.I.Y E PUNK ROCK - UM PAPO COM ULISSES (ULIXO):

Por: Juliana Vannucchi

Ulisses, mais conhecido como "Ulixo" é idealizador do"Zine DF Caos", que é uma das revistas independentes mais notáveis do país, feita a partir de uma estética essencialmente underground e repleta de conteúdos críticos que, certamente, são significativos e agregam muito para qualquer cidadão que se preocupe em ser minimamente consciente em relação ao mundo que o cerca. Ulixo também é administrador da conceituado perfil "Music Punk 1977", através do qual posta diversos vídeos e fotos relacionados à cultura Punk, em geral. Ele também já lançou com Fofão, o livro "Besthöven Discography Book", é ativo em protestos políticos e através de seus tantos feitos, divulga e apoia inúmeros bandas nacionais e internacionais. Nós conversamos com ele sobre diversos assuntos e você confere abaixo como foi esse papo. Ulixo é o tipo de pessoa que pode inspirar muita gente a abandonar o comodismo e começar a construir projetos autênticos. Eu diria que ele é um caso (um tanto raro) de indivíduo que compreende e pratica os verdadeiros e principais aspectos do Punk Rock: a capacidade crítica, a reflexão constante a liberdade de expressão e de pensamento, a tomada de atitudes e a reciprocidade. Nosso site se sente verdadeiramente honrado em homenagear essa figura lendária do Punk Rock do DF.


1. Ulisses, no início do mês de julho recebi duas edições dos zines que você produz. Poderia contar como é o processo de criação desse material? Há fins lucrativos envolvidos?

O processo de criação começa com as bandas, mando o convite e depois da  aprovação das bandas, daí, na sequência eu monto a página referente a cada assunto. Há colaboração de textos e quando me pedem eu faço a ilustração para esses conteúdos, sempre com autorização de quem mandou. Não há fins lucrativos, apenas divulgo e imprimo 50 zines para distribuição.

2. Desde quando você produz os zines e qual é a importância social e cultural dessas revistas?


Comecei a me envolver com o Punk no final de 1983 e em 1985, na minha adolescência, aos 14 anos,  eu fazia esse mesmo zine. Na época era muito difícil de produzir, pois dependia de todo mundo para tudo (inclusive para tirar xerox). Acho que hoje a informação está mais acessível, porém, temos que somar para a galera abrir os olhos.

3. De que maneira você acha que o D.I.Y pode ser positivo na vida de uma pessoa?

De todos as maneiras, desde trocar um chuveiro de casa até não depender de ninguém para realizar seus sonhos e hobbies.
  
4. As edições que recebi carregam uma tonalidade bem crítica em relação ao contexto político que nos rodeia. Na sua opinião, porque certos babacas como Bolsonaro, Trump e Boris Johnson tem sido eleitos? O que a população enxerga nesses genocidas?

Eu nunca votei e acho que o voto não é válido no Brasil, pois sempre são as mesmas pessoas que estão envolvidas e quem entra de diferente, não faz nada. Está tudo errado na política e se ela não fosse um cabide de emprego, esses caras não  estariam lá. As pessoas não estão procurando alguém para realmente mudar o mundo político e sempre querem arriscar para achar um herói, como esses aí e alguns outros que são perigosos para o mundo. O Bolsonaro é um risco para ele mesmo, pois o cara nunca respeitou ninguém, quiseram ele e o preço esta aí, já o Trump é um Bolsonaro nível TOP com pensamentos mesquinhos e conseguiu também chegar lá através do povo que queria mudança. O Boris se faz de retardado, mas é manipulador pra caramba...
 
5. De que maneira, no dia-a-dia, podemos colaborar para a construção de uma sociedade mais sábia e justa?
Isso começa dentro de casa, com a educação primária e se cada um fizer a sua parte, a sociedade seria sim um pouco mais justa. O povo não sabe o poder que tem e não sabe que é a maioria.

(...) não se acomode, lute!
 
6. Você administra uma das páginas brasileiras mais qualificadas sobre o Punk Rock. Poderia nos contar como surgiu o perfil "Music Punk 1977"?

Sempre ouvia meus discos, gravava vídeos  para uns amigos e mandava pelo “Whatsapp". Alguns desses amigos me falavam para abrir uma conta no Instagram e colocar os vídeos lá e eu sempre relutava. Porém, decidi abrir essa conta há um ano atrás para colocar somente os meus discos, e depois fui colocando ideias, desenhos e voltei a fazer meu zine esse ano e sempre o divulgo por lá também.

7. Gostaria que você comentasse sobre a importância do ano de 1977 para o Punk Rock…

O ano de 1977 foi um marco para o Punk, pois nesse período surgiu muita banda boa e o movimento estourou no mundo… não é o começo de tudo, mas foi o ano que ficou eternizado como o começo do Punk,

8. Você deve ter muito vinil, hein? Desde quando coleciona os bolachões?

Ganhei meu primeiro disco Punk no fim de 1983 de um amigo, foi a primeira edição do "Never Mind The Bollocks", dos Sex Pistols. Era uma edição nacional que saiu aqui em 1978. Não tenho muitos discos… acho que tenho por volta de 350.

9. Infelizmente o vinil vem perdendo espaço na indústria fonográfica, embora, é claro, ainda tenha muitos colecionadores ao redor do mundo. Como você avalia que será esse cenário entre formato digital e físico nos próximos anos?

Isso acontece aqui no Brasil, mas lá fora tudo sai em vinil. Aqui a música foi banalizada e também ficou caro lançar material nesse formato. Poucas pessoas dão força para as bandas… não precisa ser um consumista, mas pague o seu ingresso dos shows, compre uma camiseta, um botton ou simplesmente divulgue o trabalho das bandas.

(...) esses caras não fazem e nunca vão fazer nada pelo povo. 
10. Sua página parece ter um público de fora do Brasil. Como é a recepção em relação às suas postagens? Vejo que você recebe muitos elogios.

Na real, o meu público mais fiel é o de fora, dou atenção a todos daqui ou de fora, falo sobre os discos e sobre as bandas, acho legal a galera se informar e curtir essa cultura.
 
11. Um aspecto importante do anarquismo e do próprio Punk Rock é a reciprocidade, o mutualismo. Isso ainda se faz presente hoje em dia na cultura Punk?

Sem dúvida. E sempre vai fazer parte, somos poucos e somente nos unindo é que conseguiremos fazer a diferença.

12. Frequentemente vemos a inscrição "Punk Is Not Dead". Você concorda? Acha que o Punk continua vivo?


Muito vivo, nunca morreu e se renova sempre… não se acomode, lute!


Ulixo protestando em Brasília (2020).

13. Acima eu fiz uma pergunta sobe política. O Punk Rock, de certa forma, sempre se relacionou com esse assunto, né? Poderia comentar um pouco sobre esse assunto?

Eu vivo a política aqui em Brasília... nunca mudou nada e nunca irá mudar. Minhas filhas me perguntaram em quem eu votaria nas últimas eleições, eu disse que nunca votei e nunca irei votar, pois esses caras não fazem e nunca vão fazer nada pelo povo, só possuem interesses próprios.

14. Que dicas você pode dar para uma pessoa que deseja fazer fanzines?

Comece hoje, escreva sobre o que quiser e como quiser, não precisa ter muitas páginas e nem regras, não precisa ser lindo. O zine é um informativo que funciona de forma rápida, tendo textos curtos e diretos. Pode ser feito no computador, ou à mão, simplesmente com um papel com uma caneta… Faça-se zine!

15. Por fim, a pergunta que não quer calar: The Clash, Sex Pistols ou Ramones?

 
Sex Pistols pra mim e para muita gente o começo de tudo, The Clash o começo da parte política e segregada do Punk e Ramones apenas diversão não dizem muitas coisas nas músicas, exceto sentimentos que também são válidos. Eu gosto de todas essas bandas, mas o Punk é muito mais que apenas eles.

terça-feira, 23 de junho de 2020

ROXY MUSIC: O ICÔNICO ÁLBUM QUE MARCOU A HISTÓRIA DO ART ROCK

Por: Diego Bagatin

No início dos anos 70, o Art Rock, subgênero do rock experimental, já era notado em algumas bandas que também faziam parte de movimentos mais pop e tradicionais. O rock progressivo, que estava caminhando com toda força na Inglaterra, já estava fazendo parte de um conceito épico na cena musical com bandas como Pink Floyd e seu “Atom Heart Mother” (1970), e Yes com seu “Close to the Edge” (1972). Além disso, muitas outras bandas também estavam se formando por influências de movimentos da vanguarda do final dos anos 60, com o Velvet Underground tendo efeito sobre muitos projetos que se originaram depois. Captando essas influências da vanguarda, elementos de rock progressivo, alternativo e música popular, o graduado de escola de arte Bryan Ferry teve a ideia de formar uma banda com alguns conhecidos que aceitaram entrar em um projeto que mudaria o curso da história do art rock. Essa banda foi o Roxy Music.

Em sua primeira formação, junto com Bryan Ferry, a banda contava com Graham Simpson, um baixista conhecido de seus tempos da escola de arte, o saxofonista Andy Mackay, o guitarrista Phil Manzanera (que mais tarde viria a trabalhar com outros músicos como David Gilmour), o baterista Paul Thompson e o multi-instrumentista Brian Eno, que anos depois iria produzir álbuns de respeito como a estreia do Devo e a Trilogia de Berlim, de David Bowie, além de uma imensa carreira solo que o denominou como um dos maiores expoentes da música ambiental. Estava formada uma das mais brilhantes (no maior sentido literal da palavra) bandas que surgiram com o fenômeno do Art e Glam Rock.


Roxy Music foi pioneira na cena musical Art Rock.

O flower power havia acabado junto com Charles Manson e seus assassinatos, e o Roxy Music chegou no início dos anos 70 para celebrar a vida de uma maneira tão experimental e intensa que muitas bandas que surgiram nos anos seguintes se viam na sombra de uma majestosa onda de sons dos sintetizadores do Brian Eno. Produzido por Peter Sinfield, poeta e membro dos primeiros anos da banda de rock progressivo King Crimson, o disco homônimo de 1972 se abria com uma festa e vozes de uma nova década que estava surgindo.

“Re-make / Re-model” introduz o ouvinte a uma agitação sonora por meio de cruzamentos dos instrumentos da banda, em especial o teclado e os sintetizadores de Brian Eno, pulsando a celebração que previu a carreira da banda durante os anos posteriores. Eno, em seu VCS3, dá sequência com a abertura de “Ladytron”, enquanto o oboé de Andy Mackay se junta aos sons do sintetizador formando um vislumbre do que seria algo como um foguete pousando sobre a Lua. Vale lembrar também que a faixa originou o nome da ótima banda de electropop Ladytron, surgida em Liverpool no final dos anos 90. Uma sentimental voz de Bryan Ferry surge em "If There is Something" trazendo uma declaração de amor em meio a solos de guitarra do incrível Phil Manzanera e de saxofone de Mackay. Isso logo é deixado para trás quando o pop toma conta do disco com “Virginia Plain”, uma das faixas mais conhecidas da banda. A música fez muitos convidados do programa musical da BBC Top Of The Pops dançarem sem terem noção de que a história estava sendo feita e transmitida para influenciarem muitas gerações que viriam em seguida. O disco também possui homenagens ao cinema, com “2HB” sendo um tributo a Humphrey Bogart, ator de Casablanca. Aqui, Bryan Ferry mostra o lado charmoso e suave para temas que viriam a se tornar hinos de discos do Roxy Music no final dos anos 70 e começo dos anos 80, como um ambiente de cheio de coquetéis e ternos. Uma imagem muito inspirada clássicos dos anos 50. O lado B começa e termina com faixas extraordinárias para belos exemplos da avant garde, com "The Bob”, "Chance Meeting", "Would You Believe?" e "Sea Breezes" trazendo um dilúvio de ruídos e efeitos sonoros cheios de estranheza e hiperatividade, já “Bitters End” encerra o disco com uma emotiva balada de fim de festa. E que festa!

O disco Roxy Music também conta com a ex Bond girl e modelo Kari-Ann Muller na capa, esposa de Chris Jagger (irmão de Mick Jagger). Uma característica que faria parte da discografia da banda, apresentando sempre mulheres que tornariam cada disco icônico e charmoso como trilhas de filmes da década de 50.

Um marco na história do Art Rock.

Kari-Ann Muller, a primeira de muitas mulheres icônicas das capas dos discos do Roxy Music.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

DOUG HART - MUITO ALÉM DO MARY CHAIN:

Por: Juliana Vannucchi (apoio de Gabriel Marinho):

Batemos um papo com Doug Hart, baixista da primeira formação do The Jesus And Mary Chain. Bastou um único telefonema para conversamos sobre assuntos diversos, tal como música, política, povos indígenas... e futebol. Abaixo, você conhece um pouco mais da trajetória desse lendário baixista, que apesar de ter obtido sucesso pela passagem na banda escocesa, é muito mais do que um ex-membro do Mary Chain: por trás dos cabelos bagunçados e dos tradicionais óculos escuros, há um cineasta brilhante, um homem inteligente, cheio de referências culturais, com uma mente muito aberta, e que é dono de um coração enorme.

DOUG HART ERA O CAMISA 10 DO THE JESUS AND MARY CHAIN:

O The Jesus And Mary Chain é uma das bandas alternativas mais aclamadas do mundo, tendo fãs espalhados pelos quatro cantos do planeta. Sua sonoridade suja e minimalista marcou os anos oitenta e abriu portas para que muitos músicos ousassem se aventurar nos mais variados experimentalismos sonoros.

Geralmente, os irmãos Jim e William Reid são sempre o grande destaque quando se fala no The Jesus And Mary Chain. Além deles, outro grande nome que fez parte da história do célebre grupo escocês é Bobby Gillespie, que se tornou mais conhecido quando passou a liderar a banda Primal Scream. Mas além desses artistas, houve uma figura que ajudou o TJAMC a moldar sua trajetória e a arquitetar sua estética tão diferenciada: trata-se de Douglas Hart.

Pode ter certeza que as faixas de maior sucesso dos queridinhos escoceses, provavelmente não existiriam se não fosse pela originalidade de Doug, que talvez tenha sido o baixista mais rebelde, underground e inventivo do período oitentista. Ele se tornou especialmente conhecido por tocar seu baixo com apenas duas cordas e numa entrevista, chegou a dizer que as duas já eram suficientes e que desse jeito, qualquer pessoa seria capaz de tocar aquele baixo. Esse discurso é certamente inspirador para quem pretende ter uma banda e/ou tocar um instrumento em particular, especialmente se lavarmos em conta o fato de que as composições feitas por Doug sempre foram elogiáveis e ele criou melodias memoráveis tocando com instrumento adaptado dessa forma. A esse respeito, o músico e crítico Gabriel Marinho (The Other Creatures), comenta: “Eu diria que o Doug Hart levou o minimalismo musical há outro nível quando se juntou ao Mary Chain. Como se não bastasse ambos os irmãos Reid mal saberem tocar guitarra e o baterista usar somente três peças, Doug não só incorporou o espírito Punk como também o DIY. Ele realmente provou que a frase ‘menos é mais’ é válida da forma mais inusitada possível”.

Doug dedilhava seu baixo peculiar com maestria e criatividade e assim, ajudou a dar vida a alguns dos maiores hinos gravados pela banda. Não à toa, é constantemente elogiado e citado por muitos artistas e inúmeros músicos o tem como referencial. É o caso de Ismael Braz, baixista da lendária banda “Os Maltrapilhos”, que nos contou sobre a influência que Doug teve em sua trajetória: “Pra mim, falar sobre o Doug Hart é voltar no tempo e poder ouvir mentalmente as músicas do "Jesus", especialmente as do Darklands, que talvez seja um dos discos que mais ouvi durante os anos 80, além de ser muito marcante pois faz parte da minha educação musical. Lembro que na época eu estava aprendendo a tocar contrabaixo e tínhamos uma bandinha underground que arriscava tocar alguns sons do Jesus. É lógico que não saia nada, apenas uma mescla de barulho e batidas aleatórias... era ótimo. Eu assistia os clipes da banda na MTV e ficava olhando o baixista, e ele tocava apenas com duas cordas no baixo? Putz, eu ficava me questionando: - Com duas cordas o cara tira uma sonoridade incrível do baixo e eu não consigo tocar direito nem com as quatro... (risos). O tempo passou e o Doug fez uma ótima carreira em uma das bandas mais icônicas da minha geração e só precisou de duas cordas para isso!”.

Dou Hart, conforme disse Claudio Borges, era "a corrente que os unia chama-se Douglas Hart". O camisa 10 da banda.
O jornalista Claudio Borges, que atualmente é apresentador do canal Resenhando, também comentou sobre a relevância de Hart para a história da banda escocesa: “Se, hipoteticamente falando, William é Jesus e Mary é o Jim, a corrente que os unia chama-se Douglas Hart. Tive o prazer de vê-lo em ação com o grupo há 30 anos, no extinto Canecão (RJ). Por entre toda fumaça, pouca iluminação e uma parede impenetrável de altos decibéis, era possível divisar a figura magra, de cabelos desgrenhados, estoicamente plantada entre o niilismo  de Jim e os uivos distorcidos de William. Seu baixo minimalista, completamente punk, nunca primou pela proficiência técnica, e nem era esse o propósito, mas dava o sustentáculo necessário para as composições dos irmãos”.

Doug participou dos três primeiros álbuns de estúdio lançados pela banda, sendo que na minha opinião, os dois primeiros, que são “Psychocandy” e o “Darklands” foram os mais lendários de toda a discografia do Mary Chain. São nessas obras-primas que se encontram clássicos mais famosos, tal como “Just Like Honey”, “April Skies” e “Happy When It Rains”. Dentre tais, é válido dizer que segundo álbum citado é particularmente especial para o Doug, conforme ele nos revelou.

3, 2, 1... AÇÃO!

Mas o prolifero talento artístico do músico acabou afastando-o do grupo e o levando para o universo cinematográfico, no qual atua até hoje. Mesmo quando ainda estava na banda, Doug já nutria interesse pelo cinema e começou a fazer suas primeiras filmagens em1985/1986, sendo que desde então, de fato, se encontrou e se firmou no universo da sétima arte.

Em sua carreira nesse meio, Hart já dirigiu vídeos para grandes bandas como The Stone Roses, Primal Scream, Pet Shop Boys e My Bloody Valentine. É por esses e outros feitos, que além de ter sido um grande baixista, Hart também pode ser considerado um primoroso cineasta. Gabriel Marinho também refletiu a respeito do envolvimento de Doug com o cinema: “Ele não só é um músico talentoso como também um excelente diretor. Foi o próprio que dirigiu os primeiros vídeos do My Bloody Valentine (o psicodélico "You Made Me Realise", um clássico da banda) e também está por trás das câmeras da apresentação mais conhecida do The Stone Roses, "Live Blackpool”. Além de claro ter dirigido vídeos musicais para The Libertines, Babyshambles, Primal Scream e Paul Weller”.

É válido mencionar que Douglas também fez um documentário maravilhoso sobre a vitória da seleção brasileira na copa de 1970 chamado “Brazil 70, The Sexiest Kick Off” - https://www.youtube.com/watch?v=SJWBjYZ8WeE. O músico é um grande fã e conhecedor do futebol brasileiro, além de ser apaixonado pelo esporte.


FORA, BOLSONARO!


Doug Hart também é notavelmente envolvido com assuntos políticos. Ele me revelou, inclusive, que tem interesse em livros sobre o assunto e que esse tem sido seu foco de leitura ultimamente. Além desse conhecimento teórico sobre a área, Doug também costuma expressar publicamente seus posicionamentos. Recentemente, por exemplo, usou sua conta no Instagram, para compartilhar fotos de uma manifestação ocorrida em Londres em prol de George Floyd, homem que negro que foi brutalmente assassinado por um policial nos EUA. Além disso, Hart também conhece bem e acompanha de perto o conturbado cenário político do Brasil. Quando escreveu a introdução da edição nacional da biografia do The Jesus And Mary Chain, o músico alfinetou o (infeliz) presidente Jair Bolsonaro, que considera ser uma pessoa “perigosa”. O músico também não compactua com outros líderes de direita, tal como Donald Trump e Boris Johnson, que é por ele “desprezado” por já ter causado o sofrimento de muitas pessoas.

A respeito do engajamento político de Douglas Hart, Cláudio Borges comentou: “Seu lado político também permanece ativo e chutando. Em 2019, assinou manifesto endossando a candidatura de Jeremy Corbyn (Labour - partido dos trabalhadores inglês) desejando não ter que ficar sob o jugo dos conservadores. No mesmo ano, assinou um prefácio inédito para a edição brasileira da biografia de sua ex-banda, mostrando que sabia bem do que falava: O novo presidente do seu país é tão idiota que eu espero que a leitura deste livro possa alegrar as pessoas por alguns dias. Então, pode ser que elas considerem seriamente a ideia de tirar Bolsonaro do poder na próxima eleição”.

Durante nossa conversa, perguntei ao Doug porque ele acha que líderes de extrema-direita tem sido eleitos com tanta frequência. Em partes, ele atribuiu o fato a um grande apoio dado pelos meios de comunicação, que se esforçam em culpar a esquerda pelas coisas que dão errado no mundo, e sempre, de uma maneira ou de outra, enfatizam partidos de direita. O músico deixou bem claro que acredita que as pessoas podem fazer alguma coisa para melhorar a situação, além de dizer que o envolvimento político por parte da população é essencial para possíveis mudanças. Acredito que essa mensagem de Doug, seja especialmente relevante para o Brasil...

Agradecimentos especiais:

Ismael Braz (baixista da banda Os Maltrapilhos)
Claudio Borges (apresentador do canal Resenhando)

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