Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

Mostrando postagens com marcador Especial: Siouxsie And The Banshees.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Especial: Siouxsie And The Banshees.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

RELIGIÃO, MODA E PUNK ROCK: UM POUCO MAIS SOBRE SIOUXSIE SIOUX

 Por Juliana Vannucchi

O Fanzine Brasil traz hoje a primeira lista de 2021. E para essa estreia escolhemos um tema que nossos leitores adoram: Siouxsie Sioux. Fizemos uma pesquisa sobre a lendária vocalista inglesa e elencamos alguns fatos bem curiosos sobre ela! Confira, compartilhe e deixe seu comentário!

UM POUCO MAIS SOBRE O GOSTO MUSICAL DE SIOUXSIE SIOUX: 

Uma vez, em outra lista do nosso site, citamos algumas das principais influências musicais de Siouxsie Sioux e mencionamos algumas bandas das quais ela gosta. Hoje, porém, faremos o contrário, e nesse primeiro tópico contaremos aos leitores o nome de um grupo que ela detesta com todas as forças!

Numa entrevista do início da década de noventa, Siouxsie declarou que odeia Genesis, banda à qual já dirigiu as seguintes palavras: “Eu os desprezo. Eu odeio a afabilidade deles, apenas aqueles caras comuns... o ... Eu odeio a música deles. Eu odeio como eles se colocam. Acho que deveriam ser (ela olha em volta em busca de uma punição adequada) ... queimados”.  Na sequência da entrevista em que fez essa observação, também disse que nunca conheceu os membros do Genesis e que não gostaria de conhecê-los.

"Não é que eu tenha qualquer intenção de criar um novo visual que seja memorável. Eu simplesmente me canso das coisas".

SID VICIOUS E OS PISTOLS: 

Sabemos que os Banshees emergiram durante a eclosão do punk rock inglês e que seu destino se cruzou com o dos membros do Sex Pistols. Siouxsie foi uma das tantas pessoas da cena londrina que tiveram o privilégio de conhecer pessoalmente uma das figuras mais caricatas da história do Rock And Roll: Sid Vicious. A esse respeito, numa entrevista concedida a David Cavanagh em 1992, a vocalista e cofundadora dos Banshees disse que havia um Sid antes do Sex Pistols e um depois. Sugeriu que ele mudou muito. Disse que antes de ele se juntar ao grupo punk, tinha um grande senso de humor. Mas na mesma entrevista em que teceu esse elogio, complementou: “Eu provavelmente não seria capaz de continuar com ele (após os Pistols). Pelo que ouvi, ele mudou muito. Eu o vi uma vez e quase não o reconheci. Ele simplesmente se foi. Ele deixou o planeta”.

Na mesma ocasião, Sioux foi questionada a respeito das bandas punks que admirava e respondeu de maneira segura: “De várias da América, como The Cramps. Suicide, Iggy mesmo naquela época. E os primórdios do Wire. Provavelmente há muito mais”.

Na sequência, foi questionada sobre três grandes bandas ingleses: Pistols, The Clash e The Damned. A essa pergunta, respondeu com certo tom de sarcasmo: “Oh, os caricatos. Bem, os Pistols foram muito importantes para mim, mas isso foi antes de eles assinarem e lançarem um disco. Foi o fato de ir aos shows que me afetou. Nunca toquei Pistols desde então. Eu nunca quis”.

MODA:

Siouxsie Sioux é constantemente lembrada pelo seu visual excêntrico e muito original. A cantora, em mais de uma ocasião, já comentou que suas vestimentas eram escolhidas de maneira espontânea. Numa entrevista realizada no início dos anos 90, a vocalista comentou esse fato e também, como de costume, lamentou-se por ter sido associada ao universo gótico, ao qual ela já disse inúmeras vezes que não pertence: “Não é que eu tenha qualquer intenção de criar um novo visual que seja memorável. Eu simplesmente me canso das coisas mais rápido do que a maioria das pessoas e, muitas vezes, sinto vontade de ser contrária, apenas porque alguém tem que ser. É bom que algumas coisas sejam lembradas. Outras vezes, é irritante. A Siouxsie com cabelo espetado e botas de couro preto na coxa tornou-se uma espécie de ícone. Obviamente, esse visual influenciou garotas e garotos que formaram bandas e, infelizmente, se tornou gótico”.

 

"A Siouxsie com cabelo espetado e botas de couro preto na coxa tornou-se uma espécie de ícone. Obviamente, esse visual influenciou garotas e garotos que formaram bandas e, infelizmente, se tornou gótico".

SIOUX TOCA GUITARRA?

Siouxsie confessou, numa entrevista concedida no ano de 1992, que começou a se sentir uma cantora de verdade somente na época em que o álbum Kaleidoscope foi lançado – isto é, em 1980. Foi um momento especial e que representou um notável amadurecimento para ela. Nesse mesmo período, Sioux aprendeu a tocar guitarra. A vocalista dos  Banshees comentou sobre essa experiência: “Eu aprendi o básico de guitarra e comecei a compor na guitarra. Não sou uma guitarrista solo e nem nada do tipo, mas eu aprendi como uma música deve soar. Às vezes, ainda fico frustrada com a minha falta de habilidade, mas é muito rápido quando você compõe algo na guitarra - há um certo imediatismo que você não percebe quando compõe algo no teclado”.

UMA VISÃO CRÍTICA SOBRE A IGREJA E SOBRE A RELIGIÃO:

Vejamos agora, para encerrar nossa lista, algumas palavras e reflexões de Siouxsie Sioux a respeito das religiões “Quando estou numa igreja, sinto-me muito religiosa, mas acho que a religião foi desgraçada através dos tempos. Eu vou mais pelo lado do simbolismo dela do que por sua realidade. A religião se tornou tão politizada que atualmente ela parece ser uma intenção do homem em assustar as pessoas para que elas se comportem. A religião é sempre usada como uma ameaça ou um poder - eu conheço muitas pessoas que tiveram uma educação católica que ainda têm um medo ao invés de um amor a Deus”. Mas apesar dessa perspectiva mais crítica, Sioux declarou: “Mas ainda tenho uma crença provinda da infância nas igrejas, devido a sua beleza e tranquilidade. Num dia de calor, você pode ir à igreja, ela é um ambiente maravilhosamente fresco. Tem janelas lindas e às vezes cascatas de flores e é lindo."

 

"A religião é sempre usada como uma ameaça ou um poder (...)"


Referências:

http://www.thebansheesandothercreatures.co.uk

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

THE DAMNED: QUANDO UM VAMPIRO PUNK E UM GUITARRISTA PSICODÉLICO DECIDEM FAZER MÚSICA

 Por Juliana Vannucchi

Não há como pensar na história do punk rock sem levar em conta a trajetória do The Damned, uma das bandas pioneiras do gênero e um dos maiores expoentes da cena inglesa dos anos setenta (ou, talvez, mais adequadamente falando, da OAP: Old Age Punk). Aliás, neste ponto é importante frisar que a banda foi um dos primeiros grupos punks do Reino Unido a lançar um compacto ("New Rose", lançado em outubro de 1976) e também um álbum. São feitos simplesmente históricos. Porém, o The Damned não estacionou seu estilo nos limites impostos pelo mundo punk e incorporou em sua estética um toque exótico de fantasia misturado com uma aura cinematográfica de terror e uma pincelada extra de psicodelia. A soma desses elementos fez surgir uma das bandas mais peculiares, queridas e aclamadas da cena punk e pós-punk e que despertou a paixão de muitas pessoas, incluindo ninguém mais ninguém menos do que Jimmy Page, que chegou a declarar que “sempre amou o The Damned”.

UM DUO EXCÊNTRICO:

Em termos visuais e sonoros, os membros da banda sempre foram notavelmente autênticos. O vocalista David Vanian parecia sair diretamente de um caixão antes de subir aos palcos. Ele era uma espécie de Nosferatu punk barulhento! Porém, Vanian já declarou que não havia intenção de parecer um sugador de sangue e parece não apreciar muito esse tipo de comparação: “Não se tratava de parecer um vampiro. Eu (desde os 14 anos) gostava da arquitetura vitoriana e de rituais de luto. O film noir foi uma grande influência e o rock'n'roll também. Eu adorava o Gene Vincent, gostava de Elvis, mas sempre achei que o Roy Orbison tinha a melhor voz de todas. Estranhamente, eles eram todos pálidos e com cabelos pretos. Também havia as imagens daqueles filmes mudos alemães, nos quais o homem está completamente maquiado e tem os olhos escurecidos”. Por sua vez, Captain Sensible, o icônico guitarrista (por vezes, baixista) - e maestro - da banda contrastava esse visual fúnebre e preferia trajes coloridos, muitas vezes listrados ou xadrezes, alegres e descontraídos. Era uma dupla estranha e absolutamente perfeita, que serviu como fio condutor para toda a vasta história do The Damned, fazendo com que a banda sobrevivesse desde seus primórdios até os dias de hoje. Além desse duo, ao longo do tempo houve bastante mudança na formação da banda e aqui é válido sublinhar que até Lemmy Kilmister, líder do Motörhead , chegou a colaborar com o grupo!

 

"De uma forma ou de outra, o The Damned lança em seus ouvintes uma espécie de feitiço místico que os aprisiona prazerosamente".

O CONTEÚDO LÍRICO DO THE DAMNED: UM APERTO DE MÃOS ENTRE AS SOMBRAS E O SURREALISMO:

As letras de Dave Vanian sempre foram uma das referências mais valiosas da banda. Ele escreve versos com temáticas surreais, oníricas e um tanto soturnas, sendo que este último aspecto sobressai. O vocalista já assumiu publicamente numa entrevista que seu lirismo permeia por assuntos sombrios, mas sente que isso é importante porque estamos constantemente cercados por isso: “A arte sempre é influenciada pelo que está ao seu redor”. Além disso, já confessou que a morte não o assusta, está longe de ser seu maior medo e declarou que nunca a desejou.

A fantasia, conforme já citado, também sempre esteve presente não apenas nas letras, mas também em toda inconfundível aura da banda que, de certa maneira, talvez tenha encontrado sua singularidade justamente nessa mescla do universo dark com o universo fantástico que, na discografia do The Damned, sempre dialogaram. Porém, os temas não se esgotam nesses dois âmbitos e também são inspirados em outros assuntos, como filmes, livros e política.

NEW ROSE, O SINGLE HISTÓRICO DA BANDA:

O lançamento do aclamado single “New Rose”, ocorrido em outubro de 1976, antes mesmo da eclosão do Sex Pistols, foi simplesmente revolucionário. Gravado por um valor de 50£, a música é cheia de fúria e energia e foi um verdadeiro marco para o punk rock, uma vez que foi o primeiro single do gênero a ser lançado na Inglaterra. Segundo o guitarrista Brian James, autor da letra, a faixa era um prelúdio para uma nova era e, diferente do que muitos imaginavam, não descreve nenhum tipo de relacionamento amoroso. Ele explicou: “Para ser sincero, nunca pensava nas letras que escrevia. Eu apenas as anotava. Elas certamente não eram sobre uma garota, pois eu não tinha uma na época e o amor não estava em minha mente. Suponho que as palavras se encaixam perfeitamente. Depois, percebi que as letras eram sobre essa nova era, essa nova cena punk emergente”. Certa vez, numa entrevista concedida à revista Mojo, ao comentar sobre a música ser um anúncio da revolução punk, declarou que ela falava sobre: “Esse adorável zumbido que você nunca sonhou que pudesse acontecer”.

Vanian descreveu a gravação como uma “experiência fantástica” e disse que, de certa maneira, a maneira pela qual a música foi produzia apreendeu a atmosfera da banda em suas apresentações ao vivo. Ou seja, em seu resultado, “New Rose” era crua, simples e essencialmente perfeita. O vocalista do Damned revelou também que precisou gravar os vocais num corredor, e não dentro do estúdio: “Tive que cantar lá com a porta fechada, e ainda estava muito alto porque estava tudo no volume máximo. Quase não havia espaço suficiente para a banda quando o gravamos (...)”.

Ao longo dos anos, bandas como Guns N’ Roses e Depeche Mode já gravaram covers da música.

 

“A arte sempre é influenciada pelo que está ao seu redor”.
  

ENTRE O AGITO DO PUNK E A INTROSPECÇÃO DA ONDA DARK: UM GIRO PELA DISCOGRAFIA DA BANDA:

A discografia do The Damned é composta por um total de onze álbuns de estúdio, dentre os quais, alguns são absolutamente míticos e outros, por sua vez, são pouco inspiradores.

Os três primeiros, isto é, o “Damned, Damned, Damned”, o “Music For Pleasure” e o “Machine Gun Etiquette”, essencialmente flertam com a fórmula tradicional setentista do punk rock inglês, sendo que o primeiro e o segundo foram lançados justamente em 1977, ano mais memorável da história desse gênero musical. Contudo, é válido citar que o segundo e o terceiro não carregam a mesma magia do disco de estreia, que foi imensamente aclamado. Ambos pecam ligeiramente em originalidade e soam de uma maneira um tanto repetitiva, algo que talvez tenha sido inesperado para uma banda que começou a carreira de forma tão notória. Mas também é preciso admitir que seria um grande desafio atingir a mesma qualidade do “Damned, Damned, Damned”, que foi impecável em todos os seus pormenores. A começar pela memorável capa, na qual vemos os integrantes da banda com seus rostos cobertos por bolo. De acordo com Brian James: “Acharam que seria uma alegria nos surpreenderem com alguns bolos de creme, mas não sabiam que iríamos saborear, entrar na onda e desfrutar de toda a experiência”. Para alguns críticos, esse foi o melhor álbum da história da banda.

A partir de 1980, o The Damned começa a ressignificar seu estilo musical e passa a incorporar em suas canções um clima obscuro, non-sense e psicodélico, que permeia pelos quatro álbuns lançados nessa década. A fase em questão bastou para que alguns os associassem diretamente com a cena gótica. É preciso levar em conta que no início dos anos oitenta, o pós-punk estava sendo consolidado no Reino Unido e, aos poucos, tomava para si o estrelato que anos antes pertenceu ao punk rock. A mudança de rumo do The Damned foi natural e aconteceu com outros grupos. O maior expoente dessa fase sombria é o “Phantasmagoria”, que para muitos consiste na principal obra-prima da carreira da banda. Antes dele, o “The Black Album” e o “Strawberries” sutilmente já anunciavam que o Damned alteraria a rota de sua trajetória embrionária. O “Phantasmagoria” é o álbum mais poético e valioso de todos e é nele que encontramos as mais conhecidas baladas do grupo. O protagonismo do disco se concentra especialmente na voz encantadora de Vanian. A guitarra passa e experimentar efeitos diferentes e perde a velocidade e brutalidade dos três primeiros álbuns. O saxofone é um instrumento diferente que também aparece no álbum, e o teclados são usados de uma maneira magnífica e proeminente. 

Depois dessa produção, o Damned lançou o “Anything”, que é agradável e possui uma ou outra música cativante. Foi um bom trabalho, mas nada excepcional. Após essa produção, o grupo passou nove anos sem gravar, até que em meados dos anos noventa voltaram à tona com o “Not On This Earth”, um álbum confuso e fraco que, provavelmente, é o mais desanimador de toda a discografia do The Damned. Isso não aconteceu apenas com a eclosão do grunge, e lendas como Siouxsie And The Banshees, The Cure e Echo And The Bunnymen também perderam forças e ficaram em segundo plano ao longo desse período. Posteriormente, permaneceram em silêncio durante o restante da década até que, em 2001, tentaram se reinventar com o lançamento do “Grave Disorder”. Anos mais tarde, mais precisamente em 2008, veio o “Who’s Paranoid?” e, uma década depois, o The Damned nos presenteou com o “Evils Spirits”. Esses três álbuns são definitivamente bons e muito nostálgicos, pois resgatam um pouco do brilhantismo e da criatividade do início da carreira do grupo. O último deles é empolgante e soa bem do início ao fim.

De uma forma ou de outra, o The Damned lança em seus ouvintes uma espécie de feitiço místico que os aprisiona prazerosamente para sempre. Hits como “Grimly Fiendish”, “Love Song”, “Eloise”, “Neat, Neat, Neat”, “Fan Club”, Alone Again Or” são simplesmente fascinantes. A oscilação de qualidade ao longo do tempo não significa nada perto da genialidade de faixas como essas e também como tantas outras.

Referências:

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2020/feb/22/damned-new-rose-brian-james-punk-oscar

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2018/mar/19/how-we-made-the-damned-new-rose

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2014/apr/25/the-damned-review-captain-sensible-60th-birthday-forum-london

https://www.google.com.br/amp/s/www.gq-magazine.co.uk/culture/article/the-damned-dave-vanian-interview%3famp

https://www.google.com.br/amp/s/www.independent.co.uk/arts-entertainment/music/features/damned-interview-dave-vanian-evil-spirits-album-stream-tour-dates-a8302596.html%3famp

https://www.songfacts.com/facts/the-damned/new-rose

https://diffuser.fm/damned-anything/

https://www.phoenixnewtimes.com/music/damned-interview-dave-vanian-captain-sensible-phoenix-may-21-9340452


domingo, 4 de outubro de 2020

5 CURIOSIDADES SOBRE SIOUXSIE SIOUX

 Por Juliana Vannucchi

Hoje o Fanzine Brasil está trazendo mais um texto muito especial que faz parte da nossa série de materiais sobre os Banshees. Dessa vez, compilamos alguns fatos bem interessantes sobre a talentosa Siouxsie Sioux. Confira essa lista e, se gostar do conteúdo, deixe um comentário e compartilhe o link do texto!

QUAIS FORAM AS BANDAS QUE MAIS IMPACTARAM SIOUXSIE SIOUX?

Alguns dos artistas e respectivas músicas que mais impactaram a vocalista dos Banshees, em toda a sua vida, foram: David Bowie (Jean Genie), Roxy Music (Virginia Plain), Sparks (This Town Ain't Big Enough For The Both Of Us) e T. Rex (Get It On). Mas vários outros nomes foram imensamente marcantes para a cantora, e um deles é o The Beatles. Além disso, ela frequentemente cita o The Doors e o The Stooges como seus favoritos e maiores influências.

Por outro lado, Sioux já declarou duas bandas pelas quais não tem interesse algum, que são o The Smiths e o Depeche Mode...(ufa! Não sou a única que não gosta desses grupos).

QUAL VÍDEO DOS BANSHEES FOI MAIS LEGAL DE GRAVAR?

O vídeo que ela mais gostou de fazer foi Peek-a-Boo... uma das razões para isso, era poder acompanhar os meninos tentando aprender alguns paços que fariam durante as filmagens!

QUEM FOI O MELHOR GUITARRISTA QUE PASSOU PELOS BANSHEES?

Siouxsie já declarou que seu guitarrista favorito foi John McGeoch, porém, na mesma entrevista em que fez essa afirmação, ela também declarou que adoraria ter conhecido o Knox Chandler antes da banda ter terminado, e lamenta que ele tenha se juntado aos Banshees apenas quando eles já estavam se dissolvendo.

QUE PROFISSÃO SIOUX TERIA SEGUIDO, CASO NÃO TIVESSE TRILHADO O CAMINHO MUSICAL?

Siouxsie listou várias profissões que gostaria de ter seguido, caso sua vida não tivesse tomado um rumo musical. Vejamos: arquiteta / designer de interiores / cenógrafa / uma especialista em jardim botânico, uma detetive forense (campo ligado à criminologia) /  uma veterinária / conservacionista (movimento de cunho político ou social que visa a proteção do meio ambiente) ou uma dançarina e coreógrafa. E aí? Em qual dessas áreas ela se encaixaria melhor? Comenta aqui...

QUAL FOI O PRIMEIRO ÁLBUM QUE A SIOUX COMPROU?

Numa entrevista concedida ao The Guardian, ela declarou que foi “ABC” do Jackson Five.

Referências:


https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2005/jul/22/siouxsieandthebanshees.popandrock

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/music/2005/sep/24/popandrock.siouxsieandthebanshees

A icônica Siouxsie Sioux


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

TRÊS FATOS IMPORTANTES QUE MARCARAM A HISTÓRIA DOS BANSHEES

Por Vannucchi  

 Queridos leitores do Fanzine Brasil, nosso site está de volta com mais um conteúdo muito especial sobre a banda Siouxsie And The Banshees. Se gostar desse novo material, por favor, não esqueça de compartilhar o link e deixar comentários!
Lembre-se que essa é a segunda postagem na qual compilamos algumas curiosidades sobre a banda, que foram exclusivamente baseadas na biografia oficial dos Banshees, lançada em 2003 (sem tradução em língua portuguesa).


MARC BOLAN ELOGIA OS BANSHEES...

O grupo Siouxsie And The Banshees gravou excelentes covers durante sua trajetória musical. Dentre essas produções, está “20th Century Boy”, que é um dos maiores clássicos do T. Rex. Kenny Morris (ex-baterista) conta que, certa noite, no London’s Music Machine, Marc Bolan apareceu para assisti-los. Morris recebeu um elogio do vocalista do T.Rex, que declarou gostar de seu trabalho musical. E de acordo com Siouxsie Sioux, o frontman do T.Rex se mostrou bem entusiasmado em relação ao cover que os Banshees fizeram! Ela revela que havia uma certa conversa de que ele, inclusive, desejava ser produtor da banda! Já pensou? Como será que as coisas teriam acontecido se isso se concretizasse? Sioux, porém, faz uma confissão: “Preferia, contudo, que ele tivesse sido nosso guitarrista (ao invés de produtor)”. Isso também teria sido incrível, não?

 

Siouxsie e Marc Bolan (1977)
 

PHIL OAKEY, VOCALISTA DO THE HUMAN LEAGUE TAMBÉM ADMIRAVA OS BANSHEES...

Na biografia da banda, encontram-se alguns depoimentos feitos por músicos cujo destino, em algum momento e de alguma forma, cruzou com o dos Banshees! Um desses sortudos é o músico Phil Oakey, uma das maiores lendas mundiais da música eletrônica. O The Human League os Banshees estiveram juntos em 1978, numa turnê. Oakey diz: “Não entendia os Banshees até o terceira ou quarta encontro da turnê que fizemos, até que, num certo momento, quando estava ao lado do palco os acompanhando, eu finalmente os compreendi”. Ele também comenta: “Os Banshees eram diferentes, eram únicos. Eles quatro faziam algo que nunca antes havia sido visto”. Phil prossegue: “Havia algo na Siouxsie que era totalmente nonsense”. E ele ainda os comparou com o próprio Human League: “Eles se sentiam da mesma maneira que nós nos sentíamos: que a música e o visual são ambos importantes”.

 

“Os Banshees eram diferentes, eram únicos". (Phil Oakey)

ALGUMAS PALAVRAS DE SIOUXSIE SIOUX SOBRE O ÁLBUM “JOIN HANDS”:

Sioux conta que a música “Playground Twist” era o single do álbum. De acordo com a vocalista: “Essa é uma música sobre a crueldade das crianças e todo aquele aspecto de ser jogado num playground durante o inverno, com ventos fortes e sendo deixado lá para se defender sozinho”. Ainda em relação essa música ela conta que quando a faixa foi lançada, perguntaram a ela o que ela gostaria de escutar no rádio. Prontamente, a cantora respondeu que não gostaria de ouvir nada, pois, na verdade, não gostava de escutar rádio. Ela disse que tinha coisas mais importantes para fazer em sua vida. Aparentemente, esse depoimento deixou um radialista chamado Tony Blackburn muito bravo e no dia seguinte, em seu programa ele disse: “Aparentemente, a Siouxsie não gosta de escutar rádio, então nós não vamos tocar a sua música”. Como se não bastasse fazer esse discurso, ele simplesmente pegou um martelo e, ao vivo, destruiu o single com uma série de pancadas! Sioux diz que ficou simplesmente desnorteada pelo fato de que Tony entendeu um comentário inocente sobre não escutar rádio, como uma espécie de ofensa pessoal dirigida a ele. E além das marteladas, durante alguns dias, o radialista ainda fez várias piadinhas desagradáveis!

A vocalista dos Banshees também comenta algo muito interessante em relação à atmosfera do álbum: “Nós todos gostávamos dos filmes de horror psicológico feitos pelo cometas Alfred Hitchcock, e era o espírito e as emoções dos filmes dele que estávamos inserindo dentro das nossas músicas: tratava-se de criar canções de obsessão e psicose. Nós estávamos fazendo a trilha sonora para os filmes que existiam em nossas próprias mentes. Eu acho que é por isso que a verdadeira estrutura dos nossas músicas eram tão esquisitas - pra mim o ato de escrever uma música ‘correta’ sempre pareceu realmente estranho”.

 

O segundo álbum dos Banshees foi lançado em 1979


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

5 CURIOSIDADES SOBRE A BANDA SIOUXSIE AND THE BANSHEES

Por Juliana Vannucchi

 Abaixo, selecionamos cinco fatos interessantes sobre a trajetória dos Banshees. A lista foi  escrita a partir de informações presentes na biografia oficial da banda, intitulada “Siouxsie & The Banshees - The Authorised Biohraphy”. O livro é excelente e é, com certeza, uma leitura indispensável para os fãs. Aos poucos, pretendemos traduzir, produzir e comentar alguns outros trechos do livro, e começaremos isso a partir de agora, com essa postagem inaugural!

1.  UMA PINCELADA PELA INFÂNCIA DE SIOUXSIE SIOUX...


Susan Janet Ballion nasceu em 27 de maio de 1957, num hospital chamado Guy’s Hospital. Ela cresceu em Chileshurst, nos subúrbios de Londres.

Os pais de Siouxsie Sioux se conheceram no Congo Belga, um território africano que é administrado pelo Reino da Bélgica. Seu pai era um bacteriologista e sua mãe, uma secretaria bilíngue - e segundo a cantora, uma mulher muito independente que também era praticamente “o homem da casa”. Por parte de mãe, Sioux tinha um avô escocês que que era médico e trabalhou na Primeira Guerra Mundial. Siouxsie teve um irmão e uma irmã, respectivamente oito e dez anos mais velhos do que ela. O irmão faleceu em meados de 2015. Ele era torcedor fanático do Wolverhampton, e influenciou Sioux a torcer para o mesmo time. E sim, a vocalista dos Banshees gosta de futebol! 

Sua primeira memória musical é a canção “Johnny Remember Me”, um clássico de John Leyton. Ela era obcecada por essa canção. Sua mãe a levava no cinema com muita frequência e elas sempre assistiam aos filmes de Doris Day e de Rock Hudson. Sioux também tinha um grande apreço pelos antigos desenhos da Disney e gostava bastante do filme “A Branca de Neve”. Um longa que ela assistiu quando era muito jovem e que a marcou bastante, foi “Psicose”, dirigido por Alfred Hitchcock, de quem ela sempre foi uma grande admiradora. 

Um fato que se tornou importante na vida da artista, foi o problema que seu pai teve com a bebida. Durante esse dificultoso período, a música, os livros e a fantasia foram sua válvula de escape. Mas apesar de gostar de livros, Sioux revela que odiava a escola, pois era um ambiente que fazia com que ela se sentisse muito desconfortável.


2. UM POUCO MAIS SOBRE STEVEN SEVERIN...


Steven Severin, baixista e cofundador dos Banshees, cujo nome real é Steven Bailey, nasceu em 25 de setembro de 1955, no hospital Whittington, localizado no norte de Londres.

Ele conta que se sentia seguro durante o período da infância, pois naquela época, Londres era uma cidade diferente e, no geral, as pessoas tinham razões para se sentirem assim. Cresceu com a mãe e o pai e, conforme relata, também cresceu cercado por mulheres, pois na sua casa moravam a avó e Diane, sua irmã caçula. 

Foi um bom aluno durante os primeiros anos de escola e teve uma adolescência que considera normal. Era especialmente bom em inglês e matemática. O primeiro show que assistiu na vida foi de David Bowie e o primeiro álbum que verdadeiramente o marcou foi o “White Album”, um grande clássico do The Beatles, que ele e um amigo costumavam escutar religiosamente...


3.  E COMO FOI A INFÂNCIA DO BATERISTA BUDGIE?
 
Budgie nasceu no dia 21 de agosto de 1957, em St Helens.

Em relação às suas memórias musicais, ele conta que seu irmão (que é dez anos mais velho) tinha uma ótima coleção de discos, dentre as quais havia álbuns de bandas como The Kinks e The Troggs. Ele também tinha grande apreço pelos Beatles. Contudo, sua tranquila infância foi bruscamente interrompida pelo falecimento da mãe, que partiu quando Peter tinha apenas 12 anos. Após esse acontecimento, ele foi morar com uma tia para poder se recuperar melhor de sua dolorosa perda. Ela o ensinou a tocar “Choosticks” no piano e, conforme o baterista dos Banshees conta, essa foi a primeira vez que ele aprendeu a tocar uma canção num instrumento musical.

Budgie diz que gostava da escola, mas que era um menino demasiadamente tímido. Apreciava as disciplinas de inglês e de artes. Na adolescência, se interessou por bandas de Krautrock e mais tarde se apaixonou por T.Rex e Roxy Music. Com o tempo, Peter foi criando outros gostos sonoros e se afeiçoando pela bateria. O piano foi, de fato, apenas a porta de entrada para o seu mundo musical...
 
Ele teve passagens notáveis pelas bandas “Big In Japan” e “The Slits” antes de se juntar aos Banshees, com quem subiu ao palco pela primeira vez no dia 18 de setembro de 1979, numa apresentação realizada na cidade de Leicester.


 
4. O LANÇAMENTO DO SINGLE ‘HONG KONG GARDEN’:

A letra de uma das músicas de maior sucesso dos Banshees foi inspirada numa memória da infância de Siouxsie. Quando a vocalista tinha aproximadamente 12 anos de idade, abriu um restaurante chinês perto de onde ela morava, e no entorno desse estabelecimento sempre havia muitos skinheads, que praticavam atos racistas contra os funcionários do local, fato que a incomodava bastante.

Depois que Siouxsie escutou pela primeira vez a música editada, ela se impressionou com a maneira como sua voz soou com o uso de tratamentos de edição. “Foi uma revelação”, conta a vocalista. “Quando nós ouvimos a versão finalizada de ‘Hong Kong Garden’, eu fiquei pasma. Eu não consegui acreditar que éramos nós”. Na biografia, Siouxsie também menciona que os Banshees logo receberam aprovações e excelentes comentários por parte da crítica e, então, naquele período, ela percebeu que pela primeira vez na vida, estava fazendo algo em que era boa, algo que realmente gostava de fazer: “Aquele sentimento era poderoso”.

A respeito da arte do single “Hong Kong Garden”, Severin revelou: “Eu encontrei a imagem para ‘Hong Kong Garden’ numa revista. Pensei que seria interessante colocar uma menina escondendo o seu rosto – isso seria o oposto do que as pessoas gostariam de ver num encarte. Tenho certeza de que a Polydor  (a gravadora) teria amado uma foto da Sioux, mas eles não iriam conseguir isso”.
 
O single foi lançado em 18 de agosto de 1978
 
5. O PROCESSO DE CRIAÇÃO DO THE SCREAM...

De acordo com a vocalista dos Banshees, muitas pessoas pensavam que o nome do álbum havia sido inspirado na pintura “O Grito”, feita pelo pintor alemão Edvard Munch. Porém, na biografia oficial da banda, ela esclarece que a inspiração veio de um filme chamado “The Swimmer” (em português, “Enigma de uma Vida”), com o ator Burt Lancaster. O longa narra a história de um protagonista que quer retornar nadando para a casa e, então, começa a pular de piscina em piscina, de lar em lar, até chegar no local em que deseja.
 
Severin comentou que o álbum tinha uma capa diferente e “nada Punk”. Os Banshees pareciam querer se afastar desse gênero em termos estéticos e até mesmo ideológicos. Sioux comenta também que nessa época, ela e os outros integrantes estavam inteiramente focados na banda. Eles tinham inúmeras ideias vagando em suas mentes e tudo lhes parecia possível... 

O primeiro álbum de estúdio dos Banshees foi lançado em novembro de 1978

quinta-feira, 4 de junho de 2020

DOUG HART - MUITO ALÉM DO MARY CHAIN

Por: Juliana Vannucchi (apoio de Abel Marinho):

Batemos um papo com Doug Hart, baixista da primeira formação do The Jesus And Mary Chain. Bastou um único telefonema para conversamos sobre assuntos diversos, tal como música, política, povos indígenas... e futebol. Abaixo, você conhece um pouco mais da trajetória desse lendário baixista, que apesar de ter obtido sucesso pela passagem na banda escocesa, é muito mais do que um ex-membro do Mary Chain: por trás dos cabelos bagunçados e dos tradicionais óculos escuros, há um cineasta brilhante, um homem inteligente, cheio de referências culturais, com uma mente muito aberta, e que é dono de um coração enorme.

DOUG HART ERA O CAMISA 10 DO THE JESUS AND MARY CHAIN:

O The Jesus And Mary Chain é uma das bandas alternativas mais aclamadas do mundo, tendo fãs espalhados pelos quatro cantos do planeta. Sua sonoridade suja e minimalista marcou os anos oitenta e abriu portas para que muitos músicos ousassem se aventurar nos mais variados experimentalismos sonoros.

Geralmente, os irmãos Jim e William Reid são sempre o grande destaque quando se fala no The Jesus And Mary Chain. Além deles, outro grande nome que fez parte da história do célebre grupo escocês é Bobby Gillespie, que se tornou mais conhecido quando passou a liderar a banda Primal Scream. Mas além desses artistas, houve uma figura que ajudou o TJAMC a moldar sua trajetória e a arquitetar sua estética tão diferenciada: trata-se de Douglas Hart.

Pode ter certeza que as faixas de maior sucesso dos queridinhos escoceses, provavelmente não existiriam se não fosse pela originalidade de Doug, que talvez tenha sido o baixista mais rebelde, underground e inventivo do período oitentista. Ele se tornou especialmente conhecido por tocar seu baixo com apenas duas cordas e numa entrevista, chegou a dizer que as duas já eram suficientes e que desse jeito, qualquer pessoa seria capaz de tocar aquele baixo. Esse discurso é certamente inspirador para quem pretende ter uma banda e/ou tocar um instrumento em particular, especialmente se lavarmos em conta o fato de que as composições feitas por Doug sempre foram elogiáveis e ele criou melodias memoráveis tocando com instrumento adaptado dessa forma. A esse respeito, o músico e crítico Gabriel Marinho (The Other Creatures), comenta: “Eu diria que o Doug Hart levou o minimalismo musical há outro nível quando se juntou ao Mary Chain. Como se não bastasse ambos os irmãos Reid mal saberem tocar guitarra e o baterista usar somente três peças, Doug não só incorporou o espírito Punk como também o DIY. Ele realmente provou que a frase ‘menos é mais’ é válida da forma mais inusitada possível”.

Doug dedilhava seu baixo peculiar com maestria e criatividade e assim, ajudou a dar vida a alguns dos maiores hinos gravados pela banda. Não à toa, é constantemente elogiado e citado por muitos artistas e inúmeros músicos o tem como referencial. É o caso de Ismael Braz, baixista da lendária banda “Os Maltrapilhos”, que nos contou sobre a influência que Doug teve em sua trajetória: “Pra mim, falar sobre o Doug Hart é voltar no tempo e poder ouvir mentalmente as músicas do "Jesus", especialmente as do Darklands, que talvez seja um dos discos que mais ouvi durante os anos 80, além de ser muito marcante pois faz parte da minha educação musical. Lembro que na época eu estava aprendendo a tocar contrabaixo e tínhamos uma bandinha underground que arriscava tocar alguns sons do Jesus. É lógico que não saia nada, apenas uma mescla de barulho e batidas aleatórias... era ótimo. Eu assistia os clipes da banda na MTV e ficava olhando o baixista, e ele tocava apenas com duas cordas no baixo? Putz, eu ficava me questionando: - Com duas cordas o cara tira uma sonoridade incrível do baixo e eu não consigo tocar direito nem com as quatro... (risos). O tempo passou e o Doug fez uma ótima carreira em uma das bandas mais icônicas da minha geração e só precisou de duas cordas para isso!”.

Doug Hart, conforme disse Claudio Borges, era "a corrente que os unia chama-se Douglas Hart". O camisa 10 da banda.

O jornalista Claudio Borges, que atualmente é apresentador do canal Resenhando, também comentou sobre a relevância de Hart para a história da banda escocesa: “Se, hipoteticamente falando, William é Jesus e Mary é o Jim, a corrente que os unia chama-se Douglas Hart. Tive o prazer de vê-lo em ação com o grupo há 30 anos, no extinto Canecão (RJ). Por entre toda fumaça, pouca iluminação e uma parede impenetrável de altos decibéis, era possível divisar a figura magra, de cabelos desgrenhados, estoicamente plantada entre o niilismo  de Jim e os uivos distorcidos de William. Seu baixo minimalista, completamente punk, nunca primou pela proficiência técnica, e nem era esse o propósito, mas dava o sustentáculo necessário para as composições dos irmãos”.

Doug participou dos três primeiros álbuns de estúdio lançados pela banda, sendo que na minha opinião, os dois primeiros, que são “Psychocandy” e o “Darklands” foram os mais lendários de toda a discografia do Mary Chain. São nessas obras-primas que se encontram clássicos mais famosos, tal como “Just Like Honey”, “April Skies” e “Happy When It Rains”. Dentre tais, é válido dizer que segundo álbum citado é particularmente especial para o Doug, conforme ele nos revelou.

3, 2, 1... AÇÃO!

Mas o prolifero talento artístico do músico acabou afastando-o do grupo e o levando para o universo cinematográfico, no qual atua até hoje. Mesmo quando ainda estava na banda, Doug já nutria interesse pelo cinema e começou a fazer suas primeiras filmagens em1985/1986, sendo que desde então, de fato, se encontrou e se firmou no universo da sétima arte.

Em sua carreira nesse meio, Hart já dirigiu vídeos para grandes bandas como The Stone Roses, Primal Scream, Pet Shop Boys e My Bloody Valentine. É por esses e outros feitos, que além de ter sido um grande baixista, Hart também pode ser considerado um primoroso cineasta. Gabriel Marinho também refletiu a respeito do envolvimento de Doug com o cinema: “Ele não só é um músico talentoso como também um excelente diretor. Foi o próprio que dirigiu os primeiros vídeos do My Bloody Valentine (o psicodélico "You Made Me Realise", um clássico da banda) e também está por trás das câmeras da apresentação mais conhecida do The Stone Roses, "Live Blackpool”. Além de claro ter dirigido vídeos musicais para The Libertines, Babyshambles, Primal Scream e Paul Weller”.

É válido mencionar que Douglas também fez um documentário maravilhoso sobre a vitória da seleção brasileira na copa de 1970 chamado “Brazil 70, The Sexiest Kick Off” - https://www.youtube.com/watch?v=SJWBjYZ8WeE. O músico é um grande fã e conhecedor do futebol brasileiro, além de ser apaixonado pelo esporte.



FORA, BOLSONARO!


Doug Hart também é notavelmente envolvido com assuntos políticos. Ele me revelou, inclusive, que tem interesse em livros sobre o assunto e que esse tem sido seu foco de leitura ultimamente. Além desse conhecimento teórico sobre a área, Doug também costuma expressar publicamente seus posicionamentos. Recentemente, por exemplo, usou sua conta no Instagram, para compartilhar fotos de uma manifestação ocorrida em Londres em prol de George Floyd, homem que negro que foi brutalmente assassinado por um policial nos EUA. Além disso, Hart também conhece bem e acompanha de perto o conturbado cenário político do Brasil. Quando escreveu a introdução da edição nacional da biografia do The Jesus And Mary Chain, o músico alfinetou o (infeliz) presidente Jair Bolsonaro, que considera ser uma pessoa “perigosa”. O músico também não compactua com outros líderes de direita, tal como Donald Trump e Boris Johnson, que é por ele “desprezado” por já ter causado o sofrimento de muitas pessoas.

A respeito do engajamento político de Douglas Hart, Cláudio Borges comentou: “Seu lado político também permanece ativo e chutando. Em 2019, assinou manifesto endossando a candidatura de Jeremy Corbyn (Labour - partido dos trabalhadores inglês) desejando não ter que ficar sob o jugo dos conservadores. No mesmo ano, assinou um prefácio inédito para a edição brasileira da biografia de sua ex-banda, mostrando que sabia bem do que falava: O novo presidente do seu país é tão idiota que eu espero que a leitura deste livro possa alegrar as pessoas por alguns dias. Então, pode ser que elas considerem seriamente a ideia de tirar Bolsonaro do poder na próxima eleição”.

Durante nossa conversa, perguntei ao Doug porque ele acha que líderes de extrema-direita tem sido eleitos com tanta frequência. Em partes, ele atribuiu o fato a um grande apoio dado pelos meios de comunicação, que se esforçam em culpar a esquerda pelas coisas que dão errado no mundo, e sempre, de uma maneira ou de outra, enfatizam partidos de direita. O músico deixou bem claro que acredita que as pessoas podem fazer alguma coisa para melhorar a situação, além de dizer que o envolvimento político por parte da população é essencial para possíveis mudanças. Acredito que essa mensagem de Doug, seja especialmente relevante para o Brasil...

Agradecimentos especiais:

Ismael Braz (baixista da banda Os Maltrapilhos)
Claudio Borges (apresentador do canal Resenhando)

domingo, 3 de fevereiro de 2019

SIOUXSIE AND THE BANSHEES NO BRASIL: HISTÓRIAS DE FÃS


Organização: Juliana Vannucchi
Apoio: Gabriel Marinho

Agradecimento especial aos fãs que colaboraram para que este conteúdo fosse produzido.

Seja muito bem-vindo ao nosso memorial virtual que, através da colaboração de fãs 
brasileiros, reconstrói a história das passagens da banda Siouxsie And The Banshees por nosso país. Se você tiver qualquer conteúdo (foto, vídeo, depoimento, e outros) por meio do qual possa colaborar conosco, entre em contato através de nossa página oficial no Facebook: "Siouxsie And The Banshees Brasil", ou então, deixe um comentário nesta publicação. 

DATAS OFICIAS DOS SHOWS QUE A BANDA REALIZOU NO BRASIL (colaboração: Marcelo Badari):

1986:


27 e 28.11.86

São Paulo, Palácio de Convenções do Anhembi.

29.11.86

Santos, Clube Caiçara.

02.12.86

São Paulo, Palácio de Convenções do Anhembi - show extra.

30.11.86 e 03.12.86

Rio de Janeiro, Clube Monte Líbano.


1995:


22.05.95

São Paulo, Olympia.

24.05.85

São Paulo, Olympia.

25.05.95

Rio de Janeiro, Imperador.


DEPOIMENTOS DE FÃS:


Fábio Pandora:


Eu tinha 23 anos na época. O show foi no Imperator, ali no Méier, no ano de 1995. A principal lembrança que tenho deste show, foi que eu levei uma rosa, e no final das contas já não tinha ambições de entregá-la. Fui perdendo o interesse de acordo com os acontecimentos e na hora da entrada eu quase a descartei. Mas um amigo veio até mim e me perguntou o que eu estava fazendo quando fui rumo à lixeira pública. Ele me aplicou uma descompostura e disse que tinha certeza que ela iria amar. Sendo assim, eu entrei com a minha amiga, a rosa. Acho que estava tocando "Land's End"... Sinceramente eu não lembro. Apenas senti o som das vozes em uníssono gritando o meu nome. Eu não os ouvi. Eu senti. Suas vozes estavam numa rotação alterada, mais lenta... e foram se tornando nítidas paulatinamente, mas em poucos segundos, até que eu pude me concentrar no mundo de fora. Eu estava completamente apaixonado pela rosa, pois ela se abrira de um jeito inimaginável. Ela esta frondosa. Parecia que do jeito dela, estava sorrindo pra mim. Só sei que quando olhei pra cima, a Susan estava agachada com a mão direita estendida em minha direção e sorrindo. Eu entreguei a rosa pra ela delicadamente e ela saiu dançando com ela... Fiquei xingando o Steven o mais que pude, mas ele é inexorável. Não tive outro contato...
 
Eu fui lá pra ouvir "The Rapture". Claro que temos muitas canções que nos remetem a mil coisas, nos suscitam epifanias e outras viadagens... Mas eu senti que foi onde o gótico pop ficou maduro, cresceu e ficou mais triste que um vampiro depois do tricentésimo aniversário. Não sei explicar. Foi indizível. Senti um frio tão frio... Uma solidão tão cristalizada que tive de entender que morreria sozinho e que seria uma boa ideia trabalhar um pouco mais esta possibilidade... Esta música fez isso comigo. Nunca fui muito de ficar cultuando os antigos álbuns. Acho que a gente envelhece quando aplica termos como "bom e velho" e "o livro é muito melhor" e por aí vai. O agora é que é legal...

Não me lembro de nada de interessante ter sido dito. Só os clichês usuais. Mas lembro-me de uma entrevista que a Siouxsie concedeu para a revista Bizz - que depois passou a se chamar ShowBizz-, na qual ela relatou a sua decepção com os grupos musicais do Brasil. Ela disse que veio certa e ávida por encontrar um grupo de "Psycho-Samba" e nada parecido existia... Daí eu resolvi montar um grupo e... Foi isso.
 
Silmara de Oliveira:

São Paulo, Palácio de Convenções do Anhembi.

Vou contar o que me lembro, pois faz muito tempo (rs). Quanto ao primeiro show da Siouxsie, era 1986 e ela abria a temporada de shows internacionais, pois antes eram shows raros que víamos por aqui, então me parece que todos estavam ansiosos. Era tão grandioso o acontecimento que apareciam em programas, jornais da Globo, por exemplo... Era outro contexto, sem TV a cabo ou opções variadas de entretenimento e mídia. Eu me lembro de que foi no Anhembi, com cadeiras, e ficávamos em pé, extasiados, mas não dava para dançar como um ambiente livre de cadeiras. Naquela época, poucas pessoas conheciam todas as músicas, pois não tínhamos todos os LPs com acesso fácil e barato. Eu me lembro de sair em êxtase, a performance dela e da banda foi incrível, mas não me lembro de detalhes. Lembro que todos esperavam uma mulher de preto o tempo todo e ela surgiu na TV de amarelo, o que importava era o impacto e a influência da new wave inglesa, mas aqui no Brasil tínhamos a ideia de foco no "dark" (não se falava em gótico na época).

Alan Vegaz: 

São Paulo, Olympia.
 

Esse foi o primeiro show que assisti na vida!  Lembro que quando tocou o clássico "Red Light", o palco ficou todo vermelho. O público pulou muito em todas as músicas,  foi simplesmente perfeito! 

*Alan nos enviou as fotos abaixo, mas elas não são de sua autoria. Ambas foram tiradas por uma amiga (residente de Curitiba) que ele conheceu no Terminal Tietê e que posteriormente enviou as imagens para ele.

Imagem de 25/05/95.

Imagem de 23/05/95.

 
Maurício Delalba:

Santos, Clube Caiçara.


Fui ao show que fizeram em Santos, no ano de 1986. Foi excelente! (fiquei muito impressionado com tudo: a presença de palco, a qualidade do som, o chão tremendo com a galera pulando, a aparelhagem do Steven Severin - uma "torre" - e uma imagem que ficou marcada foi a Sioux cantando "Helter Skelter", dos Beatles, com o pé em cima do retorno e batendo a língua num "...Helter Skelter, la la la la la la...' rsrs... (lembro de depois bater um papo com uns caras da Plebe Rude que abriram o show e eu já conhecia de Brasília). 

São Paulo, Olympia.

Sobre o 2º show, já nos anos 90, a banda não tinha tanta expressão, mas eu fui conferir como fã. Lembro que foi igualmente bom, mas também não consigo dar detalhes. O cenário havia mudado com as influências de anos 90, o que eu achava muito chato, então acho que o show era só para fãs mesmo. Os dois shows foram ótimos, lembro que sai feliz dos dois shows (anos 80 e 90), mas não me lembro de detalhes, apenas do contexto geral, o que se passava na época.



Guto Jaacarva:

São Paulo, Olympia.


Salve, pessoal! Estou aqui realizando um depoimento pra lá de prazeroso, que fala dos dias em que eu pude ser uma das muitas testemunhas dos grandes shows realizados pela banda Siouxsie and the Banshees, nos dias 22 e 25 de maio de 1995, no extinto Olímpia, aqui na cidade de São Paulo.
O ano de 1995 havia começado e ao menos para mim, então com 18 anos, prometia ser mais um ano como outro qualquer. Estudar, trabalhar, e nos finais de semana colar nos roles góticos da época: Morcegóvia (Madame Satã), Bar Atus, Urbania. Não havia shows de grandes bandas e as bandas nacionais naqueles tempos não chamavam atenção da galera goths, como hoje em dia acontece. Foi quando em fevereiro deste mesmo ano, numa daquelas revistinhas teens da época, que minha colega de escola veio me mostrar uma reportagem sobre a banda Siouxsie & the Banshess. Ela disse: “Guto, tenho aqui uma reportagem daquela banda, da mulher de cabelos espetados que você gosta. Você quer pra você?” Peguei a revista na hora e vi que era uma pequena entrevista, com cerca de 3 ou 4 perguntas. Porém, a principal informação que Siouxsie deu não naquele bate-papo poderia ser melhor: dali a três meses ela fariam apresentações no Rio de Janeiro e São Paulo.  Pronto, entrei em choque... rsrsrs. Mas na época esse tipo de informação só tinha validade se saísse na revista Bizz, e saiu, em forma de outra entrevista onde Siouxsie confirmava o show e as datas de São Paulo. Kid Vinil também confirmou a data em seu programa na rádio 97FM.

A banda estava lançando aquele que foi também seu último álbum oficial, o The Rapture. A revistinha, que se chamava Carícia, trazia a tradução do single “O Baby”. Essa obra prima de despedida da banda já trazia Siouxsie e seu Banshees mais maduros, experientes e descompromissados com estilo “darkão” que os fez tão famosos. Rapture, assim como Supertition, disco que o antecedeu, de 1991, trazia uma banda desavergonhadamente pop, e mesmo assim, criativa e cheia de uma personalidade que só os Banshees eram capazes de ter.
Naquela mesma época, eu fazia parte de uma turminha de “adoradores dos Banshees”: Silvane, Wagner, Sandra, Fabíola, Ruti, Patrícia, as Glaucias, Ray, Silvia, etc, e daí em diante ninguém mais dormia, rsrsrs.

Fiquei desempregado e a solução para poder comprar ao menos um ingresso, para assistir ao menos um dos shows, foi vender meu LP importado do Bauhaus, o Sky´s Gone Out (hoje eu já o tenho novamente, rs), pelo exato valor do ingresso, na época, o caríssimo R$20,00. Comprei o ingresso número 46 para a pista, para o dia 22 de maio, na loja Woodstok Discos. Para a maioria dos garotos de 18 anos, ter uma moto, um fusquinha, ou um tênis da Nike era o objetivo. Adquirir aquele ingresso para mim foi a coisa mais fora de série que eu já havia conseguido! Mas eu ainda não tinha ideia das fortes emoções que eu viveria naquela semana de maio.

Segunda feira, dia 22 de maio de 1997, 7:30h da manhã e eu já estava na rua , sentido metrô Itaquera, não para trabalhar, mas para encontrar meu amigo e fã da Siouxsie, o Wagner. Devidamente trajados com nosso melhor look dark, moicano, jaqueta de couro e botas, e a camisetinha da amada rainha, meu coração parecia motor de motocicletas 400 cilindradas. Queríamos ser os primeiros da fila para entrar no show. Saí de mochila, munido de um visual para o longo do dia e outro, para a hora do show, além de levar lanches, água e uns trocados para alguma possível emergência. Era um menino, realizando um sonho feliz.

Infelizmente, não fomos os primeiros a chegar à porta do Olímpia naquela manhã quente. Já havia um casal de góticos lá. Rapidamente nos apresentamos e logo descobri que eles eram de Curitiba. Umas 2 horas depois chegou um pessoal de Brasília e assim fizemos nosso acampamento e todos tomavam conta das malas e mochilas que eram nosso ponto de encontro, caso alguém precisasse sair por alguma necessidade. Ao longo do dia a galera chegava timidamente.  Aproximadamente ás 14h, a banda passou por nossa fila, numa vã roxa da marca Besta, e deu a volta no quarteirão para entrar pelos fundos da casa de espetáculos que dava na rua paralela a rua da entrada do Olímpia. Foi uma correria só, todos tentando chegar junto da van - mas os seguranças não nos deixaram . Voltamos cabisbaixos para fila, porém, mais ansiosos do que antes!!

Aproximadamente às 15 horas pudemos ouvir a passagem de som da banda, e foi quando a primeira lágrima do dia escorreu em meu rosto. Tocavam Israel. Foi uma gritaria só na porta do Olímpia.
A partir das 17 horas o volume de pessoas chegando à fila era cada vez maior. A Rua Clélia estava tomada pela horda negra. A fila tomava quase todo o quarteirão.

Às 19 horas já era o momento de eu trocar de camiseta e ajeitar meu visual. Todos queriam estar muito bem produzidos para o grande encontro com a mãe do Post Punk e Gothic Rock, Siouxsie e seus Banshees. Eu já não me aguentava mais de ansiedade. De repente, Wagner e Silvane (Sil) chegaram até mim com ar de surpresa e mistério. Eles haviam feito ao longo do dia vaquinha na fila com os outros fãs e comprado o ingresso para o segundo show, que seria na próxima quinta-feira, dia 25 de maio. Cara!! Não sei até hoje como agradecer, foi um dos presentes mais fofos e fodas que eu já ganhei. A Sil disse que era de coração e por eu ser um fã sincero e verdadeiro e por isso eu merecia aquele gesto tão bonito da turminha! O pessoal me chamava de Guto Sioux kkkkkkkk. Abracei todo mundo, muito feliz e já pusemos a combinar de chegarmos bem cedo no dia 25 de maio, como fizemos no dia 22.

Às 20 horas os portões se abriram. Cintos de rebites, pulseiras, toda a parafernália punk ficou pra fora, por questões de segurança. Câmeras fotográficas e filmadoras na época eram proibidas, mas consegui entrar com duas câmeras fotográficas escondidas em minha mochila, misturadas ao meu lanche... rsrsrs.

Daí pra frente foram as 2 horas mais longas da minha vida. Aproximadamente às 22 horas do dia 22 de maio de 1995, finalmente ela entra em cena. Siouxsie e os Banshees aparecem ocupando suas posições, como gigantes que eram aos meus olhos. Eu e minha turma estávamos todos ali, suados, felizes e espremidos na grade! Era o primeiro show internacional que eu assistiria e logo a minha maior Diva. O set foi de aproximadamente 80 minutos, onde a jovialidade de Siouxsie, sua energia incansável, apesar de estar completando naquela semana 38 anos, botava muito adolescente no chinelo. A banda misturou grandes hits dos anos 80 como Spellbound, Israel, Cities In Dust, Red Light, Night Shift, Peek a Boo, Christine, com musicas de seu novo álbum , The Rapture, como O Baby, e The Double Life, e foi nessa hora que chorei muito, a emoção tomou conta de todos , que dançaram, pulara, gritara, e cantaram o show todo. Muitas meninas passaram mal e precisaram ser erguidas e levadas ao posto médico local. Siouxsie, apesar da recepção calorosa de um público ansioso e apaixonado, estava séria e focada nas músicas, não se comunicava muito com o público, mas no final fez um show impecável, digno da grandeza do nome que ostenta até os dias de hoje e do título de rainha Dark. 

No final do show passei um pouco mal, por causa do calor. Fui para casa com uma felicidade jamais sentida, como se tivesse sonhando acordado, mas logo me lembrei, na quinta-feira, dia 25 de maio tinha mais..

Segundo dia de show...  (Guto Jaacarva):

No dia seguinte ao show da Siouxsie, eu ainda estava com a cabeça lá no Olímpia, lembrando tudo que vivi junto aos meus amigos. Comprei todos os jornais nos quais encontrei alguma menção sobre o show. Minha mãe me surpreendeu porque contou que o início do show – mais precisamente, as três primeiras músicas -foram transmitidas ao vivo pela TV Cultura. Até hoje procuro este vídeo!

Lamentavelmente, das duas câmeras que entraram comigo, nenhuma me pertencia, logo, eu não tinha nenhuma foto. Uma era de Fabíola e outra do Wagner. Este último e sua esposa, anos depois, virou um crente fanático, e levou toda sua coleção de discos, fitas, camisetas da Siouxsie e outras bandas para a “fogueira santa”... grrrrr.

No dia 24 de maio, os Banshees realizaram um show no Rio de Janeiro. Segundo comentários de alguns paulistas que ali estiveram, não foi para um público tão grande como o de segunda-feira, no Olímpia, em São Paulo. Enfim, dia 25 chegou! E lá estava eu, de manhã cedo, com meu uniforme preto, minha velha jaqueta com o logo do “Alien Sex Fiend” nas costas, a caminho do Olímpia. Desta vez fui sozinho. Cheguei aproximadamente às 10 da manhã, e tal como ocorreu no primeiro dia, já tinha um pessoal por lá. Muitos já exibiam fotografias tiradas aventureiramente durante o show e na porta da casa no dia 24.

Minha ansiedade já era mais controlada dessa vez. Era um veterano ali na fila, já que muitos que apareceram ao longo dia, não haviam ido ao outro show. As horas não demoraram tanto para passar, rsrs. Porém, quando escureceu, a Rua Clélia foi literalmente tomada por uma multidão, fato que não aconteceu na segunda-feira. Depois deste dia, fiquei sabendo que a casa tinha atingindo sua lotação máxima, com mais de 2000 pagantes!

A banda veio direto do RJ para este show, e eis que com seu atraso já de praxe (eram aproximadamente 21h:40) a banda finalmente entra em cena. E eu estava novamente com a minha turminha de segunda-feira! Ficamos bem de frente do Severin (baixista) que se divertia com a bagunça que a gente fazia. Aliás, a banda toda estava sorridente. Todos se comunicavam com o público através de gestos, sorrisos e olhares. Siouxsie estava linda como sempre, era uma Deusa em seu castelo, o palco. O repertório foi praticamente o mesmo do show anterior, porém com algumas alterações na ordem das faixas tocadas. O barulho da platéia era algo realmente fora de série e contagiante. Era simplesmente impossível ficar parado!! Quando começou a tocar “Spellbound”, eu disse: “Ai meus Deus, socorro!”. A casa toda pulou! Em “Face To Face”, Sioux gritava e imitava gato (ela nem precisava, era uma gatona). Na música “Peek a Boo”, todos da banda dançavam e circulavam no palco e aquilo virou uma bagunça! A Siouxsie pulou nas costas do tecladista Martin (que nesta música empunhava um acordeon) que virou cavalinho dela, e depois eles despencaram no chão. O Baixista Severim e o Budgie (baterista), riam muito enquanto rolava aquela zona. O guitarrista John Cale (ex-Velvet Underground) vestia calça de vinil e camiseta da seleção da Holanda (?!) e a Siouxsie estava louca, literalmente contagiada pela troca de energia, e até desceu rapidamente do palco. Colou na grade e foi um desespero só, pois não podíamos tirar fotos naquela época. Os seguranças agrediram e tomaram câmeras de muitas pessoas que tentaram. A galera que estivera nos show de 1986 estava lá também neste dia, era pessoas mais velhas, e sem esse deslumbre teen de visual gótico e coisas assim. Muitos deles um dia já fora assim, mas naquele dia eram meros fãs a aplaudirem. Em “Red Light”, a casa foi a baixo. Foi um showzaço digno de final de tournée. Siouxsie ainda arriscou falar algumas palavras em português E se despediu. A banda seguiu para a divertida noite de São Paulo, seguida por alguns fãs desejosos de obterem alguma foto ao lado da grande Diva, e entre eles o baterista da banda Titãs, Charles Galvin este que emprestara seus pratos para Budgie.

Na sexta feita, às 10h30min da manhã, a banda partiu de volta para Inglaterra. A magia acabou para muitos que estiveram no Olímpia naqueles dois dias de shows, e restaram apenas as lembranças eternas para pessoas que como eu, ainda hoje amam estes artistas e que agradecem muito a possibilidade dada por eles de podermos prestigiar e testemunhar a grandeza da arte destes excelentes músicos, que hoje, em  2019, fazem muita falta.


Abaixo você confere fotos exclusivas, que goram gentilmente compartilhadas pelo Guto.






Propaganda do show dos Banshees.

Henrique Braz Giudice:

2 shows em São Paulo, no Olympia:

Os dois shows foram muito emocionantes pra mim, a atmosfera que pairava sobre a já extinta casa de shows Olympia, era realmente uma mistura de expectativa e de estar fazendo parte de algo histórico. Muitas meninas de preto com maquiagem gótica, meias pretas rasgadas, e os caras quase sempre com camisas de bandas como Bauhaus, Sisters of Mercy, Joy, Echo e, claro muitas da Siouxsie! A vodka no boteco da esquina serviu como combustível e inspiração para uma noite inesquecível dos saudosos anos 90, que por essas duas noites se transformaram nos melhores dias da década... Saudade pode definir o que foram esses dois dias mágicos. 

Marcelo Badari:

Santos, Clube Caiçara.

Uma cortina divide lado a lado o palco, a bateria da Plebe Rude num canto… Eles tocaram meio espremidos… A cortina abre devagar ao som de Cities in Dust, se não me engano… lá atrás a bateria do Budgie no meio da fumaça de gelo seco… logo ela entra numa dança hipnótica… o resto é show! 

São Paulo, Palácio de Convenções do Anhembi.

Não me lembro de ter banda abrindo no show extra. Como eu estava num lugar alto na plateia, dava pra ver bem o chão e me chamou a atenção a quantidade de pedais do Severin, mais que o do guitarrista. Em ambos os shows os seguranças do Fonseca’s Gang não deixavam a gente fotografar. Em Santos tive que deixar a câmera na entrada do clube. Em SP eles deixaram eu entrar com ela, mas retiraram o filme. Até resolvi fazer um clique no meio do show… mas ao disparar o flash já vieram uns seguranças pra cima de mim. Ouvi dizer que a banda agradeceu o Fonseca’s Gang no disco de covers que eles lançariam depois que retornaram pra Inglaterra, o Through the Looking Glass. Mas na edição nacional não aparece nenhum agradecimento a eles.
 
São Paulo, Olympia.

Em 1995 no final de um dos shows eu e um amigo tentamos passar pelos seguranças pra ir até o camarim, mas não foi possível. Vimos o Charles Gavin entrando no camarim, que ficava atrás do palco. Ele, muito sacana, fez um tchauzinho pra gente. Antes dos shows bebemos muita vodka no bar na esquina próximo ao Olympia e apenas alguns flashes ficaram registrados na minha memória.


Jackie Sioux:
  
São Paulo, Olympia.
 
Sinceramente, só lembro mesmo da hora em que a Sioux subiu no palco. E eu consegui uma baqueta do Budgie no final do show!! Ele jogou as duas e uma delas caiu bem ao meu lado! Peguei e logo a escondi debaixo do sobretudo que estava vestindo! Gostaria muito de conhecer quem pegou a outra ... rsrs. 
A fã Jackie Sioux, que atualmente reside na capital paulista, teve o privilégio de pegar uma das baquetas do Budgie.
Luis Lopes:

São Paulo, Palácio de Convenções do Anhembi.

Lembro bem quando a banda Siouxsie and the Banshees veio ao Brasil pela primeira vez em 1986, época em que promoviam o álbum Tinderbox, aquele álbum do hit “Cities in Dust”.

Tocaram em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro, antes de partirem para apresentações em Buenos Aires. A vinda da banda foi um frisson, afinal na época era improvável assistir um grupo de destaque no Brasil, tanto que as duas datas originais em São Paulo ficaram rapidamente esgotadas, levando a 2 shows extras, todos no Palácio das Convenções do Anhembi. Foi o prenúncio de uma era dominada pelo rock inglês, e que abriu o mercado de shows para artistas como PIL, Echo and the Bunnymen, New Order, The Cure, B.A.D., The Mission e diversos outros que começaram a dar as caras por aqui.

Nunca vi nada assim, tão forte, mágico e contagiante. Os Banshees são uma banda única, concentrados e mergulhados em seu som, pungentes em cada nota, riff ou nuance. Siouxsie por si só vale o show, sua voz é diabolicamente angelical, se movimentando por todo palco, marcada pelo ritmo e agressividade das baquetas de Budgie, dos riffs e intervenções inventivas da guitarra de Carruthers, e dos graves de Steve Severin.

O som estava perfeito, mas alto o suficiente para deixar aquele zumbido na cabeça após o show, o palco tinha nas extremidades painéis ilustrados com o logo da banda e do selo Wonderland, e que foram usados em “Happy House” como cenário para bem sacada cena de brigas de marionetes.
Foi uma noite marcada pelos maiores deuses para uma grande e mágica festa! Esse texto é original do meu de 1986 que estava até outro dia perdido num caderno! 


Obs 1: Este texto escrito por Luis Lopes foi originalmente publicado no (excelente) site "Vi Shows" que, aliás, é indicado pelo nosso blog: http://www.vishows.com.br/2018/05/27/uma-primavera-siouxsie-sioux-estreia-no-brasil-1986/

Obs 2: Abaixo, você confere alguns registrados fotográficos das passagens da banda pelo Brasil. Infelizmente, não sei de quem é a autoria de todas imagens para dar os devidos créditos, e se alguém souber, essa informação será de grande valia. 

Essa foto incrível e única foi registrada por Luca Mesquita. Foi tirada no Olympia, no momento em que Sioux cantava "Red Light".
Palácio das Convenções (Anhembi/ SP), dezembro de 1986. (Imagem retirada do site "Vi Shows").
Palácio das Convenções (Anhembi/ SP), dezembro de 1986. (Imagem retirada do site "Vi Shows).
Palácio das Convenções (Anhembi/ SP), dezembro de 1986. (Imagem retirada do site "Vi Shows - Créditos: Maurício Valladares).
Siouxsie Sioux e o baterista Budgie, junto com o músico Charles Gavin, do Titãs. 
Os Banshees curtindo o Rio de Janeiro...
A banda no camarim, em 1995.
Esq. para a dir.: Budgie, Siouxsie e Charles Gavin, em 1986. Créditos: Maurício Valladares.
Cartaz de divulgação do show extra que a banda realizou no Brasil, em 1986.




TwitterFacebookRSS FeedEmail