Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

sábado, 27 de maio de 2023

27/05: SIOUXSIE SIOUX

Por Juliana Vannucchi

Este aniversário de Siouxsie Sioux é particularmente especial, uma vez que acontece justamente no ano e no mês em que a cantora retomou as turnês, voltando aos palcos após uma década. Ao longo desse período de inatividade, Siouxsie silenciou-se, teve uma vida reservada e manteve-se distante dos holofotes. A maior parte dos fãs certamente não acreditava numa volta da cantora, mas a vida, sabemos, é repleta de imprevistos e em dezembro de 2022, suas páginas oficiais surpreenderam a todos com o anúncio das apresentações de 2023. Ela nasceu das cinzas, como uma fênix, que ressuscita subitamente e repleta de força, intensidade e energia, prepara-se para aventuras vindouras.

Siouxsie fez seu primeiro show no início de maio, em Bruxelas, capital da Bélgica. A setlist foi formada por clássicos da banda Siouxsie And The Banshees, tal como “Cities In Dust”, “Spellbound”, “Christine” e contou também com um ou outro single do “Mantaray”, único lançamento solo da carreira de Sioux. A seleção de faixas, infelizmente, deixou de lado músicas de três icônicos discos: “The Scream”, “A Kiss In The Dreamhouse” e “Join Hands”. Também não há nada do “The Rapture”, mas, convenhamos, esse álbum de, digamos, “despedida” dos Banshees não emplacou, não empolga, e não faz muita falta que não haja músicas dele no repertório. Podemos perceber, a partir dessas observações, que os gigs estão definitivamente voltados a um público mais amplo, sendo centrados em canções retiradas dos álbuns nos quais estão os maiores sucessos comerciais da carreira dos Banshees. Também vale notar que, lamentavelmente, embora não seja surpresa alguma, o repertório não envolve uma canção do The Creatures.

Fazendo dos palcos o seu templo sagrado, sua luz soberana, que nunca se apagou, brilha agora com mais intensidade.

De qualquer forma, independente da seleção musical escolhida, Siouxsie Sioux, vestida com trajes exuberantes criados pela estilista Pam Hogg, que potencializam seu poder e realçam sua nobre presença nos palcos, está arrasando em seu retorno, e suas performances tem sido amplamente elogiadas pelo público. Sioux continua cativante e graciosa em suas danças e ainda tem em si aquela velha habilidade de enfeitiçar os ouvintes com sua voz. Enfim: seus shows tem sido uma experiência transcendental, mágica e especial, tal como é, essencialmente, a própria Siouxsie Sioux, cuja trajetória sempre se caracterizou especialmente pela criatividade, ousadia e autenticidade, três heranças que ela carrega desde os primórdios do movimento punk. Nesse ponto de nosso texto, cabe refletir sobre uma coisa: a experiência sensorial da banda Siouxsie And The Banshees é possível sem Steven Severin e Budgie, por mais que eles façam falta. Por outro lado, seria uma experiência provavelmente impossível, incompleta, ou, no máximo, morna, sem a presença marcante da insubstituível Siouxsie Sioux.

Há alguns dias atrás, eu conversei com Braden Wright, um fã norte-americano da cantora que teve a rara oportunidade de estar “face to face” com ela - mas cabe dizer, que ele já esteve ao lado de grandes nomes do punk e do post-punk, como, por exemplo, Nick Cave e Iggy Pop. Em sua conta no Instagram, Wright comentou sobre o papel que a Siouxsie desempenha em nossa geração: “Sozinha, ela criou um arquétipo que ainda vemos em peso na era moderna. Sabemos que hoje em dia há inúmeros discípulos que tentam replicar a moda, a imagem e a atitude às quais ela deu vida há quase cinquenta anos atrás”. No papo com o Fanzine, ele refletiu: “O verdadeiro poder da música vem de sua capacidade de expressar coisas que as palavras não podem dizer. Eu poderia tentar expressar a magnitude que Siouxsie e seu trabalho com The Banshees e The Creatures tiveram em minha vida, mas eu realmente não teria muito êxito se tentasse. Quero dizer, o que mais há para ser dito? Ela é Siouxsie Sioux”.

Além de destacar a importância artística de Siouxsie Sioux, Wright nos contou como foi o encontro com a cantora, que hoje mantém uma vida discreta, longe das redes sociais, da mídia e mesmo dos fãs: “Conheci Siouxsie em Santa Monica alguns dias antes de sua apresentação programada no festival Cruel World em Pasadena. Eu nunca tive a chance de vê-la em turnês anteriores devido à minha idade, então acho que você imagina a minha emoção quando foi anunciado que ela faria sua primeira apresentação nos Estados Unidos em 15 anos. Como um ávido colecionador de autógrafos e fã de música, simplesmente fiz o que faço de melhor e tentei estar no local certo em que precisava estar para encontrar essa célebre heroína. Embora o encontro tenha sido curtinho, foi um momento repleto de doçura e imensamente marcante pra mim. Wright seguiu, descrevendo detalhadamente a ocasião: “Ao me apresentar, segurei sua mão e expressei a honra que era conhecê-la. Agradeci a ela por ser uma grande parte da minha própria juventude musical, ao que ela respondeu com um sorriso, complementado por essas palavras “foi um prazer”. Então, disse a Siouxsie que tinha um presente para ela. Falei que sabia que ela declarou uma vez que ver David Bowie se apresentar no Top of The Pops em 1972 mudou sua vida e a influenciou a se tornar uma artista. Ela respondeu “você tem razão". Foi algo absolutamente grandioso”. Quando lhe entreguei o presente, ela gentilmente o aceitou e agradeceu. Ela então concordou em tirar uma foto comigo e felizmente assinou alguns autógrafos para mim. Depois, agradeci pelo tempo e ela foi embora. Mais tarde, soube que era para conhecer Billy Idol. Pouco antes de ela sair, eu perguntei a ela: “Siouxsie, você acha que algum dia vai voltar? Eu adoraria ver você voltar e fazer uma turnê pela América”. Sua resposta foi simples: “Querido, temo que nem mesmo o futuro saiba.”

Atualmente, diante da espantosa crise enfrentada pela indústria musical, repleta de uma previsibilidade maçante que se expressa em padrões de voz, de melodia, ritmo, de rosto, de corpo e comportamento, e que não possui grandes originalidades, Siouxsie Sioux desponta como uma espécie de sibila ilustre cuja profecia desvela ao mundo uma vivência estética magnifica e rara. Fazendo dos palcos o seu templo sagrado, sua luz soberana, que nunca se apagou, brilha agora com mais intensidade do que antes. Ademais, Siouxsie confirma que o punk, principalmente enquanto estado de espírito, não está morto.

 

Braden Wright e Siouxsie Sioux em Santa Monica.

 

 

terça-feira, 16 de maio de 2023

LEMMY KILMISTER É ETERNO

 Por Juliana Vannucchi

1945 é um ano globalmente conhecido por marcar o fim da Segunda Guerra Mundial. E enquanto o mundo começava a respirar aliviado com o fim dos conflitos bélicos, nascia Lemmy Kilmister em Burslem, uma discreta cidade inglesa. Seus pais se divorciaram quando ele era novo. A mãe casou-se de novamente e a família mudou-se para o País de Gales. Foi lá que Lemmy teve seu primeiro contato e encanto pelo universo do rock and roll. E o ritual iniciático aconteceu com os Beatles, banda que Lemmy assistiu ao vivo quando tinha 16 anos. A partir de então, começou a tocar guitarra, embora posteriormente viesse a se destacar especialmente por seu talento como baixista. Foi também mais ou menos nessa mesma época que começou a abusar do álcool, perdendo-se nas doses intermináveis de Jack Daniels. E não demorou para Lemmy cheirar anfetamina. Aliás, cabe lembrar que nos primórdios de sua carreira o músico chegou a tocar no Hawkwind durante um tempo, mas teria sido expulso por seu consumo compulsivo de drogas, que incomodou os integrantes da banda. Falando nisso, os primeiros passos de Lemmy no cenário musical também lhe renderam o cargo de roadie do astro Jimi Hendrix, um dos maiores ícones do rock e da contracultura.

"Nós somos considerados uma banda da heavy metal apenas porque usamos cabelos compridos (...) Nós somos apenas uma banda de rock'n'roll". Lemmy Kilmister

O Motörhead foi fundado em 1975, quando Kilmister já estava com trinta anos, e lançou seu primeiro algum de estúdio em 1977, um dos anos mais mágicos da história do rock, no qual inúmeras bandas punks eclodiram tanto na Inglaterra, quanto não EUA. Embora o Motörhead seja comumente associado ao heavy metal, Lemmy preferia simplesmente fizer que powertrio tocava rock, sem que houvesse uma classificação definitiva. De fato, parece mais adequado fazer essa afirmação do que cair na armadilha de categorizações específicas, até porque o Motörhead foi um grupo notavelmente original no aspecto musical, tendo inclusive conquistado o respeito dos fãs de punk rock. Aliás, aqui vale citar aqui uma das histórias mais interessantes do rock: certa vez, Sid Vicious pediu para Lemmy dar aulas de baixo e o pedido logo foi aceito pelo líder do Motörhead. Mas os encontros entre os dois duraram somente três dias até que o próprio Lemmy disse que o aluno não tinha condição alguma de tocar o instrumento. Sid concordou com as palavras do mestre, e se despediu do instrutor. Poucos meses depois, se encontraram e Sid contou que havia se juntado aos Pistols (sim, mesmo não sabendo tocar direito e aparentemente não tendo talento algum). E lembremos que o Motörhead chegou a lançar um cover de “God Save The Queen”. Outro cover memorável e digno de menção foi “Heroes”, música originalmente gravada por Bowie que faleceu menos de um após o líder do Motörhead. É interessante observar que Lemmy tinha essa consideração por artistas que estavam fora da esfera do heavy metal e do hard rock, gêneros com os quais sempre foi tão associado. Inclusive, nesse contexto, é válido citar que o vocalista do Motörhead também já rasgou elogios a Flea, do Red Hot Chilli Pepears, e declarou que ele é um dos seus baixistas favoritos de todos os tempos.

"Na minha vida até agora, descobri que na verdade só há dois tipos de pessoas: aqueles que estão com você, e aqueles que estão contra você. Aprenda a reconhecê-los, pois eles são frequentemente e facilmente confundidos um com o outro". Lemmy Kilmister

A trajetória de Lemmy sempre foi um tanto polêmica, tal como é a da maior parte dos astros do rock. Drogas e sexo foram os principais elementos de sua vida fora do palco. Lemmy, inclusive, já declarou ter se relacionado com mais de mil mulheres, pois nunca se prendeu de fato a alguém e sempre passou muito tempo na estrada, e por isso buscou aproveitar as oportunidades que apareciam. O segredo para o sucesso, de acordo com o músico, é fazer as mulheres rirem e para isso, disse Lemmy, a beleza não é exatamente necessária. Mas a maior polêmica de Lemmy foi em relação a sua coleção de itens nazistas, que ele justificou como sendo itens de colecionador e sempre fez questão de esclarecer que colecionou várias outras peças antigas, não somente as que estavam ligadas à Hitler, pois seu interesse por história era grande:  O rockstar, apesar desses hábitos desregrados clichês que foram citados, tinha um lado inocente e ligeiramente infantil. Gostava muito de cavalos, adora assistir desenhos animados e amava jogar videogame. 

Lemmy é uma figura importantíssima para o rock e que nos deixou um legado incrível. Ao menos uma música do certamente Motörhead vai te cativar... É tipo um inexplicável de feitiço do qual a maior parte das pessoas simplesmente não escapa. Lemmy era querido por todos ao seu redor, e prova é que em sua última festa de aniversário estiveram presentes figuras icônicas como Steve Jones, Slash, Robert Trujillo e Billy Idol. O líder do Motörhead faleceu em dezembro de 2013 e nessa época sua saúde já estava bastante debilitada. Após sua morte, Mikkey Dee, baterista do powertrio disse que a banda chegava ao fim, pois “Lemmy era o Motörhead”. E ainda declarou: “(…) a banda vai continuar viva na memória de muitas pessoas (…) Lemmy vive no coração de todos".

"A lei morre onde o Motörhead estiver". Lemmy Kilmister


Referências:

https://www.google.com.br/amp/s/portalpopline.com.br/sete-anos-sem-lemmy-kilmister-sete-curiosidades-voz-motorhead/amp/

https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/amp/2015/12/lemmy-facts-curiosidades-e-fatos-que-marcaram-a-vida-do-lider-do-motorhead-4940498.html

https://whiplash.net/materias/curiosidades/041290-motorhead.html

https://www.google.com.br/amp/s/revistaquem.globo.com/amp/QUEM-News/noticia/2015/12/lemmy-kilmister-do-motorhead-aparece-abatido-em-ultimas-fotos.html

https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/amp/2015/12/lemmy-facts-curiosidades-e-fatos-que-marcaram-a-vida-do-lider-do-motorhead-4940498.html

https://revistafreak.com/lemmy-e-suas-aulas-de-baixo-para-sid-vicious/amp/
https://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2017/08/03/bowie-e-lemmy-sempre-mitos-ouca-motorhead-fazendo-cover-da-faixa-heroes.amp.htm

segunda-feira, 1 de maio de 2023

TOMMY E O PROCESSO DE AUTOLIBERTAÇÃO

 Por Juliana Vannucchi & Natália Amanda

O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o”.

 Carl Jung

 

Tommy é um icônico álbum de estúdio lançado pelo The Who em 1969. Para muitos críticos e fãs, é a obra mais primorosa que a banda produziu durante sua longa e consistente carreira. Trata-se de uma “ópera-rock”, isto é, um álbum temático no qual as faixas narram uma história. Na década de setenta, Ken Russel produziu uma elogiável adaptação cinematográfica baseada neste referido disco, que contou, inclusive, com a participação de membros do The Who no elenco.

What about the boy?

A narrativa contada no álbum começa a se desenrolar no período da 2ª Guerra Mundial da qual participa o capitão Walker, um piloto de guerra, que ao ser convocado para servir o exército, deixa para trás Nora, sua esposa que estava grávida. Passado algum tempo, Nora acredita que Walker faleceu e envolve-se com outro homem, chamado Frank. Porém, inesperadamente, Walker retorna para sua casa e encontra Nora com o novo amante. Após uma discussão entre os três, Frank mata Walker e o pequeno Tommy presencia esse brutal assassinato de seu pai. Nora aflige-se ao perceber que a criança havia visto e ouvido tudo e eis que ela e Frank, insistentemente repetem para Tommy que ele “não ouviu, não viu e não dirá nada sobre aquilo”. Em choque e desconcertado com a situação, Tommy então, absorve essas ordens da mãe e do padrasto e, de maneira literal e se torna uma criança cega, surda e muda. Com o passar do tempo, mesmo com tais deficiências, acaba se tornando um campeão mundial de pinball... e mais do que isso: ele passa por um processo de autolibertação, sobre o qual refletiremos a seguir!

Eis Tommy, um disco que além da qualidade técnica e criativa no âmbito musical, aborda em seu percurso temático, uma série de analogias e simbolismos, e inúmeras questões profundas de cunho psicológicos. Tais aspectos podem ser identificados logo no início do álbum, no momento da história em que o protagonista Tommy, ao escutar seu padrasto e sua mãe dizendo que ele não “ouviu nada, não viu nada, e não iria dizer nada”, torna-se surdo, cego e mudo. Ou seja, inconscientemente, conforme citado acima,  Tommy incorpora, integralmente as negações que a mãe e o padrasto impuseram e, a partir do trauma vivido, configura isso para a sua realidade, isolando-se dentro de si mesmo e se afastando de tudo que faz parte do mundo exterior. Aliás, havia uma única coisa que o ligava com o mundo externo: a mesa de fliperama. O menino, ainda jovem, descobre um talento incrível para o pinball e, seguindo e se entregando à sua paixão, torna-se um jogador genial. E nessa atividade, ele não precisava de seus sentidos ausentes, apenas da sua intuição – esta sim era necessária. Logo, para vencer o jogo, Tommy seguia seus próprios instintos e era guiado por seu eu mais profundo, que se encontrava além dos sentidos convencionais. Vale mencionar aqui que, certa vez, Pete Townshend, guitarrista do The Who e autor da ópera-rock em questão, declarou que a ideia do protagonista ser surdo, cedo e mudo, era uma referência ao fato de que nossos sentidos nos limitam em relação ao conhecimento da verdadeira realidade das coisas e do infinito. 

 

Seria nossa vida uma mentira contada pelos outros, sobre aquilo que somos?
 

Tentativas fracassadas de cura:

Anos mais tarde, após Tommy ter crescido e passado um longo período de tempo com sua deficiência, inicia-se uma sequência de tentativas de cura. Primeiro, a tentativa ocorre numa Igreja, sem resultados positivos. Talvez aqui possamos encontrar uma crítica aos dogmas religiosos e suas tentativas frenéticas de domesticação dos fiéis. E ressalte-se: a religião falhou em sua tentativa de recuperar o garoto. Posteriormente, surge a “rainha do ácido”, uma mulher que representa explicitamente a clássica forma “sexo, drogas e Rock And Roll”, e injeta substâncias no rapaz. Mais uma vez, nada funciona. As drogas também foram ineficazes, o entorpecimento não funcionou. Até o momento, temos a representação de duas clássicas “válvulas de escape” e antídotos da humanidade: as drogas e a religião. Certamente, ambas desempenham um papel muito maior no processo de escravização do que numa possível libertação humana. Ademais, em sua trajetória dramática, Tommy também é vítima de bullying e de abuso dentro de sua própria família. Esse aspecto da história é relevante pois sabemos que pessoas com deficiência e/ou certas patologias são, de fato, mais vulneráveis a abusos em variados contextos e locais. 

“Estou curado, saí da escuridão silenciosa”.

O jovem Tommy é, então, por fim, levado a um médico que, após examiná-lo, faz uma declaração instigante: “Não há chances para uma cirurgia, toda esperança está com ele e não comigo”, o que deixa evidente que o problema do garoto é, de fato, de ordem psicológica e individual e que, só ele próprio é capaz de se curar, pois não há nada que terceiros possam fazer por ele. Tommy está em suas próprias mãos... a salvação não virá da Bíblia e tampouco das drogas.

Tommy, can you hear me? Tommy? Tommy?

Mas em meio a tudo isso, neste ponto, surge um aspecto interessante e bastante simbólico: o protagonista consegue enxergar toda vez que se coloca-se um espelho em sua frente. É como se seu próprio reflexo representasse sua mente e o induzisse a um mergulho dentro de sua solitária e turbulenta consciência que, aliás, é para ele a única realidade, já que o mundo externo não se apresenta para todos os seus sentidos. Há um momento então, em que, de repente, um espelho é quebrado por sua mãe e Tommy consegue finalmente libertar-se do que o prendia, livrando-se dessa maneira das dores e mágoas de seu passado. O que o acorrentava, no final das contas, conforme foi indicado pelo médico, era ele próprio, pois foi sua consciência que criou uma barreira com o mundo para que ele pudesse esquecer seu trauma. O protagonista declara entusiasmado: “Estou curado, saí da escuridão silenciosa”. E ainda: “A escuridão da minha infância passou”. A partir disso, Tommy diz que quer ensinar corações silenciosos (tal como era o seu) a falarem, pois ele afirma que as pessoas sempre tem condição de atingir esse estado de liberdade, livrando-se das portas interiores que se encontram fechadas e dos gritos sufocados que carregam em si: era uma questão de autolibertação. Não devemos, diz Tommy, nos importar tanto com a dor e com o medo, pois esses elementos integram a vida e compõe a psique de qualquer indivíduo. São componentes existenciais e não precisamos, necessariamente, nos apegar a eles como se fossem aspectos imutáveis de nossa jornada existencial. É possível olhar para o medo e para dor e a partir disso, se libertar deles. Nesse contexto, é importante ressaltar algumas simbologias que podem ser encontradas aqui: quem o salvou não foi Deus (por intermédio da Igreja), não foi um milagre e tampouco foi a Ciência (nem as injeções com drogas, nem o médico). A liberdade estava dentro dele – Tommy era seu próprio “Messias”, sua própria e única cura, ele era o artista de si mesmo. A solução não estava lá fora no mundo do qual isolou-se, mas sim dentro de si, na mais vasta imensidão de seu eu. Como o próprio protagonista profere numa faixa do álbum: “A liberdade tem sabor de realidade”.
Podemos considerar que cada um de nós é o próprio Tommy. Desde que nascemos, no decorrer de nossas vidas, mas principalmente em nossa infância, somos condicionados a nos formar de acordo com as experiências alheias, de nossos familiares e próximos e, muitos deles nos submetem a situações desamparadoras, frustrantes e alienantes, diante das quais o que nos resta é corresponder ou reagir à condição posta, afinal, enquanto ainda crianças, somos indefesos e por isso estamos sujeitos a acreditar na palavra do outro, principalmente nas palavras ditas por aqueles que mais nos afetam, seja por proteção, cuidado, ou medo, ainda é tudo o que temos, tal como o verbo que se encarnou em Tommy. No entanto, dentro de cada um de nós existe algo que é somente nosso, singular e único, o qual nos move, nos conduz e quer existir. Como no impulso do jogo de pinball, que não cessa enquanto houver o jogador...

Uma questão que devemos fazer a partir dessa reflexão é: seria nossa vida uma mentira contada pelos outros, sobre aquilo que somos? Esse álbum do The Who nos convida a pensar sobre essa questão. Torna possível refletir sobre a palavra que se manifesta em nós e nos constrói como seres humanos, refletir o mundo, as pessoas, nossas próprias crenças. Convida-nos a olhar para nós mesmos e responder, sim, eu estou aqui e quero existir a partir de mim.

Conforme consta no próprio encarte do álbum, o rico conteúdo da ópera-rock aborda temas como rejeição, bullying, ilusão, sexo, drogas, charlatanismo, assassinato, abuso, trauma e outros temas. Por fim, deixamos aqui algumas sugestões de reflexões para os leitores, rockers, amantes da Filosofia e afins. Sugerimos que assistam ao filme e escutem o disco na íntegra. Tommy é uma obra-prima inesquecível e encantadora para quem aprecia o bom e velho Rock And Roll. E claro, fundamental para quem gosta do gênero musical e também gosta perder-se em seus pensamentos...




quinta-feira, 13 de abril de 2023

UMA MANHÃ COM BLIXA BARGELD

 Por Juliana Vannucchi

Colaboração: Erica Iassuda

Era uma manhã nublada de fevereiro. Há dias chovia intensamente na região de Sorocaba, no interior de São Paulo. E essa, definitivamente não era uma manhã qualquer, pois nesse dia, eu e artista paulista Erica Iassuda tivemos a oportunidade de conversar com o aclamado músico alemão Blixa Bargeld.

O papo durou aproximadamente meia hora e tentamos usar esse tempo da maneira mais proveitosa possível. Atencioso e um tanto tímido, Blixa respondeu educadamente e de maneira objetiva a todas as questões que fizemos. Uma das primeiras abordagens foi a respeito de suas passagens pelo Brasil. O entrevistado mostrou-se orgulhoso ao dizer que já esteve inúmeras vezes no país e contou, inclusive, que gravou um álbum com Nick Cave em nossas terras. Além disso, citou Caetano Veloso como um músico brasileiro que aprecia. 

 

Blixa ao lado de Nick Cave.
 

Na sequência, levando em conta seus experimentalismos estéticos e ousadias musicais, perguntamos se ele se considera um músico dadaísta, e Blixa admitiu que o dadaísmo foi importante historicamente para ele no sentido técnico. Mas apesar disso, contou que não possui uma única linha de trabalho: “O processo de criação depende do material em que estamos trabalhando”. Ainda dentro do contexto criativo, decidimos perguntar como foi sua relação com o punk rock. Segundo o músico alemão, musicalmente e estilisticamente falando, o punk rock não teve muito efeito em sua vida, mas, por outro lado, foi um gênero que, no aspecto ideológico, teve certa relevância na sua carreira porque mostrou que as pessoas poderiam fazer algo por si mesmas e ter autoridade. No entanto, ele conta que cresceu ouvindo bandas como Pink Floyd, Can e Bob Dylan e enquanto mergulhava no som dessas bandas, não esperava que um dia se tornaria músico ou chegaria a gravar um álbum: “Parecia algo tão distante de mim”. 


Blixa contou que o diretor alemão convidou Nick Cave e ele quando o filme já estava pronto.

 

Blixa, refletindo sobre sua prolífica carreira, confessou que "Round Number 2" talvez seja seu álbum menos interessante, embora tenha dito que em geral ele gosta e se orgulha de todas as suas produções. E ainda observou de maneira descontraída: “Mas meu álbum preferido é sempre o último que eu lanço”.  

Não podíamos deixar de questionar sobre a experiência de Blixa no filme “Asas do Desejo”, de Wim Wenders. Ele contou que o diretor alemão convidou Nick Cave e ele quando o filme já estava pronto. De acordo com Blixa, inicialmente, Wenders pretendia fazer um filme sobre anjos e também tinha vontade de fazer um filme em Berlim. Então uniu essas duas ideias que resultaram no longa. Falando em Nick Cave, ele lembrou ainda que deixou o Bad Seeds porque estava casado e achou que não seria saudável para o casamento continuar em duas bandas, optando assim por ficar apenas no Einstürzende Neubauten.

Blixa continua ativo no universo musical, e fora desse meio, possui uma discreta ao lado da família, para a qual gostar de cozinhar, sendo esse um dos seus hobbies.




EM SEU NOVO ÁLBUM, DENNIS SINNED REFLETE SOBRE A CRISE DAS RELAÇÕES HUMANAS: “HOJE AS PESSOAS SÃO MEIOS PARA QUE AS OUTRAS ATINJAM SEUS FINS”

 Por Juliana Vannucchi

 Em março 2023, a banda Dennis e o Cão da Meia-noite, projeto autoral do músico paulista Dennis Sinned, lançou seu segundo álbum de estúdio, intitulado “Sobre Lealdade”.
    
O debut da banda, “Id, Ego & Outras Porcarias”, lançado em 2021, aborda como tema principal os conflitos psicológicos do eu e das relações humanas em geral. Nesta nova produção, contudo, Dennis Sinned, o poeta do caos, mestre lúgubre das palavras e dos sentimentos, apresenta como tema principal os valores que sustentam as relações modernas: “Observo que há uma crise nas relações humanas atuais que, a meu ver, estão passando por um processo de transformação que se intensificou durante a pandemia. Talvez nos dias de hoje as gerações mais novas, por exemplo, até dispensem o contato físico, já que normalmente se relacionam à distância, através das redes. Assim sendo, penso que as relações, de certa maneira, estão dentro de nós agora, sendo mais uma espécie de experiência mental, já que não se exige o contato, a troca física”. É nesse contexto que o individualismo, elemento típico da estrutura capitalista e característico das relações virtuais, aparece também como assunto abordado no álbum, conforme refletiu Sinned: “Hoje as pessoas são meios para que outras atinjam os fins que desejam. Eu chamo isso de conveniência das relações”. Esses elementos são apresentados nas letras escritas por Dennis de uma maneira profunda, pessimista e questionadora. Nesse sentido, vale fazer uma menção à última faixa, que consiste num spoken word particularmente interessante e bem surpreendente em seu formato, já que quebra um pouco o padrão musical do álbum. Conforme explica Dennis: “Essa música é como se fosse um áudio de WhatsApp, no qual um amigo envia seus desabafos existenciais a outro, reclamando justamente das conveniências humanas e, mais precisamente, queixando-se dos sofrimentos que a conveniência das relações acarreta”.

 

Dennis Sinned: “Tecnicamente falando, é o melhor álbum que já fiz”.

Entre as razões que levaram Sinned a voltar-se para o tema das relações humanas está o isolamento imposto pela pandemia, que certamente deixou cicatrizes em praticamente todas as pessoas e fez com que muitas delas avaliassem suas vidas de uma forma mais crítica. Outra razão foi o incidente de 2021. Em dezembro, justamente na noite em que realizaria seu primeiro show desde o começo da pandemia, Dennis Sinned foi brutalmente espancado por um grupo neonazista: “Isso afetou de várias formas e alterou meu modo de me socializar, de interagir e pensar no outro”, admitiu o músico.  

No âmbito instrumental, “Sobre Lealdade” é certamente a produção mais experimental da sólida carreira do músico paulista. As faixas carregam traços de gêneros diversos como Ska, Reggae e Hip-Hop, que flertam com a atmosfera pós-punk clássica que, apesar de estar alinhada com esses gêneros tão diversificados, é o fio condutor do álbum.
    
O novo álbum foi gravado nos estúdios da “Dissonância Magnética”, em São Paulo, e foi registrado pelo próprio “Dennis Sinned”. A masterização ficou por conta de “Diego de Oliveira” (“cubüs” / “Paranoia Musique”): “Tecnicamente falando, é o melhor álbum que já fiz”, observou Dennis, satisfeito com seu segundo álbum. Depois, refletiu: “É um álbum mais orgânico também. Os efeitos que usamos são analógicos”.

O músico comentou que desde o lançamento tem feito uma turnê interessante, passando por vários lugares do país: “Estivemos em Minas Gerais, tocando em Juiz de Fora, em São José dos Campos e até mesmo em Brasília”. O álbum está disponível em todas as plataformas digitais (“Spotify”, “Deezer”, “Bandcamp”, “Plainsong”, “Tidal”, “Apple Music” e outras.



 

domingo, 5 de março de 2023

RUÍDO QUE DESORGANIZA: CONHEÇA O NOVO EP DO BALLET CLANDESTINO

 Por Juliana Vannucchi

A cena brasileira de música independente segue em alta com o surgimento constante de novas bandas e com a persistência de grupos tradicionais, como o Ballet Clandestino, que com mais de uma década de carreira, permanece consistente nos palcos e firme na qualidade de suas produções musicais. 

Em 2012, enquanto muitos conspiracionistas se preparavam para o fim dos tempos, o Ballet Clandestino se preparava para dar os primeiros passos de uma carreira musical bem sucedida. Era o início de uma trajetória longa, que está completou dez anos em 2022. 

A banda surgiu no meio das sombras e da atmosfera funesta do caos urbano que rege a cinzenta capital paulista. No início, o grupo era composto por Vinícius Primo (guitarra e voz), Natan (baixo e voz) e Cecília (bateria). Não demorou muito para que a baterista fosse substituída por Rocero e este, por sua vez, deixou o trio em 2019, quando Tiofrey assumiu as baquetas. 

Desde os primórdios, gradualmente a banda foi crescendo e se consolidando como uma das principais representantes do pós-punk nacional. Na bagagem, o Ballet Clandestino carrega uma discografia composta por 4 EPs, todos lançados em formato físico. De modo geral, as músicas mesclam distorções e ruídos com versos reflexivos sobre o cotidiano nas grandes cidades e seu desfecho existencial. Nas letras, de maneira geral, encontramos temas politizados e sentimentais, como menções ao tempo que se esvai no trabalho sufocante e mecânico que tange o sistema capitalista, além de menções ao visual mórbido do meio urbano e referências ao consumismo desenfreado, à solidão, etc. 

Neste início de março, a banda paulistana, uma das mais icônicas da história do pós-punk nacional, presenteou os fãs com o lançamento de seu novo EP, intitulado “Ruído Que Desorganiza”, nome originado a partir de uma faixa chamada “Ruído”. Vinicius Primo, guitarrista e vocalista do Ballet Clandestino, explica o significado do título: “É um nome que, de certa maneira, sintetiza um pouco a nossa intenção enquanto criadores de música (ou ruído). Além do que, nesse momento de crescente avanço das ideias conservadoras, temos que ser o ruído, ou seja, aquilo que incomoda, que desorganiza. Temos que ser a subversão desses valores que oprimem e esmagam quem nasceu pobre”.

 A última produção original da banda data de 2020, ano em que o trio se afastou dos palcos em função da pandemia. Esse período, contudo, não foi infrutífero, pois os integrantes continuaram ativos em suas casas, esboçando ideias de riffs, de letras e esboços para novas faixas. Consequentemente, o lockdown teve reflexos diretos no EP de 2023, conforme nos contou Vinicius: “O último EP que lançamos foi em 2020, durante a pandemia, e de lá pra cá, como não estávamos fazendo shows e nem ensaiando, devido às restrições da pandemia, acabamos cada um na sua casa tendo várias ideias que estavam soltas e, conforme fomos retomando os ensaios, começamos a dar continuidade a esses riffs, vendo o que seria mais legal, o que fluía melhor, até realmente concluir uma música com letra e tal. Óbvio que no meio de tudo isso alguns riffs foram descartados, outros perdidos (rsrs) e outros optamos por não usar”. Natan, baixista do grupo, considera que esse foi o trabalho mais bem gravado da história da banda, embora também, justamente em função da pandemia, tenha sido o mais longo e doloroso: "Os ensaios foram espaçados e tomamos os cuidados necessários para evitar uma possível transmissão da covid. Longos ensaios deram origem a um grupo de músicas, elegemos os quatro sons para a gravação. O resultado final superou nossas expectativas". 

 

O Ballet Clandestino segue firme como uma das bandas mais duradouras, cults e interessantes do pós-punk nacional
 

Para dar vida ao EP “Ruído Que Desorganiza”, a banda procurou Luis Tissot, que já havia produzido os 2 EPs anteriores (“Impróprio Necessário”, de 2018, e “Descompasso Cinza”, de 2020) e que ao ser contatado pela banda, logo sugeriu que o grupo gravasse o novo material no Estúdio Aurora. A esse respeito, Vinicius comentou: “Pra mim, o fato de termos tocado lá, juntamente com a produção do Luis, foi uma combinação ideal que fez toda a diferença no resultado final”.

 De modo geral, a sonoridade do álbum lembra o New Order em seus primórdios, mas é mais sombria e menos eletrônica do que as produções embrionárias da banda inglesa. Mesmo com essas diferenças, nada nos impede de apelidar o Ballet Clandestino de “New Order Tropical”, sem deixar de esclarecer, no entanto, que a banda brasileira é mais charmosa, possui linhas de guitarra mais cativantes e é, definitivamente, mais intelectualizada do que os britânicos. Para Tifery, baterista da banda, esse é "o álbum mais criativo e corajoso do Ballet Clandestino. A gente tentou coisas diferentes, buscou algumas outras influências e o resultado foi bem satisfatório". Nas letras, percebemos um desabafo sentimental pautado em preocupações sociais, dramas existenciais e problemas urbanos. De acordo com os integrantes, as canções centram-se em assuntos diversificados e não possuem nenhuma conexão temática entre si, sendo que todos os integrantes participaram ativamente da composição lírica. Sobre esse aspecto do álbum, Vinicius declarou: “As letras se deram de forma subjetiva e bastante poética, para expor nossas aflições em relação ao que nos incomoda no dia a dia, nesse modus operandi do mundo”. Natan, refletiu sobre o conceito de "ruído" em meio ao contexto cotidiano da capital aulista: a buzina de um carro diz se podemos avançar ou parar, a sirene de uma ambulância sinaliza atenção, um trovão é o prenúncio de que vai chover, então corra! Ou pegue um guarda-chuva. As palavras em coro em uma manifestação na avenida Paulista falam sobre lutas, reivindicações por melhorias. São barulhos, são ruídos que bloqueiam, sintonizam, organizam e desorganizam. Os sons que as cidades apresentam dizem muito sobre ela, e sua ausência pode significar alguma repressão. Escute o barulho da cidade, escute Ballet Clandestino. 

 

Capa do novo EP da banda

O EP é empolgante e suas faixas enérgicas mantêm a clássica assinatura dark e funesta que sempre acompanhou o grupo ao longo de seus dez anos de existência. As músicas são tão melancólicas que temos a impressão de que a composição foi feita com auxílio de Arthur Schopenhauer, enquanto o filósofo esboçava as primeiras linhas do livro “As Dores do Mundo”. Em “Ruído Que Desorganiza”, encontramos uma sequência de melodias saborosas e, apesar do clima sombrio, as atraentes linhas de guitarra portam aquela tradicional selvageria punk. Esse conjunto faz qualquer coração instintivamente se agitar, reagindo espontaneamente às emoções desencadeadas pelas músicas da banda. 

Com essa nova produção digna de elogios, o Ballet Clandestino segue firme como uma das bandas mais duradouras, cults e interessantes do pós-punk nacional, que em sua genética carrega a resistência, o talento e a criatividade. Os trabalhos da banda despertam um interesse cada vez mais crescente, e a sua contribuição legada ao universo da música independente é digna de administração. Precisamos reconhecer o êxito do Ballet Clandestino, que evolui cada vez mais, tanto em relação às gravações e produções, que contam com uma qualidade refinada, quanto em relação aos shows realizados, que têm  uma adesão cada vez maior por parte do público brasileiro. Perguntei a Natan o que podemos esperar da banda no restante do ano. A resposta do baixista foi segura e repleta de entusiasmo: "Pretendemos ir o mais longe possível com a música, tocar em espaços onde ainda não tocamos. Queremos tocar fora de São Paulo e até o final do ano esperamos que esse projeto aconteça". O novo da EP da banda está disponível nas plataformas digitais.

MARC BOLAN: O DANÇARINO CÓSMICO

Por Juliana Vannucchi

Marc Bolan sempre foi conhecido por ser um exímio guitarrista. Seu primeiro contato com o instrumento se deu aos 9 anos de idade e, nessa faixa etária, o futuro vocalista do T. Rex fascinou durante algum tempo os colegas de escola, até ser expulso por suas posturas reprováveis. Esse talvez tenha sido o primeiro público que ele conquistou com seu talento. Fora dos limites desses muros da escola que reprovou seu comportamento, havia um mundo todo aguardando por ele.

Em 1967, um dos anos mais especiais da história do rock, em que os EUA viviam a experiência do “summer of love”, e bandas experimentais como o Velvet Underground despontavam, surgiu o grupo Tyrannosaurus Rex, que logo se tornou o “T.Rex”. E foi precisamente com o T.Rex que Bolan tornou-se uma lenda atemporal, atingindo o ápice de sua carreira no início nos anos setenta, período no qual a banda se tornou um verdadeiro sucesso comercial. Visualmente falando, a estética da banda foi especialmente marcada pela extravagante sensualidade androgênica do vocalista, que em seu figurino abusava do glitter, do brilho e das cores. Bolan sacudiu os anos setenta londrinos e parecia ter vindo de outra dimensão para oferecer ao mundo um estilo musical e performático altamente criativo, que atravessou o tempo como uma flecha e que ainda atinge o coração de várias gerações. Vale lembrar que nos bastidores do estrondoso sucesso do T. Rex estava Tony Visconti, “guru do Glam”, que trabalhou com outras lendas do gênero, como Bowie e Sparks, e que chegou a declarar que, ao ver Bolan pela primeira vez, o que viu foi “um verdadeiro gênio”.

 

Bolan, o rei do glitter, criou riffs de guitarra memoráveis
 

Bolan chegou a acompanhar de perto os primeiros passos do punk rock. O T. Rex fez, inclusive, uma turnê com o The Damned, em 1977. Ademais, o músico chegou a apresentar publicamente a banda Generation X, antes de uma apresentação do T.Rex, e na ocasião enalteceu carismaticamente a figura de Billy Idol. Também acompanhou de perto e atenciosamente o primeiro show dos Ramones em solo britânico. Não à toa, o T.Rex faz parte das clássicas bandas de protopunk, que são aquelas cujo legado reverberou fortemente nas produções dos primeiros materiais e shows de grupos punk.

Marc Bolan, que era grande fã do rebelde James Dean, faleceu tragicamente num acidente de carro apenas quinze dias antes de completar trinta anos. O veículo era dirigido por sua parceira Gloria Jones, com quem o vocalista do T.Rex teve um filho, nascido em 1975.


Referências:

https://amp.theguardian.com/culture/2011/jan/30/underground-arts-60s-rebel-counterculture

https://www.theguardian.com/music/2015/feb/09/tony-visconti-marc-bolan-was-raw-talent-i-saw-genius

https://www.theguardian.com/music/2020/sep/04/marc-bolan-perfect-pop-star-t-rex-singer-tribute-album-elton-john-u2

https://amp.theguardian.com/tv-and-radio/2017/sep/16/marc-bolan-cosmic-dancer-review-bbc4-documentary

domingo, 5 de fevereiro de 2023

EXPOSIÇÃO DE ARTE: AMAZÔNIA EM FOCO

 Organização: Juliana Vannucchi. 

Colaboração: Camilo Nascimento

A floresta amazônica, em suas tantas dimensões possíveis, é o tema da exposição deste ano. Os artistas convidados para participar do projeto, tiveram liberdade para explorar, através de suas próprias linguagens, os inúmeros elementos que compõem a floresta e suas ricos aspectos, tais como sua variada biodiversidade (águas, plantas, rochas, animais), os povos originários da região, crises ecológicas, etc. 

Nossa intenção é homenagear poeticamente a floresta que, certamente, é uma das maiores honras do nosso país. É importante esclarecer que este projeto carrega também um pano de fundo crítico que leva em conta as diversas ameaças que assolam esse importante espaço, prejudicando as espécies locais e comprometendo sua paisagem.  

Entendemos que a floresta amazônica é um solo sagrado. Um verdadeiro templo de mistérios e encantos nos quais sonhos e realidades se confundem. Suas dádivas são vitais para qualquer indivíduo, de qualquer canto do globo, e talvez representem uma fresta de esperança para um futuro mais harmônico e pacífico. 

Vale lembrar ao visitante que nossa exposição é movida pela militância artística: nunca nos esqueçamos de lutar pela conservação da floresta e de nos posicionar contra as diversas agressões que ela vem sofrendo nos últimos anos. O compromisso ecológico é de todos nós. Convidamos Big Paul Ferguson, ilustre baterista do Killing Joke, para refletir a respeito da importância de exposições artísticas como esta e para meditar sobre o significado da militância em prol da floresta amazônica. O músico britânico, nos disse as seguintes palavras: 

"Nunca estive na Floresta Amazônica. Talvez eu nunca esteja. Meu próprio país já foi densamente coberto de árvores, muito antes do meu tempo, e estava cheio de vida selvagem há muito desaparecida. Mas quando eu era criança adorava a floresta, era algo mágico. Fiquei triste ao vê-la diminuir lentamente, ano após ano, à medida que as árvores davam lugar às necessidades humanas. Subúrbios, estradas, lojas, crescimento humano e a necessidade de conforto prevalecendo sobre a natureza que alimenta a alma e a abundância de formas de vida. As árvores quase desapareceram agora. Uma tragédia, não para mim, mas para a diversidade da vida.

Parece que não nos importamos o suficiente com os animais em nossa crença de que reinamos supremos e que a ciência e a pecuária industrial são suficientes para nos sustentar. Uma vez que o crescimento antigo se foi, ele não pode ser substituído e agora sabemos o suficiente para perceber a importância dessa maravilha da natureza. Então, como podemos permitir que empresas comerciais privem as gerações futuras do que é conhecido como o pulmão do planeta? Como isso pode ser tolerado? Com toda a degradação ambiental que os humanos estão infligindo ao nosso planeta, talvez seja ingênuo pensar que a ganância pode ser restringida pela consciência. Ou que a empresa comercial jamais terá a clarividência de reconhecer que nunca compreenderemos toda a complexidade da vida. Salve a Floresta Amazônica. Pare as incursões".


TELAS E EXPOSITORES

 

Terras Indígenas 

(Thiago Rocha)

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Resiliência 

(Ana Duarte)

 ***

Dança das Cataratas do Jardim 

(Alejandro Gomez)

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Distopia

(Erica Iassuda)

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Terra Amada, Gigante do Mundo 

(Edelcio Ipanema)

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Nome popular: Tucano. Nome científico: Ramphastos tocco 

 (Carla C. Andrade Oliveira)

***

  Pensamentos 

(Carlos Zabala)

 
Outra artista convidada para refletir sobre o tema foi Danielle de Picciotto, da banda Hackedpicciotto, formada com o marido Alexander Hacke: 
 
"Quanto mais velha fico, mais eu percebo como a natureza está interconectada com os seres humanos. Eu me tornei mais sensível em relação a como estamos destruindo nosso planeta e, simultaneamente, aniquilando assim a nossa própria espécie. Existe um ditado que diz:“Você é o que você come”. Isso é muito verdadeiro e muitos problemas médicos que existem hoje são causados pela comida manipulada que consumimos, feita com açúcar branco, farinha branca, carne com antibióticos promotores de crescimento e peixe envenenado por microplástico que nossa civilização vende como nutrição. Assim como estamos nos envenenando, estamos matando nosso mundo. Muitas das catástrofes naturais que estão acontecendo são resultado do desmatamento, que está interligado com o cultivo de trigo para o gado, que é vendido como carne bovina. O corte de árvores adiciona dióxido de carbono ao ar e remove a capacidade de absorver o dióxido de carbono existente e a floresta tropical é o exemplo mais dramático do dano que estamos causando ao nosso mundo e a nós mesmos. Uma das maneiras mais fáceis de ajudar a mudar esse padrão é tornar-se vegano. Com isso, você pode ajudar diretamente a impedir a destruição do nosso mundo e da floresta tropical".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

CRASS: A BANDA ANARCO-PUNK QUE NOS ENSINA A SERMOS NOSSA PRÓPRIA AUTORIDADE

 Por Juliana Vannucchi
 

You must learn to live with your own conscience,
your own morality,
your own decision,
your own self.
You alone can do it.
There is no authority but yourself

Crass
Yes Sir, I Wil


Formada na Inglaterra, em 1977, ano de efervescência máxima do punk rock, a banda CRASS se tornou um dos maiores expoentes desse gênero musical. Em seus primórdios, teve bastante influência de música vanguardista e também do The Clash. Foi fundada por Penny Rimbaud e Steve Ignorant.

A banda se caracterizou por seu forte ativismo político e social, que se refletia tanto na estética do grupo como em suas ações. Visualmente, era comum o público ver os integrantes do grupo utilizando roupas militares, aspecto este que, de acordo com o público, era uma maneira de se postar contra o "culto à personalidade", ideia que, aliás, está presente também no logo da banda, que faz referência ao Nazismo, ao Cristianismo e à bandeira do Reino Unido, "autoridades" públicas soberanas que, conforme o pensamento proposto na identidade visual da banda, tendem a se deteriorar e se autodestruírem. Nos anos oitenta, a militância da banda a levou a participar de ações do Greenpeace e apoiar e impulsionar a Campanha pelo Desarmamento Nuclear (CND).

A banda CRASS também sempre defendeu e se identificou com o anarquismo e constantemente distribuía ao seu público panfletos informativos sobre o assunto.  


"Nós éramos extremamente independentes, você sabe. Não faríamos entrevistas à imprensa e não nos envolveríamos de forma alguma com grandes gravadoras (...)"
 

É importante citar que o grupo elevou a ideologia D.I.Y., componente básico e essencial do movimento punk em patamares práticos extremos e muito inspiradores. Exemplo disso é que integrantes da banda chegaram a viver na Dial House, uma casa de campo do século XVI, na qual desfrutavam de um estilo de vida autônomo muito semelhante ao dos hippies. Penny encontrou esse espaço num certo dia, enquanto andava de moto pela região, e começou a alugar a casa. As pessoas que lá viviam plantavam, colhiam e consumiam seus próprios alimentos. A respeito do local, ainda ativo nos dias de hoje, consta no portal Radical Guide: “Desde 1967, a Dial House tem sido uma casa aberta anarquista-pacifista e a base de operações para uma série de projetos culturais, artísticos e políticos que vão desde eventos de jazz de vanguarda até ajudar a fundar o Free Festival Movement” (https://www.radical-guide.com/listing/dial-house/). Atualmente, qualquer pessoa é bem-vinda no local e pode chegar na Dial House sem aviso prévio, tendo apenas que contribuir de alguma maneira, seja através da jardinagem, da produção artística, da escrita, ou de outra maneira. Ademais, não há nenhuma regra vigente na comunidade.  Além desse estilo de vida livre e alternativo, houve ao longo da história da banda outras atitudes ligadas ao D.I.Y., como o fato de que os membros do Crass criaram seu próprio selo para que pudessem gerir suas produções de maneira autônoma sem depender de gravadoras. Sobre o alcance e o legado da banda, Penny Rambou refletiu numa entrevista concedida ao Huck Mack: “Quando Steve e eu começamos, não tínhamos ideia de que a banda seria algo além de nós dois mijando na sala de música. Mas à medida que a coisa se expandia, todos nós vimos as possibilidades políticas... O punk inicialmente não era nada mais do que uma expansão do rock and roll. Era um pouco mais travesso e um pouco mais antissocial, mas muito dentro do contexto da indústria da música... Mas nós éramos extremamente independentes, você sabe. Não faríamos entrevistas à imprensa e não nos envolveríamos de forma alguma com grandes gravadoras. É por isso que montamos a [CRASS Records], que nos permitiu vender discos por um terço do preço comercial... Queríamos compartilhar essa [autonomia].” Cabe citar também que o próprio lema da banda, “There Is No Authority But Yourself”, que inspirou o título deste conteúdo, traduz a essência do D.I.Y. Penny ainda declarou na mesma entrevista acima citada: “Nós defendemos o faça-você-mesmo. E, na verdade, isso está acontecendo cada vez mais agora”. Na mesma entrevista, o vocalista ainda disse: “Nosso interesse é quebrar barreiras e redefinir; dizer às pessoas: ‘Qualquer um pode fazer o que quiser, mas você precisa realmente sair e fazer isso’… Encontre uma maneira de viver incondicionalmente”. 

 

 

Dial House.
 

Outro marco da história do CRASS é a artista Gee Vaucher, cujos trabalhos sempre tiveram como foco temáticas de cunho social e político. Essa artista nascida em Essex foi responsável pela criação de algumas capas icônicas de álbuns do CRASS, e também se tornou um dos nomes mais venerados e influentes de toda a estética punk. Foi ao lado dessa incrível mulher que Penny começou a alugar a Dial House e escrever a história mágica desse local. De acordo com a Vaucher, a casa possuía o intuito de ser um ambiente acolhedor e livre: “As pessoas sabem que, se não tiverem nada, podem pelo menos vir aqui por uma noite, recuperar as forças, ser alimentadas e regadas e, com sorte, sair com o coração melhor", comentou Vaucher numa entrevista concedida ao jornal britânico The Guardian. Vale citar que a própria mãe da artista foi enterrada na Dial House, de tão forte que foi a ligação de Vaucher com a casa de campo.

Que fique a lição... O CRASS é capaz de mudar vidas e incentivar qualquer pessoa, em qualquer aspecto possível. É uma banda necessária que abre nossas mentes e nos ajuda a construir uma visão de mundo mais crítica.

Referências:

https://www.ainfos.ca/02/nov/ainfos00589.html

https://thequietus.com/articles/05258-penny-rimbaud-crass-interview

https://www.radical-guide.com/listing/dial-house/

https://www.theguardian.com/culture/2014/jul/19/gee-vaucher-crass-penny-rimbaud

https://www.huckmag.com/art-and-culture/music-2/crass/

https://en.wikipedia.org/wiki/Crass

https://web.archive.org/web/20110604190525/http://www.music.ucsb.edu/projects/musicandpolitics/archive/2010-2/cross.pdf




CORRIDA DE CARROS, GIG NA PAULISTA E MUITA LOUCURA: O UNIVERSO DO THE EDWOODS

 Por Juliana Vannucchi

O rock brasileiro está muito bem representado pelo The Edwoods, duo paulista que realiza criativos experimentos sonoros com os gêneros psycobilly e garage rock, complementando essa mescla com uma aura essencialmente underground.

A dupla é formada pelos irmãos Andy Edwood, vocalista e baterista, e o guitarrista Eron Edwood. Vale observar que o drum kit de Andy é simples e mininalista, composto por duas caixas e um prato que são tocados sempre em pé, de uma maneira alucinante. Cantando, Andy é uma versão tropical de Lux Interior.

Eron, por sua vez, utiliza brilhantemente sua Gretsch e está sempre munido com captadores humbunckers para agitar os ouvintes com uma textura suja e distorcida, que lembra o The Stooges. Em relação aos pedais, o guitarrista explicou: “Nossa distorção vem do Morning Glory da JHS Pedals... Tentamos outros pedais, até o glorioso e cultuado Big Muff...Mas a combinação perfeita ficou com o Morning Glory somada a minha pegada e a minha total falta de técnica. Em certo momento, sentimos a necessidade de alguns sons graves na banda, daí a utilização de um oitavador da Boss, que dá uma sonoridade próxima de um contrabaixo”. Por usarem somente dois instrumentos, o resultado é um rock em estado puro, cru e catastrófico. De modo geral, as músicas da dupla parecem uma fusão estranha e cativante de James Chance, Stray Cats e The Cramps, com um visual de filmes trash sanguinários dos anos oitenta. Em relação ao conteúdo das letras, encontramos temas bem diversificados, como corrida de carros, terror, relacionamentos caóticos e, de acordo com Andy, principal compositor, “também falamos de gente doida igual a gente” (risos).

 

O Fanzine Brasil recomenda: coloque o The Edwoods na sua playlist.

Atualmente, o The Edwoods é um dos grupos mais populares dentro do cenário de bandas nacionais independentes. A esse respeito, Eron refletiu: “Nós ficamos pouco mais de uma década sem tocar (tiramos uma década sabática), então dá para fazer uma análise da cena independente de dez anos atrás e da cena atual. O que eu posso falar é  que, como antes, há muitas bandas boas e uma galera ativa que faz as coisas acontecerem. Num mesmo rolê você pode encontrar uma casa dando a oportunidade para duas ou três bandas de estilos variados mostrarem seu trabalho”. O guitarrista ainda destacou a relevância das redes sociais para bandas underground e deixou um conselho aos que se interessam por bandas autônomas: “Poderia ficar aqui citando várias bandas que estão fazendo um ótimo trabalho, mas com certeza acabaria esquecendo de várias e isso seria injusto... Então o conselho que dou é para fuçarem as redes sociais e as plataformas de streaming, pois existem bandas com trabalhos lançados e que ainda não chegaram aos ouvintes daqueles que estão ávidos por algo novo”.

Ao falar sobre a história do duo, não podemos deixar de citar os famosos gigs realizados na Avenida Paulista, que possibilitam uma interação mais direta e ampla com um público variado. Andy nos contou que essas são as apresentações mais marcantes do The Woods: “São experiências sensacionais, pois permitem que as músicas alcancem um público maior por causa da rotatividade dos pedestres. Essas pessoas dificilmente iriam a algum bar ou clube pra ver um artista sem conhecê-lo previamente, portanto é um espaço fantástico para divulgação. O The Edwoods tocou em junho de 2022 e foi incrível, houve até a participação do Valdir no nosso show. Ele trabalha com limpeza urbana e estava fazendo seu trabalho na área na qual havia o show. Chamei ele ao microfone, pedi uma salva de palmas e ele ainda dançou algumas músicas. Há até um registro desse momento em nosso Instagram”.

Até o momento, a banda paulista lançou um EP físico intitulado “Drag Racer”, que foi lançado em 2020, em formato de vinil de 7 polegadas e cujas músicas também estão disponíveis em todos os serviços de streaming. A previsão é de que no primeiro semestre de 2023 lancem dois singles inéditos.

O Fanzine Brasil recomenda para o bem de seus ouvidos e de sua insanidade mental: coloque o The Edwoods na playlist.


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