Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

KICK OUT THE JAMS: EM FEVEREIRO DE 1969, O MC5 REVOLUCIONAVA O ROCK

 Por: Juan Youth

O MC5 é uma daquelas bandas que possuem mais compilações do que propriamente álbuns de estúdio. Independentemente desse traço que marca suas produções discográficas, o MC5 foi absolutamente revolucionário em vários aspectos.

Partamos do ponto em que eles resolveram lançar o álbum de estreia ao vivo, diferente da maior parte das bandas que lança álbuns live somente depois de terem criado três ou quatro álbuns de estúdio, quando já estão dentro das paradas de sucesso. O negócio é que eles não sabiam muito bem como tocar dentro de um estúdio e suas performances ao vivo eram sensacionais e explosivas, o que, pelo visto, funcionou.

Outro ponto importante são seus posicionamentos políticos de esquerda e o polêmico fato de que a banda era explicitamente defensora do "sexo e drogas" desenfreados, em uma época em que a população americana não dava muito espaço para esse tipo de coisa (talvez isso não tenha mudado).
Mesmo diante de um cenário em que tais assuntos eram tratados como tabus, eles foram provocativos e usaram o ousado título "Kick Out The Jams, Motherfuckers" (que pode ser traduzido como “botem tudo pra quebrar, seus filhos da puta”) como faixa título do disco. 

Mas afinal, que tipo de som os Motor City Five tocavam? Podemos dizer que era uma mistura de blues, R&B, free jazz psicodélico misturado com muitas distorções e um vocal explosivo e inovador. Se mesmo lendo isso tudo você não se impressionou, saiba que eles estavam fazendo tudo isso na cidade de Detroit, em 1965, sendo que nesse contexto, poucos grupos eram tão autênticos. O MC5, assim, participou da história do começo do Punk Rock, sendo, por isso, muitas vezes intitulada como uma banda de protopunk.


O MC5 é uma das bandas mais bem-sucedidas de Detroit.


sexta-feira, 6 de agosto de 2021

“ID, EGO, SUPEREGO E OUTRAS PORCARIAS”: EM NOVO PROJETO MUSICAL DENNIS SINNED RETRATA AS RELAÇÕES HUMANAS NA MODERNIDADE

 Por: Juliana Vannucchi

Nessa sexta-feira, Dennis Sinned, conhecido nome da cena underground brasileira, lançou pelo selo Paranoia Musique, “Id, Ego, Superego e Outras Porcarias”, o primeiro álbum de seu novo projeto solo, intitulado Dennis e o Cão da Meia-noite. Para dar vida ao novo repertório da produção mais ambiciosa de sua carreira, o músico contou com o apoio do talentoso baterista Alexandre Fon, que também toca na banda “Noise Under Control” e ajuda na elaboração da parte rítmica, além de fazer a segunda voz em algumas músicas.

 

No início da pandemia, comprei uma câmera Nikon (...) Gosto de fazer caminhadas, às vezes caminho por horas e em horários não muito convencionais. Nessas ocasiões, costumo levar a câmera e filmar o cotidiano urbano (...)"

“Id, Ego, Superego e Outras Porcarias”, em suma, tem como temática as relações humanas na modernidade. Nas letras emocionais e impactantes, Dennis, o “Rimbaud brasileiro”, dispara lampejos poéticos e reflexivos nos quais encontramos lamentos e refutações sobre um mundo cada vez mais sórdido, vazio e raso. São diagnósticos precisos sobre os traços que marcam o tempo em que vivemos. Em relação ao processo de composição lírica, o músico relatou: “No início de 2020, eu comecei a fazer as primeiras músicas e tive a ideia do nome e dos conceitos que eu queria trabalhar. Eu tenho uma ligação afetiva e quase “espiritual” com cachorros e desejava que meu trabalho solo tivesse algo ligado a eles, não queria usar somente o meu nome. O Dennis sou eu como me mostro para o mundo, o “Cão da meia-noite” é o eu lírico, o id da tríade freudiana. Entrei nesse universo psicológico porque as músicas do projeto tratam das relações humanas na modernidade. Gravamos a primeira música em março, a faixa “Não jogue lixo”, e dias depois começaram as restrições da pandemia e toda essa confusão, o que obviamente interferiu no universo lírico das composições que viriam. Enfim, depois de mais de um ano de composições e gravações, lançaremos o Álbum com 13 faixas”.


As composições do álbum apresentam um refinamento musical elogiável e criam uma aura que mistura The Damned e The Jesus and Mary Chain.

Uma característica que diferencia esse projeto dos outros nos quais Dennis trabalhou é a união entre poesia, música e vídeo, linguagens que se encontram com maestria no seu projeto. A esse respeito, o músico contou: “No início da pandemia, comprei uma câmera Nikon, nada muito avançado, uma câmera semiprofissional. Gosto de fazer caminhadas, às vezes caminho por horas e em horários não muito convencionais. Nessas caminhadas costumo levar a câmera e filmar o cotidiano urbano. Dessas ocasiões também saem insights para letras e poesias, quando não saem músicas completas enquanto caminho”.

As composições do álbum apresentam um refinamento musical elogiável e criam uma aura que mistura The Damned e The Jesus and Mary Chain. Em termos gerais, Dennis, mais uma vez, esbanja originalidade e qualidade. Não importa o caminho que ele percorra, ele sempre se mostra um músico impecável. Parece um daqueles artistas urbanos do célebre período da No-wave norte-americana, mas, claro, tropicalizado. Sejamos francos: na verdade, podemos dizer com bastante segurança que Dennis, com suas poesias encantadoras e com as melodias lúgubres e únicas que imprime em suas canções, desbancaria parte dessa cena gringa e tomaria a coroa de muitos! Ele só não tiraria a coroa de Lydia Lunch... e nem seria preciso: Dennis e Lydia Lunch formariam um ótimo dueto!

 




domingo, 1 de agosto de 2021

CONVERSAMOS COM MARCO PIRRONI, O PRIMEIRO GUITARRISTA DA BANDA SIOUXSIE AND THE BANSHEES

Por: Juliana Vannucchi e Alejandro Gomez

 A carreira de Marco Pirroni é digna de elogios. O versátil guitarrista foi uma peça fundamental e marcante, tanto no universo do Punk Rock, quanto no contexto da cena Pós-punk. Para se ter uma noção de sua significância, basta pensar que ele fez parte do embrião da banda Siouxsie & The Basnhees, que sem ele, talvez nem ao menos existisse. Confira essa entrevista inédita do Fanzine Brasil e lembre de compartilhar o conteúdo e deixar comentários.

 

1. Marco, bem-vindo ao Fanzine Brasil. Inicialmente, gostaríamos de pedir para que você nos contasse um pouco sobre sua história. Quando e como você começou a tocar guitarra? Como foi o primeiro contato com esse instrumento?

Eu comecei a aprender sozinho, como autodidata, aos 13 anos de idade, depois que um primo me deu um violão que tinha cordas de nylon muito ruins. A partir disso, precisei ler livros de tutorais e demorei muito tempo para aprender melhor.

2. Quais foram suas influências na época em que você queria se afastar da disco music?

Não queria fugir da desse tipo de música, eu gostava de disco, mas não tinha muita guitarra nesse gênero musical. Amava tudo que era glam, tipo Roxy Music / Bowie / Sparks / Sweet / Slade / John Barry / Morricone / Temas de TV e filmes.

3. Você já veio ao Brasil?

Não, já fui para o Chile.

4. Conhece algum músico ou banda brasileiros?

Não conheço nenhum, mas sei que existem bandas de metal interessantes.

5. Você se lembra do(s) primeiro(s) autógrafo(s) que deu a um fã?

Não me recordo, mas provavelmente foi quando eu estava saindo ou entrando de um show na primeira turnê que fiz com o Ants.


A primeira aparição de Pirroni no palco foi com Siouxsie And The Banshees em seu show de estreia, no Festival 100 Club Punk de 1976.

6. Qual foi o primeiro modelo de guitarra que você teve? Aliás, parece que você tem uma coleção incrível de guitarras! O que você mais procura na hora de escolher seu equipamento? Existe, por exemplo, uma determinada marca de amplificadores que você prefere? E qual é a o seu modelo favorito hoje em dia?

O primeiro modelo que tive foi um violão barato muito difícil de tocar. Eu realmente prefiro equipamentos vintage dos anos 50 e 60, não sou muito chegado em novos equipamentos que soam estéreis, pois gosto dos zumbidos e idiossincrasias de equipamentos usados. O meu modelo favorito é a Gibson Les Paul TV, ou Junior, ou Special e a maioria das coisas do tipo de um captador P90.

7. Como foi o primeiro contato que você teve com Siouxsie e Severin?

Conheci os dois num show gratuito do Queen, realizado no Hyde Park no ano de 1976.

8. Quando você começou a perceber que seguiria uma carreira na música?

Essa é uma pergunta bem  difícil, mas suponho que foi eu quando comecei a receber por isso em 1980. Antes disso, eu não ganhava nem sequer um centavo, exceto uma vez por mil dólares com o Cowboys International.

Marco Pirroni e Adam Ant.

9. O rótulo de punk era a única maneira pela qual a mídia convencional poderia categorizar a mensagem de adolescentes criativos da época. Podemos dizer que uma nova música foi construída quando o mundo queria que esses adolescentes ficassem silenciados e estagnados. A essência do punk foi criada assim. Você ainda vê esse espírito algum lugar da música de nossos tempos, levando em conta tanto o mainstream, quanto underground?

O espírito punk está em toda parte, você pode ver isso em artistas como Billy Eilish. As pessoas podem fazer discos em casa como nunca antes pudemos e a atitude antiestablishment está em toda parte nas artes!

10. Cite músicos dos quais você é fã e que o mundo inteiro deve conhecer!

St Vincent/ Idles/ Unknown Hinson / Hank William 3rd/ Wayne Hancock/ The Black Belles e vários outros que eu provavelmente só vou lembrar depois...

 

INTERVIEW WITH MARCO PIRRONI

By: Juliana Vannucchi and Alejandro Gomez

Marco, first of all, we would like to say that we greatly admire your career, you are a versatile and talented guitarist. Welcome to Fanzine Brasil!


1. Can you tell us a little about your story? When and how did you start playing guitar?

Self-taught guitar at age 13 after my cousin gave me a very bad nylon strung acoustic . Had to read tutor books took a long time.

2. Who were your influences at the time when you wanted to get away from the disco music?


Didn’t want to get away from disco, I liked Disco but not much guitar on those records. I loved all thinks glam: Roxy Music/ Bowie/ Sparks/ Sweet/ Slade/ John Barry/ Morricone/ TV and film themes.

3. Have you ever been to Brazil?

I’m afraid I haven’t, I’ve been to Chile.
 
4. Do you listen to any Brazilian musicians or bands?

I’m afraid I don’t know any, I’m told there are interesting metal bands.

5. You remember the first autograph(s) you’ve ever given to a fan?

No, it was probably leaving or entering a gig on the first Ants tour I did.

6. What was the first guitar model you had? It seems you have an amazing guitar collection! What do you look for when choosing your gear; is there a brand of amps you prefer? And what’s your favorite model nowadays?

It was a cheap acoustic very hard to play,I really prefer vintage gear from 50s and 60s, I dont get on with new equipment sounds serile to me, I like the buzzes and idiosycracies of worn in gear. My favorite model is the Gibson Les Paul, TV, or Junior, or Special and most things with P90 pickup.

7. How was the first contact you ever had with Siouxsie and Severin?

Met them at a free Queen gig in Hyde Park, in 1976.

8. When did you begin to realize there is a career in music?
 
That’s a hard question I suppose it was when I started getting paid for it in 1980. Before that I hadn’t made a penny except about a grand from Cowboys International.

9. The label of punk was the only way mainstream media could categorize the adolescent message of creativity of that time. A new sound of music was built when the world wanted them to be silent and still. The essence of punk was created. Do you still see that spirit anywhere in today’s music? Either mainstream or underground?

The spirt of punk is everywhere, you can see it in artists like Billy Eilish, people can make records at home which we never could and the antiestablishment attitude is everywhere in the arts anyway.

10. Are there any musicians you are a fan of that the world should know about?


St. Vincent/ Idles/ Unknown Hinson/ Hank William 3rd/ Wayne Hancock/ The Black Belles and many others I'll probably remember later. 

 

Pirroni has worked with Adam Ant, Sinéad O'Connor, Siouxsie and the Banshees and many others from the late 1970s to the present day.

terça-feira, 6 de julho de 2021

"NÓS SOMOS AS FLORES NA LIXEIRA": ENTENDA COMO O SEX PISTOLS MUDOU A HISTÓRIA DO ROCK

 Por: Juliana Vannucchi 

Embora haja bastante controvérsia, a maior parte da crítica especializada afirma que o Sex Pistols foi o grupo responsável pela introdução do gênero punk rock, tanto como música quanto movimento no Reino Unido. Isso aconteceu em 1975, quando a banda foi formada em Londres, composta inicialmente por Johnny Rotten no vocal,  Steve Jones na guitarra, por Paul Cook na bateria e pelo baixista Glen Matlock, que foi substituído pelo mítico Sid Vicious, no início de 1977. O sucesso musical que obtiveram foi conduzido por um nome bem familiar na história da música e da moda: Malcolm McLaren (o grande catalisador do Sex Pistols). O empresário, logo que os conheceu, percebeu que havia potencial estético e ideológico na rebeldia do grupo. E que rebeldia! Certa tarde, os Pistols invadiram os lares da maior parte das famílias da Inglaterra, através de um programa televisivo popular, e já que tocamos no assunto, narremos aqui um dos dias mais inesquecíveis (e brilhantes) da história do rock and roll:  1º de dezembro de 1976, Siouxsie Sioux (que posteriormente se destacaria com seus Banshees), os Pistols e outros punks participavam de um dos programas de maior audiência da TV inglesa, levado ao ar às cinco da tarde, a famosa “hora do chá”, em que famílias concentram-se em frente à TV. E então, durante a transmissão do programa, pela primeira vez na história, a expressão “fuck off” (foda-se) é dita diante das câmeras. O protagonista da história só poderia ser Johnny Rotten.

Sex Pistols: um grupo subversivo, composto por artistas ácidos, provocadores, inconsequentes (...)
 

No livro “O que é Punk” há um relato de um homem que garante ter atirado sua televisão na parede após escutar as palavras ditas por Rotten durante a transmissão do programa. Esse fato deixa bem claro que o Sex Pistols estava incomodando socialmente: definitivamente, não era uma banda de queridinhos ou de rockstars talentosos. Tratava-se de um grupo subversivo, composto por artistas ácidos, provocadores, inconsequentes e, claro, em total desagrado com a situação de suas vidas e de seu país.  O Sex Pistols incomodava: questionava descaradamente a autoridade da rainha e a monarquia do país e convidava a população para abandonar sua zona de conforto. 

Pouco depois de o Sex Pistols dar as caras no cenário musical britânico, bandas semelhantes começaram a surgir, e o movimento punk foi se alastrando pelo país e, consequentemente, por outros lugares no mundo. Rotten, numa ocasião, comentou o motivo social que levou o movimento a eclodir com tamanha intensidade: “A Inglaterra, no início da década de 1970, era um lugar muito deprimente. Estava completamente degradada, havia lixo nas ruas, desemprego total, praticamente todos estavam em greve… Todos foram criados em um sistema de educação que deixava bem claro que se você veio dos subúrbios, você não tinha mais a menor esperança e nenhuma perspectiva de emprego. Foi daí que surgiu a minha pessoa pretensiosa e o Sex Pistols e depois de nós uma série de imitadores imbecis”.

O Sex Pistols representou e ainda representa o sentimento de fúria e revolta de muitos jovens (...)
 

No jubileu de prata da rainha Elisabeth II, que completava 25 anos no poder da Inglaterra, a banda lançou o compacto de “God Save The Queen”, um presente inusitado para a rainha, que deixava bem clara a insatisfação da banda com o regime que estava no poder. Muitos britânicos (por mais que alguns não assumissem) abraçaram a letra e sentiram-se aliviados por alguém, finalmente, estar condenando o poder. Era uma crítica ousada que carregava trechos como “não há futuro na Inglaterra” ou “Deus salve a rainha, seu regime fascista”.

Há inúmeras bandas que só foram formadas porque seus integrantes assistiram aos Pistol
 

Foi uma banda polêmica e que até hoje divide opiniões. Odiada por muitos, amada por muitos outros. As abordagens sobre esse grupo mítico são simplesmente inesgotáveis. Há inúmeras bandas que só foram formadas porque seus integrantes assistiram aos Pistols – é o caso, por exemplo, do Joy Division. Por isso, é justo dizer que os Pistols foram muito mais do que uma mera reunião de jovens rebeldes e confusos reunidos para fazer rock and roll: foi um verdadeiro movimento social que influenciou jovens de todo o planeta e que, até hoje, conquista seguidores e fãs. Os Pistols foram corajosos, e isso já é o suficiente para torná-los bons. O Sex Pistols representou e ainda representa o sentimento de fúria e revolta de muitos jovens que se sentiam reprimidos e incapazes de construir um futuro promissor. “E ainda representam” significa dizer que muitas pessoas ainda carregam esse sentimento e, com certeza, os Pistols ainda fazem sentido no cotidiano de muita gente.

“…Never Mind The Bollocks, todos concordam, é um dos melhores discos do século XX. Pete Townshend (Guitarrista do The Who /Q Magazine – junho/96).


 

PAPIER TIGRE: A VANGUARDA ESQUECIDA DO ROCK FRANCÊS

 Por: Camilo Nascimento

Papier Tigre é uma banda de rock francesa que, em 2007, colocou a França no cenário do rock alternativo mundial. A banda não utiliza baixo em suas composições e faz um som com bastante identidade e atitude, bem difícil de passar despercebido.

Formada por Eric Pasquereau (guitarra/vocais), Arthur de la Grandiere (guitarra) e Pierre Antoine Parois (bateria), o grupo apresenta uma mistura de noise, com influências perceptíveis de Sonic Youth e do punk rock.

Papier tigre foi considerada um dos expoentes do novo rock francês, que não tem lá muita tradição, e o trio consegue realizar um som melodioso, com vocais gritados, harmonia criativa e ao mesmo tempo soar contemporâneo, sonoridade que resulta no feito importante de conseguir colocar a França como referência no cenário mais alternativo do rock.

É um estilo de música visceral

Não é um som aconselhável para quem gosta de músicas redondinhas ou tem o ouvido sensível. Num primeiro momento o som parece incomodar, mas em seguida ele surpreende e começa a fazer sentido. Um trabalho não convencional que vale a pena ser escutado. Nesse âmbito, a criatividade é a grande marca da banda, cujas músicas possuem uma identidade única, tanto em melodia quanto em letra. É um estilo de música visceral, mesmo em suas versões acústicas.

A banda francesa possui um total de quatro álbuns:  Papier Tigre (2007), The Beginning And End Of Now (2008), Recreation (2012) e The Screw (2016). Não existe informação além desses álbuns nos canais oficiais, e a última informação de agenda de shows está parada em 2018. Não temos muita informação da banda, porém existem alguns vídeos pela internet e nos streamings de áudio.

Eles passaram pelo Brasil em 2008, tocando em festivais como Porão do Rock (DF) e Calango (MT).

A Papier Tigre é uma banda charmosa em seu som, mérito dos franceses, e apesar de a maioria das músicas serem em língua inglesa, eles definitivamente representam um recorte da cena da França desse período. Um grupo para guardar na cabeceira da cama, como aquele pecado escondido.


TwitterFacebookRSS FeedEmail