Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

terça-feira, 6 de abril de 2021

O PODER SOCIAL DO ROCK, OS SEGREDOS PARA UMA BANDA AUTORAL DESLANCHAR E OUTRAS REFLEXÕES: UM PAPO COM BRUNO COSTA

 Por Juliana Vannucchi

Hoje, o protagonista do Fanzine Brasil é o Bruno Costa, criador da BandNest, uma plataforma que pretende revolucionar o Rock'n'Roll brasileiro. Se você tem uma banda e/ou é um músico solo independente, então, com certeza, precisa conferir essa entrevista e acompanhar o BandNest nas redes sociais, pois lá você encontrará inúmeras dicas e estratégias que poderão ajudá-lo a deslanchar sua carreira musical. Quer saber quais são as barreiras que impedem a decolagem do seu projeto musical? Você sabe o que significa sucesso? Quer entender como funciona a indústria contemporânea? Esses e outros assuntos foram abordados neste bate-papo especial com o Bruno! Confira!

 

1. Bruno, muitas bandas autorais do nosso país reclamam constantemente da dificuldade que elas têm em expandir seus projetos, e como já entrevistei inúmeros músicos desse meio, percebi que a maior parte deles, definitivamente, não acredita ser possível viver de música aqui no Brasil. No seu perfil do Instagram, você afirma que é possível viver de rock no Brasil. Poderia nos explicar de que maneira isso é possível?

Eu costumo explicar sempre em meus discursos que viver de rock não é, necessariamente, viver de uma banda. É importante entender que, hoje em dia, para viver de música é necessário ter uma composição de renda. Então, quando você entra no mercado musical, além de ter sua banda, você pode ser produtor musical, engenheiro de som, designer, agente, empresário, etc., ou seja, há várias funções dentro do mercado que podem gerar renda e até mesmo ser carreiras que podem ser sinérgicas. E estando de cabeça nesse meio mercadológico, você consegue gerar oportunidades para a sua banda, e sua banda, por outro lado, pode gerar oportunidades para essas outras carreiras que você está desenvolvendo paralelamente. Eu sei que muitas pessoas no Brasil vivem de música desse modo.

2. Na sua opinião, quais são os três principais erros que um músico independente comete ao tentar emplacar sua carreira?
 

Não investir na própria carreira. Ou seja, investe-se geralmente apenas na gravação e instrumentos, mas não na divulgação, quando, na verdade, é necessário que haja estratégia de divulgação, como mentoria e assessoria, por exemplo. No mínimo, você precisa investir tempo em suas redes sociais.

Não fazer um planejamento de lançamento. Geralmente, sobe-se uma música numa plataforma e só então se divulga essa faixa. Esse é um grande erro. Se a música já está lá, o Spotify, por exemplo, já está analisando a performance dela e não vai recompensá-la se ela não estiver gerando um resultado desde o início.

O terceiro erro seria o investimento incorreto em divulgação. Como fazer automatização, por exemplo, visando conseguir números nas plataformas musicais. Isso não adianta, e ainda pode atrapalhar a performance nas plataformas musicais. Esses números servem apenas para aumentar a vaidade em tais meios.

3. Há algumas semanas, você fez uma postagem muito interessante a respeito dos motivos pelos quais o rock está morrendo. Gostaria que você comentasse um pouco, especificamente a respeito dos rótulos, pois você mencionou esse aspecto como um dos fatores que estão prejudicando o rock. Achei esse ponto interessante porque já notei que grupos de sucesso como Siouxsie And The Banshees e The Cure, por exemplo, abominam as categorizações!!

Creio que o rock seja o estilo mais segmentado que existe, e dentro desses seus segmentos há muitas diferenças e até mesmo rixas entre si. O rock clássico, o indie, o punk vão para caminhos distintos e eles próprios também se dividem em outros gêneros – há, por exemplo, inúmeros estilos diferentes de heavy metal, ele se ramifica. Isso gera rivalidade e muitas vezes afasta e segmenta as pessoas e isso, infelizmente, não ajuda em nada. O rock deveria ser rock de qualquer modo, deveria haver, por exemplo, uma banda de grunge ajudando uma de folk e, de repente, gêneros diversos poderiam até mesmo se juntar com outros estilos musicais de alguma maneira. Essa segmentação só tira a liberdade de composição dos artistas.

4. Como você define o rock and roll? É só música ou ideologia?

O rock para mim é um movimento cultural. Isso significa que ele é mais do que simplesmente um estilo musical. Ele é extremamente rico porque envolve ideologia, estilo musical, e até mesmo outros elementos, como arte e moda, por exemplo, que são aspectos que se fazem presentes na construção geral do rock. Por ter todos esses componentes, ao longo do tempo, o rock inspirou outros estilos musicais, tais como o hip-hop, o MPB e outros gêneros, que até usam um pouco de recursos provenientes dele. De certa forma, podemos ver seus reflexos até mesmo no sertanejo, pois, atualmente, muitos músicos pertencentes a esse universo estão se aproximando de algumas vestimentas mais “despojadas” - calças rasgadas, por exemplo. É um movimento cultural com alcance em todos os outros estilos musicais. 

 

"penso que a música é capaz de ajudar em inúmeros momentos e circunstâncias, inclusive contra distúrbios emocionais" (...)    

 

5. De que maneira o rock and roll pode afetar beneficamente uma sociedade? 

Não apenas o rock and roll, mas a música em geral tem um poder muito grande e significativo para o ser humano. O homem, digamos, é um “animal musical”, pois assimila músicas em momentos marcantes de sua vida, além de algumas vezes ter, por exemplo, ideias e atitudes que são diretamente inspiradas e influenciadas por letras de músicas. 

Desse modo, penso que a música é capaz de ajudar em inúmeros momentos e circunstâncias, inclusive contra distúrbios emocionais – ela pode ser útil para que uma pessoa vença, por exemplo, uma crise emocional ou um conflito que está enfrentando. Pode ajudar uma pessoa a se recuperar de uma determinada situação, até mesmo de uma doença. E a música pode até mesmo mover sociedades para certos caminhos, podendo fazê-las progredir - ou não.


6. Para você, o que significa sucesso?

 Essa é uma pergunta bem interessante. De maneira geral, creio que seja algo subjetivo. Contudo, para mim, sucesso significa bater metas. Uma vez que você estabelece metas na sua vida e as alcança ou até mesmo supera, você teve sucesso. Então, você deve se perguntar: “qual é a meta da sua vida?” / “Qual é o propósito?” / “Onde você quer chegar?” O Bandsnet, por exemplo, tem como objetivo criar uma nova era do rock, revitalizar o rock and roll no Brasil e no mundo, criando um novo movimento do rock que seja forte em todos os quatro cantos do planeta, para assim, fazer com que ele volte para as massas. Mas, enfim, é preciso deixar claro que qualquer coisa que você estabelecer, pode desencadear sucesso. Se, por exemplo, uma determinada banda se propõe a fazer um show que renda dinheiro para que ela possa simplesmente comer uma pizza numa esquina qualquer e, de fato, esse grupo toca em algum lugar e consegue esse dinheiro, sendo capaz de colocar seu plano em prática, então a banda teve sucesso, pois alcançou uma meta traçada por ela. Essa é a questão do sucesso, pois sucesso é determinar para a sua vida algo que vá te fazer feliz.

7. Muitas pessoas costumam dizer que nos anos oitenta, o rock nacional era forte e criativo e que, em contraponto, nos dias de hoje, está enfraquecido. De fato, inúmeros grupos famosos eclodiram nessa referida década. Porém, atualmente, existem muitas bandas qualificadas pelo país, embora a maioria não esteja debaixo de holofotes. Como você compara a indústria musical brasileira dos anos oitenta e dos dias de hoje?


Há muita diferença dos anos oitenta para hoje. Acredito que qualidade musical não é uma delas, pois, atualmente, há recursos tecnológicos muito maiores e as bandas têm acesso a técnicas muito mais avançadas para compor música, sendo que esse conjunto de fatores permite a produção de músicas mais qualificadas e mais bem compostas do que antigamente. Porém, há vários contextos em relação aos anos oitenta. Naquele período, havia uma atitude muito atrelada à rebeldia, afinal, estávamos vivendo sob uma ditadura e o rock contrapôs esse cenário. Lá nasceu um movimento musical de união para que as bandas, juntas, pudessem gerar uma atitude social contra aquele regime militar. Também havia um movimento forte do rock em todo o mundo. Era o seu auge e o hard e o punk estavam fortíssimos. Posteriormente, o Rock In Rio surge e fortalece o rock nacional. Também teve a eclosão da MTV nos anos noventa, o que cooperou para esse fortalecimento e influenciou a música no país.  Hoje em dia, essas bandas são muito boas, mas além da oferta musical ser muito grande, pois há muita gente produzindo e lançando música, existe uma questão de que o rock possui algumas deficiências pelo fato de ser, digamos, despojado, espontâneo. Ele perdeu um pouco de seu profissionalismo, no sentido de se divulgar e fazer marketing. Por sua vez, outros movimentos culturais que são mais voltados para as massas e conversam melhor com elas acabaram tomando espaços que o rock não tinha. E há a segmentação do rock que faz com que, por vezes, pessoas que curtem um certo estilo acabem atacando outros gêneros e isso, no geral, enfraquece o rock. Mas, enfim, trata-se mais de uma questão de postura do que de qualidade musical.


8. Quando um músico e/ou banda se envolve diretamente com a grande indústria musical, ele perde, necessariamente, sua autonomia ao atender metas e imposições que são exigidas por essa indústria? A fama aniquila a criatividade? 

Não vejo dessa forma. Não acho que ela perde a liberdade musical. Quando você está criando música, você está fazendo um produto como qualquer outro. Não adianta, por exemplo, você criar um chocolate e ninguém mais gostar. Se você faz um produto para ser comercializado, as pessoas precisam gostar disso. Assim sendo, se você entra numa indústria musical forte, é preciso entender qual é o seu público-alvo e o que ele espera de você, pois esse tipo de conhecimento ajuda a crescer e se firmar, uma vez que te permitirá criará algo para esse público. Isso, porém, não significa que você tenha, necessariamente, que se prender a certas criações. Todas as bandas possuem seus lados Bs, sua face mais “cult”, por assim dizer. Pensemos na banda Legião Urbana: eles tinham hits que agradavam todo mundo e outros que não eram os favoritos das grandes massas e eram mais restritos aos ouvintes que cultuavam a banda. 


9. O que te motivou a criar o projeto BandNest?

O que me motivou foi uma conversa que certa vez tive com um amigo músico. Também sou músico e já tive banda, mas por volta do final dos anos noventa e começo dos anos dois mil, parei de tocar profissionalmente.  m 2017 comecei a voltar para o mercado musical por intermédio do BandNest.  Nessa conversa com esse amigo, comentei que deveria ser mais fácil de se promover hoje em dia devido aos aparatos tecnológicos. Porém, ele discordou de mim e falou que, na verdade, hoje os lançamentos musicais são como “agulhas no palheiro”, pois milhares outras músicas são lançadas simultaneamente nas redes. Então, torna-se difícil colocar uma música em evidência. Na hora, pensei: “Poxa, seria legal se houvesse uma plataforma capaz de ajudar as pessoas a colocarem suas músicas em evidência. Seria uma forma de resgatar esse novo rock and roll que está surgindo”. Essa foi a principal motivação dos BandNest.


10. A que, exatamente, se refere a Nova era do Rock”? Quais seriam suas principais características? 

O nome “A Nova Era do Rock” foi inspirado num documentário do canal VH1, chamado “Seven Ages of Rock”, que mostrava desde os primórdios do rock até sua evolução, suas diversas vertentes e eras que, apesar das divergências, sempre fizeram com que o rock, de maneira geral, se renovasse e permanecesse vivo, uma vez que esses movimentos variados sempre se sobrepunham um ao outro através de criações novas e de resgates de elementos mais antigos do rock. O documentário se encerra na chamada “sétima onda do Rock” - conforme o seu título original indica. Depois de assisti-lo, eu refleti: qual seria a oitava onda? Creio que ela seja, em suma, uma superação das rivalidades entre os gêneros. As bandas deveriam se ajudar e fortalecer o estilo como um todo. A partir dessa consideração, criei alguns pilares que formam a sigla SHURE: solidariedade - humildade - união - respeito - ecleticismo.

Solidariedade:

As bandas devem se ajudar, cooperar e apoiar as bandas menores, por exemplo.

Humildade:

Deve-se aceitar opiniões, críticas, sugestões e feedbacks e tentar crescer e melhorar a partir disso, usando esses aspectos de maneira construtiva.

União:

As bandas devem se ajudar em movimentos e gerar oportunidades umas para as outras.

Respeito:

Eu posso não gostar do seu estilo, da sua música, da sonoridade. Mas é preciso respeitar o movimento que está sendo criado e dar apoio, pois estamos inseridos na mesma dificuldade, no mesmo universo. Acima de tudo, somos pessoas e o Rock é Rock.

Ecleticismo:

Respeitar todas as vertentes não apenas do rock, mas em geral. Portanto, respeite, apoie e até mesmo participe de outros movimentos. É importante ter o ecleticismo no sangue para que seja possível, até mesmo, originar algo inovador.

 

Os cinco pilares que formam o SHURE

11. Qual é a principal dica que você dá para um artista que quer viver de música?

A principal dica que dou é: não se veja apenas como um artista, mas também como um empreendedor, pois tudo que se aplica a um empreendedor também se aplica a um artista – estudo de mercado, networking, marketing, investimento, publicidade, finanças, etc. Geralmente, no início de uma carreira, as bandas precisam fazer tudo isso sozinhas, por isso enfatizo esse conselho:  veja-se como uma empresa.

12. Para encerrar, nos diga quais são os principais benefícios que um músico ou uma banda podem ter ao seguirem o seu projeto.

A principal vantagem é aprender o modus operante do mercado musical, ou seja, o que realmente faz com que uma banda cresça, tenha destaque, diferencie-se e consiga público. O maior benefício é que as bandas aprendem a se divulgar, a lançar seu próprio som e a criar um público engajado por meio das suas redes sociais, para que esse público as siga em shows, compre seus produtos e, enfim, a sustente. Em suma, são esses os benefícios que eu busco proporcionar através das minhas ações.




sábado, 3 de abril de 2021

DOCUMENTÁRIO CONTA A HISTÓRIA DE POLY STYRENE

 Por: Juliana Vannucchi

Em março de 2021, ocorreu o lançamento oficial do documentário “Poly Styrene: I Am a Cliché”, cuja narrativa centra-se na vida da vocalista do grupo britânico X-Ray Spex.

Poly foi uma das personalidades mais emblemáticas e excêntricas da história do punk rock, movimento cultural em que deu seus primeiros passos, mas do qual sua autenticidade lírica, visual e vocal logo a afastaram para que criasse um universo estético peculiar e inovador. Os trajes coloridos, a voz aguda e potente e uma forte presença de palco formavam sua vívida figura. Mas, talvez, a principal marca de Poly tenham sido suas letras, que sempre foram destaque à parte. Continham reflexões de temáticas místicas, críticas ao homem moderno, protestos ao consumismo e às imposições sociais que geram o caos e dificultam a construção da identidade, além de também abordarem diversas meditações acerca da existência e outros conteúdos bastante originais. 

 

Dentre os admiradores de Poly, estão o lendário Thurston Moore e Vivienne Westwood.

Mas a trajetória da frontwoman não foi apenas composta por produções musicais bem sucedidas, por shows lotados e pelo carinho dos fãs. Ao longo de sua carreira, a vocalista do X-Ray Spex foi vítima de racismo e misoginia, além de conviver com quadros depressivos que geravam desequilíbrios emocionais constantes. A cantora chegou a ser diagnosticada erroneamente com esquizofrenia quando, na realidade, sofria de transtorno bipolar. Esses problemas a afastaram da banda, mas apesar dessas dificuldades, Poly sempre se manteve forte na complicada luta que travou desde cedo contra seus demônios interiores.

Pouco tempo depois do nascimento de sua filha Celeste, Poly deixou a fama de lado e juntou-se ao movimento Hare Krishna, do qual Lora Logic, a icônica saxofonista que tocou com Poly nos primórdios do X-Ray Spex, também fez parte e com o qual permanece conectada até os dias de hoje. Durante essa época de aproximação com a cultura indiana, Poly viveu uma fase mais tranquila em sua vida, até que sua saúde mental se fragilizou novamente e a filha Celeste, aos oito anos, precisou ir viver com sua avó. Após um período de tempo, Poly parecia estar recuperando seu equilíbrio mental, contudo, a tranquilidade não foi tão duradoura e ela faleceu em 2011, aos 53 anos, em decorrência de um câncer de mama.

O documentário foi dirigido por Celeste Bell, filha de Poly, e Paul Sng. Atualmente, Celeste também é responsável pela administração do patrimônio artístico de sua mãe. Ao longo da produção, a vida de Poly é explorada justamente através do olhar e da emoção de sua filha. De acordo com o jornal britânico The Guardian, a produção esbarra em temas como a maternidade, a busca pela identidade, a espiritualidade e a saúde mental. 

O legado dessa heroica mulher permanece vivo e continua inspirando diversas gerações. Dentre os admiradores de Poly, estão o lendário Thurston Moore e Vivienne Westwood, que, inclusive, cederam depoimentos no documentário. 

Atualmente, não há informação ou previsão sobre um possível lançamento do documentário no Brasil, no entanto, sugerimos que os fãs sigam e acompanhem as páginas oficiais da produção: 

Site: 

https://www.polystyrenefilm.net/


Instagram: 

 https://www.instagram.com/polystyrenefilm/


Facebook: 

https://www.facebook.com/iamacliche


Twitter: 

https://twitter.com/polystyrenefilm

Pôster oficial do filme


CONHEÇA A SHE IS DEAD: BANDA CURITIBANA ESPECIALIZADA EM PESADELO

Por Juliana Vannucchi 

Com uma mescla criativa da selvageria do Garage Rock e da crueza do Punk, a She Is Dead já se firmou como uma das bandas de rock mais proeminentes do atual cenário nacional.

O grupo curitibano deu seus primeiros passos em 2015, quando Kim Tonietto (baixista e vocalista) e Mau Carlakoski (vocalista e guitarrista) se juntaram para transformar reflexões, sentimentos e emoções em melodias musicais. Porém, foi apenas em 2019, com a chegada do baterista Ricky Volpato, que o grupo se firmou de vez. A química existente entre o trio foi perfeita e, dessa união embrionária em diante, a história da She Is Dead passou a fluir cada vez mais. Ainda em 2019, lançaram dois EPs autorais, o “Living In My Hate” e o “Forget Our Dreams” ambos com uma sonoridade enérgica e envolvente. Após essas respectivas produções de estreia, se tornaram conhecidos como uma banda “especializada em pesadelos”, ou seja, que é capaz de retratar frustrações, perdas, medos, conflitos existenciais e outros terrores que afligem a alma de qualquer ser humano.

 

A banda She Is Dead é destaque na cena musical brasileira
 

Desde seu surgimento, o reconhecimento foi crescendo exponencialmente e a banda, além dos tantos shows vigorosos já realizados, já participou de diversos programas de rádios da internet, como o FDP da Rádio Kiss FM, apresentado por Clemente Nascimento, da banda Inocentes, Rádio Mutante, Rock Disorder e Dezgovernadoz, Rádio Uninter Programa Nosso Rock, Rádio Graviola, Bons de Papo, Studio TENDA, Nacional Du Bao, Fanzine Brasil, Discoteca Básica, Culturapia, Violent Noise, Rádio Gralha Azul programa Rock no Pinheiro, Carolina Indica, entre outros.

Em 2020, a pandemia assolou o trio curitibano e causou alguns problemas e impedimentos a eles, assim como também gerou prejuízo para muitas outras bandas. No entanto, o trágico período não deixou a She Is Dead inativa e o grupo aproveitou o momento para semear ideias e transformar os obstáculos em inspirações. Em fevereiro de 2021 a banda assinou com o selo carioca Electric Funeral e relançou este mesmo material em um só disco, com 8 músicas, chamado “Story Of Lies”. E as novidades desse novo ano não param por aí: em abril, a banda lançará pelo mesmo selo mencionado acima, um álbum totalmente inédito, o “First Day Of My Life”, que contará com 10 faixas. 

 

Mau Carlakoski em ação com sua guitarra



 

segunda-feira, 8 de março de 2021

GIRL POWER: O QUE PODEMOS APRENDER COM AS MULHERES MAIS LENDÁRIAS DO ROCK AND ROLL?

 Criação, organização e introdução: 

Juliana Vannucchi

Colaboradores convidados: 

Mau Carlakoski 

(vocalista e guitarrista da banda She is Dead)

Karlos Júnior

(músico e criador do projeto Quântico Romance)

 Ulisses 

(aka Ulixo, criador do Zine DF Caos)

Rosa Martins 

(leitora do site e amiga)

 Thiago Halleck  

(baixista da banda Gangue Morcego, da 1983 e criador do projeto HallecӃ)

 
O que podemos aprender com as mulheres mais lendárias do rock and roll? Essa é uma pergunta  instigante que possibilita incontáveis respostas e caminhos reflexivos. Contudo, de maneira geral, através da nossa lista, vemos que essas poderosas mulheres nos ensinam a nos tornarmos pessoas mais seguras, mas fortalecidas, corajosas e mais preparadas para sermos aquilo que queremos ser e para termos voz ativa na sociedade. Essas personalidades ilustres cravaram seus nomes na história do rock e deixaram uma herança cultural valiosa, que nos incentiva a não depender de terceiros, a tentar, a criar, a ousar e a arriscar, sem que nos preocupemos  tanto com o resultado, mas para que fiquemos focados especialmente no processo criativo.  Estimulam-nos a fazer a nossa própria roupa, revista ou música do jeito que quisermos e, se não der certo, não tem problema. Ensinam-nos a concretizar nossas ideias, sejam lá quais forem. São mulheres que brindaram a autenticidade e que correram riscos e desafiaram normas para conquistar seu espaço no mundo.

Viv Albertine (por: Juliana Vannucchi)

A líder do The Slits é um verdadeiro ícone cultural dos nossos tempos. Além da sua contribuição no meio musical, ela já foi ativa no campo cinematográfico e televisivo, além de ter tido bastante reconhecimento como escritora.

Por meio de suas desconstruções estilísticas e experimentos sonoros, a banda The Slits foi um verdadeiro símbolo de expansão e liberdade feminina na música. A impactante capa do Cut, álbum mais expressivo e conceituado da trajetória do grupo, com as três integrantes despidas da cintura para cima, se tornou icônica. A esse respeito, Albertine declarou certa vez ao The Guardian: “Queríamos uma postura guerreira, queríamos ser uma tribo (...) Sabíamos, como não estávamos vestidas, que tínhamos que parecer confrontadoras e duronas. Não queríamos ser convidativas ao olhar masculino”. De fato, a nudez presente na imagem do álbum não possui apelo sexual, e pode-se dizer que tem um viés essencialmente artístico, simbolizando a força e a emancipação femininas. Numa entrevista que deu em 2014, comentou que a sociedade da época em que sua banda foi formada era muito patriarcal e, por isso, a The Slits chocou muitas pessoas e  rompeu com vários padrões estabelecidos naquele contexto, pois segundo ela, não havia questionamento a nenhum homem nesse período, apenas aceitava-se o que eles diziam e faziam. Viv acredita que a música punk era uma verdadeira rebelião. Esses elementos que compunham a atmosfera social e política do surgimento da banda certamente justificam as razões pelas quais suas letras sempre foram repletas de críticas aos costumes estabelecidos e às imposições feitas pela sociedade. 

Viv Albertine

Siouxsie Sioux (por: Juliana Vannucchi)

A provocante Siouxsie Sioux é uma das mulheres mais transgressoras e rebeldes de todos os tempos. Sempre buscou combater paradigmas para poder firmar sua singularidade e se libertar de qualquer amarra que lhe fosse imposta. Isso fez de Siouxsie uma das mulheres mais corajosas e originais de todos os tempos. Numa entrevista concedida durante o período de seu único álbum solo, o Mantaray, ao comentar sobre os primórdios do punk rock e sobre as lições aprendidas no decorrer dessa época, aconselhou o público presente: "Faça o que você quer fazer e fodam-se os outros". Na mesma ocasião, com convicção, afirmou que o punk "permanece vivo em nossos espíritos e também em nossas atitudes". Sioux, certa vez, também aconselhou que sempre busquemos alicerçar nossas vidas naquilo que corresponde a nossa autêntica subjetividade, dizendo que cada um tem sua própria jornada, e essa jornada, por ser individual não pertence a mais ninguém. Não é à toa que podemos considerá-la um verdadeiro modelo de autoafirmação.

Siouxsie Sioux  

Elisabeth Fraser (por: Rosa Martins)

Elizabeth Fraser é mais que uma poetisa e cantora. A doce e tímida punk, que na adolescência ouvia Siouxsie, The Birthday Party e Sex Pistols, colocou à frente a sua voz poderosa e arrebatadora, sua exposição doce e ocasionalmente profana com inflexão punk, tão inspiradora que transforma uma canção numa experiência de vida para toda vida. Obrigada, Elizabeth Fraser.

Elisabeth Fraser

Jessie Evans (por: Juliana Vannucchi)

Jessie Evans é uma das artistas mais versáteis, brilhantes e diferenciadas de nossos tempos. Ao longo de sua carreira, já se apresentou em alguns dos palcos mais célebres de todo o continente europeu, além de ter feito colaborações com músicos como Budgie, Lydia Lunch e Tobby Dammit. Suas canções já migraram por estilos bem diversos, indo de uma atmosfera mais sombria até vibrantes ritmos afro. Independe do que faz, ela sempre nos leva magicamente para qualquer dimensão! E o que impressiona é sua capacidade de manter um excelente padrão de qualidade em todos os seus álbuns e em todos os gêneros pelos quais percorre.

Além de seu extraordinário talento musical, Jessie é uma mulher determinada e esforçada em sua vida pessoal. Atualmente, e para nosso orgulho, a cantora vive no litoral do Brasil e continua ativa e dinâmica em suas produções.

Jessie Evans

Kim Gordon (por: Thiago Halleck)

Eu gostava de uma música ou duas, mas me lembro de ter realmente conhecido Sonic Youth em 2005, quando a banda tocou no Rio de Janeiro com o Nine Inch Nails e o Stooges, e aquela experiência mudou a minha vida. Eu fiquei com um olho grudado no Ranaldo e o outro na Kim o tempo inteiro. Para mim, foi muito importante na compreensão de que barulho, desafinação e demais esquisitices podem ser elementos valorosos dentro de uma música, se usados com sabedoria. Aí, eu comecei a devorar a banda e vi que as minhas preferidas eram, quase todas, as que ela cantava: Shadow Of A Doubt, Cross The Breeze, Massage The History, Kool Thing e várias outras estão aí para provar. Isso sem falar que ela não se resume ao Sonic Youth: Kim brilha em todas as bandas e projetos musicais por onde ela passa, brilha como produtora (o primeiro álbum do Hole que o diga), brilha como artista visual, brilha como atriz. David Grohl, uma vez, disse que Kim Gordon era um farol de luz em uma cena punk predominantemente masculina, e ele não poderia estar mais correto. Kim é luz, é raio, estrela e luar, é manhã de Sol, meu iaiá, meu ioiô!

Kim Gordon

Patricia Morrion (por: Thiago Halleck)

Patricia Morrison é simplesmente fantástica, e é realmente uma pena que ela tenha se aposentado tão cedo. A figura poderosa, o visual emblemático e as linhas de baixo proeminentes e cheias de identidade tornam simplesmente impossível pensar em Sisters Of Mercy sem que a imagem dela imediatamente venha à cabeça - muitas vezes, antes mesmo do próprio Eldritch. Deixou uma marca forte no Damned, mesmo só tendo gravado um álbum com eles (provavelmente, o meu preferido). E o álbum solo, de 1994, é espetacular, mesmo que pouco comentado. Não penso duas vezes antes de apontá-la como uma das principais referências dentro do panteão feminino das cenas punk e gótica, junto com Siouxsie, Poly Styrene, Anja Huwe etc.

Patricia Morrion

                                                      Poison Ivy (por: Mau Carlakoski)

Poison Ivy lidera o rock selvagem no meu coração com seus riffs e sua postura sem igual. Ela é puro rock and roll! Seu jeito de tocar, seus trajes, seu olhar... tudo nela é absolutamente brilhante e fascinante. Ela foi o par perfeito para Lux, eles eram o casal ideal para fomentar aquela barulheira do The Cramps que nós tanto amamos! Definitivamente, o casal mais memorável do Rock! Ivy é totalmente única. Sem paralelos!

    Poison Ivy

Gillian Lesley Gilbert (por: Mau Carlakoski)

A Gillian é uma mulher que me faz dançar, sonhar e voar com cada arranjo vindo do seu teclado... Sua música é como um atraente poema místico. Muitas bandas de nossos tempos - ainda que não saibam -  carregam em suas próprias produções alguns traços legados da arrebatadora música de Gilbert!

Gillian Gilbert

Kim Deal (por: Mau Carlakoski)

A Deal é simplesmente a baixista mais querida do mundo, seus baixos soam como um amigo falando o quanto é legal viver. Ela é virtuosa e sempre esteve caminhando para a construção de novas ideias. O que ela faz é simplesmente entusiasmante e atinge potencialmente qualquer ouvinte! 

Kim Deal

Ari Up (por: Juliana Vannucchi)

Ari Up sempre foi uma das figuras mais cativantes do punk rock. Era inteligente , talentosa e  sempre batalhou para fazer com que as mulheres tivessem espaço na música e fossem respeitadas nesse meio artístico. Numa entrevista concedida à BBC, comentou que via grupos de meninos que faziam várias coisas que queriam, mas não eram criticados. No entanto, quando garotas tentavam a mesma coisa, geralmente sofriam críticas. Rompendo barreiras e tirando qualquer tipo de censura do seu caminho, Ari Up se transformou num verdadeiro mito do punk rock e a The Slits foi uma das bandas mais revolucionárias da história do rock. Ari Up via essas mudanças como algo necessário e acreditava que as bandas que pertenciam ao movimento punk eram, inclusive, responsáveis por gerar essas transformações culturais - políticas, filosóficas, musicais, etc. 

Ari Up


                                                             Lora Logic (por: Juliana Vannucchi)

Lora Logic foi umas das responsáveis por inovar a sonoridade crua e tradicional do punk ao inserir engenhosas linhas de saxofone nas músicas da banda X-Ray Spex, da qual participou durante um período. Sim, podemos dizer portanto que, historicamente, ela colaborou para que o punk tivesse uma nova cara e atravessasse fronteiras estéticas, experimentando possibilidades musicais distintas daquelas que marcaram seu período embrionário. Certamente, esse feito é suficiente para que a magnífica Lora Logic seja considerada, sem exageros, como a maior saxofonista de toda a era punk. 

Lora Logic

Poly Styrene (por: Juliana Vannucchi)

Styrene pode ser definida como um símbolo de força, resistência e superação. Foi uma mulher guerreira que se desvinculou totalmente de todos os padrões femininos impostos no período em que esteve à frente da banda X-Ray Spex. Sofreu diversos ataques raciais e machistas e foi alvo de preconceito devido à sua aparência, mas, ao invés de se entregar ao sofrimento que tudo isso lhe causava, ela simplesmente escreveu uma série de letras ácidas que atacam a sociedade pós-moderna e seus principais componentes, como a alienação, a identidade, a opressão e o consumismo.


                                                     Debbie Harry (por: Juliana Vannucchi)

A belíssima Debbie Harry não apenas consolidou sua fama como o maior símbolo da New Wave, mas também obteve sucesso como atriz, tendo participado de mais de sessenta filmes. Por isso, podemos assegurar que a icônica vocalista do Blondie é uma verdadeira referência cultural. Conhecida e respeitada em todos os cantos do mundo, suas canções agradáveis e vibrantes ainda arrancam suspiros de muitas pessoas e tocam constantemente em várias rádios e discotecas.

Debbie Harry

Tina Weymouth  (por: Juliana Vannucchi)

Tina é especialmente aclamada por suas inconfundíveis mesclas de melodias rítmicas da dance music com riffs minimalistas... Seria uma combinação improvável para muitos, mas não na mão dessa habilidosa artista, que praticamente brincava com seu instrumento. Tina sempre foi uma baixista ousada e inventiva, que fez de seu talento uma espécie de laboratório de experimentos sonoros. É válido lembrar que ela já foi eleita a melhor baixista do planeta por sua memorável contribuição na música "Psycho Killer", faixa mais famosa do Talking Heads. Outro aspecto que a tornou muito conhecida foi sua irreverência em cima dos palcos. O comportamento agitado e um tanto teatral nos shows sempre atraíram os olhos do público.

Tina Weymouth

Pam Hogg (por: Juliana Vannucchi)

Pam Hogg é um dos maiores nomes por trás do aspecto visual do universo punk e pós-punk. Essa lenda da moda underground possui como admiradores alguns dos maiores nomes da música, como Ian Astbury e Siouxsie Sioux. Mas o talento de Hogg não se restringe apenas à moda: ela também já fez parte de um notável projeto musical chamado “Hogg Doll”, através do qual mostrou grande presença de palco e nos presenteou com uma voz encantadora.

Pam sempre foi extremamente autêntica em suas criações e jamais abandonou a ideologia D.I.Y. que, até hoje, se faz essencialmente presente em suas produções estilísticas. A fashion designer escocesa também é autodidata e, inclusive, já declarou que nunca estudou moda e por isso não segue regras específicas, fato que a faz trabalhar de uma maneira livre, espontânea, diferente e em contraponto com as imposições e exigências da grande indústria. Em suas peças são usados materiais bem variados, e suas inspirações são igualmente diversificadas. Todos esses aspectos fazem de Pam Hogg uma das mulheres mais inspiradoras, brilhantes e geniais de nosso tempo.

Atualmente, além do seu trabalho na moda, a subversiva designer escocesa mostra-se engajada em questões políticas e sociais e, inclusive, em mais de uma ocasião, já demonstrou seu inconformismo em relação ao deplorável e medonho governo de Jair Bolsonaro. Em 2020, tive a oportunidade de fazer uma brevíssima entrevista com ela por intermédio do Zine Última Quimera. Quando perguntamos sobre o efeito que seu trabalho pode causar nas pessoas, ela respondeu: “Eu ofereço um jeito de olhar para as coisas e espero que a visão através dos meus olhos ressoe, conecte e inspire (...) Eu me esforço até que seja atingida por um momento de alegria e, assim, sinto que estou dando algo para as pessoas”.

Pam Hogg

Brix Smith Start (por: Juliana Vannucchi)

A guitarrista e vocalista do The Fall esbanjou um enorme talento musical durante sua carreira, recebendo sempre muitos elogios por parte da crítica especializada. Brix teve participação ativa na produção de algumas da faixas de maior sucesso da banda. Além dessa marcante passagem pelo The Fall, ela também teve uma brevíssima passagem colaborativa com a banda Hole, liderada por Courtney Love, e também esteve com o Bangles.

Nos últimos anos, Brix Smith Start tem se dedicado à moda e já apareceu algumas vezes em programas televisivos nos quais foi consultada por ser especialista no assunto.
 
Brix Smith Start

Patti Smith (por: Juliana Vannucchi)

Patti Smith, a grande poeta do rock and roll, foi uma das precursoras do movimento punk norte-americano. Suas performances e seu lirismo sempre estiveram repletos de romantismo, emoções e sentimentos profundos, com os quais muitas pessoas se identificam. No livro "Mate-me Por Favor", declara em relação ao seu processo criativo: "Comecei a fazer sucesso escrevendo aqueles poemas longos, quase poemas de rock and roll (...) Escrevo pra ter alguém. Há um motivo por trás de tudo que escrevo (...) Outra coisa é que, através da performance, alcanço certos estados nos quais sinto minha mente muito aberta - cheia de luz, enorme (...)". Não há dúvida de que os ouvintes e espetactadores captam e entram nessa sintonia esplêndida da  poderosa "rainha underground".

Patti Smith

Joan Jett (por: Juliana Vannucchi)

Joan Jett é um verdadeiro mito do hard rock! Essa divindade sagrada do rock and roll  mudou o cenário musical dos anos setenta e, a partir dessa década na qual iniciou sua carreira, eternizou seu sucesso! É uma cantora maravilhosa cujas músicas e álbuns são aclamados e tocados constantemente em todos os cantos do planeta. É praticamente impossível encontrar alguém que não admire essa mulher rebelde e glamourosa e que não chacoalhe a cabeça aos sons de seus eternos clássicos do rock!

Joan Jett

Lydia Lunch (por: Juliana Vannucchi)

Lunch sempre pareceu satisfeita e despreocupada em chocar o conservadorismo. Talvez, por isso, tenha caminhado em direções contrárias a qualquer tradicionalismo vigente. Foi a principal expoente da No Wave norte-americana, movimento musical desconstrutivo que buscava uma emancipar-se das cenas que imperavam na época. Em sua prolífica carreira, já gravou com Rowland Howard e Nick Cave, Bob Bert e outras personalidades históricas da cena pós-punk. Com um espírito livre e excêntrico, sempre foi provocativa e muito criativa, traço este que a fez se envolver com outras atividades além da música: é atriz, poeta e obteve um destaque especial em suas aventuras como escritora. Sua voz, potente e doce ao mesmo tempo, expressa sua força interior. Já tive a oportunidade de encontrá-la pessoalmente e posso garantir que  Lydia é uma pessoa fantástica.

Lydia Lunch

Lisa Gerrard (por: Juliana Vannucchi)

É uma tarefa difícil descrever a experiência vivida por um indivíduo quando a doce e mágica voz de Lisa Gerrard chega aos seus ouvidos. As melodias disparadas por seus lábios são simplesmente alucinantes e levam qualquer um para uma dimensão alheia ao espaço e ao tempo, numa espécie de viagem metafísica. Sua maneira de cantar é profunda e única. Todos os trabalhos musicais dos quais ela participou são presentes divinos que sempre soam de uma maneira agradável. Sua carreira é plenamente feita de acertos, Lisa Gerrard está sempre em alta. 

Lisa Gerrard
 

Dolores O’Riordan (por: Juliana Vannucchi) 

Dolores é dona de uma voz maravilhosa que emocionou gerações, que cativou corações e que mudou a vida de muitas pessoas. Sua presença de palco e sua doçura são imortais e, apesar de seu falecimento precoce ter entrestecido e chocado o mundo, ainda assim, felizmente, podemos continuar desfrutando de seu legado artístico. Suas músicas consolam, aliviam, inspiram, fortalecem e, por fim, podem ser uma verdadeira salvação existencial.

Dolores O’Riordan
 

                                                          Chrissie Hynde (por: Karlos Júnior)

Líder da banda The Pretenders, Chrissie vem há décadas atuando como vocalista, compositora e guitarrista do grupo, sendo a única voz ativa do projeto em seu tempo de vida. Como ícone e símbolo musical, sua gênese remete aos primórdios da história dos movimentos punk rock e new wave, destacando-se como inspiração para que milhares de outras mulheres sigam seus passos e lutem por seus espaços no universo da música. Chrissie destacou-se também nos últimos anos como ativista e defensora dos direitos dos animais, combatendo o especismo e buscando um tratamento mais ético às demais criaturas terrestres.

Chrissie Hynde


                                                               Nico (por: Karlos Júnior) 

Nome artístico de Christa Päffgen, cuja simbologia refere-se a um anagrama da palavra Icon (ícone), saído da mente de seu amigo Andy Warhol. Nico destacou-se como modelo em tenra idade e em seguida como atriz, ganhando um pequeno papel em "La dolce vita" de Fellini, e mais tarde como protagonista de "Strip-Tease", de Jacques Poitrenaud. Como integrante do Velvet Underground e depois em uma carreira solo, Nico brindou à música com seus vocais marcantes e experimentalismos sonoros, deixando um legado na história do rock e da música mundial.

Nico



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

UMA VIAGEM DIONISÍACA: II EXPOSIÇÃO ONLINE DE DESENHO E PINTURA DO SITE FANZINE BRASIL

 Organização: Juliana Vannucchi

Caros leitores e visitantes, sejam todos muito bem-vindos, é uma honra recebê-los em nossa casa! A Segunda Exposição Online de Desenho e Pintura do Fanzine Brasil visa atenuar o sofrimento e a falta de perspectiva diante de uma realidade tão complexa e difícil, além de proporcionar uma luz de otimismo, alegria e esperança às pessoas. Incentivamos o visitante a deixar seu comentário na postagem para prestigiar o trabalho dos artistas que estão participando de nossa exposição virtual. E lembre-se de ler e conhecer também outros conteúdos de nosso site.

Proposta:

Em 2018, o grupo australiano Dead Can Dance lançou um álbum intitulado “Dyonisus”. Esse foi o motor musical que nos inspirou a realizar a presente exposição. Nossa proposta foi para que os artistas convidados elaborassem um desenho e/ou pintura inspirados no referido álbum. A partir disso, os incentivamos a mergulhar em suas músicas, sentindo-as de maneira intensa, conectando-se com o seu conceito e elaborando um registro a partir dessa profunda experiência estética. Solicitamos também que cada artista enviasse um pequeno texto reflexivo a respeito da temática e do processo criativo de sua produção e ainda que escolhesse um título para a sua arte.

Além de nutrirmos uma enorme admiração pelo Dead Can Dance, a ideia de uma exposição baseada no álbum da banda foi fortalecida pela filosofia nietzschiana que, dentre tantas outras abordagens, faz referência e enaltece a figura de Dioniso, que surge como símbolo dos mistérios, do caos, do desconhecido, do sofrimento, do excesso e da desmedida, aspectos inerentes e fundamentais para a plenitude existencial.

ERICA IASSUDA:

"ADEUS, DARUMA".





Comentários da artista:

A série "Adeus, Daruma" surgiu a partir de uma memória de tristeza profunda, um desconforto  latente, porém devidamente reprimido  por pendências emocionais  a respeito do luto, propósito  de vida e o perdão. A série surge como uma forma de redenção e um primeiro passo para acessar e me libertar do que ficou pendente por tantos anos. A estética  deste políptico  foi inspirada pela dança japonesa Butoh experimental,  pós-guerra e avant-garde ao som do  álbum “Dyonisus” do Dead Can Dance, como registros  de uma performance de dança. Assim, enquanto a trilha sonora ritmada, ritual (dionísica!)  evoca o distanciamento  da racionalidade, essencial  para acessar emoções de terror, ansiedade e tristeza, o Butoh, por sua vez, traz a formalidade da beleza, da feiura e da verdade mais pura. A peça teatral é uma jornada de dentro para  fora e sobre transcendência  das emoções de sofrimento em liberdade.

Materiais e Técnicas: 

Políptico, registros de desenho, grafite, acrílica e aqualine sobre papel Aquarelle 300g. Diversos tamanhos.

KARLOS JÚNIOR:

"LAS BACANTES" 

Comentários do artista:

Envolto na atmosfera do álbum do Dead Can Dance e nos temas de suas faixas, eu me remeti às memórias que tenho de obras pertencentes à mitologia grega, filmes que vi na tenra idade e algumas leituras para imaginar a dança das bacantes, as consortes do deus do vinho, do amor e da celebração da vida e da alegria para criar a ilustração. A partir dessa experiência, a ideia foi fazer por meio da dança, Baco ou Dionísio ser invocado pelas jovens com sua taça de vinho sedutora.

Materiais e Técnicas:

Arte criada a partir de uma lapiseira Stadtler 2 mm e finalizada em canetas nanquim Micron, UniPin e tinta nanquim a pincel. 

 TUCA CHIVALE GALVAN: 

"PROFUNDEZAS EM COR"

 Comentários da artista:

Todo o processo de criação foi acontecendo ao som do álbum “Dyonisus” do grupo Dead Can Dance. E ao aceitar o convite de Juliana Vannucchi, do site Fanzine Brasil,  mergulhei em cada música, podendo assim me deixar inspirar pela composição de vários tipos de sons advindos de instrumentos musicais não muito convencionais e também de outros já popularmente conhecidos. A cada instrumento identificado, ou mesmo sem saber quais eram, fui construindo uma sequência de movimentos e uma explosão de cores, sentindo que estava em conformidade com o que estava escutando. Ora numa suavidade inebriante, ora sendo provocada por um incômodo desequilíbrio e por um mistério.

Trabalhei com os respingos representando a paixão, a embriaguez e o caos, assim como na definição ao Deus Dionísio, segundo Nietzsche. E como contraponto,  referenciei o Deus Apolo, permitindo-me harmonizar cores para dosar o equilíbrio.

E assim a aquarela foi finalizada. A escolha dessa técnica aconteceu pela possibilidade das transparências das cores, composição em nuances provocativas e o desafio de controlar o movimento da água  combinada com a tinta. O trabalho se tornou tão poético quanto a música.

Materiais e Técnicas: 

Aquarela e respingos.

SORAYA BALERA: 

"TRANSMUTAÇÃO"
 

 
Comentários da artista:
 
Quando dei as primeiras pinceladas na tela vazia, senti que estava mergulhando dentro da minha própria mente. As imagens que visualizei nesse momento inicial foram raios que logo transformaram-se em neurônios, simbolizando ligações interiores profundas conectadas ao medo. Por sua vez, as gotas que caem representam o sofrimento que vai sendo sutilmente levado. Mediante esse cenário, inúmeras bolhas sobem para representar a leveza As rosas surgem com o papel de suavizar essa condição descrita. A pintura feita trata-se, em suma, da captação de um processo no qual  o medo e a insegurança são transmutados em esperança, em cores, no aroma das rosas e no belo. O denso se esvaíra para dar espaço ao que é leve... 
 
Materiais e Técnicas: 
 
Óleo sobre tela (70cm × 80cm).

THIAGO ROCHA:

"SILÊNCIO"

Comentários do artista:

Dentro do meu processo criativo, sempre procuro ouvir algo para acompanhar a inspiração durante o desenvolvimento. Muitas vezes me pego em um certo transe. Consequência da concentração e viagem para dentro das músicas. Nessa construção muitas vezes eu não tenho algo nítido do resultado final, tenho apenas a ideia da imagem central. É nesse momento que começo a discutir comigo mesmo o ponto final do processo. A música muitas vezes influencia, seja por sua batida, por sua história e sua letra. A imagem retratada é do filme Psicose, onde a o assassino assume dupla personalidade ouvindo a voz de sua falecida mãe. Eu acredito ser o mesmo silêncio que o meu, só que com finais, motivos e intuitos completamente diferentes.

Materiais e Técnicas:

Photoshop.

Artistas participantes: 

Erica Iassuda
(Instagram: @erica_com_c_de_casa)
 
 Karlos Júnior 
(Instagram: @karlosmjunior)
 
Soraya Balera
(Instagram: @sorayabalera)
 
 Thiago Rocha
(Instagram: @thiagorocha.art)
 
Tuca Galvan
(Instagram: @estefania_tuca)

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