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terça-feira, 2 de agosto de 2022

OBRAS DE FOTÓGRAFO BRASILEIRO SÃO DESTAQUE NA EUROPA

Por Juliana Vannucchi

Nascido em Belém, no Pará, o fotógrafo Bruno Cecim, atualmente, é considerado uma referência nacional em assuntos ligados à Amazônia, aos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas, além de se destacar quando o tema é ecologia. Trabalhando com cinema e fotografia há mais de vinte anos, tem obtido cada vez mais reconhecimento no Brasil, e ultimamente as suas obras também vem atraindo olhares internacionais.

Os primeiros passos de sua renomada carreira foram dados no ano de 2000. Desde então, Cecim ministrou diversos cursos, workshops e palestras sobre fotografia, fotojornalismo e cinema. Ao longo de sua trajetória, o artista paraense participou de inúmeras exposições de arte e de fotografia, como “O Olhar que Vem da Terra”, na Galeria Virgílio, em São Paulo, em 2012, e uma exposição organizada pela Arfoc-Associação de Repórteres Fotográfico e Cinematográficos do Estado de São Paulo, em 2008. Bruno também tem alguns de seus curtas-metragens selecionados para festivais de cinema, como Mostra AudioVisual Paulista, Cinefest e Mostra Sesc Belém de Cinema. Vale citar ainda que em prolífica carreira, importantes personalidades foram fotografadas por ele: Lula, José Serra, Alckmim, Pelé, Ronaldo Fenômeno, Gisele Bündchen e até o Papa Bento XVI.  Todos esses registros foram publicados nos principais jornais, revistas e portais de notícias nacionais.

O ano de 2022, particularmente, está sendo bastante proveitoso para Bruno Cecim, que ultrapassou as fronteiras do país para presentear o continente europeu com suas fotografias, que são não apenas poéticas e criativas, mas também críticas e embutidas de propostas reflexivas. No primeiro semestre deste ano, o artista participou de uma exposição ambiental na galeria MADS Art Galllery, em Milão, na Itália, na qual expôs uma obra intitulada “Legado”.  Cecim criou essa série fotográfica focada nos índios do Sul do Pará: “Nesta série, eu quis apresentar os indígenas em seu contexto histórico-cultural, porém com as marcas deixadas pelo colonizador, ou melhor, pelo opressor, que destrói a natureza e a cultura do lugar”. Destaque entre mais de 120 artistas da exposição, a sua participação lhe rendeu um prêmio na categoria Especial, o que o levou a participar de outra exposição, chamada “Ars Tempus”, também em Milão. Dessa vez, apresentou uma obra chamada “Ciclos”, que aborda a questão da impermanência do tempo e suas transformações efêmeras.  A foto mostra uma imagem colorida de um relojoeiro em oficina, acompanhada de outras imagens sobrepostas que falam do tempo e também da perda, configurada por um cemitério. 

Cecim também teve uma fotografia exposta na Espanha, em uma amostra chamada Visceral, da qual fizeram parte artistas de diversos cantos do mundo. Essa sua obra chama-se “Passando a Boiada” e nos remete a dois grandes mestres da pintura moderna, Pablo Picasso e Francis Bacon. Por meio de imagens superpostas do interior de um matadouro em uma cidade localizada na Amazônia brasileira, o fotógrafo paraense faz alusão ao protagonismo do gado no agronegócio existente na região. O título da obra foi inspirado numa fala irresponsável do ex-ministro Ricardo Salles que, em abril de 2020, usou a expressão “passar a boiada” para se referir à tentativa de flexibilizar as leis ambientais no país. Levando em conta esse contexto, a imagem retratada por Bruno é uma espécie de grito de socorro que rompe as fronteiras de nosso país e ecoa por todo o planeta, mostrando ao mundo as dificuldades ambientais enfrentadas em solo brasileiro. Bruno nos contou: “Estou honrado em expor minha obra na Europa. A obra reflete inúmeras coisas, especialmente a questão do abate e tudo o que isso representa: desmatamento, devastação e exploração do meio ambiente”. 

Os registros de Bruno são dignos de respeito, pois as imagens que retrata não são apenas visualmente belas, mas também portam mensagens profundas. Cecim deve ser visto como um fotógrafo militante, e nosso país, mais do que nunca, precisa de personalidades aguerridas como ele. A câmera em suas mãos transforma-se num instrumento de ativismo ambiental, político e social. Que o fotógrafo sirva de inspiração para o Brasil e que cative o mundo com suas artes e denúncias. 

 

Conheça mais sobre o trabalho do fotógrafo Bruno Cecim:

Portfólio virtual:

https://www.canva.com/design/DAE7EqA6Yt8/qyWVAMJjRy96JDfYtTlBbA/view

Instagram:

https://www.instagram.com/brunocecimphoto/





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