Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

domingo, 16 de fevereiro de 2025

CONHEÇA O "THE SECRET DOOR", PRIMEIRO LIVRO DE POESIAS DE CYNTHIA ROSS

 Por Juliana Vannucchi

No início deste ano, Cynthia Ross, lenda punk e ícone da cena underground de Nova York, lançou seu primeiro livro de poesias, intitulado “The Secret Door”, que foi publicado pela editora norte-americana Far West Press, e no qual encontram-se mais de setenta poemas que se alternam com ilustrações do artista Ian Wilson e com alguns registros fotográficos feitos pela própria autora. O primeiro evento oficial de lançamento do livro aconceterá em Paris, no Hôtel Grand Amour, em 26 de fevereiro.

Por meio de sua poesia sensível e reveladora, Cynthia Ross embeleza o mundo, decifra nossos medos e desejos, seduz nosso coração e traduz a vida em suas mais variadas instâncias, nos colocando, assim, diante de todo tipo de sentimento e emoção e, através disso, conforme sugere o título do livro, abrindo as portas mais secretas da existência. Podemos identificar um apelo magnético presente nos poemas de Cynthia Ross, que possui um jeito único de tornar tudo mágico – até as coisas mais simples se transformam em algo incrível através do dom que ela tem com as palavras, pois existe uma verdadeira força metafísica atuante dentro de Cynthia, um potencial peculiar que ela possui para lidar com os sentimentos. Tudo isso faz com que sua poesia seja um espelho que reflete o infinito e que gera efeitos intensos na alma de que se dispõe a ler seus profundos versos. Sua poesia, assim, é libertadora, reconfortante e magistral. É um diálogo tocante que ecoa dentro de nós e desperta nossos espíritos, nos conduzindo a um estado sagrado e misterioso de embriaguez... 

 

É um livro de qualidade atemporal que certamente será capaz de cativar e fazer sentido também para as gerações futuras.

Por meio dos poderosos e profundos poemas que fazem parte desta estimada produção literária, encontramos alguns segredos e sonhos da apaixonante Cynthia Ross, que por intermédio de sua intensa escrita, retira o véu de sua própria vida e partilha conosco os ecos de sua história. Dessa forma, seu livro consiste, em certa medida, nas páginas de sua jornada existencial, sendo uma verdadeira viagem por seu universo, pelas vias de sua alma, pelas estradas de seus sonhos, pelas melodias que pairam em sua mente, pelas paisagens de suas ideias e pelas excitantes emoções que tangem suas percepções. É, em suma, um legado comovente e repleto de afeto que Cynthia Ross nos deixa como herança.

 

Algumas personalidades que deram depoimento sobre o livro de Cynthia Ross. O Fanzine Brasil também teve a honra de oferecer algumas palavras sobre o livro.
 

Vale dizer que o “The Secret Door” conta com depoimentos de personalidades notáveis, como a cantora Debbie Harry, o ator Michael Imperioli, Lydia Lunch e Peter Perrett, que teceram inúmeros elogios a esta valiosa obra-prima poética à qual a talentosa Cynthia Ross caprichosamente deu vida. É um livro de qualidade atemporal que certamente será capaz de cativar e fazer sentido também para as gerações futuras!



 

THE BOLSHOI: A TRAJETÓRIA DE UMA DAS BANDAS MAIS MARCANTES DOS ANOS OITENTA

 Por Juliana Vannucchi

O The Bolshoi foi uma das principais bandas da New Wave oitentista e seu principal hit, "Sunday Morning" foi um dos singles mais aclamados dessa década, bombando principalmente no Brasil e na Argentina, países em que o grupo conquistou uma enorme quantidade de fãs. Em sua letra, essa clássica e hipnótica faixa retrata a hipocrisia e a tirania presentes nas instituições religiosas e o quanto esses aspectos podem ser destrutivos na vida de um indivíduo. Parece soar também como uma espécie de desabafo pessoal em relação ao tédio e ao desgosto enfrentados por uma devoção religiosa forçosamente imposta. 

É uma banda que canalisou toda a atmosfera dos anos oitenta e a eternizou em suas elogiáveis e memoráveis canções. 
 

A formação original do The Bolshoi, de 1984, consistia no brilhante Trevor Tanner nos vocais e no comando da guitarra, Graham Cox no contrabaixo e Jan Kalicki na bateria. O famoso Paul Clark se juntaria ao grupo em meados de 1986 para assegurar ao The Bolshoi o refinamento sonoro ideal através de seus teclados e também de sua guitarra. Tanner, principal letrista do grupo, contou numa entrevista que em sua infância já possuia uma grande afinidade com a música. Quando era criança escuatava canções celtas e na juventude foi um grande fã de David Bowie e Deep Purple, sendo que todas essas diversificadas influências, de alguma maneira reverberaram em suas produções musicais. Na mesma entrevisyta em questão, Travor também revelou que durante a adolescência, sofria uma certa pressão por parte de seus professores de escola que insistiam para que ele tivesse êxito profissional, enquanto o menino, contrariado e com uma postura bastante rebelde, desejava ser um guitarrista famoso. E sabemos que, afinal, foi exatamente isso que aconteceu ao menos durante os anos oitenta, em que o The Bolshoi brilhou e lançou uma trilogia marcanrte de álbuns de rock alternativo: O debut foi o "Giants", seguido do icônico "Friends", que foi o triunfo de banda, o álbum mais comercial e popular e, por fim, o grupo gravou o "Lindy's Party", que também fez sucesso e conseguiu se sobressair. Em 2015, a banda surpreendentemente lançou seu último trabalho inédito, intitulado "Country Life", que foi ao mercado numa edição limitada. Suas faixas, contudo, foram gravadas há décadas atrás, mais precisamente em 1988.

Paul Clarke, certa vez comentou que muito conteúdo musical mágico surgiu nos anos oitenta. Certamente sua banda era parte desse cenário tão rico e diversificado, de tal forma que é difícil pensarmos na música dessa década sem que "Sunday Morning" invada nossas mentes. Foi uma trajetória curta, embora bastante competente e, no final das contas, a banda dominou o mundo com um único single que bastou para que se eternizassem. De maneira geral, o The Bolshoi oferece canções que, por vezes, soam de uma forma ligeiramente sombria e, em outros momentos são empolgantes e oferecem uma clima mais pop e dançante. Mas todos esses traços distintos sempre funcionaram bem e os caminhos sonoros do grupo, mesmo que variados, foram grandes acertos. É uma banda que canalisou toda a atmosfera dos anos oitenta e a eternizou em suas elogiáveis e memoráveis canções e sobretudo na voz única de Tanner. Para concluir nossa abordagem, citaremos uma fala de Trevor que, sempre carismático e bem-humorado, numa entrevista proferiu alguns conselhos a jovens artistas: "Apenas divirta-se e seja você mesmo. Não se preocupe em ser legal. Não é legal tentar ser legal. Eu só acho que um músico jovem ou um músico antigo deveria fazer o que é certo para você. E se as pessoas não gostam, que merda. Se você gosta, ótimo. Mas não ceda e seja algo que você não é".

Referências:

https://issuu.com/revistathe13th/docs/paul_clarke

https://www.thebolshoi.co.uk/articles/

http://themadcapspeaks.squarespace.com/trevor-tanner-interview/

https://louderthanwar.com/the-bolshoi-friends-to-be-reissued-by-beggars-arkive/

O ENCANTO DOS BORDADOS DE EVELINE

   Por Juliana Vannucchi

A costura, se manejada de forma habilidosa e praticada com originalidade, pode, certamente, se tornar uma verdadeira expressão artística. E a parisiense Eveline, com seu potencial criativo e sua destreza para lidar com linhas, corte e arranjos, é prova disso. Ela começou a bordar há oito anos atrás, quando nasceu o primeiro filho de seu irmão mais velho: "Queria bordar o nome dele - William - no presente que comprei, pois adoro presentes feitos à mão. Então, pratiquei um pouco e consegui. Gostei  bastante do processo, pois sempre adorei trabalho manual. E gosto ainda mais quando demora para ser concluído e exige foco". A partir da primeira experiência com o presente de seu estimado sobrinho, essa prática artesanal passou a se tornar cada vez mais intesa na vida de Eveline que, então, começou a bordar roupas para si mesma, para alguns amigos e, posteriormente, começou também a criar produtos para algumas bandas - como cuecas -, por exemplo: "Mas essa prática se tornou, por assim dizer, mais 'artística' quando comecei a bordar poesia e letras de músicas em linho vintage". A versatilidade estilística, desde então, acompanha firmemente o seu trabalho. Assim como uma Moira, imersa e infalível em sua sofisticada atividade, e sempre afiada, inspirada, firme e dedicada, Eveline, permanece até hoje ativa em suas produções, que se transformaram numa verdadeira paixão e que possuem o amor como principal eixo condutor. A esse respeito, refletiu: "Na verdade, é uma das coisas mais fascinantes para mim: inspiração e criação, de onde vem isso?! É um mistério absoluto, mas sinto que tudo vem do Amor. A natureza expressa isso através de árvores, flores, animais, insetos. O ser humano faz isso através da arte, se é que minha colocação faz sentido". 

Quando está bordando, Eveline gosta, de preferência, de focar numa mesma peça durante horas. Ela entende que esse processo mais prolongado é relevante num mundo caoticamente inquieto, no qual os níveis de ansiedade andam aflorados e, consequentemente, o foco de atenção das pessoas em qualquer atividade se torna mais baixo: "Sou professora de meditação, e não vou dizer que é a mesma coisa, mas acho que tem algo que também traz uma espécie de paz interior quando estou bordado, por envolver uma coisa repetitiva e o modo como eu preciso estar focada nisso, me deixa bem tranquila. Na verdade, existem estudos que mostram os seus benefícios: os níveis de cortisol, que é o hormônio do estresse, diminuem quando estamos concentrados numa tarefa criativa. Portanto, recomendo fortemente que quem está ansioso, tente fazer algo criativo". Ora, sabemos que da experiência criativa pode surgir uma conexão com a arte que, nas palavras de Eveline: "Surge a partir de uma forma de olhar o mundo, uma forma muito especial e peculiar, às vezes estranha, de olhar para ele, de observá-lo, também de viver nele, e principalmente de senti-lo. A arte associa-se à necessidade de expressar tudo isso também de uma forma muito pessoal. Na verdade, não tem um propósito, mas tem que ser".

Eveline, que já teve algumas de suas produções artesanais expostas em diversos locais, atualmente tem algumas de suas peças expostas no Howl! Arts, em New York: "Neste mês, minha amiga Cynthia Ross lançou seu primeiro livro de poesias e ela, muito gentilmente, encontrou um espaço pra mim nesse lançamento, no qual estou tendo a oportunidade de apresentar o meu trabalho - no caso, especificamente, meus bordados de alguns poemas dela - em uma galeria em Nova York. Ainda não consigo acreditar que isso está acontecendo". Nos trabalhos manuais de Eveline, a arte encontra seu propósito e se concretiza materialmente de maneira brilhante. Em suas costuras e ideias, há muitas coisas para serem admiradas e aprendidas. 

 

Bordado de um poema escrito por Cynthia Ross, intitulado "The Universe Loves You". 

Nesse borbado, Eveline anuncia o lançamento do livro de Cynthia Ross, em Paris. 
    








sábado, 11 de janeiro de 2025

A HISTÓRIA DO LOVE AND ROCKETS

 Por Juliana Vannucchi

O Bauhaus foi uma das bandas darks de maior sucesso durante os anos oitenta, lançando quatro álbuns aclamados nessa referida década. No entanto, após conquistar inúmeros fãs, produzir singles de sucesso e realizar performances teatrais memoráveis, o grupo se dissolveu em função de algumas desavenças surgidas entre o vocalista Peter Murphy e os demais integrantes do grupo. Foi então que o guitarrista Daniel Ash juntou forças com o baixista David J e com o baterista Kevin Haskins para dar vida à banda Love And Rockets, que permaneceu ativa de 1985 a 1999, posteriormente, juntando-se brevemente para turnês entre 2007 a 2009 e, mais de dez anos depois, em 2023, a banda surpreendentemente se reuniu novamente para tocar no festival Cruel World, que teve um impacto significativo na trajetória do grupo, incentivando-o a permanecer ativo.

No decorrer de sua inspirada trajetória, de modo geral, o Love And Rockets incorporou estilos musicais variados em suas composições, flertando com o glam rock, com o rock progressivo, com o pop rock e com o cosmic rock e, nesse âmbito, a cada novo álbum, a banda progressivamente se distanciava cada vez mais da sonoridade do Bauhaus, consolidando aos poucos seu potencial criativo e arquitetando uma atmosfera sonora bastante singular, especialmente marcada pela poderosa voz do brilhante Daniel Ash, cujo talento antes era parcialmente ofuscado pela incontestável presença de Peter Murphy. Certamente, no Love Ane Rocketes, o trio Ash, David J e Haskins encontrou mais liberdade para suas composições do que quando estava no Bauhaus, que se prendeu quase que inteiramente ao território dark.

 

O Love And Rockets é uma banda poderosa, com um potencial verdadeiramente ritualístico

O single de maior sucesso da banda e talvez o único que tenha explodido globalmente foi “So Alive” que, curiosamente, assim como aconteceu com a faixa “Bela Lugosi’s Dead, do Bauhaus, foi gravada num único dia. Numa entrevista, Daniel Ash fez algumas revelações interessantes referentes às etapas de criação e produção desse grande hino do Love And Rockets: “Escrito, gravado e produzido em 24 horas (…) Todos as melhores músicas parecem ser absolutamente instantâneas (…) É estranho isso. Não sei, tudo meio que se alinha em um período de 24 horas e bum, você tem aquele momento mágico, como gosto de chamar. Muito estranho. Foi particularmente estranho em “So Alive”, a maneira como isso aconteceu, porque quando entrei no estúdio tudo que eu tinha era a primeira linha e os dois acordes. Na ocasião, deveríamos estar gravando uma outra coisa, mas eu disse: “Não, não, não, estamos fazendo essa música”. Fui muito arrogante e eles disseram: “Bem, podemos ouvir?” E então eu disse: “Não, ainda não escrevi!” [Risos] Eu tenho a primeira linha e os dois primeiros acordes, mas vou para o porão e escrevo, e estarei lá em cerca de meia hora.” E foi exatamente o que eu fiz. Desci ao porão do Black Wing Studios em Londres. Cheguei uma hora depois e foi isso. Nós o colocamos de lado. Kevin começou aquela batida de bateria imediatamente. Dave pegou a linha de baixo. Foi instantâneo. Que dia incrível". A música foi lançada em 1989 e alcançou várias marcas importantes de sucesso. Atingiu o primeiro lugar no Canadá e ficou entre as 30 mais tocadas na Austrália, na Nova Zelândia e nos Estados Unidos (nos EUA, liderando também a parada Billboard Modern Rock Tracks por cinco semanas). Mas por trás dessa composição tão espontânea e intuitiva, havia uma inspiração carregada de sentimento. Certa vez, num sábado à noite, em que a banda não tinha compromissos, Ash foi a uma festa e num determinado momento se deparou com uma linda mulher de cabelos longos e castanhos, que estava do outro lado de uma sala escura e sombria na qual o vocalista se encontrava. Ash se encantou com aquela atraente figura, mas não a abordou porque era casado nessa época. Entretanto, ficou apaixonado pelo resto do fim de semana. A esse respeito, certa vez declarou: “Foi como se eu a conhecesse em de outra vida ou algo assim. Foi exatamente isso que me atingiu como uma tonelada de tijolos. Eu não conseguia parar de pensar nela.” Como ela estava do outro lado do salão, ele não pode ver a cor de seus olhos e na letra, faz referência a isso...

Em outras composições do Love And Rockets, o método artístico que prevaleceu na vida de Daniel Ash foi o “cut-up, que consiste numa técnica dadaísta, na qual recorta-se palavras aleatórias de um jornal, livro ou revista para se construir um determinado texto. Sobre essa questão, num entrevista, o músico explicou: “Tanto um riff de guitarra quanto uma manchete podem gerar uma ideia (…) Eu uso há muito tempo, desde meus primeiros trabalhos, como ‘Slice of Life’, que ganhei de um fanzine em Nova York. Comecei cortando manchetes e continuo essa prática até hoje”. Ainda em relação ao seu método de composição, Ash também declarou: “O que descobri é que isso liberta você completamente porque, na maior parte do tempo, o processo criativo acontece no subconsciente. O método ‘cut-up’, onde você pega pedaços de texto e os reorganiza, funciona nisso. Minha fonte preferida é o National Enquirer, que tem manchetes altamente dramáticas que geram frases interessantes. Para mim, a técnica de ‘cut-up’ funciona incrivelmente bem. Acredito que William Burroughs tropeçou nisso acidentalmente quando cortou parte de seu próprio texto. Simplesmente parecia certo para ele, e lá estava, uma ferramenta transformadora que pegou a escrita comum e a transformou em algo extraordinário".

O Love And Rockets é uma banda poderosa, com um potencial verdadeiramente ritualístico, que atinge fortemente nossas almas e corações e que é facilmente capaz de dialogar com o universo de qualquer pessoa. Os álbuns desse icônico trio de rock alternativo, são substancialmente catárticos e podem conduzir os ouvintes, ou para uma aventura plenamente introspectiva, repleta de sensibilidade, ou, então, fora do planeta, levando-o para a lua, para o cosmos… numa interminável viagem mágica.

Álbuns de estúdio*

Seventh Dream of Teenage Heaven (1985) -
☆☆☆
Express (1986) -☆☆☆☆☆
Earth, Sun, Moon (1987) - ☆☆☆☆☆
Love and Rockets (1989) - ☆☆☆☆☆
Hot Trip to Heaven (1994) - ☆☆☆☆
Sweet F.A. (1996) -☆☆
Lift (1998) -☆☆

____


*Avaliação do site:
☆ - Modesto
☆☆ - Médio
☆☆☆ - Bom
☆☆☆☆ - Excelente
☆☆☆☆☆ - Lendário

Referências:

https://www.brooklynvegan.com/bv-interview-daniel-ash-talks-love-and-rockets-reunion-reissues-bauhaus-motorcycles-and-more/ 

https://viewlesswings.com/2023/05/30/daniel-ash-on-crafting-the-lyrics-for-love-and-rockets-part-1-interview/ 

https://en.m.wikipedia.org/wiki/So_Alive_(Love_and_Rockets_song) 

https://www.songfacts.com/blog/interviews/daniel-ash-love-and-rockets-bauhaus 

https://www.slicingupeyeballs.com/2023/05/01/daniel-ash-interview-love-and-rockets-reunion-bauhaus-ashes-diamonds/



A SHE IS DEAD É TUDO QUE OS FÃS DE ROCK QUEREM

 Por Juliana Vannucchi

A banda curitibana She Is Dead, surgida há alguns anos atrás como promessa musical, já se consolidou como um dos mais consagrados nomes da história do rock nacional. Em 2020, em seu período embrionário, antes de alcançar o estrelato, a She Is Dead, que se propunha a oferecer ao público um “rock para corações despedaçados”, lançou seu primeiro EP, o “Living In My Hate”, seguido pelo “Forget Our Dreams”. No ano seguinte, um novo passo profissional foi dado e a banda lançou o aclamado álbum “Story Of Lies” e também o elogiável “We Love Reverb”. Por fim, em 2023, a She Is Dead presenteou seu público com o lendário “All The Monsters”, o mais maduro, refinado e experimental de seus trabalhos. Todos os EPs e álbuns foram produzidos por Luís Orta. Atualmente, a formação conta com Mau Carlakoski (vocais e guitarra), Kim Tonieto (baixo e vocais), Maria Scroccaro (guitarra) e Alessandro Santiago (bateria).

De modo geral, em suas apaixonantes músicas, a banda apresenta uma mescla da velocidade e da fúria do punk rock com cargas sentimentais e melancólicas do pós-punk -especialmente nas letras - e boas doses de uma agressividade vocal tipicamente noventista. Nos palcos, o trio sempre mostra uma energia contagiante que lembra os momentos mais gloriosos do Sonic Youth e, assim, facilmente leva a plateia a chacoalhar a cabeça e corresponder com a barulheira excitante feita pelos integrantes da banda. O resultado de todos esses elementos sonoros é um deleite para qualquer fã de rock and roll e a She Is Dead, assim, merece estar na playlist de qualquer apreciador desse gênero musical, para os quais são simplesmente fundamentais. E... se por acaso, seu coração está ferido, pode ter certeza de que o trio, por meio de suas músicas, oferecerá o remédio ideal. Acredite: eles, de fato, têm a receita perfeita para esse tipo de enfermidade. São catárticos, selvagens e por sua competência, convencem fãs e críticos desde que estrearam no mundo do rock. Com certeza devem ser escutados no último volume! 


A banda She Is Dead em sua formação atual.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

UM PANORAMA HISTÓRICO DO UNIVERSO ARTÍSTICO DE ANGÉLICA LIMA

 Por Juliana Vannucchi

Angélica Lima, nascida em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, atualmente é uma das personalidades artísticas mais prestigiadas de Sorocaba, e uma das grandes responsáveis por alimentar o insaciável e fértil fogo da arte local, com o qual ela contribui ao realizar um trabalho artístico intenso e de alcance multidisciplinar. Esse reconhecimento que hoje Lima possui na região de Sorocaba, foi conquistado a partir de muita luta, determinação e talento, sendo que toda e qualquer dificuldade surgida no decorrer de sua trajetória foi vencida pela força que a artista extraiu de sua mente inquieta e criativa, que sempre a preencheu com ideias extraordinárias que foram caprichosamente, acolhidas e gravadas em papéis, camisetas, bottons e adesivos. Esse vasto universo artístico de Lima, ganha vida a partir do uso de técnicas notavelmente diversificadas, como a aquarela natural, o guache – que muitas vezes conta com a finalização refinada do lápis de cor -, ou, enfim, as variadas técnicas mistas que a ilustradora explora com maestria.

“A intenção das minhas aquarelas de fauna e flora é levar o espectador a acessar sua criança interior".
 

A arte invadiu o coração de Angélica ainda na tenra idade e, desde a infância, a artista sempre teve afinidade com o desenho, sendo que até hoje, carrega lembranças do significado da arte nessa época precoce de sua vida. Lima mudou-se para Itapevi quando ainda era nova e foi lá que passou a maior parte de seus anos. Recorda-se de rabiscar a carteira da escola, de admirar as aulas de educação artística que envolviam pintura, desenho e recorte e da amorosa afeição e familiaridade que possuia com essa área, o que fazia com que muitos colegas solicitassem sua ajuda durante as aulas: “Eu era uma aluna um tanto preguiçosa, não gostava de estudar desenho, apenas desenhava o que me dava vontade ou algo que envolvesse alguma referência específica que me interessasse”. Angélica contou que no ambiente em que cresceu, a conquista de uma carreira profissional estável após a conclusão dos estudos, era a grande prioridade e, nesse âmbito, a vida universitária era pouco incentivada: “A mentalidade era arrumar um emprego e seguir a vida. Faculdade era algo muito difícil de se obter, então eu nem nutria expectativas nesse sentido e, além disso, não me considerava uma pessoa muito inteligente ou com capacidade para o mundo acadêmico. Apesar de ter tido boas notas no período escolar, as provas me deixavam nervosa. Por fim, ao me formar, aceitei esse destino convencional e simplesmente comecei a vida em empregos bem comuns”. A Fortuna, no entanto, guardava outra rota para a jovem de Itapevi, mesmo que ela ainda não soubesse disso. O fato é que, após concluir os estudos, Angélica ingressou no mercado de trabalho, que parecia ser o único caminho possível e, durante um tempo, ocupou vários cargos diferentes. Foi atendente em rede de fast-food, ajudante geral, trabalhou em cozinhas de restaurantes populares e também no escritório de uma metalúrgica. Nesse último emprego, porém, algo diferente aconteceu, pois Lima, em meio aos esforços e desgastes profissionais do cotidiano, conseguia encontrar um pouco de tempo para desenhar: “As pessoas com as quais eu trabalhava viam minhas ilustrações e perguntavam por que eu não trabalhava com isso”. Esse tipo de questionamento a influenciou de alguma maneira e, então, Lima passou a fazer cursos na área e, gradualmente, entregou-se cada vez mais ao universo da arte, que era a rota verdadeira e inevitável de sua vida. A Fortuna cumpria seus planos. A esse respeito, se recordou: “Primeiro fiz um curso livre, depois técnico e por fim, a faculdade. E assim fui me formando como artista, durante longos dez anos”. Nesse sentido, Lima também refletiu: “Na realidade, só tive coragem de aceitar o título de artista há alguns anos atrás, mas confesso que essa palavra ainda engasga um pouco para sair. A síndrome do impostor é muito presente entre os artistas, embora hoje eu esteja ciente de que sou uma artista visual, ilustradora e autora de livros infantis”.

As produções artísticas criadas por Angélica Lima portam um potencial catártico enérgico, que as torna elogiáveis e absolutamente dignas de admiração.

Desde então, Lima permaneceu focada na arte e, gradualmente, seu paraíso artístico foi se consolidando e ocupando um espaço cada vez maior em sua vida, até se transformar numa verdadeira empreitada profissional. Porém, embora atualmente trabalhe diretamente com suas produções, a jovem entende que, por vários motivos, o mercado de trabalho nessa área é instável e bastante desafiador: “Eu vim da periferia da grande São Paulo, mais precisamente de Itapevi e, por isso, na minha juventude se eu não tinha nem como sonhar com uma faculdade, imagina ter acesso a arte? E o mercado é muito complicado porque normalmente exige, de alguma forma, que a arte seja um produto e quando se é artista é difícil lidar com isso, porque aquilo que nós queremos fazer, a ideia que surge para nós, não é, necessariamente, o que vai ser vendido”.

No entanto, apesar dessas tantas barreiras mercadológicas destacadas por Angélica, gradualmente e cada vez mais, ela encontra espaços culturais e oportunidades que a permitam apresentar sua arte ao mundo. Lima já teve, por exemplo, alguns de seus trabalhos de aquarela expostos no Espaço Cultural Mário de Andrade, em Santana de Parnaíba, também já viu seu trabalho ser apresentado numa exposição do Espaço da Cultura, em Jandira, marcou presença em feiras de arte e artesanato do ateliê Revoada, situado na Vila Mariana, esteve na Feira Gibicon, no Butantã, e em Sorocaba viu suas obras na exposição "O jardim de Joana", no espaço cultural do Shopping Pátio Cianê, além de ter participado da Feira Colabora, da Feira Beco do Inferno e de outras atividades. Ademais, o sucesso de suas produções artísticas rompeu as fronteiras de nosso país e atualmente Lima tem algumas obras originais e cópias autorizadas no exterior. E cabe dizer que a bagagem e a contribuição cultural de Angélica Lima está além da pintura. A jovem artista também aventura no campo literário e tem dois livros infantis publicados. O primeiro chama-se "Raul, o Coelho" e o segundo, lançado recentemente, intitula-se "Niel Comeu Amora".

Mas apesar de tantas realizações e conquistas, Lima entende que ainda não construiu um legado artístico propriamente dito e, em relação a isso, de maneira humorada, refletiu: “Eu brinco dizendo às pessoas que compram minha arte, para que elas torçam para eu morrer drasticamente e de uma forma polêmica, para que a obra se torne cara. O sarcasmo mórbido e um dos meus defeitos. Outro defeito é não acreditar em mim mesma, por isso, para mim, é desafiador pensar nesse conceito de legado. Ainda sinto um certo desconforto ao me autointitular como artista”. No entanto, apesar dessas incertezas e dúvidas, uma coisa é certeza no coração de Lima. Trata-se o efeito que espera que sua arte gere nos espectadores: “Através das minhas aquarelas de fauna e flora, tenho a a intenção de levar o espectador a acessar sua criança interior, resgatar em sua vida os momentos sem telas, momentos em que achávamos incrível quando um simples inseto diferente aparecia e, então, nos atínhamos aos seus detalhes e cores, observando a forma como ele voava, andava ou pulava. Talvez minhas aquarelas sejam, portanto, uma forma de me comunicar com outras pessoas que se encantam com essas coisas, como se fosse uma espécie de código de uma gangue secreta, que diz: procura-se pessoas que amam ver pássaros fazendo ninhos”.

A arte existe como uma forma de iluminação, como um caminho divino que desperta o ser humano, sendo capaz de elevar qualquer alma e emocionar qualquer coração. E as produções artísticas criadas por Angélica Lima portam esse deslumbre, esse potencial catártico enérgico, que as torna elogiáveis e absolutamente dignas de admiração. Angélica Lima é um orgulho para Sorocaba. Precisamos abraçar artistas que alimentam a arte local e lutam pela construção de um cenário cultural amplo e fortalecido.



sábado, 7 de dezembro de 2024

MAGIA, APOCALIPSE GLOBAL E CRISES POLÍTICAS: O UNIVERSO DO KILLING JOKE

 Por Juliana Vannucchi

O Killing Joke surgiu na capital inglesa, em 1979, um ano no qual o cenário punk ainda era predominante e tomava conta dos clubes e ruas da cidade, embora já estivesse ligeiramente enfraquecido e perdendo terreno para novos grupos que despontavam e experimentavam criar estilos musicais diferentes. Composto pelo icônico vocalista e tecladista Jaz Coleman, pelo baixista Youth (que faleceu aos 46 anos, em 2007), pelo baterista Paul Ferguson e pelo inventivo guitarrista Geordie Walker (que faleceu em 2023), o Killing Joke foi, assim, um desses grupos que histórica e esteticamente sucederam o gênero punk. Desde os seus primórdios, a banda logo optou por trilhar rumos sonoros bem originais e essencialmente desapegados dos estilos vigentes mais tradicionais, tendo se tornado assim, um grupo mais associado ao rock industrial e à dark music, sendo considerados por alguns críticos, os verdadeiros pioneiros do post-punk. Porém, embora essas observações sejam cabíveis, rotular o Killing Joke é uma tarefa difícil e que carece de sentido porque, de modo geral, em sua discografia a banda oferece climas musicais muito diversificados e flerta com influências sonoras bastante variadas. Além disso, cabe dizer que nas veias de todos os integrantes, a ideologia proposta pelo movimento punk sempre pulsou e os levou a acreditar que eram capazes de fazer qualquer coisa em termos de composição. Coleman, numa entrevista concedida ao The Guardian, chegou a declarar que foi essa herança punk que o levou a não temer o fracasso. Como abandonou os estudos de maneira precoce, comentou: “O punk rock para mim era uma metáfora para a autoeducação. Na nossa banda, trocamos livros e nos educamos, e agora três de nós lecionamos em universidades quando não estamos tocando”.

Durante os anos oitenta, o Killing Joke triunfou com o lançamento de sete álbuns de estúdio, alcançado nessa década, o seu apogeu criativo. Destacam-se, nessa década, o dubut, o excelente “What's THIS For…!”, o “Fire Dances”, (1983), o “Night Time”, (1985), maior sucesso comercial da banda, e o "Outside The Gate" (1988), sendo que esses quatro últimos portam uma atmosfera obscura e dançante. Nos anos 90, a banda gravou três álbuns, mas nenhum deles de fato emplacou, especialmente porque o mundo estava dando uma atenção maior ao grunge que, com o impacto de sua novidade estilística, fazia com que os grandes nomes do pós-punk perdessem força. Em 2003, a banda surpreendeu o público com o lançamento do álbum “Killing Joke”, uma produção interessante e empolgante que fez bastante sucesso. Posteriormente, a o grupo inglês lançou mais quatro álbuns inéditos, mas nenhum teve o brilho das produções oitentistas. De qualquer maneira, entre altos e baixos na dinâmica de sua discografia, o fato é que o Killing Joke sempre foi extraordinária e esteve além do óbvio. Podemos, por isso, vê-los como uma banda vanguardista, que foi intensa no material que entregou aos fãs e que garantiu em todos os seus trabalhos uma notável dose de originalmente, sempre inundando as mentes dos ouvintes com músicas sublimes e misteriosas. Como resultado desse poder criativo que transcendia modelos e de sua força estética, a banda influenciou grandes nomes do rock como Nirvana e Metallica, nos quais reverbera de alguma maneira. Além disso, vários outros reconhecimentos vieram com o tempo, incluindo elogios de Jimmy Page ao lendário Walker, que foi o verdadeiro maestro na história do KJ, ajudando a definir o som característico do grupo. "Gordie", como era mais conhecido, manuseava seu instrumento de uma forma absolutamente incomum. Nos anos oitenta, por exemplo, afinou sua guitarra um tom totalmente abaixo do padrão. Por essas e outras razões, podemos vê-lo como um alquimista do universo pós-punk. Certa vez constatou a respeito de da potência de seu instrumento: "U'ma guitarra tem muito capacidade musical, mas tem o ritmo também, como instrumento, acho que tem o som mais agradável, o ataque, o ritmo”.

 

“A bolha econômica está prestes a rebentar de uma forma que nunca vimos nas nossas vidas” (Jaz Coleman)
 

Liricamente falando, percebemos abordagens niilistas nas letras, que portam um teor crítico e são substancialmente focadas em assuntos políticos, tal como desastres globais, miséria, medo, manipulação das massas e guerras. Muitas letras do Killing Joke descrevem um futuro despótico e abordam narrativas existências apocalípticas. Para o vocalista, suas músicas possuem advertências para a humanidade e são essencialmente proféticas. De acordo com Jaz Coleman, a faixa “Empire Song”, datada de 1982, teria, por exemplo, teria previsto a guerra das Malvinas. Cabe dizer que esses aspectos de cunho geopolítico que foram tratados logo nos primeiros álbuns, agradaram fãs do punk rock que, cada vez mais, passaram a valorizar e se interessar pelo Killing Joke. Por outro lado, tais abordagens geraram polêmicas e levaram o grupo a viver momentos controversos, como quando, num de seus gigs o KJ apresentou uma imagem do Papa abençoando legiões de nazistas. Levando em consideração esse apelo político que faz parte das letras da banda, Coleman, na mesma entrevista ao The Guardian que foi citada anteriormente, observou de maneira crítica que atualmente os governos gastam mais em armas do que investem em saúde. Também refletiu: “A bolha econômica está prestes a rebentar de uma forma que nunca vimos nas nossas vidas”, disse ele, prevendo a fome, a guerra e um abismo cada vez maior entre uma elite e uma classe baixa crescente. As tensões entre as nações são outro assunto que interessa ao lead singer. Por ternvivido perto da fronteira com a Ucrânia e trabalhado com orquestras na Rússia, ele teria sentido a guerra entre essas nações se aproximando. Para Coleman, estamos sendo controlados por governos maliciosos que nos matam lentamente sem que nem ao menos possamos nos dar conta disso: “(…) Quando você começa a retirar os nutrientes dos alimentos, você tem uma população doente, e quando você começa a pulverizar alumínio no ar e a colocar flúor na água, o sistema imunológico humano entra em colapso devido ao envenenamento por fluoreto de alumínio. Eles estão tentando nos matar: é lento, mas é algo seguro.”

Magia e ocultismo são outros temas que sempre percorreram a história do Killing Joke e, de alguma forma, moldaram a imagem da banda. Nesse sentido, certa vez Reynolds chegou a dizer que uma “energia tribal obscura, difícil de definir, girava em torno do grupo”. Coleman tem interesse declarado por essas áreas. Acredita em reencarnação e garante que lembra de ter morrido na guilhotina numa vida anterior - isso explicaria as razões pelas quais, durante a infância, intrigava seus pais construindo guilhotinas. Também já afirmou ter visto sete orbes de cor alaranjada na região central de Londres, sendo que numa delas pode contemplar a imagem de uma figura (um “homem palito”). O mais curioso é que ele não acreditava em UFOs até ter passado por essa experiência que foi memorável e absolutamente inexplicável. Ademais, cabe constatar que na época em que o grupo estava sendo formado por Coleman e Ferguson, os dois, afim de encontrar os membros restantes para dar vida à banda, asseguram ter feito um ritual de magia negra. Para isso, pintaram o chão de preto, desenharam um pentagrama cujos pontos cardeais estavam alinhados e, por fim, acenderam velas para iniciar a cerimônia... Mas o resultado dessa empreitada mágica foi um apartamento em chamas. Além disso, conforme Colin contou ao The Guardian: “Eu tinha uma biblioteca ocultista considerável desde os sete anos e Geordie era um mestre Cabalista”. Nesse contexto, o vocalista ainda explicou: “Compartilhamos um interesse por todo esse lado das coisas”. Coleman já declarou que acredita na existência do divino, mas que isso não quer dizer que ele crê no conceito tradicional judaico-cristão de um deus intervencionista. Na mesma entrevista em que fez essa declaração, também citou os universos paralelos com os quais a humanidade está cada vez mais familiarizada. O músico também afirmou que nossa concepção acerca do que é o tempo provavelmente será dissolvida em breve. Essas reflexões mostram o quanto Jaz Coleman tem a mente aberta para possibilidades metafísicas e questões que estão além dos limites do plano físico. Além dos campos da magia e do ocultismo, é preciso citar que o vocalista sempre foi bastante ativo em outras atividades. Grande apreciador de Beethoven, compôs sinfonias, dirigiu orquestras e ministrou palestras sobre sustentabilidade. Mas é durante seus shows, guiando com sua voz hipnótica os outros integrantes da banda por percursos sonoros místicos, que ele mostra o quanto a magia é real. E se existem outras dimensões, o Killing Joke com certeza é a estrada espiritual mais segura para que possamos acessá-la de alguma maneira…

Referências: 

https://www.loudersound.com/features/thinking-out-loud-killing-joke-s-jaz-coleman-1 

https://thequietus.com/opinion-and-essays/black-sky-thinking/killing-joke-post-punk/

https://www.theguardian.com/music/2024/mar/18/killing-joke-jaz-coleman-geordie-walker 

https://www.kerrang.com/jaz-coleman-when-killing-joke-really-lock-in-theres-this-strange-energy-between-us-all-and-it-was-born-in-magic


https://rollingstone.uol.com.br/noticia/lider-do-killing-joke-jaz-coleman-diz-que-poderia-ter-salvo-heath-ledger/ 

https://www.brooklynvegan.com/killing-jokes-jaz-coleman-talks-40th-anniversary-next-lp-ufos-and-more/

terça-feira, 15 de outubro de 2024

UM ENCONTRO ENTRE A POESIA E A PINTURA: CONHEÇA O LIVRO "PURIFICAÇÃO: O MEDO EM VERSOS", LANÇADO PELO FANZINE BRASIL

 Por Juliana Vannucchi

O livro de poesias Purificação: o medo em versos, organizado pelo site Fanzine Brasil e mediado pela Editora-chefe Juliana Vannucchi, foi lançado em quantidade limitada no final de setembro pela Editora Viegas (MA). O projeto literário contou com a participação de sete poetisas brasileiras: a psicanalista Natália Amanda (São José dos Campos/SP), a artística plástica Ana Maria Duarte (Sorocaba/SP), a pedagoga Everilda Menezes (Recife/PE), a pintora Soraya Balera (Sorocaba/SP), a professora Maria Sílvia Vannucchi (Sorocaba/SP) e a escritora Márcia Carriel (Sorocaba/SP).

A intenção foi criar um projeto de cunho coletivo que valorizasse escritoras independentes. Levando em consideração que, historicamente, durante um longo período de tempo, as mulheres não tiveram culturalmente, socialmente, intelectualmente e artisticamente o espaço que mereciam ter, o livro foi essencialmente feito por elas. Juliana Vannucchi,organizadora e idealizadora do projeto, comentou a respeito da proposta que moveu essa empreitada cultural: “Nossa intenção foi criar um projeto de cunho coletivo que valorizasse poetas independentes. O Fanzine Brasil preza muito pelo mutualismo, e tem a reciprocidade e a ideologia D.I.Y como grandes valores. São heranças do movimento punk. Que este livro seja inspirador e capaz de purificar os corações dos leitores. Sinto que nossa produção artística é uma espécie de epifania poética”.

Purificação: o medo em versos oferece ao leitor uma teia de meditações acerca do medo, arquitetada em torno de expressões subjetivas das poetisas participantes que mergulharam em seus interiores para buscar intuitivamente aquilo que é indizível a respeito desse sentimento, e depois transformar o indizível em palavras. A psicanalista Natália Amanda, uma das escritoras que participou da produção do livro, destacou a importância do projeto: "Nos últimos tempos, percebemos que vivemos em um mundo acelerado, onde não há tempo para reflexões ou para elaborações sobre a vida e o medo. Este livro oferece uma saída alternativa para o tratamento do sentimento do medo de uma forma poética e curativa, permitindo que cada leitor experiencie essa emoção por meio do seu envolvimento com a leitura, de maneira prazerosa", declarou. 

 

Desde seu lançamento, o material tem atraído a atenção de vários leitores, uma vez que sua abordagem é um tema comum a todos: o medo.

No decorrer do processo de criação do livro, as autoras basearam-se num lema criado por Vannucchi: “A poesia é uma necessidade da alma”. Tendo essa concepção em vista, todas, por meio dos versos que elaboraram, pretendem percorrer os corações dos leitores e enfeitiçá-los com uma verdadeira epifania poética. Em relação ao efeito que espera que o livro gere nos leitores e enfatizando essa ideia da poesia como uma necessidade humana, Everilda Menzes, refletiu: "A poesia é  a palavra que compõe a história das pessoas. Que faz materializar as emoções no verso. Quem redigi o preenchimento do vazio da alma é  a inspiração do poeta e a poesia responde  a todos sem nunca tê-los  visto. A poesia é a palavra  reconhecendo o próprio  dever de existir; pleno, em um mundo de dúvidas. Se sobreviver  é uma forma de continuar existindo... a existência é uma  poesia! Logo, precisamos da poesia pra sobreviver!" 

Ademais, visando apresentar uma experiência estética ampla, além de conter uma série de poesias inéditas, o livro também possui ilustrações autorais exclusivas. Essa elegante combinação entre poesia e pintura, que foi idealizada pelas próprias escritoras, resulta num verdadeiro deleite para todos os amantes da arte, que certamente apreciarão o rico conteúdo oferecido por essa original e caprichada produção literária. Soraya Balera destacou o privilágio e a importância do livro: “O medo, como tema da nossa produção literária, é um poder capaz de transformar os ciclos de nossas vidas. Dar vazão aos sentimentos é, de fato, purificar o medo por meio de versos”.

Atualmente, exemplares do livro circulam por diferentes cidades e estados do país, podendo ser encontrado em livrarias e bibliotecas de São José dos Campos (SP), Sorocaba (SP), Piedade (SP) e Recife (Pernambuco), dentre outras localidades.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

THE PSYCODELHIC FURS: A PODEROSA BANDA DE ART ROCK

Por Juliana Vannucchi

O ano de 1977, na Inglaterra, foi um período particularmente importante e primoroso na história do rock, uma vez que, nessa época, inúmeras bandas punks e pós-punks surgiram e/ou lançaram discos icônicos que até hoje fazem sucesso e são altamente influentes. No meio dessa produção musical massiva, encontra-se o Psychedelic Furs, banda formada na capital inglesa pelo vocalista Richard Butler e seu irmão, o baixista Tim Butler. Ao longo de sua carreira, o grupo lançou um total de oito álbuns de estúdio, sendo o debut em 1980 e o último em 2020. Os irmãos sempre foram o fio condutor da banda, embora a formação original tenha sofrido alterações ao longo dos anos.

O The Psychedelic Furs tomou rumos sonoros muito diversificados no decorrer de sua trajetória e em alguns momentos foi bastante experimental, aspecto que levou a banda, inclusive, a ser categorizada como uma representante do gênero “art rock”. Talvez esse aspecto os tenha afastado dos holofotes porque, ainda que sejam bastante conhecidos entre os fãs do punk e do post-punk, seu sucesso certamente não é o mesmo de outros remanescentes da época, como o The Cure, The Smiths, Bauhaus, entre outros, cuja imagem foi altamente comercial. No entanto, o The Psychedelic Furs merece atenção. A banda é muito original em suas composições e essas mudanças de rota sonora que foram citadas revelam o quanto os membros do grupo eram criativos e habilidosos. Em relação ao significado e à proposta musical do grupo, certa vez, Richard Butler declarou: “Gosto de música que me ajuda a compreender-me, porque quando me compreendo também consigo entender um pouco melhor o mundo lá fora”. Por meio de suas letras, o vocalista procura levar as pessoas a serem mais reflexivas e tem uma postura um tanto crítica em relação à escrita: “Não há nada que eu odeie mais do que bandas que escrevem sobre a vida na estrada, sobre rock na estrada, todas as mulheres que conseguem e todas as drogas e bebidas que obtêm por aí. Não creio que haja algo mais tedioso quanto cantar sobre a posição que se ocupa. Acho que você está realmente ficando sem ideias quando faz isso”. Butler também chegou a contestar as composições líricas de grupos famosos, como The Smiths e Echo & The Bunnymen: “Eles juntam palavras e imagens para parecer poesia, mas na verdade não têm a essência da poesia, e é um tipo de coisa perigosa. Eles afirmam ser influenciados por Rimbaud, Mallarmé e Beaudelaire, mas a meu ver eles estão apenas juntando as palavras e fazendo com que isso pareça poesia. É como se alguém pegasse um pincel e um pouco de tinta, pintasse um monte de caixas e simplesmente chamasse isso de cubismo, sem realmente olhar para o que o cubismo significava, como objetos retratados em três dimensões, apresentados em uma série de planos. Não basta alguém desenhar muitas linhas retas, fazê-las parecerem caixas e chamar isso de cubismo."

 

O Psychedelic Furs é uma banda poderosa, capaz de aquecer qualquer coração e aliviar qualquer alma perturbada.
 

A banda manteve-se firme até os anos noventa, período no qual houve uma cisão que duraria até o início da década seguinte, quando os membros voltaram a reunir-se, chegando até mesmo a fazer uma turnê mundial para celebrar a sua volta. Atualmente, o grupo figura entre os tantos que seguem sendo aclamados pelo que produziram nos anos setenta e oitenta, mas ofuscados por produções populares e comerciais. Butler segue bastante ativo, sendo que recentemente, juntamente com Martin Gore, escreveu a música "Ghosts Again", primeiro single do álbum Memento Mori do Depeche Mode, lançado no início de 2023. O Psychedelic Furs é uma banda poderosa, capaz de aquecer qualquer coração e aliviar qualquer alma perturbada. 

O pai dos irmãos Butler era químico e é descrito como um sujeito comunista e ateu. Nos anos setenta, quase se tornou embaixador científico na União Soviética. A mãe dos meninos era artista. Todos esses elementos tocaram o coração de Richard, que foi o fundador da banda, e influenciaram sua trajetória existencial e musical. Butler estudou e formou-se em artes em Londres. Atualmente, inclusive, ele é um pintor prestigiado e tem suas obras expostas com bastante frequência em diversos locais.

Referência bibliográfica: 

https://www.artistwd.com/joyzine/music/psychedelic_furs/furs.php 

https://www.spin.com/2020/07/richard-butler-on-the-psychedelic-furs-first-album-in-29-years/ 

https://www.nme.com/features/music-interviews/the-psychedelic-furs-tim-butler-david-bowie-pretty-in-pink-2808731

BALLET CLANDESTINO: UMA LENDA DO PÓS-PUNK NACIONAL

 Por Juliana Vannucchi

Em 2012, na capital paulista, despontava a banda Ballet Clandestino, que com o passar dos anos se firmaria como um dos nomes mais significativos do pós-punk nacional. Atualmente, sua formação conta com o brilhante Vinícius Primo, que comanda a guitarra e o vocal, Natan, contrabaixista e vocalista, além de Tyofrey, o talentoso baterista do grupo. A discografia do powertrio é composta por um total de 4 EPs, todos lançados em formato físico, sendo que a mais recente produção, intitulada “Ruído Que Desorganiza”, foi lançada em 2023.

 

Ballet Clandestino: uma banda perigosa ao senso comum e valiosa aos que desejam sair da caverna.
 

Todos os EPs da banda são cativantes e dignos de elogio. As músicas, instrumentalmente falando, são carregadas de pinceladas melancólicas e possuem uma atmosfera predominantemente obscura. As letras, por sua vez, são bastante poéticas, expressam um teor reflexivo e tratam de maneira profunda uma série de conflitos que tangem a realidade humana, como o caos, o absurdo existencial, a solidão, o desespero, dentre outros temas. Além desses aspectos mencionados, as letras também integram críticas sociais e abordagens de cunho político, voltando-se especialmente ao submundo que se oculta por trás do luxo e da correria dos grandes centros urbanos. Devido a tais características, o Ballet Clandestino é uma banda notavelmente singular, emergente das sombras, capaz de envolver sentimentalmente o seu público e, ao mesmo tempo, convidá-lo a contestar a realidade ao seu redor. É um grupo niilista, observador da trágica condição humana, e com uma postura não-conformista, que registra todos esses elementos em seus poemas sonoros. Trata-se de uma banda perigosa ao senso comum e valiosa aos que desejam sair da caverna. Certamente seria um dos grupos presentes na playlist de Lord Byron, que curtiria o som do Ballet Clandestino tomando uma taça caprichada de vinho! Perder-se nas músicas da banda é mergulhar nas profanas e nefastas aventuras que compõem essa estranha vida.

Por toda sua qualidade, o Ballet Clandestino, esse trio ultrarromântico pós-moderno, resiste ao tempo e permanece sendo um cultuado e lendário símbolo do pós-punk nacional, sendo sempre capaz de oferecer ao público conteúdos musicais consistentes e empolgantes.



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