Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

segunda-feira, 14 de março de 2022

UMA CONVERSA COM SIMON RAYMONDE, BAIXISTA DA BANDA COCTEAU TWINS


 Por Juliana Vannucchi

Apoio: Erica Iassuda

O Fanzine Brasil bateu um papo com Simon Raymonde, experiente compositor, lendário baixista da banda Cocteau Twins e músico colaborador do This Mortal Coil. Conversamos sobre a atual indústria musical, sobre sua gravadora independente, a Bella Union, sobre música brasileira e diversos outros assuntos. Confira, comente e compartilhe a entrevista! 

1. Simon, o mundo inteiro está passando por um momento sombrio e tenso. Como você está sobrevivendo e enfrentando essa realidade tão turbulenta?

É preciso encarar tudo isso. Enterrar a cabeça na areia não vai funcionar! Seja lá o que seja colocado diante de mim, eu procuro encarar e sair disso ainda mais forte. Acho que, como músico, você desenvolve naturalmente uma pele mais grossa para viver e agora estou mais velho e creio que isso facilita a minha sobrevivência diante de tudo isso. O que estamos vendo na Ucrânia é um povo incrível, com espírito de independência, de luta pelo futuro de seus filhos e que também simplesmente luta por sua própria liberdade. Isso é algo precioso e que merece valor. Sobreviveremos a essa fase, mas será necessário estarmos juntos.

2. Já esteve no Brasil alguma vez? Você conhece ou gosta de música brasileira? Há muitas bandas independentes boas aqui como "She Is Dead", "Gangue Morcego", "Dennis & o Cão da Meia-noite", "Madreperola", “Quântico Romance”. Essas são excelentes e há muitas outras que eu recomendo!

Sim, eu estive aí nos anos 90 com o Cocteau Twins para fazer dois shows e, na ocasião, conheci pessoas incríveis com as quais tenho amizade até hoje! De vez em quando, as pessoas me enviam nomes de algumas bandas e músicas, mas essas suas sugestões são excelentes e estou ansioso para conhecê-las!

3. Em que momento da sua vida você se reconheceu como artista? Você planejou seguir esse caminho?

Eu não ando por aí pensando “eu sou um artista” e acho que nunca fiz isso – ao menos espero que não tenha feito :), embora a música fosse a única coisa que eu sempre quis fazer, além de ter desejado jogar pelos Spurs! Desde o final dos anos 70, depois de ver The Clash e os Pistols, eu sabia que queria ser baixista e penso que, quando as coisas começam inevitavelmente a desmoronar, você pode ficar sem rumo, mas ter a alegria de poder tocar, escrever e especificamente colaborar com os outros, agora me fez ver o quanto sou sortudo.

4 – Tem algum álbum da discografia do CocteAu Twins que seja o seu favorito? E por acaso há algum do qual você não goste?

Quanto mais o tempo passa, mais as melhores memórias permanecem. Eu sei que nós sempre pensávamos que o Treasure era... bem... um trabalho que talvez pudéssemos ter feito melhor (haha), mas ouvindo o álbum de novo, quase 40 anos depois, percebo que ele tem um som bem estranho e acho que não existem muitas coisas que soem como ele. Esse sempre foi o sonho, não é? Ter seu próprio som! 

Eu amo todos os álbuns agora porque parece que cada um é como um pequeno "diário" de nossas vidas, pelo menos é assim para mim. Sonoramente, com certeza o Heaven Or Las Vegas e o Blue Bell Knoll foram um grande salto para nós em termos do que aprendemos como "produtores", mas todos os outros têm um charme!

5. Na época em que o Cocteau Twins estava gravando Treasure, você imaginava que o álbum seria tão aclamado? O que você sentiu durante a produção deste álbum? E por que algumas músicas são nomeadas com divindades mitológicas/religiosas?

Não, haha, não tínhamos ideia do que as pessoas pensariam e também nunca tivemos interesse nisso. :)Bom, na verdade, se alguém dissesse que não havia gostado, acho que não teríamos esquecido. Na época, nós nos sentimos bastante apressados no final da gravação e, como era nossa primeira vez produzindo um álbum juntos como um trio, havia, é claro, muitas incógnitas. Naquele período, sempre dizíamos à gravadora que tínhamos o álbum pronto para gravar, mas na verdade nós literalmente não tínhamos músicas escritas, demos, nenhum material, embora tivéssemos uma certa confiança juvenil (ou arrogância) que costumávamos usar a nosso favor. E todas as nossas gravações desse álbum foram espontâneas e na maior parte totalmente improvisadas, portanto, se tivéssemos tido um tempo de preparação, isso destruiria todo o sentido, de qualquer maneira.

Mas, claro, ouvindo o álbum agora, posso perceber muita incerteza e, conforme eu disse anteriormente, aquele era um relacionamento totalmente novo para nós, então acho que, de modo geral, fizemos um bom trabalho!

"Entre as pessoas, percebemos divisões não apenas físicas, no sentido de distanciamento, mas também politicamente, mentalmente e filosoficamente falando".


6. Como você descreve a lendária Elizabeth Fraser?

Bem, descrevo com todos os possíveis superlativos que você possa imaginar! A Elizabeth nunca gostou de elogios, mas não hesito em dizer que para mim ela é a melhor. Claro que existem outras artistas incríveis na história da música. E se estamos falando de vocalistas femininas, há várias, como Nina Simone, Mahalia Jackson, Aretha Franklin, Dusty Springfield, Kate Bush, PJ Harvey, Patti Smith e a lista continua, porém, eu não consigo pensar em uma vocalista que possa alterar minhas emoções de maneira tão profunda quanto ela consegue. Conhecendo a Elizabeth e sua história, e sabendo aonde ela vai quando canta, talvez não seja tão difícil de entender o que quero dizer. Mas sim, ela é absolutamente maravilhosa, um tipo verdadeiramente único.

7. Qual foi o show mais memorável que você já fez com o Cocteau Twins? E qual é a sua melhor lembrança do período em que tocou com a banda?

O show mais memorável talvez tenha sido um que fizemos na Suécia, provavelmente em 1984, num clube lotado na cidade de Orebro. Estávamos tocando quando, de repente, a Elizabeth simplesmente se virou, saiu do palco no meio da primeira música e nunca mais voltou!

As melhores lembranças são sempre de quando eu estava gravando os vocais da Elizabeth em LPs como o Milk and Kisses, e, enquanto agia de forma completamente tranquila e destemida em tais momentos, sentia-me perpetuamente abençoado, como se tivesse acabado de conversar com um ser supremo! Haha.

8. Como você descreve o álbum "Milk & Kisses" e como era a atmosfera da banda na época em que o gravou?

Surpreendentemente, a atmosfera era ótima. No geral, foi uma boa experiência e provavelmente um bom momento para me aposentar, mas talvez ouvindo agora, eu possa perceber que definitivamente há falhas. Em termos de mixagem, não acho que a produção é a melhor, porém, certamente não é um disco ruim! Fazendo uma retrospectiva, se você olhar muito para trás, pode começar a reescrever a história, então não costumo pensar muito no passado, a não ser quando faço entrevistas como esta! Porém, talvez, olhando para trás agora e pensando no propósito disso, eu diria que deve ser muito estranho para um casal que ficou junto por um longo período e depois se separou continuar trabalhando junto. Mas isso apenas mostra o quanto a música era importante para todos nós, não apenas por sermos um grupo, mas individualmente também e, talvez, tenha sido muito difícil nos afastar disso, pois era algo que todos nós amávamos profundamente.

 

"Nunca foi tão fácil como é agora, em 2022, ser criativo e livre para fazer suas próprias coisas, sem a necessidade de vínculos com corporações ou obrigações contratuais".


9. Quando o Cocteau Twins decidiu se separar, você tinha uma ideia clara do que queria fazer e de como iria seguir?

Não, absolutamente não. Porém, eu sou uma pessoa positiva e, por isso, não gosto de me debruçar sobre aspectos negativos por muito tempo. Então, levando em conta que naquela época tínhamos acabado de começar a gravadora Bella Union, eu me joguei de vez nessa empreitada e... bem, ainda estou fazendo isso vinte e cinco anos depois, portanto acho que deve ter sido uma ideia relativamente boa!

10. Como foi a experiência de participar do This Mortal Coil? Essa também é uma banda muito peculiar e única, da qual músicos muito talentosos – como você- participaram. 

De modo geral, foi uma boa experiência, embora bastante estranha. Se você olhar para as notas dos encartes e se atentar aos nomes dos músicos participantes do projeto, pode imaginar que se tratava de um monte de amigos reunidos dentro de um estúdio de gravação, só que infelizmente não era nada disso. Eu, que estive muito envolvido nos dois primeiros álbuns, estava frequentemente no estúdio, só que normalmente ficava lá apenas com o Ivo e com o Jon Fryer, embora nessas ocasiões eu tenha escrito alguns trechos musicais legais porque o Ivo, na verdade, não era um músico propriamente dito, então eu acho que ele estava apenas utilizando sua amizade com todos nós para que pudesse trazer ao mundo as canções que tinha em mente. Foi um projeto interessante e me sinto muito feliz por ter feito parte dele.

11. Vivemos um momento peculiar e esquisito em que nos encontramos em meio a  uma pandemia, crises econômicas e sociais etc. Como você acha que esse conjunto de situações afetará futuras produções e movimentos culturais? Como produtor musical, como você encara esse momento?

Já pudemos ver o impacto de tudo isso nos últimos dois anos. Entre as pessoas, percebemos divisões não apenas físicas, no sentido de distanciamento, mas também politicamente, mentalmente e filosoficamente falando. Essas divisões parecem estar mais amplas do que nunca e, logicamente, isso cria focos de oportunidades para os artistas criarem algo muito especial. Contudo, sinto que estamos muito longe de onde precisávamos estar como indústria e como nação aqui no Reino Unido e, claro, globalmente também. Parece que o desastre iminente está apenas a um simples piscar de olhos. 

Às vezes, sentimos que algo catastrófico precisa acontecer antes que uma verdadeira mudança revolucionária ocorra, porque eu tenho esperado por uma revolução profissional, cultural e política há muito tempo, e ela simplesmente nunca chega. Continuamos repetindo a história várias vezes e cometendo os mesmos erros também várias vezes. Felizmente, a música é a maior de todas as drogas e podemos nos perder nela e usá-la como um veículo de mudança. Esse é o meu mundo e eu acredito no seu poder.

12. Você acredita que é possível um artista ser livre e criativo mesmo fazendo parte da indústria da música?

Com certeza. Nunca foi tão fácil como é agora, em 2022, ser criativo e livre para fazer suas próprias coisas, sem a necessidade de vínculos com corporações ou obrigações contratuais. Atualmente, você, literalmente, pode fazer o que quiser e, se tiver paixão por isso e, claro, pouca ou muita sorte ao longo do caminho, poderá fazer exatamente o que quiser e, além disso, também ter sucesso!

13. Há alguma banda que você está ouvindo atualmente que todo mundo deveria estar ouvindo também?

Bandas novas? Eu amo Mango, Genn, Golden Dregs, Penelope Isles, Pom Poko, Sophie Jamieson, Rachel Aggs, Pillow Spiders, Blue Luminaire, Warmduscher, C Duncan, Laura Groves e várias outras...

 



domingo, 20 de fevereiro de 2022

11 PERGUNTAS PARA RAT SCABIES: CONVERSAMOS COM O BATERISTA DO THE DAMNED

 Por Juliana Vannucchi

O The Damned é uma da bandas mais queridas e aclamadas dos anos oitenta. Além de o grupo marcar presença nos primórdios do punk rock londrino e cravar o nome nessa cena cultural, muitos consideram que ele é o precursor do rock gótico, tanto pela sonoridade de alguns álbuns quanto pelo visual do vocalista Dave Vanian. Confira abaixo o bate-papo incrível que tivemos com Rat Scabies,  um dos fundadores da banda.

1. Por favor, conte-nos um pouco sobre sua carreira musical. Como você aprendeu a tocar bateria?

Aprendi a tocar sozinho depois de me apaixonar pela sonoridade do instrumento – uma vez eu ouvi alguém tocando no rádio, não sei quem era, e isso nem ao menos importava, mas o fato é que foi esse  som que me fisgou. Depois de alguns anos tocando em bandas locais e tentando encontrar músicos que compartilhassem a mesma energia e atitude que eu tinha, acabei conhecendo o Brian James e, depois disso, o Damned foi formado.

2. Há alguma música em particular que tenha sido gravada por outro artista e que você gostaria de ter composto?

Sim, White Christmas.

3. O que você busca na hora de comprar um novo kit de bateria? Você se atenta mais ao tipo de madeira ou se preocupa mais com a marca?

Eu sempre escolho um kit que tem uma boa reputação, é bem feito e parece legal. Existem muitas maneiras variadas de afinar um kit e também vários tipos diferentes de peles de bateria que a madeira da qual as conchas são feitas mal parece ter importância, mas decidir manter um kit é outra decisão, que eu tomo com base no som, jogabilidade e aparência..

4. Qual foi o show mais marcante que você já fez em toda sua trajetória?

Foi o The Amnesty International Festival Of Youth, no Milton Keynes Bowl, no dia 19 de junho de 1988, quando o Joey Ramone subiu no palco com o Damned para um bis e cantou a clássica Blitzkreig Bop com a gente. 

"Dave Vanian foi o gótico original, muito antes de existir uma subcultura gótica".

5. Qual é a melhor memória que você tem das gravações do álbum"Damned, Damned, Damned”?

Lembro de tomar cidra, comer kebab e me surpreender com um som tão grande de um espaço tão pequeno. Além disso, me recordo que sempre havia vários palitos de pirulito colados nos faders da mesa de mixagem.

6. Tem algum álbum do The Damned que seja o seu favorito?

Hmm, tem vezes em que eu odeio todos eles e momentos em que me pergunto por que não os escuto todos os dias.

7. Como você define o punk rock?

Eu não sei, mas se eu tivesse que dizer alguma coisa, diria que não se trata de roupas ou penteados, mas é a atitude que conta.

8. Como você descreve o "Phantasmagoria"? Muitas pessoas costumam dizer que esse álbum é um clássico gótico. Como era a atmosfera da banda no período dessa gravação?

Foi um período emocionante para a banda, nós usamos roupas engraçadas e penteados bonitinhos, mas nunca nos propusemos a mudar quem éramos apenas por causa da imagem. Além disso, Dave Vanian foi o gótico original, muito antes de existir uma subcultura gótica.

Rat Scabies: um dos maiores mitos do post-punk

9. Qual é a história por trás da faixa "Is It a Dream?”

A música foi escrita em memória do falecido pai de Roman Jugg. O Roman sempre expressou seus sentimentos através de sua música e esta foi a mais sincera que ele já fez.

10. Qual foi o estúdio mais estranho em que você já esteve?

Provavelmente o Wessex Studios em Londres, que era uma antiga igreja com um fantasma nas vigas e a gravação do The Clash ao lado.

11. Você está trabalhando em algum material no momento? Planos para o futuro?

Estou trabalhando no segundo álbum do Sinclair (que não tem título ainda) e também num álbum com One Thousand Motels, que será lançado em breve. Além disso, acabei de conversar com o Professor And The Madman sobre gravar mais algumas músicas com eles, junto com outro Spammed disco (uma banda beneficente formada com o Horace do Specials) e, claro, há também os shows do Damned em outubro. Nos meus dias de folga continuarei minha busca pelo Santo Graal.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

"PARA VIVER DE MÚSICA É IMPORTANTE ESTAR ATENTO A TODAS AS OPORTUNIDADES": UM PAPO COM EDUARDO DOLZAN

 Por Juliana Vanncchi

O protagonista da vez no nosso site é Eduardo Dolzan, talentoso baterista brasileiro que atualmente reside em Londres. Em sua vasta bagagem, carrega mais de 17 anos de experiência em shows e sessões de gravação, tendo se apresentado em inúmeros festivais importantes e também em programas de emissoras como MTV,  Multishow e outros.

1. Eduardo, seja muito bem-vindo ao Fanzine Brasil! Estamos felizes em recebê-lo aqui. Eu te conheci através do Jamie Perrett, então aproveito para perguntar como foi a experiência de subir aos palcos com um músico tão brilhante como ele.

O prazer é todo meu, agradeço muito o convite! A experiência com o Jamie tem sido incrível! Na verdade, começamos a tocar juntos na metade de 2021, então é bem recente, mas sinto que temos uma ótima conexão. Além de ser muito criativo, pessoalmente ele é muito tranquilo e gentil, assim como toda a família dele.

2. Além do Jamie, sei que você também já tocou com outros músicos notáveis, né? Poderia citar alguns desses artistas com os quais já dividiu palcos e estúdios? Aliás, é admirável que tenha tocado com a lendária banda Júpiter Maçã! 

É até difícil lembrar, toquei com muita gente. Mas acho que, enquanto estava no Brasil, tive ótimas experiências, toquei com Júpiter Maçã por muitos anos, Wander Wildner, Identidade (que foi minha primeira banda) e muitos outros. No Reino Unido, tive oportunidade de tocar no Glastonbury e de gravar no Abbey Road com diferentes artistas. Como faço muito trabalho como músico contratado, acabo tendo experiências com várias bandas e artistas solo em muitos lugares. De artistas autorais, além dos trabalhos que faço eventualmente com muitos músicos, aqueles com quem toquei mais tempo foram The Bloom, Rina Green, Fergusons e mais recentemente Chintzy Stetson e com o Jamie.

3. Você se lembra quando tocou bateria pela primeira vez? Como esse instrumento entrou no seu caminho? 

A primeira vez que toquei foi em um kit que um amigo um pouco mais velho tinha, lembro-me de não ter conseguido tocar nada, o que na época me decepcionou um pouco, achei que nunca seria capaz de tocar bateria. Desde quando eu tinha uns nove, dez anos de idade a bateria sempre me fascinou, não sei muito por que, não tive influência de ninguém nesse sentido, apenas sabia que esse era meu instrumento.

4.  Em que momento da sua vida você percebeu que a música seria uma profissão?

Acho que quando a minha primeira banda assinou com um selo pela primeira vez. Nessa época eu tinha dezoito anos recém feitos.

5. Qual foi o primeiro kit de bateria que você teve e qual você usa agora?

Meu primeiro kit era de uma marca brasileira que nem sei se existe mais, chamava-se Roll Star, era terrível haha, mas na época o acesso para instrumentos musicais melhores era bem difícil, até porque eu morava no interior do Rio Grande do Sul. Tive vários kits diferentes depois disso, um Ludwig, que foi um dos meus preferidos, e que vendi antes de me mudar para Londres. Hoje em dia tenho um Premier dos anos 60.


"A vida de músico é difícil em qualquer lugar. Claro que acho que talvez aqui existam algumas oportunidades diferentes, mas acredito que muito músico no Brasil ainda não entende como encarar isso como uma profissão (...)" 

 

6. Qual foi o maior desafio da sua carreira musical até o momento?

Manter o pensamento positivo em momentos com menos demanda de trabalho.

7. Eduardo, o FZN Brasil frequentemente me coloca em contato com inúmeros músicos brasileiros da cena underground que enfrentam diversas dificuldades por estarem à margem da grande indústria. Como é a vida de um músico independente na Inglaterra? Aqui, é difícil se manter financeiramente com essa atividade... e há outros incontáveis obstáculos além desse...

A vida de músico é difícil em qualquer lugar. Claro que acho que talvez aqui existam algumas oportunidades diferentes, mas acredito que muito músico no Brasil ainda não entende como encarar isso como uma profissão, o que significa tocar em todas as ocasiões possíveis para se manter financeiramente. Aqui muitos músicos que tocam com artistas consolidados também tocam em bandas cover, as chamadas ‘function bands', em eventos como casamentos ou então dando aula de música em escolas. Eu faço isso também, e aqui, diferentemente do Brasil, o mercado é muito bom e ninguém se sente mal por fazer isso. Eu me lembro de que no Brasil sempre tinha essa coisa "Autoral X Cover", como se fosse algo absurdo fazer os dois (espero que isso esteja diferente hoje em dia). Claro que entendo a situação brasileira, afinal a maior parte da minha carreira foi aí, mas para viver de música é importante estar atento a todas as oportunidades.

8. Desde 2020, todos os continentes do globo estão vivendo um período delicado e preocupante. Como foram esses dois últimos anos para você?

Foi um período bem estranho, como se pode imaginar, muita preocupação com o que estava acontecendo, principalmente vendo a situação do Brasil. Profissionalmente, acredito que foi a primeira vez desde meus doze anos de idade que passei tanto tempo sem tocar ao vivo. Por outro lado, pude focar em aprender coisas novas por ter mais tempo disponível. A partir de junho de 2021, quando as coisas realmente abriram por aqui e os shows voltaram a acontecer, tive sorte de ter muito trabalho, o que me ajudou bastante a superar o que aconteceu antes.

 

"Acredito que conquista tem mais a ver com as experiências que vivo do que com sucesso"

9. Como você descreve o atual mundo em que vivemos? E quais são suas projeções para o futuro da humanidade?  

Eu vejo com um pouco de desconfiança, por mais que queira que tudo fique bem o mais rápido possível. Infelizmente, a internet não está sendo usada de uma forma muito inteligente, o que me faz pensar que estamos regredindo em muitos aspectos, e que talvez ainda levemos anos para recuperar o que está sendo perdido.

10. Como está sendo sua carreira musical no momento e o que você projeta para 2022? 

No momento tudo está indo bem! Já tenho uma boa agenda de shows para 2022 e quero acreditar que tudo vai ficar ainda melhor, em todos os sentidos.

11. Até o momento, qual foi sua maior conquista como músico profissional?  

Acredito que conquista tem mais a ver com as experiências que vivo do que com sucesso: tocar com músicos de diferentes países, estilos diferentes, poder viajar e conhecer lugares e culturas novas. A experiência de vida que tudo isso traz não tem preço.

Links oficiais:

Site:
https://eduardodolzan.wixsite.com/drummer

Instagram:
https://www.instagram.com/eduardodolzan/

YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCD4Fdj6oIaxP9RenEC61qgQ

sábado, 22 de janeiro de 2022

CINCO COISAS QUE VOCÊ NÃO SABE SOBRE O ÁLBUM SOLO DE SIOUXSIE SIOUX

 Por Juliana Vannucchi

O Mantaray, lançado em 2007, é o primeiro e único álbum solo da ex-vocalista dos Banshees. Gravado em Bath, a produção contou com a participação de onze músicos, além da própria cantora. De modo geral, o álbum divide a opinião de fãs e críticos que, para analisá-lo, costumam compará-lo com a discografia dos Banshees e do The Creatures. Contudo, devemos levar em conta que esse tipo de comparação é um tanto injusta, pois as linhas musicais, as inspirações e as texturas dessas bandas são outras. O Mantaray, musicalmente falando, carrega influências de vários gêneros musicais distintos e liricamente é bem sentimental, introspectivo e um tanto enigmático. Sendo assim, foi um grande acerto de Siouxsie, que sempre se manteve em alta nas suas produções musicais. Confira a seguir uma série de cinco curiosidades a respeito do álbum e não se esqueça de compartilhar o texto e deixar seu comentário!

1. ARRAIA!

“Mantaray” significa “arraia”. Segundo a cantora, foram os músicos Steve Evans e Charlie Jones que colaboraram com a produção e escolheram esse nome. Numa entrevista, Siouxsie revelou que a sonoridade do álbum teve reflexos na escolha do título. De acordo com a vocalista, “como os sons do álbum são muito diversos, precisávamos de um título abstrato”.

Ainda em relação a esse aspecto do disco, Siouxsie declarou, de maneira reflexiva: “Eu amo o oceano. Sempre gostei do azul, tão tranquilo, pacífico e deslizante. E o medo dele. Lembro-me de que certa vez, por volta dos dezesseis anos, eu estava de férias na Espanha, e o pessoal bebeu e quis nadar à noite, e as ondas vinham em minha direção no escuro, quase como óleo. Nadando assim, você não pode ver seu corpo e parece que há algo espreitando por baixo. Meus sonhos são de água. E meus pesadelos também”.

2.COMO O DREAMSHOW INFLUENCIOU O MANTARAY:

Após o notável sucesso do Dreamshow, a Universal ofereceu a Siouxsie um contrato com a gravadora W14, que era nova nessa época. Em relação a isso, a vocalista fez uma brincadeira, dizendo: “Pelo menos eu não precisei pedir a alguém para pintar meu nome na frente do prédio da Universal”. A piada foi uma alusão a um fato ocorrido em 1978, nos primórdios de sua carreira musical, quando algum fã, querendo que os Banshees deslanchassem no mercado musical, pichou a frase “Sign the Banshees, do it now", no muro da Polydor.

3. SIOUXSIE SEMPRE QUIS GRAVAR UM ÁLBUM SOLO?

A cantora, em mais de uma ocasião afirmou que adorou a experiência de produzir o Mantaray e que se divertiu muito nessa empreitada. Siouxsie, numa entrevista concedida a Mojo, revelou que sentiu quando o momento certo para a produção de um álbum solo chegou, e que com o Banshees não havia contexto para isso: “Acho que sempre resisti porque tinha medo de ter mais atenção do que dentro da banda”.

Ela também comentou que quando lançou o Mantaray, havia uma certa expectativa pelo que ela já havia construído em sua carreira, mas que sempre se sentiu firme e confiante em relação ao álbum: “Não vejo sentido em agradar as pessoas, a menos que você esteja agradando a si mesmo primeiro. Mas há muitas pessoas que colocam os outros antes de si mesmas, porque desejam ser queridas por todos. Se é isso que os deixa felizes, ótimo. Mas não acho que valha a pena”.

 

Lançado em 2007, o Mantaray divide a opinião dos fãs. O que você acha do álbum?


4. O “CORAÇÃO DO ÁLBUM”:

De acordo com Siouxsie Sioux, “Sea Of Tranquility” é uma canção reflexiva que ela considera como sendo “o coração emocional do álbum”. Em relação a essa faixa, contou numa ocasião: "Foi inspirada tanto no fundo subaquático como no espaço profundo, o futuro com um sentimento orgânico."

5. SERIA O MANTARAY UM DESABAFO EM RELAÇÃO AO DIVÓRCIO?
 

Siouxsie e Budgie estiveram casados durante pouco mais de vinte anos e a relação chegou ao fim em meados dos anos dois mil. A maior parte dos fãs garante que o divórcio influenciou as letras que, de fato, são bastante sentimentais. Entretanto, Siouxsie já afirmou que muitas letras do Mantaray foram escritas antes do divórcio. Ela refletiu: “Mas então eu suponho que o divórcio não acontece da noite para o dia e talvez as sementes para isso estivessem subconscientemente germinando de qualquer maneira. Acho que é mais uma reação ao ponto em que estou agora, não o que me trouxe até onde estou".

Referências:

https://prince.org/msg/8/241485

http://www.thebansheesandothercreatures.co.uk/

https://www.youtube.com/watch?v=4w72OZPzRiM

https://en.wikipedia.org/wiki/Mantaray_(album)
 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

MICHAEL HUTCHENCE: CONHEÇA A VIDA DO ASTRO DO INXS

 Por Juliana Vannucchi

Era 22 de novembro de 1997. O telefone do australiano Kell Hutchence tocou. Do outro lado da linha, um jornalista pedia um depoimento sobre seu filho, Michael Hutchence. Kell estranhou o contato e, de início, não compreendeu o teor da ligação. Ele não sabia que o filho havia falecido e foi através desse telefonema que tomou conhecimento de que Michael havia morrido asfixiado aos 37 anos.

Não demorou muito para que a notícia da morte do sex symbol se espalhasse pelos meios de comunicação do mundo todo, pois o INXS bombava nos anos noventa. A imprensa britânica afirmava que Michael tinha morrido por hipoxifilia, ou asfixia erótica, um fetiche que causa excitação sexual em ser sufocado. Essa lenda acompanhou a história de sua morte durante muito tempo e chegou a ser considerada uma versão oficial. A autópsia, entretanto, não apontava a prática de relações sexuais, mas identificou substâncias como Prozac, cocaína e álcool presentes no corpo de Michael. Afinal, o que tirou sua vida? Qual é o valor do legado musical do INXS? Para tentarmos responder a essa questões, vamos nos deslocar no espaço e no tempo…

A trajetória de vida do vocalista começou em 22 de janeiro de 1960, na Austrália. Seus pais eram Kell Hutchence, um empresário bem-sucedido de Sydney, e uma maquiadora chamada Patricia Glassop.


O punk rock perdia um pouco de sua força justamente quando o INXS conquistou sua ascensão, em meados nos anos oitenta.

Devido à carreira profissional do pai, a família mudou-se de Sydney para Brisbane e depois migrou para Hong Kong. Essa época representou um período importante na vida de Michael, pois foi quando ele começou a escrever poesia e mostrar afinidade com o universo musical, tendo cantado sua primeira música numa loja de brinquedos local. Mais tarde, em 1972, retornou com a família para a capital australiana e foi nesse período, em sua adolescência, que Michael conheceu Andrew Farriss e seus irmãos, com os quais começou a tocar músicas numa garagem. Farriss tinha uma banda chamada Doctor Dolphin, e Michael se juntou ao grupo. Posteriormente, o futuro vocalista do INXS mudou-se novamente de cidade, embora não muito tempo depois tenha retornado para Sydney. Em 1977, juntou-se com o colega Andrew Farriss numa nova banda, chamada Farriss Brothers. Em 1979, mudaram de nome e passaram a se chamar INXS. A partir daí, a história da banda simplesmente decolou. O punk rock perdia um pouco de sua força justamente quando o INXS conquistou sua ascensão, em meados nos anos oitenta. Na década seguinte, o grupo australiano permaneceu ativo no cenário global, lançando materiais qualificados, embora alguns críticos tenham começado a criticar desaprovar duramente as produções da banda lançadas nesse período.

 

Através de suas músicas, Michael continua levando luz à vida de milhares de pessoas. Ele presenteou o mundo com seu talento, e isso simplesmente não se apagará.  

Entretanto, foi justamente nos anos 90 que algo mudou a vida de Michael. Em 1992, o vocalista do INXS se envolveu numa briga com um motorista de táxi que o jogou no chão, fazendo com que ele batesse a cabeça. O incidente causou uma fratura em seu crânio. Helena Christensen, que era sua namorada na época, diz se recordar de ver o parceiro inconsciente e caído no chão na rua, enquanto sangue saía de sua boca e ouvido. Ele foi levado ao hospital, mas se recusou a receber tratamento. Teve muitas dores de cabeça e perdeu o olfato e o paladar. Mas esses não foram os únicos danos. Depois desse episódio, muitas pessoas próximas relataram que a personalidade do músico australiano mudou. Irritabilidade e descontrole se tornaram frequentes.

Cinco anos mais tarde, Michael foi encontrado morto num quarto do Hotel Ritz Carlton. Na noite anterior, havia jantado com o pai. Segundo o documentário “Mystify”, a autópsia mostrou que havia grandes danos em áreas de seu cérebro. Havia indício de suicídio e, atualmente, essa é considerada a causa de sua morte. A cerimônia de seu enterro, realizada na Catedral de St. Andrew no dia 27 de novembro, foi transmitida ao vivo. Fãs e amigos,  incluindo Nick Cave, estavam presentes. A cerimônia ainda pode ser vista na íntegra no YouTube.

Através de suas músicas, Michael continua levando luz à vida de milhares de pessoas. Ele presenteou o mundo com seu talento, e isso simplesmente não se apagará.

Nosso site conversou com Nilton Vieira, da Rádio Alternativa Rock, que refletiu sobre a importância do legado deixado pelo vocalista do INXS: "Michael Hutchence é um daqueles artistas únicos, insubstituíveis e inesquecíveis. Era talentoso, tinha muita presença de palco e uma voz marcante.  Enfim, quem diria que aquele menino tímido seria um dos maiores artistas dos anos 90 e de toda a história? O INXS até tentou se manter sem ele, mas nunca conseguiu seguir em frente. Aliás, esse foi o erro: a banda teria que fazer tudo diferente, pois fazer igual sem o Michael nunca daria certo. O álbum que marcou minha vida foi o “Welcome to Wherever You Are”, de 1992, no qual destacam-se músicas como “Heaven Sent”, “Baby Don't Cry” e “Beautiful Girl”. “Baby Don't Cry” ainda tinha um clipe que me deixava apavorado, pois tinha cobras e aranhas, e tenho pavor desses animais, mas mesmo assim gostava da música, então não deixava nunca de assistir ao videoclipe. Eu tinha esse álbum em fita K7 e depois também tive em vinil. Michael Hutchence deixou muita saudade e ficará para sempre em nossos corações e mentes, por- que apesar do suicídio, as coisas boas que ele fez marcaram muito mais do que os erros. Afinal, quem não erra?".

Referências: 

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/film/2019/oct/07/what-killed-michael-hutchence-how-far-does-the-rock-doc-need-to-go-in-2019-mystify-michael-hutchence

https://www.theguardian.com/music/2018/sep/26/his-personality-changed-michael-hutchences-sister-on-his-traumatic-brain-injury

https://www.google.com.br/amp/s/brasil.elpais.com/brasil/2019/10/14/estilo/1571057141_244608.html%3foutputType=amp


A MELHOR ENTREVISTA DO MUNDO

 Por Juliana Vannucchi


Para fechar o mês de novembro com chave de ouro no Fanzine Brasil, nosso site conversou com Mau Carlakoski, talentoso vocalista da banda She Is Dead. Refletimos sobre o mundo pós-pandêmico e seus reflexos sociais, conversamos sobre as novidades e planos da banda e muito mais. Confira, deixe seu comentário e compartilhe a entrevista para fortalecer a cena underground.


1. Mau, seja bem-vindo ao Fanzine Brasil. É sempre uma honra ter você aqui conosco. Eu gostaria que você comentasse a respeito de como está sendo o ano de 2021 para a She Is Dead. 

É uma super honra estar aqui falando com vocês novamente também! Gostaria de mandar um super abraço especial ao público do Fanzine Brasil, que sempre nos acolheu de uma maneira muito querida e atenciosa. 

O ano de 2021 foi o ano mais importante para a banda, até agora, mesmo sendo apenas o segundo ano de atividade. Este foi o período em que a gente lançou o primeiro álbum, foi o ano em que lançamos também os principais vídeos e que assinamos com o selo Electric Funeral Records. Agora estamos trabalhando o terceiro single do segundo disco, temos shows em São Paulo, shows em Curitiba... Ufa! Tem sido um ano muito intenso e estamos trabalhando bastante em material novo para o ano que vem.

2. Recentemente vocês voltaram a se apresentar ao vivo. Como foi voltar aos palcos depois de tanto tempo?

Foi fantástico! Estar mais de um ano fora dos palcos, mesmo produzindo material, vídeos e gravando não se compara ao momento de um show, ao fato de estarmos com o nosso público, trocando energia com ele. Esses detalhes fazem toda a diferença para a banda, poder novamente pôr o equipamento num ônibus, descer em uma rodoviária e falar: "Meus amigos, esta vai ser a nossa cidade nas próximas horas”. Isso realmente não tem preço.

3. Em termos gerais, isto é, levando em conta o contexto político, econômico, social, cultural etc., como você compara o ano de 2020 com o de 2021? Sinceramente falando, as pessoas me pareceram bem mais deprimidas e decepcionadas neste último ano...

Não tinha como ser diferente, pois perdemos muito e muito e muiiiito de dois anos para cá. Vidas, histórias, futuros, planos, muita coisa ficou no caminho em razão da pandemia, famílias inteiras se foram e isto é muito triste e deixará marcas por muitos outros anos.


4. Como acha que vai ser o mundo pós-pandêmico? Que marcas a pandemia deixará no meio artístico e cultural de nosso país?

Eu espero que as pessoas tirem lições deste período tão complicado. Lições não para odiar e duvidar de tudo, mas sim para voltar a ver seu próximo com respeito e valorizar o coletivo, pois atualmente vivemos num período de egoísmo social, no qual há bolhas dentro da sociedade. Isso precisa acabar e temos que voltar a pensar em sermos solidários e presentes na vida um do outro, respeitando suas crenças e individualidade de uma maneira positiva e agregadora.

(...) somos uma banda do povo, porque aqui o que vale primeiro é a emoção verdadeira, real e transparente.

5. Gostaria que comentasse um pouco a respeito da nova faixa da banda, a “Runaway Sun”. Qual é a mensagem que a banda passa através dessa música?

Runaway Sun eu fiz para o meu amigo Alessandro Santiago, meu parceiro e irmão destes últimos anos. Fala de amizade, sobre colocar o pé na estrada mesmo sem saber muito bem aonde ela vai te levar, fala de amizade sincera acima de tudo. 

6. Em poucas palavras, diga para nós: por que alguém deve escutar a banda She Is Dead?

Porque somos uma banda do povo, porque aqui o que vale primeiro é a emoção verdadeira, real e transparente. Nós gostamos das pessoas e não só de certas pessoas, o que vale na nossa mensagem é inclusão, respeito e diversão.

7. Neste ano vocês também lançaram o “Story Of Lies”. Como você descreve esse álbum e como o compara com as produções lançadas anteriormente pela banda?

Estamos no terceiro single do segundo álbum conforme foi dito anteriormente. Neste disco há muito ódio, muito rancor, muita desilusão, ele tem a mentira como tema central. No segundo disco tudo ficou mais leve, foi nosso momento mais feliz até agora na hora de compor e espero que fique assim, já sofri demais nesta vida (risos).


"Acho que tudo foi o que seria e se não foi é porque não era para ser, guardo meus amores e sabores (...)" - Mau Carlakoski


8. Se amanhã mesmo a banda She Is Dead pudesse tocar em qualquer país do planeta, para onde gostaria de ir?

Gostaria de tocar antes de tudo nos países da América do Sul, para conhecer mais da cultura dos nossos vizinhos. Tenho muita fé que em 2022 estaremos lá!

9. Há sempre uma enorme discussão a respeito de qual é a melhor banda punk do planeta e, geralmente, as pessoas costumam colocar três grupos lendários nesse debate! Agora jogo uma banda em suas mãos: quem você escolheria para abrir um show de vocês: Sex Pistols, Ramones ou The Clash? 

Pergunta difícil (risos), porque nas três bandas citadas não existe uma coesão de amizade. No The Clash era um contra três, o Ramones era cada um por si e o Sex Pistols, bom o Sex Pistols... se fosse no final dos anos 70 anos, nós e eles, nem teria show, então minha escolha seria um rolê com o Sex Pistols, que seria muito mais divertido como experiência. Agora, se as bandas iriam aparecer para o show... Ah, isto seria difícil de dizer (risos).

10. Qual modelo de guitarra você usa e quais são seus pedais favoritos?

Eu uso uma Fender Jazzmaster com captação Seymour Duncan SJM2N. Meus pedais são um Proco Rat Distortion, um Boss over drive, um Boss Digital Reverb, um Chorus e um Delay.

11. Mau, se você encontrasse uma máquina do tempo e pudesse usá-la para reviver um momento de sua vida apenas mais uma vez, que momento seria esse? O que desejaria reviver? Já sei: você voltaria para o dia em que me conheceu (risos)!!!! 

Eu não gostaria de reviver momentos, tudo acontece de uma maneira tão peculiar na minha vida que não seria boa ideia reviver algo (risos). Acho que tudo foi o que seria e se não foi é porque não era para ser, guardo meus amores e sabores no décimo andar da minha mente, mas deixei a chave por aí.

12. Agora, para encerrar, quero fazer um bate-bola com você e com os outros membros da banda. Preciso que o time todo entre em campo para responder às questões abaixo:

a) Time do coração: 

 Mau: O Ricardo não curte futebol. O Kim é athleticano e eu sou Paraná Clube.

b) Melhor show ao vivo a que já assistiu:

Mau: Teenage Fanclub.

c) Uma música que faz você chorar: 

Kim: Não Adianta - Trio Mocotó. 

Mau: (Sittin' On) The Dock Of The Bay - Otis Reding.

d) Uma banda que todo mundo curte, menos você: 

Kim: Ramones.

e) Um recado para os corações partidos: 

Mau: Amor é aquilo que faz da sua vida...uma coisa melhor, ou soma ou some.

f) Se você encontrasse Deus e pudesse fazer uma única pergunta a ele, o que perguntaria? 

Mau: Quando vai acabar? E se eu preciso levar...mais um pouco de mim.



terça-feira, 9 de novembro de 2021

A POESIA DE JIM MORRISON

 Por: Juliana Vannucchi

Em meados do inverno de 2021, o Fanzine Brasil iniciou um projeto cultural audacioso cujo objetivo era apresentar ao público brasileiro algumas das inúmeras poesias escritas por Jim Morrison. Para compartilhar os escritos do vocalista do The Doors com o público, Juliana Vannucchi, editora-chefe do site, optou pela gravação da leitura de uma série de poesias selecionadas: "Sempre nutri um enorme interesse pelo trabalho artístico do Jim e  por sua persona. É relativamente raro encontrar poesias dele em língua portuguesa, e em julho deste ano fui presentada com uma edição bilíngue de seus poemas. Fascinada com o livro e levando em conta essa mencionada dificuldade de encontrar suas poesias disponíveis, pensei que seria valioso se convidássemos algumas pessoas para gravarem seus textos. Foi dessa maneira que o projeto nasceu". A partir disso, a ideia começou a ser gradualmente estruturada. Primeiramente, o músico e radialista Sidan Rogozinski, vocalista da banda Madreperola, foi convidado para editar as gravações e, na sequência, a proposta foi apresentada a músicos nacionais e internacionais de renome, que foram cuidadosamente convidados para colaborar com o projeto, visando assim gravações bilíngues que apresentam, portanto, as poesias originais em inglês e suas respectivas versões traduzidas. Em relação ao processo criativo, Rogozinski comentou: “Fique feliz com o convite. Acho que muitas pessoas conhecem e gostam de The Doors, mas desconhecem esse legado poético do Jim. A proposta desse projeto me cativou desde o início. Foi interessante contar com a participação de tantos artistas talentosos do Brasil e do exterior que gravaram áudios em português e em inglês. Tanto a edição quanto a gravação foram experiências valiosas”.

 

 

O processo de gravação, compilação e edição do material durou aproximadamente três meses, e é com imensa honra que hoje divulgamos para os nossos leitores o resultado dessa iniciativa. Em relação à relevância cultural do projeto, Camilo Nascimento, redator do site, comentou: “Para mim, a ideia de realizar um projeto sobre as poesias do Jim Morrison é quase algo íntimo. Como escritor e amante de música, poder mostrar esse lado poético de uma grande artista se torna importante, não apenas pela identificação, mas também por lançar um destaque maior ao lirismo de suas músicas e reforçar a importância da literatura para o rock, ou para a música como um todo”.

Em relação ao conteúdo poético em si, Vannucchi refletiu: “Julgar a qualidade em si das poesias de Jim é algo que fica em segundo plano, uma vez que, para que possamos nos aproximar ainda que minimamente da compreensão de uma determinada personalidade histórica, o que vale, primeiramente, é o exame do material que temos em mãos, pois sendo ele bom ou ruim – e esse tipo de critério já é discutível - é, de qualquer forma, revelador de uma face da pessoa”. 

Escute as poesias de Jim Morrison e confira o resultado final do projeto clicando no link abaixo:

https://soundcloud.com/juliana-vannucchi

Confira o time escalado para o nosso projeto cultural.  

1) Time Works Like Acid / O Tempo Trabalha Como Ácido

Lora Logic:

Aclamada saxofonista da banda X-Ray Spex, Lora também já tocou com as bandas The Raincoats e The Stranglers, além de ter colaborado com Boy George.

Juliana Vannucchi:
 

Graduada em Comunicação Social e licenciada em Filosofia, Juliana é editora-chefe do Fanzine Brasil e corresponde esporadicamente com outros portais.

2) Heaven or Hell / Céu ou Inferno

Alejandro Gomez: 

Quadrinista norte-americano, especialmente conhecido por sua história “The Leather Of The Whip”, na qual encontramos uma ilustre atmosfera sombria que se desenvolve numa mescla de drama e terror. Nas horas vagas, quando não está participando de eventos ou trabalhando em seus HQs, Alejandro ocupa-se das baquetas e esbanja talento também na bateria.

Thiago Halleck:

Baixista que se destacou por sua participação nas bandas Gangue Morcego e 1983, através das quais se firmou como um dos mais notáveis nomes do pós-punk nacional. Também obteve reconhecimento pelo seu projeto solo, intitulado "HallecӃ”.

3) Sudden Attack / Ataque Súbito

Bob Bert:


Foi baterista do primeiro álbum de estúdio lançado pelo Sonic Youth. Teve passagem por bandas como The Chrome Cranks, Knoxville Girls e Pussy Galore, além de ter tocado no Retrovirus (com Lydia Lunch, Weasel Walter, Tim Dahl) e já ter gravado com o icônico Lee Ranaldo e com o Kid Congo Powers.

Camilo Nascimento: 

Colaborador do Fanzine Brasil. Escritor por natureza, mesmo sem saber sobre o que escreve. Cinéfilo e amante da música e da literatura em todos os seus aspectos.

4) In This Dim Cave / Nesta Caverna Obscura

Danielle de Picciotto:

Artista interdisciplinar, casada com Alexander Hacke, baixista da banda Einstürzende Neubauten. Danielle já escreveu três livros, além de colaborar com ensaios textuais para revistas focadas em cultura. Em 2013, juntou-se ao lendário grupo The Crime & City Solution e atualmente tem um projeto musical chamado hackedepicciotto.

Imira Rando:

Mestre em economia. Aluna de música erudita no conservatório de Tatuí, já tendo participado do coro sinfônico da cidade.

5) If Only I / Se Ao Menos Eu

James Stevenson:

Conceituado guitarrista que já dividiu o palco com bandas como The Cult, X-Generation e Chelsea. Também já tocou com o icônico Tony Visconti, além de ter gravado e se apresentado com a banda Gene Loves Jezebel.

Mau Carlakoski:  

Vocalista e guitarrista da banda curitibana She is Dead.  

6) I Bring These / Trago Estes

Bryan Farmer: 

Rapper da Filadélfia, especialmente reconhecido por sua destreza com as palavras e por sua voz cativante.

Juan Youth:

Colaborador do Fanzine Brasil e fanático por música underground. Dentre seus estilos musicais favoritos estão punk, garage, surfmusic, post-punk, psicodelia 60's e neo-psicodelia, alternative 90's, reggae e outros. Gosta de fazer experimentos com sua guitarra.


7) An American Prayer / Uma Oração Americana

John Moore: 

Ex-baterista da banda The Jesus and Mary Chain e cofundador e membro do grupo Black Box Recorder. Colaborou com o jornal The Guardian, escrevendo artigos sobre o mundo musical. Atualmente, está focado em sua carreira solo.

Sidan Rogozinski: 

Compositor, vocalista e multi-instrumentista da banda Madreperola.

8) We Awoke, Talking / Acordamos, Falando

Suzi Sabotage:

Suzi Sabotage é uma artista solo de dark coldwave, residente em Helsinque, Finlândia. Sua música incorpora um som sombrio, frio e dançante, que remete à atmosfera oitentista. Em fevereiro de 2021, ela lançou seu primeiro videoclipe, da música "Persona Non Grata", e seu álbum de estreia, Postmodern Dystopia, foi lançado em maio de 2021. Ambos tiveram excelente recepção. Devido à pandemia, começou a fazer turnê somente em agosto de 2021e seu primeiro show foi em Reykjavik, Islândia (com Kælan Mikla). Em outubro, apresentou-se na Tallinn Music Week 2021. 

No início de 2022, Suzi deve lançar um novo EP, que incluirá o single Nazi Goths, Fuck Off, lançadoem agosto de 2021.

Fabi Bellentani: 

Vocalista e compositora da banda Madreperola, que lançou seu primeiro EP em 2021. 





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