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domingo, 27 de março de 2022

ELA TEM UMA VOZ DIVINA

 Por Juliana Vannucchi

Elisabeth Fraser nasceu em Grangemouth, na Escócia, cidade que já descreveu como “industrial, escura e sufocante”. Ela era a caçula de seis irmãos e seu pai era fabricante de ferramentas. O talento musical se manifestou cedo, sendo que ela tinha duas tias com habilidades vocais. Porém, certamente ninguém – nem a própria Fraser– imaginava que ela fosse chegar tão longe e fascinar o mundo com sua peculiar voz angelical. Na adolescência, gostava de escutar bandas como Sex Pistols e Siouxsie & The Banshees.

Liz se juntou ao Cocteau Twins quando tinha 17 anos, depois que Robin Guthrie, cofundador da banda, observou-a dançando numa boate. Assim, acabou se tornando o grande nome da banda - segundo um relato seu de 1983, o que a impediu de seguir o sonho de ser garçonete. Elisabeth Fraser sempre se destacou especialmente por sua voz etérea e suas letras enigmáticas e abstratas que, na maior parte das vezes, foram compostas numa linguagem inventada por ela. Esse instigante aspecto lírico gera muito debate e especulação, mas Fraser já declarou que ouvintes devem se ater às melodias e vivenciar uma experiência subjetiva com elas, ao invés de tentar interpretar suas frases. Ademais, para ela, nunca foi estranho escrever numa língua inventada e a vocalista garante que isso sempre aconteceu de maneira espontânea. No site oficial da banda, encontramos uma declaração a esse respeito: “Eu ganhei muito [inventando a linguagem]. Eu não esperava que fosse uma experiência tão gratificante, no início foi uma tática de evasão. Mais que isso. Mas devo ter me dado permissão ao longo do caminho para realmente ir em frente e não me preocupar com a opinião das pessoas”.

Em relação ao seu processo criativo, uma matéria do jornal britânico The Guardian descreveu o seguinte: “Ela compõe (...) começando com frases ou melodias únicas, gravando-as e passando-as para outra pessoa para adicionar mais camadas, seja o baixista ou o tecladista, antes de trabalhar mais nelas, como um pintor voltando constantemente para uma tela. O processo em si é o que importa, a coisa criativa, ela diz a si mesma, e se as músicas algum dia vão ser lançadas no mundo não é essencial, embora, logicamente, ela queira que as pessoas as ouçam. Apesar de sua fama e reconhecimento global, sempre foi uma pessoa reclusa, tímida e discreta, buscando se manter longe dos holofotes e evitando entrevistas".

Além do sucesso com o Cocteau Twins, gravou com outras bandas bem sucedidas e inspirou grandes nomes da música, como Prince, Madonna e outros

Fraser e Guthrie começaram um romance em 1981 e, em 1989, o casal teve uma filha chamada Lucy-Belle Guthrie. A dupla se separou em 1994, sendo que um dos motivos para a ruptura foi o abuso do álcool e da droga por parte de Robin. Nos anos noventa, Fraser se aproximou de Jeff Buckley, que morreu precocemente. O divórcio e, posteriormente o falecimento do amigo, acarretaram problemas emocionais e, nessa mesma década, mais precisamente em 1997, a banda acabou. Ainda nesse ano, Fraser começou um relacionamento com Damon Reece, com quem se mudou para Bristol e, em 1998, tornou-se mãe pela segunda vez, dando à luz Lily Reece.

Há alguns anos, a vocalista começou a estudar escrita criativa e poesia. Atualmente leva uma vida discreta ao lado do marido. Além do sucesso com o Cocteau Twins, gravou com outras bandas bem sucedidas e inspirou grandes nomes da música, como Prince, Madonna e Michael Jackson, além de também ter David Lynch como fã declarado. 

Referências:

https://www.theguardian.com/music/2012/jun/24/elizabeth-fraser-meltdown-cocteau-twins

https://www.theguardian.com/music/2009/nov/26/cocteau-twins-elizabeth-fraser-interview

https://cocteautwins.com/elizabeth-fraser.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Fraser

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