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terça-feira, 23 de junho de 2020

ROXY MUSIC: O ICÔNICO ÁLBUM QUE MARCOU A HISTÓRIA DO ART ROCK

Por: Diego Bagatin

No início dos anos 70, o Art Rock, subgênero do rock experimental, já era notado em algumas bandas que também faziam parte de movimentos mais pop e tradicionais. O rock progressivo, que estava caminhando com toda força na Inglaterra, já estava fazendo parte de um conceito épico na cena musical com bandas como Pink Floyd e seu “Atom Heart Mother” (1970), e Yes com seu “Close to the Edge” (1972). Além disso, muitas outras bandas também estavam se formando por influências de movimentos da vanguarda do final dos anos 60, com o Velvet Underground tendo efeito sobre muitos projetos que se originaram depois. Captando essas influências da vanguarda, elementos de rock progressivo, alternativo e música popular, o graduado de escola de arte Bryan Ferry teve a ideia de formar uma banda com alguns conhecidos que aceitaram entrar em um projeto que mudaria o curso da história do art rock. Essa banda foi o Roxy Music.

Em sua primeira formação, junto com Bryan Ferry, a banda contava com Graham Simpson, um baixista conhecido de seus tempos da escola de arte, o saxofonista Andy Mackay, o guitarrista Phil Manzanera (que mais tarde viria a trabalhar com outros músicos como David Gilmour), o baterista Paul Thompson e o multi-instrumentista Brian Eno, que anos depois iria produzir álbuns de respeito como a estreia do Devo e a Trilogia de Berlim, de David Bowie, além de uma imensa carreira solo que o denominou como um dos maiores expoentes da música ambiental. Estava formada uma das mais brilhantes (no maior sentido literal da palavra) bandas que surgiram com o fenômeno do Art e Glam Rock.


Roxy Music foi pioneira na cena musical Art Rock.

O flower power havia acabado junto com Charles Manson e seus assassinatos, e o Roxy Music chegou no início dos anos 70 para celebrar a vida de uma maneira tão experimental e intensa que muitas bandas que surgiram nos anos seguintes se viam na sombra de uma majestosa onda de sons dos sintetizadores do Brian Eno. Produzido por Peter Sinfield, poeta e membro dos primeiros anos da banda de rock progressivo King Crimson, o disco homônimo de 1972 se abria com uma festa e vozes de uma nova década que estava surgindo.

“Re-make / Re-model” introduz o ouvinte a uma agitação sonora por meio de cruzamentos dos instrumentos da banda, em especial o teclado e os sintetizadores de Brian Eno, pulsando a celebração que previu a carreira da banda durante os anos posteriores. Eno, em seu VCS3, dá sequência com a abertura de “Ladytron”, enquanto o oboé de Andy Mackay se junta aos sons do sintetizador formando um vislumbre do que seria algo como um foguete pousando sobre a Lua. Vale lembrar também que a faixa originou o nome da ótima banda de electropop Ladytron, surgida em Liverpool no final dos anos 90. Uma sentimental voz de Bryan Ferry surge em "If There is Something" trazendo uma declaração de amor em meio a solos de guitarra do incrível Phil Manzanera e de saxofone de Mackay. Isso logo é deixado para trás quando o pop toma conta do disco com “Virginia Plain”, uma das faixas mais conhecidas da banda. A música fez muitos convidados do programa musical da BBC Top Of The Pops dançarem sem terem noção de que a história estava sendo feita e transmitida para influenciarem muitas gerações que viriam em seguida. O disco também possui homenagens ao cinema, com “2HB” sendo um tributo a Humphrey Bogart, ator de Casablanca. Aqui, Bryan Ferry mostra o lado charmoso e suave para temas que viriam a se tornar hinos de discos do Roxy Music no final dos anos 70 e começo dos anos 80, como um ambiente de cheio de coquetéis e ternos. Uma imagem muito inspirada clássicos dos anos 50. O lado B começa e termina com faixas extraordinárias para belos exemplos da avant garde, com "The Bob”, "Chance Meeting", "Would You Believe?" e "Sea Breezes" trazendo um dilúvio de ruídos e efeitos sonoros cheios de estranheza e hiperatividade, já “Bitters End” encerra o disco com uma emotiva balada de fim de festa. E que festa!

O disco Roxy Music também conta com a ex Bond girl e modelo Kari-Ann Muller na capa, esposa de Chris Jagger (irmão de Mick Jagger). Uma característica que faria parte da discografia da banda, apresentando sempre mulheres que tornariam cada disco icônico e charmoso como trilhas de filmes da década de 50.

Um marco na história do Art Rock.

Kari-Ann Muller, a primeira de muitas mulheres icônicas das capas dos discos do Roxy Music.

Um comentário:

  1. Sensacional texto...materia muito legal....Diego tu mandou muito bem...que venham outros

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