Por Juliana Vannucchi
Situada no noroeste da Inglaterra, Manchester foi o berço de algumas das bandas mais consagradas de todos os tempos, dentre as quais podemos citar Oasis, The Stone Roses, The Smiths e claro, o icônico Joy Division cujos integrantes, após o trágico falecimento de Ian Curtis, deram origem ao New Order, que foi mais uma façanha da Factory Records.
Essa cidade inglesa e esse precioso cenário musical formaram a atmosfera em que a talentosa Gillian Gilbert nasceu e cresceu. Na época em que o Joy Division brilhava e vivia o ápice de seu sucesso, Gilbert travou um romance com o baterista da banda, Stephen Morris e foi essa relação que pavimentou o caminho para sua entrada no New Order, em 1980, do qual Gilbert fez parte contribuindo tanto como tecladista, quanto como guitarrista. O primeiro passo de sua jornada na banda teve início quando, numa ocasião, o guitarrista Bernard Sumner machucou a mão e, impossibilitado de manejar seu instrumento, foi logo substituído por Gilian, que conseguiu corresponder positivamente no palco, agradando os membros da banda que nessa época, ainda se chamava Joy Division e carecia de uma identidade própria. Quando recebeu o convite para se juntar definitivamente ao grupo, a jovem Gillian cursava Design Gráfico no Stockport College, mas abandonou prontamente os estudos para viver sua aventura musical. Curiosamente, nessa época Gilbert sequer sabia tocar teclado e precisou até mesmo fazer algumas aulas para que pudesse se familiarizar melhor com o instrumento que, posteriormente, dominaria com maestria. A respeito desses seus primeiros passos, certa vez comentou numa entrevista: “No início, achei isso tudo difícil, porque nunca tinha estado em uma banda que compunha músicas antes do New Order. Mas todos me apoiaram bastante e me incentivaram a fazer parte da equipe de composição”. A habilidade musical, as ideias e a criavidade de Gilbert foram elementos decisivos para que o New Order finalmente surgisse como uma fênix das cinzas do Joy Division, se encontrasse esteticamente e definiesse uma sonoridade própria e autêntica que o desvinculasse do estilo musical da banda comandada por Ian Curtis. O modo de Gilbert tocar teclado e trabalhar com o sintetizador, pendendo para experimentalismos dançantes foi o que, no final das contas, definiu e moldou as características musicais essenciais da banda de electro-pop mais aclamada dos anos oitenta. Numa entrevista concedida ao portal Classic Pop Magazine, à multi-instrumentista explicou que essa transição de estilo na qual o New Order se consolidava e abandonava de vez os resquícios do Joy Division, aconteceu de forma definitiva no álbum “Power, Corruption And Lies”. Gilbert também contou que o sucesso de Blue Monday, faixa de maior destaque do disco, foi um tanto acidental: “Tínhamos acabado de conseguir nosso primeiro estúdio de gravação, que possuía uma atmosfera diferente de gravar na nossa sala de ensaio. Só queríamos ver até onde podíamos chegar em gravações de estúdio. Blue Monday soa tão regrada porque queríamos que os sequenciadores pudessem tocá-la enquanto saíamos do palco, recusando-nos a voltar. Queríamos encontrar um robô que pudesse cantar todas as palavras. Nunca nos passou pela cabeça que uma música assim, feita nesses moldes e com essas intenções faria sucesso até Rob se empolgar".
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| Gillian Gilbert (1983). |
Referências:
https://pitchfork.com/thepitch/1069-new-orders-gillian-gilbert-on-putting-motherhood-ahead-of-music/
https://www.theguardian.com/music/2023/may/02/there-were-no-macho-blokes-we-were-all-one-gillian-gilbert-on-her-journey-with-new-order
https://www-classicpopmag-com.translate.goog/features/new-order-interview-power-corruption-lies/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc
https://www-neworder-com.translate.goog/2021-interview?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=tc









