Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

domingo, 20 de fevereiro de 2022

11 PERGUNTAS PARA RAT SCABIES: CONVERSAMOS COM O BATERISTA DO THE DAMNED

 Por Juliana Vannucchi

O The Damned é uma da bandas mais queridas e aclamadas dos anos oitenta. Além de o grupo marcar presença nos primórdios do punk rock londrino e cravar o nome nessa cena cultural, muitos consideram que ele é o precursor do rock gótico, tanto pela sonoridade de alguns álbuns quanto pelo visual do vocalista Dave Vanian. Confira abaixo o bate-papo incrível que tivemos com Rat Scabies,  um dos fundadores da banda.

1. Por favor, conte-nos um pouco sobre sua carreira musical. Como você aprendeu a tocar bateria?

Aprendi a tocar sozinho depois de me apaixonar pela sonoridade do instrumento – uma vez eu ouvi alguém tocando no rádio, não sei quem era, e isso nem ao menos importava, mas o fato é que foi esse  som que me fisgou. Depois de alguns anos tocando em bandas locais e tentando encontrar músicos que compartilhassem a mesma energia e atitude que eu tinha, acabei conhecendo o Brian James e, depois disso, o Damned foi formado.

2. Há alguma música em particular que tenha sido gravada por outro artista e que você gostaria de ter composto?

Sim, White Christmas.

3. O que você busca na hora de comprar um novo kit de bateria? Você se atenta mais ao tipo de madeira ou se preocupa mais com a marca?

Eu sempre escolho um kit que tem uma boa reputação, é bem feito e parece legal. Existem muitas maneiras variadas de afinar um kit e também vários tipos diferentes de peles de bateria que a madeira da qual as conchas são feitas mal parece ter importância, mas decidir manter um kit é outra decisão, que eu tomo com base no som, jogabilidade e aparência..

4. Qual foi o show mais marcante que você já fez em toda sua trajetória?

Foi o The Amnesty International Festival Of Youth, no Milton Keynes Bowl, no dia 19 de junho de 1988, quando o Joey Ramone subiu no palco com o Damned para um bis e cantou a clássica Blitzkreig Bop com a gente. 

"Dave Vanian foi o gótico original, muito antes de existir uma subcultura gótica".

5. Qual é a melhor memória que você tem das gravações do álbum"Damned, Damned, Damned”?

Lembro de tomar cidra, comer kebab e me surpreender com um som tão grande de um espaço tão pequeno. Além disso, me recordo que sempre havia vários palitos de pirulito colados nos faders da mesa de mixagem.

6. Tem algum álbum do The Damned que seja o seu favorito?

Hmm, tem vezes em que eu odeio todos eles e momentos em que me pergunto por que não os escuto todos os dias.

7. Como você define o punk rock?

Eu não sei, mas se eu tivesse que dizer alguma coisa, diria que não se trata de roupas ou penteados, mas é a atitude que conta.

8. Como você descreve o "Phantasmagoria"? Muitas pessoas costumam dizer que esse álbum é um clássico gótico. Como era a atmosfera da banda no período dessa gravação?

Foi um período emocionante para a banda, nós usamos roupas engraçadas e penteados bonitinhos, mas nunca nos propusemos a mudar quem éramos apenas por causa da imagem. Além disso, Dave Vanian foi o gótico original, muito antes de existir uma subcultura gótica.

Rat Scabies: um dos maiores mitos do post-punk

9. Qual é a história por trás da faixa "Is It a Dream?”

A música foi escrita em memória do falecido pai de Roman Jugg. O Roman sempre expressou seus sentimentos através de sua música e esta foi a mais sincera que ele já fez.

10. Qual foi o estúdio mais estranho em que você já esteve?

Provavelmente o Wessex Studios em Londres, que era uma antiga igreja com um fantasma nas vigas e a gravação do The Clash ao lado.

11. Você está trabalhando em algum material no momento? Planos para o futuro?

Estou trabalhando no segundo álbum do Sinclair (que não tem título ainda) e também num álbum com One Thousand Motels, que será lançado em breve. Além disso, acabei de conversar com o Professor And The Madman sobre gravar mais algumas músicas com eles, junto com outro Spammed disco (uma banda beneficente formada com o Horace do Specials) e, claro, há também os shows do Damned em outubro. Nos meus dias de folga continuarei minha busca pelo Santo Graal.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

"PARA VIVER DE MÚSICA É IMPORTANTE ESTAR ATENTO A TODAS AS OPORTUNIDADES": UM PAPO COM EDUARDO DOLZAN

 Por Juliana Vanncchi

O protagonista da vez no nosso site é Eduardo Dolzan, talentoso baterista brasileiro que atualmente reside em Londres. Em sua vasta bagagem, carrega mais de 17 anos de experiência em shows e sessões de gravação, tendo se apresentado em inúmeros festivais importantes e também em programas de emissoras como MTV,  Multishow e outros.

1. Eduardo, seja muito bem-vindo ao Fanzine Brasil! Estamos felizes em recebê-lo aqui. Eu te conheci através do Jamie Perrett, então aproveito para perguntar como foi a experiência de subir aos palcos com um músico tão brilhante como ele.

O prazer é todo meu, agradeço muito o convite! A experiência com o Jamie tem sido incrível! Na verdade, começamos a tocar juntos na metade de 2021, então é bem recente, mas sinto que temos uma ótima conexão. Além de ser muito criativo, pessoalmente ele é muito tranquilo e gentil, assim como toda a família dele.

2. Além do Jamie, sei que você também já tocou com outros músicos notáveis, né? Poderia citar alguns desses artistas com os quais já dividiu palcos e estúdios? Aliás, é admirável que tenha tocado com a lendária banda Júpiter Maçã! 

É até difícil lembrar, toquei com muita gente. Mas acho que, enquanto estava no Brasil, tive ótimas experiências, toquei com Júpiter Maçã por muitos anos, Wander Wildner, Identidade (que foi minha primeira banda) e muitos outros. No Reino Unido, tive oportunidade de tocar no Glastonbury e de gravar no Abbey Road com diferentes artistas. Como faço muito trabalho como músico contratado, acabo tendo experiências com várias bandas e artistas solo em muitos lugares. De artistas autorais, além dos trabalhos que faço eventualmente com muitos músicos, aqueles com quem toquei mais tempo foram The Bloom, Rina Green, Fergusons e mais recentemente Chintzy Stetson e com o Jamie.

3. Você se lembra quando tocou bateria pela primeira vez? Como esse instrumento entrou no seu caminho? 

A primeira vez que toquei foi em um kit que um amigo um pouco mais velho tinha, lembro-me de não ter conseguido tocar nada, o que na época me decepcionou um pouco, achei que nunca seria capaz de tocar bateria. Desde quando eu tinha uns nove, dez anos de idade a bateria sempre me fascinou, não sei muito por que, não tive influência de ninguém nesse sentido, apenas sabia que esse era meu instrumento.

4.  Em que momento da sua vida você percebeu que a música seria uma profissão?

Acho que quando a minha primeira banda assinou com um selo pela primeira vez. Nessa época eu tinha dezoito anos recém feitos.

5. Qual foi o primeiro kit de bateria que você teve e qual você usa agora?

Meu primeiro kit era de uma marca brasileira que nem sei se existe mais, chamava-se Roll Star, era terrível haha, mas na época o acesso para instrumentos musicais melhores era bem difícil, até porque eu morava no interior do Rio Grande do Sul. Tive vários kits diferentes depois disso, um Ludwig, que foi um dos meus preferidos, e que vendi antes de me mudar para Londres. Hoje em dia tenho um Premier dos anos 60.


"A vida de músico é difícil em qualquer lugar. Claro que acho que talvez aqui existam algumas oportunidades diferentes, mas acredito que muito músico no Brasil ainda não entende como encarar isso como uma profissão (...)" 

 

6. Qual foi o maior desafio da sua carreira musical até o momento?

Manter o pensamento positivo em momentos com menos demanda de trabalho.

7. Eduardo, o FZN Brasil frequentemente me coloca em contato com inúmeros músicos brasileiros da cena underground que enfrentam diversas dificuldades por estarem à margem da grande indústria. Como é a vida de um músico independente na Inglaterra? Aqui, é difícil se manter financeiramente com essa atividade... e há outros incontáveis obstáculos além desse...

A vida de músico é difícil em qualquer lugar. Claro que acho que talvez aqui existam algumas oportunidades diferentes, mas acredito que muito músico no Brasil ainda não entende como encarar isso como uma profissão, o que significa tocar em todas as ocasiões possíveis para se manter financeiramente. Aqui muitos músicos que tocam com artistas consolidados também tocam em bandas cover, as chamadas ‘function bands', em eventos como casamentos ou então dando aula de música em escolas. Eu faço isso também, e aqui, diferentemente do Brasil, o mercado é muito bom e ninguém se sente mal por fazer isso. Eu me lembro de que no Brasil sempre tinha essa coisa "Autoral X Cover", como se fosse algo absurdo fazer os dois (espero que isso esteja diferente hoje em dia). Claro que entendo a situação brasileira, afinal a maior parte da minha carreira foi aí, mas para viver de música é importante estar atento a todas as oportunidades.

8. Desde 2020, todos os continentes do globo estão vivendo um período delicado e preocupante. Como foram esses dois últimos anos para você?

Foi um período bem estranho, como se pode imaginar, muita preocupação com o que estava acontecendo, principalmente vendo a situação do Brasil. Profissionalmente, acredito que foi a primeira vez desde meus doze anos de idade que passei tanto tempo sem tocar ao vivo. Por outro lado, pude focar em aprender coisas novas por ter mais tempo disponível. A partir de junho de 2021, quando as coisas realmente abriram por aqui e os shows voltaram a acontecer, tive sorte de ter muito trabalho, o que me ajudou bastante a superar o que aconteceu antes.

 

"Acredito que conquista tem mais a ver com as experiências que vivo do que com sucesso"

9. Como você descreve o atual mundo em que vivemos? E quais são suas projeções para o futuro da humanidade?  

Eu vejo com um pouco de desconfiança, por mais que queira que tudo fique bem o mais rápido possível. Infelizmente, a internet não está sendo usada de uma forma muito inteligente, o que me faz pensar que estamos regredindo em muitos aspectos, e que talvez ainda levemos anos para recuperar o que está sendo perdido.

10. Como está sendo sua carreira musical no momento e o que você projeta para 2022? 

No momento tudo está indo bem! Já tenho uma boa agenda de shows para 2022 e quero acreditar que tudo vai ficar ainda melhor, em todos os sentidos.

11. Até o momento, qual foi sua maior conquista como músico profissional?  

Acredito que conquista tem mais a ver com as experiências que vivo do que com sucesso: tocar com músicos de diferentes países, estilos diferentes, poder viajar e conhecer lugares e culturas novas. A experiência de vida que tudo isso traz não tem preço.

Links oficiais:

Site:
https://eduardodolzan.wixsite.com/drummer

Instagram:
https://www.instagram.com/eduardodolzan/

YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCD4Fdj6oIaxP9RenEC61qgQ

sábado, 22 de janeiro de 2022

CINCO COISAS QUE VOCÊ NÃO SABE SOBRE O ÁLBUM SOLO DE SIOUXSIE SIOUX

 Por Juliana Vannucchi

O Mantaray, lançado em 2007, é o primeiro e único álbum solo da ex-vocalista dos Banshees. Gravado em Bath, a produção contou com a participação de onze músicos, além da própria cantora. De modo geral, o álbum divide a opinião de fãs e críticos que, para analisá-lo, costumam compará-lo com a discografia dos Banshees e do The Creatures. Contudo, devemos levar em conta que esse tipo de comparação é um tanto injusta, pois as linhas musicais, as inspirações e as texturas dessas bandas são outras. O Mantaray, musicalmente falando, carrega influências de vários gêneros musicais distintos e liricamente é bem sentimental, introspectivo e um tanto enigmático. Sendo assim, foi um grande acerto de Siouxsie, que sempre se manteve em alta nas suas produções musicais. Confira a seguir uma série de cinco curiosidades a respeito do álbum e não se esqueça de compartilhar o texto e deixar seu comentário!

1. ARRAIA!

“Mantaray” significa “arraia”. Segundo a cantora, foram os músicos Steve Evans e Charlie Jones que colaboraram com a produção e escolheram esse nome. Numa entrevista, Siouxsie revelou que a sonoridade do álbum teve reflexos na escolha do título. De acordo com a vocalista, “como os sons do álbum são muito diversos, precisávamos de um título abstrato”.

Ainda em relação a esse aspecto do disco, Siouxsie declarou, de maneira reflexiva: “Eu amo o oceano. Sempre gostei do azul, tão tranquilo, pacífico e deslizante. E o medo dele. Lembro-me de que certa vez, por volta dos dezesseis anos, eu estava de férias na Espanha, e o pessoal bebeu e quis nadar à noite, e as ondas vinham em minha direção no escuro, quase como óleo. Nadando assim, você não pode ver seu corpo e parece que há algo espreitando por baixo. Meus sonhos são de água. E meus pesadelos também”.

2.COMO O DREAMSHOW INFLUENCIOU O MANTARAY:

Após o notável sucesso do Dreamshow, a Universal ofereceu a Siouxsie um contrato com a gravadora W14, que era nova nessa época. Em relação a isso, a vocalista fez uma brincadeira, dizendo: “Pelo menos eu não precisei pedir a alguém para pintar meu nome na frente do prédio da Universal”. A piada foi uma alusão a um fato ocorrido em 1978, nos primórdios de sua carreira musical, quando algum fã, querendo que os Banshees deslanchassem no mercado musical, pichou a frase “Sign the Banshees, do it now", no muro da Polydor.

3. SIOUXSIE SEMPRE QUIS GRAVAR UM ÁLBUM SOLO?

A cantora, em mais de uma ocasião afirmou que adorou a experiência de produzir o Mantaray e que se divertiu muito nessa empreitada. Siouxsie, numa entrevista concedida a Mojo, revelou que sentiu quando o momento certo para a produção de um álbum solo chegou, e que com o Banshees não havia contexto para isso: “Acho que sempre resisti porque tinha medo de ter mais atenção do que dentro da banda”.

Ela também comentou que quando lançou o Mantaray, havia uma certa expectativa pelo que ela já havia construído em sua carreira, mas que sempre se sentiu firme e confiante em relação ao álbum: “Não vejo sentido em agradar as pessoas, a menos que você esteja agradando a si mesmo primeiro. Mas há muitas pessoas que colocam os outros antes de si mesmas, porque desejam ser queridas por todos. Se é isso que os deixa felizes, ótimo. Mas não acho que valha a pena”.

 

Lançado em 2007, o Mantaray divide a opinião dos fãs. O que você acha do álbum?


4. O “CORAÇÃO DO ÁLBUM”:

De acordo com Siouxsie Sioux, “Sea Of Tranquility” é uma canção reflexiva que ela considera como sendo “o coração emocional do álbum”. Em relação a essa faixa, contou numa ocasião: "Foi inspirada tanto no fundo subaquático como no espaço profundo, o futuro com um sentimento orgânico."

5. SERIA O MANTARAY UM DESABAFO EM RELAÇÃO AO DIVÓRCIO?
 

Siouxsie e Budgie estiveram casados durante pouco mais de vinte anos e a relação chegou ao fim em meados dos anos dois mil. A maior parte dos fãs garante que o divórcio influenciou as letras que, de fato, são bastante sentimentais. Entretanto, Siouxsie já afirmou que muitas letras do Mantaray foram escritas antes do divórcio. Ela refletiu: “Mas então eu suponho que o divórcio não acontece da noite para o dia e talvez as sementes para isso estivessem subconscientemente germinando de qualquer maneira. Acho que é mais uma reação ao ponto em que estou agora, não o que me trouxe até onde estou".

Referências:

https://prince.org/msg/8/241485

http://www.thebansheesandothercreatures.co.uk/

https://www.youtube.com/watch?v=4w72OZPzRiM

https://en.wikipedia.org/wiki/Mantaray_(album)
 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

MICHAEL HUTCHENCE: CONHEÇA A VIDA DO ASTRO DO INXS

 Por Juliana Vannucchi

Era 22 de novembro de 1997. O telefone do australiano Kell Hutchence tocou. Do outro lado da linha, um jornalista pedia um depoimento sobre seu filho, Michael Hutchence. Kell estranhou o contato e, de início, não compreendeu o teor da ligação. Ele não sabia que o filho havia falecido e foi através desse telefonema que tomou conhecimento de que Michael havia morrido asfixiado aos 37 anos.

Não demorou muito para que a notícia da morte do sex symbol se espalhasse pelos meios de comunicação do mundo todo, pois o INXS bombava nos anos noventa. A imprensa britânica afirmava que Michael tinha morrido por hipoxifilia, ou asfixia erótica, um fetiche que causa excitação sexual em ser sufocado. Essa lenda acompanhou a história de sua morte durante muito tempo e chegou a ser considerada uma versão oficial. A autópsia, entretanto, não apontava a prática de relações sexuais, mas identificou substâncias como Prozac, cocaína e álcool presentes no corpo de Michael. Afinal, o que tirou sua vida? Qual é o valor do legado musical do INXS? Para tentarmos responder a essa questões, vamos nos deslocar no espaço e no tempo…

A trajetória de vida do vocalista começou em 22 de janeiro de 1960, na Austrália. Seus pais eram Kell Hutchence, um empresário bem-sucedido de Sydney, e uma maquiadora chamada Patricia Glassop.


O punk rock perdia um pouco de sua força justamente quando o INXS conquistou sua ascensão, em meados nos anos oitenta.

Devido à carreira profissional do pai, a família mudou-se de Sydney para Brisbane e depois migrou para Hong Kong. Essa época representou um período importante na vida de Michael, pois foi quando ele começou a escrever poesia e mostrar afinidade com o universo musical, tendo cantado sua primeira música numa loja de brinquedos local. Mais tarde, em 1972, retornou com a família para a capital australiana e foi nesse período, em sua adolescência, que Michael conheceu Andrew Farriss e seus irmãos, com os quais começou a tocar músicas numa garagem. Farriss tinha uma banda chamada Doctor Dolphin, e Michael se juntou ao grupo. Posteriormente, o futuro vocalista do INXS mudou-se novamente de cidade, embora não muito tempo depois tenha retornado para Sydney. Em 1977, juntou-se com o colega Andrew Farriss numa nova banda, chamada Farriss Brothers. Em 1979, mudaram de nome e passaram a se chamar INXS. A partir daí, a história da banda simplesmente decolou. O punk rock perdia um pouco de sua força justamente quando o INXS conquistou sua ascensão, em meados nos anos oitenta. Na década seguinte, o grupo australiano permaneceu ativo no cenário global, lançando materiais qualificados, embora alguns críticos tenham começado a criticar desaprovar duramente as produções da banda lançadas nesse período.

 

Através de suas músicas, Michael continua levando luz à vida de milhares de pessoas. Ele presenteou o mundo com seu talento, e isso simplesmente não se apagará.  

Entretanto, foi justamente nos anos 90 que algo mudou a vida de Michael. Em 1992, o vocalista do INXS se envolveu numa briga com um motorista de táxi que o jogou no chão, fazendo com que ele batesse a cabeça. O incidente causou uma fratura em seu crânio. Helena Christensen, que era sua namorada na época, diz se recordar de ver o parceiro inconsciente e caído no chão na rua, enquanto sangue saía de sua boca e ouvido. Ele foi levado ao hospital, mas se recusou a receber tratamento. Teve muitas dores de cabeça e perdeu o olfato e o paladar. Mas esses não foram os únicos danos. Depois desse episódio, muitas pessoas próximas relataram que a personalidade do músico australiano mudou. Irritabilidade e descontrole se tornaram frequentes.

Cinco anos mais tarde, Michael foi encontrado morto num quarto do Hotel Ritz Carlton. Na noite anterior, havia jantado com o pai. Segundo o documentário “Mystify”, a autópsia mostrou que havia grandes danos em áreas de seu cérebro. Havia indício de suicídio e, atualmente, essa é considerada a causa de sua morte. A cerimônia de seu enterro, realizada na Catedral de St. Andrew no dia 27 de novembro, foi transmitida ao vivo. Fãs e amigos,  incluindo Nick Cave, estavam presentes. A cerimônia ainda pode ser vista na íntegra no YouTube.

Através de suas músicas, Michael continua levando luz à vida de milhares de pessoas. Ele presenteou o mundo com seu talento, e isso simplesmente não se apagará.

Nosso site conversou com Nilton Vieira, da Rádio Alternativa Rock, que refletiu sobre a importância do legado deixado pelo vocalista do INXS: "Michael Hutchence é um daqueles artistas únicos, insubstituíveis e inesquecíveis. Era talentoso, tinha muita presença de palco e uma voz marcante.  Enfim, quem diria que aquele menino tímido seria um dos maiores artistas dos anos 90 e de toda a história? O INXS até tentou se manter sem ele, mas nunca conseguiu seguir em frente. Aliás, esse foi o erro: a banda teria que fazer tudo diferente, pois fazer igual sem o Michael nunca daria certo. O álbum que marcou minha vida foi o “Welcome to Wherever You Are”, de 1992, no qual destacam-se músicas como “Heaven Sent”, “Baby Don't Cry” e “Beautiful Girl”. “Baby Don't Cry” ainda tinha um clipe que me deixava apavorado, pois tinha cobras e aranhas, e tenho pavor desses animais, mas mesmo assim gostava da música, então não deixava nunca de assistir ao videoclipe. Eu tinha esse álbum em fita K7 e depois também tive em vinil. Michael Hutchence deixou muita saudade e ficará para sempre em nossos corações e mentes, por- que apesar do suicídio, as coisas boas que ele fez marcaram muito mais do que os erros. Afinal, quem não erra?".

Referências: 

https://www.google.com.br/amp/s/amp.theguardian.com/film/2019/oct/07/what-killed-michael-hutchence-how-far-does-the-rock-doc-need-to-go-in-2019-mystify-michael-hutchence

https://www.theguardian.com/music/2018/sep/26/his-personality-changed-michael-hutchences-sister-on-his-traumatic-brain-injury

https://www.google.com.br/amp/s/brasil.elpais.com/brasil/2019/10/14/estilo/1571057141_244608.html%3foutputType=amp


A MELHOR ENTREVISTA DO MUNDO

 Por Juliana Vannucchi


Para fechar o mês de novembro com chave de ouro no Fanzine Brasil, nosso site conversou com Mau Carlakoski, talentoso vocalista da banda She Is Dead. Refletimos sobre o mundo pós-pandêmico e seus reflexos sociais, conversamos sobre as novidades e planos da banda e muito mais. Confira, deixe seu comentário e compartilhe a entrevista para fortalecer a cena underground.


1. Mau, seja bem-vindo ao Fanzine Brasil. É sempre uma honra ter você aqui conosco. Eu gostaria que você comentasse a respeito de como está sendo o ano de 2021 para a She Is Dead. 

É uma super honra estar aqui falando com vocês novamente também! Gostaria de mandar um super abraço especial ao público do Fanzine Brasil, que sempre nos acolheu de uma maneira muito querida e atenciosa. 

O ano de 2021 foi o ano mais importante para a banda, até agora, mesmo sendo apenas o segundo ano de atividade. Este foi o período em que a gente lançou o primeiro álbum, foi o ano em que lançamos também os principais vídeos e que assinamos com o selo Electric Funeral Records. Agora estamos trabalhando o terceiro single do segundo disco, temos shows em São Paulo, shows em Curitiba... Ufa! Tem sido um ano muito intenso e estamos trabalhando bastante em material novo para o ano que vem.

2. Recentemente vocês voltaram a se apresentar ao vivo. Como foi voltar aos palcos depois de tanto tempo?

Foi fantástico! Estar mais de um ano fora dos palcos, mesmo produzindo material, vídeos e gravando não se compara ao momento de um show, ao fato de estarmos com o nosso público, trocando energia com ele. Esses detalhes fazem toda a diferença para a banda, poder novamente pôr o equipamento num ônibus, descer em uma rodoviária e falar: "Meus amigos, esta vai ser a nossa cidade nas próximas horas”. Isso realmente não tem preço.

3. Em termos gerais, isto é, levando em conta o contexto político, econômico, social, cultural etc., como você compara o ano de 2020 com o de 2021? Sinceramente falando, as pessoas me pareceram bem mais deprimidas e decepcionadas neste último ano...

Não tinha como ser diferente, pois perdemos muito e muito e muiiiito de dois anos para cá. Vidas, histórias, futuros, planos, muita coisa ficou no caminho em razão da pandemia, famílias inteiras se foram e isto é muito triste e deixará marcas por muitos outros anos.


4. Como acha que vai ser o mundo pós-pandêmico? Que marcas a pandemia deixará no meio artístico e cultural de nosso país?

Eu espero que as pessoas tirem lições deste período tão complicado. Lições não para odiar e duvidar de tudo, mas sim para voltar a ver seu próximo com respeito e valorizar o coletivo, pois atualmente vivemos num período de egoísmo social, no qual há bolhas dentro da sociedade. Isso precisa acabar e temos que voltar a pensar em sermos solidários e presentes na vida um do outro, respeitando suas crenças e individualidade de uma maneira positiva e agregadora.

(...) somos uma banda do povo, porque aqui o que vale primeiro é a emoção verdadeira, real e transparente.

5. Gostaria que comentasse um pouco a respeito da nova faixa da banda, a “Runaway Sun”. Qual é a mensagem que a banda passa através dessa música?

Runaway Sun eu fiz para o meu amigo Alessandro Santiago, meu parceiro e irmão destes últimos anos. Fala de amizade, sobre colocar o pé na estrada mesmo sem saber muito bem aonde ela vai te levar, fala de amizade sincera acima de tudo. 

6. Em poucas palavras, diga para nós: por que alguém deve escutar a banda She Is Dead?

Porque somos uma banda do povo, porque aqui o que vale primeiro é a emoção verdadeira, real e transparente. Nós gostamos das pessoas e não só de certas pessoas, o que vale na nossa mensagem é inclusão, respeito e diversão.

7. Neste ano vocês também lançaram o “Story Of Lies”. Como você descreve esse álbum e como o compara com as produções lançadas anteriormente pela banda?

Estamos no terceiro single do segundo álbum conforme foi dito anteriormente. Neste disco há muito ódio, muito rancor, muita desilusão, ele tem a mentira como tema central. No segundo disco tudo ficou mais leve, foi nosso momento mais feliz até agora na hora de compor e espero que fique assim, já sofri demais nesta vida (risos).


"Acho que tudo foi o que seria e se não foi é porque não era para ser, guardo meus amores e sabores (...)" - Mau Carlakoski


8. Se amanhã mesmo a banda She Is Dead pudesse tocar em qualquer país do planeta, para onde gostaria de ir?

Gostaria de tocar antes de tudo nos países da América do Sul, para conhecer mais da cultura dos nossos vizinhos. Tenho muita fé que em 2022 estaremos lá!

9. Há sempre uma enorme discussão a respeito de qual é a melhor banda punk do planeta e, geralmente, as pessoas costumam colocar três grupos lendários nesse debate! Agora jogo uma banda em suas mãos: quem você escolheria para abrir um show de vocês: Sex Pistols, Ramones ou The Clash? 

Pergunta difícil (risos), porque nas três bandas citadas não existe uma coesão de amizade. No The Clash era um contra três, o Ramones era cada um por si e o Sex Pistols, bom o Sex Pistols... se fosse no final dos anos 70 anos, nós e eles, nem teria show, então minha escolha seria um rolê com o Sex Pistols, que seria muito mais divertido como experiência. Agora, se as bandas iriam aparecer para o show... Ah, isto seria difícil de dizer (risos).

10. Qual modelo de guitarra você usa e quais são seus pedais favoritos?

Eu uso uma Fender Jazzmaster com captação Seymour Duncan SJM2N. Meus pedais são um Proco Rat Distortion, um Boss over drive, um Boss Digital Reverb, um Chorus e um Delay.

11. Mau, se você encontrasse uma máquina do tempo e pudesse usá-la para reviver um momento de sua vida apenas mais uma vez, que momento seria esse? O que desejaria reviver? Já sei: você voltaria para o dia em que me conheceu (risos)!!!! 

Eu não gostaria de reviver momentos, tudo acontece de uma maneira tão peculiar na minha vida que não seria boa ideia reviver algo (risos). Acho que tudo foi o que seria e se não foi é porque não era para ser, guardo meus amores e sabores no décimo andar da minha mente, mas deixei a chave por aí.

12. Agora, para encerrar, quero fazer um bate-bola com você e com os outros membros da banda. Preciso que o time todo entre em campo para responder às questões abaixo:

a) Time do coração: 

 Mau: O Ricardo não curte futebol. O Kim é athleticano e eu sou Paraná Clube.

b) Melhor show ao vivo a que já assistiu:

Mau: Teenage Fanclub.

c) Uma música que faz você chorar: 

Kim: Não Adianta - Trio Mocotó. 

Mau: (Sittin' On) The Dock Of The Bay - Otis Reding.

d) Uma banda que todo mundo curte, menos você: 

Kim: Ramones.

e) Um recado para os corações partidos: 

Mau: Amor é aquilo que faz da sua vida...uma coisa melhor, ou soma ou some.

f) Se você encontrasse Deus e pudesse fazer uma única pergunta a ele, o que perguntaria? 

Mau: Quando vai acabar? E se eu preciso levar...mais um pouco de mim.



terça-feira, 9 de novembro de 2021

A POESIA DE JIM MORRISON

 Por: Juliana Vannucchi

Em meados do inverno de 2021, o Fanzine Brasil iniciou um projeto cultural audacioso cujo objetivo era apresentar ao público brasileiro algumas das inúmeras poesias escritas por Jim Morrison. Para compartilhar os escritos do vocalista do The Doors com o público, Juliana Vannucchi, editora-chefe do site, optou pela gravação da leitura de uma série de poesias selecionadas: "Sempre nutri um enorme interesse pelo trabalho artístico do Jim e  por sua persona. É relativamente raro encontrar poesias dele em língua portuguesa, e em julho deste ano fui presentada com uma edição bilíngue de seus poemas. Fascinada com o livro e levando em conta essa mencionada dificuldade de encontrar suas poesias disponíveis, pensei que seria valioso se convidássemos algumas pessoas para gravarem seus textos. Foi dessa maneira que o projeto nasceu". A partir disso, a ideia começou a ser gradualmente estruturada. Primeiramente, o músico e radialista Sidan Rogozinski, vocalista da banda Madreperola, foi convidado para editar as gravações e, na sequência, a proposta foi apresentada a músicos nacionais e internacionais de renome, que foram cuidadosamente convidados para colaborar com o projeto, visando assim gravações bilíngues que apresentam, portanto, as poesias originais em inglês e suas respectivas versões traduzidas. Em relação ao processo criativo, Rogozinski comentou: “Fique feliz com o convite. Acho que muitas pessoas conhecem e gostam de The Doors, mas desconhecem esse legado poético do Jim. A proposta desse projeto me cativou desde o início. Foi interessante contar com a participação de tantos artistas talentosos do Brasil e do exterior que gravaram áudios em português e em inglês. Tanto a edição quanto a gravação foram experiências valiosas”.

 

 

O processo de gravação, compilação e edição do material durou aproximadamente três meses, e é com imensa honra que hoje divulgamos para os nossos leitores o resultado dessa iniciativa. Em relação à relevância cultural do projeto, Camilo Nascimento, redator do site, comentou: “Para mim, a ideia de realizar um projeto sobre as poesias do Jim Morrison é quase algo íntimo. Como escritor e amante de música, poder mostrar esse lado poético de uma grande artista se torna importante, não apenas pela identificação, mas também por lançar um destaque maior ao lirismo de suas músicas e reforçar a importância da literatura para o rock, ou para a música como um todo”.

Em relação ao conteúdo poético em si, Vannucchi refletiu: “Julgar a qualidade em si das poesias de Jim é algo que fica em segundo plano, uma vez que, para que possamos nos aproximar ainda que minimamente da compreensão de uma determinada personalidade histórica, o que vale, primeiramente, é o exame do material que temos em mãos, pois sendo ele bom ou ruim – e esse tipo de critério já é discutível - é, de qualquer forma, revelador de uma face da pessoa”. 

Escute as poesias de Jim Morrison e confira o resultado final do projeto clicando no link abaixo:

https://soundcloud.com/juliana-vannucchi

Confira o time escalado para o nosso projeto cultural.  

1) Time Works Like Acid / O Tempo Trabalha Como Ácido

Lora Logic:

Aclamada saxofonista da banda X-Ray Spex, Lora também já tocou com as bandas The Raincoats e The Stranglers, além de ter colaborado com Boy George.

Juliana Vannucchi:
 

Graduada em Comunicação Social e licenciada em Filosofia, Juliana é editora-chefe do Fanzine Brasil e corresponde esporadicamente com outros portais.

2) Heaven or Hell / Céu ou Inferno

Alejandro Gomez: 

Quadrinista norte-americano, especialmente conhecido por sua história “The Leather Of The Whip”, na qual encontramos uma ilustre atmosfera sombria que se desenvolve numa mescla de drama e terror. Nas horas vagas, quando não está participando de eventos ou trabalhando em seus HQs, Alejandro ocupa-se das baquetas e esbanja talento também na bateria.

Thiago Halleck:

Baixista que se destacou por sua participação nas bandas Gangue Morcego e 1983, através das quais se firmou como um dos mais notáveis nomes do pós-punk nacional. Também obteve reconhecimento pelo seu projeto solo, intitulado "HallecӃ”.

3) Sudden Attack / Ataque Súbito

Bob Bert:


Foi baterista do primeiro álbum de estúdio lançado pelo Sonic Youth. Teve passagem por bandas como The Chrome Cranks, Knoxville Girls e Pussy Galore, além de ter tocado no Retrovirus (com Lydia Lunch, Weasel Walter, Tim Dahl) e já ter gravado com o icônico Lee Ranaldo e com o Kid Congo Powers.

Camilo Nascimento: 

Colaborador do Fanzine Brasil. Escritor por natureza, mesmo sem saber sobre o que escreve. Cinéfilo e amante da música e da literatura em todos os seus aspectos.

4) In This Dim Cave / Nesta Caverna Obscura

Danielle de Picciotto:

Artista interdisciplinar, casada com Alexander Hacke, baixista da banda Einstürzende Neubauten. Danielle já escreveu três livros, além de colaborar com ensaios textuais para revistas focadas em cultura. Em 2013, juntou-se ao lendário grupo The Crime & City Solution e atualmente tem um projeto musical chamado hackedepicciotto.

Imira Rando:

Mestre em economia. Aluna de música erudita no conservatório de Tatuí, já tendo participado do coro sinfônico da cidade.

5) If Only I / Se Ao Menos Eu

James Stevenson:

Conceituado guitarrista que já dividiu o palco com bandas como The Cult, X-Generation e Chelsea. Também já tocou com o icônico Tony Visconti, além de ter gravado e se apresentado com a banda Gene Loves Jezebel.

Mau Carlakoski:  

Vocalista e guitarrista da banda curitibana She is Dead.  

6) I Bring These / Trago Estes

Bryan Farmer: 

Rapper da Filadélfia, especialmente reconhecido por sua destreza com as palavras e por sua voz cativante.

Juan Youth:

Colaborador do Fanzine Brasil e fanático por música underground. Dentre seus estilos musicais favoritos estão punk, garage, surfmusic, post-punk, psicodelia 60's e neo-psicodelia, alternative 90's, reggae e outros. Gosta de fazer experimentos com sua guitarra.


7) An American Prayer / Uma Oração Americana

John Moore: 

Ex-baterista da banda The Jesus and Mary Chain e cofundador e membro do grupo Black Box Recorder. Colaborou com o jornal The Guardian, escrevendo artigos sobre o mundo musical. Atualmente, está focado em sua carreira solo.

Sidan Rogozinski: 

Compositor, vocalista e multi-instrumentista da banda Madreperola.

8) We Awoke, Talking / Acordamos, Falando

Suzi Sabotage:

Suzi Sabotage é uma artista solo de dark coldwave, residente em Helsinque, Finlândia. Sua música incorpora um som sombrio, frio e dançante, que remete à atmosfera oitentista. Em fevereiro de 2021, ela lançou seu primeiro videoclipe, da música "Persona Non Grata", e seu álbum de estreia, Postmodern Dystopia, foi lançado em maio de 2021. Ambos tiveram excelente recepção. Devido à pandemia, começou a fazer turnê somente em agosto de 2021e seu primeiro show foi em Reykjavik, Islândia (com Kælan Mikla). Em outubro, apresentou-se na Tallinn Music Week 2021. 

No início de 2022, Suzi deve lançar um novo EP, que incluirá o single Nazi Goths, Fuck Off, lançadoem agosto de 2021.

Fabi Bellentani: 

Vocalista e compositora da banda Madreperola, que lançou seu primeiro EP em 2021. 





sábado, 9 de outubro de 2021

DEATH: A LENDA PERDIDA

 Por: Camilo Nascimento

Death é uma banda de rock dos anos 70 que sempre esteve muito à frente de seu tempo. Seu período de atividade foi brevíssimo, mas ainda assim, deixaram para trás um álbum esquecido, recheado de músicas que abusam de guitarras e arranjos maravilhosos, o que faz do Death uma das mais incríveis lendas do rock que, definitivamente, merece ser escutada.

A influência sonora do Death foi importantíssima para a consolidação do punk rock

A banda iniciou sua trajetória em 1971, sendo composta pelos irmãos Hackney, que eram negros, algo incomum para as bandas de rock da época. Eles sumiram de cena após não conseguirem fechar contrato com a sua gravadora, a Columbia, e por muito tempo falou-se que isso se deu pelo fato de os músicos serem negros. No entanto, a história atual, que veio à tona com o lançamento do álbum intitulado "For The Whole World To See", menciona que o contrato com a gravadora não aconteceu por causa do nome da banda, Death (Morte). A Columbia considerou que esse nome era forte demais, porém os integrantes do Death se recusaram a trocá-lo. Não sabemos por que a banda não procurou outra gravadora em vez de simplesmente se retirar do cenário musical. De qualquer forma, sua influência sonora foi importantíssima para a consolidação do punk rock, sendo que para alguns o Death foi o primeiro grupo do gênero.

O único álbum dos anos 70 é composto por um total de 7 músicas, retiradas de singles da banda que ficaram esquecidos em algum porão. Algo curioso aconteceu muito tempo depois: em 2009, os filhos de Bobby Hackney – que era baixista e vocalista do Death -, encontraram as músicas da banda do pai na internet e, após essa descoberta, o nome do grupo veio à tona e novas gravações e lançamentos foram feitos.

sábado, 2 de outubro de 2021

“KICKING AGAINST THE PRICKS”: OS BASTIDORES DO HISTÓRICO ÁLBUM DE NICK CAVE

Por: Juan Youth e Juliana Vannucchi
 
O terceiro álbum da banda Nick Cave And The Bad Seeds foi lançado em 1986 e é composto inteiramente de versões cover. O time de músicos dessa produção é magnífico. O guitarrista é Blixa Bargeld, que está entre os mais célebres de toda a cena pós-punk. Mick Harvey participou ativamente do álbum, contribuindo com instrumentos diversos, como guitarra, piano e backing vocal. O baixista é o glorioso Barry Adamson, que se consagrou tocando no Magazine, e as baquetas, por sua vez, ficaram por conta de Thomas Wydler – convenhamos que essa escalação já garante a qualidade da obra.

As faixas bases foram gravadas no inverno de 85 na Austrália, terra natal de Nick Cave. Adamson e Wydler, contudo, só puderem ficar no país durante três dias, usando esse período para suas colaborações sonoras. Posteriormente, Blixa se encontou com Nick Cave, mas também não pôde se prolongar devido aos compromissos com o Neubauten e ficou na Austrália por somente dois dias. Dessa forma, algumas canções foram gravadas depois que Thomas, Barry e Blixa partiram e, então, Nick passou algum tempo no estúdio com Mick, além de outros músicos que gravaram algumas pontas, como é o caso, por exemplo, de Tracy Pew. 
 
Em entrevistas, Nick disse que a experiência de produção do álbum ajudou a banda a amadurecer, a experimentar diferentes elementos e a executar uma variedade de outros tipos de música.

 
Como nada do que Nick cria é feito a esmo, o título do álbum é referência a uma citação bíblica da versão do Rei James, mais precisamente do livro de Atos, 26, versículo 14, que diz: "Porquanto resistires ao aguilhão, só te causará sofrimento”. Aliás, vale citar que temas e referências religiosas são frequentemente encontrados não apenas no álbum em questão, mas em várias músicas da banda. Apesar de esse tema ser recorrente, Nick Cave já tinha declarado que, além de não acreditar em um Deus pessoal, não é cristão e tampouco religioso. Entretanto, em 2009, quando o álbum ganhou uma versão remasterizada, Cave garantiu que mantém a mente aberta para a possibilidade da existência de Deus.

Em entrevistas, Nick disse que a experiência de produção do álbum ajudou a banda a amadurecer, a experimentar diferentes elementos e a executar uma variedade de outros tipos de música. Quanto à escolha das canções, os integrantes fizeram uma lista e foram experimentando a sonoridade até alcançar algum resultado que agradasse aos integrantes. Algumas faixas foram escolhidas a caráter de homenagem, e outras Nick diz que "eram fantasmas que o assombravam desde a infância", ou seja, eram canções favoritas de toda uma vida.  Entre as versões apresentadas, temos canções de Tom Jones, Velvet Underground e Johnny Cash, e elas têm um estilo tão característico do Bad Seeds que podemos levar até mesmo algum tempo para reconhecer qual a canção original de cada uma dessas versões. Eis a magia de um ótimo álbum cover!

Nick Cave já chegou a declarar que o álbum também foi feito como uma resposta a jornalistas (referindo-se principalmente à imprensa musical britânica) que constantemente depredavam a imagem da banda e o atacavam, desqualificando suas produções.

Nos anos 90, Cave, satisfeito com a produção, comentou: "(...) para todos que querem nos colocar para baixo, fiz o álbum perfeito. E ao mesmo tempo é um disco que todos que apreciam nossa música podem desfrutar".

Referências:

https://www.bad-seed.org/~cave/interviews/86-09_oor.html

https://aquariumdrunkard.com/2009/05/27/nick-cavebad-seeds-kicking-against-the-pricks/

https://en.wikipedia.org/wiki/Kicking_Against_the_Pricks

https://www.nickcave.com/

 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

QUEBRANDO REGRAS E QUESTIONANDO OS PADRÕES: ENTENDA O QUE É A CONTRACULTURA

 Por: Juliana Vannucchi e Camilo Nascimento

QUEBRANDO REGRAS E QUESTIONANDO OS PADRÕES:

Surgida nos EUA em meados dos anos sessenta, a contracultura foi um conjunto de manifestações que contestou a cultura vigente, rompeu com os tradicionalismos e as convicções de seu tempo e propôs novos modos de viver, pensar e agir. Nesse sentido, portanto, podemos entender que esse movimento se expressou numa dinâmica dual, tendo uma face desconstrutiva e outra construtiva, pois, por um lado, propunha-se a demolir e questionar os modelos existentes (fossem eles ideológicos, políticos, artísticos etc.) e, por outro, buscava ressignificar a realidade.

Nesse contexto, tenha-se em mente que a contracultura surgiu como resposta espontânea de uma geração que se sentia desconectada da sociedade em que se encontrava. A forma como essa geração enxergava o mundo estava diretamente em conflito com a visão dos pais, professores e instituições sociais. É por isso que a necessidade de ressignificação surge, não apenas como rebeldia ou contestação, mas como o único caminho possível para construir essa nova identidade e, acima de tudo, conseguir liberdade das amarras sociais do período.

 

Como em todo processo de ruptura e “questionamento social”, a contracultura aparece como um percurso natural para jovens que buscam a esperança e a ressignificação do seu mundo.
 

A GERAÇÃO DA CONTRACULTURA: QUEM ERAM OS REBELDES SEM CAUSA?

Os jovens adeptos a esse movimento estavam descontentes com o mundo ao seu redor. Entendiam que o sistema dentro do qual viviam era sufocante e encarcerava o homem, tornando-o uniforme, obediente, previsível e consumista. Havia uma insatisfação diante desse “modelo de vida” normativo que dominava a sociedade da época e que era visto como algo que deveria ser descartado, pois os costumes convencionais que imperavam não eram o único modelo de vida possível. Existiam caminhos diferentes a serem seguidos, alternativas que estavam além do status quo e, por isso, a hegemonia (artística, política, ideológica e outras) e as instituições (Estado, igreja, família etc.) preponderantes deveriam ser refutadas e negadas.

Como em todo processo de ruptura e “questionamento social”, a contracultura aparece como um percurso natural para jovens que buscam a esperança e a ressignificação do seu mundo, um caminho que os leva para longe de tudo que os sufoca. No entanto, todo movimento cultural ou social que promova o debate e superação de paradigmas e dogmas sempre estará sujeito a repressão e tentativas de deslegitimação.

A contracultura acaba sendo taxada por muitos como algo marginal, hedonista e  responsável por promover a perversão de valores morais e sociais.

PAZ E AMOR: OS HIPPIES SIMBOLIZARAM O AUGE DA CONTRACULTURA

Os hippies são os primeiros expoentes da contracultura, apesar de não serem os únicos, mas seus ideais de “paz e amor”, de uma sociedade baseada na vida coletiva, no compartilhamento e anticonsumismo são a síntese da contestação de todos os valores capitalistas, familiares e religiosos dos anos sessenta nos EUA. 

Com uma ascensão rápida entre os jovens, o movimento hippie acabou sendo visto como a representação da contracultura em si, fato que ganhou mais peso ainda com a realização do lendário e histórico festival de música de Woodstock, que foi o cenário ideal para que todo o espírito do movimento se manifestasse coletivamente em consonância com músicas e bandas que seriam lembradas para sempre como representantes do rock psicodélico.

A ruptura realizada entre as gerações pelo movimento hippie é um marco, no entanto, períodos de “questionamentos” se repetem ciclicamente, sempre provocados por uma nova geração ascendente, que vê nos seus “genitores” tudo o que eles não gostariam de ser. Sendo assim, é importante levar em conta que, embora os hippies tenham se associado à contracultura, não foram os únicos que fizeram parte dessa manifestação. O punk rock, surgido nos anos setenta, por exemplo, pode ser considerado uma forma de contracultura, uma vez que também contestou a cultura dominante e ofereceu novas propostas artísticas, ideológicas, comportamentais e estéticas que reverberaram todo um contexto construído desde os mesmos anos sessenta.

 

(...) seus ideais de “paz e amor”, de uma sociedade baseada na vida coletiva, no compartilhamento e anticonsumismo são a síntese da contestação de todos os valores vigentes.

PSICODELISMO:

Os jovens adeptos ao fenômeno da contracultura estavam dispostos a encontrar novos modelos de realidade. Essa foi a principal razão pela qual componentes como o misticismo, a cultura oriental e as drogas psicodélicas integraram a contracultura, uma vez que tinham potencial para fazer com que um indivíduo rompesse com as amarras da sociedade e do racionalismo dominante.

As drogas alucinógenas foram uma das principais características da contracultura. Através dessas “válvulas de escape”, busca-se expandir a consciência, entrar em contato com outras formas de realidade e viver experiências místicas. O LSD foi o químico alucinógeno mais famoso do período. O psicodelismo foi também o fio condutor da estética da contracultura, que abusa de cores vibrantes e formas geométricas desconexas.

 

O Woodstock, que foi o cenário ideal para que todo o espírito do movimento se manifestasse coletivamente.

 

A CONTRACULTURA AINDA EXISTE?

Para encerrar nossas reflexões, nós nos apoiaremos na passagem de um texto publicado no jornal britânico The Guardian, no qual o autor defende que a contracultura ainda se faz presente em nossos tempos, especialmente através de movimentos estudantis e ambientalistas: “Então, existe uma contracultura? A polícia certamente pensa que sim: infiltrando-se em grupos ambientalistas e, sem dúvida, no movimento estudantil de protesto também. Embora os viajantes sejam provavelmente o único verdadeiro grupo contracultural que resta na Grã-Bretanha tentando viver uma vida livre de interferência e vigilância, o espírito vive nos protestos estudantis, grupos de direitos dos animais, ativistas ambientais e no movimento antiglobalização. O sistema reprime a resistência com uma mão, enquanto arranca as artes underground com a outra. Nesse aspecto, é como os anos sessenta”.

A contracultura, concordamos, pode se fazer presente de diversas maneiras em nossos tempos, e o parágrafo acima elucida isso. Entretanto, vivemos num mundo mais globalizado do que nunca, no qual a alienação e o consumo, que são substâncias fundamentais do sistema capitalista, imperam por todos os lados. Assim sendo, levando em consideração que o questionamento dos valores estabelecidos e o desapego aos padrões vigentes tangem a contracultura, podemos dizer que esse fenômeno está enfraquecido em nosso mundo atual, uma vez que, de maneira geral, a maior parte das pessoas é escrava do sistema, carecendo de senso crítico e refutando cada vez mais as informações que são despejadas nelas.

Incorporados pelo sistema capitalista, a contracultura e seus ideais acabaram perdendo a relevância e, com certeza, o seu caráter contestador. Mas verdade seja dita, a sua influência ainda reverbera por vários movimentos sociais, passando desde os ambientes digitais, com certas organizações que pregam a anarquia e a liberdade total de regras, até os cenários culturais underground, que ainda respiram e buscam novas formas de representar a realidade em que estão inseridos.

Onde ainda houver inconformismo, a contracultura estará presente, mesmo que diluída de seus ideais e força originais. Talvez toda e qualquer manifestação cultural, social e comportamental que fuja do conceito de “normalidade’ vigente seja uma manifestação contracultural.

Referências:

BEY, Hakim. TAZ. Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad, 2001.

BOBBIO, Norberto. Liberalismo e Democracia. São Paulo: Brasiliense, 1990.

LARAIA, R.B. Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge. Zahar, 2004.

PEREIRA, Carlos. O que é contracultura. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.

https://en.wikipedia.org/wiki/Counterculture_of_the_1960s

https://www.theguardian.com/culture/2011/jan/30/underground-arts-60s-rebel-counterculture

https://www.telegraph.co.uk/travel/destinations/north-america/articles/fifty-years-woodstock-counterculture-alive-strong-catskills-festival/

https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-48849285

https://www.scielo.br/j/rsocp/a/tphWWXCs7NVJgfnBJ9CrFGL/?lang=pt

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