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SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

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WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

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segunda-feira, 17 de março de 2025

WUIVEND RIET: A OBRA-PRIMA DE JOHANNES SCHOELLING

 Por Juliana Vannucchi

Johannes Schmoelling  é um música excepcional e as composições desse genial músico alemão, são verdadeiras poesias instrumentalizadas. Lembremos, inicialmente, no final dos anos 60, a Alemanha foi palco de um movimento musical deveras relevante e essencialmente revolucionário: o Krautrock, que desde seus primórdios buscou inaugurar um período de criação musical próspera e autêntica no país.

Embora haja muitos aspectos para se analisar em relação ao Krautrock, de maneira geral, podemos mencionar que as bandas que fizeram parte desse movimento, eram essencialmente experimentais e produziam suas músicas com uma dose alta de criatividade que se complementava maravilhosamente com uma pincelada de ousadia. Foi justamente nesse contexto que surgiram grandes nomes da música alemã, que se destacaram mundialmente, tal como o Can, Faust, Amon Düül II, Kraftwerk, Neu!, e claro, o próprio Tangerine Dream. A sonoridade dessas bandas não é tão simples de ser analisada, pois devido ao fato de serem experimentais e de terem se proposto a inovar esteticamente, suas músicas pairam sob texturas bastante dinâmicas, embora de maneira geral, possamos dizer que são em parte psicodélicas e em parte eletrônicas.

Johannes Schmoelling começou a tocar piano aos oito anos de idade. Poucos anos mais tarde, aos doze, tocou órgão numa igreja e quando mais velho, estudou engenharia musical numa faculdade em Berlim. Depois disso, realizou um trabalho de som no meio teatral, no qual aprendeu técnicas que posteriormente lhe seriam bastante úteis. O tempo passou. A Alemanha mudou e o cenário sonoro também foi se alterando. Schmoelling vivenciou de perto e intensamente o contexto do Krautrock e certamente foi um dos nomes mais importantes do movimento. Ele brilhou no Tangerine Dream, criando melodias fantásticas e ajudando a banda a construir algumas das faixas e álbuns mais alucinantes do Rock And Roll. Mas o Wuivend Riet vai além de seus admiráveis trabalhos com o Tangerine Dream.

Em sua carreira solo, o aclamado músico alemão encontrou definitivamente o seu ápice musical. O Wuivend Riet é um álbum fascinante do começo ao fim, que através de sua singularidade e magia, envolve delirantemente o ouvinte. Seguindo a linha estética experimental do Krautrock, ele explora dissonâncias oníricas que se misturam com ruídos diversificados e genialmente estranhos. É um trabalho extremamente original no qual Johannes Schmoelling se arriscou a combinar as mais distintas, improváveis e atípicas melodias, mesclando-as com barulhos minimalistas bastante insólitos. Totalmente sui generis!

A dificuldade de categorização do álbum é algo difícil de se fazer. Conforme citado anteriormente, trata-se de um trabalho muito singular. Não são apenas ruídos amontoados. Não é apenas “música eletrônica”. Existe algo de profundo e especial nesse álbum tão fantástico, algo que faz com ele seja único e distante de qualquer gênero específico. No site oficial do músico, há um texto a respeito desse álbum e encontrei um trechinho interessante que merece ser transcrito: “O Wuivend Riet é uma tentativa de superar o mero elemento eletrônico e chegar a uma atitude inspirada musicalmente diferente em relação à eletrônica e suas possibilidades”. Definitivamente, esse álbum foi um paço a mais que rompeu qualquer tipo de barreira musical existente na época.

Johannes Schmoelling é uma espécie de “alquimista musical” bastante atrevido que gosta de misturar substâncias sonoras. Ele certamente deixou o Tangerine Dream com muitas ideias em mente. Mas é claro que deveria carregar também algumas incertezas, afinal, estava abandonando uma banda aclamada para trilhar um caminho incerto. O que podemos concluir é que ele sabia muito bem o que estava fazendo. Além de seus álbuns solos, também criou trilhas sonoras para filmes e programas de televisão.

Lançado em 1986, o álbum conta com um total de seis faixas.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

SIDAN ROGOZINSKI LANÇA NOVO EP: VALE MUITO A PENA ESCUTAR

Por Juliana Vannucchi

No início de junho, Sidan Rogoziński, talentoso músico do interior paulista, anunciou o lançamento do EP “Steatmeant”, que encontra-se disponível integralmente no Spotify. Com um total de sete faixas, dentre as quais encontram-se canções inéditas e singles antigos, Sidan, munido de seu violão e de sua potente voz, conduz os ouvintes através de uma sonoridade que os leva de volta ao melhor que os anos noventa ofereceu. Mas o EP não se restringe somente a essa espécie de viagem pela aura grunge. Ele conta também com experimentos musicais que, em alguns momentos, dialogam com o punk rock, como é o caso da faixa “Heart’s Ain’t Enought”, que é crua, veloz e minimalista, mas ainda assim, capaz de fisgar o ouvinte com seu refrão enérgico. Vale a pena destacarmos o hit “OH MAN!”, que consiste num verdadeiro e poderoso hino alternativo do universo musical de Sidan Rogoziński. Não é exagero algum dizer que essa faixa figuraria nas paradas globais dos anos noventa. "Sal" e "I Don't Hate You" são as mais sensíveis e tocantes do EP, as duas encantam e são capazes de agradar qualquer ouvinte que possua um gosto musical minimamente refinado. "Pequena Canção Para Pêssego Dormir" é uma ótima faixa e está entre as antigas que foram selecionadas para o EP. Por fim, temos o single "Outro Lugar", que é uma verdadeira ode poética.

 

O “Steatmeant” figura entre as mais empolgantes produções independentes do ano.
 

Cabe dizer ainda que Sidan, que atualmente trabalha como radialista, tem um passado musical elogiável e acumula um currículo vasto nesse meio. Ao longo de seu percurso, já ministrou aulas de violão e já fez parte de diversas bandas, como a “Divastrabica”, a “Medrar” e também a “Madreperola”, sendo que foi com esta que, em 2020, havia lançado sua última leva de produção musical inédita. E apesar de todas as suas contribuições com esses respectivos grupos terem terem sido admiráveis, podemos dizer que seu maior acerto está realmente no “Steatmeant”, que figura entre as mais empolgantes produções independentes do ano. Neste trabalho, de modo geral, Sidan Rogoziński mostra-se um artista mais maduro, criativo e confiante.

Para sorte dos amantes do bom e velho rock e dos fãs da cena musical independente, Sidan nos garantiu que há mais material para ser lançado. O músico, que acredita no potencial da arte, em seu alcance e valor, refletiu: “Arte é a expressão mais íntima de uma pessoa, suas visões e perspectivas. Quando uma peça de arte é feita com essa entrega ela se torna eterna, um monumento”. Aguardaremos ansiosamente os novos materiais desse brilhante artista brasileiro cuja voz, mesmo que desacompanhada de qualquer instrumento, já é por si, uma verdade obra de arte.


sábado, 2 de outubro de 2021

“KICKING AGAINST THE PRICKS”: OS BASTIDORES DO HISTÓRICO ÁLBUM DE NICK CAVE

Por: Juan Youth e Juliana Vannucchi
 
O terceiro álbum da banda Nick Cave And The Bad Seeds foi lançado em 1986 e é composto inteiramente de versões cover. O time de músicos dessa produção é magnífico. O guitarrista é Blixa Bargeld, que está entre os mais célebres de toda a cena pós-punk. Mick Harvey participou ativamente do álbum, contribuindo com instrumentos diversos, como guitarra, piano e backing vocal. O baixista é o glorioso Barry Adamson, que se consagrou tocando no Magazine, e as baquetas, por sua vez, ficaram por conta de Thomas Wydler – convenhamos que essa escalação já garante a qualidade da obra.

As faixas bases foram gravadas no inverno de 85 na Austrália, terra natal de Nick Cave. Adamson e Wydler, contudo, só puderem ficar no país durante três dias, usando esse período para suas colaborações sonoras. Posteriormente, Blixa se encontou com Nick Cave, mas também não pôde se prolongar devido aos compromissos com o Neubauten e ficou na Austrália por somente dois dias. Dessa forma, algumas canções foram gravadas depois que Thomas, Barry e Blixa partiram e, então, Nick passou algum tempo no estúdio com Mick, além de outros músicos que gravaram algumas pontas, como é o caso, por exemplo, de Tracy Pew. 
 
Em entrevistas, Nick disse que a experiência de produção do álbum ajudou a banda a amadurecer, a experimentar diferentes elementos e a executar uma variedade de outros tipos de música.

 
Como nada do que Nick cria é feito a esmo, o título do álbum é referência a uma citação bíblica da versão do Rei James, mais precisamente do livro de Atos, 26, versículo 14, que diz: "Porquanto resistires ao aguilhão, só te causará sofrimento”. Aliás, vale citar que temas e referências religiosas são frequentemente encontrados não apenas no álbum em questão, mas em várias músicas da banda. Apesar de esse tema ser recorrente, Nick Cave já tinha declarado que, além de não acreditar em um Deus pessoal, não é cristão e tampouco religioso. Entretanto, em 2009, quando o álbum ganhou uma versão remasterizada, Cave garantiu que mantém a mente aberta para a possibilidade da existência de Deus.

Em entrevistas, Nick disse que a experiência de produção do álbum ajudou a banda a amadurecer, a experimentar diferentes elementos e a executar uma variedade de outros tipos de música. Quanto à escolha das canções, os integrantes fizeram uma lista e foram experimentando a sonoridade até alcançar algum resultado que agradasse aos integrantes. Algumas faixas foram escolhidas a caráter de homenagem, e outras Nick diz que "eram fantasmas que o assombravam desde a infância", ou seja, eram canções favoritas de toda uma vida.  Entre as versões apresentadas, temos canções de Tom Jones, Velvet Underground e Johnny Cash, e elas têm um estilo tão característico do Bad Seeds que podemos levar até mesmo algum tempo para reconhecer qual a canção original de cada uma dessas versões. Eis a magia de um ótimo álbum cover!

Nick Cave já chegou a declarar que o álbum também foi feito como uma resposta a jornalistas (referindo-se principalmente à imprensa musical britânica) que constantemente depredavam a imagem da banda e o atacavam, desqualificando suas produções.

Nos anos 90, Cave, satisfeito com a produção, comentou: "(...) para todos que querem nos colocar para baixo, fiz o álbum perfeito. E ao mesmo tempo é um disco que todos que apreciam nossa música podem desfrutar".

Referências:

https://www.bad-seed.org/~cave/interviews/86-09_oor.html

https://aquariumdrunkard.com/2009/05/27/nick-cavebad-seeds-kicking-against-the-pricks/

https://en.wikipedia.org/wiki/Kicking_Against_the_Pricks

https://www.nickcave.com/

 

sábado, 29 de maio de 2021

CONHEÇA O PRIMEIRO EP DA BANDA MADREPEROLA

Por: Juliana Vannucchi

A banda Madreperola, que conta com Sidan Rogozinski, compositor, vocalista e multi-instrumentista; Fabi Bellentani, vocalista, mixagem e composição; e Rafael Santos, responsável pela guitarra e pelo violão, finalmente abriu-se ao mundo com o lançamento de seu EP de estreia intitulado “Prefácio”, que conta com um total de quatro faixas originais e um cover da música “Call Me”, do Blondie. Além dos três membros originais da Madreperola, o debut também contou com a participação do icônico grupo de Rap sorocabno “X da Questão”, composto por Carlo Rappaz, Don Berto, Messias e DJ R. Jay. Outro grande nome que fez uma ponta no EP foi Kuky Sanchez, baixista da banda Pedra Letícia, que toca na faixa “Tirei a TV da Sala”.

O principal elemento que encontramos presente em todo o percurso do “Prefácio”, que cria a sua identidade e assegura sua elegância musical, é o experimentalismo, que a todo instante conduz o ouvinte a rumos sonoros surpreendentes, pois em alguns momentos, quando parece que sabemos o caminho que as faixas seguirão, ocorre uma criativa ruptura instrumental ou melódica. Esse aspecto é definitivamente o ponto mais forte do EP e é construído com maestria pelo talentoso trio que, apesar de ter sido formado tão recentemente, demonstra ter uma enorme harmonia. Além disso, outro ponto digno de menção são as letras que, em partes, consistem em lampejos sentimentais e, por vezes, tornam-se engajadas, esbarrando em problemas de cunho urbano e social. 


Em sua totalidade, o EP soa de maneira singular por sua criatividade inventiva

 A criação do “Prefácio” possui em seu núcleo ideologia “DIY” e, a esse respeito, Sidan comenta: “É um EP sincero, feito apenas com o que a gente tem. Tirando a masterização, todo o processo foi feito por nós mesmos. Inclusive o clipe! Então, o resultado é autêntico e nos representa totalmente. DIY até a medula”. O músico também nos contou a respeito da inspiração para o título e para capa do EP: “Prefácio é bonito e dá ideia de continuidade, de que é apenas um começo. E é exatamente isso que queremos, continuar fazendo música. A capa é uma foto do artista aluminense Adriano Ávila, que faz um trabalho incrível. E o design foi do talentosíssimo Paulo Bova, de Indaiatuba, que também desenvolveu nosso logo”.

Em sua totalidade, o EP soa de maneira singular por sua criatividade inventiva que o torna brilhante e original. Abaixo, você confere uma análise de todas as faixas do álbum.

Mira:

A música de abertura chama-se “Mira”. Até certo ponto, a atmosfera dessa faixa parece surgir de uma mistura ousada de Pós-punk e Indie. Contudo, em certo momento ocorre uma ruptura desse clima e, então, o ouvinte se depara com a participação de dois rappers. Destaque para as excelentes linhas de guitarra que garantem um ritmo incrível à canção.

Quatro:

A sutileza da segunda música, em essência, contrasta com a faixa inaugural do EP. O duo vocal encanta o ouvinte com a harmonia doce de suas vozes que, aqui, insere, na medida, uma dose de melancolia no álbum.

Tirei a TV da Sala:

A música possui uma estrutura diferente das duas primeiras faixas. Percebemos uma guitarra bem acentuada e tocada com maestria que praticamente se torna o guia condutor dos vocalistas que, novamente, fazem um dueto fascinante com suas vozes celestiais.

Espirais:

Até um determinado trecho, a faixa se modifica e retoma a atmosfera mais sutil da segunda música. Porém, em certa parte, ela trilha um caminho um pouco diferente e  remete às bandas clássicas do Krautrock, que se aventuravam em suas inventividades, fazendo de suas produções um verdadeiro laboratório musical!

Acompanhe a banda nas redes sociais:

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Instagram:

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Escute o EP nas plataformas digitais:

https://album.link/msvdmp3d3vbvz



quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

ISTO NÃO É UM CONCEITO, É UM ENIGMA: EXPLORANDO O UNKNOWN PLEAURES

Por: Juliana Vannucchi
 
Se você é um amante do Rock And Roll (seja lá qual for sua vertente preferida), deve estar ciente de que o Unknown Pleasures é um dos álbuns mais icônicos de todos os tempos. Há várias razões para isso: o talento musical dos integrantes da banda, as singularidades instrumentais e líricas que fazem parte dessa produção, o comportamento sinistro de Ian Curtis, o conceito do álbum, e enfim, uma série de outros elementos que fazem com que o Unknown Pleasures seja verdadeiramente lendário.
 
Vamos tentar aprofundar um pouco a análise desses tantos aspectos. Para tentarmos entender e explorar um pouco mais desse grande álbum, comecemos a destrinchá-lo por sua ilustre e simbólica capa, que creio eu, traduz sua condição musical tão inquietante e intensa. A imagem, na qual vemos ondas brancas pairando sob um fundo negro, foi feita por Peter Saville. Trata-se do gráfico de um sinal de rádio captado por um radiotelescópio do pulsar PSR B1919+21, a primeira estrela de nêutrons descoberta. Em outras palavras, a figura consiste numa visualização monocromática das ondas eletromagnéticas emitidas por uma estrela enquanto ela morria. Além desse interessante detalhe sobre a capa do disco, outro fato deveras curioso e certamente bastante peculiar, é que o nome de nenhuma música consta no encarte e na versão original em vinil, não há informação alguma de qual é o lado A e qual é o lado B. Contudo, na contracapa encontra-se uma única frase: "Isto não é um conceito, é um enigma". É uma inscrição instigante que pode ser interpretada de maneiras bem variadas, mas vou arriscar uma reflexão: é possível que o álbum não precise - ou possa - ser interpretado ou desvendado de alguma forma. Ele deve somente ser sentido, ter seus poderosos efeitos absorvidos, atuar no ouvinte. Lembremos que, afinal, vivemos numa existência mais rodeada de mistérios do que permeada por explicações. Há, definitivamente, ao longo de nossas trajetórias nesse mundo, mais enigmas do que respostas concretas e também podemos dizer com certa segurança que, de modo geral, as dúvidas e as perguntas imperam. Em última instância, a vida toda pode ser considerada mais um enigma do que um conceito... Talvez o álbum seja tão atemporal e encantador porque, de alguma forma, nos revela essas fatos.
 
O Joy Division deu seus primeiros passos na cidade de Manchester, depois que Peter Hook, Bernard Summer e Terry Mason assistiram a um show do Sex Pistols e, inspirados pela ocasião, decidiram formar uma banda própria (fato esse que, convenhamos, já faz valer a carreira inteira dos Pistols). Posteriormente, o talentoso vocalista e compositor Ian Curtis juntou-se ao grupo e deu ao JD uma assinatura artística fúnebre e absolutamente diferenciada. O grande salto de sucesso da banda ocorreu quando entrarem para a Factory Records, uma gravadora independente que foi muito importante em suas produções e promoções. O Unknown Pleasures foi lançado em 1979 e aos poucos, a banda obtendo sucesso por parte do público e reconhecimento por parte da mídia e dos críticos. Contudo, enquanto a fama aumentava exponencialmente, Ian Curtis sofria de epilepsia e suas crises se tornavam cada vez mais graves. Ademais, nesse mesmo período, as desavenças entre ele e sua esposa estavam se tornando muito frequentes. Infelizmente, o jovem vocalista suicidou-se em maio de 1980, fato que gerou o fim da meteórica, eterna e arrebatadora trajetória do grupo de Manchester. É válido citar que, no geral, há bastante controvérsia a respeito dos fatos que realmente o levaram a tirar a própria vida. 


Ingresso do show dos Pistols, pertencente a Peter Hook. Foi esse show que o inspirou para criar o Joy Division 
 
 
Para entender melhor a importância e a unicidade desse álbum tão espetacular, conversamos com Ricardo Santos, músico de destaque no cenário Pós-punk nacional (com projetos autorais notáveis como The Downward Path, Stella Tacita, In Auroram, dentre outras bandas), que refletiu a respeito de sua experiência e conhecimento em relação ao Unknown Pleasures: "A princípio, o disco me soou estranho, embora viciante. O baixo de Peter Hook mais alto que a guitarra, a bateria de Stephen Morris comprimida e filtrada para parecer uma máquina, a guitarra de Bernard Sumner mantendo o minimalismo e frieza e juntos preparando o ouvinte para o vocal grave e as letras perturbadoras de Ian Curtis... o disco é um divisor de águas, inaugurando um estilo copiado à exaustão por muitos que vieram depois. O UP derrubou barreiras estéticas e estilísticas fundindo o Punk ao Krautrock, David Bowie e Suicide, Jean-Paul Sartre e Franz Kafka numa poesia única e profundamente pessoal que externava seus medos, paranoias e toda sorte de sentimentos que poderiam afligir um jovem inglês na década de 70 e ensinar as gerações futuras ao redor do mundo como se expressar a respeito de suas próprias mazelas". 
 
De fato, conforme precisamente observou Ricardo Santos, o Unknown Pleasures, no geral, possui uma aura sombria e pessimista, permeando por uma enorme onda de sensibilidade e emoção, e foi construído em cima da instigante vastidão obscura do intelecto e dos sentimentos de Ian Curtis. É um álbum atemporal, um presente musical catártico cujo significado sempre será imenso e cuja essência, independentemente do tempo e do espaço, será eternamente atual e capaz de fazer sentido para qualquer um que o escute. Sua estética foi inovadora e até os dias de hoje as faixas que o compõe são fontes de inspiração para inúmeros artistas ao redor do mundo. Minhas músicas favoritas são “Insight” e “Shadowplay”, ambas profundas e maravilhosamente perturbadoras. Ian Curtis foi um verdadeiro poeta que conseguiu expor em suas letras o estado de alma de indivíduos niilistas, caóticos e deslocados. Aliás, certa vez, a respeito de suas composições, Curtis declarou: “Escrevo sobre as diferentes formas que diferentes pessoas lidam com certos problemas, e como essas pessoas podem se adaptar e conviver com eles". O Unknown Pleasures é sempre bem-vindo, sempre cativante em qualquer ocasião e sempre capaz de gerar em nossas almas uma série de prazeres desconhecidos. 

Para finalizar esse breve texto, deixo abaixo uma reflexão que escrevi para o meu site, o Acervo Filosófico. Mas, lembre-se que ainda há muito o que se desvendar...

“(...) Certamente sua retração e sensibilidade emocional fizeram de Curtis um artística enigmático e um tanto complexo de ser compreendido. Sua dança no palco era feita com singularidade, repleta de movimentos espalhafatosos e um tanto quanto desengonçados. Era uma forma de ironizar seu pior inimigo: o ataque epilético. Isso é bem nietzschiano (...) Na contracapa do álbum, consta a seguinte sentença: “Isto não é um conceito, é um enigma“. É uma frase que possibilita nossa mente a viajar por inúmeras possibilidades. Talvez seja uma alusão à nossa própria jornada de pensamento. Será que é possível conceituar o mundo ou a tentativa de formular respostas sempre nos levará, inevitavelmente a problematizar algo novo, nos prendendo a dúvidas circulares? É filosófico e bastante intrigante. Para o filósofo Hegel, o mundo poderia ser sistematizado racionalmente. Schopenhauer o criticou colocando em destaque um aspecto que não pode ficar de fora de quaisquer afirmativas quanto ao mundo: a emoção. Portanto, para este último pensador, não podemos simplesmente tentar enquadrar a natureza em um sistema lógico deixando de lado as nossas próprias sensações particulares e experiências sensíveis.Ou talvez, Ian não tenha tentativo dizer absolutamente nada do que foi mencionado acima. Pode ser sido apenas uma frase… algo relacionado com o cosmos ou com a morte de uma estrela.” (Fonte: http://www.acervofilosofico.com/ian-curtis-e-seus-prazeres-desconhecidos/)
 

Certamente sua retração e sensibilidade emocional fizeram de Curtis mais um artística enigmático e um tanto complexo de ser compreendido.

terça-feira, 23 de junho de 2020

ROXY MUSIC: O ICÔNICO ÁLBUM QUE MARCOU A HISTÓRIA DO ART ROCK

Por Diego Bagatin

No início dos anos 70, o Art Rock, subgênero do rock experimental, já era notado em algumas bandas que também faziam parte de movimentos mais pop e tradicionais. O rock progressivo, que estava caminhando com toda força na Inglaterra, já estava fazendo parte de um conceito épico na cena musical com bandas como Pink Floyd e seu “Atom Heart Mother” (1970), e Yes com seu “Close to the Edge” (1972). Além disso, muitas outras bandas também estavam se formando por influências de movimentos da vanguarda do final dos anos 60, com o Velvet Underground tendo efeito sobre muitos projetos que se originaram depois. Captando essas influências da vanguarda, elementos de rock progressivo, alternativo e música popular, o graduado de escola de arte Bryan Ferry teve a ideia de formar uma banda com alguns conhecidos que aceitaram entrar em um projeto que mudaria o curso da história do art rock. Essa banda foi o Roxy Music.

Em sua primeira formação, junto com Bryan Ferry, a banda contava com Graham Simpson, um baixista conhecido de seus tempos da escola de arte, o saxofonista Andy Mackay, o guitarrista Phil Manzanera (que mais tarde viria a trabalhar com outros músicos como David Gilmour), o baterista Paul Thompson e o multi-instrumentista Brian Eno, que anos depois iria produzir álbuns de respeito como a estreia do Devo e a Trilogia de Berlim, de David Bowie, além de uma imensa carreira solo que o denominou como um dos maiores expoentes da música ambiental. Estava formada uma das mais brilhantes (no maior sentido literal da palavra) bandas que surgiram com o fenômeno do Art e Glam Rock.


Roxy Music foi pioneira na cena musical Art Rock.

O flower power havia acabado junto com Charles Manson e seus assassinatos, e o Roxy Music chegou no início dos anos 70 para celebrar a vida de uma maneira tão experimental e intensa que muitas bandas que surgiram nos anos seguintes se viam na sombra de uma majestosa onda de sons dos sintetizadores do Brian Eno. Produzido por Peter Sinfield, poeta e membro dos primeiros anos da banda de rock progressivo King Crimson, o disco homônimo de 1972 se abria com uma festa e vozes de uma nova década que estava surgindo.

“Re-make / Re-model” introduz o ouvinte a uma agitação sonora por meio de cruzamentos dos instrumentos da banda, em especial o teclado e os sintetizadores de Brian Eno, pulsando a celebração que previu a carreira da banda durante os anos posteriores. Eno, em seu VCS3, dá sequência com a abertura de “Ladytron”, enquanto o oboé de Andy Mackay se junta aos sons do sintetizador formando um vislumbre do que seria algo como um foguete pousando sobre a Lua. Vale lembrar também que a faixa originou o nome da ótima banda de electropop Ladytron, surgida em Liverpool no final dos anos 90. Uma sentimental voz de Bryan Ferry surge em "If There is Something" trazendo uma declaração de amor em meio a solos de guitarra do incrível Phil Manzanera e de saxofone de Mackay. Isso logo é deixado para trás quando o pop toma conta do disco com “Virginia Plain”, uma das faixas mais conhecidas da banda. A música fez muitos convidados do programa musical da BBC Top Of The Pops dançarem sem terem noção de que a história estava sendo feita e transmitida para influenciarem muitas gerações que viriam em seguida. O disco também possui homenagens ao cinema, com “2HB” sendo um tributo a Humphrey Bogart, ator de Casablanca. Aqui, Bryan Ferry mostra o lado charmoso e suave para temas que viriam a se tornar hinos de discos do Roxy Music no final dos anos 70 e começo dos anos 80, como um ambiente de cheio de coquetéis e ternos. Uma imagem muito inspirada clássicos dos anos 50. O lado B começa e termina com faixas extraordinárias para belos exemplos da avant garde, com "The Bob”, "Chance Meeting", "Would You Believe?" e "Sea Breezes" trazendo um dilúvio de ruídos e efeitos sonoros cheios de estranheza e hiperatividade, já “Bitters End” encerra o disco com uma emotiva balada de fim de festa. E que festa!

O disco Roxy Music também conta com a ex Bond girl e modelo Kari-Ann Muller na capa, esposa de Chris Jagger (irmão de Mick Jagger). Uma característica que faria parte da discografia da banda, apresentando sempre mulheres que tornariam cada disco icônico e charmoso como trilhas de filmes da década de 50.

Um marco na história do Art Rock.

Kari-Ann Muller, a primeira de muitas mulheres icônicas das capas dos discos do Roxy Music.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

BACK TO THE LAND - ESCARLATINA OBSESSIVA

Por: Vannucchi

O Back To The Land é o trabalho mais recente lançado pelo duo Escarlatina Obsessiva. Embora seja o álbum mais original e qualificado já produzido pela dupla, provavelmente é também o mais incompreendido por uma grande parcela de fãs e críticos, que ainda não conseguiram entender a essencial proposta de Karolina e Zaf. “Mas, afinal, que proposta é essa?”. Mergulhe na discografia da EO. Assista aos vídeos oficiais que eles lançaram, deixe sua mente aberta e desvende.

O Back To The Land mostra a versatilidade de Karolina e Zaf.
 O álbum  é instrumentalmente potente e ousado, especialmente porque tenta se afastar da atmosfera Pós-punk que permeava os trabalhos anteriores - e faz isso com um êxito notável. Embora ainda seja  possível identificar um pano de fundo parcialmente sombrio em alguns momentos, esse aspecto, definitivamente não prevalece na totalidade do Back To The Land, tal como ocorre nas produções anteriores da EO. As letras, por sua vez, mantém o mesmo padrão de qualidade dos outros álbuns, ou seja, são escritas com profundidade e (aparentemente) abordam temáticas variadas. É válido citar também que o encarte do álbum (privilégio de quem tem o CD físico com o qual eu fui gentilmente presenteada por Karol e Zaf) possui ilustrações bem variadas e interessantes, que  complementam a autenticidade do Back To The Land. Considerando esses aspectos comentados, o Back To The Land mostra a versatilidade de Karolina e Zaf, cujas influências e gostos musicais são bastante diversificados. Depois dessa última produção, nos resta aguardar ansiosamente pelas próximas novidades. Espero que continuem se reinventando, pois eles possuem a (rara) capacidade de fazer isso com competência - e esse é um talento do qual muitos músicos carecem.

O Back To The Land é o último álbum lançado pelo duo Escarlatina Obsessiva.
 
É interessante notar que grande parte dos críticos consideram que a EO seja um duo de música "gótica". Contudo, o Back To The Land parece sustentar minha antiga teoria de que eles não são.  Aliás, penso que qualquer tentativa de relacionar esse álbum em particular com com a sonoridade dark, é bastante errônea, pois embora em alguns momentos, ele beire esse percurso, os caminhos que o sustentam, de maneira geral, são outros. Eles são o que são: uma metamorfose underground musical. Enfim, o álbum em questão abre as portas para uma doce viagem pelas planícies místicas de lugar-nenhum. Você já esteve por lá? Experimente o BTTL e boa viagem!

*Observação: Consta um easter egg na capa!

Links Oficiais:

YouTube: https://www.youtube.com/user/escarlatinaobsessiva/videos

Bandcamp: https://escarlatinaobsessiva.bandcamp.com/

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

CONHEÇA O "MÚSIKA", NOVO EP LANÇADO PELA BANDA 1983


 Por: Vannucchi

No início de novembro, a banda 1983 lançou um novo EP intitulado “Musika”. A grande novidade desta nova produção e que a difere das anteriores, é a participação do baixista Thiago Halleck, que pela primeira vez, gravou em estúdio com o grupo. O músico, que começou a se apresentar com a 1983 no ano passado, nos contou que estava ansioso pelo lançamento do novo EP. De acordo com o baixista: “Já fazia um certo tempo que eu estava tocando ao vivo com eles, mas essas músicas novas tem uma identidade diferente e eu fiquei feliz em colocar o meu registro nas composições. As gravações foram tranquilas e muito práticas. Foi realmente muito legal participar de toda essa produção, que pra mim consistiu numa experiência de muito aprendizado”.

O “Musika” conta com um total de cinco faixas, sendo quatro delas inéditas, além de uma regravação encantadora da clássica “The Night Makes Me Feel Better”, que foi uma das primeiras composições de Dennis Monteiro, gravada e lançada pelo Days Are Nights, em meados de 2006. De acordo com o compositor, quando essa canção foi originalmente feita há mais de uma década, sua produção não contava com uma linha de baixo, porém, com a entrada do músico Thiago Halleck na 1983, eles passaram a apresentá-la ao vivo com participação desse instrumento. Conforme Monteiro comentou: “Nosso baixista adora essa música. Ele criou uma ótima linha de baixo e refizemos a versão com a guitarra, já que a gravação anteriormente feita pela banda Days Are Nights possuía somente sintetizador. Tocávamos assim ao vivo e notamos que estava bem legal, então resolvemos gravar e o resultado foi ótimo”.

Musika: Um dos melhores lançamentos de 2019 da cena independente. 
 
Em sua totalidade, o "Musika" é produção é soturna e melancólica, mantendo assim a atmosfera dos lançamentos anteriores da banda, que também portavam esses mesmos elementos. As letras de todas as faixas são bem poéticas e parecem esbarrar em questões sociais e niilistas, temáticas comuns nas canções escritas por Dennis na 1983. Sinto que esse EP assume o papel de um suplemento aprazível, capaz de abastecer consciências perturbadas e deslocadas. Ele atua como uma pílula que causa efeitos profundos em quem o escuta, servindo como uma espécie de consolação para dramas existenciais. Note-se que a faixa introdutória apresenta a seguinte indagação: “Música serve pra quê?”. Pois a resposta para tal questão, ao meu ver, encontra-se justamente no repertório que a segue, pois ao escutar o EP na íntegra, o ouvinte se perde em suas melodias e é dosado por uma espécie de “anestesia existencial”, que momentaneamente o afasta de todas as suas perturbações. Portanto, é justamente no instante em que a última faixa cessa, que surge a resposta para a pergunta levantada no início do EP. Aliás, essa música de abertura consiste num aspecto muito interessante e filosófico, já que é inteiramente estruturada por uma indagação que, como dito logo acima, ao meu ver é respondida no decorrer das faixas.

Dennis confessou ao nosso site que há novidades pela frente: “Estamos trabalhando em material audiovisual. Queremos lançar uma live que gravamos ainda antes do EP, que deve conter 4 músicas. Nós gravamos áudio e vídeo ao vivo no estúdio com a ajuda de Sergio Brandt. Estamos trabalhando também em dois vídeos para músicas do EP”.

domingo, 18 de agosto de 2019

SÓLSTAFIR - ÓTTA:

Por: Juliana Vannucchi

Lançado em 2014, o Ótta é o quinto álbum de estúdio do Sólstafir, banda islandesa de Black Metal que começou a dar seus primeiros passos em meados de 1995 e gravou seu primeiro trabalho de estúdio em 1999.

Os atuais músicos que compõe a banda atualmente são o vocalista e guitarrista Aðalbjörn Tryggvason, o baixista Svavar Austman, o guitarrista Sæþór Maríus Sæþórsson e o baterista Hallgrímur Jón Hallgrímsson, que juntou-se ao grupo mais recentemente, em 2017. 

 A primeira vez que escutei o Ótta foi durante uma visita feita a um querido amigo – que aliás, é um grande conhecedor de Rock And Roll, especialmente do Metal. Esse amigo disse que eu iria gostar das músicas e acertou! Eu comecei a me encantar pela banda especialmente durante a segunda faixa, que carrega o mesmo nome do álbum e, daquele ponto até a última música, fiquei simplesmente maravilhada com o Sólstafir.

O Ótta, de maneira geral, é um álbum intenso, criado a partir de despejos densos de emoção e sentimentos. Suas músicas conduzem o ouvinte a um passeio obscuro através das gélidas paisagens escandinavas e durante este percurso fatal ao qual somos tão envolventemente conduzidos, nos perdemos numa profunda e trágica experiência catártica cujo efeito poderoso nos emerge num processo de limpeza espiritual. 

Capa do álbum: uma imagem sublime e sentimental.

 A sonoridade do álbum oscila brilhantemente entre arranjos compostos por elementos sonoros tradicionais do Black Metal e melodias suaves e obscuras. Essas tão diferentes texturas são exploradas com maestria, algo que certamente, não é um feito simples e exige uma qualificação artística especial por parte dos músicos. E claro, é preciso dizer que essas alterações sonoras consistem num dos pontos mais deslumbrantes do álbum, afinal, garantem a ela uma unicidade diferenciada. O Ótta possivelmente é o trabalhoso mais grandioso e expressivo da belíssima carreira do Sólstafir, que já há algum tempo se firmou com uma das mais talentosas e promissoras bandas do Rock islandês.

O Berdreyminn é a produção mais recente da banda, e foi oficialmente lançado em 2017. É sem dúvida um trabalho musical grandioso e notável, que certos aspectos, é similar ao Ótta, embora eu precise confessar que não encontro nele a singularidade e profundidade presente neste álbum de 2014, que tanto me encantou e que possui a capacidade de me absorver por completo toda vez que o escuto.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

HEARTWAVE - JESSIE EVANS

Por: Juliana Vannucchi e Gabriel Marinho

2019 está sendo um ano entusiasmante para os fãs de Jessie Evans. No mês de março, a cantora norte-americana divulgou um single gravado com o mexicano Zafiro Zafiro e agora, em junho, a talentosa artista nos presenteou com um novo álbum de estúdio intitulado “Heartwave”. 



O álbum foi produzido por Younick Yvenou e possui um total de dez faixas. As letras navegam por temáticas poeticamente sentimentais e por reflexões profundas. Elementos da natureza também citados - eles frequentemente estão presentes nas letras de Jessie Evans e são claramente uma inspiração grandiosa em sua vida. Instrumentalmente, é bem qualificado. Além da cantora, outros músicos também participaram das gravações do Heartwave: Automne Lajeat gravou o violoncelo, Deborah Saraiva e Gustavo Cecci foram os responsáveis pela percussão e Yvenou gravou a flauta e a guitarra. E válido citar que, Elladina, filha de Jessie Evans, também participou das gravações, cantando (maravilhosamente) na faixa “Hold Onto Me”. 

O Heartwave, de maneira geral, é imensamente envolvente e poderoso. As canções carregam uma sonoridade notavelmente criativa, cujas melodias variam entre um clima tradicional da New Wave e mesclam-se com dosagens de Dark Tropical Pop. Em sua totalidade, também paira uma atmosfera cósmica que assinala ao trabalho um tom único de originalidade. Certamente, o Heartwave representa o auge da preciosa discografia de Jessie Evans que mostra um amadurecimento musical cada vez maior, e um potencial artístico crescente.

> Escute o álbum na íntegra: https://jessieevans.bandcamp.com/

quarta-feira, 1 de maio de 2019

LOVE: O ÁLBUM REVOLUCIONÁRIO DO THE CULT

Por: Vannucchi

O The Cult teve uma carreira bem sucedida e, no geral, todos os álbuns de estúdio que lançaram são elogiáveis. O "Love", de 1985 é o mais popular da discografia e obteve grande sucesso comercial, tendo vendido mais de dois milhões de cópia. Acredito que a popularidade se justifica na qualidade sonora, pois o vejo como o grande álbum da carreira do The Cult e, certamente, um dos mais interessantes dos anos oitenta.

Billy Duffy e Ian Astbury, os grandes nomes do The Cult.
O álbum possui um total de dez faixas, que em conjunto criam uma atmosfera magnífica e inigualável. Dentre tais encontram-se as clássicas "Revolution" e "She Sells Sanctuary". O The Cult é uma banda autêntica e diferenciada e creio que o "Love" retrata muito precisamente esse aura peculiar da banda. Ian Astbury e Billy Duffy são os grandes destaques desse trabalho sonoro descomunal: o primeiro, encanta com sua voz sublime enérgica e poderosa e com suas composições líricas esquisitas e enigmáticas; o segundo, por sua vez, brilha na guitarra, dando ao instrumento uma verdadeira "voz" que em certas faixas se sobressai como sendo o principal elemento compositor - é o que ocorre, por exemplo, nas duas músicas clássicas e famosas citadas no início deste parágrafo, nas quais o som da guitarra é cativante. Além desses integrantes, os outros membros da banda, certamente também merecem ser exaltados, afinal, o "conjunto da obra" funcionou muito bem e não a toa, o "Love" se tornou um disco lendário e inigualável. Enfim, é um álbum que consegue ser dançante, entusiasmante e também incrivelmente trágico e soturno. Passeia por várias esferas do sentimento humano, conduz nosso espírito para terras diversificadas... é como um livro de poesias capaz de nos levar ao deslumbre dos mais diversos deleites.

O "Love", por si, vale a carreira inteira do The Cult, embora felizmente a banda tenha muitos outros materiais de qualidade para oferecer. É válido citar que há quem critique a drástica mudança de postura do "Love" para alguns trabalhos seguintes nos quais a guitarra se torna mais acentuada e a banda assume uma postura musical, digamos, mais voltada ao Hard Rock. Eu, no entanto, jamais achei que isso foi um problema ao The Cult. Muito pelo contrário, penso que foi uma virada de chave importante e bem feita na carreira da banda e acredito que seja um erro tentar desqualificá-los por conta disso, tal como algumas pessoas fazem. Geralmente esse tipo crítica é feita por góticos aficionados por mesmices sonoras e que, talvez, nunca tenham perdoado Ian por ter rumado do sombrio Southern Death Cult para o aventureiro The Cult. Mas Ian tinha muito talento para se estagnar num único gênero musical. 

O "Love" é um dos álbuns mais memoráveis dos anos oitenta.

terça-feira, 5 de março de 2019

THE MARBLE INDEX - NICO:

Por: Vannucchi

O primeiro álbum solo da Nico que eu conheci foi o The Marble Index, de 1968, produzido pelo talentoso John Cale. Antes de escutá-lo pela primeira vez, eu apenas conhecia o grandioso trabalho da cantora alemã no The Velvet Underground. Aliás, foi justamente pela imensa admiração que eu nutria por essa expressiva participação de Nico no Velvet, que decidi vasculhar sua discografia solo. Já antecipo que eu me apaixonei perdidamente pelo The Marble Index logo na primeira faixa e, bastou ouvir esse álbum uma única vez na íntegra para que ele se tornasse um daqueles discos de cabeceira.

O precioso The Marble Index é o segundo trabalho solo da loira mais controversa e original do Rock And Roll. Nico realmente era genial e esse álbum expõe bem essa característica da cantora. A voz dela é penetrante, hipnótica e divina. E o The Marble Index é impecável desde a primeira faixa, até a última. Ele se mantém durante todo o tempo numa atmosfera delicada e poderosa, que nos conduz para um passeio celestial através do qual nos esquecemos de nós próprios. Ele é capaz de atuar sobre nós com uma força estética rara, sendo uma daquelas produções incomparáveis que felizmente nos surgem de tempos em tempos. É um álbum impressionante e acho bem difícil escutá-lo sem se deixar levar por seu brilhantismo e unicidade. Além da voz de Nico, é preciso mencionar que os outros componentes instrumentais também são muito elogiáveis, pois eles mesclam e oscilam seus caminhos sonoros de formas bem divergentes, mas que, de maneira geral, conservam uma aura Folk e medieval, que se alinham de modo ideal com as melodias cantadas por Nico. 

O The Marble Index é o segundo trabalho solo de Nico.
A voz da Nico pode ser um sussurro angelical ou um temível grito diabólico - justamente por causa dessa dualidade é que ela foi espetacular. Por onde passou, teve uma carreira deslumbrante e que, de alguma maneira, foi marcante. Ela foi polêmica e as críticas negativas que recebe não são poucas. Entretanto, penso que, de uma maneira ou de outra, independente do comportamento ou da questão ideológica, ela nos deixou um valioso e relevante legado artístico, que é simplesmente incomparável, afinal, não há voz como a dela, que irá muito singular. 

O The Marble Index conquistou a crítica especializada e ainda cativa e hipnotiza muitas pessoas. Pra mim, embora os outros trabalhos solos de Nico sejam muito qualificados, o The Marble Index foi seu auge de originalidade. Ninguém fará algo tão especial.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

STRANGE DAYS: UM DOS MAIORES ÁLBUMS DE ROCK AND ROLL DE TODOS OS TEMPOS

Por Juliana Vannucchi
 
Eu realmente amo o The Doors e sou completamente fascinada pelo Strange Days. Acho que ao lado de "Waiting For The Sun" e do "The Doors", está entre os melhores álbuns da gloriosa e brilhante carreira da banda. Esse foi apenas o segundo trabalho original de estúdio, formado por algumas faixas que haviam ficado fora do primeiro álbum lançado e, claro sendo igualmente composto por músicas inéditas, criadas especialmente para ele. 
 
O primeiro aspecto interessante e cativante dele que acho digno citar, é sua capa bizarra, composta por vários indivíduos que parecem ter saído de um circo. Essa imagem, que retrata um grupo de artistas, foi fotografada em Nova Iorque, e foi registrada por Joel Brodsky. Mas essas pessoas não saíram de um circo... uma delas era um taxista que recebeu cinco dólares por seu "serviço como modelo fotográfico" e um outro sujeito era assistente do fotógrafo acima mencionado. Bem, agora deixemos essa icônica capa para trás e adentremos ao conteúdo propriamente dito do Strange Days: eu simplesmente aprecio todas as faixas, da primeira até a última e acho que o álbum é capaz de compor qualquer lista baseada nos “maiores discos de Rock And Roll de todos os tempos”. Nele estão presentes algumas das melhores letras escritas por Jim Morrison, e como exemplo disso, posso mencionar a misteriosa “Strange Days” e a profunda, psicodélica e parcialmente melancólica “Unhappy Girl”, cujas mensagens, ao menos para mim, são simplesmente geniais, e cheias de espantosas propostas reflexivas. Nesse álbum se encontram reunidos alguns dos maiores clássicos da carreira do Doors, que se tornaram verdadeiros "hinos" da banda, tal como “People Are Srange”, “When The Music Is Over” e a popular "Love Me Two Times".

O "Strange Days", de maneira geral, é um álbum místico, ritualístico, que se propõe a dialogar com nossas almas e que oferece um poder grandioso de nos elevar para qualquer outro plano além do habitual em que vivemos em nossos cotidianos. Suas músicas são alucinantes. É um artefato mágico e poderoso, daquele tipo que somente os Doors eram capazes de criar. Trata-se de um exemplo prático de “magia do caos”, eu diria.

 
O Strange Days é o segundo álbum de estúdio do The Doors e foi lançado em 1967.

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