Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

quinta-feira, 25 de abril de 2019

12 BANDAS NACIONAIS UNDERGROUNDS QUE VALE A PENA CONHECER

Por: Vannucchi e Marinho


 Selecionamos doze bandas brasileiras que possuem raízes undergrounds e que fazem um trabalho musical digno de reconhecimento. Acreditamos no potencial de todas elas e estamos sempre de portas abertas para divulgá-las. Confira!

Escute algumas músicas dessas bandas em nossa playlist no YouTube: 




The Other Creatures:


O The Other Creatures é um projeto musical underground criado em 2017 por Juliana Vannucchi e Gabriel Marinho, os de editores e criadores deste blog. De acordo com o crítico musical Fábio Melo, do site Groundcast, é um "projeto novo e experimental que tem muitas influências musicais e filosóficas". Em relação ao "The Devil's Causeway", primeiro álbum lançado pelo The Other Creatures, o crítico, que gostou do trabalho, comentou que: "É um disco bem variado, musicalmente falando. Um princípio de Pós-Punk, com muitas dissonâncias, com muita influência do Indie Rock anos 90, do New-Folk e a voz do Gabriel é melancólica e lembra muito a de Scott Walker. É um grupo bastante estranho para escutar".


Firefriend:


Essa é uma banda explosiva e intensa, cujas músicas são parcialmente melancólicas e parcialmente psicodélicas. Sem dúvida é uma das grandes surpresas do cenário musical brasileiro que descobrimos em 2019 e uma das maiores promessas da cena underground brasileira. A banda tem um som que carrega influências diversas, como, por exemplo, Indie, Shoegaze e Punk Rock, e suas músicas são encantadoras, especialmente, parece-me, para almas solitárias e deslocadas. Vale a pena conhecê-los.
 
Escarlatina Obsessiva:


O duo de Minas Gerais esbanja brilhantismo e já se consolidou faz tempo como um dos mais populares e mais bem sucedidos nomes da história da cena underground brasileira. Recentemente lançaram o elogiável e ilustre álbum “Back To The Land”, que superou em qualidade e profissionalismo todos os trabalhos anteriores de sua discografia. Além disso, em 2019 já tocaram ao vivo, num show épico que realizaram na cidade de Sorocaba, localizada no interior de São Paulo. É válido citar também que os músicos da EO, Karolina e Zaf, são os idealizadores e produtores do maior evento musical underground da América Latina, chamado Woodgothic, que acontece esporadicamente em São Tomé das Letras - Minas Gerais.

We Are Pirates:

De acordo com Ricardo Vieira, as músicas do WAP foram "100% feitas em casa".
Eis aqui um projeto musical underground que é bastante conceituado. Foi criado na cidade de Colatina/ES, em meados de 2011, pelos músicos João Paulo Dalla, Bruno Moreira e Ricardo Vieira, ex-membros do grupo Mickey Gang. O EP "Kids Practice" é simplesmente genial, tão intrigante e profundo que se torna uma tarefa desafiadora encontrar as palavras corretas para descrever sua qualidade. O que posso dizer é que todas as faixas lançadas pelo WAP que, infelizmente não está mais na ativa, são excelentes, profundas e especiais. Destaque para "Running" e "Canyon", as músicas mais poéticas e extraordinárias que criaram. Basta escutá-las uma única vez para se deixar cativar pelo We Are Pirates...

 Looming Flames:

Um dos projetos musicais mais ambiciosos e originais do vasto universo underground brasileiro. Marcelo Badari é o célebre músico que está por trás do Looming Flames. Residente de Joanópolis,  é multi-instrumentista e cria canções experimentais de enorme elegância, trabalhando totalmente aos moldes do D.I.Y. Badari é uma espécie de "cientista musical" que faz inúmeras experiências em seu laboratório. Recentemente, Badari se juntou com nossa editora Juliana Vannucchi, ao lado de quem começou a dar os primeiros passos de um novo projeto musical sobre o qual, em breve, nossos leitores terão mais informações.

O Brasil tem inúmeras bandas undergrounds de qualidade. Listamos algumas delas.
1983:


Este é mais um grandioso e cativante projeto do inventivo músico Dennis Monteiro. É uma banda cuja atmosfera, de maneira geral, é niilista e sombria. Suas letras tratam principalmente de questões políticas e existenciais e o instrumental segue uma linha que se identifica tanto com aspectos do Punk Rock, quanto da Darkwave, rendendo-se mais a este último gênero. A banda faz shows com bastante frequência, especialmente em São Paulo. Em 2018 lançaram três materiais oficiais: dois EPs e um single. Conforme já citamos certa vez, Dennis Monteiro simplesmente não falha e dele podemos sempre esperar materiais caprichosos e de qualidade!

Gangue Morcego:

A espetacular banda Gangue Morcego lançou apenas um álbum de estúdio (em versão física e virtual), mas este único trabalho foi suficientemente bom para que cravassem sua marca na história da música underground de nosso país. Eles possuem uma aura muito singular, sendo intensamente sublimes e terrivelmente agressivos. Além dos grandiosos e incríveis trabalhos de suas próprias autorias, também já gravaram um cover magnífico da música “Cascade”, da banda Siouxsie And The Banshees. Já se eternizaram como um dos maiores representantes da música independente brasileira.

Genocídio Póstumo: 

Este é um dos vários projetos musicais do talentoso e versátil músico Fábio Melo. Os singles e álbuns do Genocídio Póstumo começaram a ser lançados em 2014 e, desde então, Fábio tem sido bastante ativo em suas produções. As abordagens temáticas são bem diversificadas, sendo que há letras e sonoridades mais introspectivas e sentimentais, enquanto outras são mais agressivas e caracterizadas por certa menções e conteúdos de cunho político e social. O Genocídio Póstumo segue uma linha musical de Power Electronics e Harsh Noise, e consiste num trabalho essencialmente underground e bastante original.

Os Maltrapilhos:


Um dos maiores clássicos do Punk Rock brasileiro. A despojada banda possui uma sonoridade crua e uma postura bastante crítica. Suas letras são bastante engajadas, e falam sobre temas como alienação e desigualdade social, questões políticas e etc. São eles os donos de um dos maiores hits punks da história da música brasileira, chamado “Punk Rock Nacional” - um verdadeiro clássico! Trabalham aos moldes do D.I.Y e atualmente estão produzindo um álbum novo muito promissor, que deverá ser lançado em 2019.

Banda "Os Maltrapilhos".
Poetisa Dissecada:

Uma das bandas darks que mais se destacou nos últimos anos. Aliás, é preciso citar que embora sejam essencialmente “darks”, também carregam uma enorme e clara influência do Punk Rock. Suas músicas são bem sombrias e suas letras são criativas e provocantes, fazendo menções e abordagens diversas e bem interessantes. É válido citar que o aspecto visual é um dos pontos fortes da banda, pois os integrantes costumam caprichar bastante na produção de suas roupas e cabelos. Já faz algum tempo que se firmaram como renomados representantes do cenário underground de nosso país.

Asfixia Social:  

Com influências que variam do Punk Rock ao Hip Hop, essa é uma banda cuja sonoridade é muito interessante e peculiar, sendo composta por instrumentos tradicionais como guitarra, baixo e bateria, que são incrivelmente acompanhados pelo som do trompete e trombone, aspecto este que torna as músicas bastante diferenciadas e especiais. As letras consistem em desabafos reflexivos sobre a sociedade, a existência, a realidade das ruas, e sobre a vida, em geral. É importante citar que a banda frequentemente participa de eventos relacionados à cultura de rua. Em seu currículo extenso e admirável, constam incontáveis premiações e diversas menções não apenas em território nacional, mas também em outros cantos do globo.

Labirinto:

Com mais de dez anos de estrada, é uma banda de grande criatividade musical, cujos integrantes são imensamente talentosos. O trabalho deles tem bastante reconhecimento por parte da crítica especializada e a banda tem bastante fãs pelo país e também fora do Brasil. A agenda está sempre cheia (e se você tiver oportunidade, recomendados que os assista pessoalmente) e os lançamentos musicais são frequentes. Eles produzem uma mistura instrumental de sons que é simplesmente alucinante e na qual tecem uma sonoridade repleta de texturas e experimentações diversificadas e de grande originalidade.




segunda-feira, 22 de abril de 2019

VIRGIN IN VEIL E MASQUERADE FARÃO SHOW INÉDITO NO BRASIL:

Por: Juliana Vannucchi


Em junho e julho, nosso país receberá pela primeira vez as bandas Virgin in Veil e Masquerade, dois grandes clássicos do Pós-Punk europeu, que consistem em projetos diferentes, formados pelos mesmos integrantes. Abaixo, apresentamos algumas informações históricas sobre as bandas, e uma breve análise de suas respectivas produções musicais. Confira! 

VIRGIN IN VEIL:

A banda é um verdadeiro ícone da cena underground europeia. Deu seus primeiros passos em 2015 e de lá pra cá, apesar do curto tempo de estrada, tocaram em vários países do globo, conquistaram muitos admiradores e obtiveram um reconhecimento bastante positivo por parte crítica. É composta por Jacques Saph (vocais e baixo), Suzi Sabotage (sintetizador), Veikko Jokelainen (guitarra) e William Freyermuth (bateria).

Virgin In Veil.
No final de 2015, a banda lançou seu primeiro EP, intitulado “The Glory Hole”, cuja ousada capa retrata uma orgia sexual, e que é composto por quatro faixas bastante obscuras e barulhentas. Posteriormente, lançaram dois outros álbuns: o “Deviances”, em 2016, e o “Twisted Thrills”, em 2017, ambos seguindo a mesma linha musical da primeira produção e todos de qualidade elogiável, pairando sobre uma aura terrivelmente melancólica e profundamente niilista.

Os trabalhos da banda se consolidam cada vez mais e o sucesso está numa crescente. Atualmente são uma das bandas mais bem sucedidas do cenário Pós-Punk. Obviamente isso resulta da dedicação, do talento e das boas produções por parte dos integrantes do Virgin In Veil.

Links oficiais:

Site: https://virgininveil.com/

Spotify: https://open.spotify.com/artist/1e4bwHKtyEwH4WXEBqjxHi

Facebook: https://www.facebook.com/virgininveil

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCr80Wk2BuK8cFPiuyeVoLWg

Instagram: https://www.instagram.com/virgininveil/

MASQUERADE:


A banda surgiu em 2012, na cidade de Helsinki, capital da Finlândia. É composta por Suzi Sabotage (fundadora e vocalista), Jacques Saph (co-fundador e baixista), Veikko Jokelainen (guitarra) e William Freyermuth (bateria). Até o momento, lançaram dois álbuns e dois EPs, sendo que a mais recente produção foi o álbum “Where Nobody Can Hear You Scream", de Novembro de 2018.

O Masquerade já se apresentou em palcos dos quatro cantos do mundo, tendo passado pelos EUA, pelo Japão, México, Rússia e por inúmeros países da Europa. O sucesso é cada vez maior e além de terem tocado em tantos locais diferentes, chegaram a participar de dois programas de TV da Finlândia, um deles chamado Tähdet, tähdet (da MTV3, transmitido em 8 de março de 2015) e a outra aparição foi no canal Yle Teema, para o qual deram entrevista.  


Em 2019, a banda finlandesa Masquerade fará apresentações inéditas no Brasil.
A banda produz uma sonoridade em que, por vezes, o instrumental soa de maneira melancólica e, em outros momentos, é um tanto agressivo. Esses aspectos sonoros são idealmente complementados pela voz belíssima e arrasadora de Suzi Sabotage, que com timbres poderosos, cria uma atmosfera adequadamente sombria às admiráveis alternâncias instrumentais acima mencionadas.

“Where Nobody Can Hear You Scream” é um ótimo álbum lançado e acredito que dentre todos os trabalhos da banda, merece destaque. A música de abertura é bem agradável e é moldada pelo admirável trabalho do baterista William Freyermuth, que fez um som bem tribal nessa faixa. Na sequência desse prelúdio barulhento, o álbum segue um caminho definitivamente sombrio e segue nesse clima até seu encerramento. De maneira geral, os riffs de Veikko são bem potentes e são a base responsável por guiar os caminhos de várias faixas. Por sua vez, o baixista Jacques Saph, cofundador do grupo, assegura uma harmonia melódica brilhante com som produzido por Veikko. E claro, todos esses elementos são complementados com a calorosa voz de Suzi Sabotage.

É preciso elogiar também o capricho técnico e profissional pelo qual a banda conduz sua carreira: os vídeos que eles lançam são muito bem elaborados e contam uma ótima edição. Além disso, todas as páginas oficiais que a banda tem na internet são bem ativas, e administradas de maneira exemplar, assegurando uma preciosa comunicação com o público. Nesse aspecto, o Masquerade é extremamente organizado e acredito que essa atitude exemplar pode servir de inspiração para muitas outras bandas undergrounds.

Links oficiais:

Site: https://masquerade.fi/

Bandcamp: https://masqueraded.bandcamp.com/

Facebook: https://www.facebook.com/masqueradepunk

Turnê brasileira:

- Rock Experience (Rio de Janeiro/RJ) - 28 de junho.

- Decadence Festival (Araras/SP) - 6 de julho.

- Madame (São Paulo/SP) - 7 de julho.

terça-feira, 2 de abril de 2019

SHOW DA ESCARLATINA OBSESSIVA EM SOROCABA

 Por: Vannucchi
 
No dia 13 de abril, Karolina e Zaf, idealizadores e membros do duo Escarlatina Obsessiva, estiveram em Sorocaba para realizar o seu segundo show na cidade. Eles haviam tocado por essas terras poucos anos antes, ocasião na qual atraíram um enorme público no Asteroid, que é, certamente, um dos mais populares e gloriosos espaços de entretenimento do país. Dessa vez, em 2019, retornaram à casa de shows para mais uma apresentação única, que seria a grande atração da festa “Spiders”, que ocorreu naquela noite e na qual também tocaram as bandas “Tempos de Morte” e “Das Projekt”, respectivamente.
Nicholas, Zaf, Karol e eu.

Há algumas bandas e projetos musicais de nosso país (casos raríssimos), dos quais podemos esperar apenas coisas boas. A Escarlatina Obsessiva é um deles. Todos os álbuns são bons, e todas as apresentações que fazem ao vivo são igualmente boas. Capricho, dedicação, inovação e talento, permeiam em suas criações. E eu, desde outubro de 2015, os acompanho de perto. Desde essa época, percebi que ali havia um potencial único e diferenciado, que fazia com que se sobressaíram em relação a inúmeros outros projetos undergrounds. E nesse show do dia 13, eles, mais uma vez, confirmaram o quanto são especiais, cativando o público, fazendo-o cantar e dançar e arrancando dele muitos aplausos honestos. Acredito que tenha sido uma noite memorável para todos que estavam no Asteroid. Escutei muitos elogios, vindos de várias pessoas. A Karol e o Zaf podem se orgulhar, pois fizeram mais um ótimo trabalho.

Por tempo indeterminado, pretendo continuar acompanhando-os bem de perto. E a partir de agora, assim como outros fãs de Sorocaba, vou torcer muito para que em breve eles retornem para a minha cidade e façam novos shows por aqui. E claro, quero devorar mais umas coxinhas da Padaria Real na companhia deles!

Apresentação da EO no Asteroid (13/04/2019).

segunda-feira, 18 de março de 2019

KNOX CHANDLER: UM MOMENTO MAIS MEMORÁVEL COM A SIOUX E COM O BUDGIE, A ÚLTIMA TURNÊ DA HISTÓRIA DOS BANSHEES, GRAVAÇÃO COM DAVID GAHAN E MAIS

 Por: Vannucchi e Marinho


Músico, compositor e produtor, Knox Chandler é um nome conhecido na cena musical pela sua contribuição nas últimas três décadas com grandes artistas, tal como The Siouxsie And The Banshees, R.E.M, Psycodhelic Furs, Depeche Mode e Cyndi Lauper.
Com uma lista extensa de colaborações no curriculum, Knox contou bastante coisa interessante sobre sua notável carreira musical nesse bate-papo exclusivo conosco. 


1. Como e quando você começou a tocar guitarra?

Quando eu tinha aproximadamente sete anos. Eu escutei um guitarrista clássico tocando numa igreja em que eu estava tendo minhas aulas de flauta. Imediatamente mudei para guitarra.

2. Você se lembra do seu primeiro show? Poderia nos contar um pouco sobre como foi?

Eu tinha provavelmente oito anos. Foi uma apresentação numa escola especial de música. Eu vomitei antes de continuar. Foi terrível. Eu não fiz outro show até que eu estivesse no ensino médio e, naquele tempo, era como um meio de socializar.

3. Ao longo de sua trajetória, você tocou com vários artistas diferentes. Qual foi o momento mais importante da sua carreira?

 Foi um encontro e trabalho realizado com Gary Windo, por volta de 1982. Ele era um saxofonista que eu amava e sempre foi meu mentor. Ele me apresentou ao Psychedelic Furs.

4. Como foi sua experiência com o Lou Reed? O que achou dele?

 Eu nunca fiz uma turnê com o Lou. Alguém fez uma página sobre mim na Wikipédia, mas errou em certos pontos, assim como a minha idade. Eu nasci em 1958, você faça as contas.

Eu toquei com o Lou em um dos tributos de Hal Willner. Em um dos shows do Doc Pomus, fizemos um dueto, esse foi um dos meus momentos mais favoritos no palco. Lou era um amigo. Ele era uma excelente pessoa. Muito engraçado. Fala o que pensava e era muito honesto...

A última vez que o vi, tivemos um jantar em um lugar elegante em Nova York. Nós rimos pra burro enquanto os patrões franziam a testa...

5. Você tocou vários instrumentos diferentes no Paper Monsters. Acredita que tenha sido o trabalho mais desafiador de sua carreira?

Um dos maiores! Eu escrevi a música, bem como fiz os arranjos de cordas, toda gravação e a mixagem. Foi um trabalho muito focado. O humor do David e do Ken Thomas tornou a ocasião divertida!

6. Você pode nos contar como se envolveu com o ‘Automatic for the People’, do R.E.M?

Richard Butler (PFurs) e eu gravamos uma faixa com o Peter Buck para um tributo ao Nick Drake. Essa faixa era “Pink Moon”. Durante a gravação, o Richard cantou uma parte e eu a interpretei, cantou uma parte e eu a interpretei, e tornou o violoncelo a ideia principal em toda a peça. Um pouco mais tarde, recebi um telefonema do Peter dizendo que ele havia escrito uma música em torno do riff do violoncelo e queria que eu gravasse no próximo registro do REM. Essa música tornou-se “Sweetness Follows”. Passei alguns dias em Bearsville com eles. Ótimas pessoas.

7. Você tocou com os Banshees numa ocasião muito especial, que foi a turnê do “Seven Year Itch”. Como você se sentiu participando desse momento?

Originalmente, me juntei à banda em 1994 e depois continuei trabalhando com a Siouxsie e com o Budgie após a turnê do The Rapture, então voltar a tocar com eles posteriormente foi muito natural pra mim – eles eram uma família. Foi muito divertido retornar com todo mundo junto e tocando músicas que eu não havia tocado anteriormente. Eu senti falta do Martin, tanto como músico quanto como pessoa. Eles decidiram ser mais despojados, como eram no início da carreira.

"A música é a linguagem universal que nos conecta. Uma conexão mais necessária nos dias de hoje".

8. E como aconteceu o convite para participar do Seven Year Itch? Foi fácil tocar todas as faixas que compunham a playlist?

Nós aprendemos muitas músicas que eram constantemente colocadas aleatoriamente no bis. O material deles é complicado. Você precisa realmente seguir o vocal e saber as músicas. Há alguns arranjos não convencionais As partes do John Mcgeoch tem artimanhas bem divertidas. Eu amei a experiência de trabalhar com eles! Às vezes desafiador, e sempre muito musical.

9. Quais são suas principais influências (não me refiro apenas ao meio musical, sinta-se livre para mencionar qualquer tipo de influência – atores, livros, autores, poetas, filmes, etc).

Essa é uma questão tão potente. Eu a entendi, mas respondê-la exigiria volumes de páginas e eu iria pelo “buraco do coelho” nesse processo de resposta. Muitas coisas diferentes influenciam e me influenciaram nos últimos 59 anos. A única resposta que posso dar agora, na minha vida, é Berlim. Berlim é minha principal influência hoje.

10. Eu vi que você toca violoncelo tanto quanto toca guitarra. Alguma vez você já tocou com o Martin McCarrick? Qual é a sua opinião sobre o violoncelo eletrônico que ele usa nos Banshees (tipo em ‘Killing Jar’)?

Eu nunca toquei com o McCarrick. Ele é um músico incrível e um violoncelista muito realizado e eu não sou. O Richard Butler me falou para pegar o violoncelo para tocar na turnê “The Book of Days”. Eu tinha tocado contrabaixo, o que era um pouco familiar, mas aprender o violoncelo em um mês foi um desastre. O Richard me deu um empurrão e me apoiou na frente de milhares de fãs por noite. Por padrão, eu acabava melhorando. Eu não sou violoncelista, pelo menos na companhia de Martin. Eu simplesmente adorava ver Martin tocar… e ainda é assim.

11. O que aconteceu com o Bug? Você e o Budgie estão gravando algo novo no momento? Irão gravar algo no futuro?

Ainda está flutuando por aí. Estamos conversando sobre fazer mais algumas coisas algum dia. Um dos problemas pra isso é o fato de que o Mark Plati está em Nova York e estamos aqui (Berlim). Estamos todos muito ocupados ultimamente. Gostaria muito de fazer um CD e fazer shows. Rola sempre uma boa química quando nos juntamos.

12. Quais são seus projetos atuais e planos para o futuro?

Estou fazendo minhas coisas de “fitas de som” e eu também tenho um projeto com o Eric Mingus chamado “Bursting Blue Bone Bark” que, às vezes, inclui o Earl Harvin. Eu toco com cerca de meia dúzia de bandas aqui e tenho feito algumas sessões e um pouco de arranjos de cordas. Todo esse trabalho que eu amo! Eu ensino e sou o chefe do departamento de guitarra em uma faculdade aqui, além de trabalhar com meus mestres na educação superior. Eu tenho outro projeto sobre o qual eu estou pensando, mas, por enquanto eu estou mantendo isso comigo!

PERGUNTAS ENVIADAS POR FÃS:

1. Como eu sou um grande fã de R.E.M. eu faço a seguinte pergunta: Como era a convivência com os integrantes da banda, em especial com o Michael Stipe? Ele era uma pessoa de fácil convívio? (Pergunta enviada por Jonas de Lara Ramos Junior)

Eu achei que havia muito respeito de um para o outro e todos pareciam se dar bem. O Michael foi ótimo! Eu o encontro de surpresa em Berlim de vez em quando. Sempre divertido.

2. Eu gostaria de saber quais são as suas lembranças a respeito da gravação de “New Skin” com os Banshees e se há mais alguma gravação da qual você tenha participado e que não tenha sido lançada. (Pergunta enviada por Costas Christodoulopoulos)

Estávamos no meio de uma turnê e tivemos que gravar a música o mais cedo possível. Nós entramos em um estúdio em Praga e o Budgie e eu estabelecemos o caminho básico, e depois todos nós adicionamos algo. Eu só me lembro de fazer um overdub, na sala de controle, e toda vez que eu acertava uma nota na guitarra, os medidores de volume faziam algo estranho. Todos tentamos descobrir o que estava acontecendo até percebermos que o quadro estava infestado de formigas! Toda vez que o medidor se aproximava, cerca de duas dúzias de formigas correriam.

3. Quais álbuns que você tem como principal referência? (Pergunta enviada por Carmina Usher)

Essa é uma questão impossível de responder. Tem muitos em gêneros diferentes e também depende do dia. Hoje estou me sentindo “Travelin”, do John Lee Hooker.

4. Existe alguma banda ou artista que você não tenha trabalhado e que ainda deseje fazer uma parceria? (Pergunta enviada por Fabrício de Almeida)

Se você está me perguntando com quem eu gostaria de trabalhar, a resposta seria: “eles estão todos mortos”. Há alguns artistas vivos que sempre me surpreendem. Estou aberto.

5. Você pode, por favor, nos contar sobre sua colaboração com o Dave Gahan do Depeche Mode e como você começou a trabalhar com ele? (Pergunta enviada por Simon Davies)

O Victor Indrizzo me colocou junto com David. O David queria compor algumas coisas, e aceitando a sugestão, fomos em frente. Teve uma conexão. Ele nunca compôs antes. Conversamos muito sobre isso. A música, a escrita lírica, os estilos, etc… Passamos quatro anos no projeto. Naquela ocasião, o David também estava no Depeche, em que ele me chamou para fazer o arranjo de cordas. Eu estava viajando com os Banshees e gravando/fazendo turnês com a Cyndi Lauper, mas arranjamos tempo. Quando registramos a gravação, tive que parar tudo e colocar todo meu foco em “Paper Monsters”. Adorei trabalhar com o David. Ele é muito talentoso e é maravilhoso estar por perto dele. Me faz muito feliz de ver que ele está tendo suas músicas nos álbuns do Depeche Mode, assim como continuando suas próprias composições.

"Tenho sorte. As pessoas queriam que eu levasse algo para as músicas delas. Não importava o quê fosse..."

6. Como foi sua participação no Anima Animus, do The Creatures? Poderia nos contar um pouco como foi trabalhar ao lado da Siouxsie e do Budgie? (Pergunta enviada por Sílvia Fernandes)

Eu simplesmente amei trabalhar com eles!!! Ficamos nós três na França, junto com o Steve Lyons, que era coprodutor e engenheiro. Durante essa período, a música nunca parou. Eu ia dormir com os sons e acordava com eles. Nós nos instalamos em diferentes salas e experimentamos um pouco. Foi realmente especial. Minha memória favorita dessa ocasião foi quando a Siouxsie entrou no quarto enquanto eu trabalhava em alguns overdubs e me pediu para fazer com que o som da minha guitarra soasse como uma frigideira de ovos. Isso foi fácil, uma única tomada.

7. Qual o melhor guitarrista do rock na sua opinião ou qual guitarrista serviu como grande influencia para que você aprendesse a tocar este instrumento? (Pergunta enviada por Jorge Luiz Vegas Assumpção)

Acho esta questão difícil de ser respondida. Se fosse uma única escolha, eu diria Hendrix.

8. Por favor, nos conte sobre como eram os shows dos Banshees na América do Sul em comparação com o Reino Unido e a Europa. Por exemplo, os Banshees são extremamente populares no Brasil e os fãs costumavam correr muito no palco, algo que não acontecia tanto na Europa – e a Siouxsie parecia gostar! (Pergunta enviada por Allison Bushnell)

As plateias da América do Sul são legais. Nós as amamos. Eu também toquei por lá com a Cyndi e me senti da mesma forma. Valeu, América do Sul!!!

 9. Na sua opinião, qual é o significado da estética na condição humana? (Pergunta enviada por Jesus Casagrande)

A música é a linguagem universal que nos conecta. Uma conexão mais necessária nos dias de hoje.

10. Além de música, o que mais você gosta de fazer? (Pergunta enviada por Jhonny Hauer)

Dar entrevistas? Estou brincando. Viver, é o melhor que posso resumir. Acabei de voltar das minhas primeiras férias sozinho. Eu fiz um passeio de bicicleta até o mar Báltico por uma semana. Não sabia para onde estava indo. Sem internet. Apenas livros, bicicleta e natureza. Foi a primeira vez que fiz isso. E, quando cheguei em casa, não queria terminar comigo mesmo.

11. Das bandas das quais participou, como The Creatures e The Psychedelic Furs, qual foi o seu grau de participação na criação das músicas? Deixavam adicionar algo ou a inspiração ficava a cargo dos outros membros das mesmas? (Pergunta enviada por Rafael Cloudwave)

Mesmo quando os artistas entravam com músicas finalizadas, eles ainda queriam minha contribuição musicalmente, pelo menos na maioria das vezes. Tenho sorte. As pessoas queriam que eu levasse algo para as músicas delas. Não importava o quê fosse, eu sempre fiz parte dos projetos. Eu gosto disso.

terça-feira, 5 de março de 2019

THE MARBLE INDEX - NICO:

Por: Vannucchi

O primeiro álbum solo da Nico que eu conheci foi o The Marble Index, de 1968, produzido pelo talentoso John Cale. Antes de escutá-lo pela primeira vez, eu apenas conhecia o grandioso trabalho da cantora alemã no The Velvet Underground. Aliás, foi justamente pela imensa admiração que eu nutria por essa expressiva participação de Nico no Velvet, que decidi vasculhar sua discografia solo. Já antecipo que eu me apaixonei perdidamente pelo The Marble Index logo na primeira faixa e, bastou ouvir esse álbum uma única vez na íntegra para que ele se tornasse um daqueles discos de cabeceira.

O precioso The Marble Index é o segundo trabalho solo da loira mais controversa e original do Rock And Roll. Nico realmente era genial e esse álbum expõe bem essa característica da cantora. A voz dela é penetrante, hipnótica e divina. E o The Marble Index é impecável desde a primeira faixa, até a última. Ele se mantém durante todo o tempo numa atmosfera delicada e poderosa, que nos conduz para um passeio celestial através do qual nos esquecemos de nós próprios. Ele é capaz de atuar sobre nós com uma força estética rara, sendo uma daquelas produções incomparáveis que felizmente nos surgem de tempos em tempos. É um álbum impressionante e acho bem difícil escutá-lo sem se deixar levar por seu brilhantismo e unicidade. Além da voz de Nico, é preciso mencionar que os outros componentes instrumentais também são muito elogiáveis, pois eles mesclam e oscilam seus caminhos sonoros de formas bem divergentes, mas que, de maneira geral, conservam uma aura Folk e medieval, que se alinham de modo ideal com as melodias cantadas por Nico. 

O The Marble Index é o segundo trabalho solo de Nico.
A voz da Nico pode ser um sussurro angelical ou um temível grito diabólico - justamente por causa dessa dualidade é que ela foi espetacular. Por onde passou, teve uma carreira deslumbrante e que, de alguma maneira, foi marcante. Ela foi polêmica e as críticas negativas que recebe não são poucas. Entretanto, penso que, de uma maneira ou de outra, independente do comportamento ou da questão ideológica, ela nos deixou um valioso e relevante legado artístico, que é simplesmente incomparável, afinal, não há voz como a dela, que irá muito singular. 

O The Marble Index conquistou a crítica especializada e ainda cativa e hipnotiza muitas pessoas. Pra mim, embora os outros trabalhos solos de Nico sejam muito qualificados, o The Marble Index foi seu auge de originalidade. Ninguém fará algo tão especial.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

STRANGE DAYS: UM DOS MAIORES ÁLBUMS DE ROCK AND ROLL DE TODOS OS TEMPOS

Por Juliana Vannucchi
 
Eu realmente amo o The Doors e sou completamente fascinada pelo Strange Days. Acho que ao lado de "Waiting For The Sun" e do "The Doors", está entre os melhores álbuns da gloriosa e brilhante carreira da banda. Esse foi apenas o segundo trabalho original de estúdio, formado por algumas faixas que haviam ficado fora do primeiro álbum lançado e, claro sendo igualmente composto por músicas inéditas, criadas especialmente para ele. 
 
O primeiro aspecto interessante e cativante dele que acho digno citar, é sua capa bizarra, composta por vários indivíduos que parecem ter saído de um circo. Essa imagem, que retrata um grupo de artistas, foi fotografada em Nova Iorque, e foi registrada por Joel Brodsky. Mas essas pessoas não saíram de um circo... uma delas era um taxista que recebeu cinco dólares por seu "serviço como modelo fotográfico" e um outro sujeito era assistente do fotógrafo acima mencionado. Bem, agora deixemos essa icônica capa para trás e adentremos ao conteúdo propriamente dito do Strange Days: eu simplesmente aprecio todas as faixas, da primeira até a última e acho que o álbum é capaz de compor qualquer lista baseada nos “maiores discos de Rock And Roll de todos os tempos”. Nele estão presentes algumas das melhores letras escritas por Jim Morrison, e como exemplo disso, posso mencionar a misteriosa “Strange Days” e a profunda, psicodélica e parcialmente melancólica “Unhappy Girl”, cujas mensagens, ao menos para mim, são simplesmente geniais, e cheias de espantosas propostas reflexivas. Nesse álbum se encontram reunidos alguns dos maiores clássicos da carreira do Doors, que se tornaram verdadeiros "hinos" da banda, tal como “People Are Srange”, “When The Music Is Over” e a popular "Love Me Two Times".

O "Strange Days", de maneira geral, é um álbum místico, ritualístico, que se propõe a dialogar com nossas almas e que oferece um poder grandioso de nos elevar para qualquer outro plano além do habitual em que vivemos em nossos cotidianos. Suas músicas são alucinantes. É um artefato mágico e poderoso, daquele tipo que somente os Doors eram capazes de criar. Trata-se de um exemplo prático de “magia do caos”, eu diria.

 
O Strange Days é o segundo álbum de estúdio do The Doors e foi lançado em 1967.

TwitterFacebookRSS FeedEmail