Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

CINCO BANDAS ESCOCESAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER

Por: Vannucchi e Marinho

 A parada da vez é na Escócia, a terra do Kilt, do whisky, do monstro do lago Ness e de bandas que marcaram época como The Jesus And Mary Chain e Simple Minds. Além dessas, nossa lista mostra outras seis coisas legais vindas de Edimburgo e suas cidades vizinhas.

COCTEAU TWINS:

Com sua ambientalização onírica e instrumentalismo experimental, o Cocteau Twins se consolidou como uma das bandas mais originais do vasto universo Pós-Punk. As letras das músicas são herméticas e raramente decifráveis, pois é quase impossível compreender o que Fraser está dizendo, sendo que em certas faixas, ela usa uma linguagem “inventada” por ela própria e para aumentar esse "mistério", note-se que os encartes dos álbuns oficiais não disponibilizam as letras. Essa é uma banda extremamente fascinante!

The Jesus And Mary Chain.
THE JESUS AND MARY CHAIN:

A banda mais meiga da Escócia! Suas canções são ímpares e produzem um efeito espetacular nos ouvintes. Convenhamos: os irmãos Reid são simplesmente geniais e esbanjaram talento durante toda a existência do The Jesus And Mary Chain. E é válido destacar que John Reid é responsável por algumas das performances mais alucinantes do Rock And Roll e não é exagero algum dizer que o irmão, por sua vez, compôs algumas das melodias mais sujas, vibrantes e cativantes da história do Rock!

 THE SKIDS:

O The Skids é uma banda de Punk Rock cujos trabalhos musicais navegam pelo tradicionalismo do gênero. Dessa forma, para quem aprecia dosagens dessa vertente musical, com certeza o The Skids soa de maneira agradável. Aliás, eles nasceram justamente no lendário ano de 1977, ano da eclosão do movimento Punk em todo mundo. O single de maior potencial da banda e que lhes assegurou sucesso, chama-se “Into The Valley”. Apesar de terem conquistado reconhecimento público e também por parte da crítica, a carreira da banda foi curta e eles lançaram apenas quatro álbuns entre 1979 e 1981, sendo que neste último ano, o The Skids foi dissolvido. Porém, a boa notícia é que desde meados dos anos dois mil, os membros tem se reunido novamente.

SIMPLE MINDS:

O Simple Minds é responsável por algumas das melhores “baladinhas” dos anos oitenta. A banda surgiu a partir de inspirações do Punk Rock e de influências como Lou Reed, mas trilhou um caminho marcado por afastamento desses referenciais, produzindo músicas mais voltadas à New Wave. A grande explosão midiática que os lançou para o mundo aconteceu em 1985, quando uma música da banda fez parte da trilha sonora do filme O Clube dos Cinco.

The Associates: uma das grandes bandas escocesas.
THE ASSOCIATES:

No início dos anos 80, o The Associates dava as caras ao mundo. Não demorou muito para que a banda se firmasse como um dos grandes clássicos do Pós-Punk europeu, cujas músicas logo repercutiram pelos quatro cantos do globo. Seu grande diferencial era a figura do vocalista Billy Mackenzie que, diga-se de passagem, travou grande amizade com Robert Smith, do The Cure. Falando em Billy, que era o grande nome da banda, infelizmente é preciso citar seu suicídio, ocorrido em 1997.

Claro que além dessas bandas mencionadas acima, ainda há outras que fizeram bastante sucesso, tal como Primal Scream e Travis. Poderíamos fazer uma lista mais longa, mas dessa vez optamos por um recorte de cinco mitos da Escócia. Espero que tenha gostado! Agora é ligar o som e curtir as músicas das bandas que selecionamos! 
 
Texto anteriormente publicado no Audiograma: http://www.audiograma.com.br/2018/04/10-bandas-escocesas-que-voce-deveria-conhecer/

RICHARD HELL AND THE VOIDOIDS: BLANK GENERATION E OS PRIMÓRDIOS DO PUNK ROCK NORTE-AMERICANO

Por: Vannucchi

Richard Hell foi um dos mais punks notáveis da história e também um dos pioneiros do movimento. No período em que o jovem bagunçou seu cabelo, começou a vestir roupas rasgadas e escrever poesias, o mundo ainda nem sabia ao certo o que era o Punk Rock. Devido a essa postura ousada e ao seu notável talento como músico, Richard Hell se tornou, com justiça, um verdadeiro mito. 

Após passagens marcantes e um tanto insatisfatórias pelo Television e pelo Johnny Thunders And The Heartbreakers, Richad Hell assumiu o contrabaixo e ao lado de Robert Quine (guitarra e segunda voz), Ivan Julian (guitarra e segunda voz) e Marc Bell (bateria), formou a banda Richard Hell And The Voidoids. O primeiro álbum que lançaram em 1977 foi o explosivo “Blank Generation” (que pode ser traduzido como “Geração Vazia” ou “Geração em Branco”) e nessa obra prima do Punk Rock, Hell expôs suas emoções e sua fúria contra a sociedade alienada e vazia com a qual convivia.
   
O clássico e lendário álbum "Blank Generation".
Além disso, pela primeira o músico foi capaz de se tornar um líder, ter voz ativa e participação direta nas produções musicais, coisa que não havia acontecido antes nas outras bandas pelas quais passou. Com essa liberdade, suas ideias e emoções se transformaram em letras que bastante influenciadas pela poesia de Rimbaud (ele só não escreveu a letra da faixa “Walking On The Water”). Os membros da banda, por sua vez, criaram melodias ideais para sustentar o sentimento que Richard Hell transpôs nas frases que escreveu. A harmonia que permeava a banda se evidenciaria no resultado final.
Richard Hell, um dos principais expoentes do Punk Rock.  
 
Blank Generation, do começo ao fim é um característico hino do Punk Rock. É um retrato de paixões e desesperos que vibravam no coração de um brilhante jovem maltrapilho que desfilava pelas ruas de Nova Iorque. A atmosfera do álbum retrata o espírito da geração com a qual Richard Hell convivia. Era um convite à liberdade criativa e ideológica, um grito que proclamava autonomia e oferecia independência individual. Em certa ocasião, o vocalista declarou a respeito do álbum: “Para mim, em branco/vazio era uma linha onde você pode preencher qualquer coisa... É a ideia de que você tem a opção de fazer a si mesmo o que quiser, preenchendo o espaço em branco/vazio. E isso é algo que fornece um sentido excepcionalmente poderoso para esta geração. Está dizendo: "Eu rejeito inteiramente seus padrões para julgar meu comportamento". A música de maior sucesso é a faixa que abre o lado 2, que carrega o mesmo nome do álbum e que Hell escrevera nos tempos de Television. No refrão, o vocalista canta: “Eu pertenço à geração vazia, e eu posso pegar ou largar toda vez”. Essa única frase, em suma, traduz toda a gloriosa vibração de liberdade que o Punk Rock propôs ao longo de sua história. Essa geração – em especial, referindo-me aos punks e simpatizantes em geral do movimento - era estranha, comportava-se de maneira rebelde, demonstrava revolta para com o mundo ao seu redor e tendia a criticar o tradicionalismo vigente. Eram eles que possuíam capacidade de romper e escrever uma nova história. Além da faixa citada acima, é válido destacar a vibrante e veloz "Love Comes In Spurts", "New Pleasure", que também fez bastante sucesso e é uma das músicas mais conhecidas da carreira da banda e "The Plan", que conta com uma ótima linha de guitarra.  

A banda Richard Hell And The Voidoids marcou a década de 70 com o lendário Blank Generation, que se consagrou como um dos mais aclamados álbuns do Punk Rock. É contagiante do início ao fim e capaz, tanto em suas melodias quanto em suas letras, de nos lembrar do quanto somos livres e capazes de preencher qualquer vazio que cruze nossos caminhos.


TOP 5: MITOS DO ROCK AND ROLL QUE SE ENVOLVERAM COM CINEMA

Por: Vannucchi

Alguns rockers se aventuraram, e outros vêm se aventurando na onda de escrever roteiros e produzir filmes para o cinema. Será que esses músicos, realmente mandam bem além dos palcos? Você confere agora uma lista de alguns dos maiores destaques do Rock And Roll que deixaram sua marca também no universo da Sétima Arte…

  1. Bruce Dickinson (Iron Maiden) –  CASAMENTO QUÍMICO:
O mais aclamado dos vocalistas que passaram pelo Iron Maiden escreveu o roteiro e produziu a trilha sonora de The Chemical Wedding (em português “Casamento Químico”), que tem sua história centrada na vida de Aleister Crowley, famoso ocultista britânico. Aliás, muitos músicos do Rock And Roll já prestigiaram Crowley em algumas canções. O filme tem seus méritos pena trilha sonora e para compreender um pouco melhor a vida dessa misteriosa lenda que foi Aleister Crowley. Apesar da fama de Bruce e do Iron Maiden, infelizmente a produção não foi muito popular no Brasil…

  1. Bret Michaels (Poison) – CORREDOR DA MORTE:
Pôster do filme "Corredor da Morte".
Lançado em 1998, o filme narra a história do personagem Michael, que escreve sua versão sobre o assassinato de sua namorada, crime do qual se jura inocente e pelo qual foi condenado à morte. A trama evolui dentro dessa tensão e conta uma boa pitada de suspense. Esse agradável longa foi dirigido e roteirizado por ninguém mais, ninguém menos, do que um dos mais renomados vocalistas do Rock And Roll, Bret Michaels, que cantou na glamourosa banda Poison. Além de ter sido diretor do filme, o músico também já fez participações no cinema como ator.
  1. Pete Townshend (The Who) – TOMMY:
O guitarrista do The Who ajudou o diretor Ken Russell a produzir Tommy, baseado na Ópera Rock que a banda lançou em 1969. O trabalho de Townshend foi muito bem feito, e o filme chegou a receber premiações no Globo de Ouro, e receber indicações ao Oscar. Com certeza o músico poderia ter seguido carreira de roteirista, pois antes mesmo de trabalhar nessa produção, já criou um álbum (Tommy) que equivale genuinamente por uma obra literária! Vale a pena conferir o musical de Pete Townshend, uma obra psicodélica e totalmente fantástica.

Cena do filme "Tommy", baseado num álbum do The Who
  1. Nick Cave (Nick Cave And The Bad Seeds) – OS INFRATORES:
O músico australiano é conhecido por compor canções sombrias e melancólicas. Para quem gosta de seu estilo sonoro, Os Infratores é um prato cheio. O filme reflete muito bem o espírito musical do cantor. Aliás, precisamos mencionar que Cave obteve enorme reconhecimento por seu trabalho em Os Infratores. Se você é fã do músico, não deixe de conferir!

  1. Slash – Guns n’ Roses: BOCA DO INFERNO:
O envolvimento do guitarrista Slash com o cinema é tão grande, que o roqueiro possui até uma empresa de filmes chamada “Slasher Films”. Sua primeira participação como produtor foi na obra de horror Nothing Left To Fear (“Boca do Inferno” em português), lançada em 2013. Em entrevista ao The Pulse Of Radio, o lendário guitarrista comentou: “Produzir um filme é definitivamente mais complexo… Isso é um processo demorado, levantar o dinheiro é muito difícil, porém, eu realmente gostei disso, já que eu tenho uma grande paixão por aquilo que quero fazer dentro do longa, e além disso eu adoro está envolvido no processo de desenvolvimento, encontrando as pessoas certas, conseguindo e reunindo todos os componentes necessários para almejar fazer um grande filme, você sabe“.
Nothing Left To Fear é um terror que, infelizmente, não é nenhuma obra prima, apesar de poder dar um ou outro susto. Mas… tendo as mãos de Slash na produção, com certeza vale a pena assistir!

* Texto anteriormente publicado no site Cinema de Buteco: https://www.cinemadebuteco.com.br/listas/roteiros-de-cinema-criados-por-musicos-de-rock-and-roll/

sábado, 8 de dezembro de 2018

DEATH IN JUNE: INTERESSANTE, MAS DIFÍCIL DE EXPLICAR

Por: Vannucchi e Marinho

“Não me recordo ao certo quando escutei o Death in June pela primeira vez, mas me lembro muito bem de como as músicas da banda me impressionaram por sua tremenda força mística“. – Juliana Vannucchi.

“Descobri o Death in June em 2012, e gostei de imediato. Finalmente havia um grupo que não havia medo de se expressar com sua estética duvidosa e ambígua”. – Abel Marinho

O Death In June é uma banda difícil de ser classificada. Digamos que, de alguma forma, esteticamente é possível enquadrá-los em várias vertentes musicais distintas, tal como Post-punk, Darkwave, Experimentalismo, Pós-industrial, etc. Mas de maneira geral, a categorização não é um aspecto muito relevante e, por isso, não vemos necessidade em nos prendermos nesse tipo de detalhe.
O que realmente é significativo aqui, é compreender que a banda produziu músicas moldadas por componentes bastante diferenciados da maior parte das gravações de sua época e é justamente por isso que não há paralelos, modelos, clichês ou tradicionalismos envolvidos em seus materiais: o DIJ oferece uma sonoridade única, estranha e, para muitos ouvintes, assustadora. O que há neles, portanto, é simplesmente uma singularidade – uma aura arquitetada em torno de músicas vanguardistas e extremamente originais.

As canções que a banda produz são sustentadas por uma aura profundamente sublime, cheia de misticismo e que, de maneira geral, é bem hermética. Há enorme sensibilidade na parte instrumental e nas letras. Enfim, tudo neles é encantadoramente perturbador.  O DIJ te agarra e te leva, quase que de maneira imediata para um outro plano dimensional.

É preciso mencionar que a trajetória da banda também é marcada por algumas polêmicas, em torno das quais há constantes comentários a respeito do nazismo e do ocultismo como inspirações para criação de músicas e álbuns. Aparentemente, há algum fundo de verdade nisso e abaixo iremos abordar esses assuntos.

A banda inglesa deu seus primeiros passos como um trio, no ano de 1981. Porém, apenas quatro anos mais tarde, Douglas Pearce continuou com o projeto e, a partir de então, conta com a participação esporádica de diversos colaboradores musicais. Atualmente possuem uma discografia que conta com 20 álbuns de estúdio. Durante todo o tempo de estrada, o visual sempre foi um dos principais traços do DIJ: geralmente Pearce se veste de maneira bem excêntrica e sombria. Sobre as máscaras e vestimentas que usa desde que deu os primeiros passos no mundo da música, o vocalista declarou em certa ocasião:“Não queríamos fazer parte  de uma coisa normal do Rock n’Roll. Garotos bonitos olhando para a câmera com pênis enormes e QI’s de um milhão… não funciona desse jeito”. As máscaras se tornaram mais evidentes após o lançamento de The World That Summer. Com a formação clássica da banda, contando com Patrick Leagas e Tony Wakeford, as vestimentas incluíam uniformes da SS e da Juventude Hitlerista.

OCULTISMO:

O interesse do vocalista Douglas Pearce por religiões, ocultismo e espiritualidade é um fato por ele próprio admitido e, portanto, os inúmeros comentários sobre a ligação da banda com essa temática, de fato fazem sentido. Ainda que, no entanto, vocalista não tenha feito declarações claras sobre essa ligação, acredito que esse aspecto fica explícito no conjunto das composições musicais do Death In June (tanto em questões instrumentais e sonoras, quanto nas letras).

Em relação a este assunto, Pearce, certa vez, disse numa entrevista: “Eu acho que meu interesse em ocultismo sempre esteve lá. Eu não sinto que tive uma escolha em relação a isso. Quando criança, meus pais me exorcizaram porque eu tinha visões de todos os tipos de horrores e nunca dormia. Isso aconteceu por muito tempo, até eles recorrem a um curador espiritual e as coisas ficaram mais calmas. Mais tarde, quando meu pai faleceu, eu e minha mãe usávamos um tabuleiro Ouija”. Na mesma entrevista ainda fez outros dois comentários interessantes: “O primeiro livro de Crowley que li foi o Livro da Lei, que David Tibet me deu em 1983. Escrevemos She Said Destroy pouco tempo depois”, afirmou o músico. “Eu acredito em deuses, demônios, anjos, sejam eles da psique interior, outra dimensão ou qualquer coisa que seja. Eu os ouvi e vi. Eu até senti eles me tocarem. Eles são um desafio e não devem ser menosprezados”, concluiu.

Nas letras das músicas do Death In June, é possível encontrar indicativos sobre isso, pois há uso constante da palavra “anjo”, além de letras que carregam palavras como “Deus”, “túmulo”. Mas é claro que o misticismo da banda não acontece apenas pelo simples emprego isolado de tais palavras nas músicas, mas conforme citado anteriormente, encontra-se em todo o contexto de suas produções sonoras.

As canções, de maneira geral, possuem uma atmosfera sombria, por vezes, assemelhando-se a rituais religiosos, e assim, mergulham no universo sobrenatural, e abrem as portas para que os ouvintes também se insiram nesse plano dimensional. Alguns encartes também expõe simbologias bastante sugestivas, tal como caveiras, crucifixos e imagens religiosas que demonstram as influências que o ocultismo tem sobre a banda. Enfim, toda a estética do Death In June demonstra o interesse de Pearce pelo paranormal. Por vezes, as canções soam de maneira realmente bizarra e parecem um filme de terror.

HOMOSEXUALIDADE:

Pierce é assumidamente gay e já declarou que gostaria que o assunto fosse abordado com mais frequência em entrevistas, pois na opinião do músico, sua opção sexual sempre foi um fator de extrema relevância para suas produções das músicas.

Com certa frequência a banda entra no palco com a tradicional bandeira “arco-íris” que representa o público LGBT e a deixa exposta durante a apresentação. Além disso, no site oficial do Death in June, Pearce faz questão de demonstrar apoio ao público LGBT e a bandeira também está presente por lá.

A QUESTÃO DA IUGOSLÁVIA E AS GRAVAÇÕES EM ZAGREB:

Em 1992, o Death In June se envolveu em uma polêmica. Durante a guerra civil na Iugoslávia, Pearce visitou a linha de frente e a HOS (Forças de Defesa da Croácia, um ramo militar fascista). Pearce fez várias gravações ao vivo no país e as lançou em dois CDs chamado Something is Coming: Live And Studio Recordings From Croatia que carregava a bandeira nacional vermelha e branca da Croácia. Todas as vendas foram para os hospitais militares.

Esclarecendo sua posição sobre essas ações, Pearce comentou a respeito para o jornal Rostov-On-Don, em sua primeira entrevista com um jornalista russo, em Novembro de 1999: “A guerra começou dentro de um ano após minhas férias na Iugoslávia. Já que eu estava ciente dos conflitos e tinha amigos nesses lugares, a guerra que eu via na TV era muito mais real para mim. Amigos e fãs meus estavam sendo mortos há duas horas de pegar um voo para Londres. Quando ofereceram ao Death In June um concerto em Zagreb, na Croácia em 1992, quando a guerra estava em seus primeiros passos, pensei que era natural oferecer algum tipo de apoio moral e cultural”, afirmou Pearce.“Quando cheguei, era pior do que eu esperava. Quando vi a quantidade de feridos e mortos e o estado primitivo dos hospitais, sabia que eu devia me envolver de alguma forma. Felizmente, as gravações dos shows vieram a ser úteis, então decidi lançar “Something Is Coming”, que era um disco duplo de gravações ao vivo e de estúdio do Death In June na Croácia. O fundos arrecadados disso foram para essas clínicas que ajudaram a reabilitação de soldados e civis que haviam perdido seus membros durante a guerra”, completou o músico.

NAZISMO E FASCISMO:

Um dos pontos mais abordados e mais controversos sobre o Death in June, é o uso de diversos símbolos e camuflagens usados pela Alemanha Nazista, como Waffen SS Autumnal Erbsenmuster, Totenkopf-6 (Totenkopf representa a morte e 6 referente a Junho), Whip-Hand (de acordo com Pearce, o símbolo é usado após uma expressão inglesa de poder e influência) e Three Bars (utilizada pela 3ª Divisão SS Totenkopf).

A banda já teve diversos protestos em seus shows, já foi banida de tocar em Lausana, na Suíça e teve shows cancelados em outros lugares. Os álbuns Brown Book e Rose Clouds of Holocaust são proibidos na Alemanha; o primeiro por ter um sampler de Horst-Wessel-Lid, o hino usado nas marchas da AS e mais tarde a música oficial do partido Nazista, e o último por sido interpretado como sendo uma negação do Holocausto e, mesmo Pearce tendo recorrido em 2006 para explicar o significado das letras para o governo alemão, o apelo foi negado. Em relação aos primeiros anos do Death in June, Pearce disse que “no início dos anos 80, Tony (baixista da formação original do grupo) e eu estávamos envolvidos em políticas radicais de esquerda. Em busca de uma visão política para o futuro, encontramos o bolchevismo nacional, intimamente ligada à hierarquia Sturmabteilung (milícia paramilitar nazista lideradas por Ernst Röhm)”. Em outra entrevista, quando perguntando sobre seus interesses a respeito do Terceiro Reich, respondeu: “Eu tenho um interesse em todos os aspectos do Terceiro Reich. Teve uma influência tão grande sobre o mundo, quem consegue não ficar intrigado com isso? No entanto, eu ainda li mais páginas do Capital do que Main Kampf!”.

Note-se que no site oficial do Death In June possui uma bandeira de Israel e eles já fizeram um show no país, em 2004, para um público predominantemente judeu. A banda anterior de Pearce, Crisis, filiados a extrema esquerda que fez shows em comícios como Rock Against Racism e Anti-Nazi League, possui uma canção chamada “Holocaust”, que acusa aqueles que negam a existência de Belsen e Auschwitz de tentar “acorrentar a Inglaterra” e deixar “seis milhões de pessoas morrem em vão”. Devido a essa natureza das letras, quase sempre moldadas em tonalidades místicas e ambíguas, e devido á  estética do Death in June, há mais dúvidas do que respostas sobre ele ser um simpatizante neo-nazista ou sobre usar simbolismos apenas para chocar o público (como muitos punks fizeram durante a década de 70). 

Texto anteriormente publicado em: http://www.audiograma.com.br/2018/11/death-in-june-interessante-mas-dificil-de-explicar/




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

NOSSO QUERIDO BOB BERT:

 Por: Vannucchi

Bob Bert é uma das várias lendas com as quais a No Wave norte-americana nos presenteou. Figura carismática e músico de talento notável, Bert tocou baterista ao lado de alguns dos maiores nomes do vasto universo Pós-Punk, subindo ao palco com Sonic Yout, Pussy Galore e Lydia Lunch.

Sua trajetória musical sempre foi merecedora de reconhecimento, pois Bob é o tipo de baterista que não decepciona, e está sempre preparado para fazer um barulho digno que se adeque às propostas das bandas pelas quais passa. Ele não para. Está sempre inquieto, constantemente se lançando em apresentações e projetos diversos, além de estar sempre ativo nas redes sociais, mantendo os fãs e amigos devidamente atualizados sobre suas turnês e gravações. Sem sombra dúvida, é um dos nomes que mais contribuiu para que a No Wave e o próprio Pós-Punk, como um todo, se
construíssem.


Bob Bert é um dos principais nomes da cena underground norte-americana.
A última passagem do músico pelo Brasil foi em 2015, numa apresentação única feita com a banda Lydia Lunch Retrovirus. O show, realizado no SESC Belenzinho, na cidade de São Paulo, contou com um número grande de pessoas, que interagiram com a banda e reagiram às músicas durante todo o tempo. Essa passagem pelo Brasil muito bem sucedida e a banda recebeu inúmeros elogiados por parte do público e também pela crítica .

A carreira calorosa de Bob Bert rendeu a ele um notável reconhecimento na cena underground mundial. Espero que em breve possamos vê-lo mais uma vez em nossas terras tropicais. Afinal, músicos como ele são sempre bem-vindos por aqui. Ahh, caros leitores, vale a pena também conferir o álbum solo dele, chamado  "The Worst Poetry Of 1983-1993"- é um trabalho muito legal e nós definitivamente recomendamos.


Siga o Bob no Instagram: 
 https://www.instagram.com/therealbobbert/?hl=pt-br 

Algumas músicas legais pra você escutar:
https://www.youtube.com/watch?v=OMDXl-nk3xY
https://www.youtube.com/watch?v=01OrcO7_DRw 
https://www.youtube.com/watch?v=uaxrtjKohIM


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

UMA BANDA ÚNICA E UM DOS MAIORES ÁLBUNS DE TODOS OS TEMPOS: O MARQUEE MOON E O TELEVISION MUDARAM O ROCK PARA SEMPRE

Por: Juliana Vannucchi

"Eles são uma banda em um milhão; as músicas são algumas das melhores de todos os tempos. O álbum é o Marquee Moon". - Nick Kent, jornalista britânico e crítico musical.

Nick Kent foi muito preciso em sua colocação. O Marquee Moon é, de fato, um disco arrebatador e audacioso e se tornou uma verdadeira obra-prima que despontou durante a fervorosa eclosão do Punk Rock norte-americano. A quantidade de bandas lendárias surgidas no C.B.G.B é realmente impressionante. No calor dessa fascinante onda de mitos, encontra-se o Television, formado em 1973. Acredito que sejam os mais audaciosos dentre tantos músicos que já cravaram suas marcas nos palcos undergrounds da gloriosa casa de shows de Nova Iorque.


(...) quando falamos no Marquee Moon e no Television, estamos falando precisamente de uma vanguarda musical.


A banda lançou apenas três álbuns: o "Marquee Moon", em 1977 e o "Adventure", em 1978 e o "Television", em 1992. Vamos nos concentrar no trabalho de estreia que, até os dias de hoje, dentre todos as produções de estúdio, é devidamente considerado o mais importante, e o único realmente diferenciado da curta discografia da banda - isso não significa que os outros dois não sejam qualificados, mas, como veremos, ele foi um divisor de águas. Por trás do Marquee Moon estavam  Tom Verlaine (vocal e guitarra), Richard Llyod (apoio vocal e guitarra), Fred Smith (apoio bocal e baixo) e Billy Ficca (bateria). Não podemos esquecer de mencionar que o brilhante Richard Hell fez parte da formação da banda no início dos anos setenta, embora não muito tempo depois de dar os primeiros passos com o Television, tenha se afastado da banda após problemas internos que o conduziram para uma carreira solo que também chacoalhou os solos nova-iorquinos.

As composições líricas que o vocalista Tom Verlaine escreveu para o Marquee Moon são poéticas, cheias de imaginação e expressões sentimentais. Talvez, muito sensíveis para o mundo clássico e (geralmente) agressivo do Punk Rock. Já o instrumental, por sua vez, beira o experimentalismo por ser construído em cima de texturas bem diferentes daquelas que tocavam a maior parte das bandas da cena local dessa época. As linhas de guitarra são o grande destaque: elas ditam o universo das composições, apontam o caminho que as músicas vão seguir. Sim, definitivamente as melodias de guitarra são um caso a parte no Television, simplesmente um aspecto fenomenal. No geral, o disco foi inovador. Soava e ainda soa diferente de qualquer outra banda, gerando tensão, melancolia e agito. Esse conjunto de fatores - letras sentimentais e cheias de imaginação, e uma sonoridade instrumental ousada  - fez com que o Marquee Moon, não simplesmente fosse um álbum "à frente de seu tempo", mas sim uma obra-prima que está além de qualquer espaço-tempo. Na realidade, foi um disco que confrontou seus contemporâneos, uma vez que percorreu estradas distintas daquelas pelas quais eles caminhavam. Portanto, quando falamos no Marquee Moon e no Television, estamos falando precisamente de uma vanguarda musical.

Categorizar essa banda não é tarefa fácil. Aparentemente herdaram inspirações da onda do Glam Rock e foram influenciados pelo Protopunk, embrião do Punk Rock, gêneros musicais estes com os quais os próprios membros da banda conviveram - note-se que este último estilo mencionado, eles mesmos ajudaram a construir, uma vez que se desenvolveram junto com a eclosão do Punk Rock. Mas o Television possui independência sonora e não se enquadra de maneira definitiva em nenhuma das categorias que aparentemente o influenciou, e é justamente essa singularidade criativa que os coloca no patamar de uma das melhores bandas de Rock And Roll de todos os tempos.


A sonoridade instrumental é ousada  e fez com que o Marquee Moon, não simplesmente fosse um álbum "à frente de seu tempo", mas sim uma obra-prima que está além de qualquer espaço-tempo.

domingo, 26 de agosto de 2018

GANGUE MORCEGO - UMA BREVE HOMENAGEM:

Por: Vannucchi

A estética singular e original que eles criaram está eternizada no álbum "Olhem Para As Ruas".
Quem acompanha atentamente a cena musical independente do Brasil, especialmente da vertente Dark, já deve ter ouvido o nome da Gangue Morcego. Infelizmente, estes mesmos indivíduos que estão sempre ligados nesse universo, certamente também foram informados de que, por hora, a  banda está oficialmente "separada"- os membros ainda mantém contato entre si, mas não durante um período de tempo indeterminado, não irão mais subir aos palcos.

A passagem deles pelo meio musical não foi tão longa, mas no espaço de tempo em que estiveram ativos, construíram uma arte qualificada, através da qual penetraram no coração de muita gente. A história da Gangue Morcego foi, e sempre será bela, inspiradora, e intensa. A banda nos deixou um álbum incrível e shows memoráveis. A estética singular e original que eles criaram está eternizada no álbum "Olhem Para As Ruas", um trabalho elogiável em todos os possíveis aspectos - desde as composições das letras, até a parte instrumental e a arte gráfica. Todos esses elementos que compõe o álbum funcionaram idealmente e resultaram numa harmonia brilhante. Sem sombra de dúvidas, a Gangue Morcego é uma das bandas mais caprichosas e arrebatadoras do atual cenário underground brasileiro e isso me parece indiscutível. Escreveram uma história linda e deixaram um presente maravilhoso para os apreciadores do Pós-Punk. Somos gratos por ter a música deles, já que atualmente vivemos num momento de uma imensa decadência e de uma infeliz padronização musical. Eles nos deram esperança através de sua legitimidade e qualidade. 

Presenciei apenas um show da banda (em minha cidade natal, Sorocaba) e foi uma experiência muito boa e marcante, que guardarei para sempre comigo. Sei que muitas outras pessoas também viveram momentos inesquecíveis proporcionados pela Gangue Morcego, seja através de suas melodias, letras ou shows. Está é uma breve nota que pretende  homenageá-los e mostrar o reconhecimento pelo trabalho deles. A despedida desses grandes e talentosos músicos não poderia passar despercebida na Fanzine Brasil. Sucesso aos músicos que deram vida a um dos universos mais fabulosos do Pós-Punk nacional.








SIOUXSIE AND THE BANSHEES - UMA BREVE ANÁLISE DA RELEVÂNCIA DA BANDA NO CENÁRIO MUSICAL:

Por: Vannucchi

Durante as décadas de setenta e oitenta, inúmeras bandas se destacaram em Londres, num período em que o cenário musical era especialmente caracterizado pelo contexto do Punk e do Pós-Punk. Dentre tais bandas, surgiu uma que se diferenciou por possuir uma mulher nos vocais. Eram eles: Siouxsie And The Banshees. A vocalista era ela: Siouxsie Sioux.  

 SATB, 26 Nov. 1980, California Hall, São Francisco. Foto de Chester Simpson.
Siouxsie Sioux, a “rainha punk” ou a “gótica mulher gato dos anos noventa”, foi responsável por representar um pouco de toda a atmosfera musical da cena. Sioux transpunha para o trabalho dos Banshees, uma dose de obscuridade hermética (o que, por favor, lembre-se, não faz dela uma gótica), unida com pinceladas de agressividade e de poesias singulares. E claro, sua imagem energética, um tanto desleixada, meio punk, meio não-punk, chamava a atenção da mídia. Mas Siouxsie representou muito mais do que quaisquer tipo desses (perigosos!) rótulos midiáticos e, assim, tornou-se um ícone cultural e um dos grandes nomes do Rock And Roll. 
Siouxsie Sioux - 1979.
 O primeiro álbum de estúdio dos The Banshees foi o The Scream, lançado em 1978. Esse trabalho, imediatamente já lançou a banda para o sucesso no ramo musical, fama que se estenderia muito firmemente durante toda a década de oitenta e também, posteriormente, culminando no final do grupo que ocorreu nos anos noventa. Neste período, além deste mencionado trabalho de estreia, foram lançados mais dez álbuns de estúdio, até o ano de 1995, momento em que o Siouxsie And The Banshees anunciou sua separação, embora viessem a se reencontrar e a tocar juntos na década seguinte (fato que, convenhamos, não deveria ter acontecido).  
 
Siouxsie And The Banshees é uma banda bastante influente, tendo sido referência para outros grandes nomes da música como, por exemplo, o U2, The Smiths, Radiohead & outros. Foram responsáveis por lançar grandes sucessos musicais como “Cities In Dust”, “Hong Kong Garden” e “Kiss Them For Me”, e sempre receberam bons elogios por suas produções. Não há dúvidas da relevância musical, do legado que os Banshees deixaram, e da intensidade musical e excelente trabalho que a banda fez durante toda a sua carreira, marcado por grande força sonora, com um instrumental bem intenso e, claro, nos vocais, uma mulher brilhante que, durante toda a sua trajetória musical, gritou e cantou suas vivências e emoções para o público, deixando sua marca na história da música.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

MY TIME SPENT WITH JESSIE EVANS


By: Juliana Vannucchi

“When a human awakens to a great dream and throws the full force of his soul over it, all the universe conspires in your favor". - Goethe. 
In early July I had the great opportunity to spend a few days at the home of singer-songwriter Jessie Evans, who currently resides in Ubatuba, on the coast of São Paulo, Brazil. Before I went there I didn’t know her personally so I was anxious and slightly apprehensive about meeting her, cause after all, I did not know exactly who I would meet and what our relationship would be like. Fortunately, everything went perfectly well and I was positively surprised by Jessie, who has such a big heart and is very kind.
During the time I spent with her, we talked about a lot of cool and normal things, like dreams, dogs, UFOs, Buddhism, football, politics, etc. I discovered that she and I have many things in common, and in a way, a very similar way of looking at and understanding existence. We have a very similar vision of the world. All of this was was great to realize since nowadays it is very rare to find people with an open mind, questioning, critical and non-alienated like Jessie.
A good time with friends
   I can assure you that she provided me very satisfying moments that I will keep with me for all the eternity. I discovered and explored wonderful things about her that were new to me. It was definitely very interesting to live in her world for a few days and absorb a little of it. It has done me good and it will help me grow and be inspired.

 I learned new things about her. I did not know, for example, that Jessie practiced Yoga in the mornings - admirable. I also did not know that she drove a VW van (the same as my friends). She also told me that David Bowie saved her life, and it happened in a deeply mystical way. I also found out a little about her mother’s life, who played drums and wrote wonderful poetry. I even read some that was compiled in a booklet. We also talked about Masaru Emoto's intriguing research, which shows how our emotions can affect the reality around us - this was a big surprise, how could I know that Jessie knew this researcher, which I really appreciate? 
Her art is a mechanism by which she seeks to bring joy to people
 
What I found was a cheerful person, immensely kind and welcoming, inspired by the subtlest details of life, a nature lover and one that gave me very pleasant moments. My brief living with Jessie Evans and her husband was enough to understand the reasons why her artistic productions are so profound, charming and contagious: because as she told me herself, her art is a mechanism by which she seeks to bring joy to people.
She's definitely one of the most authentic artists I've ever met. Her productions and her daily life are far from the media manipulation and marketing demands of the music industry. In other words, Jessie is not the kind of person who allows herself to be shaped by the numerous external impositions of the monstrous cultural factory that invents (pseudo) artists and creates songs in laboratories, always aiming for profit; she's not cliché, she's a real artist.
 At one point, on one of the several days of my stay in Ubatuba, I talked to a kind neighbor of Jessie who told me an interesting phrase, which I decided to write down immediately after listening, and which I want to share with the readers: “Nowadays, people only copy and don’t create". This phrase, unfortunately, translates this poor artistic-cultural context that prevails nowadays, in which originality is often replaced  by standardization. It is a period of decadence, in which there are much product and little truth, art is losing its aura, losing its space. But of course, there are still some truly talented souls to save us, as is the case with the exceptional Jessie Evans.
Official albuns

I do not see Jessie as a person to be idolized. I hate idolatry, because, inspired by the Nietzschean thinking, I believe that when we idolize something/someone tend to create idealizations and at the moment we idealize, we leave the real world, only to cling to illusions, and therefore idolatry can be harmful. It would be offensive to say that I see her like this (like an idol), even because a humble person like her would never put herself on a different level from the others. After all, Jessie also values and gives attention to others. Honestly, I believe she does not want to be idolized, she wants to be valued. And that's what she has of me: I value her. And before I value her as an artist, I appreciate the great human being she is, the sister who has become for me, the caring mother that she is in her daily life, the caring wife she is, and the adorable way she treats animals.
For those who are interested: For more information about the cultural industry, I suggest reading The Work of Art in the Age of Its Technical Reproducibility and general studies on the Frankfurt School, specially the thoughts of Theodor Adorno and Max Horkheimer. Understanding this subject helps - and greatly - to better understand what exists behind the scenes of the current music industry.

What a wonderful place...
Me in Ubatuba.

My cosmic sister and me.



I value her. And before I value her as an artist, I appreciate the great human being she is


Do you want to know more about Jessie Evans?   

Official Links:

Facebook: https://www.facebook.com/jessieevansmusic?__mref=message
Youtube: https://www.youtube.com/user/jessieevansmusic
Instagram: https://www.instagram.com/jessieevansmusic/
Site: http://www.jessieevans.net/
Bandcamp: https://jessieevans.bandcamp.com/album/glittermine

More articles:


https://whiplash.net/materias/cds/270773.html

http://www.audiograma.com.br/2017/05/interrogatorio-jessie-evans/

http://www.acervofilosofico.com/entrevista-exclusiva-com-jessie-evans

If you want to read this article in Portuguese, click on the link below: 
http://www.audiograma.com.br/2018/08/alem-do-som-meu-convivio-com-jessie-evans/
*This text was previously published in: www.audiograma.com.br



sábado, 12 de maio de 2018

ESCARLATINA OBSESSIVA LANÇA MÚSICA NOVA

Por: Juliana Vannucchi


Na primeira semana de maio, o duo Escarlatina Obsessiva, um dos maiores expoentes do cenário underground brasileiro, lançou uma música inédita chamada "Obaluaiyê". 
Foi a primeira faixa divulgada pelo duo em 2018, e ainda neste mesmo ano, em Julho, será lançado pela Deepland Records, um novo álbum de estúdio, que será o sétimo da carreira da Escarlatina Obsessiva. 
Karolina Escarlatina, baixista e vocalista da banda.

A música Obaluaiyê foi divulgada junto com um videoclipe inédito gravado na magnífica região de São Tomé das Letras, em Minas Gerais. Tanto o vídeo quanto a música mostraram-se imensamente originais, ousados e notavelmente qualificados. De acordo com informação do site oficial da banda: "O novo clip da nova música da Escarlatina Obsessiva traz surpresas e novidades na sonoridade/temática do novo álbum. A banda novamente entrou por um desvio de sua trajetória, e agora explora outros universos." 
 Nosso blog indica a música para todos aqueles que apreciam uma arte honesta, profunda a arrebatadora e também para os que apoiam a cena underground brasileira e, claro, mundial. 

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