Fanzine Brasil

sábado, 28 de setembro de 2019

BLACK SABBATH - UM DOS MELHORES ÁLBUNS DE ESTREIA DA HISTÓRIA DO ROCK:

Por: Marinho


Black Sabbath é o álbum de estreia da banda de mesmo nome. É um dos álbuns mais importantes (senão o mais) da história do Heavy Metal. Gravado em um único dia em 16 de Outubro de 1969, se tornou um dos mais inovadores e controversos de sua época, tanto pelos temas líricos ligados a satanismo e ocultismo, quanto por seu som pesado e sombrio. 

De acordo com o guitarrista Tony Iommi, as sessões duraram 12 horas: “Nós apenas entramos no estúdio e fizemos isso em um dia, tocamos nosso set ao vivo e foi isso. Na verdade, pensamos que um dia inteiro era bastante longo, e depois fomos tocar no dia seguinte por 20 libras na Suíça”. Fora os efeitos sonoros adicionais de sinos, chuvas e trovões, não há overdubs no álbum, algo que continua a ser bem incomum em produções musicais.

Em se tratando das letras, o Black Sabbath estava realmente há frente de seus contemporâneos. Junto aos riffs pesados de Iommi, as letras de Geezer Butler abordavam assuntos como o satanismo e o ocultismo, uma vez que o próprio músico admitiu ler livros de Aleister Crowley e Dennis Wheatley, até que,  acordo com o mesmo, abandonou a leitura após ter uma experiência sobrenatural que inspirou a letra de “Black Sabbath”, a canção que abre o álbum. “Eu fui criado católico e acreditava totalmente no Diabo”, afirmou o baixista. (...) “Eu havia me mudado para este apartamento que havia pintado de preto com cruzes invertidas em todos os lugares. Ozzy me deu este livro do século 16 sobre magia que ele havia roubado de algum lugar. Coloquei no armário porque achava suspeito. Mais tarde naquela noite, acordei e vi essa sombra negra na ponta da cama. Foi uma presença horrível que me assustou demais! Corri para o armário para jogar o livro fora, mas o livro havia desaparecido. Depois disso, desisti de tudo isso. Me assustou pra caralho!"

Ozzy Osbourne é uma lenda atemporal do Rock And Roll.

Faixas:


Black Sabbath – A canção que abre o álbum possui um dos riffs mais reconhecidos e sombrios da história da música. Muitos a consideram a primeira canção de doom metal. Embora antes do Sabbath, muitas bandas já tivessem experimentando com um som mais pesado (como Led Zeppelin e Sir Lord Baltimore), a banda foi a primeira a juntar um som pesado com letras sobre satanismo, o que lhe rendeu bastante controvérsia na época de seu lançamento.
The Wizard – uma completa virada da canção anterior, “The Wizard” começa com uma gaita animada tocada por Ozzy Osbourne até se tornar um crossover de blues com heavy metal. Apesar de popularmente ser conhecida por ser uma canção sobre o mago Gandalf, há rumores que pode ter sido escrita com inspiração num narcotraficante da época, pois certas partes das letras fazerem alusões a drogas.
Behind the Wall of Sleep – “Behind the Wall of Sleep” complementa perfeitamente a canção anterior. O som é sólido e encorpado, possivelmente até mais do que “The Wizard”. Com certeza é um dos pontos mais altos do álbum! A canção se baseia no conto de mesmo nome do escritor H. P. Lovecraft, que nessa narrativa aborda temas como telepatia e metafísica. A música é tão intensa quanto o conto de Lovecraft...
N.I.B – Mais uma que poderia facilmente ser incluída na lista de melhores canções de Heavy Metal da história. “N.I.B” tem uma energia quase impossível de se comparar. É notável a influência do blues do Cream, embora o Sabbath adicione sua própria genialidade e originalidade.
De acordo com o baixista Geezer Butler, a canção narra do ponto de vista de Lúcifer, sua paixão por uma mulher, algo que o faz mudar e se tornar uma pessoa melhor. Muitas pessoas também acreditavam que o título significava “Nativity in Black” ou “Name in Blood”. Porém, se tratava apenas de uma piada interna, já que era assim que a banda chamava o cavanhaque do baterista Bill Ward.

Evil Woman – um cover da banda de blues, Crow. Esta interpretação feita pelo Sabbath possui tanta energia, ou até mesmo mais que a versão original. Ela se destaca principalmente por ser mais otimista em termos de sonoridade, embora a letra seja um tanto amarga.
A música foi incluída por sugestão do empresário da banda, Jim Simpson, que insistiu para a banda gravar algo mais comercial, embora Tony Iommi tenha declarado que o fez relutantemente.

Sleeping Village – sem dúvida, o início dessa canção é um susto e tanto! Após diversas passagens com riffs barulhentos pela maior parte do álbum, “Sleeping Village” começa com um dedilhado leve na guitarra e um berimbau de boca tocado pelo produtor Rodger Bain. O ambiente do início da canção junto aos vocais melancólicos de Ozzy combina com o título, até finalmente a banda explodir em uma improvisação frenética de blues que dura mais de três minutos.

Warning – fechando o álbum, ficamos com outro cover, dessa vez do lendário baterista Aynsley Dunbar, que tocou com diversos músicos e bandas, como Lou Reed, David Bowie, UFO e muito mais. A banda aqui fica a par com o projeto do baterista na época e entrega uma performance aprazível, especialmente pelos improvisos de Tony Iommi e do baterista Bill Ward que reproduz as viradas e toques de bateria com bastante precisão.

Conclusão:

É impossível pensar ou mencionar o Heavy Metal sem mencionar os dois primeiros álbuns do Black Sabbath. Embora “Paranoid” receba muito mais prestígio que o seu álbum autointitulado, o debut da banda não fica muito atrás, ainda mais em termos de inovação sonora, uma vez que o Sabbath estava muito a frente de seu tempo. Praticamente, todas as canções tem seu destaque e são boas individualmente e a experiência de ouvir o álbum é única, especialmente pela primeira vez. São 38 minutos de pura adrenalina e Rock n’Roll em que você mal vê o tempo passar enquanto se deleita no som cru e selvagem do Black Sabbath! 

O Black Sabbath foi lançado em 1970.

0 comentários:

Postar um comentário

TwitterFacebookRSS FeedEmail