Fanzine Brasil

SIOUXSIE SIOUX - SOPROS DE VIDA

Grandes homens, assim como grandes tempos são um material explosivo interior do qual uma força imensa é acumulada (....)

“DISCO DA BANANA”- A OBRA PRIMA IGNORADA

Eu sabia que a música que fazíamos não podia ser ignorada

SEX PISTOLS - UM FENÔMENO SOCIAL

Os Sex Pistols foram uma das bandas de Rock mais influentes da história.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

AFINAL, COMO SURGIU O CINEMA?

Um breve questionamento e historio sobre o assunto.

ATÉ O FIM DO MUNDO

Com custos acima de mais dez milhões de dólares, é um filme encantador, artístico, típico das obras de Wim Wenders, realmente, é uma obra fascinante, mais uma certo do diretor alemão.

WOLF CITY - AMON DUUL II

Wolf City é um dos maiores clássicos do Rock Progressivo. É um álbum que celebra magicamente este gênero musical, e que é foi gravado por artistas imensamente talentosos

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

UM PAPO COM STOMPER, COMPOSITOR DA MÚSICA “WISHINHG WELL”, DA SÉRIE DARK:

Por: Juliana Vannucchi (colaboração de Gabriel Marinho)

Dark foi uma das séries mais bem sucedidas da Netflix. Além de contar com um elenco talentoso, com um roteiro arrebatador e com uma excelente direção, a trilha sonora é simplesmente impecável, é um destaque à parte. Uma das músicas mais marcantes da primeira temporada da série é a sombria e enigmática “Wishing Well”, lançada por Stomper, que bateu um papo inédito com o nosso site e revelou qual foi a inspiração por trás da música, além de ter nos contado sobre o seu novo álbum, lançado no início de agosto, e conversado sobre outros assuntos, como a pandemia e artistas independentes. Confira esse conteúdo exclusivo.

1. David, por favor, apresente-se aos leitores do Fanzine Brasil! E a primeira coisa que eu gostaria de saber é quais instrumentos você toca e com que idade você começou a compor suas primeiras músicas.

Oi, ziners. Espero que vocês estejam se mantendo firmes nessa época tão estranha pela qual estamos passando. Eu toco guitarra, baixo, gaita e bateria, mas eu não me considero lá um grande músico! Eu me vejo mais como um letrista e compositor, então eu levo meu tempo compondo as faixas no meu estúdio e isso envolve muita edição.

2. Quais são seus músicos e bandas favoritos? O que você tem ouvido ultimamente? Você conhece algo sobre música brasileira? Você conhece alguma banda brasileira?

Essa é uma lista longa! Pessoalmente, se um artista é emocionalmente honesto (nesse caso, lembro do Eddie Vedder) ou se uma música tem atitude e um refrão forte, já entra na minha playlist. Então, artistas de Blues-rock como The White Stripes, Gary Clark Jr e The Black Keys são meus favoritos, mas também gosto de coisas de Pop-rock cativantes como The Dreamers ou Imagine Dragons. Ultimamente, estou ouvindo muita música folclórica moderna, especialmente The Oh Hellos e Leon Bridges. Há quase dez anos, ouvi a cantora brasileira chamada Silvia Torres cantar "Take Saravá" e fiquei com a música presa na minha cabeça por semanas! Eu gostaria de saber o que a letra significa...

3. Atualmente, estamos vivendo um momento muito peculiar no mundo. Como você acha que músicos independentes podem sobreviver nessa situação? Quais são as melhores alternativas para os artistas independentes neste momento?

Sim, é um momento muito complicado, mas conheço artistas que estão se apresentando nas plataformas de mídia social e conseguindo ganhar  dinheiro o suficiente, usando potes de gorjeta. Acho que não existe uma fórmula que funcione para todos, mas acho que o melhor conselho é não apenas lançar música, mas também tentar ser um recurso - dessa forma, você está valorizando os possíveis ouvintes e eles (espero) recompensarão você por isso. Eu tenho tentado essa rota postando "Songsmith Tips (dicas de composição)" no Instagram. É um processo lento, mas pelo menos é orgânico e real. Seguidores falsos não valem a pena. Também é uma boa ideia (se você puder pagar) vender mercadorias. Não é fácil. Eu tenho um emprego diário como editor de TV, o que significa que muitas vezes não tenho tempo para música, mas essa é outra boa maneira de sobreviver, eu acho :)

4. Você poderia nos falar sobre o Summersalt? Foi sua primeira banda?

Uau, isso foi há um bom tempo atrás, mas o Summersalt era minha banda de Pop-rock (no início dos anos 2000), que assinou contrato com a Universal Music. Nós nos saímos muito bem nas paradas, fizemos uma turnê e abrimos para algumas grandes bandas. Éramos incrivelmente enérgicos no palco e, às vezes, exagerávamos um pouco, mas foi muito divertido! O Summersalt não era minha primeira banda - eu estive em uma banda de grunge chamada Candleman antes, que tinha um monte de stage dives e rodas punk em apresentações em festivais e clubes. Foram épocas doidas!

5. Além da trilha sonora de Dark, você já compôs músicas para outros filmes ou séries antes?

Pra ser honesto, não muito. Eu escrevi a melodia do tema para um desenho animado chamado "Munki and Trunk" e alguns comerciais, e apenas isso. Faz apenas alguns anos que eu pensei em escrever para filmes, embora eu tive sorte de ter tido minha música colocada em Dark, eu realmente estou apenas começando e tentando encontrar tempo para seguir esse caminho sempre que posso.

(...) eu tenho uma profunda paixão pelo cinema e sempre sonhei em fazer parte de uma produção de alta qualidade, tal como Dark.
(...) eu tenho uma profunda paixão pelo cinema e sempre sonhei em fazer parte de uma produção de alta qualidade, tal como Dark.

6. “Wishing Well” é uma música linda - eu adoro! Você o compôs especialmente para Dark ou você já o compôs e então eles o usaram?

Obrigado! Não, eu estava levando meu filho para a pré-escola quando essa melodia assustadora surgiu na minha mente - um cenário estranho, eu sei! Eu gravei rapidamente no meu telefone e a gravação de voz na verdade tem o meu filho conversando comigo sobre Bob Esponja enquanto estou tentando cantar! Depois que a música foi produzida, eu a enviei para a minha editora em Los Angeles, ela adorou a faixa e enviou à Netflix, que escolheu a música para a série.

7. Qual foi sua reação quando você soube que sua música faria parte da trilha sonora de uma série da Netflix?


Eu imediatamente comecei a comprar uma ilha nas Bahamas! Foi um momento muito de muito orgulho para mim, porque eu tenho uma profunda paixão pelo cinema e sempre sonhei em fazer parte de uma produção de alta qualidade, tal como Dark.

8. Como foi a gravação de "Wishing Well"? Sobre o que é a letra? A voz de Lucy é tão bonita. Adorei a versão acústica que você gravou com ela!


Eu produzi a maior parte da faixa no estúdio da minha casa e depois fui para a Edible Audio, onde o Dan Eppel ajudou a aperfeiçoá-la. Escolhemos a Lucy para os vocais - ela é um anjo! Sua incrível versatilidade significa que ela costuma se apresentar nas principais produções de teatro da Cidade do Cabo, por isso tivemos muita sorte de ela se juntar a nós.

Wishing Well é sobre uma pessoa fictícia desaparecida. Enquanto eu colocava a caneta no papel, imaginei uma equipe de busca à noite na floresta, desejando que encontrassem um sobrevivente e não um cadáver. É uma letra perturbadora e muito distantes do que normalmente escrevo, mas eu estava em um lugar sombrio emocionalmente - meu pai morreu inesperadamente - e eu precisava expressá-la de alguma forma.

A versão acústica foi um estímulo momentâneo e fico feliz por termos feito isso. A Lucy é uma pessoa muito divertida, é bom tê-la por perto. Nota lateral: seu primeiro bebê nasceu semana passada!

9. E como foi a reação das pessoas? Você recebeu muitas mensagens e conseguiu muitos novos seguidores nas mídias sociais? Como foi a repercussão?

É estranho, porque eu não tinha considerado que haveria qualquer reação à música. Eu pensei que as pessoas simplesmente gostariam da série e seria isso. Mas numa certa manhã, meu irmão Josh enviou uma mensagem de texto dizendo que o YouTube havia enlouquecido pela música, então eu fiquei on-line e vi milhares de pessoas se perguntando quem a escreveu! Eu rapidamente criei um pseudônimo de artista (chamado Stomper) e lancei o single. Eu corri para produzir um monte de faixas e logo depois lancei o álbum Thrillers. A Lucy canta em três ou quatro faixas também.

10. Você pode nos contar sobre o seu novo EP? Você gravou este EP durante a pandemia ou antes? Quais foram suas principais inspirações? O título é um contraste com a situação atual de muitas pessoas em todo o mundo, que, infelizmente, não estão vivendo dias felizes ... É por isso que acho que sua música pode tornar o dia das pessoas mais feliz?

Sim, eu gravei o EP durante a pandemia como uma espécie de tônico emocional para mim e para o ouvinte. Embora esse tenha sido um período insano para muitos de nós, eu queria que lembrássemos as coisas boas da vida e que usássemos esse tempo para encontrar inspiração, nos permitir descansar e nos redescobrir novamente. Eu venho dizendo: "Espere aí, pessoal de 2020! Dias felizes estão a caminho”. Desta vez, decidir seguir uma linha voltada para o bluegrass e o folk porque são sons mais suaves e íntimos do que minhas produções anteriores mais polidas. Espero que as pessoas achem reconfortante e edificante.

Eu tenho um respeito enorme por artistas independentes que criam sons incríveis em home studios.

11. E a capa? Existe algum significado especial por trás dessa imagem?

Acho a imagem divertida e realmente queria apenas algo que fizesse as pessoas sorrirem. Acho que poderíamos nos ver como os peixes, lutando contra o riacho implacável, apenas para sermos consumidos por algo que está lá para nos pegar. Mas acho que devemos nos ver como o urso, aproveitando a temporada e esperando pacientemente até a próxima oportunidade surgir em nosso caminho.

12. Você se considera um artista de DIY? A internet é fantástica para encontrar ótimas bandas underground. Você costuma ouvir música independente?

Sim, muito! Além da produção musical, também cabe a mim fazer o marketing e acompanhar as mídias sociais (o que eu sou péssimo em fazer). Eu tenho um respeito enorme por artistas independentes que criam sons incríveis em home studios. Na verdade, estou ouvindo Tame Impala agora, um produtor caseiro que foi indicado ao Grammy!

13. Se você pudesse dividir o palco com um músico, quem você escolheria?

Hmmm ... provavelmente o Chris Martin. Ele é uma bola de energia e eu amo a voz comovente que ele tem. Dividir o palco com ele seria um dia feliz!

Links Oficiais:

Itunes: https://music.apple.com/us/artist/stomper/121653027

YouTube:
https://www.youtube.com/channel/UCXQE4dW_Uc4lrB040cxBpvA

Bandcamp:
https://stomper1.bandcamp.com/track/wishing-well

sábado, 1 de agosto de 2020

Zine Talk - Episódio 3 (Nick Cave)

Por: Gabriel Marinho

Estamos de volta com mais um podcast semanal! Para o dia de hoje, temos uma das figuras mais impactantes, sombrias e poéticas da música: o irreverente Nick Cave! Para comentar a respeito de um dos frontmans mais misteriosos e controversos da música, contamos com o apoio de Diego Mode, da fantástica banda Cübus! 

Aproveitem o podcast, as músicas e as diversas histórias sobre a trajetória de um dos maiores cantores da cena alternativa e pós-punk mundial!




KALEIDOSCOPE - 40 ANOS DE UM ÁLBUM LENDÁRIO:

Por: Juliana Vannucchi

Luzes, cores e fragmentos...

Caleidoscópios são objetos que possuem fragmentos quantificados de algum material (ou mais de um), que quando observados através de um tubo e formam entre si imagens conexas e harmônicas. Poderíamos aplicar tal definição à nossa própria existência? Isto é, seríamos nós, em algum possível aspecto, entes fragmentados?

"Fragmentos de vida" é uma frase que soa de maneira abrangente. Mas, independentemente da perspectiva em que possivelmente se manifeste uma suposta fragmentação, por certo, essa frase (fragmentos de vida) no mínimo, tende a fazer sentido. Suponho que, em algum nível, minhas especulações, soem como algo concreto, pois ao menos em algum (ou alguns) momentos de nossa existência, sempre haverá fragmentação, seja do objeto, seja do sujeito. Primeiramente, partindo de um aspecto mais amplo, talvez possamos considerar que sejamos fragmentos microcósmicos inseridos em um macrocosmo superior e desconhecido (ou parcialmente desconhecido). Neste caso, começamos aqui a reflexão que chamo de fragmentação cósmica. O que sabemos ao certo sobre o cosmos? Sabemos que somos fragmentos dele. Isto nos parece certo. Mas além disso, temos somente certezas parciais sobre aquilo que encontra-se no exterior de nosso planeta. As informações e descobertas científicas, além de sempre poderem ser colocadas em dúvida e discussão, são constantemente atualizadas e alteradas. Isso não é novidade, é algo normal e intrínseco ao conceito da Ciência. Mas é interessante porque são desconstruções que podem nos induzir a sentir nossa essência microcósmica, já que o espaço que encontra-se fora de nosso planeta, sofre constantes interpretações feitas por nós. A própria natureza, de maneira genérica, consiste em fragmentações do macrocosmo. Cada pequena bactéria ou cada simples fungo que nos rodeiam, são componentes vibrantes deste todo que nos cerca, e sobre o qual ainda não temos tantas certezas e tampouco todos os conhecimentos.

Como seres microcósmicos inseridos num mundo determinado e numa realidade específica (seja está tangível ou intangível), nós próprios talvez sejamos desconhecidos para nós mesmos, pois nossa consciência está sempre alterando-se & alterando-se com novas informações. Além disso, se levarmos em conta o nosso inconsciente, precisamos considerar que possuímos e carregamos em nós uma notável quantidade de informações, lembranças, emoções e sentimentos dos quais nem ao menos somos familiarizamos, embora todos estes itens sejam intrínsecos a nosso próprio interior. Dessa forma, todo o nosso processo mental pode ser considerado como fragmentado, sendo que o ente que o anima, é também, por si, um fragmento universal que paira num determinado planeta, sendo que este, por sua vez, também é fragmento de um universo (esta parte já foi analisada mais profundamente durante as reflexões anteriores referentes à fragmentação cósmica).

O Kaleidoscope foi o terceiro álbum de estúdio lançado pela banda.


O Kaleidoscope nas palavras da própria banda:

O Kaleidoscope foi provavelmente o álbum mais comercial e famoso dos Banshees, e é composto por alguns dos maiores clássicos da história da banda, tal como “Christine” e “Happy House”. Foi ele que abriu em definitivo a "porta do sucesso" para o grupo inglês.

Num trecho da biografia oficial, Siouxsie revela que sua produção foi particularmente divertida, pois todos os músicos viviam uma fase de experimentações. A vocalista diz que na faixa “Tenent”, por exemplo, Severin tocou guitarra e Budgie, por sua vez, tocou baixo. Ela também comentou que o título do disco foi inspirado no fato de que, naquela época, os membros dos Banshees “estavam descobrindo que havia muitos lados deles mesmos e eles eram multifacetados em suas abordagens para produzir o álbum”.

Steven Severin, por sua vez, na mesma biografia mencionada acima, contou que a banda tinha um conceito para esse álbum, que consistia em fazer com que cada faixa soasse de maneira bem diferente e que, ao longo do processo de produção do Kaleidoscope, pela primeira vez os Banshees centraram-se numa gravação mais livre, sem levar a conta a maneira como iriam tocar ao vivo as canções que criassem.

Fragmentação musical em Kaleidoscope:

Este álbum é bastante fragmentado em relação às temáticas tratadas nas letras. Muitas delas, aliás, são complexas de serem decifradas, embora possam ser alvo de reflexão. É isso que faremos agora: mergulharemos em estranhas e profundas meditações sobre suas faixas e também daremos pinceladas em alguns detalhes históricos sobre elas. Vamos lá? Comecemos a verificação por...

Red Light:

Uma letra bastante contemporânea e de suma relevância para os dias atuais, que são caracterizados por um excesso de indivíduos munidos de câmeras. Registros fílmicos e fotográficos tem sido cada vez mais constantes. Neste hábito, inserem-se as "selfies", ações pelas quais as pessoas tiram fotos de si mesmas. Para alguns usuários portadores de câmeras, esse ato é diário e/ou excessivo. A grande questão é: o "biquinho profissional" pode ser notável e atraente, mas será que quando a pessoa que o pratica fazendo pose para a câmera, expressa-se, ela possui conteúdo, ou seus assuntos fúteis são explosivos para as Polaroids? Exercita-se muito os músculos corporais, mas o cérebro e a atividade intelectual pouco tem sido nutridos. O excesso de exposição, muito comumente, sobressai e supera o excesso de estudo, de indagação, de inconformismo, de protesto, de espanto, de discórdia e de senso crítico. Muitas vezes, a abertura da lente se abre, mas a mente se fecha e torna-se cada vez mais inserida no senso comum. Se para cada selfie, um livro fosse lido...

Lunar Camel:

Faixa alegórica traçada por uma aura onírica. Um verdadeiro convite para viajarmos em nossa imaginação e tentarmos decifrar as sombras da enigmática simbologia que permeia por entre nossos pensamentos. Lembra-me do movimento Surrealismo (escola artística de forte predominância/destaque das Vanguardas).

Os sonhos continuam sendo um mistério. Sabemos algo sobre eles, mas não tudo. Eles ainda escapam à Ciência. Um mesmo sonho pode ser interpretado de diversas maneiras divergentes, dependendo do indivíduo ou linha de pensamento que busca desvenda-lo. Eles são, por si, fragmentos vívidos de nossas profundezas. Às vezes, expressam parte de nós que nós próprios desconhecemos.

Siouxsie, certa vez declarou em relação a essa música: “Um quarto da sua vida consiste em sonhar. Você está sendo bobo se não é afetado em saber isso”. Ela disse também que os sonhos tem muito a ver com a própria realidade.

Severin disse que os sonhos sempre foram importantes no contexto das produções da banda.

Desert Kisses:

Novamente percebo um clima fantasioso pairando sobre uma exótica descrição romântica. Se "beijos desertos" for uma metáfora, é possível tentar interpretar essa colocação de inúmeras maneiras, sendo elas bastante diversificadas. Porém, não me interessa exatamente "interpretar" essa canção de maneira objetiva, mas sim tentar mesclar uma possível e especulativa descrição com o sentimento que tal canção me proporciona. Sinto que seja um verdadeiro lamento emocionado de dilacerações quaisquer, carregadas de lástimas desconexas. E creio eu, que esse tipo de ocorrência sempre nos encontra em determinado momento de nossas vidas, daí então, surgem palavras e desabafos como esse, que misturam lembranças com sonhos, e tudo isso é ainda preenchido por angústias e sofrimento.



Clockface:

Consiste, evidentemente, numa passagem de tempo. Refiro-me ao fato de que a música não possui letra. Entretanto, o que ocorre se considerarmos que o tempo não existe? Neste caso, a ideia de que somente pensamos que ele está passando, com certeza irá perturbar. Talvez não tenha nada passando, a não ser nossos pensamentos que criam conexões meramente imaginativas. As discussões sobre a existência do tempo não é nenhuma novidade, se nos provassem que o tempo realmente não é verdadeiro, teremos já a primeira certeza de uma ilusão cotidiana. Por certo será a primeira de muitas desconstruções. As articulações desta faixa são empolgantes, afrontam o coração e convidam a alma para uma dança intensa!

Tenent:

Essa música foi inspirada no filme “Tenent”, do cineasta Roman Polanski, longa que explora temas como alienação e isolamento. É mais uma entre tantas letras escritas por Sioux que possui inspiração no universo cinematográfico. E a própria música é praticamente uma experiência fílmica, altamente imersiva e emocionante, capaz de tirar qualquer ouvinte da do plano físico, o levando para uma zona desconhecida e envolvente!

Skin:

Essa letra fala sobre a matança de animais. Conforme Siouxsie certa vez comentou: “É sobre as desculpas fracas usadas para matar tigres ou qualquer outro animal”. Segundo Siouxsie, entre tais desculpas encontra-se o suposto argumento de que “há muitos animais”. Então, numa entrevista concedida em 1982 para a “New Woman In Rock”, ela disse: “Há muitos humanos”. Ou seja, isso justificaria algum tipo de extermínio? Ou as tais desculpas só se aplicam a matança de animais irracionais?

Em outra ocasião, em 2003, ela refletiu: “Trata-se de ver além do corpo mortal e perceber que o que há de mais importante numa pessoa é o seu espírito”.

Hybrid:

Uma das músicas mais instigantes da carreira dos Banshees. Possui uma letra enigmática e uma aura um tanto sobrenatural. Talvez sempre que encontremos no mundo alguém que, de certa forma, seja um “híbrido” de nós e do qual nós também sejamos híbridos.


Christine:

Esta canção é baseada na história de uma mulher que sofria de transtorno de múltiplas personalidades. De certa forma & em determinado grau, todos nós sofremos deste (suposto) "mal". Compreendo, é claro, que haja uma diferença entre a condição patológica e a condição que lhe é contrária (mas que não podemos chamar, exatamente de "normal"). Os seres humanos costumam ter a persona em suas profundezas. Debruçando-se sempre em uma vasta gama de "eus", perde-se dentro de suas próprias figuras, e usa-as, cada vez de uma maneira, conforme as várias situações às quais é exposto. Por isso costuma mover-se em direção ao autoconhecimento, ao autocontrole, mas é necessário salientar que talvez não o seja possível atingir estes fins. Se estamos expostos ao devir, será que é possível constatarmos um fato final e concreto à nosso respeito? Por vezes, passa-me pela cabeça que jamais serão feitas afirmações finais e definitivas. Por vezes, indo mais adiante, sinto que o definitivo não existe. Ao menos para Christine não parece ser algo real... Ela tenta não se abalar. Porém sua personalidade muda por de trás de seu sorriso - esta é uma situação bastante comum entre os homens: mudança abrupta de emoção/sensação/personalidade - que não é una -. A palavra "desengrando" é um ponto crucial da letra. Este é o ponto de partida para se alcançar o novo, pois é fundamental que passemos por uma desconstrução para que, posteriormente, possamos arquitetar o novo (seja lá em que área for). Isto é, a desintegração configura uma ruptura importante para uma possível evolução. Outro trecho é curioso: "cada novo problema gera um novo estranho por dentro". Quando nos deparamos com certos obstáculos, criamos & assimilamos novas características para nós, atingindo uma possível nova face de personalidade. Estes seres estranhos que nos surgem podem divergir entre si, mas sempre irão, de uma forma ou de outra, oscilar entre a antiga polaridade de "anjo" & "demônio".


Paradise Place:

Agressividade é o que permeia pelo espírito alquímico desta canção. É claro que, dentre outros aspectos, ela refere-se à ironia e à mentira que velam membros da maior parte das sociedades ("maior parte" porque sempre prefiro evitar generalizações, creio que podem ser precipitadas). É um golpe árduo para esse tipo de pessoa e para suas respectivas atitudes. Cada ato de mentira pode significar uma rajada de maldições contra seu próprio autor, embora isto não seja um fato sempre aplicável. A música parece desafiar o ouvinte... E se este topar abraçar este desafio, que encare um dos piores males que assolam o homem: a reflexão e todas as suas consequências.

Trophy:

Eis a faixa mais potente do álbum. Seu instrumental é poderoso, ligeiramente agressivo e altamente cativante. A letra é um enigma. Talvez, aliás, seja uma das letras mais originais e estranhas de toda a discografia da banda.  Sempre achei que "Trophy" é uma das músicas mais brilhantes e originais dos Banshees e nunca compreendi a razão pela qual poucos fãs a conhecem. A distorções da guitarra de McGeoch soam de maneira deslumbrante e as pancadas tribais de Budgie na introdução são um prelúdio da música apocalíptica e hipnótica que se apresentará.

Happy House:

Uma excepcional representatividade de momentos em que encontramo-nos inseridos numa casa, mas ainda assim nos falta um lar. A letra é composto e formulada por uma considerável dose de sarcasmo. Uma dose muito válida. É um brinde à famílias que reúnem-se envolta da mesa para jantar, fingindo que há interação e que a atmosfera local é repleta de paz. Happy House, com sua ironia e crueza, esvazia esse tipo de situação lastimável e oferece uma "saída para a caverna" que acorrenta tantas pseudo-famílias. É uma alternativa honesta para os espectadores desta realidade perturbadora na qual muitos daqueles que carregam os mesmos sobrenomes, na verdade, não passam de grandes hipócritas. Happy House é, aliás, um ataque genial à qualquer forma de hipocrisia.



sábado, 25 de julho de 2020

Zine Talk - Episódio 2 (Quântico Romance)

Por: Gabriel Marinho

Em nosso segundo episódio, contamos mais uma vez com a presença do grande Karlos Júnior! Após nossa grande experiência falando da história do Kraftwerk, decidimos abordar também sobre a trajetória do músico com o Quântico Romance entre outras curiosidades. 

Aproveitem nosso bate papo e aproveitem! Semana que vem tem mais! 



Link do EP Azul na Escuridão:

segunda-feira, 20 de julho de 2020

UM PAPO COM O LENDÁRIO BARRY ADAMSON, BAIXISTA DO MAGAZINE:

 Por: Juliana Vannucchi e Gabriel Marinho

O baixista Barry Adamson é definitivamente um mito na história do Rock And Roll. Suas colaborações com bandas grandiosas como Magazine, Nick Cave & The Bad Seeds e Buzzcocks, fizeram dele um músico imortal e respeitável.

É importante mencionar que ele foi uma das mentes criativas que estavam por trás da produção de grandes músicas, tal como “Shot By Both Sides” e “From Her To Eternity”. Além disso, também já tocou com Iggy Pop, remixou músicas para o Depeche Mode e trabalhou ao lado de David Lynch, sendo o responsável pela criação da trilha sonora do filme Lost Highway. Tudo isso faz dele um nome sempre lembrado, citado e homenageado por músicos e críticos.

Eu e o Gabriel Marinho tivemos a oportunidade de bater um papo com ele, no qual exploramos vários pontos de sua longa e admirável carreira musical, e agora estamos trazendo esse rico conteúdo em primeiríssima mão para os nossos leitores!

1. Com quantos anos você começou a tocar baixo? Você toca outros instrumentos também?

Eu comecei a tocar apenas um dia antes de fazer um teste com a banda Magazine! Eu tocava um pouco de guitarra, mas nunca havia tocado baixo. Eu toco agora um pouco de bateria, de guitarra, teclados, gaita e claro… baixo também.

2. Poderia nos contar sobre os primeiros anos do Punk na década de 70 e nos anos 80?

Foi incrível! Todos os jovens se uniram para criar algo novo para eles através da música. Toda semana havia uma nova banda para assistir e eu simplesmente precisava ser uma parte daquilo! Viva a revolução!!

3. Barry, eu acredito que o Real Life seja um dos álbuns mais geniais já feitos. Ele é único e muito original. Você poderia contar um pouco sobre como foram as gravações desse álbum? Eu gosto muito da capa dele, você pode contar também sobre essa imagem e sobre o que significa?

Eu amo esse álbum. Como nada mais. Acho que as personalidades individuais dele compõem um todo, fazendo um registro único de som junto às letras obtusas escritas por Howard Devoto. Nós sabíamos que algo grande estava acontecendo durante as gravações e a capa foi criada pelo artista, Linder, que fez aquelas cabeças estranhas no espaço e no tempo. Lindo.

4. O que o título  significa? Quem escolheu esse nome e de onde veio a inspiração?

Bem, o Howard Devoto veio e escolheu o título para o álbum e você pode ler o que quiser! Isso é o que eu acho que o faz interessante. Eu amo esse momento em meu próprio trabalho, no qual o título é quase “nascido” e é como uma porta se abrindo para outro mundo.

5. Eu gosto de toda a discografia da banda, acho que todos os álbuns são excelentes, mas percebo que o único álbum que REALMENTE fez sucesso e se tornou popular, é o primeiro. Por que você acha que isso aconteceu? Pra você, qual é o melhor álbum do Magazine?

Bem, eu acho que o The Correct Use Of Soap também foi muito popular e bem feito, eu gosto desse álbum também, embora o meu favorito seja o Secondhand Daylight. Eu acho que criamos algo extraordinário. Basta você escutar faixas como “Feed the Enemy”, “Permafrost” e “Back to Nature” para ver a largura e a profundidade das ideias da banda e suas capacidades. Amo esse álbum.

6. Como foi seu primeiro encontro com Howard Devoto? E qual é a memória mais antiga que você tem com o Magazine? Você se lembra do primeiro ensaio que vocês fizeram?

Eu conheci o Howard numa tarde de domingo, na casa dele. Esta é a memória mais antiga que tenho porque eu estava tentado aprender a tocar o baixo durante a noite e então ele tocou a música “The Light Pour Out Of Me” na guitarra para mim, daí eu toquei uma nota, depois mais uma no ritmo certo e, por fim, funcionou e acabei conseguindo o trabalho!! O resto da banda se reuniu numa sala de ensaios para trabalhar em três músicas para que pudéssemos enviar para as gravadoras.

7. Vocês tinham algum conceito específico para o desenvolvimento e produção do Real Life?

Bem, ele surgiu junto como um experimento que foi definido por uma espécie de “poder”. Se você quiser e as características definidoras foram: originalidade, um crença nas palavras do Devoto e nossa própria maneira única de colocar o músicas juntas.

8. Como foi trabalhar no primeiro álbum de estúdio da Bad Seeds? Ao longo das gravações, você imaginou que From Her To Eternity se tornaria um álbum tão importante? O que você sentiu quando vocês estavam gravando?

Sim, eu sabia que era uma gravação importante. Tudo estava no lugar certo para que ele fosse dessa forma, e o nível da banda, assim como ocorreu com o Magazine, estava na medida certa para gerar um trabalho sonoro autêntico e completamente primitivo, então foi primordial e foi como fazer um grande filme, de forma que nos entregamos ao trabalho como se nossas vidas dependessem disso.

Adamson é um dos maiores guitarristas do universo Pós-punk.

9. A música “From Her To Eternity” é uma das melhores faixas da carreira do Nick Cave e até hoje em dia, é uma das favoritas doas fãs. Vocês demoraram muito para gravá-la? O que você se lembra sobre as gravações dessa música?

Lembro-me da energia e do desespero da letra, do caos controlado do Mick Harvey na bateria, e do Blixa fazendo o que, até hoje, é um dos sons mais extraordinários que eu já ouvi vindos de uma guitarra. E claro, havia o conhecimento do Nick, e a linha cinematográfica no piano. Enfim, um monte de energia estava sendo empurrada para fora ao mesmo tempo.

10. Você chegou a trabalhar com Nick Cave no Birthday Party e no Bad Seeds. Como era a dinâmica de ambas as bandas? Você gostaria de trabalhar com os Bad Seeds novamente?

Bem, de maneira geral as duas bandas giravam em torno do Nick, mas no caso do Birthday Party foi também em torno da guitarra do Rowland, que era uma espécie de “ajudante” para a voz do vocalista. No Bad Seeds havia uma paisagem sonora que era mais solta, e isso deu ao Nick maior liberdade para escrever e seguir a direção que ele queria seguir.

11. Como foi trabalhar ao lado de Stephen Strange no Visage?

Pra ser honesto, eu quase não o vi. A música foi feita antes da gravação do vocal, e então eu já tinha ido embora do estúdio quando ele estava por lá.

12. Qual é a melhor memória que você tem dos momentos que passou com o Pete Shelley?

Muitas, na verdade. Todo dia era um dia divertido! Ele era um compositor incrivelmente talentoso.

13. Dentre todos os seus álbuns solos, você tem algum favorito?

Eles são todos especiais para mim. Cada um é diferente entre si, permanecendo com sua própria força.

14. Já pensou em fazer um longa metragem baseado no seu primeiro álbum solo, Moss Side Story?

Sim. Várias vezes e eu fui abordado por cineastas que pensaram em fazer algo com esse álbum, mas as ideias propostas por eles não estavam realmente numa direção que fizesse com que eu me sentisse bem para isso… mas, quem sabe, um dia?

15. Você já esteve no Brasil alguma vez? Conhece bandas e músicos brasileiros?

Eu nunca fui, mas quero muito ir. Eu amo música brasileira dos anos sessenta, suponho, tal como Tom Jobim e Sérgio Mendes, é claro. Eu preciso me atualizar!

16. Você se mantém atualizado sobre novos artistas e bandas que estão surgindo? Se sim, gostaria de trabalhar com alguma delas?

Eu gosto de alguns. Grace Jones, Thom Yorke, James Blake, Emiliana Torrini e muitos outros, eu adoraria trabalhar com eles!!

17. O que você tem a dizer para quem deseja seguir carreira na música?

Basta escrever e tocar diariamente. Procure algo te dá energia e faz você também querer dar essa energia.

18. Quais são os seus planos para 2019? Você está trabalhando em algum material novo?

Sim, estou escrevendo diariamente!! Esse processo é como um quebra-cabeça que está no meio do caminho completo. E estou muito animado para ver a foto do álbum completo! Daí eu posso levá-lo ao Brasil!

sábado, 18 de julho de 2020

Zine Talk - Episódio 1 (Kraftwerk)

Por: Gabriel Marinho

Nosso tão esperado primeiro podcast finalmente está aqui! 

Para celebrar o início de uma nova etapa em nosso projeto, começaremos a postar podcasts sobre música, artistas e outros temas que amamos! Começando da melhor forma possível, gostaríamos de apresentar nosso primeiro episódio com uma das bandas mais lendárias e influentes do cenário musical alemão e mundial: o grandioso Kraftwerk! Para nos ajudar a comentar a respeito da trajetória dessa banda magnífica, contamos com o apoio de Karlos Júnior, frontman de um dos melhores grupos do cenário underground, o Quântico Romance! 

Aproveitem e viagem com a história, curiosidades e músicas do Kraftwerk nesse grande podcast! 


quinta-feira, 16 de julho de 2020

OS 10 GUITARRISTAS MAIS INCRÍVEIS DA CENA PÓS-PUNK:

Por: Juliana Vannucchi (colaboração de Diego Bagadin)

Preparamos uma lista de alguns dos mais guitarristas mais marcantes da vasta cena Pós-punk. Felizmente, além das lendas que vamos citar abaixo, há muitos outros que nos legaram hits e solos memoráveis. Dentre tantos gênios, após bastante pesquisa e reflexão, nossa seleção ficou da seguinte forma... 

Rowland Howard:

Um dos maiores ícones do Pós-punk australiano, Howard tocava guitarra de uma maneira simplesmente sobrenatural. Conduzia seu instrumento com imensa sensibilidade e intensidade. Ao longo de sua trajetória, participou de bandas notáveis como “The Boys Next Door”, “The Birthday Party”, “Crime & City Solution” e “These Immortal Souls”, além de ter produzido dois álbuns solo e gravado algumas músicas com Lydia Lunch.

Suas melodias mesclavam na dose certa um pouco de agressividade e de melancolia e, em várias faixas com as quais colaborou, seu instrumento era o verdadeiro fio condutor. Foi ele que compôs “Shivers”, uma das baladas mais sombrias e famosas do universo Pós-punk, além de ter sido ele o grande gênio inventivo e maestro de “Six Bells Chime”, música que, ao meu ver, representa o auge de seu talento. Aliás, nesse ponto torna-se válido citar que Howard foi o guitarrista do mais conhecido e conceituado álbum do The Crime & City Solution, que é “Room Of Lights”, responsável por impulsionar a banda da Austrália para o resto do mundo.
Seu modelo preferido de guitarra era a Fender Jaguar, que ele adquiriu em 1978. Howard usava frequentemente pedais de distorção e efeitos. Seu jeito de tocar e suas inúmeras colaborações com as bandas das quais participou, influenciaram grupos póstumos como Primal Scream e My Bloody Valentine. Howard possuía uma sensibilidade atípica e conseguia transpor qualquer sentimento no som de sua guitarra. Sempre vai ser um mito atemporal do Rock And Roll...

O guitarrista mais conceituado da cena Punk e Pós-punk australiana.


Billy Duff:

Billy Duff foi o lendário guitarrista do The Cult, responsável pela criação da memorável introdução do clássico “She Sells Sanctuary” e também de muitas outras músicas marcantes que gravou com a banda inglesa.

Ao longo de sua trajetória composta por dez álbuns de estúdio, o The Cult alternou um pouco a essência de sua sonoridade, e Billy Duff sempre se encaixou bem e obteve êxito em todos esses experimentos musicais.

Duff é um verdadeiro gênio e grande parte da singularidade e brilhantismo do The Cult deve-se a este compositor majestoso. Sua maneira de tocar influenciou muitos músicos, tal como foi o caso de Johnny Marr, o respeitado guitarrista do The Smiths, sobre qual falaremos a seguir...

O autêntico Billy Duff.

Johnny Marr:

O The Smiths é uma das maiores bandas de todos os tempos e por mais que Morrisey sempre tenha sido o principal símbolo do grupo inglês, certamente, o vocalista não teria alçando um desfecho tão magnífico se não fosse pelo talento de Johnny Marr, que é simplesmente um dos mais conceituados guitarristas da história do Rock And Roll.

Os arranjos compostos por Johnny Marr penetram o ouvinte e o elevam a um estado além do tempo e do espaço. No final das contas, ao meu ver, ele sempre foi o principal motor criativo da banda.

Johnny Marr, guitarrista do The Smiths.


Steve Stevens:

Desde a adolescência, o rebelde Billy Idol se mostrou imensamente talentoso. Mas precisamos admitir que o punker não teria chegado tão longe em sua carreira, se não fosse pela parceria com Steve Stevens, que foi seu par perfeito, o músico que iluminou o caminho de Idol e que sempre encontrou as melodias mais incríveis para acompanhar sua incomparável voz. 

O consagrado Steve Stevens também gravou com outros grandes músicos do Rock, como Peter Criss, do KISS e Sebastian Bach, astro do Skid Row, além de ter colaborado com ninguém mais, ninguém menos do Michael Jackson, o eterno Rei do Pop.

Steve Stevens: um monstro consagrado.

Blixa Bargeld:


O guitarrista alemão foi fundador da banda Einstürzende Neubauten, um dos grupos mais lúgubres dos anos oitenta. Ele também teve uma passagem célebre ao lado da banda australiana Nick Cave And The Bad Seeds, através do qual obteve maior reconhecimento e fama e pela qual eternizou-se cantando “Weeping Song”. Blixa é um dos guitarristas darks mais talentosos e até hoje, provavelmente é o mais venerado pelos morceguinhos! Seu estilo experimental, ruidoso e ousado abriu caminho para muitos músicos que seguiram a trilha de arranjos sombrios.

A título de curiosidade, vale citar que Blixa não apenas se destacou como guitarrista, mas também como ator, embora sua carreira na seria arte tenha sido bem discreta.


Blixa: um guitarrista e vocalista de enorme prestígio.


Peter Perrett:

Perrett esteve longe dos holofotes na maior parte de sua carreira, porém, embora tenha se mostrado um artista discreto, ainda assim, foi um ícone de seu tempo e até hoje é imensamente respeitado por suas colaborações com a banda “The Only Ones”. Sua maneira glamourosa de tocar tem uma herança grande da linhagem Punk, e geralmente soa de forma escrachante e agressiva, embora, em algumas músicas, torne-se mais sensível e amena. O fato é que, independente da melodia, ele sempre tocou de uma forma sedutora. Puro Rock And Roll.

O poético Peter Perrett, líder do The Only Ones.

Captain Sensible:

Se você é fã de Punk ou Pós-punk, certamente é fã de Captain Sensible. O estiloso guitarrista inglês fez alguns dos trabalhos musicais mais renomados dos anos oitenta e se tornou um verdadeiro mito. Sensible brincava com a guitarra e ao longo da carreira variou bastante o estilo de seus arranjos, embora sempre tenha mantido uma qualidade refinada em suas produções.

O irreverente Captain Sensible.


John McGeoch:

Em sua prolifera carreira musical, o engenhoso John McGoech passou por várias bandas com as quais sempre fez colaborações grandiosas. Se destacou especialmente pelos álbuns gravados com as bandas inglesas Siouxsie And The Banshees e Magazine. Por onde esteve, brilhou. Não havia tempo ruim para McGeoch e ele era capaz de transpor em sua guitarra o clima ideal de cada banda pela qual passava, e todos os seus trabalhos foram qualificados. Além das duas bandas citadas acima, gravou um ótimo álbum com o “The Armoury Show”*, fez um trabalho notável com o PIL e gravou algumas faixas para o “Kiss Me Deadly”, que é simplesmente a melhor produção da Generation X.

Talvez ele seja o guitarrista mais genial do universo Pós-punk e não há dúvida de que foi um dos instrumentistas mais originais e inventivos de toda a história do Rock And Roll.

*Único álbum lançado pelo grupo.

McGeoch: um dos melhores guitarristas de todos os tempos.


Daniel Ash:

Daniel Ash foi, provavelmente, o guitarrista mais consagrado da música Dark oitentista, além de ter sido um dos mais famosos de seu período. Suas distorções, ecos e ruídos sublimes ajudaram a moldar a sonoridade ímpar do Bauhaus e, com o passar do tempo, seu jeito de tocar serviu como referência para muitos outros músicos.

Daniel Ash se apresentando com o Bauhaus.

Andy Gill:

O guitarrista e fundador da banda Gang Of Four, falecido em 2020, não poderia estar fora da nossa lista. Sua ousadia criativa o levou a dar vida a uma sonoridade muito singular e elogiável. Sua banda era uma espécie de laboratório de experimentos melódicos e rítmicos do qual saíram composições fascinantes. Gill sempre será lembrado um dos mais épicos e frutíferos de sua geração e também das gerações posteriores, que certamente o terão como inspiração.

Andy Gill em ação... 

sexta-feira, 10 de julho de 2020

SID VICIOUS - O NIILISTA MALTRAPILHO QUE MUDOU O ROCK AND ROLL:

A história do Punk Rock é composta por muitos nomes lendários. Dentre eles, encontra-se o icônico Sid Vicious, cuja figura até hoje gera opiniões e comentários controversos. Algumas pessoas o idolatram, e outras o repudiam, mas o fato é que a cultura Punk, como um todo, jamais seria do jeito que é se não fosse por sua existência.

A vida de Sid Vicious até hoje é cercada por mistérios e sempre foi repleta de binômios: “tocava bem/não tocava bem” - “sabia tocar baixo/não sabia tocar baixo”/“era uma pessoa inocente/era um sujeito perverso”/“morreu de overdose/se suicidou”/“matou Nancy/não assassinou a companheira”. As inúmeras considerações contrárias a seu respeito fazem dele um verdadeiro mito. Por “mito” entenda-se uma personalidade atemporal que simboliza algo. No caso, Vicious, através de sua persona, representava a rebeldia transgressora de todo o movimento Punk. Considero que quem o conhece apenas de uma maneira deveras superficial, o vê como um jovenzinho teimoso, violento, sanguinário, atraente e drogado. Certo. Talvez ele fosse tudo isso. Mas havia algo a mais em Sid Vicious, e são esses outros aspectos, esses que primeiramente escapam da imagem midiática e rasa em torno dele, que o transformaram no mito que citei acima.




Sid era determinado, mostrava empenho ao tentar aprender a tocar baixo e era uma pessoa decidida em relação ao rumo artístico que sua vida tomou. Através de suas atitudes ousadas e discursos provocativos, procurava conscientemente e incentivar as pessoas a se firmarem e abandonarem suas zonas de conforto. Ele estava ciente de que os jovens de sua geração eram pressionados pela família, pelo governo, pela moral e pela sociedade e, por isso, prezava pela liberdade. Conforme certa vez declarou: “Se você faz alguma, deve fazer porque gosta, e não por dinheiro(p.40, 1985). E em relação, especificamente ao futuro de um jovem após o término dos estudos escolares, disse: “Se é para fazer alguma coisa, você deve fazer o que quer”. (p.43, 1985), sendo tal comentário contextualizado com o excesso de expectativa que os pais criam em torno dos filhos. Também afirmou: “Nós acreditamos na total liberdade de ação”. (p.39, 1985) - ele repudiava o “modus operante” mecanicista da sociedade. Por esses e outros comentários e por seus constantes atrevimentos, acredito que Sid, de certa maneira, catalisou em seu espírito toda a aura desafiadora de revolta, escândalo, crítica e inovação estética que permeavam no âmago da cultura Punk. Nesse sentido, ele pode ser uma inspiração positiva para muitas pessoas.

Também é válido ressaltar que a imagem de “bad boy” que acompanhou o baixista do Sex Pistols foi uma construção ao menos parcialmente midiática, pois, convenhamos havia certo empenho dos meios de comunicação para desmerecer o Punk Rock. Em relação a isso, o próprio Sid chegou a denunciar a hipocrisia da mídia que os reprovava por falarem palavrão. Ele disse, com seu habitual cinismo: “Quase todas as pessoas usam palavras de baixo calão em seu vocabulário”. Pois os Pistols simplesmente também usavam e pronto. O niilista maltrapilho também acreditava que o Rock And Roll precisava retomar suas raizes, ou seja, deixar de ser elitizado, partir das ruas e permear por entre elas. Nesse sentido, também foi incisivamente crítico e demonstrou sentir falta da presença de “astros” do Rock no meio das massas e chegou a afirmar que não andaria na mesma calçada dos Stones e que os desprezava: “(...) deviam ter desistido em 1965. Você nunca vê nenhum desses babacas andando nas ruas (...)”. (p.42, 1985).

Torna-se válido citar que Dee Dee Ramone e Siouxsie foram algumas das grandes personalidades musicais a declarar que Sid era um rapaz doce e legal. Freddy Mercury, contudo, provavelmente pensava o contrário, pois o encontro que teve com Sid foi um tanto áspero.

O fato é que Sid Vicious mudou para sempre não apenas o Punk Rock, mas também a história do Rock. Seu nome está eternizado e isso independe do fato de ele ter sido “herói ou vilão” - mas confesso que, felizmente, acho que ele foi um vilão!

REFERÊNCIA:

SANTOS, Hugo. Sid Vicious. São Paulo: Brasiliense, 1985.

THE EDWOODS E SUA TRILHA SONORA TRASH

Imagine a abertura de Assassinos Por Natureza (1994), de Oliver Stone, em que Mallory Knox dança ao som de “The Way I Walk”, de Robert Gordon e Link Wray (também conhecida principalmente pelo cover da banda The Cramps). Essa é uma das imagens que o duo paulistano The Edwoods passa para os ouvintes em seu mais novo EP intitulado “Drag Racer” (2020/Rubber Octopus Records). 

Andy e Eron formam o duo paulistano de garage rock The Edwoods.

O duo de primitive rock formado em 2018 pelos integrantes Andy e Eron Edwood tem o encanto de mostrar o melhor de uma sonoridade tribal e garageira, gênero marcado por bandas como The Cramps, Stray Cats e The Stooges, entre outras bandas de Detroit e do gênero Psychobilly. O EP e os singles lançados nos anos anteriores, incluindo um cover de “Bela Lugosi’s Dead” da banda inglesa Bauhaus, mostram logo de cara o intuito do duo em apresentar ao público as suas influências, que vão desde o proto punk até o pós punk, passando também pelas bandas de garage rock dos anos 90. O resultado de suas músicas é uma sequência de sons que poderiam muito bem estar presentes na filmografia do diretor Ed Wood, conhecido por seus filmes de baixo orçamento e pela sua criatividade em realizar suas obras com o recurso limitado que possuía. 
Todas as músicas da banda são tocadas no formato de guitarra e bateria com melodias rasgadas e barulhentas, e suas apresentações ao vivo mantém a agressividade composta por apenas dois integrantes que possuem muita inventividade para boa música.


As quatro músicas que compõe o EP estão disponíveis nas principais plataformas de streaming e também em vinil de 7 polegadas, que pode ser adquirido ao entrar em contato com a banda na página oficial do Instagram e Facebook, sendo enviado para todo o Brasil. Você pode ouvir a discografia da The Edwoods aqui no link do Bandcamp: https://edwoods.bandcamp.com/

segunda-feira, 6 de julho de 2020

FABLES OF THE RECONSTRUCTION - O ÁLBUM CONCEITUAL QUE MUDOU A HISTÓRIA DO R.E.M.:

Por: Gabriel Marinho

No dia 10 de junho de 1985, há 35 anos atrás, o R.E.M. lançava o que pode ser dito com o seu primeiro álbum de transição e, talvez, o mais desafiador da carreira da banda até aquele momento. Se afastando um pouco do Jangle Pop e se aproximando mais de um som sombrio e Pós-punk, o Fables Of The Reconstruction é um álbum um tanto peculiar e um divisor de águas na discografia da banda. Alguns fãs o amam por seu experimentalismo, outros o consideram muito estranho e o menos marcante dos 7 álbuns lançados pelo R.E.M. durante os anos 80. Mesmo assim, é um trabalho que merece atenção pela coragem da banda em se arriscar em uma sonoridade nova.

O Fables Of The Reconstruction é um álbum conceitual, influenciado pelo gênero Gótico Sulista com temas rurais e personagens obscuros. Para ajudar na criação de um panorama psicodélico para o álbum, a banda se mudou para Londres e trabalhou com Joe Boyd, famoso por ter produzido o single “Arnold Layne” do Pink Floyd e os primeiros álbuns de bandas/artistas Folk como Faiport Conventin e Nick Drake (ele também produziu a trilha sonora do filme "Laranja Mecânica").

Grande parte do material de composição da banda nessa época também veio das experiências das viagens dos integrantes pelo país em turnês quase constantes até aquele ponto, bem como de um crescente senso de ativismo político, aspecto esse que encontraria uma expressão mais aguda nos álbuns subsequentes, “Lifes Rich Pageant” e “Document”.

É interessante notar que cada membro da banda decidiu adotar um pseudônimo para incorporar melhor as histórias contadas nas faixas: 

Bill Berry “WT Berry – Best Boy”,
Peter Buck “PL Buck – Ministry of Music”
Mike Mills “ME Mills – Consolate Mediator”
Michael Stipe “JM Stipe – Gaffer Interpreter”

O controverso "Fables of the Reconstruction": aclamado por uns, reprovado por outros...
Faixas

Começamos a jornada musical com “Feeling Gravitys Pull”, uma abertura completamente diferente se comparada com os dois álbuns interiores. Assustadora e lúgubre, poderia ter sido facilmente escrita pela banda The Cure durante a fase do Pornography, com sua guitarra lenta e cromática e termina de forma majestosa com um quarteto de cordas. A música descreve de forma surrealista como é cair no sono usando como referência as fotografias do artista visual dadaísta Man Ray. A música é uma das melhores aberturas do acervo da banda e define o tom do álbum.

“Maps and Legends” segue substituindo o som macabro da canção anterior por uma versão melancólica do Jangle Pop que lançou a banda ao mundo e traz a característica harmonização vocal entre Michael Stipe e Mike Mills, que canta letras diferentes das do vocalista. É sem dúvidas uma das composições mais fortes do grupo! A faixa foi feita em homenagem ao Reverendo Howard Finster que fez a capa do segundo álbum da banda, e foi conhecido por ter transformado seu lar em uma obra de arte com mais de mil pinturas. 

O R.E.M. é uma das bandas mais autênticas da frutífera década de oitenta.

Enfim, chegamos em uma das favoritas dos fãs: “Driver 8”. A música possui um som mais comercial, porém, essa sonoridade está longe de ser genérica! A canção oscila magnificamente entre alegria e solidão enquanto descreve de forma abstrata áreas rurais e referências ao Southern Crescent, um trem de passageiros que continua a operar até hoje. Há diversas metáforas sobre o desejo de fuga de um ambiente tedioso e o desejo de uma vida nova. O vocalista Michael Stipe disse ter “visto” a canção antes mesma de tê-la criado, o que pode ter contribuído para as imagens tão bem descritas.

Logo na sequência, com um começo suave, “Life And How To Live It” segue com um Folk atmosférico e acalentador, repleto de imagens abstratas e metáforas sobre o autor Brivs Mekis, da cidade natal da banda, Athens, na Georgia. O escritor possui duas casas conectadas por um buraco na parede e se “mudava” para cada uma quando se entediava da outra, tudo sendo descrito em um livro chamado  “Life and How To Live It”.

Novamente, voltamos ao som tenebroso com “Old Man Kensey” uma das mais subestimadas da banda. Com uma guitarra soturna e um baixo pesado, além de obviamente as harmonizações angelicais entre Stipe e Mills, a canção é como um filme de terror rural que conta a história de Kensey, um amigo do pintor Howard Finster que roubava caixões e sequestrava cachorros...

Can’t Get There From Here” apresenta uma quebra totalmente diferente do resto do álbum, com um som mais agitado e bastante influenciado pelo Funk e pelo Blue Eyed Soul, até mesmo com Stipe tomando inspirações de vocalistas de  R&B. A faixa é super divertida e dançante! Embora não tenha um significado em específico, ela pode ser considerada um tributo aos reis do Funk americano, tal como Ray Charles e James Brown. É também a primeira canção da banda a incluir uma orquestra de cornetas.

Green Grow the Rushes” é uma tristonha canção Folk e uma das primeiras da banda a abordar questões sociais. Através de seus acordes agridoces e lastimosos, Stipe narra o tratamento intolerável sofrido pelos trabalhadores imigrantes que chegam a América. Inicialmente, a música surgiu de um pacto feito entre o vocalista e sua amiga da banda 10,000 Maniacs, Natalie Merchant, através do qual ambos escreveriam sobre o genocídio dos povos indígenas americanos. A faixa é uma das mais bem escritas e descritivas canções sociais feitas pela banda em toda sua célebre carreira.

A transição entre a anterior e “Kohoutek” é quase que imperceptível e elas se encaixam perfeitamente,  mesmo  não tendo temas similares em comum. A faixa é um tanto comovente com seu tom de despedida comparando um amor perdido ao cometa de mesmo nome, que só passará pela Terra novamente em 75 mil anos. O R.E.M. não tem tanto enfoque em canções de amor ou decepções amorosas, o que faz com que essa faixa seja um pouco esquecida e injustiçada, o que é uma verdadeira lástima, pois é uma das mais acessíveis, simples e diretas feitas pelo grupo. A mistura perfeita entre Folk e Rock alternativo nessa música a torna uma viagem incrível com os arpejos bem calculados de Peter Buck e com o vocal fascinante de Stipe, que tremula graciosamente até o fim.

Auctioneer (Another Engine)” diferente do compasso lento da maioria das faixas volta às raízes da banda com um som mais frenético. Pode-se dizer que é uma mistura perfeita entre Punk e Folk, e é impossível ficar parado ao ouvi-la! Nela, Stipe narra as histórias de seu avô, que era um vendedor viajante. O tom da música combina com o que parece ter sido uma vida um tanto aventureira...

Após um final tão agitado como “Auctioneer”, a banda volta a fórmula de mais uma canção lenta e rural com “Good Advices” que possui uma letra um tanto mais interessante que sua parte instrumental que, infelizmente, é pouco inspirada e soa de maneira repetitiva. A letra narra a história de como conhecemos estranhos pelo caminho da vida e depois nunca mais os vemos novamente.

Fechando de uma forma diferente das outras canções rurais, “Wendell Gee” bebe mais da fonte seiscentista, tendo focos no piano e banjo ao invés de seguir a fórmula clássica de guitarra, baixo e bateria. Pode ser vista como, de certa forma, uma pré-faixa do álbum Green em que a banda passou a experimentar com instrumentos mais convencionais. Inspirado parcialmente em uma pessoa real, na verdade,a ideia da letra veio de um pesadelo tido pelo vocalista. É um final um tanto interessante para um álbum como Fables Of The Reconstruction.

Conclusão...

O Fables Of The Reconstruction pode ser um um tanto estranho quando o escutamos pela primeira vez, ainda mais se comparado aos dois álbum antecessores. Na época de seu lançamento, devido às circunstâncias em que foi gravado, como a falta que a banda sentia dos Estados Unidos e o desagradável inverno londrino, fizeram que as opiniões dos integrantes sobre o álbum acabassem se tornando públicas, como foi o caso de Bill Berry dizendo que detestava o álbum em uma entrevista nos anos 90, e Peter Buck afirmando que “Driver 8” poderia “ter sido escrita enquanto estivesse dormindo”.  O fato é que Fables Of The Reconstruction continua a ser um dos mais  interessantes trabalhos da banda, mostrando bastante maturidade, mais riscos, mais experimentalismos musicais para os quais foram usados diferentes instrumentos, sons e conceitos. Além disso, é notável o afastamento do Jangle Pop e a presença de conceitos líricos mais compreensíveis ao invés de apenas fragmentos de letras como ocorre em Murmur e Reckoning. Podemos considerar esse o primeiro álbum de transição da banda para um som mais encorpado e um dos primeiros passos em direção ao ativismo social que se tornaria tão conhecido pelo grupo e se tornaria mais evidente em álbuns como “Document” e “Green”.




TwitterFacebookRSS FeedEmail